Tecnologia mapeia comportamento de consumidores em livrarias


Câmeras e terminais de consulta podem dar muitos insights a livreiros

Vamos imaginar uma cena. Um cliente está em uma livraria. Vê um livro que ele quer muito. Passa o livro no totem de leitura de código de barras, vê o preço e frustrado devolve o livro para a prateleira. Dificilmente um livreiro teria a chance de entender por que aquele livro não foi vendido. Foi nessa lacuna que Luiz Vitor Martinez, CEO da Geeksys, se inspirou para criar o software Price Check. Luiz contou ao PublishNews que teve apoio da Telefônica e do Ministério da Ciência e Tecnologia para desenvolver a plataforma que analisa o comportamento do consumir brasileiro em lojas físicas. O Price Check já está – em diferentes estágios – em operação em cinco grandes varejistas de livros no Brasil: Saraiva, Cultura, Vila, Leitura e Travessa. Na Livraria da Vila, a solução está implantada há mais de 18 meses e já trouxe resultados importantes. Luis conta um exemplo: um livro que era vendido a R$ 600 na Vila tinha seu preço sistematicamente consultado, mas não havia conversão em vendas. Detectado o problema, a Livraria da Vila fez uma promoção, deu desconto de R$ 80 e, em um mês, venderam-se 12 exemplares. Luiz estima que para cada R$ 2,5 milhões vendidos em livrarias brasileiras, R$ 2,6 são perdidos em situações parecidas com esta. Luiz acredita que há uma série de razões para que o produto não “performe” a contento. O Price Check joga luz em algumas delas. “O livreiro já levou o cliente até a sua loja, o cliente já está disposto a comprar. Essas oportunidades devem ser aproveitadas”, defende.

Além de apontar que o preço do livro pode estar errado, o Price Check lista os produtos de com mais potencial de vendas, antecipa tendências e pode até sugerir mudanças no layout das lojas. O layout, aliás, é o forte de uma segunda solução integrada ao Price Check que a Geeksys desenvolveu e já está em operação em algumas livrarias no Brasil. É o Heatmaper, que aproveita as câmeras de segurança já instaladas nas lojas para fazer um mapa dos pontos mais quentes das livrarias e quais os produtos com os quais os consumidores mais interagem. “Quando colocamos uma pilha de livros em uma mesa e as câmeras não detectam nenhuma interação com este produto, ele pode ser substituído na manhã seguinte por outro que chame mais a atenção dos clientes”, ilustra Luiz. O Heatmaper permite ainda medir a taxa de conversão de uma mesa e estabelecer quais os pontos mais vendedores da loja. Além disso, permite contar as pessoas que entram e saem das lojas e qual o tempo médio de permanência de cada cliente no estabelecimento.

A Geeksys trabalha com uma success fee, ou seja, uma taxa em cima do sucesso que as ferramentas trazem para o varejista. As soluções são implantadas gratuitamente nas lojas e no período de três meses mede-se a taxa de sucesso e a partir daí, é estabelecida a remuneração.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 28/07/2015

Empresa faz conversão de eBooks sem custos iniciais para editoras


Digitaliza Brasil aposta na parceria com editoras para fazer o mercado do livro digital crescer no Brasil

Em atividade desde 2013, a Digitaliza Brasil acaba de colocar na rua um novo modelo de negócio. A empresa, especializada em conversão e distribuição digital de livros, está abrindo às editoras a possibilidade de converter seus livros para o digital sem nenhum custo inicial. A proposta é fazer a conversão, organizar os metadados e começar a distribuição sem que as editoras coloquem a mão no bolso. A remuneração pela conversão é descontada quando o livro for vendido. Uma vez que os custos da conversão tenham sido cobertos, a empresa passa a fazer a ser remunerada apenas pela distribuição. Para Igdal Parnes, sócio-fundador da empresa, é uma forma de aumentar o número de editoras brasileiras no mundo digital. “Se a gente não for parceiro das editoras, o mercado de e-books não vai decolar no Brasil. Nesse modelo, as editoras entram no mundo digital sem colocar um tostão no negócio”, comentou Igdal que deixou a direção geral da Campus em 2012 e montou a Digitaliza. A empresa, que segundo Igdal tem pouco mais de 30 editoras na cartela de clientes, faz a distribuição digital para as maiores plataformas de vendas de e-books: Amazon, Apple, Google, Saraiva, Cultura e Barnes & Noble. “A nossa filosofia é passar a maior porcentagem de receitas para as editoras. É uma maneira de mostrar para o mercado que a gente está junto com as editoras”, disse. Nesse modelo recém lançado, a Digitaliza diz que já está convertendo cerca de 500 livros e a expectativa é que esse número chegue a seis mil até o fim do ano. “Temos capacidade para isso”, bate no peito. Sobre a chegada da BookWire ao mercado brasileiro [leia matéria sobre isso clicando aqui], Igdal diz estar confiante no potencial da Digitaliza. “Acredito que o mercado brasileiro é ainda muito pequeno, mas torço para que tenha espaço para todos”, disse ao PublishNews. Atualmente, no Brasil, há, além da Digitaliza e da BookWire, outros três players: Xeriph, DLD e Acaiaca. Contatos com a Digitaliza podem ser feitos pelo e-mail igdal@digitalizabrasil.com.br.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 26/02/2015

Editora vende capítulos avulsos de eBooks


A editora Oficina de Textos, especializada em livros técnicos e científicos, modificou seu modelo de comercialização de e-books. Agora, além das obras completas, os leitores poderão adquirir capítulos separadamente. Para possibilitar a modalidade de vendas, a editora desenvolveu uma plataforma própria, onde todos os e-books [integrais ou capítulos avulsos] passarão a ser distribuídos pelo novo sistema. Cerca de 30% do catálogo já está convertido para formato digital e as estimativas são de chegar a 100% em dois anos. Inicialmente, os capítulos avulsos serão disponibilizados para as obras que têm maior demanda e, gradativamente, esta opção deve se estender às demais obras. Os textos podem ser comprados diretamente no site da Oficina de Textos ou nas lojas digitais Google Play, Cultura e Saraiva.

PublishNews | 19/02/2015

O preço da Amazon


A negociação das grandes editoras brasileiras com a Amazon para a venda de livros físicos foi mais tranquila que a empreendida quando a empresa ingressou no mercado de e-books do país. A Amazon começou a vender livros digitais no Brasil em dezembro de 2012, após uma longa discussão que, por fim, limitou a forte política de desconto da varejista. Já nas conversas sobre livros físicos, área na qual têm maior domínio, as editoras não tiveram dificuldade em fechar um acordo similar ao já praticado por aqui.

Na média, a Amazon, que passa a atuar no setor até maio, pagará o mesmo ou um pouco mais que as grandes livrarias, como Cultura e Saraiva, ao comprar livros das editoras. O meio editorial avalia que a carga tributária, os problemas logísticos e a baixa tiragem dos livros no Brasil deverão dificultar, pelo menos no início, que a empresa adote preços abaixo do mercado. Procurada, a Amazon afirmou que não comenta rumores.

POR MARCO RODRIGO ALMEIDA | PAINEL DAS LETRAS | Folha de S. Paulo | 31/03/2014

Do papel ao digital


Conheça um pouco mais os e-books, tecnologia que vêm modernizando os hábitos de leitura em todo o mundo

O mercado do consumo vem crescendo cada dia mais em todo o mundo, tendo sempre como fiel aliada as constantes inovações tecnológicas. Celulares, câmeras, iPods, tablets e diversos aparelhos fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, proporcionando facilidade de acesso à informação e interligando todos os amantes da tecnologia.

O que ninguém imaginou e nem mesmo Gutenberg previu, era que esse universo tecnológico iria contagiar leitores assíduos e o universo mágico dos livros.

Até pouco tempo atrás, se ficávamos sabendo do lançamento de algum livro desejado, se nossa série favorita ganhasse uma nova continuação ou o vestibular nos exigisse alguma obra, a primeira opção seria recorrer à livraria mais próxima ou às bibliotecas. Mas agora, o surgimento dos e-books faz com que nossa necessidade de leitura seja suprida sem sair de casa.

E-book, termo de origem inglesa, é uma abreviação de electronic book. Popularmente conhecido como livro digital, apresenta a mesma obra contida na versão impressa, porém na forma de mídia eletrônica, que pode ser lida através de um computador, e-reader, smartphone ou tablet.

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para ter acesso a essas obras, existem livrarias digitais que fornecem diversos títulos disponíveis para download e cobram por isso.

Cobrar? Sim!

Segundo o especialista em e-books e membro da Comissão do Livro Digital, Ednei Procópio, “ao comprar um e-book, geralmente as plataformas permitem que o leitor baixe o arquivo do livro para diversos dispositivos e aplicativos de leitura. O leitor tem diversas opções que vão desde bibliotecas digitais até a possibilidade de baixar títulos gratuitos de modo legal”.

Além disso, existe a possibilidade dos downloads não-oficiais, que não cobram pelo e-book, mas não são recomendados, pois acarretam diversos danos, como vírus. Sobre isso, o blogueiro Caíque Fortunato, do Entre Páginas de Livros explica que “um dos grandes problemas com os livros digitais é a pirataria, que é crime, já que se pode encontrar facilmente na internet vários exemplares ilegais para download.”. Para ele, o certo e recomendável é a pessoa comprar o e-book, “já que assim o autor estará recebendo por seu trabalho e a literatura vai sendo incentivada cada vez mais”, complementa Fortunato.

E- o que?

Outra novidade que acompanha a onda dos livros eletrônicos são os e-readers, dispositivo específico para a leitura de obras digitalizadas, que pode ser encontrado no mercado em uma grande diversidade de modelos e marcas.

O mais famoso deles foi o Kindle, lançado pela Amazon Books em 2007, empresa americana de comércio eletrônico, uma das maiores bibliotecas digitais. O aparelho conquistou o mundo pela sua portabilidade e comodidade, possibilitando o download das obras pelo próprio aparelho e comportando mais de 1500 títulos.Hoje em dia, o Kindle já está em sua quinta geração, possuindo diversas funções e utilidades para os usuários.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro do ano passado, porém os preços de seus e-books continuam salgados, se assemelhando quase ao preço do livro impresso. No país, as principais opções de livrarias digitais são a Fnac, Saraiva, Cultura, Moby-Dick Ebooks, Gato Sabido, Travessa e Submarino.

Sobre o novo dispositivo, a blogueira Sybylla, do Momentum Saga, afirma que “a chegada dos e-readers e da Amazon impulsionaram o mercado de e-books, e a tecnologia é sempre um atrativo para as pessoas, mesmo que elas não se interessem tanto pela leitura.”. Ela acredita que para quem é leitor viciado, isso não vai mudar muito, sendo apeas uma ferramenta a mais. Entretanto, a blogueira acredita que “ isso pode impulsionar a leitura de quem antes não curtia muito.”.

Livro impresso versus e-books

As comparações começaram a se espalhar e as opiniões divergem em vários aspectos. E-books, devido à sua facilidade de acesso e seu baixo custo de produção, vêm acompanhados de um preço muito mais barato do que os modelos impressos, quase 70 % a menos.

A possibilidade de adquirir obras do mundo todo pode agradar os leitores, sem contar a facilidade do transporte e de não ocupar espaço: centenas de obras podem ser facilmente levadas de um lugar para outro com apenas um pen-drive ou tablet. Com o advento da era digital, a nova possibilidade pode agradar e incentivar o hábito da leitura para aqueles que não vivem sem estar conectados.

Já a popularidade dos livros impressos não se abala por motivos mais saudosistas. Há aqueles que afirmam que o livro é a única forma de nos desconectarmos do mundo, um bem durável que não necessita de bateria e podem ser emprestados a qualquer hora. Não possuem uma tela para incomodar a vista e nos dão o prazer da leitura, com imagens, capas, cheiro de livro novo e dedicatórias carinhosas.

E o futuro?

Várias editoras em todo o mundo já iniciaram o processo de digitalização de suas obras, alcançando assim todos os públicos. O país campeão é os Estados Unidos. No Brasil, segundo Ednei Procópio, a situação é diferente. “Até meados do segundo semestre de 2013, há um universo de aproximadamente 300 mil títulos sendo comercializados no formato impresso. Mas, no mesmo período, apenas em torno de 16 mil em formato digital. Ou seja, infelizmente, o leitor não acha qualquer livro no formato de e-book”.

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

A realidade dos e-books é realmente promissora, eles já fazem parte do cotidiano de muitos países e possuem grandes chances de se expandir também no Brasil, mas a passos lentos, pois as editoras terão que se acostumar com a nova tecnologia.

Ednei Procópio acredita que é muito cedo para afirmar que irá acontecer uma alteração no nível de leitura da população influenciada pela tecnologia. “A única coisa que pode efetivamente contribuir para elevar os níveis de leitura da população é a Educação. Sem Educação não há leitura, não há consumo nem de livros impressos digitais nem de livros digitais”, explica Procópio

Enquanto isso, as duas versões caminham tranquilamente e dividem o espaço e o gosto dos leitores em todo o mundo. Como afirmou a blogueira Sybylla: “Pintura não foi substituída pela fotografia, televisão não foi substituída pelo cinema, apenas convivem e muito bem. O mesmo com o livro físico e o e-book”.

Por Tatiana Olivetto | Publicado originalmente em WebJornal Mundo Digital Unesp | 18/09/2013

Companhia das Letras fecha com Amazon


Em nota, Cia. das Letras confirma contrato com a varejista americana

Companhia das LetrasEm nota, a Companhia das Letras anunciou que, “ao lado da iBookstore, da Apple, com a qual começamos a trabalhar no mês passado, e de dez livrarias nacionais – Saraiva, Cultura, iba, Gato Sabido, Travessa, Positivo, Curitiba, Leitura.com, Submarino e Buqui – agora assinamos também com a Amazon, que vai representar mais um canal importante de contato com os nossos leitores”. Ainda em nota, a editora complementa: “O acordo com a Amazon e nossas conversas com outros players internacionais representam mais um passo na expansão do nosso catálogo digital”.

PublishNews | 30/11/2012

Os eBooks estão chegando


O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

A constante reclamação de que o brasileiro lê pouco não incomoda os executivos da Amazon e da Apple, os dois gigantes globais dos livros eletrônicos. Esse “pouco” foi suficiente para fazer com que pelo menos um deles chegue ao País em breve, segundo rumores do mercado editorial. Aproveitando os entraves que tomaram conta das já avançadas negociações entre a Amazon – maior livraria online do mundo – e as editoras nacionais, a Apple mandou executivos para o Brasil, que já teriam firmado acordos para começar nas próximas semanas as vendas de títulos em português pelo aplicativo iBooks, disponível para iPad.

Apesar de planejar o início das operações no Brasil para o segundo semestre, a Amazon pretendia ter em seu portfólio pelo menos 100 editoras nacionais, mas fechou acordo com apenas dez, sendo só uma de grande porte. Está claro, portanto, que o grande obstáculo para a implantação da loja virtual criada pelo americano Jeff Bezos, presente em nove países e criadora do leitor Kindle, é vencer a resistência das editoras brasileiras. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, elas temem sofrer represálias das livrarias físicas presentes no País, caso fechem um acordo com a Amazon.
Outro entrave é o contrato-padrão da livraria eletrônica, com cláusulas que incluem o acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, pedidos de exclusividade e comissões em torno de 50% do preço. No Brasil, esse percentual para as edições em papel é, em média, de 35%. A demora nas negociações e a chegada da Apple podem fazer com que a Amazon flexibilize suas regras. Mas Bezos é conhecido pela agressividade nos negócios. Uma das alternativas que ele tem na manga é entrar de sola também no mercado tradicional de livros de papel, tranquilizando as editoras que temem um boicote das livrarias. Cabe lembrar que a Amazon surgiu na era anterior aos e-books, vendendo obras de papel na internet.

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

É uma questão de mercado. Alguém vai acabar cedendo”, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL], que promove um congresso sobre obras digitais em maio. Se apenas a Apple firmar um acordo com as maiores editoras brasileiras, nada muda para a publicitária Alana Della Nina, que comprou um Kindle nos EUA há dois anos e adquire ao menos quatro e-books [em inglês] por mês na Amazon americana. “O Kindle é quase prosaico. Essa é a grande sacada dele. O iPad não serve para ler textos grandes. A leitura se torna desconfortável em pouco tempo”, diz.

A mesma opinião tem a escritora Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão de livros de papel. “Tenho iPad e Kindle e adoro os dois”, diz. “Mas o primeiro é bom para assistir a vídeos e ler, no máximo, uma revista. Já o outro é leve e tem uma tela tão confortável para os olhos quanto o papel”, compara. Dos 13 títulos publicados pela autora, nove estão disponíveis no formato e-book nos sites de livrarias como Saraiva, Cultura, Submarino e Positivo, entre outras.

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Para ter mais poder de barganha nas negociações das versões eletrônicas de seus títulos, a editora que publica as obras de Thalita, a Rocco, se uniu à Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva – as maiores do País – para formar a DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. “É muito bom para o autor que o trabalho esteja disponível em vários formatos”, diz Thalita. “Mas o papel ainda tem uma longa vida pela frente.

Os defensores do e-book argumentam que ele sempre será mais barato [em torno de R$ 20] por não ter o custo de impressão. Mas nem todos concordam. “O livro digital é barato porque parte do preço é dividido com o título impresso”, diz Marcelo Duarte, jornalista e diretor-editorial da editora Panda Books, que tem 42 de seus 380 títulos em versão para iPad. Ele acredita que versões exclusivas para e-readers serão mais salgadas. “A impressão é apenas parte do custo. Há outros processos, como diagramação, tradução e edição”, afirma Duarte.

Uma coisa é certa: não dá mais para desprezar o mercado brasileiro. Mesmo não havendo dados sobre as vendas por aqui, o enorme potencial é consenso. O segmento educacional é prova disso. O Ministério da Educação e Cultura [MEC] realizou recentemente um pregão para adquirir 900 mil tablets. Os equipamentos serão repassados aos professores do ensino médio das escolas públicas ainda este ano. Não por acaso, a Apple estaria apostando no segmento de livros eletrônicos didáticos.

Independentemente de a Apple ou a Amazon virem para o Brasil, as empresas daqui estão estabelecidas e são bem-sucedidas”, defende Karine, da CBL. Recém-chegada de um dos maiores eventos do setor, a London Book Fair, na Inglaterra, ocorrido na semana passada, Karine ficou impressionada com o interesse dos estrangeiros pelo País. “Quando eu dizia que era brasileira, invariavelmente ouvia: ‘O Brasil está bombando!’”, conta. De fato, o País atrai quem domina o segmento como uma mina de ouro.

Quando a Amazon lançou o Kindle nos EUA, em 2007, o mercado de e-books americano praticamente não existia. Hoje, no entanto, a empresa vende mais livros digitais do que em papel. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books naquele país cresceram 117% em 2011. Com cada vez mais brasileiros tendo acesso a bens de consumo e à cultura, não é de admirar a ferocidade com que os gigantes da tecnologia estão travando a guerra pelo nosso mercado.

Por André Julião | Publicado originalmente por Isto É | 24/04/2012

Novos eBooks curtinhos


Singular lança coleção de contos em formato eletrônico; Objetiva planeja selo digital para pequenos textos

A Singular Digital, braço da Ediouro, lança a coleção Contos Singulares, que reúne e-books de contos selecionados a partir do catálogo do grupo. A primeira fornada sai com sete títulos, cada um ao custo de R$ 1,99. As obras podem ser compradas nas lojas virtuais da Saraiva, Cultura, Amazon e Gato Sabido. Segundo Silvia Rebello, gerente editorial da Singular, o objetivo da série é disponibilizar pequenos textos de qualidade a baixo custo. “Essa coleção permite agregar o leitor jovem, que gosta de usar os novos dispositivos eletrônicos, e os leitores mais velhos, que podem ter alguma dificuldade de visão e, nas telas, conseguem ampliar o corpo do texto”, afirma. A ideia é ter uma programação contínua de publicações dentro dessa linha.

De acordo com a coluna Painel das Letras, publicada no sábado, a editora Objetiva também vai investir nesse tipo de publicação e prepara o lançamento de um selo para obras curtas, disponíveis apenas em formato digital. Segundo a assessoria de imprensa da editora, o material da coleção será inédito, mas ainda não há data de lançamento fixada.

As casas brasileiras seguem uma tendência forte verificada lá fora, onde grandes grupos como Random House, Hachette e Penguin já lançaram coleções de mini-ebooks. O modelo tem, em parte, inspiração no iTunes, loja da Apple que vende canções fracionadas, ao invés de apenas álbuns inteiros.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente por PublishNews | 16/01/2012