Digital Book World acontece em março


Conferência deve reunir 1.500 profissionais do livro para discutirem os rumos da indústria digital do livro

Digital Book WorldCerca de 1500 profissionais do livro devem se reunir na Digital Book World [DBW], marcada para acontecer entre os dias 7 e 9 de março, em Nova York. A conferência idealizada pelo colunista do PublishNews Mike Shatzkin discute os rumos do livro digital, as estratégias para a transformação digital da indústria do livro, apontando tendências e novas possibilidades para a indústria editorial. Entre os destaques da programação, estão John Ingram, presidente e CEO da Ingram; Scott Galloway, professor de marketing da Universidade de Nova York; Dominique Raccah, CEO da Sourcebooks; Virginia Heffernan, escritora que colabora dom a New York Times Magazine, e May Ann Naples, vice-presidente sênior da Rodale Books. Para mais informações e inscrições, acesse o site da DBW.

Redação PublishNews | 11/12/2015

Trabalhar dados para saber para onde estão indo seus livros


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 28/01/2015 | Tradução Marcelo Barbão

No dia anterior à Digital Book World [que neste ano aconteceu na quinta-feira, dia 13 de janeiro], nós organizamos uma conferência sobre edição para jovens chamada Publishers Launch Kids. Como meu envolvimento com livros juvenis no meio século em que estou nesta indústria foi relativamente superficial, tivemos a sorte de ter recrutado nossa amiga, Lorraine Shanley, da Market Partners International, para ser a presidente da conferência e do programa. Ela me convidou para participar de uma sessão de perguntas no final do dia. Eu pude contribuir com uma “perspectiva nova” porque não tinha tanta carga de conhecimento, antes de ouvir todos os participantes.

Lorraine trouxe um tema importante: as editoras infantis estão encontrando novos fluxos de renda. A assinatura é uma delas. Conseguir dólares promocionais de grandes marcas é outra. Participaram algumas das novas editoras digitais que estão criando propriedade intelectual própria, transformando livros em direitos subsidiários, licenciando aquela PI para editoras de livros mais puras.

Fiquei feliz quando descobri que a audiência pareceu sentir que meus comentários na sessão final ajudavam a entender o que foi discutido no dia, então repito estas observações aqui e acrescento outras com a esperança de que poderá servir para vocês.

O primeiro ponto tem a ver com o consenso geral, bastante difundido e comentado, de que editar livros infantis é uma das melhores áreas na indústria, o que fez com que todas as Cinco Grandes expandissem margens e lucros. Mas quando os fatos são examinados um pouco mais de perto, fica claro que há limites reais para as conclusões que deveriam ser tiradas dos dados que levaram a esta crença.

A renda das editoras baseia-se nos códigos BISAC associados com cada livro publicado. O fenômeno dos últimos anos, voltando quase duas décadas até o lançamento do primeiro Harry Potter, é que há uma forte audiência adulta para livros rotulados como juvenis [e às vezes, como no caso de um livro chamado “Wonder” – ou o próprio Harry Potter – livros que são voltados para leitores ainda mais jovens].

Bem, os mestres das estatísticas da Nielsen Book deixaram claro como estas vendas podem ser distorcidas em sua apresentação, pois mostraram que 80% das vendas de romances juvenis são para os próprios adultos lerem! Como um dos desafios centrais que reconhecemos para a publicação juvenil é a forma de superar os filtros de professores e pais entre os livros e sua audiência, este dado faz parecer que a questão do filtro não é tão importante como poderíamos ter pensado. Ou, pelo menos, para uma boa parte da lista, não é o desafio de marketing mais relevante.

E isso levanta uma segunda questão. Está claro que a edição de livros juvenis, como todos os livros gerais, precisa separar muito bem os títulos e os ganhos atribuíveis que são apenas texto daqueles que não são. Há muito tempo defendemos esta perspecitva para a edição de livros adultos por causa da clara e consistente evidência de que livros apenas de texto podem ser portados para o digital e os outros livros, não. Claro, isso seria verdade independente da faixa etária dos livros. Mas, tirando as diferenças no desempenho baseado no formato, livros juvenis possuem uma divisão que também se baseia nas audiências.

Nas conversas daquele dia, nenhuma editora indicou que divide seu negócio desta forma. Quer dizer, mesmo se você aceitar que 80% das vendas de seus livros de texto juvenis são feitas por adultos para adultos, isso não facilita um novo cálculo de quanto de sua audiência total e vendas são para consumo de adultos ao contrário de ser para consumo juvenil, a menos que já tenha separado os livros juvenis e infantis do resto de sua produção. [Incluo os livros infantis porque conheço o livro “Wonder”, voltado para crianças de nove anos, mas excelente para todas as idades.]

Sem fazer esta distinção, uma boa análise de dados de venda para informar o marketing se torna quase impossível.

Há uma analogia aqui para uma dicotomia diferente. Já falamos durante anos neste blog que olhar esta divisão entre a venda de livros impressos e e-books por gênero ou categoria ou editora é muito menos significativa para análise ou decisões de negócios do que olhar para as vendas feitas online versus as feitas em livrarias. Obviamente, 100% das vendas de e-books são feitas online, mas esta é apenas uma parte da história. Como as editoras consideram a alocação de recursos do marketing e a equipe de vendas para onde os esforços promocionais devem ser focados, a distinção mais importante é como as pessoas compram do que a forma como elas leem.

E a diferença importante para editoras que olham para vendas a fim de entender como conseguir mais é quem compra e lê seus livros, não que nível de leitura eles, teoricamente, estão querendo.

Há algumas outras implicações desta combinação de livros com audiências reais. Uma é que pode ser possível, e talvez até provável, que as divisões infantis das Cinco Grandes estejam mais bem posicionadas para procurar estas audiências adultas do que uma editora somente infantil poderia estar. Inclusive os especialistas em marketing da divisão de adultos se envolvem no trabalho de livros que são publicados pelos editores de livros infantis.

Também vim ao Pub Launch Kids com uma velha ideia que a discussão naquele dia só reforçou. Não consigo entender por que cada uma das Cinco Grandes editoras não está operando seu próprio programa de assinaturas para juvenis: todos com livros graduados, de iniciantes a intermediários. Aqui está minha lógica: quase todo pai adoraria poder entregar um tablet ou celular a uma criança para que elas leiam e deixar que façam suas próprias “compras” de livros. Mas não querem que as crianças gastem dinheiro. A assinatura é uma resposta simples para isso.

Lorraine montou um ótimo painel de empresas na Launch Kids com ofertas de assinaturas: MeeGenius, Speakaboos e Smarty Pal. Todas estas empresas tinham mais a oferecer do que apenas assinaturas, incluindo enhancement [narrativas com leitura e áudio], curadoria e dados que podem ser úteis para pais e professores. Mas também tinham um número limitado de títulos [em todos os casos, menor do que qualquer uma das Cinco Grandes poderia distribuir] e um modelo comercial desafiado tanto pelo custo operacional da aquisição de conteúdo quanto pela necessidade de ter seu próprio lucro além do que a editora recebe [para dividir com o autor].

Enquanto isso, as Cinco Grandes possuem arquivos digitais de todos seus livros e a capacidade de promover um serviço de assinaturas para sua audiência-alvo simplesmente fazendo promoção nas capas dos livros impressos que eles vendem e dentro de seus e-books. Ao contrário de um serviço de assinatura feito por terceiros, elas poderiam viver com uma base de assinaturas pequena e em constante crescimento para manter o custo da baixa aquisição do assinante. Aprenderiam muito observando o comportamento de seus leitores. Poderiam descobrir que um assinante que olhou um livro de imagens 27 vezes poderia estar disposto a comprar uma cópia impressa, assim a atividade de assinatura também poderia gerar dicas de vendas.

E este tipo de inteligência poderia realmente levar a um novo fluxo de renda que foi bastante discutido na Launch Kids: livros personalizados.

Assinaturas dos donos de PI de livros juvenis para versões digitais de seu conteúdo também possuem outro grande mercado potencial: escolas. Todos os vendedores de assinaturas reconhecem isso. Qualquer editora que iniciasse um serviço de assinaturas teria que investir neste mercado também. Uma editora com quem discuti isso vê o mercado institucional como o primeiro a ser conquistado, mas concordou depois que conversamos que a capacidade de realizar uma estratégia de assinantes unitários, em vez de precisar de muitos deles para construir um negócio autônomo, fazia uma diferença real no lucro que estes assinantes únicos poderiam gerar e até que ponto o custo de aquisição poderia ser impulsionado.

Estive esperando ansioso que a Penguin Random House oferecesse seu conteúdo para escolas em forma de assinatura, o que poderia lhes dar uma enorme vantagem estrutural sobre todo o resto no mercado. Falo isso apesar de que a PRH sempre me respondeu [nos termos mais amáveis possíveis] que minha especulação sobre o que é melhor para eles não se enquadra no que eles mesmos pensam sobre o assunto.

Mas se fizessem isso, a resposta mais sensível das outras quatro grandes editoras seria uma oferta combinada às escolas, já que seria necessário que as quatro se juntassem para apresentar uma alternativa comparável. Ficamos pensando no que o Departamento de Justiça acharia disso.

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

As muitas estrelas da Digital Book World 2015


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 07/01/2015 | Tradução Marcelo Barbão

Metade da conferência DBW – Digital Book World [que começa na próxima semana, em Nova York] vai acontecer no palco principal para todos os presentes. Os palestrantes de 2015 compreendem o grupo mais ilustre que já tivemos. O ponto central é que conseguimos trazer palestrantes da Amazon e da Apple para nosso palco principal – algo que nenhuma outra conferência no mercado editorial já conseguiu fazer –, mas já estaria me sentindo orgulhoso desse programa mesmo se as duas empresas não estivessem! Além do varejo, temos três autores best-sellers, três executivos importantes de editoras [quatro se contarmos que o CEO da F+W, David Nussbaum, vai fazer o discurso de abertura], três especialistas em dados e dois líderes de indústrias próximas.

O programa vai começar com uma apresentação do autor de best-sellers Walter Isaacson, cujo livro mais recente é The innovators. Isaacson escreveu biografias importantes de Benjamin Franklin e Steve Jobs nos últimos anos, com muita repercussão no mercado editorial. Seu livro mais recente fala sobre a revolução digital em geral, o contexto em que ocorre a mudança no mercado, que é o tópico da DBW. Estabelecer contexto é sempre uma boa fomra de começar e é o que Isaacson vai fazer, sem dúvida.

Descobrimos o investidor em educação e tecnologia Matthew Greenfield durante o planejamento da DBW 2015 e pensamos que nossa audiência iria concordar que foi uma grande “descoberta”. A empresa de Greenfield, Rethink Education, investe em start-ups, que ele divide em três grupos: as que entregam livros aos leitores e conteúdo para uso em escolas; as focadas em leituras curtas, como notícias, e as que se relacionam com a escrita, o que provavelmente inclui coleções de leituras para ajudar a desenvolver escritores. Como o campo de tecnologia para educação tem muito a ver com criar novas plataformas cujo conteúdo é consumido em escolas e faculdades [assim como acrescentando valor com contexto e avaliações], ele vai incluir explicitamente conselhos para editores que vendem seu conteúdo para uso educativo e acham cada vez mais necessário vender através destas plataformas. Greenfield também faz algumas especulações interessantes sobre para onde vai a tecnologia educacional e o que podemos esperar ver em quem mais ameaça as editoras: a Amazon.

Não é possível tentar entender o futuro do mercado editorial sem conhecer o novo fenômeno do “marketing de conteúdo”. Então procurei o Fundador do Instituto de Marketing de Conteúdo, Joe Pulizzi, para que mostrasse um pouco de seu conheciento para os editores de livros. Comecei pensando que o negócio de marketing de conteúdo poderia ser bom para nosso conteúdo, mas ele me esclareceu bem rápido: esta não é a sinergia mais provável entre o que ele sabe e o que precisamos. Na verdade, Pulizzi é um especialista em como usar conteúdo para conquistar o consumidor e faz isso para organizações e marcas que precisam pagar para criar este conteúdo. Claro, nós, no mercado de livros já temos muito conteúdo e estamos prontos para ter acesso a mais dentro de nossas equipes e redes existentes. Nesta apresentação, Pulizzi vai falar sobre como podemos usar conteúdo para ganhar o consumidor e clientes leais para quem podemos fazer o marketing diretamente [pensando verticalmente]. Tudo que Pulizzi falar provavelmente vai provocar questões nos editores, por isso também demos a ele uma sessão de grupos para aqueles que quiserem ouvir mais e interagir com ele.

A primeira CEO de editora a subir ao palco será Linda Zecher da Houghton Mifflin Harcourt. Zacher dirige uma empresa que é grande no mercado educativo, mas possui livros na lista dos mais vendidos também, então é a única CEO que atinge estes dois segmentos editoriais. Ela também possui talentos raros para uma executiva do mercado editorial, já que vem da tecnologia [em seu caso, da Microsoft]. Esta entrevista com Michael Cader vai focar nas lições aprendidas do lado educacional que poderiam ser precursores dos ajustes que as editoras gerais também terão que fazer.

O seguinte será James Robinson, Diretor e Analista de Notícias do The New York Times. Robinson é, na verdade, o tecnólogo do Times na redação. Ele proporciona a visão que escritores e editores precisam para entender quem são seus leitores e, claro, não são os mesmos para todas as matérias. Ele também quer garantir que o máximo de pessoas possível veja cada história relevante, mesmo que seja uma surpresa para os leitores. Nem é preciso dizer que Robinson tem um background incrível. Ele passou vários anos trabalhando comigo na The Idea Logical Company antes de obter um Mestrado na NYU estudando com o importante líder, Clay Shirky. A forma como ele pensa em conteúdo e audiências para The Times contém lições para editores de não ficção e talvez para editores de ficção também.

A primeira manhã nas apresentações do Palco Principal vai terminar com Cader e comigo entrevistandoRuss Grandinetti, SVP, Kindle, na Amazon. Grandinetti é um executivo articulado e direto que está com a Amazon desde o começo e que cuidou do Kindle desde sua criação. Com a Amazon sendo considerada a mais poderosa e perturbadora força no mercado editorial, todos estamos interessados em ouvir o que ele pensa sobre o futuro dos livros impressos versus digital, livrarias versus compras online, e quanto vão crescer os programas editoriais e de assinaturas da própria Amazon.

A segunda manhã vai começar com Michael Cader entrevistando o guru de Internet e de marketing Seth Godin sobre o assunto: “o que vem depois?” Godin, que viu – e escreveu sobre – a importância de construir marcas pessoais e listas de e-mails no começo da era da Web, é um bem-sucedido autor de livros que acompanha há várias décadas como as editoras funcionam e fazem marketing. Nesta conversa, ele vai dar conselhos intuitivos e lógicos que muitos podem seguir. Qualquer um que já ouviu Godin falar sobre “marketing de permissão” há 20 anos e seguiu seu conselho, agora possui uma enorme lista de e-mails, que é um bem valioso de marketing. Com certeza todos os editores sairão desta sessão com algumas novas ideias para aplicar.

Em seguida, para uma entrevista comigo, estará o CEO Brian Murray da HarperCollins. Sob a direção de Murray, a HarperCollins se estabeleceu como a segunda editora em língua inglesa no mundo. Duas recentes aquisições, a editora cristã Thomas Nelson e a editora de romances Harlequin, criaram fortes bases para desenvolver grandes comunidades verticais. Além disso, a Harlequin tinha uma infraestrutura global que a HarperCollins está usando como base para construir sua própria presença global – e não apenas em língua inglesa. Murray vai discutir como estas aquisições posicionam estrategicamente a HarperCollins para competir com a Penguin Random House, bastante maior, e construir a capacidade de chegar a novos leitores, além dos que conseguem através da Amazon, Barnes & Noble, e um número cada vez menor de parceiros no varejo.

Nos últimos anos, os ebooks foram tomando espaço dos impressos no mercado, chegando a provavelmente uns 25%. Mas isso não é distribuído de forma igual por gênero ou tipo de livro. Jonathan Nowell, o CEO da Nielsen Book, vai nos ajudar a entender como a mistura do que é vendido como impresso mudou como resultado desta situação. Entender como realmente anda o mercado de impresso vai ajudar editoras e livrarias a planejar o futuro, no qual veremos provavelmente menos livros impressos no geral, mas não em todas as áreas.

Ken Auletta da The New Yorker cobre tanto a indústria de conteúdo quanto a tecnológica há várias décadas. Ninguém entende melhor do que ele como funcionam as empresas nos dois setores – incluindo suas culturas. Entre seus cinco best-sellers está “Googled: The End of the World as We Know It”. Auletta vai falar sobre “Publicar no Mundo dos Engenheiros” e como as empresas de conteúdo menores se unem a seus novos parceiros que vêm do mundo da tecnologia. O choque cultural entre fornecedores de conteúdo há muito estabelecidos e as empresas de tecnologia que valorizam muito a “ruptura” é um tema que interessa a todos e Auletta certamente vai falar um pouco disso.

Hilary Mason é uma especialista em dados que afiou seu talento em análise durante o tempo que passou na Bit.ly. Mason passou anos aprendendo sobre indivíduos através do comportamento online deles. Nesta conversa, ela vai contar aos editores o que aprendeu sobre como conhecer indivíduos e audiências e como usar estas ideias para acumular interesse e afetar comportamentos. Como Pulizzi, antecipamos que Mason vai criar muitas questões nos participantes que vão querer aprofundar a discussão sobre seus interesses particulares. Então também demos uma sessão de grupo para ela à tarde, onde os que mais se interessarem podem explorar como usar dados e análise de forma eficiente.

Judith Curr é presidente e publisher do selo Atria da Simon & Schuster. Ela sempre teve admiração por empreendedorismo e há muito tempo autores independentes a atraem como editora. [Ela lembra que Vince Flynn começou como escritor autopublicado.] Assim Curr fez alguma pesquisa e tentou descobrir como fazer do seu selo um lugar no qual um autor independente quisesse estar. Nesta conversa, outros editores que veem a importância de trabalhar com autores que querem fazer eles mesmos o marketing, dirigir suas carreiras e publicar mais rápido [ou mais curto] do que o processo convencional, podem aprender de suas ideias e experiências.

A atividade no palco principal vai concluir com uma entrevista de Michael Cader com Keith Moerer, que dirige a iBooks Store da Apple. A iBooks Store se estabeleceu como a segunda maior vendedora global de ebooks e possui planos ambiciosos de crescimento. Nunca tivemos a sorte de recebê-los na programação da DBW antes. Ficamos muito felizes de sermos capazes de fechar o dia no palco principal com a Amazon e com a Apple, dando aos editores a chance de ouvir as duas maiores livrarias do mundo.

Não falei neste post nem no anterior que nas sessões de grupos da DBW estará o excelente programa Launch Kids organizado por nossa amiga e frequente colaboradora, Lorraine Shanley da Market Partners International. O mundo dos livros juvenis e jovens provavelmente é o que mais vai mudar entre todos os segmentos editoriais e há legiões de atores, além dos que vemos no mercado editorial, trabalhando para isso. Lorraine juntou vários deles — nomes familiares como Google, Alloy, Wattpad e Amplify da NewsCorp, além de inovadores como Kickstarter, Speakaboos, Paper Lantern Lit, I See Me e o novo sucesso da Sourcebooks, Put Me In The Story. Se publicar para jovens está no seu radar, você vai querer planejar ficar nos três dias conosco e começar com Launch Kids no dia anterior ao começo da DBW 2015.

Através da seção de comentários deste blog, conheci Rick Chapman, que é um escritor autopublicado de livros sobre software [e, agora, algo de ficção também]. Os comentários de Chapman no blog foram tão inteligentes que eu o chamei para falar em um painel na DBW [citado no último post]. Ontem, Rick publicoueste artigo desafiando a sabedoria convencional de que a Amazon é a melhor amiga do escritor independente. Ele até começou uma pesquisa com autores independentes para reunir dados para sua apresentação na DBW. Independente do que pensemos sobre a Amazon, o post de Chapman é provocador e interessante. Se você ler o post, provavelmente vai querer vê-lo em seu painel na DBW.

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

A infraestrutura de apoio para que entidades possam publicar está crescendo


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Lembro de uma letra de música do começo dos anos 70 cuja linha de abertura era: “não precisamos de mais marinheiros, precisamos de um capitão.” Aquela música poderia estar falando do novo mercado editorial que está crescendo a partir do fenômeno da“atomização”, livros que poderiam sair de quase qualquer lugar [este é o “nós”]. São apoiados pelo “desempacotamento”, a disponibilidade de quase todos os serviços exigidos [estes são os “marinheiros”] na complexa tarefa de publicar livros.

Isto é o que deveríamos chamar de “entidade de autopublicação”, ao contrário de “autor de autopublicação”. O sucesso de autores independentes foi muito analisado ultimamente, parcialmente pela disputa Amazon-Hachette que mostrou que os autores podem ganhar a vida se autopublicando – principalmente explorando os recursos da Amazon – sem precisar de uma organização grande por trás. Mas entidades autopublicadas são, na verdade, muito mais ameaçadoras para o mundo editorial tentando lucrar porque poderiam, com o tempo, trazer muito mais conteúdo no mercado com muito mais força de marketing por trás do que os autores individuais. E às vezes, as motivações destes fornecedores de conteúdo não incluem a necessidade de ter lucro.

[Também pode ser visto como uma oportunidade ao mercado, se as editoras acharem produtivo oferecerem seus serviços como parceiros flexíveis das entidades.]

Há muitas empresas que oferecem os serviços centrais que dão apoio à publicação. Grandes organizações como Ingram e Perseus são fornecedores com um conjunto completo de recursos, inclusive o de colocar livros impressos nas prateleiras das livrarias. [Na verdade, se você for grande o suficiente, consegue que uma das Cinco Grandes faça isso para você.] Distribuidores digitais como Vook, INscribe e ePubDirect podem transformar um arquivo em e-book e distribuí-lo no mundo todo. Lulu e Blurb também podem entregar livros impressos para você. Os serviços de assinatura como Scribd e Oyster [sem mencionar Amazon, Ingram, Overdrive e as outras livrarias] farão a distribuição. E, tanto como parte de ofertas maiores ou como serviços individuais, como BiblioCrunch, é cada vez mais fácil para um autor [ou uma entidade autopublicada] encontrar editoras, designers de capa, especialistas em marketing e criadores de website], assim como qualquer outro conjunto de habilidades específicas necessárias para publicar com êxito um livro. Na verdade, as próprias editoras há anos usam freelancers para muitas outras funções.

Mas entidades possuem desafios que autores individuais não possuem.

Um autor individual sabe o que será publicado: o que eles escrevem. E como a maioria dos autores se sente mais confortável em um gênero particular, eles não precisam se preocupar muito com consistência enquanto constroem uma audiência. São inerentemente consistentes. [Autores que querem mudar de gênero ou escrever fora do que são mais conhecidos enfrentam maiores dificuldades para conseguir sucesso comercial com a autopublicação].

Claro, eles têm muitos desafios fora de seu conjunto de habilidades de escrita: edição, design de capa, até preço e marketing. E aqueles desafios são suficientes para fazer muitos autores preferirem ter uma editora que vai cuidar deles, mesmo se de outra forma estivessem dispostos a abrir mão da influência em marketing e da  distribuição de uma editora profissional. Há grandes vantagens na margem por cópia vendida para fazer sozinho assim como ficar livre das restrições e atrasos que surgem de trabalhar com uma organização maior. Existe ainda muitas perguntas “como”, mas há poucas perguntas “o quê”.

Mas quando uma entidade se compromete com a autopublicação, mesmo que seja um jornal ou uma revista que sabe como criar a propriedade intelectual, eles de repente precisam tomar decisões que não estão equipados para fazer e isso começa com “o quê” publicar.

Eles precisam de um editor. Na metáfora da letra da música, eles precisam de um “capitão”.

A posição de “editor” existe dentro do mundo das revistas e dos jornais também, mas significa algo um pouco diferente do que nos livros. Nos dois casos, o editor governa todo o empreendimento, não apenas as decisões editoriais. Como a renda das revistas e jornais vêm principalmente dos anunciantes, o tempo do editor e foco são dirigidos para lá. A editora certamente tem a responsabilidade por coisas como marketing e distribuição, mas estes tendem a não exigir muita atenção.

Mas a natureza da edição de livros é que cada livro é um desafio de marketing separado assim como editorial, e os dois estão interrelacionados. Se o livro certo para um mercado deveria custar $15, você faz um livro diferente do que se o livro certo fosse $30 ou $8. Se o livro está pronto para publicação em setembro, mas o momento certo para levar este livro ao mercado é fevereiro, é um editor que decide para adiá-lo.

E se há 20, 30 ou 100 livros que uma entidade poderia fazer, é um editor que decide fazer cinco por mês ou cinco por temporada, qual fazer primeiro, e qual deveria sempre sair em junho.

Em um post de um ano atrás, eu citei o exemplo do que o editor Bruce Harris fez com o audacioso [e bem-sucedido] livro de receitas do fundador da Microsoft, Nathan Myhrvold que custava $625. Myhrvold tinha o conceito e a propriedade intelectual e a perspicácia de negócios para tomar decisões chaves. Mas foi preciso Bruce, ou alguém com sua considerável experiência e sofisticação editorial, para orquestrar a contribuição de especialistas em marketing e publicidade, coordenar com as realidades do calendário editorial, e fornecer a direção para fazer o melhor uso dos serviços do Ingram.

Este tipo de conhecimento é ainda mais importante estruturar listas dentro de um programa editorial em andamento.

Vook certamente experimentou um pouco disto. O website deles ainda anuncia que são “centrados em autor”, mas eles estão abertos à ideia de que entidades são uma grande parte do futuro da autopublicação. Eles forneceram serviços de infraestrutura crítica para permitir a publicação de e-books para The New York Times, Forbes, Thought Catalog, Fast Company, US News & World Report, Frederator Studios e The Associated Press.

Fornecer inteligência de negócios é uma parte crucial de estratégia Vook para trabalhar com entidades. Matt Cavner da Vook me contou:

Estamos rastreando dados de mais 4 milhões de livros – impresso e digital – e usamos esta informação para gerar recomendações de preços para maximizar renda para os livros que nossos parceiros publicam, para então ajustar os livros dentro dos mercados, e encontrar categorias específicas onde será mais provável criar um ranking de listas de best-sellers. Também coordenar o marketing digital padrão e merchandise com as livrarias. Assim, estamos agindo como a infraestrutura e a plataforma da parte traseira dos dados para estes parceiros terem o mais bem-sucedido possível – permitindo que mantenham o foco no lado criativo e de desenvolvimento de seu programa editorial.

Mas, claro, estes dados precisam ter a ação por um editor no outro lado. A lista de clientes da Vook é importante, com organizações de mídia que podem fornecer alguma versão desta decisão título a título, lista a lista para usar as ferramentas de Vook. Porque Vook começou na vida oferendo serviços a autores, Cavner sabe como era focar direção e reconhece a questão.

Está certo. Aquele que toma decisão coordenada/criativa sobre o lado parceiro joga o papel do autor em certo sentido.

A notícia chegou no fim de semana: Blurb, a companhia de serviços editoriais que saiu de uma oferta inicial print-on-demand, tinha contratado editores veteranos Molly Barton e Richard Nash para ajudá-los a construir uma rede de serviços de apoio que eles vão, presumivelmente, operar como negócio autônomo e como uma rampa para seu negócio central. Blurb viu que isso ia acontecer e o movimento fez sentido: dois editores com vasta experiência sabem como encontrar e verificar as ofertas de serviço para todos os componentes necessários para publicar um livro com sucesso.

Mas eu suspeito que para a maioria dos novatos que encontram editores e designers de capa e especialistas em marketing de livros na rede, Barton e Nash vão ajudar a Blurb a entregar [e ficamos imaginando quanto se sobrepõe e qual a distinção qualitativa que haverá entre o que eles prometem com o que uma busca em BiblioCrunch ou no Google poderia mostrar], seriam os próprios Barton e Nash, e pessoas como ele e Bruce Harris e outros veteranos com experiência com muitos livros e muitas listas, que seriam os fornecedores de serviço mais valiosos. O mais ambicioso dos novos estreantes no mercado editorial, entrando para construir sobre o conhecimento e a reputação estabelecidos em alguns outros ecossistemas [até um que é “mídia”], seria inteligente se visse que, como em todas as outras tarefas, a orquestração de um programa editorial é realizado de forma melhor por alguém com experiência. E as pessoas que fornecem isso não precisam estar necessariamente na equipe.

E outro pensamento não relacionado.

No mundo fora do mercado editorial, muito conteúdo está sendo gerado por “marketing de conteúdo”. Foi parte da minha tarefa na programação da DBW – Digital Book World entender como o mundo do marketing de conteúdo e o mundo da edição de livros se conectam.

A forma como um editor instintivamente quer pensar sobre isso é “se as pessoas estão sendo pagas para produzir conteúdo, posso vendê-lo?” Das três possíveis interações com o mundo do marketing de conteúdo, esta provavelmente é a menos produtiva. O marketing de conteúdo tem a ver com criar precisamente o conteúdo correto para a necessidade de marketing de uma marca. Não é especialmente uma postura eficiente procurar o mundo do conteúdo existente para isso, depois ter que licenciá-lo e viver com as restrições de licenciamento, e quase certamente precisar modificá-lo para uso no marketing. Assim, com algumas limitadas exceções, risque isso.

Outra interação potencial poderia ter a ver com distribuir o que é ou produzir conteúdo de marketing como e-books. Eu fiz esta sugestão a um escritório de advocacia que tinha criado um white paper sobre Lei de Marcas Registradas. Por que não publicar como e-book, falei? Eles disseram, para que ter o trabalho? Pensei, não querem aparecer para as pessoas que buscam na Amazon por “lei de marcas registradas”?

Mas quando falei com Joe Pulizzi, o chefe do Content Marketing Institute, sobre e-books, ele disse, “bem, claro, eles poderiam fazer sentido em alguns casos, mas há tantas outras coisas mais importantes para alguém de marketing.” Ele está falando sobre blogs, Pinterest e YouTube e a web e apps onde o conteúdo pode ser feito para mostrar para as pessoas que estariam mais interessadas nisso, exatamente quando elas precisam. Em outras palavras, “entendo sua visão, mas francamente, em geral temos peixes muito maiores para fritar”.

E isso aponta para como as editoras podem ganhar mais dentro do negócio de marketing de conteúdo. As editoras possuem toneladas de conteúdo, mas estão longe de ter descoberto a melhor forma de usar este conteúdo para marketing. Esta é uma ciência adjacente para nós, não algo que temos muita experiência. É por isso que temos Pulizzi falando precisamente sobre este assunto – usando conteúdo para construir uma audiência e como aplicar estas coisas que funcionam melhor que e-books – no palco principal do Digital Book World. Até demos a ele uma sessão dupla porque haverá muitas perguntas de editores [e seus especialistas em marketing] que vão querer incluir estes recursos em seus arsenais.

Muitas das empresas mencionadas neste post vão falar na Digital Book World, 14-15 de janeiro de 2015.Blurb e ePubDirect são patrocinadores que também estarão no programa. Palestrantes da Forbes, Ingram,Overdrive, Oyster, Penguin Random House, Perseus, Scribd, US News & World Report e Vook estão nos painéis. No palco principal, vamos ouvir uma apresentação de James Robinson, que faz análise de web na redação do The New York Times, e Michael Cader e eu vamos conversar com Russ Grandinetti da Amazon.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Pacotes para o Digital Book World


Conferência marcada para o início do ano que vem em NY apresenta descontos especiais

A Digital Book World, conferência marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York, apresentou essa semana pacotes que barateiam a inscrição. As pessoas ou corporações que se associarem ao programa DBW Membership poderão ter descontos de 10% [para inscrições individuais] a 20% [para inscrições corporativas]. Além dos descontos, os associados ao Membership têm benefícios como acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos da conferência, aos vídeos da edição passada, 40% de desconto em todos os webcasts ao vivo e sob demanda da Conferência e 10% de desconto em livros e cursos da Digital Book World University. Para saber mais sobre os descontos, os pacotes e a afiliação aos programas, clique aqui.

PublishNews | 29/08/2014

Early Bird na Digital Book World


Até dia 30 de junho, interessados em participar da conferência que acontece em Nova York terão desconto

Até o dia 30 de junho, quem estiver interessado em participar da Digital Book World, a conferência capitaneada pelo colunista do PublishNews Mike Shatzkin, terá descontos na inscrição. A conferência traz, a cada edição, o que há de mais inovador em estratégias de publicação digital e, na última edição, levou à Nova York mais de 1500 profissionais de todos os segmentos envolvidos na cadeia do livro digital. Para conferir preços e se inscrever, clique aqui.

PublishNews | 18/06/2014

O burburinho pelo sistema de assinatura para eBooks na DBW 2014


Co-fundador da 24symbols analisa os serviços de assinatura de livros

É fascinante como podemos ser relativamente novatos na indústria editorial, onde relacionamentos estão no centro dos negócios, e ao mesmo tempo sermos um “vovô” no negócio de assinaturas de e-books, comoMike Shatzkin falou sobre minha startup 24symbols há algumas semanas. Apesar de me sentir bastante jovem ainda, já vi consideráveis mudanças em relação à aceitação de modelos de negócios alternativos que podem impactar na rentabilidade e, mais importante, no crescimento da leitura em aparelhos digitais contra outras alternativas de diversão e culturais.

Junto com outros 1.500 amigos, participei da Digital Book World 2014 para falar em um painel com outros fornecedores de assinatura de ebooks como ScribdOyster e Entitle. Estes serviços não existiam há um ano, o que fala muito sobre como a tendência está se tornando uma oportunidade.

Quando eu e meus sócios montamos a 24symbols, que pensamos como o “Spotify para Livros” [traduzida apropriadamente como “Netflix para Livros” quando viajamos para os EUA], estávamos tentando não só criar um impacto, mas também fazer uma declaração: As pessoas estão começando a procurar formas de consumir bens digitais de novas maneiras, e essa exigência está chegando à indústria editorial de e-books. O fato de que três anos depois a mais importante conferência nos EUA foi toda voltada para esse novo modelo, mesmo que evitando falar a palavra assinatura em voz alta [como se fosse um palavrão que participantes e conferencistas preferiam evitar] significa duas coisas para mim.

Primeiro é que todas as mudanças significativas na vida levam tempo; há muitas forças opositoras e esta é a razão pela qual existem as startups, pois em muitos casos lutar contra estas forças internamente é como tentar correr enquanto se está amarrando os cadarços. Nada acontece, exceto que você termina cansado.

Em segundo lugar, tudo se resume aos detalhes. As perguntas feitas durante o painel #DBW14 não eram nada diferentes das perguntadas para mim nos últimos três anos: relação com editoras, divisão do comportamento de leitura com eles, crescimento da base de usuários, estratégias de internacionalização, recursos das apps e dos aparelhos, potencial canibalização, etc. A diferença é o contexto. Um contexto no qual algumas grandes editoras, junto com muitas outras pequenas e médias, já estão trabalhando com startups em diferentes modelos de negócio. Um contexto em que alguns investidores capitalistas e sócios industriais estão investindo o dinheiro deles em serviços como os nossos. Claro, um contexto onde nem todo mundo acredita no que estes serviços estão oferecendo, mas onde o raciocínio que acontece entre estas discussões é mais maduro, com mais dados e focado em encontrar soluções. Baseado no resultado de diferentes painéis sobre o modelo de assinatura durante a conferência e alguns encontros pessoais, analistas da indústria não estão mais pensando se estes serviços são viáveis ou não, mas se eles podem ajudar a resolver alguns dos problemas da indústria do livro.

Tive a honra de observar e atuar em um papel central nesse cenário e ver como os modelos de negócios baseados em assinatura se desenvolveram durante os últimos quatro anos, como serviços bem-sucedidos estão operando em lugares como Alemanha, Brasil, Espanha ou Rússia. Ainda há muitas variáveis desconhecidas, e certamente novos players e evoluções dos modelos de negócios vão aparecer e desaparecer. Mas eu não podia evitar sorrir sempre que “assinatura” era pronunciada em quase todo painel, workshop e apresentação na maioria das conferências de negócios que consegui participar.

Sobre Justo Hidalgo

Justo Hidalgo é co-fundador da 24symbols, um serviço de assinaturas de e-books. Ele é professor de pós-graduação em Estratégia e Inovação de Produto e executivo em Madri, Espanha, além de mentor de start-ups. Antes da 24symbols, Justo era VP de Gerenciamento e Consultoria de Produto na Denodo Technologies, líder mundial em pré-vendas e gerenciamento de produtos. Possui Doutorado e Mestrado em Ciência da Computação e recebeu treinamento em Gerenciamento de Produto, Marketing, Inovação e Criatividade de Produto. Ele pode ser contatado via twitter em @justohidalgo.

Por Justo Hidalgo | PublishNews | 11/02/2014 | Este texto foi originalmente publicado na Digital Book World | Tradução Marcelo Barbão

O futuro das livrarias e o futuro do mercado editorial


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 05/02/2014

Um dos assuntos que estamos examinando já há muito tempo é o inevitável impacto que o aumento das compras online de livros terá nas prateleiras do comércio e o que isso vai significar para as editoras de livros gerais. [Você vai ver que este discurso que já tem mais de uma década também diz que as editoras terão que se centrar em sua audiência, ou atuar de forma vertical, também.]

Claro, já ocorreu um choque no sistema – um evento “Cisne Negro” – que foi o fechamento da Borders em 2011. Isso, de repente, tirou umas 400 livrarias bem grandes da cadeia. Desde então, a história sobre as independentes – que inclui informações financeiras encorajadoras, mas sem comprovação do Bureau de Análise Econômica [BEA/EUA] e muitos hurras de independentes bem-sucedidas [jogamos um pouco de gasolina nesse fogo com uma importante sessão na DBW que aconteceu na semana passada] – tem sido bastante otimista [apesar de que os dados da Bowker parecem sugerir que a Amazon ganhou mais com a morte da Borders do que qualquer outro player]. E apesar de a Barnes & Noble continuar a mostrar alguma queda de vendas, seus retrocessos mais sérios foram no negócio do Nook, não nas vendas em lojas.

Um fator que distrai a atenção dos analistas pensando nesta questão tem sido a aparente desaceleração no crescimento das vendas de e-books, sugerindo que há leitores de impressos persistentes que não querem mudar. O fato encorajador acaba distraindo porque é incompleto quando se trata de prever o futuro do espaço de prateleira no comércio, que é a questão existencial para as editoras, distribuidoras e livrarias [e, portanto, por extensão, para os autores]. Precisamos saber quais são as mudanças na divisão destas vendas entre online e offline para ter um quadro completo. Se a aceitação do e-book diminuir, mas a mudança para compras online continuar, as livrarias vão sofrer mesmo assim.

Este problema das vendas online versus offline, no lugar de vendas de livros impressos versus livros digitais é central e é a que estamos martelando há anos. Foi ótimo ver Joe Esposito enfatizar o problema em um recente post ao tratar algumas as minhas perguntas favoritas sobre a Amazon. Realizamos na DBW um painel de quatro livrarias independentes bem-sucedidas. Uma das participantes, Sarah McNally da McNally-Jackson, recentemente foi citada dizendo que está preocupada com o futuro de sua livraria no Soho quando seu aluguel terminar. [Os aluguéis aumentam rapidamente naquela parte da cidade.] Enquanto isso, ela está se movendo para não ficar só nos livros e vender bens com muito design e talvez mais duradouros como arte e móveis. [E, neste sentido, McNally-Jackson segue o exemplo da Amazon, não se limitando a ser uma marca de livraria.]

Um amigo meu que, há muito tempo, é representante de vendas independente diz que até mesmo as independentes bem-sucedidas estão sentindo a necessidade de vender livros e outras coisas [cartões, presentes, enfeites] para sobreviver. As mega-livrarias com 75 mil ou mais títulos foram um ímã para os clientes nas décadas de 1970 a 1990. Não é mais assim porque uma livraria com muitos milhões de títulos está disponível em computadores de todo mundo. Isto é um fato que faz com que o número de lojas bem-sucedidas seja um indicador fraco do potencial de distribuição disponível para as editoras. Se os sebos possuem metade do inventário que são publicados, podemos ter muitas histórias de sucesso entre as livrarias independentes, mas mesmo assim temos um ecossistema encolhendo, dentro do qual as editoras distribuem seus livros.

Em geral, os proprietários de livrarias independentes bem-sucedidas e sua associação, a American Booksellers Association, pintam o momento como favorável para livrarias independentes. Eles rejeitam o ceticismo de pessoas, que como eu, acreditam que a atual onda de aparente boa sorte é causada por uma janela de tempo [agora] em que o fechamento da Borders removeu espaço na prateleira mais rápido que a Amazon e os e-books removeram a demanda por livros nas lojas.

Tem sido uma profissão de fé silenciosa achar que as livrarias não passariam pelo que aconteceu com as lojas de discos ou de aluguel e venda de vídeos, dois segmentos que desapareceram quase completamente. O livro físico tem usos e virtudes que um CD, um disco de vinil, um DVD ou uma fita de vídeo não possuem, sem falar que um livro físico é seu próprio player. Mas também fornece uma experiência de leitura qualitativamente diferente, enquanto que outros formatos “físicos” não mudam o modo de consumo. Claro, isso só ajuda as livrarias se as vendas continuarem offline. As pessoas comprando livros online têm grandes chances de comprar da Amazon. Em outras palavras, é perigoso usar a capacidade do livro para resistir garantindo a capacidade das livrarias de se sustentar. As duas coisas não estão conectadas de forma indissociável.

Mas o destino de quase todas as editoras gerais está inextricavelmente conectada ao destino das livrarias. Só há duas exceções. A Penguin Random House é uma, porque é grande o suficiente para criar livrarias próprias apenas com seus livros. A outra são as editoras verticais com suas audiências o que abre a possibilidade de criarem pontos de vendas que não sejam exatamente livrarias. Livros infantis e de artesanato são possibilidades óbvias para isso; não há muitos outros.

O sentimento que eu tive na Digital Book World é que a maioria das pessoas na indústria ou rejeitou ou quer ignorar a possibilidade de que haverá uma erosão ainda mais séria da indústria nos próximos anos e que isso ameaçaria as práticas centrais da indústria. Com mais da metade das vendas de muitos tipos de livros – ficção na área geral, claro, mas também muitos tópicos especializados, profissionais e acadêmicos – já online, muitos parecem sentir que qualquer “ajuste” necessário já foi feito. Eles receberam apoio para seu otimismo na Digital Book World. O guru do mercado de ações Jim Cramer apresentou sua visão do futuro da Barnes & Noble [porque ela é a última rede de livrarias] e, do palco principal, foi apresentada a ideia de que o Walmart poderia comprar e operar a B&N como parte de uma estratégia anti-Amazon.

Tudo isso é possível e não tenho dados para refutar a noção de que chegamos a algum tipo de nova era de estabilidade da livraria, só uma sensação que não me abandona de que nos próximos anos não será assim. Não quero ignorar os sinais positivos que vimos no último ano mais ou menos. E o declínio geral nas compras em livrarias versus online afeta todo o comércio, não só livros, então é possível – alguns poderiam dizer que é provável – que o aperto dos aluguéis vá diminuir. Não é só o espaço em prateleiras que parece estar sobrando em comparação com a demanda; esta é uma verdade em todo o comércio. Então sua impressão pode diferenciar e teria alguma lógica para apoiar um ponto de vista contrário.

Mas meu palpite [e isso não é uma “previsão” como em “isso vai acontecer; corram para o banco”] é que o espaço de prateleira para impressos na Barnes & Noble e em outras livrarias poderia muito bem diminuir uns 50% nos próximos cinco anos. Qual CEO ou CFO de uma editora geral consideraria prudente não levar em conta esta possibilidade em seu próprio planejamento?

Obviamente, menos espaço em prateleira e mais compras online mudam as práticas de cada editora de muitas formas. Elas vão querer implementar mais recursos para o marketing digital e menos para a cobertura de vendas. Vão querer ter menos espaço de estoque e menos inventário, mudando a economia geral de seu negócio. Como estamos falando há anos, elas vão achar importante a consistência vertical: adquirir títulos com apelo consistente à mesma audiência. A própria base de dados de consumidores de cada editora vai se tornar um componente cada vez mais importante de seu lucro: ativos que fornecem valor operacional hoje e valor de balanço se forem compradas.

Mas, acima de tudo, as editoras terão que pensar em como elas manterão seu apelo frente aos autores se colocar livros nas livrarias se tornar o componente menos importante da equação geral. Ainda é verdade que colocar livros nas lojas é necessário para chegar perto da penetração total entre a audiência potencial de um livro. Ignorar o mercado de livrarias obviamente custa vendas, mas também tem um custo de percepção que reduz as vendas online. [Afinal, as lojas estão muito conscientes do efeito “showroom”: clientes que cruzam suas prateleiras com smartphones na mão, fazendo pedidos da Amazon no ato!]

Mas isso acontece hoje quando a divisão online-offline pode estar perto de 50-50 no geral e 75-25 para certos nichos. Se estes números chegarem a 75-25 e 90-10 nos próximos cinco anos, o mercado de livrarias realmente não vai importar muito para a maioria dos autores. Seja pela autopublicação ou por alguma editora nova que não tem as capacidades das grandes editoras de hoje, mas também não possui toda a estrutura de custo, os autores vão sentir que as grandes organizações são menos necessárias do que são agora para ajudá-los a realizar todo seu potencial.

Taxas de royalties mais altas para e-books, pagamentos mais frequentes e contratos mais curtos são todas formas pouco atrativas, da perspectiva da editora, para resolver esta questão. Até agora o mercado não forçou as editoras a oferecer isso. Se as livrarias conseguirem se manter, a necessidade de usá-las não será muito forte por algum tempo. Mas se não conseguirem, a maioria das editoras terá poucos elementos para continuar a atrair autores para suas fileiras.

Já estamos vendo grandes editoras afastando-se aos poucos dos livros que não demonstraram grande capacidade de vender bem no formato de e-book: livros ilustrados, livros de viagem, livros de referência. Isso implica uma expectativa que o componente online – especialmente o segmento de e-book – já mudou o mercado ou certamente vai mudar em pouco tempo. Ajustes aos termos padrão com autores é outra questão que ainda não foi resolvida, mas se o mercado continuar a mudar, poderia ficar muito difícil manter as coisas como estão.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 05/02/2014 | Texto originalmente publicado no The Shatzkin File | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Digital Book World completa 5 anos


Conferência será em janeiro, em Nova York

O Digital Book World [DBW] vai promover, entre os dias 13 e 15 e janeiro de 2014 ,sua 5ª Conferência DBW, realizada em parceria com o Publishers Launch Conferences, em Nova York. É a maior conferência dedicada exclusivamente ao negócio editorial digital, e reunirá cerca de 50 expositores e mais de 100 palestrantes. Entre os destaques da conferência deste ano está Brad Stone, escritor da Bloomberg Businessweek e especialista na Amazon e Vale do Silício, e Tim O’Reilly, fundador e CEO da O’Reilly Media. Inscrições até o dia 7 de outubro terão preço especial. Para saber mais sobre a programação, clique aqui.

PublishNews | 24/09/2013

Associação das Editoras Americanas adota plano ambicioso para adoção em massa do ePub3


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

O plano, ambicioso, também inclui obter um amplo suporte  entre os vendedores em até seis meses.

Certamente a adoção de um padrão comum, para algo complexo como um livro digital, não é tarefa fácil. Quando o assunto é ePub3, existem vários motivos para os sistemas de leitura [leia-se: os grandes vendedores de ebooks] ainda não aceitarem o formato de forma uniforme. Até agora, a Apple é a livraria que oferece mais suporte. Há previsão de que até o final do ano, a Apple ganhará a companhia de Kobo e Google na arena do ePub3.

Um cenário com mais harmonia, padronização na aceitação do ePub3, tornaria o trabalho e a produção de ebooks avançados bem mais simples, e mais barato, para as editoras. Com isto em mente, a AAP [Association of American Publishers] convidou os maiores vendedores e editoras para participar da sua nova iniciativa, uma série de encontros para esquematizar a adoção do EPUB3. Chamado de “Projeto de Implementação do ePub3?, o objetivo é avançar rapidamente uma harmonização no uso do formato por editoras e vendedores. A informação é do Digital Book World.

A meta da associação é lançar um grande número de títulos em ePub3 no primeiro trimestre de 2014.

A AAP afirma que as editoras americanas estão trabalhando juntamente com “vendedores, distribuidores de conteúdo digital, fabricantes, provedores de sistemas de leitura, especialistas em tecnologia e organização de padrões”. Mas a entidade não comenta ainda quais editoras e vendedores decidiram participar até agora. A entidade afirma estar convidando todos os integrantes do mercado para sentar à mesa.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

Big Six dominam lista americana de eBooks mais vendidos


A partir desta semana, o Digital Book World começou a publicar uma lista semanal dos eBooks mais vendidos nos EUA. O ranking reúne dados de cinco dos seis maiores vendedores de livros digitais do país [Amazon, Barnes & Noble, Kobo, Sony e Google] e, além da lista geral, também inclui classificações separadas por diferentes faixas de preço.

Quem esperava ver livros baratos dominando a lista – ainda mais depois da notícia da semana passada de que o preço médio dos eBooks de ficção americanos caiu para apenas US$5.24 – teve uma surpresa. 17 dos 25 livros no topo da lista custam US$9.99 ou mais, enquanto apenas quatro livros ficam abaixo dos US$3. Uma rápida olhada no ranking completo mostra também o domínio das grandes editoras: além das Big Six, apenas a Scholastic, com sua trilogia “The Hunger Games”, e a editora independente Soho Press ocuparam posições entre os 25 livros mais vendidos.

Uma matéria da Forbes reuniu alguns outros insights trazidos pela nova lista:

  • Ao contrário do que se pensava, as faixas de preço menores também são dominadas pelas grandes editoras, e não por autores independentes
  • A trilogia dos Cinquenta tons já não ocupa mais os três primeiros postos da lista
  • As novelas – isto é, livros de ficção mais curtos do que os romances – podem ser best-sellers se tiverem preços menores
  • Livros de catálogo podem ter um novo ciclo de vendas com uma mudança de preço

As listas completas e a metodologia usada na pesquisa podem ser acessadas neste link.

Por Nina Sarti | Revolução eBook | 22/08/2012

eBooks nas bibliotecas são seguros para as editoras?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Eu não vi isso escrito em nenhum lugar, mas o último estudo do Instituto Pew sobre e-books parece confirmar que as editoras estão fazendo o melhor para as vendas ao restringir a disponibilidade de muitos dos livros mais atrativos nas prateleiras das bibliotecas.

Esta conjectura da minha parte vem de um dado que alguns podem interpretar de forma diferente.

O dado que mais me interessou foi que 41% dos participantes da pesquisa que, em algum momento, pegaram emprestado um e-book de uma biblioteca, compraram o e-book que tinham lido por último.

Para alguns, isso poderia sugerir que os medos das editoras de que os sócios de bibliotecas não comprariam e-books são exagerados. Realmente, é possível que a “descoberta” na biblioteca de um livro desejado poderia levar à compra de um título se a espera fosse muito longa.

Poderia significar isso.

O que me parece mais provável é que a falta de acesso da biblioteca aos títulos mais comerciais força aqueles leitores que se importam mais com o que leem do que com o que pagam a comprar títulos que a biblioteca não tem (e que provavelmente “descobririam” em algum outro lugar.)

De acordo com o relatório de Jeremy Greenfield no site do Digital Book World:

Pessoas que pegam e-books emprestados e também compram é um fenômeno que também acontece no mundo dos impressos”, disse Molly Raphael, presidente da American Library Association. “Nós já sabíamos e os dados que mostram isso são importantes para nós”.

Raphael disse que quem pega e-books emprestados vai descobrir um livro que quer retirar, verá que precisa esperar que ele fique disponível, ficará impaciente e acabará comprando. Os sócios também podem conhecer um e-book através do empréstimo e depois podem comprá-lo.

O que Raphael diz é verdadeiro. Mas também poderia ser que o número de livros comprados cairia muito se todas as editoras comerciais disponibilizassem seus títulos mais populares.

Há muitos outros dados interessantes no estudo. O que realmente chamou minha atenção é que 58% dos norte-americanos são sócios de uma biblioteca. Eu acho esse número bem maior do que minha intuição sugeriria.

Alguns outros dados do estudo parecem apoiar minha visão de que as editoras estão fazendo a coisa certa para seus interesses comerciais. O Pew descobriu que 55%  dos leitores de e-books que também são associados a bibliotecas preferem comprar e-books e 36% preferem pegar emprestado de qualquer fonte – amigos ou bibliotecas. Mas, entre aqueles que pegaram livros emprestados, somente 33% dizem que geralmente preferem comprar e-books e 57% dizem que geralmente preferem pegá-los emprestados. Combinado com a questão que começou a chamar muito a atenção, a de que a maioria dos sócios nem sabe que as bibliotecas oferecem e-books, vejo uma sugestão muito forte de que a disponibilidade de e-books nas bibliotecas vai reduzir as vendas mais do que estimulá-las.

Nada disso é conclusivo, mas eu achei que minha conjetura e meus instintos não estavam batendo com o giro que o estudo estava dando e, portanto, que valia a pena este rápido texto.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Antes que o fogo queime: desafios da chegada da Amazon no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

A chegada da Amazon no Brasil, que vem sendo cozinhada desde o começo do ano, com negociações entre os representantes da empresa de Seattle e editoras brasileiras e anúncio [informal] de algumas iniciativas, como a venda do Kindle por R$ 199,00, certamente terá um impacto significativo no mercado editorial brasileiro, tal como aconteceu em outros países.

Ainda não se sabe com certeza se a Amazon vai se limitar inicialmente à venda de livros eletrônicos [e também se já incluirá outros produtos entregues via web, como músicas e filmes] ou se também irá incluir os livros impressos, adquiridos on-line e entregues pelo correio ou porcourriers. A conhecida secretividade da empresa contribui para especulações, inclusive sobre a quantidade de editoras que já assinaram contratos com ela.

Recentemente Mike Shatzkin publicou alguns posts muito interessantes sobre a trajetória da empresa, procurando responder, basicamente, a duas perguntas: a] Quando vai terminar de crescer a parcela da Amazon no comércio de livros [nos EUA]? E b] Quem vai sobrar? Um terceiro post, igualmente importante, trata do impacto da iniciativa do site Pottermore, da J.K. Rowling, que vende seus livros sem DRM [Digital Rights Manager] e, desse modo, elimina a questão da interoperabilidade dos e-readers. Nesse último caso, além do mais, a autora do Harry Potter conseguiu o que alguns achavam impossível: o tráfego é feito através do site da empresa, encaminhado pela Amazon ou por qualquer outro varejista eletrônico. Ou seja, não é preciso estar no ecossistema “amazonian” para adquirir o livro.

Vou tentar resumir as questões do Shatzkin, evidentemente centradas no mercado dos EUA, para depois fazer observações sobre o impacto em nosso mercado.

Shatzkin enfatiza o fato de que a estratégia de começar o negócio pela venda de livros foi basicamente a de ter uma ferramenta de aquisição de clientes, e não um fim em si mesmo. Trabalhando com o estoque das editoras, da Ingram e da Baker & Taylor, a Amazon aperfeiçoou a “experiência do cliente” a um nível não alcançado antes, e “enganchou” uma base formidável de compradores para todos os demais produtos que foi paulatinamente oferecendo. Contou com a fartura de recursos proporcionada pela primeira “bolha” da Internet, mas soube aproveitá-la bem – aliás, com extrema competência.

As editoras ficaram felizes da vida com mais esse varejista, que foi paulatinamente aumentando sua participação de mercado. Quando lançou o Kindle, a posição da Amazon já era forte o suficiente para impor ao conjunto das editoras seus termos de venda dos livros eletrônicos. E aí a coisa começou a complicar. Naquela ocasião já se percebia que a Amazon estava não apenas sufocando as livrarias independentes, mas também prejudicando as grandes cadeias, como o falecimento recente da Borders e outras movimentações no mercado americano estão confirmando.

A Amazon usou amplamente as vantagens de armazenamento, distribuição e POD [printing on demand] das grandes distribuidora. A Ingram tentou, em 2007, estender as facilidades dos mecanismos de venda on-line para outros varejistas, e lançou um projeto chamado I2S2, que era uma plataforma similar à que oferecia à Amazon, para os outros. A Amazon, nessa ocasião, teve peso suficiente para fazer o projeto abortar, e seus concorrentes não dispuseram dessa ferramenta.

O lançamento do Kindle reforçou a estratégia da Amazon de modo exponencial. De fato, a empresa praticamente criou um enorme mercado a partir do que era apenas incipiente [o leitor da Sony não tinha conteúdo suficiente para oferecer]. Aumentou sua base de clientes e o poder de fogo da empresa. Acredito que o mesmo possa acontecer similarmente aqui: o Kindle a R$ 199,00 vai forçar todos a se mexerem. A Positivo está fazendo um esforço – via grupos de compra – para testar preços mais baratos para seu leitor, mas não se sabe se terá fôlego e recursos para aguentar esse tipo de concorrência.

A Amazon usa com extrema agressividade e eficiência sua política de preços na ação dupla de “enganchar” os clientes, envolvendo-os em seu ecossistema, e pressionar as editoras por margens maiores. Sem nenhuma dúvida fará isso no Brasil.

Se resolver entrar de imediato na venda de livros impressos, a Amazon enfrentará aqui algumas dificuldades que não encontrou em outros lugares, e a principal é a da logística. A precariedade da nossa distribuição é conhecida e não merece comentários adicionais; o POD, que é amplamente usado nos EUA, [inclusive para diminuir os custos de logística] também é precário por aqui. Mas já existe uma estrutura montada, que a Amazon pode aproveitar [Correios e courriers]. Aí é questão de fôlego financeiro para equacionar o problema e oferecer um serviço tão bom ou melhor do que o oferecido pelas cadeias de livraria existentes.

Um fator de dificuldade para o fortalecimento da Amazon no mercado brasileiro é o das compras governamentais, extremamente significativas para o setor de livros educacionais e cada vez maiores para a literatura, também. Como as negociações da Amazon são todas feitas com exigência de confidencialidade, é difícil saber os detalhes. Mas um dos pontos do modelo que ela vem oferecendo para as editoras brasileiras é que estas não poderiam oferecer condições melhores de venda e preço para outros clientes. Quem vende para o governo vai aceitar isso? Se aceitar, pode ter certeza que a Amazon vai usar essa cláusula para exigir as mesmas condições que o FNDE tem para suas compras. Vai ser hilário…

Outro panorama aventado por Mike Shatzkin para o crescimento da Amazon no mercado internacional é o do crescimento de seu braço editorial. Atualmente a “editora” Amazon é insignificante, comparada com as tradicionais. Mas a contratação do veterano Kirschbaum para dirigi-la mostra um empenho em fazer isso crescer. Por enquanto, ainda não conseguiu atrair grandes autores, a exceção conhecida sendo o Deepak Chopra. Mas e se contratarem grandes nomes da ficção e começarem a lançar as traduções diretamente nos mercados onde tem presença, como na Espanha, na França, e no Brasil?

Shatzkin assinala – já em uma resposta a um comentário ao seu post – que o avanço da Amazon nos outros mercados pode ser controlado por legislação local de preços.

Ou seja, o chamado “preço fixo” pode vir a ser uma defesa contra os ímpetos monopolistas da Amazon. A chegada dessa empresa pode até modificar a opinião sobre o assunto por parte das grandes editoras, até hoje refratárias à ideia, e também das cadeias, que usam a liberdade de preços para fazer, em menor escala, o que a própria Amazon faz. Duvido que tenham fôlego para aguentar a capacidade de fogo de descontos da Amazon…

O último post de Shatzkin comenta a iniciativa da J. K. Rowling, de vender as versões de e-books do Harry Potter sem o DRM. Ele assinala que em janeiro, no encontro do Digital Book World, Matteo Berlucchi, da Anobii [um varejista baseado no Reino Unido que é parcialmente de propriedade de três grandes editoras] declarou que só com a eliminação do DRM ele poderia vender para os proprietários do Kindle. Shatzkin chama a apresentação de “presciente” e congratula Charlie Redmayne, o CEO da Pottermore, por ter coragem de provar que isso é possível. A alternativa do Pottermore é uma espécie de “marca d’água” eletrônica incrustrada na cópia vendida, que apenas identifica quem a adquiriu. Diga-se que tanto o DRM quando essa “marca d’água” são possíveis graças ao desenvolvimento do DOI – Digital Object Identifier, programa patrocinado pelas grandes editoras, com o apoio da Associação Internacional de Editores, e desenvolvido em meados dos anos 1990.

Evidentemente todas essas questões estão sendo consideradas pelas grandes editoras brasileiras. Mas nada que passe pela coordenação das entidades do setor [CBL, SNEL, ABRELIVROS], e muito menos pelas redes de livraria. Espero que todos se lembrem das observações do filósofo e economista alemão do século XIX que assinalava o caráter extremamente predador das empresas capitalistas atuando em um mercado “livre”: o capitalismo sobrevive e cresce depois das crises, mas as crises chegam inevitavelmente e resultam em concentração e diminuição da concorrência. O impulso monopolista da Amazon é irrefreável se for enfrentado por cada empresa isoladamente. Assim, que não esperem que o fogo esteja lhes lambendo para que comecem a pensar em soluções legais e institucionalizadas que possam evitar o rumo monopolista que a Amazon costuma imprimir à sua atuação.

Uma última e singela observação: as disputas acerca das práticas da Amazon chegaram ao campo judicial e político nos EUA. Em um primeiro nível, a ação contra o modelo de “agenciamento” que as grandes editoras conseguiram impor depois da chegada da Apple no mercado, em plena evolução. A outra é a denúncia de que a Amazon só dá dinheiro para os Republicanos, o que é complicado lá no bipartidarismo deles. O site do San Francisco Chronicle  publicou matéria sobre o assunto, já em 2005. De lá para cá, ao que parece, piorou.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Editores estão pessimistas em relação ao tablet


EUA | Enquanto as vendas de tablets aumentam e pressionam para baixo o crescimento do mercado de dispositivos exclusivos para leitura, os editores estão pessimistas quanto aos tablets representarem uma plataforma de leitura realmente atraente.

De acordo com uma pesquisa recente do Digital Book World, conduzida pela Forrester Research, 31% dos editores acham que o iPad e outros computadores são a plataforma ideal para a leitura de e-books, menos do que os 46% que pensavam a mesma coisa há um ano. E apenas 30% dos editores acreditam que os chamados tablets de leitura como o Nook Color e o Kindle Fire são os dispositivos ideais. Esta pergunta não foi feita no ano anterior.

A pesquisa ouviu editoras que respondem por 74% das receitas do mercado editorial americano. “Esses dispositivos [tablets] oferecem tantas distrações mais”, disse James L. McQuivey, vice-presidente e principal analista da Forrester. “Se você tem um iPad e 15 minutos para matar, você vai fazer algo que é cognitivamente mais difícil, como ler, ou algo simples que não exige nada do cérebro, como entrar no Facebook ou assistir um vídeo no YouTube?”. De qualquer forma, dispositivos que estão na intersecção, como o Fire – que não é um tablet completo como o iPad, mas é muito mais do que um e-reader tradicional –, podem funcionar. Pesquisa recente com 216 usuários do aparelho da Amazon mostra que, para 71% deles, ler é uma das duas atividades que mais fazem no dispositivo.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 30/01/2012

eBooks brasileiros ganham selo de excelência


Desde o ano passado, o Publishing Innovation Awards [algo como prêmio de inovação editorial], organizado pela conferência Digital Book World, reconhece “conteúdo digital de excelência que enriquece e encanta leitores”. Em outras palavras, a iniciativa premia e-books, aplicativos de livros e projetos que unem várias mídias em 14 diferentes categorias. Para que concorram a esse prêmio, as publicações passam por uma análise de um júri especializado que analisa 13 pontos sobre a qualidade do design do e-book e a facilidade com que ele é lido em diferentes plataformas. Os projetos que passam por esse filtro depois recebem um selo chamado QED – Quality, Excellence, Design [qualidade, excelência, design]. Na edição deste ano, 85 e-books e afins receberam o selo, entre eles dois criados por empresas brasileiras: O pensamento político de Thomas Hobbes, e-book escrito por Paulo Henrique Faria Nunes e publicado pela Simplíssimo; e o Guia de aves da Mata Atlântica paulista, da WWF Brasil com a Fundação Florestal do Estado de São Paulo, feito pela Pagelab. A lista completa dos livros, que inclui projetos de algumas das maiores editoras do mundo, você confere aqui [em inglês].

Por Roberta Campassi | PublishNews | 27/01/2012

Digital Book World


Pela segunda vez em Nova York, entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2012, acontece o congresso Digital Book World. O evento sobre livros digitais que teve a sua primeira edição em 2011, tem como principal proposta ser um evento prático, com participação de muitos profissionais compartilhando suas experiências e resultados. O DBW mantém atividades durante todo o ano atualizando os seus congressitas, através de newsletters, webcasts e alguns encontros presenciais, com os últimos acontecimentos, ideias e novidades do mundo do livro digital. Acompanhe a programação pelo site: http://www.digitalbookworldconference.com.

Crianças preferem eBooks


EUA: Se puderem escolher, as crianças vão preferir e-books a livros impressos. Mas não importa o suporte da leitura, elas vão absorver e compreender as informações da mesma forma. Isso é o que mostra um estudo preliminar da QuickStudy, nos Estados Unidos, com 24 famílias que têm filhos de três a seis anos. A pesquisa também aponta que, entre os e-books e os chamados “enhanced” e-books (aqueles que são incrementados com recursos de áudio, vídeo e interatividade, por exemplo), as crianças tendem a gostar mais dos primeiros.

De acordo com uma matéria no site da Digital Book World, são os pais que ainda resistem a estimular a leitura de e-books e dão preferência à compra de livros físicos. Questões tecnológicas também dificultam o aumento das publicações digitais infantis. Segundo dados da Bowker, 7,4% dos livros para crianças vendidos nos nove primeiro meses de 2011 foram eletrônicos, contra 13,5% na média dos outros segmentos. No entanto, conforme mais famílias adquirem tablets, a participação do digital no mercado infantil pode dobrar para 15% em 2012, segundo previsões.

PublishNews | 10/01/2012

Digital Book World com desconto especial para assinantes do PublishNews


De hoje até 2 de janeiro, quem fizer a inscrição paga US$ 400 menos para participar do congresso sobre livros digitais

Acontece pela segunda vez em Nova York, entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2012, o congresso Digital Book World. O evento sobre livros digitais que teve a sua primeira edição em janeiro deste ano (2011), tem como principal proposta ser um evento prático, com participação de muitos profissionais compartilhando as suas experiências e resultados. O DBW mantém atividades durante todo o ano atualizando os seus congressitas, através de newsletters, webcasts e alguns encontros presenciais, com os últimos acontecimentos, ideias e novidades do mundo do livro digital. Repetindo 2011, o PublishNews apoia agora o Digital Book World 2012 e oferece para os seus assinantes uma promoção. De hoje até 2 de janeiro de 2012, quem se inscrever aqui, usando o código promocional PUBSAVE, terá direito a US$ 400 de desconto no valor da inscrição. Atenção: o período do desconto não será prorrogado.

PublishNews | 08/12/2011

Livros ilustrados viram eBooks?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/12/2011

Mike Shatzkin

Quero deixar claro desde o começo que este texto não tem a ver com “enhanced e-books”, ou seja, com fazer algo multimídia a partir de um livro que começou como sendo apenas texto. Esse problema sempre me deixou cético e acredito que muitos editores, se não a maioria, estão abandonando a ideia como “não comercialmente viável neste momento”. As ruminações de hoje são sobre a passagem dos livros ilustrados de impresso a digital, algo que muitos dos editores atuais sabem que é um problema “que precisa ser resolvido” já que os canais para levar os livros ilustrados aos consumidores – as livrarias – estão diminuindo em número e poder por causa da mudança digital.

A Amazon e a Barnes & Noble estão disputando qual tablet parecido com o iPad é melhor do que o outro. O Vox da Kobo está se juntando à festa, agora que a Kobo foi comprada pela japonesa Rakuten. Podemos ter certeza de que os tablets que podem distribuir livros ilustrados estarão em muitas mãos logo [somados às dezenas de milhões de iPads e muitos milhões de aparelhos Nook Color que já foram vendidos].

Isto apresenta aos editores de livros ilustrados uma oportunidade aparentemente enorme. Mas também apresenta alguns desafios igualmente gigantescos.

Muito trabalho está sendo feito para criar novos padrões chamados HTML5 e ePub 3 e permitir criações mais fiéis às intenções de um editor através de um web browser ou um e-book, diferente do que podemos fazer agora. Mas há dois grandes problemas que persistem independentemente da tecnologia.

Um: livros ilustrados são consideravelmente mais complexos e caros de produzir para aparelhos digitais do que livros somente de texto. [Mesmo se o HTML5 e o ePub 3 conseguirem realizar tudo que seus criadores quiserem e funcionarem com fluxos de XML, converter o catálogo vai custar muito mais por título do que livros só de texto.]

Dois: realmente não sabemos se os usuários de tablet ou dispositivos semelhantes vão preferir consumir livros ilustrados nesses aparelhos. [Eu diria que nós realmente sabemos que as pessoas querem ler e-books de texto em aparelhos; o que parece ser verdade, de acordo com minha experiência, hoje em dia, é que a maioria das pessoas que dizem que “preferem livros impressos” nem tentaram um e-reader ainda.]

Então, enquanto muitas editoras estão vendo a queda das vendas de livros impressos que são apenas texto, mais do que compensada pelas vendas dos e-books, não há nenhuma garantia de que o mesmo será verdade com livros ilustrados.

Os varejistas vendendo tablets e as editoras de livros ilustrados estão animados com as possibilidades. O desenvolvimento do HTML5 e seu primo próximo, o ePub 3, promete recursos e capacidades até agora só disponíveis em apps distribuídos como e-books. Isso é importante porque o mercado de apps possui duas grandes falhas: não permite muito bem a descoberta de livros e está carregada de produtos baratos. Muitas editoras chegaram à conclusão de que vender apps não é uma estratégia comercialmente viável..

Para ser justo, outros [como Callaway Digital Media] acham que as apps funcionam bem comercialmente [apesar de que eu acrescentaria que a Callaway faz principalmente conteúdo infantil, e isso é bem diferente] e há mais e mais ferramentas sendo criadas para fazer apps, cada vez mais baratas e econômicas do que antes. Mas eu ainda concordo com aqueles que duvidam.

Preparando-me para a Digital Book World, tive uma conversa com um editor que faz quase exclusivamente livros ilustrados. Ele confirmou o que acreditamos: ninguém sabe se o cliente vai comprar estes e-books. E depois apontou outro ponto complicado: o tamanho das telas.

A atual solução recomendada para livros ilustrados funcionarem nos aparelhos é “layout de página fixo”, ao contrário do “reflow”, que permite mudar o número de palavras na página para se adaptar ao tamanho da tela e da letra.

O tablet colorido dominante é o iPad, que possui uma tela de dez polegadas [estou falando da medida diagonal]. Mas os aparelhos parecidos possuem telas de sete polegadas. Isso diminui a área de visualização pela metade. E não há realmente nenhuma forma de apresentar uma página que combina texto e imagens e que funcione nos dois tamanhos de tela.

E eu nem mencionei o fato de que o iPhone possui uma tela de 3,5 polegadas. Imaginem a página fixa para um iPad de dez polegadas no iPhone!

Apesar de existirem ferramentas que fazem com que seja relativamente fácil e rápido para um designer ver o tamanho certo da tela e mudar as coisas um pouco, isso não resolve o problema, pois uma editora de livros ilustrados realmente teria de desenhar e fazer o layout de cada livro pelo menos duas vezes e possivelmente três vezes (para se adaptar às telas do iPhone também). Aí estariam os três arquivos diferentes, e não daria para movê-los por seus aparelhos e auto-sincronizar da forma como o Kindle, Nook, Kobo e Apple permitem que você faça com e-books só de texto. Você receberia os arquivos para os três tamanhos quando fizesse a compra?

Há uma forma de criar o livro para telas de tamanho diferente com o mesmo número de páginas, que seria usar mais área para a página do que caberia na tela verticalmente, e depois criar o “scroll down” para conseguir mais espaço. Mesmo assim seria necessário redesenhar cada página para o aparelho específico e, de toda forma, sou um leitor que descobriu que não gosta de e-books que exigem girar e dar “scroll”.

Um conhecido executivo de e-books, me disse que havia uns mil e-books ilustrados disponíveis até um ou dois meses atrás, mas que as empresas de conversão na Índia recentemente começaram a trabalhar cada vez mais para preparar arquivos para os vários tablets e aparelhos que estão chegando ao mercado. Agora, estão fazendo aproximadamente mil e-books ilustrados por semana. Até o fim do ano, poderíamos ter 10 mil e-books ilustrados para escolher entre as muitas plataformas.

Esse ainda é um número desprezível, comparado ao mais de milhão e-books de texto, mas o repentino aumento tanto de títulos dos ilustrados disponíveis quanto de telas para lê-los deve, alguém assume, gerar um verdadeiro aumento nas vendas. Talvez possamos começar descobrindo o que funciona e o que não funciona.

Com a diminuição do espaço nas prateleiras das livrarias, cresce a urgência para resolver este problema. As vendas de livros ilustrados estão crescendo nas livrarias, o que é um bom sinal enquanto isso durar. Mas eu ficaria preocupado de que mesmo as vendas dos livros ilustrados sofrerão, já que cada vez mais os consumidores de livros de texto encontram o que querem sem visitar uma livraria. E uma livraria fechada não vende nenhum livro ilustrado.

Acho que a conversão de livros “how to” [como fazer] para o digital será uma experiência muito frustrante. O e-book não terá a mesma qualidade do impresso, a menos que o mesmo cuidado seja exercido na otimização do conteúdo para cada tela digital diferente, como é feito na criação de um livro. E há tantas coisas que o e-book poderia fazer com vídeo, áudio, animação e interatividade, coisas que fariam sentido na maioria dos casos, que “converter” um livro vai acabar deixando muitas oportunidades passarem.

Mas as editoras precisam tentar. Com milhões de aparelhos nas mãos dos consumidores, alguns ebooks ilustrados vão vender números impressionantes. Vimos o que aconteceu com The elements quando o iPad saiu [mesmo que não tenhamos visto nenhum sucesso comparável com qualquer outro app de conteúdo desde então].

Criar uma experiência digital interativa estilo livro tem sido o objetivo de milhares de horas e de pessoas com muito conhecimento nas últimas duas décadas, desde antes da era do CD-Rom. Ninguém ainda conseguiu acertar, o que quer dizer que ninguém encontrou a fórmula que vai satisfazer de forma repetida os consumidores para que as editoras possam colocar no mercado de conteúdo digital algo que se aproxime da confiança que o consumidor tem nos livros de texto. Como indústria, estamos a ponto de colocar mais tempo e dinheiro na resolução deste problema. Talvez consigamos encontrar uma resposta. Ou talvez não exista uma.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/12/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Como os dados modelam o mercado editorial


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 18/08/2011

A informática permite hoje a coleta de dados importantes sobre o desempenho dos livros. É claro, desde que os metadados estejam corretamente assinalados e sejam “coletáveis”.

Os instrumentos para tanto são vários. Alguns podem estar dentro da própria editora, ou da livraria, consolidando dados sobre os clientes e vendas, devoluções, pagamento de direitos autorais, amortização do investimento, etc.

Um dos mais interessantes é o BookScan, da Nielsen International. Esse instrumento recolhe informações de vendas no varejo, a partir do ponto de venda, em mais de 31.500 livrarias nos cinco continentes. Apenas livros em inglês, na Inglaterra, Estados Unidos, Irlanda, Austrália, África do Sul, Itália, Nova Zelândia, Dinamarca, Espanha e Índia.

Os dados são recolhidos em diferentes formas, incluindo a participação no mercado de diferentes categorias de livros e por editoras individuais e seus respectivos selos editoriais, autor, e preço efetivamente praticado pelo ponto de venda. Cada venda individual é registrada, de modo que os relatórios podem ser exaustivos e incluem elementos para o acompanhamento e o planejamento de editoras de todos os portes. O BookScan captura os dados diretamente do sistema de vendas das cadeias de livrarias e das livrarias independentes, e os relatórios, em seus vários níveis, podem ser adquiridos tanto por editoras quanto bibliotecas e pela mídia, em tempo real.

Em 2009 a Nielsen lançou o LibScan, que registra a movimentação de empréstimo das bibliotecas. Estas têm que aderir ao sistema e permitir que o software da Nielsen capture as informações dos seus usuários.

A quantidade de informações é estonteante.

As cadeias de livrarias, com seus sistemas de “clientes preferenciais” [milhagem], organizam dados sobre seus principais consumidores e clientes. Cruzando essas informações com todas as compras feitas, saem relatórios sobre o tipo de livros adquiridos, a frequência de compras, o local e a hora dessas compras, e assim por diante. As carreirinhas de cliente preferencial e os descontos que oferecem são compensados não apenas pela maior frequência na loja, mas também pelos dados que proporcionam.

Quem já fez compras na Amazon, conhece os frequentes e-mail chamando atenção para sugestões baseadas nas compras de outros clientes que adquiriram o mesmo livro, ou livros do mesmo gênero, etc. A coisa vai se refinando ao ponto de permitir a elaboração de ofertas absolutamente personalizadas.

A Amazon não revela o funcionamento de seus sistemas, mas a simples observação do funcionamento das listas e do modo de operação da empresa permite que editoras tentem aumentar as chances de seus títulos subirem na classificação de vendas da Amazon segundo a categoria do livro. Um artigo interessante foi publicado no Digital Book World a esse respeito .

Do lado das editoras, essa pletora de dados possibilita muitos tipos de análises. Muito úteis para a administração geral do negócio, mas que trazem também um perigo embutido para os livros de qualidade que não conseguem índices altos de venda.

André Schiffrin, importante editor independente americano que viu sua empresa, a Pantheon, ser adquirida pela Random House [hoje faz parte do grupo de selos encabeçados pela KnopfDoubleday, ainda da Random House mas controlados pelaBertelsmann alemã], chamava atenção sobre como a tradicional perspectiva dos editores de que os best-sellers ajudavam a financiar os títulos mais arriscados foi sendo liquidada pelo processo de concentração e conglomerização do mundo editorial. Schiffrin escreveuThe Business of Books, livro com sua trajetória profissional e análise desses desenvolvimentos do mercado editorial, e que foi publicado no Brasil pela Casa da Palavra.

A cultura corporativa não se dava bem com esse raciocínio. Para as grandes corporações, cada um dos títulos tinha que ser rentável. Os publishers dos selos e cada editor tinham seu desempenho medido e avaliado segundo o histórico de vendas de cada título, e não simplesmente pelos resultados globais. O resultado, segundo Schiffrin, era a busca desenfreada pelos best-sellers, independentemente da qualidade do livro.

Palavras proféticas, que os mecanismos de captura e análise dos dados só mostram como podem se tornar cada vez mais precisos.

Os dados, entretanto, são neutros. O uso que deles se faz é que conforma o ambiente de negócios, que não necessariamente deveriam ser assim tão perversos [embora as chances de que seja assim cresçam cada vez mais].

De qualquer forma, as análises de Schiffrin, o BookScan e os outros mecanismos de coleta de dados de desempenho dos livros mostram simplesmente o quanto estamos defasados nesse sentido. Talvez menos na área do varejo. Tenho certeza que Pedro Herz, na Cultura, a Saraiva, a Submarino, a Livraria da Vila e as outras redes de livraria estão aprendendo rapidamente a usar melhor seus dados.

Mas todas elas enfrentam o dilema: ou desenvolvem sistemas de metadados para cada um dos livros que compram, ou ficam com informações incompletas, já que as editoras realmente me parecem não prestar muita atenção no assunto.

Em tempo: a Nielsen, no Brasil, faz pesquisas desse tipo para muitos produtos. Mas não de livros. Não sei se por falta de interesse deles ou de estímulo por parte dos editores e livreiros.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 18/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Como aprendi a amar a pirataria


Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Editora mostra como a pirataria pode ajudar a vender mais livros, sejam eles impressos ou digitais

A pirataria de e-book é boa ou ruim para os escritores? Me perguntam isso o tempo todo, o que me faz lembrar do que eu costumava perguntar [sem parar]: “Ai meu Deus!, o que você vai fazer com a pirataria?!?!?!?!”. Hoje em dia essa conversa é um pouco menos carregada de histeria. E isso é bom, por várias razões. Uma é que a histeria raramente resolve os problemas. A outra é que talvez as pessoas estejam abordando de maneira mais racional as realidades do mundo digital que incluem:

1. É fácil compartilhar arquivos
2. É fácil encontrar pessoas que pensam igual à gente por lá, se juntando em comunidades
3. É mais fácil do que nunca para as pessoas espalharem o “boca-a-boca”

Essa três coisas tornam a vida da pirataria e do compartilhamento ilegal de arquivos mais fácil. Mas as três também tornam a vida de autores e criadores mais fácil. Escrevi num artigo anterior sobre como a possibilidade de ser encontrado, ou a falta dela, é o maior problema que a maioria dos escritores encontra [sites piratas são paraísos para viciados em livros e, portanto, que melhor lugar para colocar o seu nome ou o seu livro diante de uma audiência fanática?].

Depois do meu último artigo sobre esse assunto, tenho colecionado links e histórias tentando construir uma imagem melhor sobre como simplesmente o compartilhamento livre, direcionado pelo boca-a-boca, ajuda a vender livros. Essa é a definição que algumas pessoas dão para a pirataria, mas eu também incluo aí a distribuição gratuita de livros bem como a “liberação no mundo selvagem” de maneira despreocupada.

O último grande boom de que se fala é um dessas liberações despreocupadas de conteúdo, que foi a disseminação viral do PDF de prova do livro de Adam Mansbach Go the F**k to sleep, uma paródia adulta para o livro infantil. O artigo “How the Success of ‘Go the F— to Sleep’ Discredits Copy Protection” [Como o sucesso de Go the F**k to sleep desacredita a proteção contra cópias], da PC Magazine, conta a história. Pra resumir, a cópia PDF para revisão correu a internet [totalmente ilegal] porque as pessoas ficaram tão curiosas pelo livro que não puderam esperar pelo lançamento do livro “de verdade” para contar aos seus amigos. O que aconteceu? O livro é o número um na lista da Amazon e tem mais de 100 mil cópias vendidas na pré-venda. Como diz o artigo, “concluir que a pirataria é uma coisa boa baseado apenas nessa história seria simplificar perigosamente demais as coisas. Mas se o editor tivesse trancado as cópias digitais do livro com o cadeado do DRM, ele nunca teria tido a chance de se tornar viral.” Para saber mais sobre Go the F**k to Sleep, confira esses links no Digital Book World. Espera-se que uma cópia para revisão gere mesmo um barulho. E foi exatamente o que aconteceu. É verdade, você já leu todo o livro, mas isso simplesmente aumentou a vontade de ter o livro físico.

Os autores best-selleres Cory Doctorow e Neil Gaiman têm falado com frequência sobre o valor de distribuir o seu trabalho gratuitamente pela internet para estimular as vendas dos livros impressos. Basta fazer uma busca no Google pelos nomes desses escritores e você vai encontrar muitos resultados. Aqui está um vídeo de Neil Gaiman, que está em um artigo da Fast Company: “… depois de observar que os países com a maior concentração de pirataria, como a Rússia, realmente tinham as melhores vendas, [Gaiman] decidiu experimentar colocar o seu livro de graça na internet. ‘As vendas do meu livro, nas livrarias independentes – que era onde estávamos fazendo as medições – aumentaram 300% logo no mês seguinte’.

E o que dizer do escritor Paulo Coelho, cujo livro O Alquimista vendia meras mil cópias por ano na Rússia mas que em 2001, vendeu 10 mil? Por quê? E as vendas continuaram a aumentar até 100 mil. E agora, chegaram a mais de 1 milhão. Como? As pessoas estavam pirateando o livro e isso estimulou as vendas exponencialmente. Isso motivou Paulo Coelho a começar o seu próprio site de download grátis, o Pirate Coelho [hoje hospedado no blog do autor. Aqui está um outro artigo sobre isso. Ele convenceu a HarperCollins a lançar versões promocionais gratuitas dos seus livros, como ele conta nesta entrevista [em inglês].

A maneira mais extrema de lucrar com a pirataria é a venda por parte da O’Reilly, por US$ 99,99, do relatório dos resultados do estudo que fizeram sobre o impacto da pirataria nas vendas [The Impact of P2P and Free Distribution on Book Sales]. Não li, é muito longo. Mas a essência dele está nesta entrevista com Brian O’Leary, da O’Reily, na qual ele diz: “Os dados que coletamos a respeito dos livros da O’Reiley que colocamos à venda mostraram um aumento nas vendas finais para os livros que foram pirateados. Então, na verdade, a pirataria estimulou, não prejudicou, as vendas.” Ele também diz: “Sou muito inflexível sobre o DRM: ele não tem impacto nenhum na pirataria. Qualquer bom pirata consegue arrancar o DRM em questão de segundos – ou minutos. Um pirata também pode escanear um livro impresso. DRM realmente só é útil para impedir que pessoas compartilhem um arquivo que adquiriram legalmente.

O’Leary afirma que o que mais leva à pirataria é o desejo das pessoas de ler um material no formato que elas querem e a dificuldade para conseguir o que querem. Se a indústria do livro satisfizer esse desejo, então poderemos construir um comércio forte, em vez de sermos pegos de calças curtas, como aconteceu com a indústria da música, que desperdiçou bilhões de dólares tentando “combater” a pirataria, simplesmente para descobrir que a única maneira eficiente de reduzir a pirataria era dando às pessoas o que elas queriam: música fácil e barata [DRM-free]. Agora que as lojas de download de MP3 estão bem estabelecidas [até o Wal-Mart tem uma!], o dinheiro está entrando e a pirataria está diminuindo. Neste artigo da revista Wired o editor comenta que o auge da pirataria de música chegou ao fim [eu gostaria de ver mais números atualizados, mas as gravadoras realmente não querem que nós, ou os seus artistas, saibamos muito sobre o que eles estão fazendo].

E aqui convido a indústria dos quadrinhos a reagir de maneira similar, legalizando as muitas versões digitais disponíveis [você pode pensar que os quadrinhos isso seria normal visto a enorme popularidade dewebcomics independentes já bem estabelecidos, e tantas Graphic Novels tendo sido escolhidas a partir de listas de webcomics!].

Mas tem outra coisa. Você ainda pode argumentar que todos esses exemplos de autores “pirateando” os próprios livros e isso levando ao aumento das vendas só dizem respeito a livros físicos. Mas e se você for um editor apenas de livros digitais? Eu entendo o medo. O seu produto é 100% digital. Se alguém o piratear, terá o produto completo nas mãos. Que incentivos eles terão para comprar um livro digital de você? Pirataria de arquivos digitais pode ajudar na venda de livros impressos, mas vão prejudicar as vendas dos digitais, certo? CERTO??

Vamos mais devagar. Vamos olhar para a indústria de software para uma possível resposta.

O pessoal do negócio de software tem lutado contra a pirataria há muito mais tempo do que os editores. Olhemos em particular para os games, que são mais parecidos com os livros, no sentido que são uma escolha de entretenimento. Os desenvolvedores de games têm muitas razões para querer que você pague pelo que eles fazem. Desenvolver um novo game de muito sucesso exige alto investimento financeiro em salários, marketing, etc. Muito mais do que um livro.

E mesmo assim parece que os ventos predominantes sopram na direção de se livrarem do DRM e confiar nos jogadores que pagam pelos games. De acordo com o blog “Game Developers Speaking out Against DRM”, alguns jogos como Prince of Persiaagora são vendidos sem nenhum DRM. Sabe-se que um jogo chamado World of Goo é pirateado por 90% dos seus jogadores, mas os desenvolvedores sentem que esses 90% nunca teriam pago pelo jogo mesmo. Colocar um DRM rigoroso apenas teria diminuído ainda mais a porcentagem dos 10% que pagaram!

Aqui está um link para um post no blog do veterano desenvolvedor de games Jeff Vogel. Ele inicia o post dizendo: “Esse artigo é a minha declaração final sobre como os desenvolvedores deveriam lidar com os piratas. Ele inclui histórias bem humoradas de como eu me comportei como um bobo no passado. E, acredite em mim, fui muito bobo.

Durante quinze anos, eles tiveram um sistema complicado de registro em seus jogos, que supostamente deveria reduzir a pirataria, mas tudo o que o sistema fez foi reduzir o número de compradores legítimos. Como ele escreve, “este sistema nos prendeu por 15 anos, seria a mesma coisa se tivesse ateado fogo em uma pilha de dinheiro.” Não crie obstáculos para as pessoas curtirem o seu produto e se tornarem usuários legítimos. A vida não deveria ser mais fácil para os piratas do que para os compradores. Se você dificultar a vida para os compradores mais do que para os piratas, ganhará menos dinheiro. Simples assim.

Procurando agora no Google encontrei muitos outros artigos sobre games que estão tirando o DRM, incluindo o mundialmente popular Dragon Age.

Então, se os editores de games estão tirando o DRM para diminuir o incentivo à pirataria e aumentar a compra fácil, e o resultado é o crescimento da popularidade dos games porque as pessoas conseguem experimentá-los primeiro… isso me parece uma dica bem clara de que os editores de livros digitais devem fazer o mesmo. Os e-books do Kindle agora estão vendendo mais do que os livros impressos na Amazon. As pessoas querem livros digitais. Dê às pessoas o que elas querem e facilite para que tenham essas coisas em suas mãos.

Enquanto tenho a sua atenção, eu deveria apontar para o fato de que os autores que veem 100 mil downloads dos seus livros como o equivalente a 100 mil vendas perdidas estão enganados. Por favor, acredite em mim quando digo que 100 mil downloads não equivalem a 100 mil cópias roubadas das lojas. Na verdade é o equivalente a 100 mil pessoas olhando o livro enquanto estão em uma livraria ou biblioteca, decidindo se vão investir tempo na leitura.

Recentemente uma autora [Anne B. Ragde] falou contra a pirataria dessa maneira, entretanto, calculando o valor da sua “perda de vendas”. Durante a entrevista, o seu filho deixou escapar para o repórter que a sua mãe, apesar da postura antipirataria, tinha quase duas mil músicas baixadas ilegalmente no seu MP3 player. A sua defesa foi que ela não ouvia na verdade essas músicas [o tal player estava em uma casa de verão em algum lugar]; ela pagava pela música que realmente ouvia. Muito bem, adivinhe só: daqueles 100 mil que baixaram o seu livro, a maioria deles nem está lendo. 90 mil provavelmente nunca nem abriram o arquivo. Os 10 mil que abriram equivalem ao número de pessoas olhando o livro em uma livraria para ver se gostam. Os escritores mais tradicionais fariam qualquer coisa para ter um lugar de exposição como esse em livrarias que atraem 10 mil compradores para dar uma olhada no seu livro. Desses 10 mil, digamos que três entre quatro decidem que o livro não é do seu gosto. Então, agora, diminuímos para 2.500 pessoas que estão genuinamente interessadas. No mundo das lojas físicas, a regra de venda do varejo diz que 500 delas teriam uma boa chance de compra. Outras 500 provavelmente iriam procurar o livro numa biblioteca. O restante nunca chegaria a comprar, colocariam o livro de volta na prateleira e se esqueceria dele.

Então o seu livro precisa ser baixado 100 mil vezes antes que você ganhe míseros 500 compradores. As porcentagens aumentam muito quando os downloads são legais, cópias gratuitas direcionadas para o seu público-alvo como acontece com os livros gratuitos da Tor Books [veja abaixo]. O’Leary na entrevista do link acima também menciona a Bain Books, outra editora de ficção científica, que tem distribuído por aí cópias digitais gratuitas de seus livros há 10 anos [inclusive distribuindo CD-rooms em convenções Sci-fi – eu tenho um de 2002]. Ele comenta que eles têm os mais baixos índices de pirataria no negócio do livro. Isso não é uma coincidência. Bem, você pode não estar convencido, mas eu estou. Distribuir arquivos ajuda. Ter um processo fácil de venda também ajuda. Na verdade, apesar de todo o nosso falatório sobre “novas mídias” na publicidade na era digital, artigos em blogs, discussões no Twitter e páginas no Facebook, essas duas coisas parecem ser as duas únicas que realmente causam um impacto mensurável nas vendas. Distribuição gratuita aumenta a base de consumidores. Depois disso, tenha um processo de venda fácil para conseguir dinheiro daqueles que estão dispostos a pagar. É isso!

Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

O futuro quando?


Nos EUA, onde é maior a adesão ao livro digital, 2011 começa com as perguntas de antes: quando livrarias de tijolos vão fechar e se grandes autores publicarão sem intermediários, explica à Folha Mike Shatzkin, organizador do Digital Book World. O evento, realizado na última semana em Nova York, debate vendas, enquanto o Tools of Change for Publishing, em fevereiro e similar em importância, se concentra na produção. No mundo, as dúvidas são: com que rapidez o livro eletrônico se disseminará e como o varejo local resistirá à hegemonia americana. Shatzkin estima entre 10% e 15% o percentual de americanos que leem livros digitais. Em outros países, não supera 1%.


Os números ainda são “medíocres” por aqui, afirma Luciana Villas-Boas, diretora da Record: “Vendemos até agora 37 exemplares eletrônicos“. Na Objetiva, que ofereceu mais títulos, o diretor Roberto Feith diz que desde novembro foram 663 exemplares vendidos: “O aumento foi de 252% em um mês, depois do lançamento do iPad e do Galaxy no país“.

POR JOSÉLIA AGUIAR | Folha de S. Paulo | COLUNA PAINEL DAS LETRAS | 29 de janeiro de 2011

E-books abaixo de zero


Por Carlo Carrenho

Em meio ao frio e neve nova-iorquinos, editores presentes na Digital Book World encontram mais perguntas do que respostas

A semana em Nova York começou fria. Ou melhor, gelada. Os termômetros bateram nos -15º na segunda-feira [26], e foi um dos dias mais frios dos últimos anos. Mas nada disso impediu que os 1.200 participantes da conferência Digital Book World, organizada pela F+W Media e pelo consultor Mike Shatzkin, marcassem presença no evento. Entre eles, mais de 30 brasileiros representando empresas como Companhia das Letras, GEN, Gente, Contexto, Saraiva, Callis, Livraria Cultura, Livraria da Vila, Ediouro e Singular, entre outros.

O evento abriu as portas na própria segunda-feira com um coquetel, alguns workshops e algumas apresentações comerciais de produtos em uma espécie de pré-conferência. Mas foi na terça-feira que a conferencia começou de fato. De forma geral, as dúvidas e perguntas suplantaram as respostas e novidades. Muitos dos painéis e palestras foram bastante especulativos, e as exceções foram os eventos que trouxeram dados de pesquisas inéditos ou soluções consolidadas.

A primeira apresentação plenária foi de James McQuivey, pesquisador da Forrester, que apresentou alguns números obtidos em uma pesquisa entre executivos do mercado editorial norte-americano. Como introdução, McQuivey lembrou que 10,5 milhões de pessoas são proprietárias de um leitor digital e 20 milhões de pessoas leram livros digitais no ano passado. A Forrester prevê que US$ 1,3 bi sejam gastos em ebooks em 2011, contra apenas US$ 1 bilhão em 2010.

MacQuivey ainda trouxe uma informação bastante interessante sobre a disputa entre leitores dedicados e leitores multifuncionais: um terço dos proprietários de iPads também tem um Kindle.

53% dos executivos pesquisados – que representam 65% do mercado editorial norte-americano – acreditam que as vendas de livros impressos vão cair nos próximos anos. E metade deles prevê que 50% dos livros vendidos já serão digitais em 2014. No entanto, quando perguntados como serão as vendas dos livros que publicam, acreditam, ironicamente, que isto só acontecerá em 2015 em suas empresas.

Outro painel bastante interessante colocou no palco Brian Napack, CEO da Macmillan, Jane Friedman, CEO da Open Road e veterana do mercado editorial americano, David Steiberger, da Perseus, e Mike Hyatt, CEO da Thomas Nelson. Conforme o bate-papo fluía entre os executivos, era possível perceber suas preocupações e focos e até identificar algumas tendências.

Mike Hyatt lembrou que o atual cenário exige que todo presidente de editora administre duas empresas, uma digital e outra física, e que este é um grande desafio. Napack, por sua vez, dividiu os editores em duas categorias: aqueles mais abertos que correm atrás do que precisam dominar no novo mundo digital e aqueles que insistem em dizer que o digital nunca acontecerá. Ele ainda enfatizou que os editores precisarão de um novo conjunto de habilidades que vão além do que eles têm hoje.

Friedman lembrou as 80 mil editoras independentes dos EUA e manifestou sua expectativa de que elas tragam autores e gerem negócios para sua empresa. “Estou cansada de fala das ‘big 6’”, declarou. A discussão também chegou às mídias sociais. “As pessoas agora estão confiando nos amigos para descobrir livros e conteúdo”, afirmou Hyatt. “Não é mais a exposição nas livrarias que vende livros”, completou Friedman.

Todos os conferencistas concordaram em relação às livrarias independentes. “Somos otimistas em relação às lojas físicas, mas elas têm o desafio de não se tornarem um show-room para vendas on-line”, afirmou Napack. “A livraria independente é parte de uma comunidade e é sobre comunidades que estamos falando aqui – as livrarias independentes têm feito mídia social muito antes deste nome ter sido inventado”, lembrou Friedman.

Outros momentos de destaque do painel foram quando David Steinberger lembrou que livros não são faixas de música e que os dois mercados são 100% análogos e quando Friedman afirmou que “custo zero não é um modelo de negócio, mas um modelo de marketing”.

A conferência ainda trouxe algumas pesquisas e as palestras de representantes da Google e da Amazon, com novidades em um ambiente carente de soluções. Abe Murray, da Google Books, informou que já foram baixados mais de um milhão de apps do leitor da Google e três milhões de e-books. Ele também divulgou as categorias mais vendidas e os romances populares são os campeões. Quanto aos parceiros, já existem 5mil editores no programa e 180 revendedores utilizando a plataforma para vender e-books. Russ Grandinetti, da Amazon, trouxe dados limitados mas bastante úteis. O principal deles é que os clientes da Amazon aumentam suas compras de livros em média 3,3 vezes depois de adquirirem um Kindle.

Ao final de cada painel, havia sempre um momento de perguntas da platéia. Foi quando alguém disparou: “Vocês só falam de vender livros. E a leitura? Vocês não se interessam se as pessoas lêem os livros, se de fato lêem o que compram?

Com certeza, esta e outras perguntas – e poucas respostas – foi o que a maioria dos participantes do Digital Book World levou na bagagem de volta para casa – caso tenham conseguido deixar Manhattan durante uma das maiores nevascas deste inverno na noite desta quarta-feira [26].

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 27/01/2011

Livro digital: A indústria está animada!


Acabou hoje o Digital Book World 2011 em Nova York, embaixo de muita neve, mas se o tempo não ajudava, as perspectivas para a indústria editorial parecem estar muito melhores, pelo menos é isso que pensam os players dela. A delegação de brasileiros era grande, mais de 30 pessoas, importantes editoras estavam lá, algumas de muito potencial também, entre elas, a Livros de Safra.

O mercado americano está bem a frente do brasileiro, eles têm a Amazon, a Apple e outros poderosos participantes, e também uma base instalada grande de aparelhos, destaque para kindle e iPads. O que se constatou é que o livro digital tem feito o hábito da leitura aumentar, ou pelo menos da compra dos livros. Sim, aqui nos Estados Unidos também se conclui que os dois principais inimigos da leitura são o sono e a televisão. Muitos não se incomodam de vegetar. Mas para aqueles que compraram seus “devices” o consumo de livros, digital e papel, ficou 3,3 vezes maior. Ou seja, é bom nós aqui irmos preparando nosso catálogo que o futuro é animador.

E você, tem experiência em leitura digital? O que acha?

Livros de Safra | 27/01/2010

Pelo menos 30 brasileiros no DBW 2011


Um e-book lançado aqui, um experimento ali e os editores brasileiros já não ignoram mais o livro digital. Outra prova de que esse futuro digital do livro também deve chegar ao Brasil é o fato de que 30 brasileiros já se inscreveram no Digital Book World Conference & Expo 2011 e estarão em Nova York entre 24 e 26 de janeiro.

Os descontos de US$ 200 continuam valendo para assinantes do PublishNews. Para outras informações sobre o encontro, clique aqui.

PublishNews | 14/01/2011

Digital Book World Conference & Expo 2011


Em janeiro, editores e demais profissionais do mercado editorial interessados no futuro do livro e no novo modo de trabalho que a edição digital tem apresentado estarão em Nova York para o Digital Book World Conference & Expo 2011. Trata-se de uma oportunidade de ver, de perto e na prática, o que as principais editoras e seus parceiros estão fazendo na área do livro digital. Entre as atrações recém-confirmadas estão apresentações do Google, há quase dois meses no negócio do livro digital, e da Amazon, a líder até o momento.

Além disso, haverá um painel com analistas da Goldman Sachs e da Susquehanna Financial Group, o . Edição de livros infantis, publicação independente, distribuição, plataformas múltiplas de edição e comportamento dos consumidores são apenas alguns dos assuntos que serão tratados por um time de peso do mercado editorial internacional. Veja aqui quem são os convidados. Em destaque, ainda estão apresentações dos resultados de uma série de pesquisas como a que mostra a indústria do livro daqui a 12 meses e a que conta como foi 2010. As inscrições estão abertas e os assinantes do PublishNews, que apoia esta edição do DBW, têm desconto especial. Para a programação completa, clique aqui. O DBW 2011 será realizado entre os dias 24 e 26 de janeiro e o PublishNews fará a cobertura.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 06/01/2011

DBW anuncia o Publishing Innovation Awards


Digital Book World [DBW] acaba de anunciar o lançamento do prêmio Publishing Innovation. A honraria pretende reconhecer os melhores e-books e aplicativos de acordo com as suas qualidades nos quesitos originalidade, desenvolvimento, produção, design e marketing. O prêmio, dividido em cinco categorias – ficção, não-ficção, referência, infantil e comics – será apresentado na abertura da DBW 2011 Conference + Expo, em 24 de janeiro de 2011, no Sheraton Hotel & Towers, em Nova York. “Esse prêmio vai prestigiar tanto editores tradicionais quando novos, e também desenvolvedores de e-books e de aplicativos que melhor representem as inúmeras possibilidades que existem além da simples replicação digital dos livros impressos”, disse Guy LeCharles Gonzalez, diretor de programação e desenvolvimento de negócios da DBW 2011. Para saber mais sobre o novo prêmio, clique aqui.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 15/12/2010

Workshops esquentam para o Digital Book World 2010


O Digital Book World, fórum de discussão e atualização sobre as mais recentes novidades do mercado mundial do livro digital, será nos dias 25 e 26 de janeiro, em Nova York. Dois dias antes, porém, serão realizados alguns seminários técnicos, que abordarão temas como a publicação em ePub, gerenciamento de listas de e-mails e marketing. Haverá ainda encontros para debater estratégia, o design do e-book e sua produção, desenvolvimento transmedia, workflow de e-book e mais. A programação pode ser acessada aqui.

PublishNews | 30/11/2010

Não se afogue cruzando o rio


Mike Shatzkin

Um aforismo que eu vi anos atrás e que sempre me lembro na minha vida profissional é que um “homem de 1,82m se afoga cruzando um rio que tem a média de 90 cm de profundidade“.

A questão é que agregados e médias podem mascarar importantes verdades.

Pensei nisso quando li o estudo da Forrester sobre o crescimento dos e-books anunciado no começo dessa semana. Nota: A Forrester é parceira dos meus colegas na Digital Book World e vai apresentar dados – apesar de que não sobre esse estudo de e-books, mas outro projeto – na conferência da DBW em janeiro. Não me envolvi nessas discussões e, como a maioria dos leitores desse blog, só conheço o que li nas publicações e comentários.

Kat Meyer no O’Reilly Radar expressou suas dúvidas sobre os dados da Forrester, e nos dados recém anunciados pela Bain Consultants na França. As preocupações de Kat têm a ver com a metodologia. Não sei se estamos aptos para avaliar a metodologia porque não sei quanto disso foi revelado, e eu diria que a questão que ela levanta é importante, mas não é o que realmente me preocupa.

Minhas perguntas sobre os números da manchete são: 1] $1 bilhão de dólares em vendas de e-books agora? Se contarmos somente literatura – e há algumas indicações enumeradas abaixo de que poderia não ser só isso – então o valor passaria dos 15 bilhões, que parece algo razoável. Se o número inclui outros tipos, que significa uns $30 bilhões, então choca por ser baixo, não alto. 2] Prever o crescimento para $3 bilhões até 2015 partindo dessas bases parece muito conservador e a redução na taxa de crescimento nos próximos cinco anos em comparação com o que foi nos últimos dois anos é o mais importante. Não acho que tenha visto qualquer justificativa do relatório que possa justificar esse dado. Só com essa análise, já fico pensando se estou perdendo algo e não sei tanto do conteúdo para fazer algum comentário. É por isso que esse parágrafo está dentro de parênteses. Sinto-me melhor assim.

A apresentação da Forrester para um estudo de indústria é uma das muitas pesquisas sérias que estamos planejando para a conferência. No ano passado tivemos relatórios da Verso Media sobre os leitores de livro, seguindo a mudança de impresso para eletrônico. Guy Gonzalez e sua equipe da Digital Book World assumiram esse estudo e irão atualizá-lo para nós com a Verso. Também tivemos uma apresentação no ano passado da Bowker e BISG, que estava apenas começando o estudo sobre os e-book readers. Eles realizaram quatro pesquisas desde então e também vão apresentar uma atualização.

Nos dois casos, com a metodologia dos estudos permanecendo consistente, teremos importantes informações sobre a indústria, independente da precisão das porcentagens informadas para os diferentes comportamentos.

Teremos a oportunidade de fazer outro estudo porque a equipe do iModerate, que possui uma metodologia de “chat” online para personalizar pesquisas, se apresentou de forma voluntária para demonstrar o que conseguem fazer para a nossa audiência. Precisávamos escolher o tópico e decidimos estudar os hábitos de e-reading em aparelhos portáteis multifunção [smartphones e tablets]. Escolhemos esse tópico por duas razões: é um grupo de e-book readers com forte crescimento e as telas touchscreen coloridas e a conectividade dos aparelhos melhoram os e-books que poderiam parecer ruins no Kindle ou no Nook de primeira geração.

Vamos também apresentar o trabalho que a Bowker fez no mercado de livros infantis com o apoio de várias editoras e organizado com a Association of Booksellers for Children.

As manchetes do relatório da Forrester foram de que as vendas de e-books estão se aproximando do $1 bilhão de dólares e que esperam que esse número triplique em cinco anos. Também chama a atenção o fato de que, três anos na era do Kindle e mais de seis meses depois da introdução do iPad, mais e-books são lidos em computadores pessoais do que em qualquer outro meio. Eu digo que chama a atenção pois vai direto ao coração da minha preocupação sobre os dados. Tem a ver com o homem de 1,82 m.

Tenho a forte impressão de que o conteúdo lido no PC é qualitativamente diferente do que é lido em aparelhos portáteis e mobile. Sei bem dos perigos de se generalizar a partir da própria experiência, mas nunca conheci uma pessoa que lesse livros de literatura num PC. Conheço pessoas que leem em Kindles, Nooks, smartphones e iPads. Sei, por ter conversado com pessoas na indústria de e-books de romance, que pessoas nos escritórios leem romances nas máquinas dos escritórios [na hora do almoço, claro].

Mas minha intuição afirma que uma boa parte da leitura em PC é profissional e informativa, não recreativa e é nisso que consiste a maior parte das vendas de PDFs. Se mais de 30% dos leitores de e-books consomem conteúdo em computadores comuns, aposto que as porcentagens para o Safari da O’Reilly [independente de acharmos que ler um pedaço de um e-book daquele serviço seja uma boa metodologia, mas minha intuição sobre interpretar os dados de aparelhos me diz que deve ser] são muito mais altas.

Então, leitura de e-book é um rio que possui uma média de 90 cm de profundidade. Mas só tem uns 30 ou 60 centímetros perto da margem [onde os livros de literatura são lidos] e tem uns 5 metros de profundidade no meio [onde os e-books profissionais são lidos]. E o ponto importante é que os editores que fazem um ou outro não ganham nada com dados que juntam esses dois mercados bastante diferentes, colocando-os como se fossem um só.

Isso não sugere que nada possa ser aprendido com a pesquisa da Forrester nem que qualquer outro estudo tenha uma boa noção dessa diferença. Perguntei a um colega entendido em dados que já fez alguns trabalhos nessa área, se ele compartilhava minha impressão sobre quem está lendo esses PDFs nos PCs. Ele pesquisou seus arquivos e acabou concordando de que a análise de mercado que eu estava procurando não era evidente na extensiva pesquisa que ele tinha feito.

Obviamente, há pessoas que sabem disso. A Amazon, a B&N e a Kobo sabem em quais aparelhos os livros que vendem são lidos. O’Reilly sabe em quais aparelhos os livros que vendem e os usados em sua biblioteca Safari são lidos. Quando eu entrevistei a editora da Ellora’s Cave na Digital Book World do ano passado, ela estava bastante consciente do fato de que muitos de seus livros ainda eram vendidos como PDF, sugerindo um leitor em computadores. O fato de que esses dados não estejam disponíveis em todos os lados, nem analisados, sugere que é algo visto como tendo valor proprietário pelas pessoas que o possuem.

Tentar entender um filão do mercado que poderia ser distinto não era o que pensávamos quando decidimos usar o foco da iModerate nos aparelhos portáteis multifunção. Pensamos que esses leitores poderiam usar e valorizar os recursos de um enriched e-book mais do que os leitores no Kindle e no Nook, e também os vimos como o segmento de mercado de leitores de e-book com maior probabilidade de rápido crescimento. Então, compreender esse segmento de mercado com mais detalhes poderia ajudar as editoras a direcionar o alvo um pouco mais no desenvolvimento de produtos.

Escrevemos muitas vezes antes que a indústria do livro não é uma só. Os e-books profissionais lidos num laptop por um programador no meio de uma tarefa não falam muito sobre que formato você deveria publicar um romance. A grande mudança no mundo do e-book que ainda não aconteceu, mas vai acontecer nos próximos anos é uma maior adaptação e consumo de livros ilustrados em formato digital. Qualquer coisa fortemente ilustrada agora, terá de ser provavelmente distribuída como PDF para um laptop; isso não será mais verdade no final desse período de estudo, que é em 2015.

No dia em que estou escrevendo isso, novos dados de vendas de e-books foram anunciados e a Cader os analisou num post que está dentro do conteúdo pago. Ele calculou que as vendas de e-books compreendem a 9,5% das vendas de livros adultos, mas somente 1,7% dos infantis. Isso é realmente uma cartografia do fundo do rio, bastante útil.

Então, o que pedimos são dados e podemos tentar entender suas limitações e ganhar visão com elas ao mesmo tempo. Também vamos lembrar que o mundo da mudança digital na indústria editorial é simultaneamente dinâmico e diverso, e que nenhum único grupo de dados tem a possibilidade de nos dar respostas sobre o que fazer em seguida ou o que devemos esperar nos próximos anos.

É precisamente porque os dados precisam ser interpretados que realizamos as sessões Verso-DBW, BISG-Bowker e iModerate na Digital Book World uma atrás da outra e vamos terminar as apresentações com um painel de discussão cujo objetivo é jogar alguma luz sobre o que pode ser concluído em relação ao que eles dizem.

Texto escrito por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 17/11/2010

Livros infantis impressos X tablets


Mike Shatzkin

Esse post vai discutir uma ideia que eu já tinha mesmo antes da notícia dessa manhã [1/11] sobre as novidades no cenário de e-products. Sempre fui meio cético em relação aos enhanced e-books, baseados no meu palpite de que não funcionariam há 15 anos quando apareceram os CD-Roms. Mas é cada vez mais óbvio que produtos estilo CD-Rom podem funcionar muito bem com livros infantis. Na verdade, estou começando a pensar que enhanced e-books ou produtos estilo aplicativos poderiam superar os livros como suporte preferido em pouquíssimo tempo. Menos de dez anos.

Os motivos por ser cético em relação aos enhanced e-books [ou enriched, um termo recente que ouvi e que pode ser melhor] é porque livros adultos são escritos como experiências de leitura de narrativas sem a intenção de serem interrompidas para serem lidos por pessoas que valorizam a experiência imersiva [Nem todos. Mas a maioria dos livros que pensamos ser best-sellers ou literatura]. Meu palpite é que será difícil mudar muitas das horas de consumo agora devotadas à leitura imersiva por outra coisa bem diferente. E vejo isso como um desafio qualitativamente diferente do que a mudança da própria leitura imersiva de um mecanismo de distribuição [papel] para outro [telas].

A razão pela qual o material infantil não sobreviveu no período CD-Rom há 15 anos foi a complexidade do mecanismo de distribuição. Era preciso estar no computador, o que normalmente significava um desktop. Era preciso carregar o CD-Rom, que na maioria dos computadores [porque poucos eram Macs na época] exigiam navegação adicional antes da reprodução. Esses produtos não eram realmente acessíveis a crianças, mesmo se a programação contida neles fosse dirigida a esse público.

Mas esses problemas não continuam nos “livros” para crianças [se for assim que você quiser chamá-los] que estão migrando para iPad, smartphone ou, agora, o NOOKcolor [que, eu acho, é como seus donos gostariam de chamá-lo].

O grau de imersão que você consegue num livro é diretamente proporcional à fluência com a qual ele é lido. Isso significa quanto mais jovem você for, mais provável que aceite uma experiência de leitura interrompida.

E como os aparelhos ficam mais baratos e mais ubíquos, pais e filhos vão aprender rapidamente como as experiências interativas podem ser divertidas, instrutivas e acessíveis.

Comecei a escrever esse post no fim de semana porque ficamos sabendo de várias iniciativas empreendedoras que estavam focadas no desenvolvimento de materiais infantis dessa forma. Depois, o Publishers Lunch dessa manhã [1/11] nos contou a história do que está acontecendo na Callaway, o que só fortaleceu a certeza de que há muito dinheiro sendo colocado nessa ideia.

Resumindo, cheguei ao ponto de vista de que o mercado de livros juvenis vai migrar para produtos digitais “enhanced” de forma muito mais rápida do que a narrativa adulta e que, como resultado, a criação e publicação para os vários mercados de livros infantis estará cada vez mais a cargo de novas empresas e cada vez menos a cargo das editoras de livros.

A reportagem sobre a Callaway Digital Arts que saiu no Publishers Lunch hoje [1/11] é incrível. Eles não só garantiram 6 milhões de dólares de financiamento do iFund liderado pela Kleiner Perkins Caufield & Byers, mas também ganharam 30 milhões do programa “Pronto para Aprender” do Departamento de Educação. Com esse empurrão, a Callaway diz que planeja produzir 150 aplicativos anuais, daqui a dois anos. Estão sendo vistos pela Apple como “parceiro estratégico” para ajudar o iPad a “transformar a educação”.
Apesar de ser a mais famosa, a Callaway não está sozinha no foco sobre o mercado de conteúdo para crianças construído a partir de livros.

A Oceanhouse Media está construindo o que parece ser um negócio comparável de uma forma completamente diferente. Em vez de procurar investidores para seu capital, a Oceanhouse conseguiu se autocapitalizar construindo uma rede de desenvolvedores dispostos a trabalhar por uma participação nos projetos que estão desenvolvendo. Eles conseguiram fazer acordos com a Hay House [que não é dirigido a crianças, em princípios], seus vizinhos em San Diego. E conseguiram os direitos do Dr. Seuss e Berenstain Bears. Numa conversa com eles, me pareceu que conseguiriam entregar novos produtos no mesmo nível que a Callaway, mas muito antes do que esse prazo de dois anos.

A Trilogy Studios possui sócios que dirigem estúdios de games na Electronic Arts, Fox Interactive e Vivendi Universal Games, tendo lançado recentemente o produto infantil de maior sucesso até o momento, um MMO [que significa um jogo “Massive Multiplayer Online”] baseado num filme de animação bastante famoso. Eles expandiram o portfólio para incluir livros interativos de histórias e jogos sociais, além de contratarem o editor veterano Marc Jaffe [até recentemente da Rodale] para garantir os direitos de algumas das marcas mais reconhecidas de entretenimento e do mercado editorial para futuros desenvolvimentos digitais.

Rick Richter, até recentemente o chefe de publicações para crianças da Simon & Schuster, criou uma concorrente no setor chamada Ruckus Media Group. Eles estão fazendo aplicativos para Apple e Android, compraram os direitos do Rabbit Ears Library [clássicos infantis lidos por celebridades] e estão contratando autores com conteúdo original.

Smashing Ideas é um site, estúdio de games e aplicativos que já está no mercado há 14 anos. Eles trabalham com marcas voltadas para a juventude como Hasbro, Nickelodeon e Disney há vários anos. Agora fizeram um acordo para desenvolver projetos com a Random House e também desenvolvem projetos em cima de livros em domínio público com aplicativos, entre eles a Guerra dos Mundos, O Livro da Selva e o Mágico de Oz. Isso não é nenhuma surpresa porque Ben Roberts, que agora lidera a divisão de e-book, ajudou a criar Alice para o iPad.

Todo esse investimento e todo esse desenvolvimento deve ter a mesma visão que eu. As crianças serão o grande mercado para esse tipo de produto. A narrativa linear pode ser imersiva somente até o ponto em que o ato de leitura em si for fácil e sem esforços. Não é possível se perder na história se você precisa ficar procurando palavras ou relendo com frequência sentenças para entender o significado.

Isso significa que é muito mais difícil para um jovem imergir na história só com palavras no papel. É por isso que os livros infantis oferecem muito mais do que isso: imagens, claro, mas também pop-ups e vários outros elementos tridimensionais, até onde podem ser distribuídos em algo que é fundamentalmente papel amarrado.

É possível dizer que as crianças sempre possuíram “enhanced books”!

Os novos aparelhos têm muito mais capacidade do que os CD-Roms para se relacionar com mais do que palavras – formas que a maioria dos que amam a leitura imersiva poderiam achar distrativas ou chatas, mas que as crianças adoram. A navegação intuitiva com touchscreen, um desenvolvimento relativamente recente, facilita a participação e a interação com uma mente ativa que ainda não aprendeu suficiente linguagem para trabalhar confortavelmente com dicas escritas.

Não vivo numa atmosfera centrada nas crianças, mas estou consciente de que nos dois últimos anos os pais que pensaram que seus filhos eram jovens demais para os gastos de conectividade de um iPhone concordariam em comprar um iPod Touch, que faz o mesmo exceto as ligações [e, portanto, não tem nenhuma conta mensal]. Um amigo meu que continua defensor da “mídia antiga” recentemente me perguntou o que eu achava de um Touch para seu filho de 7 anos, que não queria ficar atrás dos seus amigos que já tinham um. Essas crianças não estão usando o Google para fazer a lição de casa; estão jogando games que são a vanguarda tecnológica do novo mercado de livros infantis.

O iPad levou essas novas empresas a entrarem no mercado explícito de fazer enhanced e-books baseados nos livros infantis. O NOOKcolor somente coloca lenha na fogueira.
E como o NOOKcolor é metade do preço ou até menos que um iPad, os pais ficarão mais relaxados com a possibilidade de seus filhos brincarem com ele.

Há testemunhos de que crianças podem ficar mais interessadas num livro de papel depois de terem contato com os personagens e a história através de um enhanced e-book ou aplicativo. Estamos descobrindo isso porque os enhanced e-books feitos hoje estão tendo como base livros que já existem. Isso é uma forma bastante inteligente de entrar no mercado. Por que aumentar o desafio criativo começando do zero quando existe uma enorme quantidade de marcas estabelecidas e personagens para licenciar? E como o primeiro grande sucesso nesse gênero infantil, Alice para o iPad, demonstrou e a Smashing Ideas percebeu, mesmo a exigência de licenciamento pode ser evitada com o uso de textos em domínio público como base.

Meu palpite é que editores – ou quem tiver os direitos – terão um belo negócio, durante um tempo, licenciando livros e personagens para desenvolvedores de enhanced e-books chamados “estúdios digitais” que os transformarão em produtos bem-sucedidos. Com o tempo – e não vai demorar muito – esses estúdios se transformarão nos criadores de novos personagens e franquias, e o livro se tornará o “direito subsidiário”. Em quanto tempo? Não muito. Entre três e cinco anos?

Qualquer editor que quiser entrar no mercado infantil no meio dessa década, é melhor comprar um desses estúdios, ou fundar um.

Essa ideia surgiu na minha cabeça há um mês; precisou vencer meu preconceito contra interrupções chatas que é como eu vejo a maioria dos enhanced e-books dirigidos a adultos. Então, claro, começamos imediatamente a montar um painel sobre o assunto para a Digital Book World. Isso me levou a conversar com muitas dessas empresas. Ainda não decidimos quem vai discutir o que estão fazendo nos dias 25-26 de janeiro, mas certamente será uma conversa sobre o futuro próximo do mercado editorial juvenil.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 10/11/2010

Assinantes PublishNews têm desconto na Digital Book World 2011


Digital Book World 2011

24-26 de janeiro de 2011, Nova York, NY

Inscreva-se na DBW 2011 até o dia 5/11 e economize 400 dólares!

Faltam menos de 3 meses para o começo da Digital Book World 2011 Conference + Expo, o único evento que trata dos verdadeiros riscos e oportunidades digitais para os editores.

Como Media Sponsor, da Digital Book World, o PublishNews tem orgulho em oferecer aos seus assinantes um desconto especial para a conferência Digital Book World 2011, que acontece de 24 a 26 de janeiro na cidade de Nova York.

Ao se registrar agora usando o código promocional DBWPN, você vai economizar 400 dólares na inscrição. A princípio, esta promoção era válida apenas até 1º de novembro para os clientes e assinantes dos media sponsors do evento. Mas, como brasileiros que somos, conversamos com os organizadores, explicamos a questão do feriado de Finados e, exclusivamente para os assinantes do PublishNews, a inscrição foi prorrogada até a meia-noite do dia 5 de novembro. Basta usar o código promocional DBWPN.

O PublishNews apóia e recomenda o Digital Book World 2011 Conference + Expo como um excelente fórum de discussão e atualização sobre as mais recentes novidades do mercado mundial do livro digital.

Esta oferta promocional só vai até o dia 3 de novembro. Inscreva-se agora para garantir essa oferta especial!

Pesquisa exclusiva da Forrester

O Programa da Digital Book World desse ano incluirá dados exclusivos que só poderão ser encontrados na DBW 2011. Fizemos uma parceria com a Forrester Research para realizar a primeira Pesquisa Anual com Executivos de Editoras, que pede aos líderes do mercado para medirem e informarem suas estratégias,expectativas e incertezas digitais.

A Pesquisa com Executivos de 2011, que será apresentada por James McQuivey, Ph.D, Vice Presidente e Analista Principal na Forrester, vai explorar tópicos como disponibilidade de catálogo de e-books, pirataria de conteúdo, mudanças na equipe e muito mais. Essa pesquisa irá realmente ajudar profissionais do mercado a:

  • Conhecer, junto com sua equipe, a quantidade de alternativas disponíveis na transição digital.
  • Medir seus próprios planos e experiências em relação aos seus pares da indústria.
  • Criar planos digitais para o próximo ano.

Essas informações serão divulgadas exclusivamente no Digital Book World 2011 – você precisa estar lá para saber como posicionar sua empresa. As respostas poderão ser surpreendentes.

Atitudes do consumidor frente aos e-books

Desde a Digital Book World 2010, a parceria BISG / Bowker continuou seu esperado estudo sobre as atitudes dos consumidores em relação à leitura de e-books. Com o lançamento do iPad, descontos agressivos no Kindle e Nook e muito espaço na imprensa para os e-books, 2010 tem sido um divisor de águas para a leitura digital.

Angela Bole, da BISG, apresentará uma atualização do relatório BISG / Bowker com informações fundamentais sobre como os consumidores compram e leem conteúdo digital.

Você vai descobrir:

  • Quem está comprando aparelhos de leitura de e-books dedicados.
  • Quais gêneros são mais populares entre os consumidores de e-book (e quais gêneros eles ainda compram em papel).
  • Tendências importantes do ano passado que você precisa entender para desenvolver sua estratégia digital em 2011.

E muito mais!

Um programa útil e relevante para editores

Faltando poucos dias para você se inscrever economizando 400 dólares, divulgamos uma prévia do programa 2011 que vai apresentar assuntos fundamentais como:

  • Primeiro o conteúdo, depois o formato: Decisões comerciais quando você não começa com um livro físico
  • A mudança da venda direta ao consumidor: Alavancando ferramentas digitais para construir relacionamentos com os leitores
  • Dados de vendas no varejo: Obter, analisar e usar
  • Construindo autores como marcas: Trabalhando com autores que fazem um marketing eficaz
  • Distribuição digital para pequenas e médias editoras

Se você trabalha numa editora, na área editorial, de marketing, digital ou em outro departamento, a Digital Book World 2011 é onde você vai aprender como será seu emprego no futuro. Não dá para perder.

A Digital Book World 2011 é uma iniciativa da F+W Media e da Idea Logical Co.


Inscrição no DBW 2011 tem desconto até o dia 5/11 para assinantes do PublishNews


Nos dias 24, 25 e 26 de janeiro, Nova York vai receber editores do mundo inteiro para a Digital Book World 2011 Conference + Expo, um excelente fórum de discussão e atualização sobre as mais recentes novidades do mercado mundial do livro digital. O PublishNews é Media Sponsor e, por isso, os assinantes da newsletter terão a vantagem de se inscrever até a meia-noite do dia 5 de novembro e economizar US$ 400. Esse prazo, na verdade, era o dia 1º, mas como bons brasileiros, explicamos a questão do feriado de Finados e o prazo foi ampliado para o dia 5. Para aproveitar a promoção, clique aqui e use o código DBWPN.


PublishNews | 29/10/2010

De Frankfurt: o mundo está ficando menor


Mike Shatzkin

No final de mais uma Feira de Livros de Frankfurt – minha trigésima alguma coisa – aqui vai uma coisa que eu já sabia mas encaro agora de uma nova maneira: tem uma diferença enorme entre os Estados Unidos e todos os outros países do Mundo Ocidental [pelo menos] de recepção e aceitação do consumidor de e-book.

O que eu penso: isso não pode ficar assim para sempre.

O que eu deduzo: o resto do mundo está no que será, para muitos, uma viagem que os vai deixar tontos, enquanto tentam chegar neste ponto.

Parece óbvio porque os Estados Unidos estejam tão adiantados: 300 milhões de pessoas em uma única economia com uma moeda única e com um único idioma. Esses mesmos fatores explicam porque os Estados Unidos estão muito à frente também em compras de livros impressos pela internet [Há outra grande causa em jogo: a infra-estrutura dos serviços prestados por nossos atacadistas nacionais, Ingram e Baker&Taylor, sem os quais teria sido necessário um investimento inicial muito maior para começar a Amazon.com, 15 anos atrás].

Uma coisa leva à outra. Porque a Amazon havia construído, no final de 2007 quando lançou o Kindle, uma base de leais consumidores compradores de milhões de livros, eles tinham os pilares para desenvolver um e-reader. Isso realmente exigiu duas coisas que ninguém mais em nenhum outro país tem hoje: uma base de consumidores grande o bastante para alcançar uma massa crítica de consumidores sem qualquer apoio ou parcerias e proporciona grande influência junto às editoras para fazer com que elas disponibilizem seus livros em sua plataforma.

Uma coisa leva à outra. O Kindle, da Amazon, com uma seleção de títulos muito mais ampla e um caminho mais suave do arquivo do servidor para o dispositivo do que os dispositivos anteriores [o Sony Reader para alguns e leitores de PC ou dispositivos portáteis como Palm Pilots para outros; e eu estava no grupo dos portáteis], teve uma rápida aceitação. Isso levou a Barnes & Noble, que também tinha influência junto às editoras para que elas levassem seus títulos às suas lojas e acesso e credibilidade da marca com milhões de leitores, a seguir o mesmo caminho com o aparelhinho similar ao Kindle, o Nook, quase dois anos depois do Kindle. Como a maioria de nós sabe, o iPad seguiu o Nook pouco depois, entrando no mercado norte-americano em abril de 2010.

Tudo isso resultou nos Estados Unidos chegando ao ponto de, na Feira de Frankfurt 2010, uma editora norte-americana lançar um livro comum de ficção e esperar que as vendas em e-books sejam uma boa porcentagem da venda total de livro, com relatos ocasionais ainda mais dramáticos.

Uma coisa leva à outra. Como já escrevi muitas vezes, todas essas vendas baseadas na internet colocam grande pressão sobre as lojas físicas. Nós vemos os espaços nas prateleiras diminuírem e há até aqueles que acreditam que nos próximos dez anos esse espaço pode realmente desaparecer.

O Kindle não teve nem de perto o mesmo impacto dramático no exterior que teve nos Estados Unidos, por uma série de razões. A Amazon não tem a mesma audiência. Eles não têm fora dos EUA o mesmo vasto número de títulos disponíveis. E eles não tinham duas outras grandes e influentes companhias [B&N e Apple] levando a experiência com o dispositivo de leitura ao público. Parece que a chegada do iPad e do Nook serviu apenas como catalisador para a Amazon vender ainda mais Kindles e para acelerar ainda mais a absorção do e-book no mercado norte-americano.

Então nós nos vemos hoje com essa enorme lacuna entre a penetração de e-books no mercado norte-americano e a penetração deles nos mercados de outros países fora da Ásia [eu não falei com nenhuma editora asiática na Feira, e não conheço a situação lá]. Certamente [Atenção! Pressuposto: um argumento não baseado em dado algum] essa é uma situação que não pode durar para sempre. Em cinco, dez ou quinze anos a porcentagem de livros digitais e a porcentagem de livros impressos vendidos online será praticamente a mesma em todos os países desenvolvidos.

Se essa suposição estiver correta, então outros países – começando com os falantes de inglês – vão experimentar as mudanças que nós temos sentido nos Estados Unidos em um prazo muito menor.

Há barreiras legais e institucionais para mudar o que já está “funcionando”. O maior fosso natural do mundo tem protegido o mercado australiano de livros, mantendo os preços de livros impressos altos e o comércio de varejo de livros saudável. Era evidente em conversas que tive com alguns vendedores de livros australianos na última Expo Book America, em maio, que eles estão sentindo os ventos das mudanças que começam a soprar, mudanças trazidas com a chegada dos e-books da Kobo ao mercado [Kobo é um dorminhoco da perspectiva americana: uma pequena – e quase tardia – plataforma de eBook em nosso país, mas uma presença cuidadosa construída ao redor do mundo e com impressionante relação com OEM em todo lugar, incluindo os EUA]. Também a instalação da unidade de POD da Ingram na Austrália vai, certamente, introduzir muito mais títulos no mercado de livros impressos. Isso é importante porque POD leva os consumidores a comprar online ao oferecer mais títulos do que qualquer livraria pode ter em estoque.

Isso é assustador para qualquer livreiro australiano sensível.

A manutenção do preço de venda, restrições territoriais e de idioma, e regras variáveis sobre aplicação de VAT [taxa de venda para nós americanos] para livros complicam seriamente o desenvolvimento dos mercados de e-book na Europa.

Mas a maior complicação de todas, a curto prazo, é a escassez de títulos disponíveis no formato ePub em outros idiomas que não o inglês. O ePub permite fluidez do texto, o que é essencial para entregar um e-book de fácil leitura com multiplicidade de tamanhos de telas. Nós temos centenas de milhares de títulos em ePub, em inglês; nenhum outro idioma do ocidente chega perto. Esse é um assunto que chegou até mim pela primeira vez no Brasil, quando estive lá em agosto.

Uma coisa leva à outra. A consequência da lacuna do ePub levanta outro assunto sério no comércio de livros na Europa quando este procura se aproximar do norte-americano. A maioria das pessoas mais educadas dos países europeus se sente confortáveis lendo em inglês. Uma editora da pequena Eslovênia [ex-Iugoslávia] me disse que um sexto dos livros vendidos em uma grande cadeia de livrarias e na maior livraria online é em inglês. Uma outra pessoa me disse que 25% das vendas na Dinamarca são em inglês. Na Holanda, me disseram, há uma legislação recente que requer uma “janela” para e-books em inglês para títulos que tenham uma edição em holandês, segurando a edição em inglês até que a edição em holandês fique disponível por um período mínimo.

Os maiores ajustes, mesmo para os players do mercado norte-americano de livros, ainda estão por vir. Tanto quanto posso dizer, as grandes editoras não perceberam que as livrarias vão praticamente desaparecer nos próximos dez anos e, uma coisa leva à outra, vão levar as oportunidades de maior valor das grandes editoras com elas. Quase não há percepção visível de mudança do valor da propriedade intelectual para o valor da quantidade de pessoas com que você fala, que eu acredito que esteja acontecendo. Mas a mudança que tivemos e a mudança que estamos enfrentando agora no mundo editorial norte-americano é diminuída pelo que estaremos vendo e sentindo pelos nossos amigos e parceiros comerciais na Europa, e em outros lugares na próxima década.

Alguns dos assuntos tratados nesse post já foram antecipados enquanto nos preparamos para a Digital Book World, que acontecerá dias 25 e 26 de Janeiro. Nós já planejamos um painel sobre os direitos comerciais territoriais e de idiomas, que serão afetados pelo crescimento dos e-books. Agora eu penso que achei alguém que pode explicar o cenário europeu: como editoras e agente norte-americanos deveriam enxergar isso. Estou trabalhando com ela para preparar o que acho ser uma adição significante ao nosso programa cobrindo um tópico que é, como deveria ser, cada vez mais importante para os titulares de direitos norte-americanos.

Outro tópico para outro dia é que o mundo está ficando cada vez menor e editoras de todos os países vão precisar entender melhor o que está acontecendo nos mercados estrangeiros. Nós vamos falar sobre isso apenas em um pequeno seminário e em um painel ou dois na Digital Book World porque achamos que é o máximo que o público está disposto a investir nesse tópico, em relação ao monte de outras coisas que precisam ser discutidas. Em cerca de um ano, a partir de janeiro, eu acho que entender como o mercado de eBook funciona ao redor do mundo será uma das principais preocupações para cada editor e agente nos EUA.

Por Mike Shatzkin | Publicado por PublishNews | 20/10/2010

Este texto foi  publicado originalmente no  The Idea Logical Blog, e o autor muito gentilmente autoriza que o PublishNews o traduza na íntegra.