O barato da leitura virtual 


Enquanto grandes editoras optam por praticar uma política de preços padronizada, ainda que haja exceções, pequenas editoras chegam ao mercado com o objetivo de trabalhar com o livro digital a um valor reduzido. A política de editoras como a Companhia das Letras e a Record é clara: o livro digital custa aproximadamente 30% menos do que sua versão física. Essa redução corresponde à economia das empresas ao eliminar do processo editorial o papel, a gráfica e a logística de distribuição.

Por outro lado, editoras que trabalham apenas com livros virtuais possuem política diferente na hora de formar o preço de seus produtos. Sem precisar se preocupar com os custos que envolvem uma obra feita em papel, as atenções se voltam para outros fatores. “A questão para a gente é ganhar o leitor por impulso. É difícil você decidir fazer o download de algo caro na internet. Você tem de olhar, comprar e pronto“, diz Schneider Carpeggiani, editor da Cesárea, cujos primeiros títulos lançados foram “Polaróides – E Negativos das Mesmas Imagens”, de Adelaide Ivánova [R$ 7,00] e “Aspades ETs Etc”, de Fernando Monteiro [R$ 6,50].

Por Rodrigo Casarin | Valor Econômico | 18/07/2014

Prêmios literários não preevem espaço para eBooks


Em sua maioria, os e-books são versões digitais de obras também impressas – e, até por isso, tendem a ter preços parecidos e caros. Novas iniciativas exclusivamente digitais, como a Formas Breves e a Cesárea, trazem textos inéditos de nomes de destaque da produção contemporânea, incluindo de Nuno Ramos a Fernando Monteiro. O problema é que o cenário literário, da crítica aos prêmios, ainda não dá a devida atenção aos lançamentos virtuais.

Nos três mais prestigiados concursos da área no Brasil, as obras digitais ainda não podem competir. O Jabuti, o São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom, na edição deste ano, só previam a inscrição de obras impressas, sem espaço e oportunidade para e-books. O Prêmio São Paulo, por exemplo, deixa claro isso no regulamento: só são aceitos romances, em português, de autores vivos e em formato impresso.

O Portugal Telecom também aponta a exigência do “modelo impresso” para suas obras. O único que deixa menos claro a questão é o Jabuti, mas, segundo a assessoria de imprensa da premiação, a obra precisa ser inédita em formato impresso para concorrer [ou seja, obras digitais ainda não são consideradas títulos no prelo]. “A Comissão Curadora do Jabuti está estudando a inclusão de livros digitais para as próximas edições. Para este ano, de acordo com o regulamento, somente podem participar obras impressas”, explicou a organização do concurso.

Para Carlos Henrique Schroeder, editor da Formas Breves, isso é um sintoma de como as premiações precisam se atualizar. “Nossos prêmios primeiro devem separar conto e crônica, como na maioria dos prêmios, pois são coisas muito distintas e com intenções muito diferentes. E aceitar inscrições em e-books, ou criarem versões dos prêmios em e-book. Os prêmios precisam olhar para frente, não para trás”, aponta o escritor catarinense.

O jornalista e editor Schneider Carpeggiani, da Cesárea, questiona o mesmo problema. Segundo ele, vai se tornar cada vez mais paradoxal a ausência de obras exclusivamente digitais nas premiações. “Quando você esbarra numa questão como essa, você se pergunta: os prêmios julgam o conteúdo ou o suporte? Não é o projeto gráfico ou a qualidade do papel que importam em um romance”, provoca. Ele ainda lembra que prêmios jornalísticos já aceitam inscrições com projetos digitais.

EM PRODUÇÃO

Para este ano, Schroeder antecipa que muitos autores novos vão sair pela Formas Breves. Da Argentina, vão ser publicados contos de Sérgio Chejfec e Marianna Enriquez, além de novas traduções de narrativas curtas de Virginia Woolf. A literatura contemporânea atual também será representada, com André Sant’Anna, Carola Saavedra, Cadão Volpato e Rodrigo Garcia Lopes.

A Cesárea também terá uma agenda cheia nos próximos meses. A terceira edição da revista, com a temáticas de fantasmas, sai no dia 9 de junho. Em livros, duas novidades estão sendo preparadas: uma reedição de Maçã agreste, de Raimundo Carrero, o melhor livro do autor salgueirense segundo ele mesmo, e um ensaio sobre as selfies, feito pelo jornalista e doutorando em comunicação Paulo Carvalho.

Jornal do Commercio | 01/07/2014

Revista literária ‘Cesárea’ vai publicar eBooks


Cesárea, revista literária para iPad criada por Schneider Carpeggiani e por Jaine Cintra no final de novembro e cujo primeiro volume teve cerca de 700 downloads, vai virar editora de livros digitais em março. Estão previstos, por ora, três títulos. Logo depois do carnaval, sairá Polaroides, uma série de fragmentos poéticos publicados pela jornalista e fotógrafa Adelaide Ivánova em seu blog vodcabarata.blogspot.com e selecionados por Carpeggiani. Depois, em abril, será lançado Os Sete Pilares da Apostasia, de Fernando Monteiro, escritor pernambucano que trocou a prosa pela poesia como forma de resistência literária. Para maio está previsto um volume reunindo as principais poesias traduzidas por Ricardo Domeneck (foto), um dos responsáveis pela revista eletrônica e coletivo Modos de Usar. Mas antes disso tudo, em 17/2, sai o 2.º número da Cesárea, com textos de Paulo Bruscky, Elizabeth Bishop, José Luiz Passos, entre outros.

Coluna Babel | Estadao.com.br | 17/01/2014, às 22:00