Sem grana pra publicar seu livro?


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Por editora, conta própria ou com a ajuda dos amigos: está fácil publicar um livro


Há cada vez mais opções para quem não faz questão de publicar um livro por uma editora tradicional

Conhecer o processo editorial deu serenidade para Vanessa C. Rodrigues, 31 anos, esperar. Foram 10 anos entre o início da escrita de Anunciação e seu lançamento agora.

No meio do caminho, surgiram algumas alternativas, como inscrever o original em prêmios como o do Sesc, porta de entrada para muitos autores estreantes. Mas o livro não tinha páginas suficientes para ser considerado um romance, conforme apresentado nos editais. Podia ter mexido nele, mas não. Com sua novela debaixo do braço, ela foi pesquisar quem estava aberto a novos autores. O livro acabou na Rocco e, embora não tenha sido contratado, aquela primeira leitura deu segurança para que ela continuasse tentando. E só encontrou portas fechadas. “Eu pensei em fazer autopublicação, mas era importante ter um selo, alguém apostando no livro. Se não tivesse dado certo agora, eu teria tentado mais, embora eu não seja conhecida”, conta.

Por um lugar ao sol. Biblioteca Nacional guarda todos os livros registrados

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Vanessa ainda não é conhecida; ela trabalha nos bastidores, como revisora e preparadora de livro, e seu nome aparece discreto na folha de rosto dessas obras. Mas ela tem um amigo escritor, André de Leones, que acreditava na novela, e ele tem uma agente literária, Marianna Teixeira. Ele pediu para a agente dar uma lida no Anunciação e ela gostou da obra. Por coincidência, a editora Oito e Meio estava atrás de uma nova autora e foi consultar Marianna. Pronto, Vanessa tinha uma editora. Ela não se viu diante de um contrato tradicional, mas tampouco teve de bancar parte da edição, como ocorreu [e isso é comum], com o Noturno e Cinza, volume de poemas de 2014. Mas se a primeira tiragem [de 80 exemplares] não se esgotasse num determinado período, ela teria de comprar os volumes. Deu tudo certo, a tiragem foi vendida e os novos pedidos – por ora, pelo site da editora – serão impressos sob demanda.

O pacote completo – edição, impressão, distribuição, divulgação – é geralmente oferecido pelas grandes casas e Carlos Andreazza, editor do Grupo Record, diz que não é impossível que estreantes ou aqueles que mandam seus originais para a editora sejam editados. Ele dá o exemplo de Marcos Bulcão. Seu livro O Filósofo Peregrino foi pinçado de uma lista de cerca de 20 originais recebidos mensalmente por correio e 30 por e-mail. “Ele chegou assim e foi publicado, mas é preciso ser franco: a melhor maneira de chegar a uma editora é ser recomendado por alguém”, comenta.

A Record tem lançado novos nomes, mas os números assustam. Pelas contas do editor, são cerca de 25 lançamentos de ficção nacional por ano de um total de mais de 400 títulos publicados por todos os selos. “Pensamos muito antes de publicar. Cada vez menos as livrarias acreditam em literatura brasileira, então o mercado impõe que sejamos conservadores.

Na Patuá, são cerca de 150 originais por mês. Mesmo editando muito, e só brasileiros, Eduardo Lacerda diz que não consegue ir além dos 10 lançamentos mensais. Uma outra opção entra as independentes é a temporada de originais da Grua. Mas será preciso esperar a terceira edição – em março, o editor Carlos Eduardo Magalhães anuncia os escolhidos entre os 240 trabalhos inscritos.

Desde 2010, decidimos não receber mais originais. A estrutura é muito pequena para uma recepção continuada”, explica. Mas, como um dos princípios é publicar literatura brasileira contemporânea, o concurso foi um bom meio termo. Dos 194 inscritos na primeira edição, quatro foram lançados.

Para além do mercado tradicional, o horizonte é mais democrático – e populoso. Criado em 2009, o Clube de Autores publicou 50 mil livros de brasileiros. Na verdade, eles mesmos publicaram as obras na plataforma em digital e/ou para impressão sob demanda. Dá para fazer isso sem gastar nada, mas quem quiser pode contratar revisores, capistas, etc, pelo site. O custo final varia de acordo com os serviços, mas Ricardo Almeida, um dos sócios, diz que ele pode custar entre 2 mil e R$ 3 mil. E é o autor que escolhe por quanto o livro será vendido. “Não tenho dúvidas de que o futuro está na autopublicação. E o futuro é justamente a quebra de intermediações. É deixar o público como responsável pela escolha dos livros que farão mais ou menos sucesso”, diz.

Nina Müller encontrou seu público – primeiro no Wattpad e agora no KDP, a plataforma gratuita de autopublicação da Amazon. Ela tem 7 livros [como Ardente Cativeiro da Fênix] à venda e no serviço de assinatura Kindle Unlimited. “Optei pela autopublicação por ser mais rentável do que a editora em que eu estava. Eu ouvia comentários sobre livros digitais e quis arriscar”, conta. Seus números: 8.200 de e-books vendidos e 2,5 mi de leituras.

Para quem tem o sonho de ver o livro na estante, promover uma noite de autógrafos, existe sempre a opção de fazer o livro com uma gráfica rápida, mas as decisões não são simples e é disso que depende o resultado: gramatura do papel, cola ou costura, A5 ou A4. Serviços como o do Clube acabam facilitando o processo. E ele não está sozinho.

Na Livrus, o escritor conta até com serviço de ghost writer e de gestão de carreira. Os pacotes começam em R$ 200, mas, segundo a publisher Chris Donizete, o gasto médio é de R$ 2.500 para livros de 96 a 128 páginas. Em três meses, ele está pronto.

No dia 30, às 15h30, a empresa anuncia, na Martins Fontes da Paulista, a parceira com o Catarse. “Percebemos que o valor era o que pesava mais na hora da publicação. Quando recebiam nossa proposta, ficavam satisfeitos, mas muitos não dispunham da quantia para a publicação.” Nesse sentido, a iniciativa se aproxima do Bookstart, plataforma de financiamento coletivo de projetos literários que também oferece serviços editoriais, comerciais e de eventos.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | 23 Janeiro 2016, às 05h 00

Editores comentam os erros mais comuns na hora de negociar a publicação de um livro


Conhecer a linha editorial, revisar o original, não ser arrogante e ser paciente são algumas das dicas dos editores

O processo de negociação de um livro envolve muita ansiedade e alguns erros de percurso podem ser evitados. É preciso ter calma e saber que o tempo de análise da editora é lento. A pressa e a cobrança por uma resposta podem antecipar uma recusa. Mas é importante saber, também, que o caminho tradicional não é o único e que hoje, com tantas plataformas de autopublicação, lançar um livro é fácil. Portanto, quem não fizer questão de publicar por uma editora tradicional pode ter o livro em mãos num curto período de tempo – pagando ou não. Divulgar, distribuir, ser descoberto e vender são outros quinhentos e o trabalho será árduo.

Os editores Carlos Andreazza, do Grupo Record, e Eduardo Lacerda, da Patuá; a agente literária Marianna Teixeira, da MTS; o presidente do Clube de Autores, Ricardo Almeida; e a publisher da Livrus, Chris Donizete, comentam os erros e as ansiedades e dão dicas para quem pretende tirar um original da gaveta.

A maioria das editoras tem orientações em seus sites sobre como mandar originais. E é primordial conhecer a linha editorial das casas antes de entrar em contato. “Talvez o maior erro seja não ler corretamente as orientações para envio de originais. Por exemplo, uma editora deixa explícito em seu FAQ que não publica livros de autoajuda ou jurídicos ou poesia, mesmo assim o autor se desgasta enviando seu original para essa editora, liga pedindo a avaliação do original, acaba se irritando com a negativa, mesmo que a negativa seja explicada já anteriormente ao envio do original. Outro erro comum, até engraçado, é que muitos autores enviam o original com cópia aberta para dezenas de editoras ao mesmo tempo“, comenta Eduardo Lacerda.

Outro erro, segundo Lacerda, é enviar o original focando na própria expectativa de vendas expressivas, de sucesso imediato. “É um direito do autor criar essa expectativa, mas é antecipar uma frustração considerando que mesmo autores publicados por grandes editoras têm enormes dificuldades para viver apenas de venda de livros“, completa.

Para Marianna Teixeira, o autor não pode ser arrogante e pretensioso. “Tem que entender que o agente ou o editor estão apostando no trabalho dele e que todos estarão em busca dos melhores resultados. Também é preciso saber ouvir e ter disposição de trabalhar duro“, diz.

Se a pessoa me mandou um e-mail e eu respondi dizendo que vou avaliar e que vou entrar em contato, isso vai acontecer – mas pode demorar. Então, não tem problema nenhum essa pessoa escrever ou ligar perguntando se eu esqueci o livro. Mas se ele insiste e cobra muito, ele vai precipitar uma resposta minha liberando, sugerindo que ele procure outra editora se tiver muita pressa. Não é que a pessoa deva entregar o livro na editora e não fazer um controle disso, mas é importante que ele se informe um pouco sobre a dinâmica desse mercado, saiba quantos livros a editora publica por ano, para entender como é o processo de seleção para chegar nessa peneira tão restrita”, explica Carlos Andreazza.

Para Ricardo Almeida, presidente do Clube de Autores, o grande erro de quem opta pela autopublicação é acreditar que basta publicar e esperar que as vendas aconteçam. “O mercado não é mais assim. Para falar a verdade, acho que jamais foi. O escritor precisa entender que escrever a história é apenas o primeiro passo. Ele precisa saber construir a sua audiência, mantê-la próxima, bem cuidada e sempre engajada. Se conseguir fazer isso, terá um caminho brilhante pela frente.”

Ansiedade gera erros. Muitas vezes o autor atropela o processo. Muitos marcam lançamentos antes da obra sequer ter entrado em gráfica. Há autores que chegam até nós, com originais que julgam prontos para a publicação e na lida do primeiro parágrafo já encontramos erros gramaticais“, aponta Chris Donizete, publisher da Livrus.

Para quem quer publicar um livro neste momento, Marianna Teixeira diria: “Você vai começar a se tornar um autor quando for publicado. Ou seja, quando o seu trabalho se tornar público. Isso demanda não somente talento, mas trabalho, obstinação e paciência. Então seja bastante rigoroso com o que vai apresentar aos leitores. Eles são muito exigentes. Acredite, ser escritor não é para os fracos”.

Já Eduardo, “que atualmente publicar um livro é extremamente simples e barato, quando não é de graça. Que muitas das pequenas editoras podem fazer um trabalho tão importante, de qualidade e relevante quanto as grandes. E que o trabalho com a literatura e com o livro é um trabalho que só dá resultados a longo prazo e que é um trabalho para muitas mãos. Que editores e editoras, ao mesmo tempo que hoje são desnecessários para quase todos os processos de feitura do livro, ainda podem [e devem] surpreender e ser sempre um parceiro do escritor”.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente por ESTADÃO | 23/01/2016, às 04h59

Programa Livrus Ao Vivo # 06


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

Livrus ao Vivo é um programa semanal, com 30 minutos inteiramente dedicados à literatura. Produzido por profissionais do mercado editorial, que visam enriquecer o setor com programação de qualidade, mantém uma equipe sempre atenta às últimas novidades, levando a notícia sempre atualizada.

No programa Livrus ao Vivo, o ouvinte encontra originalidade e inovação, entrevistas com os autores em destaque, agenda cultural, resenhas e dicas de livros, obras que viraram filmes, lançamentos, além de músicas inspiradas em livros.

A primeira temporada do Livrus ao Vivo é apresentada sempre às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio, editor especialista em livros digitais e Chris Donizete, publisher e jornalista literária; com comentários de Sandra Schamas, escritora e tradutora.

Para ouvir ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial AM 660 ou FM 95,7, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

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Programa Livrus Ao Vivo # 05


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Programa Livrus Ao Vivo # 04


Programa Livrus ao Vivo 4

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Programa Livrus Ao Vivo # 03


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A Livrus Negócios Editoriais já não é mais uma startup. Com seis anos de vida, a empresa iniciou suas atividades em 2009, durante a Bienal do Rio de Janeiro. Até 2011 a Livrus era apenas um projeto dentro de uma editora que o empreendedor Ednei Procopio havia fundado. A partir daí a Livrus ganhou vida própria e, hoje, somente seu selo editorial, soma mais de 130 escritores publicados, cada um deles com dois ou mais títulos, uma característica que a Livrus vem tentando manter desde então.

A Livrus Negócios Editoriais dividiu seu modelo de negócios em três segmentos: PUBLICA, COMERCIALIZA e DIVULGA. O programa de rádio que a Livrus criou e que estreou no dia 7, na Rádio Mundial, estação difusora em São Paulo, faz parte de sua estratégia dentro do seu plano de divulgação de obras e escritores.

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Programa Livrus Ao Vivo # 02


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