O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

O barato da leitura virtual 


Enquanto grandes editoras optam por praticar uma política de preços padronizada, ainda que haja exceções, pequenas editoras chegam ao mercado com o objetivo de trabalhar com o livro digital a um valor reduzido. A política de editoras como a Companhia das Letras e a Record é clara: o livro digital custa aproximadamente 30% menos do que sua versão física. Essa redução corresponde à economia das empresas ao eliminar do processo editorial o papel, a gráfica e a logística de distribuição.

Por outro lado, editoras que trabalham apenas com livros virtuais possuem política diferente na hora de formar o preço de seus produtos. Sem precisar se preocupar com os custos que envolvem uma obra feita em papel, as atenções se voltam para outros fatores. “A questão para a gente é ganhar o leitor por impulso. É difícil você decidir fazer o download de algo caro na internet. Você tem de olhar, comprar e pronto“, diz Schneider Carpeggiani, editor da Cesárea, cujos primeiros títulos lançados foram “Polaróides – E Negativos das Mesmas Imagens”, de Adelaide Ivánova [R$ 7,00] e “Aspades ETs Etc”, de Fernando Monteiro [R$ 6,50].

Por Rodrigo Casarin | Valor Econômico | 18/07/2014

Amazon e Samsung firmam acordo para eBooks


A partir de hoje, usuários da marca coreana podem baixar um e-book grátis por mês

Amazon e Samsung anunciaram um acordo global para lançar a versão exclusiva do Kindle para usuários  Samsung. Com isso, a marca coreana abandona os seus planos de aquisição de conteúdos de e-book e delega à Amazon a tarefa. Uma novidade para usuários Samsung é que, a partir de hoje, eles poderão baixar de graça um título por mês. A escolha é feita entre quatro e-books mensais. Em abril, já estão disponíveis para os brasileiros O Continente – volume 1  [Companhia das Letras], de Érico Verissimo; 1494 [Globo Livros], de Stephen R. Brown; Casei. E agora? [Literata], de Tatiana Amaral e Memorização e aprendizado acelerado [A Arca Livros], de Miguel Angel Perez Corrêa. O aplicativo Kindle para Samsung já pode ser baixado em smartphones e tablets que operam a partir da versão 4.0 do sistema operacional Android.

No comunicado sobre a parceria, Lee Epting, vice-presidente da Samsung Media Solution Center na Europa, disse: “estamos muito satisfeitos em aprofundar nosso relacionamento de longa data com a Amazon e oferecer o Kindle para Samsung como aplicativo perfeito para leitura em um dispositivo inteligente. Com este serviço, demonstramos nosso compromisso de criar e ampliar parcerias de conteúdos-chave que proporcionam experiências ricas e personalizadas para nossos clientes”.

Um dos livros do mês é o 1494, oferecido pela Globo Livros. Para Mauro Palermo, diretor executivo da editora, nessa parceria, todos ganham. “É um ganha-ganha: a editora melhora a exposição do livro em troca da cessão de um título gratuito. É uma ação com a qual a gente acaba tendo uma maior flexibilidade e não há um investimento alto. A Amazon tem sido um parceiro muito eficiente”, comentou Palermo.

Um movimento semelhante, guardadas as devidas proporções, aconteceu em fevereiro, quando a Kobo assumiu os clientes da Sony, logo depois do fechamento da Reader Store, criada pela empresa japonesa.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

O Iba completa dois anos no mercado


Para marcar a data, plataforma coloca mais de 100 obras em promoção

iba, plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital, completa dois anos de lançamento em março e, para comemorar, oferece aos leitores descontos que alcançam até 88% em mais de 100 publicações, entre e-books e revistas. “Para conseguirmos oferecer os descontos agressivos, fechamos parcerias com as principais editoras do país, como Ediouro, Arqueiro, Record, Elsevier, Planeta, Novo Conceito, Companhia das Letras, Universo dos Livros, Cosac Naify e Rocco”, afirma Michelle Ramos, gerente de marketing do iba. A promoção vale só até hoje.

PublishNews | 12/03/2014

Os bastidores do eBook


Interessados no processo de produção de livros digitais terão, a partir de segunda, uma nova fonte de informação: o blog Colofão [www.colofao.com.br]. Lá, serão publicados textos de profissionais que trabalham com e-books dentro das editoras brasileiras como Antonio Hermida [Cosac Naify], Joana De Conti e Lúcia dos Reis [Rocco], Josué de Oliveira [Intrínseca] e Marina Pastore [Companhia das Letras].

*

Aqui ou no exterior, a discussão acerca do livro digital é quase sempre feita por especialistas que não participam do dia a dia das editoras – e por isso a iniciativa do Colofão é ainda mais bem-vinda.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 22/02/2014

Pelas redes sociais, leitores influenciam produção de livro


Público participa sugerindo títulos a serem comprados, escolhendo capas e interferindo até na agenda de lançamento

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/pelas-redes-sociais-leitores-influenciam-producao-de-livros-11143634#ixzz2pFyuonL1  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação

RIO – O mercado editorial é como um cassino. Nele, se investe muito dinheiro em leilões acirrados para a compra de títulos, que não passam de apostas, já que ninguém sabe qual livro pode ser o próximo best-seller, e o risco de prejuízo é grande. As editoras, claro, fazem o possível para dar uma forcinha ao imponderável. E a cartada da vez é ouvir quem faz as contas fecharem: os leitores. Pelas redes sociais, as editoras brasileiras têm se dedicado a acolher sugestões, que vão dos títulos a serem publicados, passando pela agenda de lançamentos, a melhor tradução, a melhor capa e até estratégia de divulgação, entre outras etapas do processo editorial.

Pela idade dos leitores, esse tipo de iniciativa se concentra, sobretudo, nas obras infantojuvenis e “young adult” [jovens adultos]. Segmento que está entre os maiores fenômenos de venda no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo números da GfK, multinacional que pesquisa o mercado livreiro no país, o setor foi o que mais cresceu do ano passado para cá, com um aumento de 24% nas vendas em livrarias. Não à toa, todas as grandes editoras do país têm selos voltados para o gênero.

“O livro é lançado com mais respaldo”

Em um mercado tão disputado, uma das vantagens da interação com os leitores é criar um filtro a mais. Todo grande grupo editorial contrata “scouts”, olheiros bem informados sobre as novidades internacionais, que sugerem a compra de títulos, muitas vezes superdisputados em leilões. A competição é tanta que, em alguns casos, os direitos são comprados antes mesmo de o livro ser escrito pelo autor. Mas nem tudo cai na rede do “scout”. E é aí que entram as sugestões do público.

— Os leitores estão concentrados no que está sendo lançado agora [no exterior]. É bom lembrar que os scouts trabalham com material inédito e muitas vezes sigiloso. Acho que os papéis dos dois se complementam. É ótimo receber uma dica que dá certo — diz Ana Lima, editora do selo Galera, da Record. — E é melhor tomar decisões assim. O livro é lançado com mais respaldo, fica mais interessante para as livrarias, e muitas vezes a expectativa impulsiona a pré-venda.

Diferentemente de outros editores, Ana costuma, ela mesma, trocar mensagens com leitores, não só pela página da Record no Facebook, mas também em seu perfil pessoal. Ana já até conhece alguns pelo nome, de tantos recados que recebe. Foram dicas recebidas assim que levaram a Record a publicar “Mass Effect — Revelação”, do canadense Drew Karpyshyn, baseado no game de mesmo nome.

Diante do novo cenário, há quem priorize a escalação de editores com presença já forte nas redes sociais. A Casa da Palavra, por exemplo, acaba de contratar o escritor Affonso Solano para ser curador do selo Fantasy, na vaga aberta com a ida de Raphael Draccon para a Rocco. Solano, que tem mais de 30 mil seguidores no Twitter, é o criador do podcast “Matando robôs gigantes”, no site Jovem Nerd. E já está pensando em usar a web a seu favor.

— Vamos fazer um concurso pela internet para escolher um novo autor de fantasia. A editora estava com muitos originais recebidos, e essa interação será um jeito de resolver isso — conta ele.

Há casos em que a pressão dos leitores pesa mais até do que as vendas. No ano passado, por exemplo, a Sextante havia lançado “Como se livrar de um vampiro apaixonado”, da americana Beth Fantaskey. As vendas não haviam sido muito expressivas, lembra Mariana de Souza Lima, editora do selo Arqueiro, mas a reação dos leitores foi tão boa que a empresa resolveu publicar a sequência.

— Aprendemos muito com o Paulo Coelho [autor da Sextante], que tem uma presença muito forte nas redes sociais. Trata-se de um filtro superespecializado, porque falamos com pessoas que também vão comprar o livro — diz Mariana.

A Sextante mantém um grupo no Facebook chamado “Romances de época”, que reúne fãs do gênero histórico, normalmente mulheres. Recentemente, recebeu blogueiras na editora, com sugestões de dez autoras para serem publicadas. Sem revelar nomes, Mariana afirma que decidiu comprar duas.

— É um mercado que cresceu tanto, que é difícil para um scout mapear tudo. Tem muita coisa que escapa. Também porque os scouts estão focados nos lançamentos mais disputados. Mas há séries que não têm tantos holofotes. São leitores especializados, têm um olhar muito valioso. E trazem opiniões sempre fortes e bem fundamentadas — diz Julia Moritz Schwarcz, publisher do selo Seguinte, da Companhia das Letras.

Julia lembra que, com o olhar dos leitores de hoje, dificilmente a Companhia das Letras teria perdido a chance de publicar Harry Potter no fim dos anos 1990. Em um caso já folclórico do mercado editorial brasileiro, a editora rejeitou o original, depois de receber um parecer negativo — e o sucesso de vendas caiu nas mãos da Rocco. Hoje, diz a publisher, os pareceres do selo Seguinte são encomendados a leitores da faixa etária do livro em questão.

Tradução por e-mail

Julia destaca ainda que a influência das redes sociais chega mesmo à produção gráfica. Como se trata de um público que gosta de colecionar, às vezes os leitores sugerem até o formato. Foi o caso dos romances da série “Bloodlines”, que surgiu a partir de “Academia de vampiros”. Os leitores pediram que os novos livros tivessem 23cm x 16cm, para “ficarem bonitos” na estante. No segmento de infantojuvenis, também já é comum a escolha da capa passar pelo crivo do público. A Rocco, por exemplo, lançou “O chamado do cuco”, da inglesa J. K. Rowling com a mesma capa da edição britânica, a pedidos.

Danielle Machado, editora da Intrínseca, lembra até que já recebeu e-mail com uma tradução prontinha de um livro inteiro. E conta que há casos em que a agenda de lançamentos também é influenciada por pedidos. Com o livro “A casa de Hades”, do americano Rick Riordan [o sexto mais vendido de 2013 entre os infantojuvenis, segundo o portal de notícias do setor Publishnews], a Intrínseca precisou correr para lançar o romance ao mesmo tempo que nos Estados Unidos.

— É uma coisa que eles sempre pedem. É difícil, porque precisamos receber os originais bem antes. Mas a força dos fãs até nos ajuda a negociar esse tipo de acordo com os agentes — diz Danielle.

Por Maurício Meirelles | Publicado originalmente em O Globo | 24/12/2013 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Livraria digital brasileira Moby Dick fecha acordo com Companhia das Letras


A Moby Dick, livraria digital brasileira que trabalha exclusivamente com e-books, fechou acordo com a Companhia das Letras para incluir 800 títulos da editora em suas estantes virtuais. A Moby Dick conta agora com 15 mil títulos de livros digitais, disponíveis para vários tipos de e-readers. Sua meta é chegar a 18 mil títulos até o fim do ano. A livraria virtual foi criada há quatro meses e distribui livros de mais de 250 editoras brasileiras e estrangeiras.

Mobile Time | 01/11/2013 às 20h26

Mercado editorial brasileiro: crescimento e cultura digital


Segundo dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, lançada em 2012, há 88,2 milhões de leitores no país, de um total de 178 milhões de brasileiros com mais de cinco anos de idade. São considerados leitores, segundo um critério internacional, pessoas que leram pelo menos um livro nos últimos três meses. E apesar de o número de leitores ter diminuído em relação à última pesquisa realizada em 2007, os resultados registram que 49% dos atuais leitores afirmam estar lendo mais do que leram no passado. Esse aumento do volume de leitura pode explicar o crescimento das vendas de livros nos últimos anos. Segundo a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, divulgada em julho de 2012, as editoras brasileiras tiveram um aumento de 7% nas vendas com relação a 2010. No período, também houve um aumento do número de publicações em torno de 6%.

E a diversidade marca esse panorama: com quase 500 editoras atuantes no mercado, sejam nacionais, internacionais ou de capital misto, e também com muitos autores nacionais conceituados, o mercado no Brasil tende a crescer. “O mercado editorial brasileiro vem crescendo e se profissionalizando, acompanhando o desenvolvimento econômico do país sobretudo nos últimos 20 anos. Isto se revela no aumento do número de editoras e livros publicados, assim como do padrão de qualidade dos serviços e produtos; no interesse crescente dos grandes grupos internacionais pelo mercado interno; na maior visibilidade que os autores brasileiros vem conquistando no exterior; e no oferecimento de cursos específicos voltados para trabalho editorial”, analisa o editor Cide Piquet, da Editora 34.

Projetos editoriais para públicos diferentes

Ao lado das grandes editoras, como a Companhia das Letras, Objetiva e Martins Fontes, por exemplo – com catálogos grandes e heterogêneos – destacam-se no também aquelas de perfil mais específico, como é o caso da Cosac Naify. “Ocupamos um nicho de mercado de livros de alta qualidade editorial, respondendo por um catálogo de valor literário e de referência para as distintas áreas em que atuamos. Nosso público vem do meio cultural e universitário, leitores exigentes em geral”, explica Florencia Ferraria, diretora editorial da Cosac Naify.

O público acadêmico é também um dos principais leitores da Editora 34, que tem um catálogo focado nas áreas de filosofia contemporânea, sociologia, estudos literários, música e literatura, tanto nacional como estrangeira. Outro exemplo de editora com perfil específico é a Zarabatana Books, voltada para a publicação de quadrinhos autorais, cujo público vai além dos leitores habituais de HQs. “Do ponto de vista de nossa linha editorial, vejo o mercado brasileiro em grande expansão, com o surgimento de novos talentos nacionais assim como a publicação de HQs de diversas partes do mundo, tanto de clássicos como de novos autores. Atualmente existe também o reconhecimento e a valorização dos quadrinhos por entidades públicas brasileiras, através de programas de apoio à edição e compra de obras para bibliotecas escolares”, diz Cláudio Martini, editor da Zarabatana Books.

Nesse mercado de nichos, não se pode esquecer das pequenas editoras, que publicam jovens escritores, como é o caso da Não Editora, da Patuá, da Demônio Negro e d’A Bolha, entre outras. Essas editoras têm um papel bastante importante não só em lançar nomes, que mais tarde irão se fixar no mercado em editoras de maior porte, mas também em criar um público para as novas gerações de escritores.

Formato digital

Não há como falar hoje em mercado editorial sem pensar nos livros digitais. Ainda recentes no Brasil, os e-books já começam a trazer resultados para as editoras. A primeira empresa de tecnologia para leitura digital a entrar no mercado brasileiro foi a Kobo, em parceria com a Livraria Cultura. Hoje, porém, livros digitais em português podem ser adquiridos na Amazon, Apple e Google. E as principais editoras do país já colocaram o pé no digital: a Companhia das Letras, por exemplo, tem um catálogo de mais de 600 e-books, incluindo literatura brasileira e estrangeira. Rocco, Objetiva, Record e Zahar também oferecem um catálogo grande e variado de publicações digitais.

Para entrar nesse mercado, em 2011, a Editora 34 fez uma experiência: lançou a Nova antologia do conto russo, na íntegra e em e-book, mas também em partes, ou seja, cada conto poderia ser comprado separadamente. “A recepção foi muito boa. O conto Depois do baile, de Tolstói, chegou a ficar na lista dos mais vendidos da Livraria Cultura”, conta Piquet. Entre os critérios da editora para a escolha dos títulos para publicação digital estão a relevância do título, a viabilidade do contrato e a adequação ao formato. Fazem parte das próximas ações digitais da 34 o lançamento de títulos de não-ficção e também de títulos esgotados no catálogo convencional.

Mais recentemente, em abril deste ano, a Cosac Naify lançou seus primeiros e-books. “Nossas edições procuram trabalhar com os melhores tradutores e oferecer aparatos de especialistas do tema, além de material extra para que o leitor possa ampliar seu conhecimento em relação ao texto principal. Parte desse material editorial se mantém nos e-books”, esclarece Florencia Ferraria.

O papel das feiras

Se por um lado o mercado está aquecido, por outro, ainda há um grande desafio: conquistar um público leitor maior. Além das escolas e universidades, cumprem parte desse papel as Feiras do Livro e eventos literários, como a Festa Literária de Paraty, no Rio de Janeiro; a Jornada Literária de Passo Fundo e a Feira do Livro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; a Bienal do Livro e a Balada Literária, ambas em São Paulo. São eventos que aproximam leitores e autores em palestras e sessões de autógrafos.

Não menos importantes são as feiras no exterior, que contribuem para a internacionalização dos autores brasileiros e também como cenário comercial para as editoras nacionais. “Para nós, mais do que uma oportunidade de realizar negócios, a participação em feiras importa como momento intenso de relacionamento com parceiros e de abertura de projetos para o futuro. O interesse pela literatura brasileira, em especial contemporânea, vem crescendo”, relata Florencia Ferraria.

As feiras também são importantes para os editores que buscam autores de outros países para tradução. A editora Cosac Naify, por exemplo, tem 32 obras traduzidas do alemão para o português, enquanto a Editora 34 já contabiliza 30 obras cujo original é alemão. “Em virtude da Temporada Alemanha – Brasil 2013/2014, temos mais cerca de seis títulos previstos para breve. O programa de apoio à tradução e as parcerias com o Instituto Goethe, de modo geral, são um grande incentivo para a realização de um projeto como esse”, afirma Piquet. Com a participação do Brasil como país convidado da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, esse diálogo entre os mercados editoriais tende a crescer, ampliando o número de traduções e aquecendo o mercado de ambos os países.

Por Camila Gonzatto | Goethe Institut | Publicado originalmente em Brasil que Lê | 06/07/13

Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Não é fácil medir o impacto que resenhas da internet têm sobre a venda de livros, mas um exemplo permite entender por que editoras têm investido nesse cenário.

O juvenil “A Seleção”, de Kiera Cass, lançado há sete meses pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa. Mas foi resenhado por blogs como o Garota It e o Literalmente Falando, que recebem uns 100 mil acessos por mês cada um.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca.

É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles“, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro‘”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras. “E não basta escrever bem, tem que ser bom blogueiro, interagir com leitores, o que dá trabalho. É isso o que traz audiência.

Os livros avaliados tendem a diferir daqueles que frequentam cadernos de cultura. Embora blogs como o Posfácio priorizem não ficção e literatura adulta, predominam entre parceiros de editoras os juvenis, femininos e de fantasia.

Costumamos dizer ‘esse livro funciona para blog’ e ‘esse funciona para a imprensa‘”, diz Tatiany Leite, 20, analista de comunicação na LeYa e fruto desse cenário -foi trabalhar na editora após se destacar com o blog Vá Ler um Livro.

A proximidade dos blogs também serve para as editoras conhecerem seu público, com estatísticas. Segundo a Instrínseca, 82% de seus blogueiros são mulheres e 63% moram na região Sudeste.

Dos 779 que disputaram vagas em janeiro na Companhia das Letras, a maioria tem de 20 a 24 anos [30%] e diz ler de 51 a 70 livros ao ano [22%]. Isso num país em que a média anual é de quatro livros incompletos, segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2012.

INDEPENDÊNCIA

Um ponto delicado diz respeito à independência de blogueiros que fecham acordos com editoras ou daqueles que fazem resenhas pagas.

O paulista Danilo Leonardi, 26, que desde 2010 comanda no YouTube o Cabine Literária, com resenhas em vídeo, diz não ficar constrangido de avaliar negativamente obras de editoras de quem é parceiro.

A partir do momento em que dediquei meu tempo ao livro, me sinto no direito de falar o que achei. Mas já aconteceu de eu desistir de resenhar um livro que achei ruim de uma editora menor, para evitar prejudicá-la.

Cobrar por críticas seria antiético, considera ele, que fatura só com vídeos não opinativos –recebe até R$ 700 por entrevistas com autores independentes. A meta de Danilo, servidor da Caixa Econômica Federal, é fazer do Cabine seu ganha-pão.

A tradutora carioca Ana Grilo, 37, que mora na Inglaterra, assina com uma amiga o blog The Book Smugglers [os contrabandistas de livros], escrito em inglês, e colabora como resenhista para o Kirkus Review, que cobra até R$ 1.000 por resenha.

Diz que o pagamento não altera resultados. “Temos controle sobre o que escrevemos. Raramente damos nota acima de oito para os livros.

Já em seu próprio blog, Ana resenha por hobby, sem cobrar. Aceita anúncios, que rendem até R$ 2.200 ao mês.

Os 110 mil acessos mensais do Book Smugglers a fazem receber, a cada mês, cem livros de autores e editoras, dos quais ela diz ler uns quatro por semana. “Lemos muita coisa ruim, mas também verdadeiros tesouros.

AMAZON E GOODREADS

Perder tempo com má literatura é algo que o empresário Donald Mitchell, 66, diz se recusar a fazer. Integrante do “hall da fama” de resenhistas da Amazon, ranking dos usuários que mais avaliaram livros no site, já publicou mais de 4.200 avaliações positivas.

A proficuidade e a benevolência lhe rendem um assédio de 40 pedidos diários de resenhas. “Digo aos autores que não vou resenhar se não gostar“, diz ele, que lê até três livros por semana e os resenha, por gosto, desde 1999.

Por anos, Mitchell pediu doações para a ONG cristã Habitat for Humanity em troca das resenhas. Chegou a levantar R$ 70 mil. “Nunca toquei no dinheiro, mas a Amazon reclamou e eu parei.

Ele se refere a uma mudança de regras da loja, em 2012. Ao perceber que o comércio de avaliações tirava a credibilidade desse espaço no site, deletou várias delas. Uma pesquisa da Universidade de Illinois constatara que 80% das resenhas na loja davam aos livros quatro ou cinco estrelas, as duas maiores cotações.

Outra prova de que a loja valoriza resenhas on-line foi a compra, em março, do GoodReads, rede de indicações de livros com 17 milhões de membros. Suzanne Skyvara, vice-presidente de comunicação do GoodReads, diz que a transparência é o segredo. “Mostramos quanta resenhas cada usuário faz e sua média de cotações.”

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filão para editoras


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Todo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon – por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Editoras estrangeiras passaram, em meados da década passada, a enviar livros para blogueiros resenharem, tal como já faziam com a imprensa. Em 2009, casas como Record e Planeta importaram a ideia, que logo ganhou jeitinho brasileiro: concursos tão disputados quanto vestibulares.

Nesse formato, as editoras criam formulários de inscrições e selecionam blogs após criteriosa avaliação da audiência e da qualidade dos texto. O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

No fim do ano passado, 1.007 blogueiros concorreram a cem vagas de parceiros da LeYa. Na Companhia das Letras, foram 779 candidatos para 50 vagas no semestre.
autorregulamentação

Aqui e no exterior, editoras e autores investem em anúncios ou posts patrocinados em blogs, que com isso chegam a faturar R$ 2.000 por mês.

Mas, no geral, cobrar por resenhas pega mal, e a autorregulamentação dos blogueiros é implacável. O blog americano ChickLitGirls cobrava R$ 200 por uma “boa avaliação” até ser denunciado por uma escritora. O bate-boca subsequente levou à extinção da página, em 2012.

Para se manter com cobranças, só mesmo sendo rigoroso, como a Kirkus, tradicional publicação de resenhas que, em 2004, passou a oferecer serviço de marketing para autores autopublicados.

As críticas no site podem custar mais de R$ 1.000 a autores e editoras interessados, e nem sempre são positivas. Quem contratou o serviço pode ler antes e abortar a missão caso a avaliação seja ruim. O dinheiro não é devolvido.

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

O preço dos exclusivos digitais


Das 388 pessoas que compraram “e-Quintana” desde 20 de novembro, quando o livro saiu pelo selo digital Foglio, da Objetiva, quase três quartos o fizeram na última semana pela Amazon. Vendido só como e-book, o volume de poemas de Mário Quintana pulou para o topo da lista de mais vendidos da Amazon após o site indicá-lo num de seus boletins informativos via e-mail a clientes, no domingo. Foram 278 unidades até ontem, média de 56 por dia. O preço baixo [R$ 4,75] ajudou.

Outras editoras também vêm investindo em títulos só para o digital, com menos texto e mais baratos. A Companhia das Letras lançou ontem “Discursos de Lincoln”, a R$ 1,99, e começa a publicar em fevereiro, pelo selo Paralela, “Porque Você É Minha”, de Beth Key, em oito partes [R$ 2,99 cada uma]. A Globo vem oferecendo contos de Monteiro Lobato a R$ 1,99.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 26/01/2013

Dezembro digital


A Companhia das Letras vendeu 400% mais e-books em dezembro de 2012 do que em dezembro de 2011. 400% é o que também representa o crescimento das vendas de um ano para outro. Os meses de novembro e dezembro foram os melhores: somando as vendas, ultrapassa-se com folga o total de e-books vendidos durante todo 2011. Os campeões foram Toda Sua, o pornô de Sylvia Day, e a biografia de Steve Jobs, de Walter Isaacson, que já tinha sido o best-seller do ano anterior.

Na Livraria Cultura, o crescimento também foi expressivo. Comparando dezembro de 2012 com o de 2011, a rede vendeu 250% mais e-books. Se o e-reader Kobo tivesse chegado um pouco antes, talvez os índices fossem ainda melhores. A primeira leva do leitor digital já está acabando, e outras remessas chegam para manter a Cultura na disputa com a Amazon.

O Estado de S. Paulo | 05/01/2013

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Linha de chegada


Amazon, Kobo e Google estrearam com pendências para não perderem a corrida dos livros digitais no país.

Após avisar editoras de que ficariam fora da estreia se não mandassem seus arquivos até terça, a Amazon entrou no ar inclusive sem títulos enviados meses atrás.

E alguns textos do site foram vertidos via tradutores on-line, caso de “Companheiro Inesperado”, de Toni Griffin. “Quebrando fora da cidade pequena, nunca Brian pensou que ele encontrar seu companheiro”, diz a sinopse do livro.

O Google estreou sem grandes editoras como Companhia das Letras e Ediouro, ainda em negociações.

E a Kobo pôde oferecer só 8.000 dos 15 mil e-books nacionais da Livraria Cultura, já que nem todos os arquivos em PDF foram convertidos ao formato ePub.

Mas a loja canadense teve bons números. Antes da estreia, já tinha vendido mil aparelhos de leitura. Desde quarta, 20% dos e-books vendidos foram para o novo aparelho.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 10/12/2012

Amazon chega ao Brasil


AmazonE a Amazon chegou ao Brasil. Apenas 5 horas da Kobo comemorar sua chegada ao Brasil em parceira com a Livraria Cultura, a gigante de Seattle abriu sua loja online na internet brasileira. A loja começou a subir às 00h20 desta quinta-feira e, em www.amazon.com.br, já é possível adquirir Kindles e e-books. O Kindle oferecido pela Amazon é um modelo básico, com WiFi, mas sem 3G ou touch screen. O custo: R$ 299,00. A Google consegui se antecipar e lançou sua livraria brasileira na Google Play às 00h05.

Entre os livros digitais oferecidos pela Amazon merecem destaque as obras de Ziraldo e Paulo Coelho. Uma edição de O Menino Maluquinho é usada para ilustrar as imagens de tablets e smartphones com os aplicativos da Amazon. Além disso, há uma edição gratuita de Os Haicais do Menino Maluquinho. Já Paulo Coelho possui uma página especial própria.

E foi uma longa caminhada desde as primeiras investidas no Brasil do peruano Pedro Huerta, responsável pela operação Kindle na America Latina, que começou a conversar com empresas brasileiras no início de 2011. As negociações não foram fáceis. O grupo Ediouro, por exemplo era, até muito recentemente, uma das editoras que não haviam fechado negócio com a Amazon. Até o último momento. “Fizemos o acordo”, confirmou na última quarta-feira, 5/12, Luiz Fernando Pedroso, vice-presidente do grupo, logo após assinar o contrato. “A expectativa é de que venham com tudo, mais uma varejista no mercado, e num mercado novo”, contou o executivo. A editora vai entrar no mercado digital com 500 e-books, entre os vários selos. Os contratos com a Saraiva e Kobo também foram assinados na mesma hora.

A editora Companhia das Letras confirmou semana passada o acordo com a varejista americana, após longa negociação: “Vimos uma série de detalhes, porque o digital é assim, tem que prever todas as situações possíveis, então acaba sendo muito demorado”, afirmou Fabio Uehara, responsável pelo departamento digital da editora. “Estamos bem animados nesse final de ano, após a onde de especulação, estamos aliviados que vai começar mesmo, a loja da Kobo está no ar, a da Apple também, eu acho que esse natal vai ser muito bacana”, completou Uehara. A editora está investindo pesado no digital, no início de 2010 eram 200 e-books, terminam o ano com 600 e esperam dobrar esse número em 2013. “Queremos publicar todos os lançamentos em e-book simultaneamente, estamos trabalhando no backlist, e pensando em novas possibilidades”, declarou Uehara.

Uma das editoras que estão mais presentes na chegada da Amazon é a Vergara&Riba, V&R, que começou as negociações do acordo com a Amazon logo no primeiro semestre desse ano. A chegada da varejista é promissora: a loja do Kindle tem uma página especial só para a série best-seller Diário de um Banana. O dois primeiros livros da série já estão a venda na loja, e semana que vem os números 3, 4 e 5 também estarão. “Estamos contentes com a entrada deles”, conta Sevani Matos, diretora da VR Brasil, “vai ser interessante ver como eles vão criar o mercado do Kindle no Brasil. É preciso fazer uma campanha de marketing para estimular a compra do e-reader aqui, para não ficar só na mão de um consumidor que foi no exterior e comprou o aparelho, depois de todo o trabalho de transferência para o ePub”. Outros títulos também estarão à venda, como a coleção Maze Runner, e a editora se prepara para um 2013 digital: “Estamos conversando com a Saraiva, e na sequência deve ser a Kobo”, prevê a diretora, “como tem essa limitação do aparelho é interessante estar no maior número de lojas virtuais possível”.

Fernando Baracchini, presidente da Novo Conceito, editora acionista da DLD, também está animado com a chegada da Amazon, e promete que a Novo Conceito terá presença forte na loja virtual.“É um marco, um divisor de águas, no mercado editorial vai ter uma era ‘antes da Amazon’ e ‘depois da Amazon’. E depois vai ser melhor, acho que é uma empresa séria, competente”, afirmou o presidente, que disse estar satisfeito com o acordo que a DLD fechou com a varejista, “foi bom para o mercado”. A editora de Baracchini está mergulhando de cabeça nessa nova fase do mercado, negociando com outros players como Apple, Google e Saraiva: “O Brasil está caminhando para um amadurecimento e o mercado editorial também está passando por isso. Quem está se preparando melhor para esses novos negócios no final das contas vai ter vantagem competitiva, vai valer a pena. Não tenho medo da chegada da Amazon, tenho entusiasmo”, concluiu o presidente.

A editora Intrínseca também se preparou para a chegada da Amazon e outros players internacionais “A Intrínseca tem orgulho de ser a única editora que lança o livro imediatamente no digital, junto com o livro físico, acredito que até o fim do ano que vem as vendas de e-books representarão 10% das vendas”, acredita Jorge Oakim, fundador e diretor da editora carioca. Para ele a chegada da Amazon é “uma oportunidade fantástica para o mercado editorial brasileiro, os livros vão ser mais baratos, a facilidade de compras vai ser maior. Vai ser ótimo para os leitores e, portanto, para as editoras também”, afirmou o editor, que fechou negócio com todos os outros players digitais, como a Kobo, Saraiva e Apple.

Por Iona Stevens e Carlo Carrenho | PublishNews | 06/12/2012

Amazon divulga domínio .br e deve chegar ao País


O endereço ‘amazon.com.br’ pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará

SÃO PAULO | A chegada da Amazon ao Brasil, especulada para o mês de dezembro, parece estar mesmo iminente: a empresa enviou a autores e editores um e-mail de confirmação com o endereço amazon.com.br – domínio brasileiro da gigante do varejo.

A mensagem foi revelada pelo escritor David Gaughran, que postou a imagem  em seu Twitter. O e-mail foi enviado autores e editoras recém-cadastradas no Kindle Direct Publishing, o programa de publicação próprio da empresa.

amazon.com.br

O site ‘amazon.com.br’ antes pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará. A varejista, no entanto, venceu a disputa pelo domínio em setembro. A empresa paraense mudou seu site para www.amazonet.com.br.

A divulgação do novo domínio reforça rumores de que a empresa chegaria ainda neste ano.

Por aqui, a empresa acaba de selar acordos com a Companhia das Letras, além de outros já firmados com a Distribuidora de Livros Digitais – que agrega Rocco, Novo Conceito, Planeta, Objetiva, Record, LPM e Sextante, Ediouro e Globo Livros.

A Cia das Letras afirmou em comunicado que seu catálogo de livros digitais – mais de 500 títulos – estarão acessíveis “em breve” nos leitores eletrônicos da Amazon, o Kindle.

Concorrência

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Em outubro, a loja virtual da Apple já começou a comercializar livros para brasileiros – além dos clássicos gratuitos do Project Gutenberg. Desde julho, o Google anunciava sua chegada ao País. No último mês, soube-se concretamente de acordos selados entre a empresa americana e editoras, mas não se confirma ainda a data de estreia do serviço no País.

Neste mês, a canadense Kobo [pertencente à japonesa Rakuten] fincando os pés no Brasil com sua parceria com a Livraria Cultura, anunciou o início das vendas do seu leitor eletrônico, previsto para o início de dezembro. O e-reader pode ser encomendado pelo site da livraria por R$ 399.

Conforme apuramos em julho, o mercado brasileiro já se prepara para a chega iminente da varejista americana, mas se mostra confiante. O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, à época dizia que não temia a sobreposição dos e-books ao livros tradicionais. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado”, afirmou. “Tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Por Redação Link | 30 de novembro de 2012, às 20h44

Companhia das Letras fecha com Amazon


Em nota, Cia. das Letras confirma contrato com a varejista americana

Companhia das LetrasEm nota, a Companhia das Letras anunciou que, “ao lado da iBookstore, da Apple, com a qual começamos a trabalhar no mês passado, e de dez livrarias nacionais – Saraiva, Cultura, iba, Gato Sabido, Travessa, Positivo, Curitiba, Leitura.com, Submarino e Buqui – agora assinamos também com a Amazon, que vai representar mais um canal importante de contato com os nossos leitores”. Ainda em nota, a editora complementa: “O acordo com a Amazon e nossas conversas com outros players internacionais representam mais um passo na expansão do nosso catálogo digital”.

PublishNews | 30/11/2012

Amazon assina contrato com as maiores editoras


Após cerca de três anos de negociações acirradas, a Amazon finalmente fechou acordo com as maiores editoras brasileiras para vender seus livros em formato digital, para leitura no Kindle. Na semana passada, a varejista americana assinou contrato com a DLD – empresa responsável pelos livros on-line da Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin. Além disso, está em negociações avançadas com a Companhia das Letras e a Globo Livros e mantém conversas com a Ediouro. A varejista americana também já tem em seu catálogo os livros da Melhoramentos, que edita as obras do escritor Ziraldo, segundo o Valor apurou.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 27/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Mercado começa a aquecer e Cosac se rende


A Cosac Naify, que até agora não tinha apostado no livro digital, se rende às novas tecnologias e contrata Antonio Hermida para cuidar dessa área. Ele, que deixa o cargo de gerente de produção de e-book da Simplíssimo, no Rio, e se muda para São Paulo, começou na Zahar, pioneira na edição digital. O momento é propício.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva e idealizador da DLD, a distribuidora de livros digitais formada pela própria Objetiva, além de Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM e, desde ontem, pela Novo Conceito, até o fim do ano o e-book terá uma participação mais efetiva no mercado de livros do Brasil. Isso porque essas e outras editoras estão assinando contrato com a Amazon – o vice-presidente da empresa está em São Paulo esta semana -, Apple, Google e Kobo. Sozinha, a Objetiva negocia com a Barnes & Noble para suas obras serem vendidas pela rede americana. O mercado, ínfimo em 2011 – segundo a última pesquisa Fipe Produção e Venda de Livros foram vendidos 5.235 e-books aqui em 2011 -, vem sendo lentamente aquecido. A Companhia das Letras, por exemplo, vendeu 9 mil e-books só no primeiro semestre de 2012.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 11/08/2012

Companhia das Letras reúne autores da Flip em eBook


Editora cria livro para download gratuito com os textos dos escritores que estarão em Paraty

Como um aperitivo de leitura para quem vai à Flip neste ano, a Companhia das Letras criou dois e-books gratuitos com trechos de livros de todos os autores da editora que participarão de eventos em Paraty, bem como textos de Carlos Drummond de Andrade, o homenageado da festa. Um dos livros digitais reúne trechos de Drummond, e mais 15 escritores: Carlos de Brito e Mello, Stephen Greenblatt, Teju Cole, Adonis, Jonathan Franzen, Suketu Mehta, Ian McEwan, Humberto Werneck, Laerte, Angeli, Rubens Figueiredo, Hanif Kureishi, José Luís Peixoto, Carola Saavedra e Annalena McAfee. É possível baixar o livro em ePub e em mobi [formato para o Kindle] no site da editora, por meio deste link. O outro e-book é dedicado inteiramente ao poeta mineiro: traz o Poema de sete faces de Drummond traduzido em seis idiomas por grandes nomes da literatura, e ainda um posfácio de Davi Arrigucci Jr., em português e em inglês. Para o download em ePub, clique aqui. Em Paraty, durante a Flip [4 a 8 de julho], a Casa da Companhia funcionará mais uma vez na Rua do Comércio, 8.

PublishNews | 03/07/2012

Pearson amplia Biblioteca Virtual


Serviço que disponibiliza livros digitais a universitários ganha novas editoras e ferramentas

Pearson lançou em abril a terceira versão da Biblioteca Virtual Universitária, expandindo os recursos e o número de editoras incluídos no serviço que dá aos alunos de ensino superior brasileiro acesso a livros digitais por meio de uma plataforma virtual.

Passam a compor o catálogo da biblioteca títulos das editoras Martins Fontes, Educs [da Universidade Caxias do Sul], Jaypee Brothers [multinacional especializada em livros médicos], Rideel e Companhia das Letras, que no ano passado vendeu 45% das ações para a Penguin, do grupo Pearson. Ao todo, são 13 editoras, incluindo a própria Pearson e outras como Manole, Contexto, IBPEX e Ática e Scipione [ambas da Abril Educação].

Lançada em 2005 com pouco mais de cem títulos, a Biblioteca Virtual agora soma 1,5 mil obras em 40 áreas do conhecimento. É o maior serviço desse tipo no Brasil, usado por pouco mais de cem instituições brasileiras de ensino superior que abarcam 2,2 milhões de alunos, segundo a Pearson. Para ter acesso à plataforma, as instituições pagam uma assinatura mensal por usuário, e estes têm acesso à leitura ilimitada dos textos digitalizados.

O concorrente mais conhecido da Biblioteca Virtual é a Minha Biblioteca, consórcio que foi formado em 2011 por Saraiva, Grupo A, Gen e Atlas, algumas das principais editoras acadêmicas nacionais, mas cujas operações ainda são tímidas perto do serviço da Pearson.

De acordo com Laércio Dona, diretor de negócios de ensino superior, idiomas e serviços educacionais da multinacional, a meta é ampliar o catálogo de títulos da em 30% até o fim de 2012. “Mas nosso objetivo não é aumentar tanto o número de editoras, porque com as que temos já conseguimos uma boa cobertura das várias áreas de conhecimento contempladas pelos cursos das instituições de ensino”, afirma.

A Biblioteca Virtual foi desenvolvida em parceria com a Digital Pages e, na sua versão 3.0, permite que os alunos façam comentários nos textos e compartilhem as anotações em redes sociais. O conteúdo também passa a estar disponível para acesso em tablets que operam no sistema Android [do Google] e iOS [da Apple]. Outra diferença é que os usuários agora podem imprimir parte das obras por meio do pagamento de uma licença, que remunera editora e autor.

A expectativa é que a demanda pelo serviço de biblioteca de livros digitais cresça significativamente graças a mudanças nas regras do Ministério da Educação. A Pearson também desenvolverá um serviço de biblioteca virtual para a educação básica, mas ainda sem data para estrear.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/05/2012

Companhia vende 1.200% mais eBooks em 2011


Em julho de 2010, a Companhia das Letras lançou seus primeiros doze e-books. Foi o início de um projeto que hoje engloba 200 títulos e mostra estar ganhando força. Segundo a editora, o número de livros digitais vendidos em 2011 cresceu 1.200% na comparação com o ano anterior.

A Companhia não revela as quantidades, mas, segundo Matinas Suzuki, diretor executivo da casa, o número de 2011 equivale ao volume de livros físicos comercializados pela editora numa Bienal de São Paulo, que é normalmente um dos eventos do setor que mais gera vendas. Nessa estatística, há de se levar em conta que os números de 2010 incluem apenas o segundo semestre do ano e que a base de vendas inicial era muito pequena, o que faz qualquer acréscimo em números absolutos ter mais peso percentualmente.

No entanto, para Suzuki, há motivos para encarar os resultados com otimismo. “Se levarmos em conta que ainda não existe um grande catálogo de e-books e que não há muitos e-readers em circulação no país, os números são uma surpresa e mostram que as mudanças talvez venham mais rápido do que estávamos imaginando”, afirma.

Uma das fontes do entusiasmo da Companhia das Letras é o e-book de Steve Jobs, a biografia, de Walter Isaacson, que se tornou o livro digital mais vendido no mercado brasileiro pouco tempo depois de ser lançado, em outubro.

“O livro ficou como marco de uma verdadeira mudança no mercado de e-books no país”, avalia Suzuki. Em média, a venda da versão eletrônica de um título equivale a cerca de 0,5% da venda de exemplares físicos, mas Steve Jobs conseguiu fechar 2011 com uma taxa de 2,7%. Jô Soares, com As esganadas, também teve um desempenho acima da média, segundo a editora. Os dois títulos tiveram um peso significativo na venda total de e-books da Companhia. Outros que venderam bem foram os três livros da trilogia Millenium, de Stieg Larsson. Confira abaixo a lista completa dos dez e-books da editora mais vendidos até agora.

1) Steve Jobs, a biografia, de Walter Isaacson
2) As esganadas, de Jô Soares
3) Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson
4) Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt
5) Caim, de José Saramago
6) O príncipe, de Maquiavel
7) A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson
8) A rainha do castelo de ar, de Stieg Larsson
9) Leite derramado, de Chico Buarque
10) Os últimos soldados da guerra fria, de Fernando Moraes

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 06/01/2012

Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon


Ao contrário do que aconteceu no mercado americano, a gigante Amazon está cedendo na ‘queda de braço’ com as editoras brasileiras. Inicialmente, a varejista americana queria vender os livros digitais com um desconto de 70% sobre o preço de capa do livro impresso. Depois, baixou para 50% e, ainda assim, as casas editoriais não aceitaram a proposta. As editoras querem que o abatimento seja de 30%, segundo o Valor apurou.

Ainda de acordo com fontes da área editorial, a varejista americana inicia sua operação de venda de livros no Brasil até meados do próximo ano. A Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] já liberou duas versões do leitor Kindle para venda no Brasil. Nos Estados Unidos, os modelos homologados são vendidos por US$ 79 e US$ 149, respectivamente. Procurada, a Amazon não respondeu aos contatos do Valor.

A última reunião entre a companhia e as editoras aconteceu na semana passada. Nesse encontro, as brasileiras reivindicaram também que o preço dos livros continue sendo definido pelas editoras. Nos Estados Unidos, a Amazon é quem determina o valor. Porém, no mercado americano houve uma quebradeira de importantes livrarias, como a rede Borders, em parte por conta dos descontos praticados pela varejista on-line. “Tivemos uma discussão muito produtiva e, no momento, estamos aguardando o envio de contrato para examinarmos as condições. Mas já deixamos bem claro que não queremos guerra de preço“, diz Marcos Pereira, sócio da Sextante, destacando que não pode dar mais detalhes por conta de sigilo na negociação.

As casas editoriais brasileiras mostraram-se unidas com a entrada da Amazon no país. Seis grupos editoriais (LPM, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante) criaram uma distribuidora que atuará como um acervo de títulos digitais. A nova empresa, batizada de DLD, terminará o ano com mil títulos. “A distribuidora é uma espécie de portal em que temos controle dos downloads. Seria um risco alto dar nosso acervo digital aos lojistas sem esse controle“, diz Sonia Jardim, vice-presidente da Record.

A Ediouro também tem atuado fortemente no mundo digital. No fim de 2009, a editora carioca criou uma nova empresa, chamada Singular, para digitalização de livros. Hoje, a Singular conta com um acervo digital de 150 títulos.

Um fator que tem dado poder às brasileiras é que a varejista americana ainda não atua no país. “Nos Estados Unidos, a Amazon já vendia livros em papel antes de começar a vender no on-line. Então, havia mais poder de barganha com as editoras locais. Aqui, é diferente porque a Amazon não existe e as nossas vendas continuam mesmo sem eles“, diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A questão do direito autoral também está gerando debates. Com a redução do preço do livro no varejo on-line, o percentual a ser pago para o autor da obra sobe dos atuais 10% [papel] para 20% em livros digitais. O mercado brasileiro ainda é tímido. Há cerca de 6 mil títulos disponíveis para leitores digitais, segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A Companhia das Letras, uma das maiores do mercado, por exemplo, vai encerrar o ano com 200 e-books, menos de 10% do catálogo.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 15/12/2011

Editoras ainda estudam como implementar formato no Brasil


Apesar das mudanças radicais no cenário americano, o formato de venda de HQs no Brasil ainda será o mesmo pelos próximos anos.

A Panini, que publica quadrinhos da DC no país, informou, por meio de sua assessoria, que estuda o formato digital, mas não tem nada a declarar no momento.

Se nos quadrinhos semanais o processo será mais lento, as graphic novels, obras mais complexas e vendidas em formato de livros, devem ser digitalizadas com maior velocidade.

Existe um caminho novo, que ainda estamos estudando. A possibilidade de unir os leitores por meio de aplicativos, comentários e redes sociais é algo muito interes-sante“, diz André Conti, da Companhia das Letras.

Segundo ele, os artistas também têm interesse na transposição, e há poucas dificuldades em transformar os quadrinhos de papel em obras digitais.

A Conrad, primeira editora a lançar quadrinhos no iPad, confia no formato. “Ele não vem para substituir o papel, e sim para complementar e trabalhar como uma nova forma de divulgação de vários artistas“, diz Rogério de Campos, diretor editorial da empresa.

POR LEONARDO MARTINS | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | São Paulo, quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Machado digital


Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis [1839-1908] após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas [1881], é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores [inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”], este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição foi baseada na primeira edição do livro, única em vida do autor, e traz um pequeno texto introdutório de “Na arca”, que Machado cortou quando publicou o conto em livro. A versão digital [em ePub] do livro recém-lançado pela Penguin-Companhia das Letras custa R$ 25.

PublishNews | 03/06/2011

Suspensão de blog com livros piratas cria discussão na web


Uma mensagem de violação dos termos de uso anunciou semana passada aos milhares de visitantes diários do blog Livros de Humanas a suspensão da página, que era hospedada pelo WordPress. Criado em 2009 por um aluno da USP, o blog formou em pouco mais de dois anos uma biblioteca maior do que a de muitas faculdades brasileiras. Até sair do ar, reunia 2.496 títulos, entre livros e artigos, de filosofia, antropologia, teoria literária, ciências sociais, história etc. Um acervo amplo, de qualidade, que podia ser baixado imediatamente e de graça.

Muitas pessoas, é claro, adoravam a página. Entre elas, no entanto, não estavam os editores dos livros reunidos ali. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização.

– É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente – diz o criador da página, que mantém anonimato, numa entrevista por e-mail. – Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.

O mesmo argumento foi defendido nos últimos dias no Twitter por intelectuais como o crítico literário Idelber Avelar, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a escritora Verônica Stigger e o poeta Eduardo Sterzi. Do outro lado da discussão, críticas à pirataria. A Editora Sulina, que vinha pedindo a remoção da página, falou em “apropriação indevida” e o escritor Juremir Machado escreveu: “Quem chama pirataria de universalização da cultura é babaca q ñ vende livro, mas quer q alguém pague a conta. Livro tem de ser barato e pago”.

O caso chama atenção para a ampliação da circulação de arquivos digitais de livros na internet, uma prática que dá novo sentido e escala à discussão sobre a circulação de cópias xerocadas no meio acadêmico.

Leia abaixo entrevista feita por email com o criador do Livros de Humanas.

Por que você criou o blog e como ele funcionava?

O blog nasceu no começo de 2009 [e saiu do ar na sexta-feira passada] para ser uma alternativa dos estudantes de letras da USP à copiadora que existe no prédio do curso e que tinha aumentado arbitrariamente em 50% [de 10 pra 15 centavos] o valor da cópia [o contrato de cessão de espaço com o Centro Acadêmico estabelece que a decisão deve ser conjunta]. No começo havia a ideia de colocar apenas os textos das disciplinas de cada semestre. Esta iniciativa surgiu sem vínculo algum com o CA, que nunca se manifestou sobre o blog. No começo recebi de alguns colegas os programas das disciplinas e procurava na net se já existia cópia digital dos livros no 4shared ou similares. Se eu não encontrava, mas tinha o texto, escaneava. Por isso, no começo o blog era mais próximo dos meus interesses acadêmicos [mais crítica literária do que linguística, p. ex.] Também recebia textos de outros colegas e assim criamos o blog. No primeiro mês tínhamos menos de cem textos. Com o crescimento deste número e das visitas o blog deixou de ser apenas algo relacionado ao curso de Letras da USP [apesar de ter mantido o nome por mais um ano] e se tornou um depositário de textos da área de humanidades. O blogue saiu do ar com exatos 2.496 arquivos – não necessariamente livros, porque colocávamos também capítulos de livros, alguns de livros que surgiram inteiros no blogue tempos depois.

Com isso meu critério passou a ser o seguinte: se alguém enviava o arquivo eu publicava, independente do ano de publicação e seu estado no mercado [se era lançamento ou texto fora de catálogo]. Porém eu só escaneio obra esgotada e que seja difícil de encontrar.

O perfil de seleção era bem básico: textos da área de humanidades ou correlatos. Tínhamos de obras do Will Eisner a livros sobre lógica. De autores brasileiros contemporâneos a material de ensino de língua estrangeira. De Sociologia a Ecologia. Majoritariamente entravam livros em português, mas tínhamos muitas obras em espanhol, inglês, italiano, alemão e francês.

Quantos usuários o blog tinha e qual o perfil deles?

No começo o público era quase que inteiramente uspiano. Nos últimos tempos era majoritariamente universitário, com visitas de todas as partes do globo. De estudantes de Nova Orleans [‘terra’ de um grande entusiasta do blogue, o professor Idelber Avelar] a visitantes dos PALOP [Países Africanos de Língua Portuguesa]. Pelos e-mails de pedidos que eu recebia dava para traçar um perfil mínimo: são estudantes de universidades brasileiras com péssimas bibliotecas. É comum eu receber pedidos do tipo “preciso do livro tal para minha iniciação científica mas não o temos aqui e vi no dedalus [sistema de consulta da USP] que a biblioteca da FFLCH tem”. Não consigo – pelos dados informados pelo WordPress – determinar quantos visitantes únicos o blog recebia diariamente. Nos últimos meses a média de pageviews/dia passava de 10 mil. Em um ano no WordPress [antes o blogue estava abrigado no blogspot] passamos dos 1,8 milhões de pageviwes, uma média de quase 5 mil/dia.

Antes desse episódio recente você já havia tido algum outro problema?

Sim. Desde o começo links são retirados do ar. E logo depois, claro, eu colocava de volta. Ficamos – eu e ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos] – neste gato e rato até o fim. Quando o blog ainda estava no Blogspot recebi do Google um aviso sobre infração às leis americanas de Direito Autoral. Daí mudei pro WordPress que é [ou achei que era] mais flexível. Algumas editoras me davam mais trabalho, como a Jorge Zahar e os livros do Zygmunt Bauman [“capitalismo parasitário” era o que tinha mais links retirados] mas nunca passou disso. Denúncia para os sites de hospedagem dos textos e livros. E é preciso dizer, apesar de óbvio, que não fui o responsável pela primeira disponibilização de quase todo o conteúdo do blogue. Mais procurei, editei e organizei num único centro os textos do que outra coisa.

Por que o blog saiu do ar?

Fora os e-mails da ABDR, nunca recebi nada de mais substancial. Nos últimos dias a Editora Sulina [inexpressiva, de quase 3 mil livros que tenho em casa apenas 3 são editados por ela] – seja por seu perfil ou de seu editor no Twitter – reclamou muito do blog e disse que tomaria medidas contra. E dias depois, sem aviso prévio, o WordPress retirou o blog do ar. E, se não me engano, temos 3, no máximo 5 livros dela. Honestamente, não sei apontar [até porque alguns – como os livros do Maffesoli, hoje editado pela Sulina – são de edições anteriores, como as da Brasiliense] quais são os livros reclamados. Editoras como a Companhia das Letras, que tem cópias de milhares de livros rodando na internet, nunca se manifestaram.

Algumas pessoas defenderam o blog dizendo que ele era como uma biblioteca pública. Concorda com a comparação?

Acredito que a comparação é ruim – posto que o blog é apenas um paliativo que nasceu das péssimas condições das bibliotecas públicas do país – porém não de todo despropositada. O blog era gratuito [tempos atrás fizemos um rateio com doações diversas para a compra de um hd para becape dos arquivos] e acessível para todos. Como uma biblioteca.

E o que você acha da crítica de que o blog desrespeita a legislação vigente?

Bem, é óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente. Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país. O blog é tão ilegal quanto a cópia xerox nas universidades os sebos de livros antigos. E sem sebo e xerox uma universidade não funciona. Das bibliotecas universitárias a Florestan Fernandes [biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP] deve ser uma das 3 ou 4 mais completas do país. E mesmo contando com determinada obra, o número de volumes é insuficiente.

Um exemplo prático: O livro “O demônio da teoria” ficou por anos esgotado [foi reeditado no ano passado – e eu comprei o meu exemplar!] e possuía 3 exemplares na Florestan. Emprestei o livro, escaneei e hoje milhares de outros estudantes tiveram acesso a um texto fundamental para o estudo da teoria literária. A revisão da lei é uma necessidade de nossos tempos. Acreditava muito em avanços durante a gestão Gil/Juca no MEC. Mas o retrocesso defendido por este ministério novo é assustador.

Sem uma revisão da Lei de Direito Autoral que tente equilibrar estas duas demandas teremos mais problemas como este. As editoras de livros preferem seguir o estúpido caminho das gravadoras. E, se não acordarem logo, terão o mesmo destino.

Como possível futuro autor de obras acadêmicas, você consideraria normal que seus livros fossem distribuídos de graça?

Claro! Ainda mais se eu estiver vinculado a alguma universidade pública. A questão não deve ser essa. É óbvio que o autor deve ter remuneração por sua produção. Mas não podemos aceitar como normal que o critério para acesso a um texto [que é produto de sua época e dialoga com toda uma tradição intelectual – seja de domínio público ou não] seja o econômico. Um estudante sem dinheiro para pagar R$ 100 numa obra deve ser desprezado? Acredito que o direito ao acesso e a difusão do conhecimento se sobreponha ao do autor de receber dinheiro por sua obra.

Outro exemplo prático: quando ingressamos na Letras-USP usamos em elementos de linguística o livro “Introdução à linguística” [volumes I e II] editado pela Contexto. O livro é organizado por um professor da USP e os autores dos capítulos são também professores da casa, todos contratados em regime de dedicação exclusiva, além de contar com verba da órgãos públicos [Capes, CNPq, fapesp] de fomento. É justo que este profissional exija de 850 ingressantes [isso só na USP, o livro é usado em outras Instituições de Ensino Superior também] a compra dos dois volumes? E, principalmente, quem recebe este dinheiro? Porque os autores [são mais de dez por livro] recebem centavos de cada edição vendida por quase R$ 40 nas livrarias. Outra situação comum [desculpe se me concentro muito na USP, mas é de onde sou e de onde vejo tudo]: livro escrito por pesquisador da USP, editado pela EDUSP ou pela Humanitas [editora da FFLCH] e sem exemplar nas bibliotecas da USP. Se não há cópia nas bibliotecas, por qual motivo não devemos copiá-los?

Por último, duas considerações. A primeira pessoal: Sem a contribuição de centenas de outras pessoas – sejam estudantes universitários ou não – o blog jamais existiria. Sou apenas quem procura na net, organiza os arquivos e escaneia dois ou três livros por mês. E, ao contrário do que acreditam editores como este da Sulina, sou do tipo que não possui e-reader, só usa xerox quando não tem jeito e ainda gasta meio salário mínimo por mês em livros físicos. O livro pirata não tira público do livro “oficial”. Não acho que a cópia pirata seja a responsável pelo número cada vez menor nas tiragens das editoras. Acredito no que disse o Gaiman quando veio pra Flip: “O inimigo não é a ideia de que as pessoas estão lendo livros de graça ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.”

A outra é de apoio político. Desde intelectuais do porte de Eduardo Viveiros de Castro e Idelber Avelar a novos pensadores e escritores como Eduardo Sterzi, Veronica Stigger e outros tantos [muitos deles seguidores do perfil do blog no Twitter] apoiam o blog. Todos os que citei aqui possuem obras no blog e deixaram de ganhar [segundo o cego argumento de alguns editores do país] algumas dezenas, talvez centenas, de reais. E não ficam bravos com isto. Pelo contrário, como certa vez tuitou o professor Avelar: “Piratearam meu 1º livro! Tá na net pra baixar. E eu, como autor, gosto disso: http://bit.ly/ikvMaR #PegaECAD”

Por Miguel Conde | Prosa Online | 29/04/2011

Com vendas pífias, editoras hesitam


É que nem festa de chefe, definiu certa vez um editor ao falar da entrada de sua empresa no mercado digital: você não morre de vontade de ir, mas também não pode faltar. Foi com essa sensação que as editoras nacionais deram, em 2009, os primeiros passos rumo ao eletrônico. De repente, todo mundo era novato. Ninguém sabia formatar um e-book, então os arquivos tinham de ser enviados para reformatação na Ásia, de onde voltavam sem acentos e sem pedaços do texto. Direitos autorais eram outros 500. Lançar velhas obras no novo formato? Só refazendo todos os contratos com os autores.

De lá para cá, parte razoável das editoras ganhou know-how, mas a comercialização de e-books segue pífia. Até o mês passado, por exemplo, a Sextante tinha vendido 100 mil cópias impressas de O Aleph, de Paulo Coelho, ante cerca de 100 digitais. Sem retorno, as casas hesitam em investir. Para se ter noção, na Livraria Saraiva estão à venda 2.500 e-books nacionais, ante 204 mil importados. A Companhia das Letras, que tem 20 títulos eletrônicos [de um catálogo de 5 mil obras], só apostou na área ao fechar acordo com a Penguin americana, pelo qual livros em parceria teriam de sair nos dois formatos. Um dos resultados dessa parceria, O Amante de Lady Chatterley, é o 10º e-book mais comprado na Cultura – que, como a Saraiva, não dá números dessas vendas [o motivo você pode imaginar]. Quase todo o resto da lista é de desanimar o leitor mais voraz: Como Lidar com Pessoas Difíceis, O Monge e o Executivo e por aí vai. Como acontece com os livros em papel, autoajuda e acadêmicos estão entre os mais procurados no País. E empresários, afinal, investem mesmo é no que vende.

Por Raquel Cozer | Redação Link | 27 de março de 2011 | Raquel é repórter e colunista do Sabático e assina o blog A biblioteca de Raquel no Estadão.com

Escritores veem canal de divulgação


Isolados no início da cadeia produtiva, os escritores podem ter no formato digital um canal amplificado para a divulgação de suas obras. “Mais do que isso, é uma oportunidade para que novas editoras surjam. Nada garante que as grandes editoras de hoje, que detém o poder sobre as publicações, sejam as mesmas vinculadoras destes novos meios. Nesse ponto, a criação da App Store [loja virtual da Apple, desenvolvedora do leitor eletrônico iPad] é um questão interessante”, avalia o escritor Joca Reiners Terron, autor do romance Do fundo do poço se vê a lua [Companhia das Letras].

Terron acredita que a pirataria não deve se tornar a inimiga número um dos escritores, ao menos para os de ficção. “Literatura não é uma coisa rentável. Se a pirataria chegar a representar grande perda de receita, será apenas para os escritores de best-sellers e de autoajuda”, estima.

Para o escritor e editor Rodrigo Lacerda, autor de Outra vida [Alfaguara], o tamanho do mercado editorial e as características do produto podem servir como desestimulante para a pirataria. “O risco sempre existe, mas não me parece que isso esteja acontecendo. Nesse sentido, o mercado editorial teve mais sorte do que o fonográfico. Até porque o mercado editorial é menor, tem um produto mais difícil de ser consumido, e tudo isso afasta um pouco a tentação da pirataria”, afirma.

Para ele, os leitores digitais ainda carecem de convergência. “Eu ainda estou torcendo para termos uma só máquina que possa comprar de qualquer livraria virtual do mundo, sem, por exemplo, essa vinculação obrigatória Kindle-Amazon. Para o consumidor, acho que seria muito melhor. Do jeito que está, é como ter um tocador de DVD para cada disco DVD, dependendo do fabricante”, compara.

POR OSNY TAVARES | Gazeta Maringá | 14/11/2010, 00:01