Crowdfunding Literário


Cavaleiros da Taverna Redonda

No século 8 a.C., Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de sua produção artística. Mecenas criou, com isso, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente a produção cultural e literária.

Com o advento da internet, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através da agregação de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, levantar capital para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding [financiamento coletivo], uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Cavaleiros da Taverna Redonda A Livrus Editorial, apostando em maneiras de ajudar os autores a viabilizarem a publicação dos seus livros, está apoiando a campanha criado pelo Barba do Bardo para a série Cavaleiros da Taverna Redonda.

Cavaleiros da Taverna Redonda foi a primeira série de tirinhas idealizada pelos bardos Filipe Coelho e Rodrigo de Freitas. Com influências de histórias de fantasia medieval e jogos de RPG, a série alia esses universos de forma irreverente através de seus vários personagens caricatos, como o bravo Paladino, o atrapalhado Mago e muitos outros.

Cavaleiros da Taverna Redonda

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Afinal, como funciona o financiamento coletivo para livros?


Calma! Não estamos falando de nenhum bicho de sete cabeças.

O crowdfunding para livros é simplesmente uma forma de arrecadar fundos para um projeto com a ajuda do público interessado. Alguns o chamam de “vaquinha virtual”, porque as transações e a divulgação do projeto acontecem na Internet.

Uma diferença do financiamento coletivo em comparação com as formas tradicionais de adquirir produtos/serviços é que, aqui, o dinheiro vem primeiro [etapa de arrecadação] e a entrega do projeto aos interessados ocorre depois [etapa de produção].

Confira no Blog da BookStart quais as vantagens que esse modelo proporciona.

Dinheiro na Multidão | Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional


Para indicar o caminho das pedras aos marinheiros de primeira viagem e ajudar os iniciados a refletirem sobre o original modelo de financiamento coletivo de projetos, o advogado Vinicius Maximiliano Carneiro acaba de lançar o livro Dinheiro na Multidão – Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional.

A obra traz alguns conceitos e reflexões quando se trata de novas tecnologias, especialmente pela teia burocrática existente no Brasil e que é responsável pela mortalidade de startups. Carneiro afirma que a missão é ajudar a esclarecer alguns caminhos que, se já não foram percorridos, certamente o serão por aqueles que se aventuram nas duas pontas: na criação de sites de financiamento coletivo e no uso do financiamento coletivo para fomentar projetos que são do seu interesse.

Para ler o livro na integra, basta acessar viniciuscarneiro.adv.br.

Feira de livros de Frankfurt celebra o digital


Editores mudam foco de tecnologia para o enredo das histórias

FRANKFURT | O livro do futuro poderá ser financiado por crowdfunding, ser publicado pelo próprio autor ou estar vinculado a um videogame — o leitor poderá inclusive votar numa virada do enredo. Seja como for, há uma grande chance de que ele será lido em sua versão impressa.

A tônica da versão deste ano da Feira de Livros de Frankfurt, a maior feira editorial do mundo, foi a busca por novos modelos de negócios para um setor que vem sendo confrontado pela digitalização de livros e pelo aumento da supremacia da Amazon.com. À proporção que os hábitos de leitura mudam e os e-books tomam o lugar central do palco, o apetite por boas narrativas ficcionais está mais forte do que nunca.

O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros – ANDY CHEN / NYT

A Verlag Friedrich Oetinger GmbH, uma editora de livros infantis que vende a série “Hunger Games” na Alemanha, é um exemplo. Ao mesmo tempo em que investe pesadamente em produtos digitais, chegando mesmo a criar sua própria unidade de codificação, o diretor-executivo Till Weitendorf não está dando as costas ao setor impresso.

— Não importa se você tem um livro ou um iPad nas mãos — disse ele em entrevista no estande de sua editora na feira, encerrada no último domingo. — Você precisa de uma grande história. Isso não mudou; foi o mundo em volta que mudou.

À medida que a leitura das pessoas evolui, também evolui a forma como as histórias são contadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 45% dos leitores já leram pelo menos parte de um e-book em seus smartphones, segundo uma pesquisa realizada pela Publishing Technology.

PROJETOS PROMISSORES

Novas tecnologias são apenas parte do quadro geral. Kladde Buchverlag, uma startup com sede Freiburg, na Alemanha, recorre ao crowdfunding para financiar a publicação de seus livros, oferecendo designs de alta qualidade, papéis de luxo e assessoria profissional para autores que querem editar seus próprios livros.

Ela pré-seleciona projetos promissores e usuários de internet decidem quais livros serão publicados por meio de suas doações. Os doadores generosos podem até ganhar o direito de opinar na forma como a trama se desenrola ou sobre o destino de uma personagem, disse Lea Nowak, uma das fundadoras da companhia.

Britta Friedrich, diretora de eventos e programas da Feira de Frankfurt, afirmou que após anos correndo atrás da mais recente novidade tecnológica — de CDs a e-readers e tablets — o setor agora está focando em como explorar essas inovações.

— Os editores veem que não é preciso pular em cada novo vagão — disse ela. — Editores precisam pensar não apenas em novos equipamentos, mas igualmente em novas formas de contar histórias.

Pela primeira vez, disse ela, representantes de companhias de game, tais como Ubisoft Entertainment, estiveram presentes na feira em busca de parceiros. E a tendência já está decolando. “Endgame”, um livro do escritor americano James Frey, está sendo transformado em um game de realidade aumentada pelo Niantic Labs, do Google.

PLATAFORMA DE E-BOOKS

Enquanto publica a tradução alemã de “Endgame”, Oetinger está também tentando aliviar a passagem da leitura offline para on-line com o Tigercreate, uma plataforma para transformar livros ilustrados para crianças em e-books animados e interativos. O processo usado exige uma programação cara para cada novo livro e dispositivo, segundo Weitendorf. Cerca de 40 editores já se alinharam para usar a plataforma, disse ele.

O próximo passo é um serviço de assinatura mediante o qual as crianças poderão acessar os livros, disse Weitendorf, em meio à tentativa da Oetinger de criar um nicho de produto num mercado dominado pela Amazon.

A varejista on-line americana, qua ajudou a criar o mercado de e-book com o lançamento do seu leitor Kindle em 2007, lançou seu serviço de assinatura de e-book, o Kindle Unlimited, na Alemanha um dia antes da abertura da Feira de Frankfurt. Nos Estados Unidos, ela oferece acesso a mais de 700 mil títulos por US$ 9,99 por mês.

MODELOS DE ASSINATURA

A investida da Amazon no mercado de assinatura tornou-a alvo de críticas na feira deste ano, à medida que os autores questionaram o poder da companhia americana sobre lançamentos e preços, ao passo que os editores mostraram uma visão mais otimista.

Harper Collins, da News Corp., é uma das editoras que já colocou parte de seu catálogo disponível para assinatura digital.

— Cerca de 80% dos editores com quem falamos foram positivos — disse Len Vlahos, diretor-executivo do Book Industry Study Group. — Eles dizem que as assinaturas abriram novos mercados para eles, deram a eles nova alavancagem para seus conteúdos e acima de tudo, deram a eles dados muitos valiosos.

AMAZON DIVIDE SETOR

O domínio da Amazon foi demonstrado mais cedo este anos, em meio à disputa com a Hachette Book Group sobre os preços de e-book. Isso levou a Amazon a vetar livros e impedir pré-encomendas, atrasando a entrega e reduzindo descontos. Escritores nos Estados Unidos e na Alemanha fizeram cartas públicas protestando contra a companhia americana.

— A um risco nisso para a Amazon, à medida que as pessoas começaram a pensar: “qual é o meu valor como consumidor?” — disse Michael Norris, um consultor do setor. — Isto pode abrir um ângulo de oportunidade de concorrência.

Por outro lado, a tendência de oferecer acesso do tipo Nerflix a centenas de milhares de livros por um preço baixo cai muito bem com a publicação pelo próprio autor. A maioria dos títulos disponíveis do tipo Amazon Unlimited são do gênero ficção, de histórias policiais a romances de ficção científica.

E, embora analistas estejam descrentes com milhares de livros sendo lançados on-line a cada dia, os autores que estão publicando seus próprios livros discordam.

Nika Lubitsch, cujo romance policial “The 7th Day” [“O sétimo dia”] superou “Cinquenta tons de cinza” do topo da lista dos mais vendidos da Amazon alemã, afirmou que vender on-line permitiu a ela ganhar mais e se conectar melhor com seus leitores.

Ela vendou 470 mil exemplares de seu e-book desde que começou a usar a plataforma on-line da Amazon há dois anos. A companhia americana paga aos autores de 35% a 70% do preço de venda, consideravelmente mais do que os autores recebem tradicionalmente das editoras.

Por Bloomberg News | Publicado originalmente em O Globo | 13/10/2014 19:45

Um novo modelo de mecenato para a literatura?


POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Como levantar grana para publicar aquele seu eBook que ainda está “na gaveta”

No século 1 antes da era cristã, Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Em torno de si formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de suas produções artísticas. Mecenas criou, com seu jeito inovador de influenciar pessoas, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente uma produção cultural.

Recentemente, com o advento da web, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, arrecadar verba para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding, uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Crowdfunding vem da junção das palavras crowd [que, traduzido para o português, quer dizer multidão] e funding [financiamento]. Financiamento coletivo talvez traduza melhor o termo, embora alguns prefiram financiamento colaborativo. O crowdfunding intensificou-se a partir de 2009, juntamente com o fortalecimento da chamada social media [cujas redes sociais são sua principal ferramenta], mas ganhou realmente massa crítica por conta da cultura de colaboração natural da própria internet.

Uma plataforma online de crowdfunding funciona como uma espécie de portifólio de ideias e projetos, criados por internautas que geralmente não dispõe do capital inicial para levar adiante seus empreendimentos. No caso dos projetos literários, o escritor pode optar por apresentar seus projetos de livros em uma das plataformas online de crowdfundingdisponível [uma das principais em nosso país é a Bookstart]. Após criar o projeto do livro, o autor divulga sua ideia para amigos através das redes sociais. Os internautas que se interessam pelo projeto serão, eles mesmos, os futuros leitores da obra e farão as doações que viabilizarão financeiramente a edição.

Cada projeto proposto pensa em como recompensar quem colabora. É comum, em troca da ajuda, o internauta doador esperar por algum tipo de recompensa. O autor proponente pode, por exemplo, trocar o nome de um dos personagens da obra, no caso de ficção, pelo nome do doador. O doador pode ter o seu nome impresso nas páginas iniciais do livro, nos créditos; pode receber um autógrafo personalizado do autor; pode ter acesso a exemplares numerados, e por aí vai.

Mas tudo deve ser planejado com a máxima atenção. Principalmente a planilha financeira do projeto, que deve abarcar desde os custos de produção da obra até os “mimos” para os doadores. As plataformas online de crowdfunding geralmente retêm 5% do montante arrecadado. E se um determinado projeto não alcança o financiamento necessário, as plataformas de crowdfunding devolvem os valores aos doadores.

Para que uma ação de crowdfunding alcance o resultado esperado, é preciso muita projeção; é necessário que o proponente faça um pré-teste com os amigos, com seu networking. É preciso que o autor tenha a certeza de que a obra proposta é realmente seu melhor livro. Revisar a obra inúmeras vezes até ter a certeza de que ficou perfeita, é o mínimo que se pode fazer. É preciso também criar uma resenha matadora, pois é ela quem irá convencer o doador. Além disso, o autor proponente pode apelar para os vídeos, de preferência curtos que, na internet, são mais propícios a se tornarem virais.

È o que fez, na prática Rosseane Ribeiro, autora do livro “Tudo o que eu queria te dizer” que, segundo o site cidadeverde.com, contou com a ajuda de pessoa interessadas em ler sua obra para custear as despesas para a publicação.

Mas nem tudo são flores, durante uma convenção de quadrinhos, em setembro, o quadrinista Rafael Coutinho afirmou, segundo a Gazeta do Povo [jornal de Curitiba], que, abre aspas: “O Catarse é uma droga”. As palavras de Rafael Coutinho refletem o drama de um projeto mal elaborado: “Fiz um livro pelo Catarse e hoje tenho uma dívida moral com 600 pessoas. Este modelo, o crowdfunding, exaure, faz com que você tenha de monetizar os amigos, transformá-los em público-alvo. Fiquei bem deprimido. Foi selvagem, patético, ridículo”.

Conversando por e-mail com um amigo do mercado crowdfunding sobre o assunto, ele me disse que “se o proponente promete, tem que entregar. Esse compromisso moral é de qualquer pessoa que se comprometa com qualquer coisa. Fora subir a campanha em uma plataforma segura, o proponente precisa buscar uma editora ou prestadores de serviço que façam todo o processo de editoração do livro. Antes de subir uma campanha de qualquer tipo e em qualquer plataforma, vale a pena fechar com quem irá fazer os recursos angariados virarem o produto em questão.

O crowdfunding poderia a princípio parecer uma moda passageira, mas segue uma tendência cultural de colaboração mútua que se estabelece sobre a internet e que já demonstrou resultados em massa. Ações colaborativas como as observadas, por exemplo, nas compras coletivas, são na verdade o efeito e não a causa de uma revolução no modo de pensar e viver em sociedade. O consumo passa a ser feito de modo sustentável e em grupo.

Hoje, existem cerca de 300 sites de crowdfunding espalhados pela grande rede mundial, dos quais pelo menos umas dez sejam importantes e influentes canais da cultura web. Por conta da intermediação financeira proporcionada por estas plataformas online, em 2011 foram arrecadados 1,5 bilhão de dólares. Algumas estimativas publicadas por empresas de pesquisas afirmavam que, até o final de 2013, seriam arrecadados mais de 3 bilhões de dólares. Números ainda não confirmados. Atualmente no Brasil existem pelo menos 30 sites de crowdfunding, cujas ideias financiadas representaram cerca de 75% de projetos artísticos.

Treze séculos após Caio Cílnio Mecenas ter influenciado toda uma elite do império augustino, um novo jeito inovador de chamar a atenção das pessoas para um determinado projeto ressurgiu através da internet. Hoje em dia, uma produção artística pode sustentar seu próprio início através do incentivo e patrocínio de milhares de internautas e ao mesmo tempo leitores. Por acreditar no trabalho do escritor, o leitor compra a obra antes mesmo que ela seja publicada.

Se esta é ou não uma onda passageira, só o tempo dirá. Por enquanto, o financiamento coletivo pode ser a chance que muitos escritores tem de levantar capital para publicar aquele eBook guardado “na gaveta”. Ou, na maioria dos casos, guardado em um pendrive.

POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Crowdfunding busca movimentar mercado editorial brasileiro


A ideia é simples, talvez até antiga, e já é utilizada com sucesso nos outros mercados da arte [como a música e o cinema]: um grupo de colaboradores contribui com determinadas quantias em dinheiro para um projeto que pode então ser viabilizado – o que não aconteceria se esse esforço coletivo não existisse. O mercado editorial brasileiro agora volta os olhos ao crowdfunding: nos últimos dois meses, duas plataformas dedicadas ao conceito e exclusivas aos livros passaram a operar no país.

Funciona assim: a plataforma recebe uma proposta de campanha de um autor, analisa, aprova e coloca à disposição na web. Os leitores interessados podem então fazer uma colaboração em dinheiro [por cartão de crédito ou boleto] e, se o projeto atingir a meta preestabelecida, o dinheiro arrecadado é utilizado para viabilizar os custos de produção e distribuição do livro.

A Bookstart – iniciativa de dois profissionais do Rio oriundos do mercado financeiro, Bernardo Obadia e Vitor Arteiro – iniciou suas operações há pouco mais de dois meses, e já conta com um projeto bem sucedido, em fase final de produção [o livro Confissões ao Mar, de Kadu Lago]. Outros cinco projetos já estão abertos no site da startup, que pretende oferecer uma alternativa ao mercado editorial.

Como o volume da produção recebida por editoras é muito grande, a Bookstart acredita que o modelo do crowdfunding possa fazer uma “peneira” efetiva que ofereceria oportunidades ao mercado. “O crowdfunding consegue descobrir novos talentos e oferecer um pacote estatístico, com dados sobre os leitores, muito importante para o marketing do livro“, diz Obadia.

Na Bookstart, cada campanha proposta pelos autores é analisada pela equipe, que define se o projeto tem potencial de sucesso. Se tiver, a equipe “dá uma lapidada” e coloca a campanha no ar. Como quase toda iniciativa de crowdfunding, o modelo é o “tudo ou nada”, em que, para ser viabilizada, a campanha precisa atingir 100% da meta.

De acordo com Obadia, muitos autores independentes já procuraram a empresa. “Não temos a intenção de nos tornarmos uma editora“, enfatiza. O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. “Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes“, afirma.

O modelo, segundo Obadia, tem capacidade de publicar qualquer obra de qualquer gênero literário. “O mercado começa a entender, o caminho está certo, vamos conseguir“, diz, otimista.

A Bookstart, que começou com investimentos próprios dos fundadores, já está em negociação com investidores para acelerar seu crescimento. A empresa espera publicar entre 20 e 25 obras por mês nos próximos 18 meses, com uma venda de 1,1 mil exemplares mensais.

Outra iniciativa, também do Rio, é a Bookstorming. Com um modelo um pouco diferente – a startup surgiu de dentro do mercado editorial -, a Bookstorming se aproxima mais de uma editora, mas ao mesmo tempo se coloca como alternativa e oportunidade para as outras editoras.

Se o crowdfunding já está estabelecido no mercado da música, por exemplo, o editor Breno Barreto, um dos fundadores da Bookstorming, acredita que ele também vai se consolidar no mercado editorial.

O que eles pretendem é transformar ideias em livros. “O crowdfunding permite apresentar uma ideia que pode ser um sucesso, mas sem riscos: se não funcionar com o público, ninguém perde dinheiro“, exemplifica Barreto. O primeiro projeto da startup é o livro Desordem, uma coletânea de contos de jovens autores, como Natércia Pontes e Cristiano Baldi. Até essa segunda-feira, 16, o projeto tinha arrecadado 81% da meta, que precisa ser atingida em três dias.

A diferença para o modelo de edição tradicional passa ainda pelo fato de que, antes do processo de edição começar, todos os livros já estão vendidos. “Assim, nós podemos caminhar de um modo muito mais transparente“, diz Barreto, ressaltando que a empresa também partiu da percepção de que existe a necessidade de maior contato entre as pessoas que fazem o livro nascer e os leitores. “A literatura é feita de pessoas para pessoas, e por uma questão do mercado isso se perdeu“, constata.

Barreto, que também trabalha na editora Casa da Palavra, diz que ficou impressionado com o número de autores e empresas que buscaram a Bookstorming para montar campanhas ou estabelecer parcerias.

O primeiro acordo foi com a editora e-galáxia. A editora vai produzir os livros digitais para os projetos de crowdfunding e a Bookstorming vai montar as campanhas para autores que tenham interesse em publicar pela editora mas que não podem fazer o investimento inicial. Outra parceria já estabelecida é com a Polifonia, espaço de ensino de São Paulo que também trabalha com criação colaborativa. Eles compraram uma cota de livros do Desordem e a Bookstorming vai levar alguns autores do livros ao espaço da Polifonia.

Estamos com a cabeça aberta para diversificarmos o modelo“, diz Barreto. “Fomos aceitos, então não precisamos ficar presos a um modelo apenas.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Exame | 17/06/2014

Crowdfunding literário


Como levantar grana para publicar aquele seu eBook que ainda está “na gaveta”

POR EDNEI PROCÓPIO

No século 1 antes da era cristã, Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Em torno de si, formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de suas produções artísticas. Mecenas criou, com seu jeito inovador de influenciar pessoas, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente uma produção cultural.

Recentemente, com o advento da web, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, arrecadar verba para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding, uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Crowdfunding vem da junção das palavras crowd [que, traduzido para o português, quer dizer multidão] e funding [financiamento]. Financiamento coletivo talvez traduza melhor o termo, embora alguns prefiram financiamento colaborativo. O crowdfunding intensificou-se a partir de 2009, juntamente com o fortalecimento da chamada social media [cujas redes sociais são sua principal ferramenta], mas ganhou realmente massa crítica por conta da cultura de colaboração natural da própria internet.

Uma plataforma online de crowdfunding funciona como uma espécie de portifólio de ideias e projetos, que são criados por internautas que geralmente não dispõe do capital inicial para levar adiante seus empreendimentos. No caso dos projetos literários, o escritor pode optar por apresentar seu projetos de livros em uma das plataformas online de crowdfunding disponível. Após criar o projeto do livro, o autor divulga sua ideia para amigos através das redes sociais. Os internautas que se interessam pelo projeto serão, eles mesmos, os futuros leitores da obra e farão as doações que viabilizarão financeiramente a edição.

Cada projeto proposto pensa em como recompensar quem colabora. É comum, em troca da ajuda, o internauta doador esperar por algum tipo de recompensa. O autor proponente pode, por exemplo, trocar o nome de um dos personagens da obra, no caso de ficção, pelo nome do doador. O doador pode ter o seu nome impresso nas páginas iniciais do livro, nos créditos; pode receber um autógrafo personalizado do autor; pode ter acesso a exemplares numerados, e por aí vai.

Mas tudo deve ser planejado com a máxima atenção. Principalmente a planilha financeira do projeto, que deve abarcar desde os custos de produção da obra até os “mimos” para os doadores. As plataformas online de crowdfunding geralmente retém 5% do montante arrecadado. E se um determinado projeto não alcança o financiamento necessário, as plataformas de crowdfunding devolvem os valores aos doadores.

Para que uma ação de crowdfunding alcance o resultado esperado, é preciso muita projeção; é necessário que o proponente faça um pré-teste com os amigos, com seu networking. É preciso que o autor tenha a certeza de que a obra proposta é realmente seu melhor livro. Revisar a obra inúmeras vezes até ter a certeza de que ficou perfeita, é o mínimo que se pode fazer. É preciso também criar uma resenha matadora, pois é ela quem irá convencer o doador. Além disso, o autor proponente pode apelar para os vídeos, de preferência curtos que, na internet, são mais propícios a se tornarem virais.

O crowdfunding pode a princípio parecer uma moda passageira, mas segue uma tendência cultural de colaboração mútua que se estabelece sobre a internet e que já demonstrou resultados em massa. Ações colaborativas como as observadas, por exemplo, nas compras coletivas, são na verdade o efeito e não a causa de uma revolução no modo de pensar e viver em sociedade. O consumo passa a ser feito de modo sustentável e em grupo.

Hoje, existem cerca de 300 sites de crowdfunding espalhados pela grande rede mundial, dos quais pelo menos umas dez sejam importantes e influentes canais da cultura web. Por conta da intermediação financeira proporcionada por estas plataformas online, em 2011 foram arrecadados 1,5 bilhão de dólares. Existem algumas estimativas publicadas por empresas de pesquisas que até o final de 2013 sejam arrecadados mais de 3 bilhões de dólares. Atualmente no Brasil existem pelo menos 30 sites de crowdfunding, cujas ideias financiadas representaram cerca de 75% de projetos artísticos.

Treze séculos após Caio Cílnio Mecenas ter influenciado toda uma elite do império augustino, um novo jeito inovador de chamar a atenção das pessoas para um determinado projeto ressurgiu através da internet. Hoje em dia, uma produção artística pode sustentar seu próprio início através do incentivo e patrocínio de milhares de internautas e ao mesmo tempo leitores. Por acreditar no trabalho do escritor, o leitor compra a obra antes mesmo que ela seja publicada.

Se esta é ou não uma onda passageira, só o tempo dirá. Por enquanto, o financiamento coletivo pode ser a chance que muitos escritores tem de levantar capital para publicar aquele eBook guardado “na gaveta”. Ou, na maioria dos casos, guardado em um pendrive.

Quer saber mais? Então anote na sua agenda:

Palestra: Um novo modelo de mecenato para a literatura
Onde: Livros em Pauta
Quando: 19 de outubro de 2013, sábado
Horário: Das 13:00 até 15:00
Local: Faculdade Estácio Uniradial | Campus Jabaquara| Sala 104
Endereço: Avenida Jabaquara, 1.870 | Saúde

Frankfurt vê novas alternativas digitais


64ª edição da maior feira editorial do mundo aborda fenômenos recentes como “crowdfunding” e autopublicação

Evento começa na quarta-feira e celebra a Nova Zelândia; Brasil será o homenageado do ano que vem

Um concurso da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, selecionará cinco projetos narrativos inscritos em sites de financiamento coletivo. O prêmio será divulgado no evento, o que “garantirá máxima visibilidade -e, se tudo der certo, financiamento para seu projeto dos sonhos“.

Sinal dos tempos: o debate sobre o livro digital, presente nos anos anteriores no maior evento editorial do mundo, era só a ponta de um iceberg cujas peculiaridades são destrinchadas na 64º edição, que começa na quarta.

Natural que seja assim num ano em que o maior fenômeno de vendas é a trilogia erótica “Cinquenta Tons”, lançada de forma independente na web antes de encher os olhos e as contas bancárias de editores pelo mundo.

Temas como “crowdfunding” [financiamento coletivo via web], autopublicação, digitalização e “crossmedia” [cruzamento de mídias] ocupam boa parte dos 3.200 eventos que ocorrem até domingo, envolvendo profissionais de quase 7.800 empresas -apenas o último dia é aberto ao público geral.

A Feira de Frankfurt é focada no mercado, mas há espaço para a literatura, em especial no chamado Sofá Azul, que receberá nomes como a Nobel romeno-alemã Herta Müller, o americano Richard Ford e o neozelandês Lloyd Jones -embora seja provável que o ator Arnold Schwarzenegger, que lança biografia, cause mais burburinho.

Diferentemente da Feira do Livro de Londres, em abril deste ano, que teve como grande assunto o leilão por “The Casual Vacancy”, de J.K. Rowling, a de Frankfurt começa sem destaque para títulos específicos.

Mas um ponto é consenso entre editores: não vai faltar editora tentando emplacar eróticos, inclusive títulos antigos e antes ignorados, na esteira de “Cinquenta Tons”.

RAQUEL COZER | Folha de S.Paulo | 6 de outubro de 2012

Você conhece a Pubslush?


Inovador e irreverente, Jesse Potash mostra quais são as empresas que estão abalando os conceitos tradicionais do mercado editorial

Apelidado de “new kid on the block” do mercado editorial, Jesse Potash, fundador da Pubslush, mostrou em sua passagem ao Brasil quais são os cases que estão abalando os conceitos tradicionais dos editores.

Em relação ao mercado editorial como um todo, Jesse aposta em um futuro de “publicação informada”, onde as pessoas não vão tentar adivinhar o que vai acontecer com os livros publicados, e que este seria possivelmente um novo espaço de atuação do publisher: condensar e analisar a imensa quantidade de dados existentes. Ele insiste também que as editoras esqueceram do ponto principal do livro digital: é para ser compartilhável.

O primeiro case que rompe com os conceitos tradicionais é a própria Pubslush e sua ideia de “pre-publishing”: trata-se de uma plataforma de publicação de livros baseada no crowdfunding, que oferece serviços editoriais, assistência ao autor e informação sobre seu público. Jesse Potash saiu do mercado financeiro para trabalhar com livros, inspirado em J.K.Rowling, que teve seu livro Harry Potter rejeitado 12 vezes. “Eu não conseguia acreditar que ela teve de passar por alguém que disse  ‘não’ pra ela” disse Jesse na sua apresentação na Bienal.

O segundo case se refere ao conceito de distribuição. Jesse Potash cita então a Bookbaby, uma bem-sucedida distribuidora digital de autores independentes.

Espresso Books, um dos cases mais interessantes, resolve a questão do inventário nas livrarias. Trata-se, basicamente, de uma impressora de livros: o consumidor escolhe o livro que quer comprar, faz o pagamento e em minutos recebe o livro impresso. O mapa de localidades da empresa mostra que a Espresso já está presente em lugares como República Dominicana, Ucrânia e até na biblioteca de Alexandria, no Egito.

Sobre “discoverability” Jesse coloca o caso da famosa Goodreads, sobre a qual o nosso colunista e-gringo já falou por aqui também.

Não só de empresas americanas é feita a lista de Jesse: a espanhola 24 symbols é uma solução para problemas de consumo, oferecendo leitura baseada no modelo de assinatura. Outra empresa inovadora nesse aspecto é a Valobox, e seu serviço de leitura “pay as you go”, onde você pode comprar apenas trechos de livros.

Finalmente, a Writer Cube é uma ferramenta de dados de marketing, muito útil para autores.

Para Jesse Potash, todos esses casos mostram que o modelo de negócio está mudando completamente. Ele não acredita que o publisher em si irá desaparecer, mas, segundo ele: “É melhor você pensar em arranjar uma nova função, porque a função que você tinha é agora irrelevante”, recado dado.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012