O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado


Organizado pela CBL, evento contará com a presença de profissionais do mercado editorial nacional e internacional e de pesquisadores brasileiros

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.

Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas [entre editoras, livrarias e distribuidoras] são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.

Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.

Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.

A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos [Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP] e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site http://www.congressodolivrodigital.org.br.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 25/05/2011

Cópias ilegais só devem aumentar, diz especialista


Carlos Mendonça, diretor comercial e de marketing da DigiSign

Tenho certeza que a situação só irá piorar”, sentencia Carlos Mendonça, especialista em segurança digital, ao comentar o crescente número de downloads ilegais de livros digitais. Para o engenheiro, diretor da empresa DigiSign, que atua em proteção de conteúdo, apenas o uso de sistemas de codificação e criptografia atualizados, como os utilizados nas urnas eletrônicas, pode barrar a pirataria. Leia abaixo a entrevista.

O mercado editorial está marchando inexoravelmente para uma explosão da pirataria a partir da popularização dos leitores de livros digitais?

Sem dúvida. Não devemos nos esquecer que esses dispositivos de leitura adotam padrões de Gestão de Direitos Digitais [DRM, na sigla em inglês] fracos. Os DRMs mais disseminados no mercado, incluindo os do Kindle e do iPad, já foram quebrados, pelo simples fato de que foram construídos com tecnologias de proteção ultrapassadas. Segundo pesquisa da empresa de softwares antipirataria Attributor, a procura por livros pirateados diariamente é estimada em 3 milhões de consultas no mundo.Essa é também a realidade do Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Direitos Repro­gráficos [ABDR], sua equipe técnica retirou do ar mais de 15,7 mil links para downloads ilegais de livros digitais entre agosto de 2009 e janeiro de 2010. Nesse mesmo período, foram detectados mais de 500 mil downloads ilegais de livros digitais no país. Tenho certeza que esta situação só irá piorar.

É possível criar um sistema de autoração e transmissão seguro, que impeça cópias ilegais? As indústrias fonográfica e cinematográfica, consideradas mais fortes, não conseguiram…

Já existem no país e no mundo tecnologias adequadas para criar DRMs fortes e que protegem qualquer conteúdo digital. São tecnologias de certificação digital e criptografia, as mesmas utilizadas no Imposto de Renda via internet, na urna eletrônica e no sistema financeiro. Elas protegem o conteúdo digital, que pode ser texto, som ou imagem, em toda a cadeia produtiva: criação, armazenamento, distribuição e leitura. Tal conteúdo fica criptografado, impedindo a cópia e disseminação na internet ou em outro meio digital pirata.

Creio que industrias fonográfica e cinematográficas superestimaram sua força econômica e tradição, e subestimaram a força da internet. Eles acreditavam que poderiam conter o avanço da pirataria apenas por meios legais; foram atropelados pela tecnologia. Espero que isto sirva de alerta para a indústria editorial e de informação, onde o desrespeito aos direitos autorais também é muito grande.

Em que medida a atual pirataria de livros, com cópias xerox, já afeta o mercado editorial?

Segundo a ABDR, a pirataria de livros didáticos causa um prejuízo superior a R$ 400 milhões por ano às editoras, tanto pela internet quanto por xerox: são estimadas mais de 3 bilhões de cópias por ano, apenas de livros didáticos. Enquanto o número de Instituições de Ensino cresce no país, o numero de títulos publicados diminui. É um grande prejuízo cultural e científico para o país. Creio que o único meio de acabar com isso seria as Ins­ti­tuições de Ensino e as editoras adotarem uma solução que permitisse aos alunos o acesso a todos seus livros didáticos em formato digital, devidamente protegido por um DRM forte, o que desestimularia a cópia xerox.

POR OSNY TAVARES | Gazeta do Povo | 14/11/2010, 00:01

Portal do Livro digital


A DigiSign anunciou hoje que está no ar a primeira livraria digital oferecendo títulos protegidos pelo sitema e-bookey. A loja pode ser acessadas no endereço www.portaldolivrodigital.com.br.

Segun Carlos A. Viceconti, sócio-diretor DigiSign “os títulos disponíveis são da Cengage Learning, uma das grandes editoras com atuação global, que adotou o sistema e-bookey por ser o único que garante efetivamente os e-books contra cópia e distribuição indevida“.

Ainda segundo Viceconti, “outros títulos estarão disponíveis em breve, inclusive de outras editoras que já adotaram o sistema, e estão em fase de integração“.

Editora Cengage Learning adota sistema e-bookey


A DigiSign anuncia que assinou contrato para uso da nossa solução e-bookey [um sistema completo de proteção e garantia dos direitos autorais sobre os e-books] com a Cengage Learning, uma das grandes editoras com atuação global. Após testar o sistema, a Cengage concluiu que é o único que garante efetivamente os e-books contra cópia e distribuição indevida.

Segundo Carlos A. Viceconti, Sócio-diretor da DigiSign, “Os profissionais do setor, que compareceram à recente Feira do Livro de Frankfurt, constataram que não existe sistema semelhante ao nosso no mercado mundial, e os que estão sendo utilizados estão todos quebrados, com vários roteiros de quebra disponíveis na Internet, trazendo grande risco aos e-books que estão sendo editados“.

Ainda segundo Viceconti, isto porque nestes sistemas a chave que abre o e-book está dentro do próprio arquivo, que pode ser atacado indefinidamente, pois não pode se defender, até que a chave seja descoberta. “Em nosso sistema, a chave está em hardware criptográfico, seja no token ou em nossos servidores centrais, que detectam e bloqueiam ataques“.

Nosso sistema está tendo grande aceitação, já fechamos com várias editoras e livrarias digitais, pois é efetivamente seguro, e permite o controle, por editoras e autores, da quantidade de exemplares digitais de cada título que foram editados, outro ponto crítico no processo de edição de e-books“, conclui Viceconti.