Inscreva seu Trabalho Científico no 6º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


A 6ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital seguirá com a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital no intuito de promover trabalhos empíricos e conceituais inéditos. Os prêmios aos vencedores são R$ 1.500 reservados ao primeiro colocado, R$ 1.000 ao segundo e R$ 500 ao terceiro.

O evento acontecerá dia 25 de agosto de 2016, antecedendo a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Auditório Elis Regina, localizado na Av. Olavo Fontoura, 1209 – ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi, em São Paulo. Mais informações: digital@cbl.org.br.

Enhanced eBooks


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Recentemente a newsletter DBW – Digital Book World Daily publicou extenso artigo sobre as razões pelas quais os chamados livros digitais enriquecidos [enhanced] não haviam ganhado impulso. O artigo, The Real Reason Enhanced Ebooks Haven’t Taken Off [Or, Evan Schnittman Was Right… For the Most Part], escrito por Peter Constanzo, destacava palestra de Evan Schnittman, pensador da indústria digital e diretor de vendas da Hachette Book Group na Feira de Londres em 2011. Nessa apresentação, Schnittman disse que o formato estava praticamente morto e era um beco sem saída para os editores.

O fato é que, alguns anos antes disso, inclusive em um dos Congressos do Livro Digital da CBL, essa moda do livro digital enriquecido – que permitia a inserção de áudio e vídeo de modo dinâmico – havia sido apresentado como a evolução mais importante do setor editorial. Esse segmento da indústria editorial, o dos livros eletrônicos, apesar de bem recente, já viveu alguns modismos que desapareceram rapidamente, como o das “leituras sociais” [quem tem paciência, mesmo, de ficar lendo em conjunto com um bando de desconhecidos?] e os apps autônomos para a publicação de livros, que só subsistem hoje para alguns livros ilustrados infantis.

Mas voltemos ao assunto.

Schnittman assinalava um ponto indiscutível, e que até hoje representa um entrave considerável. Os formatos enhanced não podem ser lidos com a mesma eficácia em todas as plataformas. O que funciona bem para tablets, e em especial para o iPad, mesmo que distribuído pela Amazon [suponho que também funcione bem para o Kindle Fire]. O formato não é “trans-plataforma”. Comparando com música e jogos, Constanzo assinala que podemos escutar a música baixada online em qualquer aparelho digital, assim como se pode jogar “Call of Duty” em várias plataformas, com o mesmo resultado. O mesmo vale para filmes vistos em streaming ou nos DVDs comprados ou alugados. Mas isso não acontecia com os livros “transmedia” elaborados com o ePub3.

Eu já havia observado publicações transmedia e em ePub 3 [ou desenvolvidos com HTML5] muito eficazes em publicações científicas. Acreditava que as editoras de CTP estavam mais bem capacitadas para usar esses formatos com grande eficiência, inclusive porque a maior parte de suas publicações era mesmo lida em desktops ou tablets, e online.

Minha experiência com leitores de e-books – tanto o Kindle como o Kobo – deixava evidente as limitações para visão de fotografias [mesmo em preto&branco] e, principalmente, de mapas e diagramas. É realmente difícil. E por isso mesmo mantinha em reserva minhas dúvidas quanto aos formatos transmedia.

Bom: Constanzo desenvolve o artigo dizendo que, em absoluto, não é o caso de desprezar os empreendimentos editoriais em ePub3 de livros enriquecidos. Diz ele que, especialmente “para livros de não-ficção selecionados, podem ser muito bem combinados com áudio e vídeos selecionados com curadoria”.

Na recente II Conferência Revolução e-Book, promovida pelo Eduardo Melo e sua equipe da Simplíssimo, assisti a uma amostra de que essa observação é realmente correta. Em casos específicos, os e-books avançados podem realmente proporcionar ao leitor uma experiência diferenciada.

A palestra de Cindy Leopoldo e Maria de Fátima Fernandes, da Intrínseca, sobre a Coleção Ditadura – a reedição dos livros do jornalista Elio Gaspari sobre o golpe civil-militar de 1964, sua evolução e dissolução final – foi muito esclarecedora.

Os livros do Gaspari  tiveram novas edições em papel e em vários formatos de e-books, como podemos ver nesta tabela que extraí da apresentação de Cindy Leopoldo durante a conferência:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

A simples tabela mostra como o conteúdo foi muito enriquecido com o formato mais avançado.

Entretanto, as limitações para leitura nos aparelhos comuns são evidentes. A tabela abaixo, também retirada da apresentação de Cindy, explicita isso:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Como se vê, os livros vendidos pela Amazon só podem ser plenamente desfrutados se abertos nos apps da varejista no iPad [talvez no Kindle Fire]. Na loja brasileira da Amazon, esse tal de KEAV é acrônimo para Kindle Editions with Audio/Video. Lá diz também que esse tipo de arquivo pode ser aberto em todos os formatos do Kindle, mas eu testei e, de fato, no Kindle Paperwhite, nem o áudio nem o vídeo funcionam. Outro aviso da Amazon diz que “o título tem layouts complexos e foi otimizado para leitura em dispositivos com telas maiores”, mas não explicita suas deficiências de leitura nos Kindle normais. Pegadinha… Ou, como escreveu Erick Schonfeld no TechCrunc,“se você quiser essas características adicionais, a Amazon está basicamente lhe dizendo que compre um iPad”.

Um ponto muito importante na palestra da Cindy e da Maria de Fátima é que a produção do ePub3 e os acréscimos foram realmente objeto de uma cuidadosa curadoria, e colocados de modo que o leitor tenha acesso opcional a esses materiais adicionais. Segundo as duas, o autor fazia questões que a fluidez da leitura do texto não fosse prejudicada. Ao contrário, que pudesse ser enriquecida para os leitores que procurassem conhecer documentos originais, gravações de áudio e vídeo que estão referidos ou mencionados no texto.

Para que isso fosse possível, a Intrínseca teve que contratar assessoria específica para elaborar um verdadeiro roteiro da inserção desse material adicional. O trabalho foi muito grande, apesar das dificuldades propriamente técnicas não serem exatamente difíceis, usando as ferramentas disponíveis no HTML5.

Cindy teve a gentileza de me enviar links promocionais para baixar os livros na loja da Apple e, realmente, os livros são muito enriquecidos com esses anexos. As notas aparecem em pop-up, as transcrições de áudio e vídeo funcionam corretamente.

Na palestra, Cindy Leopoldo foi questionada sobre o resultado das vendas para a editora. Declinou responder, afirmando que não tinha informações da área comercial da editora.

Os quatro livros foram produzidos internamente na Intrínseca. O processo é realmente complexo, e no total foram produzidas vinte versões [cinco para cada tomo]. Evidentemente trata-se de um investimento de vulto que, com certeza, só poderá ser recuperado a longo prazo.

O conjunto do trabalho corrobora as observações de Constanzo. O esforço só compensa para certo tipo de livros de não ficção [ou quem sabe, algumas versões bem especiais de livros de ficção, e me ocorre particularmente a possibilidade de uma versão em ePub3 do romance The select works of T. S. Spivet, de Leif Larsen – The Penguin Press [O mundo explicado por T.S. Spivet – Nova Fronteira. Não li em português, mas a edição em inglês é belíssima e curiosa, e o livro virou filme em cartaz]. E, certamente, os livros técnico científicos.

São produções caras e trabalhosas, que produzem resultados muito interessantes. Mas as limitações para sua expansão são bem reais. Só lamento não haverem completado o esforço e os recursos do HTML5 e do ePUB3 para lançar de vez em formato acessível para deficientes visuais. Segundo Cindy, houve pressão de prazo para não perder o aniversário do triste golpe. Mas esse mercado está aí, ansioso por conteúdo.

De qualquer maneira, parabéns à Intrínseca pela iniciativa corajosa, e à Cindy Leopoldo e sua equipe pelo belo trabalho.

Comentários e observações são bem vindas no blog www.oxisdoproblema.com.br.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital abre inscrições


Congresso Internacional CBL do Livro DigitalCom o tema Conteúdo em Convergência, o 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital já está com as inscrições abertas. Elas podem ser feitas através do site oficial: www.congressodolivrodigital.com.br

Neste ano, o evento antecede a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e acontece dias 21 e 22 de agosto [5ª e 6ª feira] no Auditório Elis Regina, localizado ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi – Av. Olavo Fontoura, 1209.

Já estão confirmadas presenças internacionais, como Jason Merkoski, autor do livro Burning the page.  Primeiro evangelista de tecnologia da Amazon,  ajudou a inventar a tecnologia usada em e-books de hoje e foi membro da equipe de lançamento dos primeiros dispositivos Kindle.  Alicia Wise e Stephen King, especialistas na área de acessibilidade 3.0, discutirão assuntos relacionados às tecnologias para leitura e publicação na era digital.

Além das inscrições para participação do evento, é possível também inscrever trabalhos científicos e acadêmicos e cases de sucesso através do site do evento ou enviando para o e-mail digital@cbl.org.br. Serão aceitos trabalhos ainda não publicados em revistas científicas, que estejam de acordo com o regulamento publicado no site e que abordarem os temas: Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais; Aspectos de usabilidade de leitores digitais [e-readers]; Bibliotecas Digitais; Aspectos educacionais dos livros digitais; Direitos autorais e Copyright; Marketing do livro digital; Redes sociais e livros digitais; e O novo papel do editor.

Aproveite os descontos do early-bird e garanta seu ingresso!

Organização do Congresso do Livro Digital selecionará cases


Congresso Internacional CBL do Livro DigitalEstá marcado para os dias 21 e 22 de agosto a 5ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital e a entidade está sugerindo que associados ou interessados na área sugiram cases de sucesso, dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e e-books para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso do Livro Digital. As sugestões devem ser enviadas para o e-mail digital@cbl.org.br. Neste ano, os cases selecionados serão apresentados durante a 23ª Bienal Internacional do Livro.

PublishNews | 25/03/2014

5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital está recebendo inscrição de cases


A 5ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 21 e 22 de agosto de 2014, antecedendo a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Auditório Elis Regina [Av. Olavo Fontoura, 1209, ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi, São Paulo].

Você, associado da CBL ou interessado no assunto, pode sugerir cases de sucesso, dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e ebooks para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso do Livro Digital. As sugestões devem ser enviadas para apreciação ao e-mail digital@cbl.org.br.

Neste ano, os cases selecionados serão apresentados durante a 23ª Bienal Internacional do Livro.

Jason Merkoski é presença confirmada no 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


Jason Merkoski

Jason Merkoski

O 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital anuncia seu primeiro palestrante internacional: Jason Merkoski, autor do livro Burning the page. Jason Merkoski abordará, na palestra de abertura, a revolução dos livros digitais e o futuro da leitura. Merkoski foi o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon. Ajudou a inventar a tecnologia usada em ebooks de hoje e foi membro da equipe de lançamento dos primeiros dispositivos Kindle.

Com o tema Conteúdo em Convergência, o evento acontecerá dias 21 e 22 de agosto, no Auditório Elis Regina, localizado na Av. Olavo Fontoura, 1209, ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi, em São Paulo.

Aprendendo com o futuro dos livros


POR EDNEI PROCÓPIO

Figure CLXXXVIII in Le diverse et artificiose machine del Capitano Agostino Ramelli, an illustration of a bookwheel

Conforme venho prometendo neste blog há algum tempo, meu próximo livro, o terceiro sobre eBooks, será finalmente publicado. Já se encontra no prelo da Editora do Sesi e, se tudo continuar correndo bem, será lançado simultaneamente nos formatos digital e impresso durante a próxima edição da Fliporto.

Iniciei a escrita do livro no segundo semestre de 2012, exatamente no ano em que o Data Discman, o primeiro projeto relevante da empresa Sony Corporation na área de livros eletrônicos, completava duas décadas de vida. Uma vez, porém, que minhas pesquisas ainda careciam de algumas constatações, só consegui terminar o texto depois da última edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É impressionante perceber que, quanto mais avançam as tecnologias que envolvem eBooks, em menor espaço de tempo as novidades são colocadas à prova pelo mercado. Levei, portanto, um ano para escrever e terminar o livro, e em apenas um ano muita coisa aconteceu. Imaginemos então tudo o que foi apresentado no período de duas décadas, onde o livro eletrônico saltou de um estrondoso fracasso comercial para uma nova e empolgante possibilidade de experiência para a leitura.

Insisto nesta mania de olhar para trás quando escrevo sobre eBooks porque o distanciamento me parece um dos poucos modos seguros de vislumbrar um futuro para os livros. Em 2002, por exemplo, as empresas desenvolvedoras dos e-readers da primeira geração Rocket eBook e SoftBook, respectivamente NuvoMedia e SoftBook Press, foram entregues a Gemstar, uma subsidiária da RCA que, por sua vez, vendera os dois projetos para a Google em 2012.

Mas e em 1992, qual era o cenário?

Mesmo com a atual velocidade com que aparecem as novidades tecnológicas, e antigas certezas são postas à prova, não consideraria como um caminho saudável transformar meu novo livro em um periódico. Ou seja, não consideraria transformar minha obra em uma edição corrente, atualizada constantemente como se fosse um jornal ou revista [mesmo em uma versão digital]. Não vejo como encarar um determinado título como algo realmente inacabado, que deve estar sempre sendo reescrito, em constante atualização como se fosse um blog. Preferi, ao contrário, contestar o presente, analisar o passado, para vislumbrar um futuro.

Descobri isto quando recebi a última revisão do texto original, que me alertava para o fato de que os números apresentados em meu livro já poderiam ser considerados defasados. A revisão me pôs em alerta. Como é que um determinado dado, registrado para futuras consultas, pode ser considerado defasado antes mesmo de ser publicado? Tive que deixar ainda mais claro para os futuros leitores da obra que, os números de mercado, apresentados no livro, refletiam um momento, um cenário, uma fotografia, enfim, um recorte de um período em que o mercado de eBooks parecia expandir-se por um novo caminho. Um caminho bem diferente daquele imaginado pela Sony duas décadas antes.

No início da década de 1990, a internet ainda era um projeto acadêmico e não havia se transformado no meio extraordinário de comunicação e exploração comercial como ela é hoje. A Sony lançava no mercado norte-americano, um dispositivo para a leitura de livro eletrônico chamado Data Discman. Uma espécie de percursor da primeira geração de e-readers que viria a seguir.

Por rodar livros em cima de uma mídia física, ou seja, pré-gravados em discos [protegidos como os antigos disquetes], o dispositivo fora desenvolvido totalmente para leitura no modo offline e o conteúdo podia ser pesquisado através de um teclado do tipo QWERTY [também físico, bastante parecido com o dos BlackBerrys].

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: Sony Data Discman modelo DD-1EX]

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: modelo DD-1EX

De certo modo, o Data Discman era uma tentativa da Sony de repetir o sucesso do Walkman, dessa vez com livros. Mas ao contrário de seu predecessor, que tocava áudio que poderia ser encontrado aos montes em lojas especializadas [fora as fitas do tipo K7 que se tornaram bastante populares e podiam ser gravadas pelos próprios usuários], o Data Discman carecia de conteúdo.

Um Data Discman modelo padrão, como o DD-1EX, tinha uma tela de LCD de baixa resolução e em escala de cinza, como nos primeiros Palmtops, com baixo poder de processamento. Ao contrário dos Palms, trazia um drive de CD com a tecnologia e o padrão proprietários, que rodava enciclopédias, dicionários, além das obras literárias. Que não eram facilmente encontrados em livrarias, nem nos melhores magazines do ramo.

Como era de se esperar, o Data Discman teve pouco sucesso, principalmente fora do Japão [país sede da Sony]. Em vez disso, agendas eletrônicas do tipo Palm foram os dispositivos que ganharam popularidade e conquistaram o consumidor. Um pouco mais tarde, o Palm Reader foi a solução de aplicativo para a leitura dos livros nos devices portáteis daquele período que avançou até o lançamento do Sony Libriè para o mercado japonês.

Nada se cria, tudo se compartilha

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Há semelhanças entre o Data Discman e o Palm. Há semelhanças entre o Palm e o BlackBerry. Há semelhanças entre o Rocket eBook e o Sony Reader lançado em 2005 no mercado americano. Mas o que geralmente é enxergado são apenas as diferenças entre esses equipamentos todos desenvolvidos dentro de um período que vai de 1990 a 2010.

A internet mudou muito desde aquelas duas décadas e, parte do conteúdo que existia naquela chamada web 1.0, de meados da década de 1990, praticamente já não existe mais. Se algum pesquisador buscar até os números referentes ao período que antecede o lançamento do Kindle, que inaugura a segunda geração de e-readers, terá que vasculhar bastante para encontrar alguma análise relevante.

É neste sentido que, nos meus dois primeiros livros, tentei contextualizar ao máximo os dados do mercado e cenários apresentados. Penso em um contexto futuro, usando históricos e cases de sucesso ou fracasso do passado para ampliar a visão do presente. E agora tento fazer isto novamente com minha nova obra porque eu sei que alguns pesquisadores precisarão de informações, analisadas e comentadas, para eventualmente até usar de comparação em seus trabalhos.

Por exemplo, algum profissional poderá futuramente se perguntar que porcentual representava a venda de eBooks no Brasil, em comparação com o mercado de livros impressos, quando big players como Kobo, Google e Amazon aportaram no país. Se ele fizer uma comparação com dados em um mesmo nível de apuração, usando os mesmos critérios de levantamento, poderá obter o percentual de crescimento mais próximo da realidade até o seu próprio período [mesmo que alguns players continuem ocasionalmente tentando manipular os números como tentam fazer hoje].

Agora, se a internet continuar impondo seu ritmo avassalador de criação, armazenamento e compartilhamento de informações, esta tarefa de pesquisa pode se tornar cada vez mais difícil de ser realizada. E obras contemporâneas, que mais do que registrar um período, contextualiza os números e cenários, pode ajudar profissionais a compreender o passado mas, principalmente, o futuro dos livros.

Foi assim que, por conta da velocidade com que novidades surgem, em formato de projetos, startups, apps, produtos, softwares, hardwares, plataformas, etc., fui obrigado a voltar ao básico neste meu novo livro. Procurei encontrar semelhanças entre as coisas aparentemente diferentes, e diferenças naquelas que nos são aparentemente semelhantes.

POR EDNEI PROCÓPIO

Levantamento da CBL mostra adesão das editoras aos eBooks


Pesquisa Mercado Digital-cbl-300x336O levantamento, realizado pela CBL no último Congresso Internacional do Livro Digital, em junho, teve a participação total de 126 pessoas.

Diante da questão “A sua editora já comercializa livros em formato digital”, 86 pesssoas [68%] responderam que sim. Para as 40 pessoas restantes [32%], alguma dificuldade impede a entrada da sua editora no mercado digital – 20 delas [50%] indicaram que as principais dificuldades residem na dúvida sobre qual formato utilizar e na falta de conhecimento técnico.

A pesquisa fez um total de 22 perguntas aos entrevistados, que responderam sobre temas como direitos autorais, perspectivas comerciais, relação entre impresso e digital, entre outros. O número de respostas para cada pergunta variou. Para os 48 entrevistados que responderam a pergunta “Sua editora investe na divulgação de seus produtos digitais?”, 42 pessoas [87%] afirmaram que já investem na divulgação.

Outros 54 entrevistados responderam a pergunta “Sua editora tem uma equipe dedicada aos livros digitais?” – e 70% deles afirmaram que sim, dos quais quase a metade tem equipes pequenas, de uma a cinco pessoas.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em Revolução eBook | 18/07/2013 | Fonte: CBL

Livrus e Simplíssimo são cases no Congresso do Livro Digital


Startups apresentam seus projetos durante
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital

O empreendedorismo no emergente mercado do livro digital parece ir de vento em popa — novos modelos de negócios na área surgem a cada oportunidade. Mas como fazer para transformar ideias em negócios? O que é determinante para a sobrevivência de um business focado em livros digitais, em seus primeiros meses de vida? Que questões e desafios surgem para o novo empreendedor, e como encará-los?

Com o tema “O empreendedorismo no mercado do livro digital – Transformando Ideia em Negócios“, dois empreendimentos voltados para o livro digital são analisados pelos seus fundadores. O case será apresentado durante o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital com o testemunho dos fundadores de duas startups, Livrus Negócios Editoriais e Simplíssimo Livros, em um relato das suas vivências e experiências com a abertura e a manutenção dos seus negócios.

As apresentações dos cases serão breves [um terço do tempo de apresentação, para cada um dos dois ministrantes]. O terço final do tempo restante será reservado para participação e perguntas do público presente. Serão enfatizados os desafios que precisam ser superados no início do negócio, a postura que o mercado espera dos novos empreendedores e os problemas práticos que surgem pelo caminho [e algumas soluções adotadas].

Anote em sua Agenda

Case: O empreendedorismo no mercado do livro digital
14 de junho, sexta-feira, das 10 às 11 horas
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital
Centro Fecomercio de Eventos | Auditório B | 1º. Andar

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ministrantes

Ednei Procópio | Especialista em livros digitais, trabalha com o assunto desde 1998. Já escreveu livros sobre o tema e mantém o blog eBook Reader. É Diretor Executivo da Livrus Negócios Editoriais, empresa criada com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

Eduardo Melo

Eduardo Melo

Eduardo Melo | Fundador e Diretor Executivo da Simplíssimo Livros, empresa especializada em produção e publicação de eBooks. Eduardo, que trabalha com eBooks desde 2007, também é editor-chefe do site de notícias Revolução eBook. Sua formação acadêmica inclui graduação em História e mestrado em Letras.

O livro além do livro


Depois que a Internet, a mídia das mídias, transformou drasticamente as indústrias de telecomunicaçoes, entretenimento, música, jogos, cinema, e o modo como assistimos tevê, ouvimos rádio e lemos jornais e revistas, o artefato livro é a última fronteira na digitalizaçao dos meios de comunicação.

As oportunidades que podem ser exploradas ao redor de um novo universo que surge com a digitalização dos livros são inúmeras. Mas qual seria o segredo no entanto por trás do sucesso de alguns empreendimentos voltado aos eBooks? E a resposta é, antes de tudo, ter a compreensäo exata das ferramentas de distribuição digital dos novos tempos.

E como compreender, e romper, as barreiras e a urgência impostas pelos novos modelos de negócios da Era Digital? Atualizando-se em espaços criativos como os oferecidos pelo Congresso Internacional do Livro Digital [congressodolivrodigital.com.br], evento seminal promovido pela Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Johannes Gutenberg [1398 – 1468], que aprimorou para o Ocidente a prensa de tipos móveis, e possibilitou com a sua invenção que a manufatura de um novo produto cultural fosse rapidamente popularizada, criando mais tarde toda uma cadeia de valor, certamente poderia estar entre os convidados das mesas e debates. Mas, como um bom empreendedor, gráfico, editor e ao mesmo tempo livreiro, o gênio alemão ficaria entusiasmado tanto com as inúmeras possibilidades de circulação dos livros, quanto pelas perspectivas de conversas em torno do tema se simplesmente acompanhasse as atividades do evento.

Com uma boa dose de senso crítico, e com a ajuda de novos métodos de curadoria de conteúdo, é possível hoje por exemplo ter um livro publicado simultaneamente para diversos hardwares [desktops, ultrabooks, tablets, e-readers, smartphones], sistemas operacionais [Windows Phone, iOS, Android] e formatos [ePub, PDF, MOBI, HTML5]. As novas agências editoriais que estão nascendo com o eBook, estão permitindo a publicação de obras baseado em novos modelos também precupados com a qualidade, acabamento, design e divulgação para obter audiência, acesso e consumo das obras.

Com a democrarização das tecnologias é possível hoje manter uma pequena agência editorial, enxuta, com um fluxo de caixa mínimo na casa dos cinquenta mil reais, mas com uma rede interessante por volta dez colaboradores externos, todos recebendo no regime de free lancers, entre eles copidesques, revisores, diagramadores, capistas, programadores, designers, etc.

Com uma equipe multidisciplinar, um investimento na casa dos três zeros, uma boa ideia, é possível até criar aplicativos, mashups, sites baseados em redes sociais e uma infinidade de canais para a venda, troca, circulação, distribuição e publicação dos livros eletrônicos. Que podem passar por plataformas integradas às redes de metadados, cloud computing, social e mobile commerce, e nas API’s das soluções robustas de empresas como Amazon, Adobe, Google, disponíveis se o empreendedor souber o que está buscando, e se procurar as soluções no lugar certo.

Mas qual é o lugar certo e para que lado empreender, se os desafios postos são na verdade gigantescos e a própria democratização das tecnologias criou paradoxalmente uma fila de startups concorrentes? A resposta está nas entrelinhas das conversas que podemos trocar e ouvir com pessoas interessadas no mesmo tema.

A Câmara Brasileira do Livro, uma das mais importantes e influentes entidades do livro na América do Sul, vem liderando e propiciando debates e conversas à respeito dos eBooks quando se propõe juntar, em dois dias do próximo inverno de São Paulo, a cidade da garoa, as cabeças pensantes de um novo mundo conectado. Os desenvolvedores que põem a mão na massa dentro dos mais adiantados players mundiais estarão presentes demonstrando seus cases para uma plateia de verdadeiros antenados, uma vez que o evento terá transmissão via streaming e através das mídias digitais.

O Congresso Internacional do Livro Digital em sua quarta edição, com o tema ‘O Livro Além do Livro’, se torna um espaço compartilhado de ideias e conversas que podem nos ajudar a pensar melhor nossas carreiras como escritores, como editoras, agregadores de conteúdo, sistemas middleware, livrarias online, estantes digitais, distribuidoras, etc. É uma opção bastante oportuna não só para os jovens e estudantes que buscam conhecimento de como turbinar e gerar novos networks, mas também para aqueles que pretendem empreender negócios com os eBooks e, claro, produzir bom conteúdo em forma de livros.

Nos vemos lá!

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em TI INSIDE | 29/03/2013, às 18:50

4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


Congresso CBL Internacional do Livro DigitalInscreva seu trabalho científico e acadêmico no 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital!

Os trabalhos devem focar o tema central do Congresso deste ano: O Livro Além do Livro. Os três primeiros colocados receberão fast track para publicação na REGE – Revista de Gestão da USP, além da premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 1500 [mil e quinhentos reais]
2º lugar: R$ 1000 [mil reais]
3º lugar: R$ 500 [quinhentos reais]

O primeiro colocado apresentará o trabalho vencedor em plenária, no Congresso. Inscrições até 12/04 sexta-feira, pelo site www.congressodolivrodigital.com.br. Conheça o regulamento completo clicando aqui.

CBL prepara o 4º Congresso Internacional do Livro Digital


Evento ocorrerá no mês de junho, em São Paulo

Congresso CBL Internacional do Livro DigitalCom o tema “O Livro Além do Livro”, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] promoverá nos dias 14 e 15 de junho de 2013 o 4° Congresso Internacional CBL do Livro Digital, no Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. O objetivo do Congresso é discutir os rumos do livro digital e principalmente sua importância para a educação e o fomento da leitura. As palestras abordarão assuntos como o papel do livro digital na educação, o limite entre os games e os livros digitais infantis, a influência do livro digital na leitura e o livro nas redes sociais. A Comissão do Congresso já convidou palestrantes nacionais e internacionais para o evento.

PublishNews | 18/12/2012

Inscreva o seu trabalho científico


A 4ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital seguirá com a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital no intuito de estimular a divulgação de trabalhos empíricos e conceituais inéditos. Os prêmios aos vencedores foram aumentados e em 2013 o 3º lugar também receberá a premiação em dinheiro. Os valores são R$ 1.500 reservados ao primeiro colocado, R$ 1.000 ao segundo e R$ 500 ao terceiro. Além disso, os três primeiros colocados receberão fast track para publicação do trabalho na REGE – Revista de Gestão da USP e o primeiro colocado apresentará o trabalho vencedor em plenária, no Congresso principal. Todos os trabalhos finalistas serão divulgados no site http://www.congressodolivrodigital.com.br. As inscrições já estão abertas e serão encerradas no dia 12/04/13. Mais informações: digital@cbl.org.br e 11 3069-1300.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Reserve já o seu espaço!


Reserve já o seu espaço para expor produtos e serviços ao público do evento, que reúne centenas de congressistas do segmento de e-books, além de palestrantes de diversas nacionalidades. São diretores e presidentes de multinacionais, acadêmicos, políticos, juristas, empresários, historiadores, bibliotecários, jornalistas, profissionais de comunicação e da área de TI, entre outros. Os espaços, com 9 m² cada, estão com o valor promocional de R$ 10.000,00 por R$ 8.000,00, que pode ser dividido em até 4 vezes. O early-birdy foi prorrogado até 31 de outubro de 2012. Faça já a sua reserva pelo e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Mande suas sugestões de cases


A próxima edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio e contará com uma sessão especial para apresentação de cases. Você que é associado da CBL ou interessado no assunto, pode sugerir cases para serem apresentados dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e ebooks para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso.

O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio. As sugestões devem ser enviadas até 30/10 para o e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Envie o seu case para o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital terá uma sessão especial para apresentação de cases. Você que é associado da CBL ou interessado no assunto, pode sugerir cases para serem apresentados dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e ebooks para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso. O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio. As sugestões devem ser enviadas até 30/10 para o e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa

As entrevistas com os palestrantes do 3º congresso já estão disponíveis no site do Livro Digital


Em sua última edição, o Congresso Internacional CBL do Livro Digital recebeu grandes personalidades do mundo editorial discutindo temas atuais e de grande relevância para o setor. Os vídeos com as entrevistas dos palestrantes já estão disponíveis no site oficial; acompanhe e aprecie um resumo do que foi abordado pelo link: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/congressos-anteriores.

A 4ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital já tem data para acontecer, será realizada nos dias 13 e 14 de junho de 2013 na Fecomercio, em São Paulo.

Comece a preparar o seu trabalho científico para o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital em 2013


Já está disponível o regulamento dos trabalhos científicos e acadêmicos para quem deseja se inscrever na edição de 2013 do 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital.
O objetivo é estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos conceituais, inéditos, sobre temas relacionados ao livro digital.

Os trabalhos inscritos serão analisados e classificados pela Comissão do Livro Digital. Idealizado e realizado pela Câmara Brasileira do Livro desde 2010, o Congresso Internacional CBL do Livro Digital e a própria entidade constituem o principal fórum brasileiro para a discussão e debate das tendências desse novo mercado. A 4ª edição será realizada nos dias 13 e 14 de junho de 2013 na Fecomércio, em São Paulo.

O prazo para o envio dos trabalhos concorrentes aos prêmios vai até o dia 10/4/2013. Quaisquer esclarecimentos podem ser obtidos na CBL, pelo e-mail: digital2@cbl.org.br ou telefone: 3069-1300. Acompanhe o regulamento no site oficial do evento: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/trabalhos-cientifico.

Japão e Brasil: universos digitais paralelos


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 06/06/2012

A relação centenária entre o Brasil e o Japão me intriga. Curiosamente, fiz meus primeiros amigos brasileiros em solo japonês, quando eles trabalhavam em uma das primeiras gerações de telas planas de TV da Sharp. Acho que podemos olhar para o Japão para aprender com os desafios do passado e ter uma ideia sobre o presente e o futuro dos e-books no Brasil. Você talvez ache esse paralelo surpreendente.

O passado

O medo, no Japão, de uma ruptura da indústria editorial retardou o crescimento daquele que poderia ser um enorme mercado para os e-books.

Aproveitando o status privilegiado que têm no varejo, as editoras japonesas controlam de perto o preço final de venda dos e-books. Além disso, elas determinam o desconto [em torno de 30%] e o posicionamento das edições digitais. Os leitores, portanto, não se beneficiam de ofertas e promoções de produtos que poderiam ser feitas pelas livrarias criativas.

Se, de um lado, a tecnologia do e-book surgiu no Japão cerca de 20 anos atrás, de outro existem menos de 50 mil e-books em japonês – é menos do que o número de títulos lançados no país em formato impresso em um único ano. Essa lacuna digital abriu espaço para que algumas empresas bastante astuciosas escaneiem e disponibilizem ilegalmente conteúdo impresso – uma prática chamada de jisui [fazer sua própria comida]. Vamos rezar para que os piratas brasileiros se tornem organizados desse jeito e transformem seu hobby em um negócio.

Uma ação coletiva por parte das 13 maiores editoras do país, que constituiu uma forte aliança de distribuição, está bloqueando a entrada de inovadores digitais estrangeiros. Acho esse espírito nacionalista de “vamos fazer aqui mesmo” muito admirável. No entanto, uma aliança tende a se concentrar mais em ações defensivas do que no desenvolvimento de algo novo, e, assim, não apenas os leitores estarão impedidos de acessar o conteúdo que desejam, como os piratas vão deitar e rolar.

O presente

As plataformas de leitura eletrônica ainda não atendem as necessidades do mercado local, retardando a adoção do e-books.

Embora eu tenha muito orgulho do meu trabalho com o Kindle e outros e-readers E-Ink, eu sou o primeiro a dizer que eles não são para todo mundo. Eles são muito grandes e não servem pra quem se espreme em trens a caminho do trabalho ou para as leitoras que carregam bolsas pequenas. E, no Brasil, com os preços de hoje, dispositivos dedicados exclusivamente à leitura são inacessíveis para todo mundo, com exceção dos aficionados por tecnologia endinheirados. Talvez você ache interessante saber que os smartphones e até os feature phones são a principal plataforma de leitura digital no Japão. O argumento de que os e-books exigem um aparelho dedicado, portanto, é discutível.

Outro aspecto a considerar é que a maneira única como os japoneses leem – de cima para baixo, da esquerda para a direita – torna simplesmente impossível importar plataformas pensadas para o leitor do inglês. Da mesma forma, o hífen é um problemaço em português. Quem desenvolve as plataformas precisa enfrentar essas questões complicadas relacionadas aos idiomas.

Como ressaltou Jonathan Newell, da Nielsen, durante o Congresso CBL do Livro Digital, em maio, o gênero romance é de longe o que motiva a adoção do e-book nos mercados americano e inglês, especialmente. Mas não para os japoneses: lá, os mangás geram 25% da receita editorial total e 75% da receita com digital. No Brasil, algo me diz que o segmento educacional poderá ser a galinha dos ovos de ouro.

O futuro

Porque o conteúdo deveria ficar limitado a telas monocromáticas de seis polegadas? O conteúdo vai estar acessível aos leitores sempre que eles quiserem consumi-lo. Para além do ecossistema fechado que a Amazon desenvolveu com o Kindle, há muita gente trabalhando em plataformas em nuvem para permitir que as pessoas acessem suas bibliotecas de smartphones, de tablets e, não se esqueça, de PCs. As soluções criadas em HTML5 significam que qualquer dispositivo com um navegador pode se transformar num e-reader.

O conteúdo vai ser “petiscável”. Quando eu tenho tempo, adoro sentar no parque do Ibirapuera ou na praia de Ipanema para ler devagar um bom romance. Mas nove em dez vezes minha experiencia de leitura está limitada a uma corrida de táxi de 20 minutos [ou às vezes 60, em São Paulo]. Os japoneses foram pioneiros no conceitos de “aperitivos” de conteúdo – uma nova experiência que pode ser digerida numa rápida viagem de ônibus para o trabalho, por exemplo. Com a obsessão dos brasileiros por pedacinhos de conteúdo no Twitter ou no Facebook, algo me diz que esta poderia ser uma receita de sucesso no país.

Os livros ilustrados também vão vir com força. Ao focarem no patrimônio nacional dos mangás, os japoneses inventaram soluções criativas para visualizar esse rico conteúdo em formato digital. Espere ver livros para crianças, conteúdo educacional e guias ilustrados incríveis iluminando as telas no Brasil e em todos os lugares do mundo.

Para navegar nesse mar de mudanças trazidas pelo e-book, precisamos olhar para fora. Mas o invés de mirarmos os Estados Unidos, nós no Brasil podemos aprender mais ainda com nossos amigos de longa data lá no Japão.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 06/06/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Apresentações do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital disponíveis no site!


Apresentações do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital disponíveis no site!

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital

Após o grande sucesso do evento com importantes personalidades do mundo editorial e das comunicações, os trabalhos dos palestrantes deste ano sobre temas relevantes relacionados ao livro digital já estão disponíveis pelo link: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/congressos-anteriores. Confira as apresentações de YoungSuk Chi, Danusa de Oliveira, Jens Bammel, Lynette Owen, Henrique Mota, Claire Nguyen, Jonathan Nowell, Sueli Ferreira, Kelly Gallaggher, Mônica Gardelli Franco, Roberto Bahiense, Renato Gosgling, Paul Petani e Regina Scarpa.

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

EUA exportam 333% mais eBooks


Ao mesmo tempo, a exportação de exemplares físicos cresceu 2,3%

As vendas de e-books americanos para outros países cresceram 333% em 2011, de acordo com um relatório da Associação de Editores Americanos divulgado hoje. As vendas passaram de US$ 4,9 milhões em 2010 para US$ 21,5 milhões – cerca de um terço foi exportado para o Reino Unido. Ao mesmo tempo, a venda de livros físicos dos Estados Unidos para o exterior subiu apenas 2,3% no período, para US$ 335,9 milhões. Os dados ajudam a compor um cenário onde os e-books podem “viajar” rapidamente e alcançar leitores no mundo todo. Em apresentação no dia 11, em São Paulo, durante o Congresso CBL do Livro Digital, o diretor de conteúdo do Kindle, Pedro Huerta, disse que a Amazon vendeu em todo o ano de 2011 cinco milhões de unidades de e-books em inglês – não necessariamente produzidos nos EUA – para países que não são de língua inglesa. E, só nos primeiros três meses de 2012, a Amazon já tinha vendido metade desse volume.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 18/05/2012

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, A cadeia produtiva de conteúdo do autor ao leitor


Karine Pansa

Nos dias 10 e 11 de maio fechamos mais um ciclo do consistente processo de amadurecimento do setor editorial brasileiro, com a conclusão do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital – que nesta edição teve por título “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”.

Realizado menos de um ano após a última edição, o evento mostrou os rápidos avanços obtidos na área, em termos teóricos e práticos, o que pôde ser identificado nas apresentações proferidas por nossos palestrantes, bem como pela qualidade das discussões que ocorreram.

Como muitos constataram, vivemos um momento de quebra de paradigmas. Diferentes visões, porém complementares, foram apresentadas nas mais de vinte horas de palestras desenvolvidas por 22 convidados, em sua maioria personalidades internacionais.

Como era de se esperar, nem todas apontaram para uma mesma direção. E é bom e natural que seja assim. Essa é, inclusive, uma das características do momento de incertezas e de incontáveis oportunidades em que vivemos.

A começar por um fato simples, mas muito relevante. Embora muito se fale sobre as mudanças provocadas pelo advento do livro digital, a essência que caracteriza a produção editorial continua a mesma: seja no físico ou no eletrônico. Não há bons livros sem boas ideias, criatividade e, principalmente, conteúdo consistente.

Isso não significa, é claro, que o formato digital não irá acrescentar novas experiências ao leitor. As possibilidades criadas pela tecnologia são instigantes e pensar em um formato mais interativo, intertextual e multimídia para o livro não nos parece um absurdo. Pelo contrário, esta é uma tendência que, cada vez mais, transformará o livro e o deixará em um formato mais interessante para as novas gerações.

Presenciamos um momento de “disruption”, termo que poderia ser traduzido para o português como “desmoronamento de paradigmas”. Como aconteceu no passado, o surgimento dos e-mails reforçando a correspondência impressa e outros avanços tecnológicos como o DVD e BluRay no lugar dos vídeos cassetes e, agora, os tablets e e-readers. Com a chegada dos livros digitais, apresenta-se uma nova opção de relacionamento com o livro, que passa a adotar uma roupagem a mais: a digital.

Como todas essas mudanças, que causam a princípio incertezas e dúvidas, devemos enxergar os novos conceitos como oportunidades de crescimento e resgate de valores, por mais inovadores e revolucionários que aparentam ser em um primeiro momento.

Cabe ao setor livreiro aproveitar tais possibilidades, desenvolvendo vertente mercadológica com imenso potencial. E não podemos deixar de destacar que o futuro do País está na Educação. Para que esta Educação seja efetiva, é preciso que esteja embasada em conteúdo edificante, seja absorvida por meio de livros impressos ou digitais, pois o importante é o seu conteúdo enriquecedor, aquele que abre as mentes e desenvolve o ser humano.

Para o Brasil se apropriar desta nova tecnologia, precisa evitar soluções mágicas ou populistas. O País deve aprender com os erros cometidos por outros países e adquirir conteúdo acreditando na capacidade do nosso mercado editorial em fornecer bons produtos, nos moldes do que faz com o bem-sucedido Programa de compra e distribuição do livro didático [PNLD].

Para que isso seja possível, a ideia de que o digital deva ser gratuito precisa ser combatida e os direitos autorais garantidos. Nesse sentido, é função dos autores, editores, livreiros e representantes dos demais elos da cadeia produtiva do livro valorizarem e defenderem as regras que regem esse novo mercado, pois, como sabemos, sem respeito à propriedade intelectual, a economia criativa não existe.

Para que haja qualidade é preciso qualificação. E, para que haja qualificação, é necessário investimento. É necessário aproveitarmos esse momento de definição de novos conceitos para arriscar, errar e construir, paulatinamente, o novo caminho que se abre. Como ninguém tem a fórmula para o sucesso, o primeiro a descobri-la será muito bem recompensado, pois sempre haverá leitores dispostos a assimilar ricos conteúdos.

Todo esse processo, obviamente, muda por completo o “negócio do livro”, desde a concepção do conteúdo até a forma como vendemos cada exemplar, passando pela distribuição, precificação e estratégias de marketing e divulgação.

No entanto, mais uma vez, não há regra ou lição a ser seguida. Por isso, a mensagem que queremos deixar aqui é a de que cada um deverá, a partir de agora, construir sua própria história. Ou, como bem definiu Washington Olivetto em sua palestra, “o Brasil parece não ter sido descoberto, mas sim escrito. E, já que estamos escrevendo esse País, vamos escrevê-lo com criatividade, qualidade e educação”.

Agradeço a colaboração de todos os envolvidos com a criação, organização e realização deste Congresso, que mostrou ao que veio, tanto pelo rico conteúdo como pelo brilhantismo de seus participantes.

Gostaria de destacar o profissionalismo e empenho de toda a equipe da Câmara Brasileira do Livro e de seus colaboradores diretos e indiretos, que permitiram a realização bem-sucedida de mais esta edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital. E também a demanda de nossos associados e entidades do setor que mais uma vez prestigiaram nosso encontro e ratificaram esse sucesso.

Já estamos ansiosos pela quarta edição, que, com certeza, estará cheia de novidades e experiências.

Por Karine Pansa, Presidente da Câmara Brasileira do Livro | Publicado originalmente em CBL Informa | 15/05/2012

Brasil e Índia no caminho da rápida adoção dos livros eletrônicos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2012

O 3º Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL, revelou-se melhor que os dois primeiros em um ponto fundamental: um número menor de vendedores de apps e programinhas, que compareciam menos para demonstrar tendências e mais para propor a venda de serviços para os tupiniquins embasbacados pelas novidades, o que geralmente não conseguiam, porque o pessoal daqui é desconfiado e muquirana.

Ainda assim, a mesa “Inovando suas publicações com aplicativos” foi um exemplo lamentável desse tipo de coisa. O único interessante, que apresentou a Nuvem de Livros, poderia ter servido de pano de fundo para um debate importante: o interesse por “conteúdo grátis”, que é turbinado pelas telefônicas e pelos provedores de serviços da internet, para os quais quanto mais tráfego O 3º Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL, revelou-se melhor que os dois primeiros em um ponto fundamental: um número menor de vendedores de apps e programinhas, que compareciam menos para demonstrar tendências e mais para propor a venda de serviços para os tupiniquins embasbacados pelas novidades, o que geralmente não conseguiam, porque o pessoal daqui é desconfiado e muquirana.

Provocado pelo “grátis” ou pelo menos “baratinho” é importantíssimo. Eles cobram pelo tráfego de informação através de seus sistemas, e quanto mais nós contribuirmos com conteúdo grátis, melhor para eles. Isso merecia uma discussão. Mas os outros dois “palestrantes” dessa mesa, que foi o ponto mais baixo do evento, eram apenas patéticos vendedores que pareciam nem saber que tipo de pessoas compunha a plateia.

As duas palestras mais interessantes do Congresso foram, na minha opinião, as de Jonathan Novell, da Nielsen, e a de Kelly Gallagher, da R.R. Bowker. Foi uma fantástica oportunidade de ver, na prática, como os metadados constituem, hoje, um elemento essencial para que a indústria editorial possa cumprir seu papel de entregar os livros a seus leitores.

Jonathan Lowell, da Nielsen, foi o primeiro. A Nielsen é uma empresa internacional de coleta e análise de dados de mercado. Há alguns meses, Roberto Feith, do SNEL, anunciou que havia tratativas para que a empresa instalasse no Brasil o seu sistema de rastreio de vendas on-line de livros, o BookScan [eles têm sistemas semelhantes para outros produtos de varejo], e nossa colega Roberta Campassi, depois da palestra, soube que ele confirmou que isso acontecerá até o fim do ano.

Alvíssaras. Poderemos ter dados confiáveis, pelo menos sobre as vendas de varejo, já que pesquisa de produção editorial da CBL/SNEL ficou comprometida com a apresentação de dados diferentes para o mesmo ano. Ao que tudo indica, pelo menos no que concerne às vendas no varejo, poderemos ter dados confiáveis.

O BookScan registra em tempo real as vendas nas empresas de varejo [e bibliotecas, para empréstimo], que aceitem instalar o sistema. Permite aos editores saber, em tempo real, onde foi vendido cada um dos livros, a que horas, qual o cartão de crédito usado, as condições de venda, se o comprador faz parte de programas de fidelização e coisas do estilo. Mas, como Lowell chamou atenção, esses dados por si só ainda fornecem “poucas” informações. A análise se enriquece geometricamente se os livros contiverem metadados enriquecidos, de modo que as tendências na compra de cada exemplar possam ser agrupadas de maneira efetiva por gêneros, e cruzadas com outras variáveis. Para informações mais abrangentes sobre o BookScan, veja http://migre.me/956Sm .

Os instrumentos proporcionados pelo BookScan só serão úteis se os editores aprenderem a “mastigá-los”, de modo a permitir uma tomada de decisão bem fundamentada. Os dados não decidem o que fazer, mas permitem que sua análise informe quais as opções que melhor se adequam a cada editora, a cada momento. As livrarias, por sua vez, passam a dispor não apenas dos dados provenientes de suas vendas, mas podem comparar desempenhos de títulos e gêneros em outras regiões, em outros tipos de varejo etc.

São todas informações que devem ser trabalhadas. O que, infelizmente, nem editores nem livreiros andam muito habituados a fazer, salvo as famosas e honradas exceções.

No âmbito da análise de dados a partir do comportamento dos consumidores, a palestra de Kelly Gallagher abriu outras perspectivas.

Gallagher trabalhou com um conjunto de dados proveniente da uma pesquisa recém terminada em abril passado, o Global eBook monitor all country comparison – Final report. Usou também, como exemplo, um relatório do PubTrack, o sistema que analisa casos específicos.

O primeiro relatório terá sua versão sintética, referida a dez países [Austrália, Brasil, França, Alemanha, Índia, Japão, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA] disponível gratuitamente para download em breve aqui. Mas avisou: o relatório específico sobre o Brasil, só vendido. Lição para os editores: informação aparentemente custa caro, mas vale muito quando se aprende a usá-la.

O relatório sobre tendências globais para o consumo de livros eletrônicos mostrou as razões do interesse da Amazon no mercado brasileiro, e que são as mesmas pelas quais eventualmente teremos mais editoras internacionais querendo pescar uma fatia desse mercado. A pesquisa mostra que 18% dos consumidores já haviam adquirido pelo menos um livro eletrônico nos seis meses anteriores à pesquisa, e que esse índice tenderia a triplicar em curto prazo. Outro ponto interessante mostra que, nos mercados mais “maduros” [Reino Unido e EUA, por exemplo], as mulheres, e mais velhas, compram mais e compram mais ficção. Nos mercados “emergentes”, como no Brasil e na Índia, são os homens, e de uma faixa etária mais baixa, e há grande interesse pelos livros da área técnico-científica e profissional. É mais fácil se atualizar na área técnica via livros eletrônicos.

Segundo o relatório, os Estados Unidos, Austrália e Reino Unido são os países com os maiores índices de adoção de e-books, mas a Índia e o Brasil são os que apresentam as melhores condições para um rápido crescimento. A combinação da análise das porcentagens com o tamanho da população [e o ambiente econômico geral] é que coloca o Brasil e a Índia na ponta de lança do crescimento numérico de e-books a curto prazo.

O outro componente dessa equação será a disponibilidade de e-readers mais baratos, se a Amazon e a Kobo conseguirem colocar seus aparelhos por volta de R$ 200.

Vale mencionar um aforismo do Ed Nawotka, o editor da Publishing Perpectives há alguns meses: livro pirateado é o que não foi lançado em condições adequadas. Eduardo Melo, da Simplíssimo, que participou em outra mesa no Congresso, também afirmou que, se os editores não ocuparem o espaço, os livros pirateados irão atender a essa demanda.

No segundo relatório Gallagher mostra um dos trabalhos feito sobre encomenda, no caso sobre livros de cozinha. A pesquisa parte do fato de que as vendas de livros de cozinhas [nos EUA] estavam em queda. Mas a análise dos dados desagregados por grupos geracionais mostrava que uma determinada faixa etária se comportava de maneira diferente, comprando cada vez mais livros de cozinha. Resultado: produção de material para aquela faixa etária pelo editorial; marketing voltado para o grupo; comercialização em pontos de venda frequentados pelo grupo etário. Essa análise foi possível combinando informações de diferentes fontes, desde as pesquisas da própria R. R. Bowker sobre comportamento de consumidores, até os dados do BookScan.

Editar é uma arte, mas é uma arte que pode e deve ser informada pelo conhecimento científico. Saber quem são e onde estão os consumidores é algo que se torna cada vez mais crucial para que os leitores achem os livros que querem, e o editor possa lhes oferecer esses produtos. Mas recuperar essas informações de modo inteligível, de modo a poder analisá-las e tomar decisões informadas exige um pré-requisito: que os livros que circulam na web – não apenas os livros eletrônicos, mas todos os livros, cujas operações de compra e venda acabam registradas na Internet – estejam acompanhados desse “recheio” fundamental: os metadados.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

A vez dos didáticos


Na primeira edição Congresso do Livro Digital da CBL, eram os diretores de editoras e livrarias que formavam a plateia. No ano passado, participaram os profissionais que botam a mão na massa. Eles voltaram este ano, mas o que mais chamou a atenção foi a presença das editoras didáticas. Só da Moderna participaram 23 funcionários.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

O conselho de YoungSuk Chi


Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático depois de sua apresentação no Congresso do Livro Digital e deixou um conselho aos editores brasileiros neste tenso momento de negociação com Amazon, Google e Apple. “Dado que não há certeza de qual será o modelo de venda de e-book no futuro, não tente adivinhar como ele será, mas experimente diferentes modelos. Você pode ter informações sobre o que estão fazendo em outros mercados, e são informações úteis, mas elas não são do Brasil. E quem sabe como isso vai se desenvolver aqui? Meu conselho é: não coloque todos os ovos na mesma cesta.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

Destaque no Twitter


Congresso do Livro Digital vira um dos assuntos mais comentados na rede

Com tantos tuiteros na plateia (@publishnews@MonaDorf@jlgoldfarb,@REDEMIS@ETC_Sampa e tantos outros), o Congresso Internacional CBL do Livro Digital entrou para o trending topics do Brasil no Twitter hoje pela manhã (#CLivroDigital). Os tuítes cresceram bastante durante a fala do publicitário Washington Olivetto, que não falou muito sobre o tema da palestra (“A força das mídias digitais na divulgação do livro”), mas hipnotizou a plateia com vários vídeos e apresentações de campanhas publicitárias simples e interessantes. “Nada funciona sem uma grande ideia”, sentenciou Olivetto.

PublishNews | 11/05/2012

Segundo dia do Congresso CBL começa “enfático”


Novos padrões para criação de e-books e questão da qualidade foram os assuntos levantados na primeira palestra do evento

O segundo dia do 3º Congresso CBL do Livro Digital começou com alertas e declarações enfáticas. Bill McCoy, presidente do International Digitial Publishing Forum [entidade internacional que supervisiona a adoção de padrões para o livro digital], mostrou como os e-books ainda têm muito a evoluir.

Os dispositivos como tablets e smartphones, junto com o desenvolvimento do HTML5 e do ePub3 [que é baseado na versão mais recente do HTML] enquanto padrões para a criação de e-books, permitirão mais recursos visuais e ferramentas de leitura – por exemplo as ferramentas típicas de rede social aplicadas aos livros. O desafio do editor é descobrir justamente como usar esses recursos e qual a melhor forma de entregar o conteúdo, num mar de possibilidades. E defendeu que os editores trabalhem com sistemas abertos.

Em seguida, o gaúcho Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo, monopolizou a atenção da plateia com bom humor e falas incisivas [“No Rio Grande do Sul, nós não somos grossos, somos enfáticos”, brincou]. Ele alertou os editores para a falta de qualificação existente hoje para a produção de e-books no país, e bateu muitas vezes na tecla da qualidade – do conteúdo e de sua apresentação.

Para ele, a qualidade deve ser condição sine qua non, mesmo que os livros digitais ainda não vendam em grande quantidade no Brasil. “Fazer [e-books] mal feito só porque não vende mesmo…não dá. E se vocês editores não fizerem e-books, alguém vai fazer por vocês. E tem muito pirata fazendo”, disse. Ele ressaltou o problema da pirataria, abordando casos recentes, e sugeriu que as editoras se unam para combater a prática de maneira mais efetiva.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 11/05/2012

Congresso do Livro Digital começa com 450 inscritos


Plateia lota auditório na capital paulista para ouvir, em dois dias, diversos palestrantes brasileiros e internacionais

Começou hoje pela manhã o 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital com 450 inscritos, que lotaram o auditório do Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. Até o fim da tarde de amanhã, 23 palestrantes [sendo 13 internacionais] farão palestras sobre vários temas ligados ao mundo da publicação digital. E ainda, na tarde de hoje, 17 teses científicas sobre o tema serão apresentadas, contra nove no ano passado.

A primeira palestra foi conferida YoungSuk Chi, presidente da International Publishers Association [a associação internacional de editores], que resumiu sua mensagem da seguinte forma: “O valor do conteúdo percebido pelos consumidores está caindo, porque conteúdo parecido, bom o suficiente, está disponível na internet de graça. O que quer dizer que nós, editores, temos que criar valor agregado, e uma experiência de leitura, para aumentar a percepção de valor”.

Para Chi, a definição de uma editora como uma empresa que fornece conteúdo impresso está totalmente ultrapassada. Mais do que nunca, o papel do editor deve ser o de selecionar conteúdo relevante – num mar cada vez maior de informações – e oferecê-lo de maneira a criar uma experiência significativa para os leitores, nas diferentes formas possíveis. “Temos que fornecer a informação certa, para a pessoa certa, no contexto certo, e fazer as três coisas ao mesmo tempo.” Palavras como “visionário” e “criador de mercado” deveriam definir o editor de hoje, defende Chi.

O presidente da IPA acredita que não importa o tamanho do conteúdo criado, mas sim a forma como ele é apresentado. “Se a série Harry Potter tivesse sido publicada em um único livro, ela não teria sido lida. Mas ela foi separada em vários livros, todos capazes de fisgar os leitores.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 10/05/2012

Direitos em discussão


Palestrantes do Congresso CBL do Livro Digital ressaltaram as questões em aberto sobre direitos autorais e reprográficos no mercado digital

Direitos autorais e reprográficos são um dos muitos polêmicos assuntos – e frequentemente apontados como os mais importantes – dentro do mundo de publicações digitais. As perguntas vão desde quanto um autor deve receber pelo e-book vendido até como os países estão revisando suas leis a respeito da reprodução de conteúdo, e quais efeitos essas revisões terão.

Em palestra no Congresso CBL do Livro Digital, hoje [10] pela manhã, Lynette Owen, diretora de copyright da Pearson Education na Inglaterra, ressaltou que ainda há muita discussão sobre a porcentagem de royalties a ser paga sobre as vendas de e-books. “Os autores ainda sentem que a venda do e-book substitui a da cópia física, e que estão recebendo uma parcela inadequada como direito autoral”, disse. Segundo ela, no Reino Unido, quando o modelo de venda é o do agenciamento, os autores têm reivindicado 50% de royalties sobre a venda líquida dos livros, e já chegaram a requisitar até 75%. “Claro, as editoras contestaram essa remuneração, porque seria impraticável, mas é um assunto em discussão.” Outra questão relevante, segundo ela, é que os autores sentem que podem publicar sem editoras. “Muitos já começam a considerar a autopublicação – com o serviço da Amazon, por exemplo, eles podem ganhar 70% de royalties.

Curiosamente, essa realidade vale para o mercado de livros trade. No mercado de livros didáticos, a situação é diferente. Em sua própria experiência na Pearson Education, Owen contou ao PublishNews que o mercado digital ainda não alterou a remuneração de autores do segmento educacional. Isso porque os didáticos físicos ou digitais da Pearson no Reino Unido, por exemplo, têm o mesmo preço (ao contrário do segmento trade, onde e-books geralmente custam menos), e a remuneração dos autores nos dois casos é feita com base nas vendas líquidas já há muitos anos.

Ela ressalta que uma das grandes preocupações hoje é com possíveis mudanças na legislação sobre a reprodução de cópias da Inglaterra. “Está em discussão no país uma nova lei de direito reprográfico [copyright] que pode ser desastrosa, porque propõe muitas exceções para a reprodução gratuita de conteúdo”, disse. Atualmente, segundo ela, as editoras inglesas fornecem licenças que permitem a reprodução de 5% de um livro, ou então de um capítulo, para uso em salas de aula. Mas a nova lei de direitos reprográficos em discussão no parlamento pode vir a liberar cópias de até 30% das obras.

As revisões desse tipo de legislação estão acontecendo em vários lugares do mundo, impulsionadas pelo mercado digital, como Canadá, Itália, Austrália, Índia e Reino Unido, pontuou Jenns Bammel, secretário geral da International Publishers Association, que participou da mesa com Owen pela manhã. As discussões, segundo ele, dizem respeito a quais medidas técnicas de proteção devem ser aplicadas ao conteúdo, DRM, como devem ser as licenças para reprodução de obras e quais são as exceções para o uso de conteúdo sem pagamento de direitos.

Bammel aproveitou para provocar o Brasil. “O Brasil tem estado quieto – e quando fez barulho, foi assustador. Por que o Brasil não está na discussão mundial sobre direitos autorais e reprográficos?”, perguntou. “Será que o governo aqui não se importa com a indústria? Será que eles entendem a indústria editorial?

Bammel ressaltou que a indústria editorial é maior do que a indústria cinematográfica e fonográfica juntas. “Minha mensagem é que vocês [editoras] mostrem quão grande são e façam o governo entender a importância de criar políticas para a indústria”, disse à plateia lotada.

O assunto é fundamental também na visão de Henrique Mota, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que proferiu a primeira palestra da tarde sobre o desenvolvimento econômico do livro digital em território europeu. “Enquanto a legislação não garantir a proteção do copyright, vai demorar para que o e-book decole na Europa. Esse é o assunto mais importante da indústria”, afirmou. Segundo ele, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu veem a necessidade de reforçar a legislação a esse respeito.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/05/2012

Nielsen mais perto de lançar o BookScan no Brasil


Presidente da empresa diz que já há contratos fechados com livrarias nacionais para coletar informações sobre vendas de livros

A Nielsen está mais próxima de implementar o BookScan no Brasil, o serviço da companhia que levanta dados sobre vendas de livros e já é usado em vários países, disse o presidente da Nielsen Book, Jonathan Nowell, em entrevista ao PublishNews. Segundo o executivo, que proferiu uma palestra no primeiro dia do Congresso CBL do Livro Digital, a empresa já fechou contratos com algumas livrarias brasileiras e está em negociação com outras para começar a coletar informações sobre o mercado nacional. “Ainda não temos uma data para lançar o BookScan aqui. Mas na Índia, por exemplo, que é um mercado mais complexo e desorganizado que o brasileiro, implementamos [o serviço] em seis meses”, afirmou Nowell.

O acesso às informações coletadas pela Nielsen é pago. Além de congregar os dados dos pontos de venda, o serviço permite fazer análises do mercado por gêneros, períodos de venda, regiões geográficas etc. O BookScan já existe em países como EUA, Reino Unido e Austrália, além de Índia e na China, países onde foi implementado mais recentemente.

Nowell falou no congresso da CBL sobre “Vendas globais de livros e a importância dos metadados”, e mostrou números para comprovar que quanto mais dados uma editora disponibiliza sobre seus títulos, mais as vendas sobem. Segundo o levantamento apresentado por ele, editoras que passam a fornecer dados completos – conforme o padrão da Book Industry Communications, há onze dados básicos, como título, imagem de capa, disponibilidade e ISBN, e quatro “aprimorados”, ou “enhanced” – aumentam em 35% suas vendas “offline”, fora da internet, e em 178% as vendas on-line. “Quanto mais ricos os metadados on-line, mais vendas, porque a informação melhora muito a descoberta dos livros na internet”, disse. O estudo completo da Nielsen sobre o tema pode ser acessado aqui.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/05/2012