Para consultor, impressos e digitais devem coexistir


Julio Verne foi recusado por 15 editoras antes de emplacar seu primeiro grande sucesso, Cinco semanas em um balão. “Quantos autores com histórias semelhantes desistiram antes de ser publicados?“, pergunta Carlo Carrenho, diretor do PublishNews. As possibilidades criadas pelos e-books e pela autopublicação ampliam o mercado para os escritores, mas, no Brasil, ainda esbarram nas dificuldades de consolidação do mercado editorial digital. “Comparar livros físicos e digitais, como se um fosse excluir o outro, é algo ultrapassado“, comenta Carrenho. Segundo ele, os dois tipos de publicação tendem a coexistir. A acessibilidade tem se mostrado uma das principais vantagens dos e-books e da autopublicação. “A popularização do e-book tem a ver com o acesso: geográfico [basta ter internet], econômico [costumam ser mais baratos], e com a quantidade de opções disponíveis, que nem as maiores livrarias físicas podem oferecer“, completa Carrenho.

Por Júlia Matravolgyi | Valor Econômico | 30/04/2015

Nova regra de ‘Netflix para livros’ enfurece escritores independentes


O escritor inglês Dave Robinson, 50, é um dos leitores que aderiram a um novo tipo de serviço para consumo de livros digitais que pode revolucionar o mercado.

Ele assinou o Kindle Unlimited, que a varejista on-line Amazon lançou no último dia 18, apenas nos EUA.

O funcionamento é simples: por US$ 9,99 [R$ 22,26] ao mês, o leitor tem acesso a mais de 600 mil títulos. O produto vem sendo chamado de Netflix para livros, em referência ao serviço em que é possível assistir a séries e filmes on-line por um valor mensal.

Para o inglês, a vantagem é a variedade de séries de ficção científica. “Mesmo a quatro dólares por um livro impresso, uma série inteira de oito volumes acaba ficando cara. Por dez dólares eu posso ler tudo e ainda tentar outros“, escreve ele num fórum dedicado a discutir e-books.

A Amazon não revela quantos leitores já fizeram a assinatura nem quando o serviço deverá vir ao Brasil.

A chegada de uma gigante do varejo movimenta um setor ainda pouco explorado. As iniciativas mais antigas na área –a Oyster e a Scribd–, nos EUA, são de 2013.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o analista Carlo Carrenho, fundador do Publishnews, os próprios editores ainda não sabem qual será o impacto nas vendas. “Isso altera o modelo de negócio.

A mudança é na remuneração às editoras e aos autores, que deixam de ganhar por livro comprado e passam a receber por livro lido. No caso da Amazon, o leitor tem de atravessar pelo menos 10% do exemplar para que os autores tenham retorno.

A discórdia cresceu especialmente entre independentes, segundo o fundador da Smashwords, empresa que distribui e-books autopublicados para lojas virtuais.

Segundo o americano Mark Coker, 49, a forma de pagamento “imprevisível” da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados.

A Amazon remunera os pequenos por meio de um fundo global variável. Escritores independentes ganham uma porcentagem a partir do montante total desse fundo.

A varejista também exige exclusividade deles. Já as grandes editores recebem o valor sobre o preço de capa do livro vendido.

No Brasil, por enquanto, o momento das editoras ainda é de observação do modelo, diz a presidente do sindicato da categoria, Sônia Jardim.

Me parece interessante no caso de livros universitários. Quem sabe não iniba a xerox.

Esse gênero de biblioteca tem exemplos aqui. A Nuvem de Livros e a Árvore de Livros são iniciativas com estratégias financeiras mais amigáveis às editoras: a remuneração não está condicionada à leitura.

A Nuvem paga autores e editoras um valor mensal. Já o contrato de remuneração da Árvore conjuga empréstimo e número de exemplares.

Para o presidente da Árvore, Galeno Amorim, a ampliação de bibliotecas digitais aumentará o número de leitores.

POR ALAN SANTIAGO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 26/07/2014, às 02h32

Mercado quer controle de preço para peitar Amazon


Editores e livreiros brasileiros defendem limite de desconto para livros

Nos EUA e na Europa, a varejista on-line é acusada de chantagem e abuso de poder para obter os menores preços

Preocupados com os embates entre a Amazon e editoras da Europa e EUA, editores e livreiros brasileiros defendem a adoção de políticas de controle de preço e de descontos nas vendas de livros para enfrentar a varejista on-line norte-americana.

A Amazon vende e-books no Brasil desde 2012. Em breve deve também comercializar livros físicos. A Amazon não divulga a data nem comenta seus atritos com concorrentes.

Até agora, editores daqui descrevem as negociações com a gigante americana como “positivas”. O comércio de e-books no Brasil ainda é ínfimo [2,5% do mercado de livros de interesse geral] e equilibrado [Amazon disputa com Apple, Google e Saraiva].

O cenário internacional, entretanto, causa apreensão.

Nos últimos dois meses, a filial norte-americana da editora Hachette acusa a Amazon de restringir suas vendas e atrasar entregas de seus livros. A briga começou porque a editora não aceitou a política feroz de descontos da varejista.

Nos EUA, segundo especialistas, a Amazon controla 60% do mercado do livro. No ano passado, pela primeira vez no país, a internet [R$ 16,6 bilhões] superou o faturamento das livrarias em vendas de livros [R$ 15,7 bilhões].

Para atrair consumidores, a Amazon busca sempre descontos e promoções, chegando a perder dinheiro na venda de alguns livros.

Na Alemanha, a Amazon é processada pela associação de livrarias. É acusada de chantagem e abuso de posição dominante.

Já a França, na semana passada, estendeu sua política de preço único de livros para os títulos vendidos pela internet. Conhecida informalmente como “Lei anti-Amazon”, impede lojas on-line de praticar o frete grátis e descontos acima de 5%.

Leis de preço único para livros são adotadas em vários países: França, Alemanha, Argentina, Espanha, entre outros. As editoras estabelecem um valor para cada livro lançado. Por um período de tempo, livrarias só podem oferecer descontos entre 5% e 10%.

REGULAMENTAÇÃO

No Brasil, setores do mercado editorial consideram fundamental esse tipo de freio.

Para compensar o grande desconto a alguns títulos, essas grandes lojas on-line acabam por encarecer o preço médio dos demais. É uma política deletéria“, diz Haroldo Ceravolo Sereza, presidente da Libre [grupo de 120 editoras de pequeno e médio porte].

A ANL [Associação Nacional de Livrarias] também defende políticas de regulamentação: preço único, controle de desconto, apoio à distribuição dos títulos pelo país.

Essa busca pelo menor preço pode quebrar todo o mercado. Com todo o poder centrado na Amazon, ela decide o que você poderá ler ou não. Parece uma situação extrema, mas já começa a acontecer na prática“, diz Afonso Martin, diretor da ANL.

O Snel [Sindicato Nacional dos Editores de Livros] costumava se manifestar contra o preço único, mas agora diz que pretende rever a questão.

“Como as lojas físicas podem concorrer com as varejistas on-line? Nesse novo cenário, elas podem falir. Temos que estudar bem essas leis”, argumenta Sônia Jardim, presidente do sindicato.

Para Carlo Carrenho, fundador do PublishNews, portal dedicado ao mercado editorial, a solução está no aperfeiçoamento da cadeia do livro no Brasil, e não necessariamente na regulamentação.

A Amazon poderá, no futuro, exercer um monopólio extremamente prejudicial. Mas a culpa será mais da ineficiência da indústria brasileira do que da eficiência da empresa americana.

POR MARCO RODRIGO ALMEIDA DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 05/07/2014

Curva de vendas de eBooks no Brasil cresce


Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção.

Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Portal No Ar | 22/04/14

Crescimento na venda de eBooks no Brasil deve continuar, diz especialista


Livros digitais devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro

A curva de crescimento das vendas de e-books no Brasil, no primeiro ano de atuação dos grandes players internacionais [Amazon, Apple, Google, Kobo], é maior do que a curva de crescimento no mercado dos Estados Unidos na mesma situação.

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

“A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.”

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

“As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção. Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 21 de abril de 2014 | 21h 17

eBooks crescem apenas 3,81 por cento em 2013 nos EUA


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Desde 2002, a Association of American Publishers [AAP] apura a venda de e-books de seus associados e publica os resultados junto com as demais estatísticas do mercado norte-americano. Está semana, ela divulgou os numerous referente a 2012 e a grande surpresa que as vendas de e-books no segmento de interesse geral [trade] cresceram apenas 3,81%, alcançando US$ 1,3 bi. Em 2012, o faturamento digital deste setor havia ficado em US$ 1,25 bi. A surpresa é que pela primeira vez desde 2002, o crescimento ficou abaixo dos 10%, como demonstra o gráfico abaixo. [Clique nos gráficos para vê-los em tamanho maior.]

Crescimento do Faturamento de E-books no Mercado Trade nos EUA

Vale observar que ao longo dos anos, as estatísticas da AAP sofreram grandes variações em sua base de coleta de dados. O número e a classificação das editoras participantes se alteraram, as definições de formatos foram apuradas e a própria metodologia melhorada. Em 2010, por exemplo, a pesquisa passou a ser feita junto com o Book Industry Study Group, com grandes alterações metodológicas. Portanto, uma comparação ano a ano não pode ser considerada estatisticamente perfeita. Mas ainda assim, com esta grande ressalva, uma análise dos dados ao longo dos anos é uma ótima ferramenta para a visualização de tendências. No próximo gráfico, temos o faturamento digital ao longo dos anos dos editores de interesse geral associados à AAP.

Faturamento dos E-books no Merado Trade dos EUA

Para terminar, o gráfico da participação dos e-books no faturamento do segmento trade. Em 2012, 26,66% das vendas dos editores foram digitais. Como no ano anterior esta participação ficou em 25,87%, a hipótese de que a fatia do mercado digital está chegando a um platô é bastante plausível.

Participação do Faturamento de E-books no Mercado de Trade dos EUA

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Global eBook Report: Novas tendências do mercado digital mundial


Foi lançado hoje o Global eBook Report, relatório compilado pelo consultor austríaco Rüdiger Wischenbart, que reúne dados e tendências do livro digital no mundo inteiro. “O Global eBook report é um dos relatórios mais completos sobre o status do mercado de livros eletrônicos no mundo. Além do capítulo do Brasil, há dados estatísticos completos e atualizados não apenas de grandes mercados, como EUA e Inglaterra, mas também de países como Hungria, Índia, China e Suécia. Ou seja, é uma ótima maneira de se ter uma visão panorâmica dos e-books no mundo,” comenta Carlo Carrenho do PublishNews.

Não é novidade que o livro digital veio para ficar. Uma das inquietações dos profissionais da indústria, porém, era a diminuição da receita das editoras por causa do livro digital, pois ao substituir parte do livro impresso por livros digitais mais baratos, a tendência do lucro seria cair. Wischenbart destacou porém que, pela primeira vez, as receitas da venda de e-books compensou o declínio geral das vendas de livros impressos no Reino Unido.

Além disso, o relatório mostra que, após o boom inicial, o mercado digital está entrando em uma nova fase nos EUA e Europa. Wischenbart explica que hoje “vemos novos empreendimentos, startups e plataformas lançadas por consórcios, como é o caso da Telefonica e Planeta/Circulo na Espanha, ou do Tolino na Alemanha, o que mostra que essa nova fase de transformação digital agrega valor à cadeia inteira, não se trata apenas de novos formatos de livros”. Mas, segundo o consultor, o mercado ainda é marcado por grandes conflitos entre alguns players mundiais – em particular Amazon e Apple – e iniciativas locais.

No caso brasileiro, o relatório ressalta as ações do governo liderando o caminho da transição para o digital, que Wischenbart compara a ações similares na Índia e Coreia.

Leitura essencial para profissionais do mercado, o relatório pode ser baixado no site http://www.global-ebook.com/

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 01/10/2013

“No Brasil, livro é produto de elite”, diz entusiasta dos eBooks


Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Foto: Leonardo Pereira Olhar Digital

Foto: Leonardo Pereira Olhar Digital

A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos [basicamente carimbos em formato de letras], a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro [CBL], todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.

Democratização da leitura

Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.

Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires [Argentina] mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

Impresso tem futuro?

O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.

Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital [saiba mais aqui]. Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

Mais leitores

Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.

Por Leonardo Pereira | Olhar Digital | 30 de Janeiro de 2013 | 20:25h

Estação das Letras lança curso sobre livro digital


Curso pretende preparar profissional do livro para o já real cenário digital; curadoria é do PublishNews

Até bem pouco tempo, os livros digitais eram uma realidade distante. Mas nos últimos dois anos, os e-books saltaram da quase ficção científica para a realidade. Nos Estados Unidos, responderam, só no ano passado, por cerca de 9% do faturamento, crescimento de 200% em relação a 2009 e de 800% em relação a 2008. No Brasil, as grandes livrarias já lançaram, ou estão lançando, suas lojas de e-books; há duas distribuidoras digitais em operação e nenhuma editora pode mais se dar ao luxo de ignorar o que antes era chamado futuro digital.

Com este cenário em mente, a Estação das Letras, no Rio, coloca na rua o curso “Editando livros digitais”, inédito no país. Com uma carga horária de 22h, o curso será realizado em junho e julho e terá aulas ministradas por profissionais do mercado de livros digitais e aborda desde a produção e a criação literária de e-books até o marketing, a distribuição e a comercialização de conteúdo digital. A curadoria do curso é do PublishNews.

“Ainda não havia no mercado brasileiro um curso pragmático e rápido que oferecesse uma visão ampla não apenas do futuro do livro digital, mas também do seu presente e das práticas que o mercado já vem adotando”, explica Carlo Carrenho, fundador do PublishNews e coordenador do curso na Estação.

O objetivo, segundo Carrenho, é que cada aluno, ao fim do curso, esteja preparado para o futuro digital e consciente desta realidade, que já existe tanto no mercado brasileiro quanto no internacional.

Para José Henrique Grossi, consultor comercial da distribuidora digital Xeriph, o curso é de fato bem-vindo. “Depois de anos no mercado editorial de livros de papel, eu migrei recentemente para o mercado de e-books. Este é o curso que eu gostaria de ter feito no momento da minha transição”, afirma Grossi, que ministrará a aula “O mercado nacional de livros digitais”.

Os outros professores são Cristiane Costa [UFRJ], Roberto Cassano [Agência Frog], Bruno Valente [Punch], Camila Cabete [Gato Sabido], Newton Neto [Singular Digital] e Carlo Carrenho [PublishNews].

Serviço
“Editando livros digitais”
Dias 18 e 25 de junho / 2 e 9 de julho, das 10h às 17h [total 22h/aula]
Local: a definir
Preço: R$ 900
Inscrições: 21 3237-3947
Organização: Estação das Letras
Apoio e curadoria: PublishNews

Estação das Letras
Rua Marquês de Abrantes, 177 – Loja 107 Flamengo/RJ
Telefone: [21] 3237-3947

Programa do curso Editando livros digitais

18 de junho

Aspectos gerais do mercado digital – Uma introdução | 2 horas | Carlo Carrenho

Apresentação do curso
Apresentação dos alunos
Um panorama geral do cenário digital
Os últimos acontecimentos do mercado digital
Conceitos básicos

O mercado internacional de livros digitais | 3 horas | Carlo Carrenho

Os números do mercado dos EUA
Um panorama do resto do mundo
Os três mosqueteiros: Amazon, Apple, Google e Kobo
A Barnes&Noble
Self-publishing & outros modelos
Os livros texto digitais

Carlo Carrenho é formado em Economia pela FEA-USP e especializou-se em Editoração no Radcliffe College, da Universidade de Harvard. Já possui 15 anos de experiência no mercado editorial, tendo passado por editoras acadêmicas, religiosas e de mercado geral, como a Thomas Nelson Brasil. Em 2001, criou o PublishNews, um informativo diário com todas as notícias do mercado editorial brasileiro que hoje já possui mais de 10 mil assinantes. Atualmente acompanha de perto a revolução digital do mercado editorial e atua como consultor para empresas do setor. Apesar de paulista, é flamenguista.

25 de junho

Novas estratégias narrativas para a mídia digital |3 horas | Cristiane Costa

As tecnologias do livro: do manuscrito ao iPad
Leitor passivo x leitor ativo
Novas estratégias de storytelling

Cristiane Costa é pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, onde desenvolve estudo sobre novas estratégias narrativas em mídias digitais, com o apoio da Faperj. Coordenadora do curso de Jornalismo da ECO-UFRJ, é uma das curadoras do ciclo Oi Cabeça, dedicado à literatura eletrônica.

O mercado nacional de livros digitais | 2 horas | José Henrique Grossi

Os principais players
Os distribuidores digitais brasileiros
As e-bookstores brasileiras
Os desafios do mercado digital nacional
Estratégias sadias para o sucesso digital

José Henrique Grossi é consultor comercial da distribuidora digital Xeriph. Economista, entrou no mercado editorial em 1973 como divulgador da editora Saraiva, empresa de onde saiu nove anos depois como gerente de promoção. Trabalhou na Abril Educação e na Nova Cultural e, em 1997, criou a Grossi Representações. Foi vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro em 1999. É santista roxo.

2 de julho

Livros Digitais, pequenas editoras e processo de produção | 3 horas | Camila Cabete

Os desafios de se montar uma editora digital
Definindo uma estratégia
Negociação com os grandes players
O processo de produção

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis.

As vantagens da impressão por demanda e como aproveitá-las | 3 horas | Newton Neto

Como funciona a impressão por demanda
O status atual da impressão por demanda nos EUA
O status atual da impressão por demanda no Brasil
Os benefícios da impressão por demanda para editoras
Os benefícios da impressão por demanda para autores
Self-publishing no Brasil

Newton Neto é diretor-executivo da Singular, braço do grupo Ediouro [do qual fazem parte as editoras Agir, Nova Fronteira, Plugme, entre outras] dedicado às novas tecnologias. Possui uma experiência de oito anos na área de conteúdo e tecnologia, abrangendo desde conteúdo para celulares a livros digitais. Recifense, é fanático pela Santa Cruz.

9 de julho

Marketing Digital para Livros Digitais | Roberto Cassano [Agência Frog] | 3 horas

O que é marketing digital
As mídias sociais: Facebook, Orkut, Twitter e FourSquare
Estratégias de sucesso para o marketing online de livros
Os erros e acertos dos sites de editoras, livros e autores
Métrica de resultados

Roberto Cassano é formado em Jornalismo, com MBA em Marketing. Atua em Publicidade desde 2001 e em Mídia On-line desde 1996. Participou dos movimentos iniciais do primeiro jornal brasileiro na internet, o JB On-Line, e das pioneiras revistas “internet.br” e “Internet Business”. Foi executivo do portal de tecnologia Canal Web e diretor de Mídias Digitais na Seluloid. É diretor de Criação e Estratégia da Agência Frog, com ênfase em mídias sociais e palestrante em instituições como Fundação Getulio Vargas, Facha e Casa do Saber

E-books e apps | 3 horas | Bruno Valente

Uma breve história dos e-books
Uma breve história das Apps
ePubs: o caminho para chegar até eles
Erros e acertos na produção de ePubs
Apps: o caminho para chegar a elas
Uma questão de equilibro: até onde uma app pode chegar antes de virar filme ou vídeo-game?
Aspectos financeiros de apps e e-books

Bruno Valente é formado em Comunicação Social [Rádio e TV] pela UFRJ, onde produziu uma das pesquisas sobre HDTV no Brasil. Pós-graduado no MBA Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas. Atua no Mercado Audiovisual há 15 anos. É sócio diretor da Punch! Comunicação & Tecnologia, que desenvolve aplicativos móveis de produtos, marcas e educacionais para Apple[ iPhone, iPads, iPod Touch], Research in Motion [Blackberry] e Android, além de trabalhar com produção audiovisual transmídia e captação de recursos para projetos variados através de leis de incentivo. No Mercado Editorial, realiza aplicativos de editoras, livros e publicações e conversão de livros para o formato ePUB, sempre tendo como objetivo divulgar o conteúdo, gerar público e receita para seus clientes.

PublishNews | 13/05/2011