Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

A primeira biblioteca só digital do mundo


Você consegue imaginar uma biblioteca sem livros de papel? Dia 14 de setembro, foi inaugurada, em San Antonio, no Texas [EUA], a primeira biblioteca pública de livros digitais dos Estados Unidos. Trata-se de um novo conceito. Ela dispõe de área de lazer para criança, com contação de histórias e uma cafeteria no estilo Starbucks. Também oferece aulas de informática para as pessoas que ainda não estão familiarizadas com a tecnologia.

Com o nome de “BiblioTech”, sua estrutura envidraçada lembra mais uma loja da Apple. São 10 mil livros digitais [ebooks], de todos os gêneros, como se espera de uma biblioteca. Eles podem ser lidos em 600 e-readers [Kindle e Nook], 2oo e-readers só para material infantil, 48 computadores e 40 tablets e 10 laptops. O sistema inédito permite que cada pessoa leve para casa os livros nos dispositivos eletrônicos e-reader, e serão devolvidos dentro do prazo estipulado. Ou seja, o “empréstimo” não é da obra e sim do aparelho.

O projeto da Bibliotech custou 2 milhões e meio de dólares e seu principal alvo é a nova geração de leitores. As crianças e adolescentes da região serão beneficiadas porque a biblioteca digital fará uma parceria com as bibliotecas das escolas. San Antonio é a sétima maior cidade dos EUA.

Alguns anos atrás, surgiram em algumas universidade, pequenas bibliotecas digitais, mas o foco era em material de perfil técnico. Em 2002, a Biblioteca Pública de Tucson-Pima, no Arizona tentou um sistema 100% digital. Mas a tecnologia era diferente e o público não se acostumou. Depois de um tempo, ele voltou a oferecer livros impressos. Outros países fizeram esforços semelhantes, mas nenhum deles era tão grande e inovador quanto a BiblioTech.

Maureen Sullivan, presidente da American Library Association comemora: “Biblioteca não é mais um lugar onde você entra e a coisa que chama mais atenção é o acervo de livros. Agora é um lugar onde, quando você entra, entra imediatamente em sintonia com a variedade de maneiras como as pessoas estão usando esse espaço”.

Mas esse tipo de mudança radical não é tão fácil. Seis grandes editoras americanas ainda se negam a fornecer ebooks para bibliotecas. Elas querem preços muito elevados pois alegam que perderão nas vendas. Por outro lado, se as pessoas não encontram o livro que procuram, o mais provável é que procurarão pela versão impressa em outra biblioteca.

O prefeito de San Antonio anunciou que a Bibliotech terá um orçamento anual de 1,2 milhão de dólares para aquisição de material. Com isso será permitido comprar cerca de 10.000 ebooks. Ele explica que seu desejo é negociar com as editoras individualmente a aquisição de livros para manter o acervo sempre atualizado. Nos últimos anos os municípios têm cortado os investimentos em bibliotecas, diminuído o número de empregados. Algumas foram fechadas, num movimento que acompanhou a falência de grandes cadeias de livrarias como a Borders.

Blog do Galeno | Edição 371 | 24 a 30 de outubro de 2014 | Com informações de Nation Time | Tradução Jarbas Aragão

Sony joga a toalha


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Sony jogou a toalha no negócio de e-book e entregou seus clientes para a Kobo. Isso iniciou muitas especulações de que a Nook vai fazer o mesmo. Se a B&N fosse realmente forçada a escolher entre os investimentos que precisam ser feitos em suas lojas e os investimentos exigidos para competir na entrega digital, seria difícil que não preferissem salvar as lojas. A ideia de que outro varejista, talvez o Walmart, comprasse toda a empresa parece bastante lógica, mas não dá para descartar que existe uma ligação sentimental do principal dono da B&N, Len Riggio, com as lojas.

Apesar das esperanças e expectativas de empresas iniciantes como a Zola Books [que fez uma aquisição recente, tirando a Bookish das mãos das três editoras que a abriram], o Blio da Baker & Taylor, o Copia ou o projeto txtr, que antes se baseava em telefone, parece que estamos vendo o começo da consolidação do negócio do e-book. A verticalização pode funcionar, como parece acontecer com Allromanceebooks, mas só ser “administrado de forma independente” não foi suficiente para a Books on Board, uma empresa que terminou no ano passado, depois de muito tempo funcionando. [Até o momento, a Diesel, uma independente comparável, está se aguentando.]

A Sony é uma grande empresa com um negócio de e-books muito pequeno. Eles também foram realmente “os primeiros” na era moderna dos aparelhos de e-book. O Sony Reader e-ink é mais parecido com o Kindle e o Nook do que qualquer outra coisa que apareceu antes. Mas se o e-book já se encaixou em algum momento como objetivo maior para a Sony, não é claro qual foi.

A Apple abriu sua e-book store porque acharam que tinham um aparelho perfeito para o consumo de livros [o iPad], mas também tinham experiência com venda de conteúdo [iTunes]. Eles também veem potencial para iPads nos mercado escolar e universitário, então desenvolveram tecnologia para permitir que livros mais complexos – o tipo que ainda não conseguiu ter sucesso comercial – fossem desenvolvidos para a plataforma deles. Estabelecer seus aparelhos e o ecossistema do iOS no mercado educacional seria uma grande vitória.

O Google reconheceu há uma década que livros, sendo repositórios de informação que continham a melhor resposta para muitas buscas, eram um mundo no qual eles queriam estar. Com sua crescente posição em aparelhos – o celular Nexus 7 e os computadores Chromebook — e como os desenvolvedores do Android que compete com o iOS no mercado de apps, há muitas formas através das quais estar no negócio de e-books complementa outros esforços, incluindo talvez, concorrer com a Apple e o iOS nas escolas.

Eu já afirmei [entre outras coisas] que a venda de e-books não funcionaria como uma operação exclusiva; precisa ser um complemento a outros objetivos e atividades para fazer sentido comercial. A Sony descobriu que não servia para ela, quase certamente porque não acrescenta valor a nenhum dos seus outros negócios.

Claro, e-books certamente complementam o negócio central da Barnes & Noble. Você tem uma deficiência bastante óbvia se dirige uma livraria e não vende e-books, então todo mundo faz isso de uma forma ou outra. Entre os erros que a Borders é acusada de ter cometido antes de desaparecerem foi entregar seu negócio de e-books para a Kobo. Dúvidas sobre o futuro da Waterstones no Reino Unido incluem se foi inteligente entregar seu negócio de e-books para a Amazon. Se a Barnes & Noble não tivesse o Nook, eles teriam que fazer um acordo com quem tivesse o Nook ou com algum outro.

Tenho certeza que a Apple, a Kobo ou a Google ficariam encantadas em ter seus livros integrados nas ofertas da Barnes & Noble, e provavelmente a Amazon também, apesar de que o mais provável é que eles nunca seriam convidados. Todos eles mostraram interesse em se afiliar a lojas independentes, com o Google começando e desistindo, a Kobo agora tentando fechar algo, e, até a Amazon, que não conseguiu penetrar bem nas independentes com seus livros próprios agora oferece a elas um programa de filiação para vender e-books Kindle chamado Amazon Source. Mas certamente todos eles aproveitariam a chance de expandir sua distribuição aos clientes da Barnes & Noble.

É provável que a B&N acredite que o negócio do Nook só pode ser realmente bem-sucedido se continuarem investindo em aparelhos melhores e criarem uma presença global. Isso pode ser verdade, mas também poderia ser que a Nook seja útil para seu negócio de livrarias sem acrescentar continuamente aparelhos ou criar uma presença fora dos EUA onde não existem lojas da B&N. Cada vez mais pessoas estão se sentindo confortáveis lendo em aparelhos multi-funcionais através de apps. Talvez a B&N pudesse manter um negócio lucrativo com sua audiência usuária de Nook enfatizando mais as sinergias com as lojas [unindo impressos e e-books, como a Amazon faz com sua iniciativa Matchbook e como já foi tentado em escala menor por algumas editoras, seria uma forma] e não se preocupar tanto com tornar o Nook competitivo com as outras livrarias de e-books como um negócio independente.

O imprevisível aqui é se alguma empresa grande – sendo o Walmart uma das mais mencionadas — visse benefícios em participar do negócio de e-books [ou até todo o negócio de livros] em seu portfólio. Isso acontece no Reino Unido, onde uma rede de supermercados, a Sainsbury’s, comprou a maioria das ações da Anobii [uma startup iniciada por editoras inglesas, análoga à Bookish nos EUA] e a Tesco comprou a Mobcastporque o negócio do livro aparentemente combinava bem com suas ofertas e a base de seus clientes. [Tanto a Sainsbury’s quanto a Tesco fizeram declarações sobre fortalecer seu “entretenimento digital” e as propostas de varejo online. A Tesco está investindo em aparelhos também.] A Kobo tem como pilar de sua estratégia encontrar parceiros em livrarias físicas ao redor do mundo.

Em base global, fora do mundo da língua inglesa, o negócio do e-books ainda está na infância. Mas é difícil ver como qualquer empresa sem uma presença em inglês poderia desenvolver a escala para competir com aqueles que têm. Toda nação e linguagem terá livrarias locais que seriam as “primeiras” para os leitores daquela localidade. Algumas poderiam até ter a ambição de também dominar o negócio local de e-books, especialmente quando fica cada vez mais claro que os e-books canibalizam o espaço em prateleira das livrarias. Mas o custo de tempo e dinheiro, combinado com a vantagem competitiva de ter livros em língua inglesa em oferta não importa qual idioma seu mercado alvo lê, vai fazer com que uma estratégia “crie tudo sozinho” seja muito pouco atraente. Então pareceria que a Amazon, Apple, Google e Kobo estão posicionadas para crescer organicamente e fazer parcerias em todos os lugares. E isso vai exigir algum evento sério, como o Walmart comprando a Barnes & Noble, para quebrar o poder que este quarteto tem sobre o mercado global de e-books na próxima década.

Um acontecimento potencialmente perturbador que este artigo ignora é a possibilidade de que os e-books se tornem um negócio de assinaturas na próxima década. Tenho dois pensamentos abrangentes sobre isso.

Um é que o hábito de compra de livro a livro está bastante arraigado e não será mudado drasticamente com os e-books nos próximos dez anos. Não tenho ideia de qual porcentagem do mercado de e-books agora funciona por meio de assinaturas, mas acho que é seguro dizer que “bem menos do que 1%”. Então meu instinto é que seria necessário um sucesso incrível para chegar aos 10% nos próximos dez anos.

A outra coisa que devemos lembrar é que qualquer livraria de e-books sempre pode desenvolver uma oferta de assinaturas. A Amazon realmente começou isso com o Kindle Owners Lending Library. Você pode ter certeza que se Oyster ou 24Symbols começarem a juntar uma quantidade importante de mercado, todos os Quatro Grandes, que vimos aqui, encontrarão uma forma de competir por este segmento. [É bastante mais difícil acontecer o contrário; é muito menos provável que a Oyster ou a 24Symbols abram lojas normais.]

Então se a assinatura crescer ou não, as gigantes de vendas de e-books vão continuar as mesmas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Com a diminuição da competição, Amazon começa a cortar os descontos


Escritores e editores afirmam que a Amazon, que virou a maior força livreira graças a descontos tão agressivos que frequentemente perdia dinheiro, vem cortando os descontos de livros acadêmicos e de pequenas editoras. […] Bruce Joshua Miller, presidente da Miller Trade Book Marketing, uma empresa de Chicago que representa editoras universitárias e independentes, disse ter consultado 18 editoras, 14 das quais afirmaram que nos últimos anos a Amazon vem cortando – em alguns casos eliminando totalmente – os descontos nos livros. […] Com o fim da Borders, as dificuldades da Barnes & Noble e a diminuição do número de livreiros independentes, para muitos consumidores não há muitas alternativas para comprar livros a não ser pela Amazon. E, no caso de alguns livros, a Amazon está efetivamente começando a aumentar os preços.

Por David Streitfeld | The New York Times | 04/07/2013

A Amazon vai comprar a maior rede de livrarias do Brasil?


Livrarias raramente causam rebuliço na Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. Afinal, só uma rede de livrarias, a Saraiva SA Livreiros Editores [SLED4] – a maior do Brasil – é negociada por lá. Portanto o que aconteceu na última quarta-feira na Bolsa, poucos minutos antes do fechamento do pregão, foi realmente algo extraordinário e, talvez, simbólico das novas águas que a indústria editorial tem navegado ultimamente. O fato é que quando aBloomberg noticiou que a Amazon estava negociando a compra da Saraiva, as ações da livraria subiram até R$ 28, o valor mais alto alcançado nos últimos 12 meses, representando uma alta de 7,28% no dia – dos quais 7% aconteceram nos minutos finais do pregão.

Outro varejista ligado ao mercado de livros e listado na Bovespa, a B2W [BTOW3], conhecido também como Submarino, não teve tanta sorte. Antes visto como um potencial alvo de aquisição da Amazon, suas ações caíram 4,34%, chegando a R$ 11,47. No dia seguinte, as ações da B2W caíram mais 8,54% até R$ 10,49, enquanto as ações da Saraiva permaneceram estáveis, caindo meros 0,36% para R$ 27,90.

A Amazon poderia chegar ao Brasil em novembro

Rumores sobre a atividade da Amazon no Brasil já circulam há anos, com cada vez mais intensidade. O fato é que não se pode mais chamá-los de rumores. Ainda não se sabe se vai acontecer com ou sem a compra da Saraiva, mas a fonte anônima da Bloomberg parece estar correta. Na semana passada, o jornalista brasileiro Lauro Jardim publicou no Radar On-Line que a Amazon decidiu que a data de lançamento no Brasil será em novembro. Todo mundo sabe, no entanto, que a Amazon raramente usa o tempo futuro em seus comunicados, portanto isso só pode ser visto como especulação, apesar de ser uma especulação bastante plausível.

E por quê? Duas razões. Primeiro, as negociações com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais] estão perto de serem finalizadas. A DLD é um consórcio de sete grandes editoras brasileiras que controla ao redor de 35% da lista de best-sellers no país. Elas sempre negociam em conjunto e estão fazendo assim com a Amazon. E são, de longe, o maior desafio para os executivos de Seattle, já que estas editoras estão agressivamente exigindo condições comerciais favoráveis e o controle final sobre os preços. Limitar os agressivos descontos da Amazon são uma condição sine qua non para este grupo de sete empresas. No entanto, fontes no mercado já deixaram claro que um acordo com a DLD está muito perto e deve  acontecer antes do fim do ano. Além disso, de acordo com o noticiário local, a Amazon já conseguiu um acordo com a Xeriph, a principal agregadora de e-books, para distribuir pelo menos uma parte de seu catálogo digital. Então, é fato que a Amazon ou já tem ou está a ponto de ter conteúdo suficiente para abrir sua loja de e-books brasileira. Portanto, um lançamento em novembro não parece algo muito absurdo.

E os leitores digitais?

Se a Amazon chegar realmente, será que conseguirá disponibilizar Kindles no Brasil em tão pouco tempo? Bem, depende do que significa “disponibilizar no Brasil”. Se significa ter Kindles estocados localmente ou vendido em lojas físicas, a resposta é provavelmente “não”. A menos que os aparelhos já tenham chegado ao Brasil ou pelo menos já tenham sido despachados, é difícil imaginar que todo o processo de importação possa levar apenas poucas semanas, incluindo a liberação alfândegária. No entanto, se “disponibilizar no Brasil” significa que os brasileiros podem comprar Kindles online diretamente dos EUA e recebe-los em suas casas, então isto isso já é uma realidade operacional.

Por uns US$ 216 [o preço do Kindle e-ink da geração anterior mais barata] entregue em um endereço brasileiro, com os impostos incluídos, a Amazon possui o e-reader dedicado mais barato do Brasil. Agora, imaginem se a Amazon der um desconto especial ou oferecer entrega expressa gratuita a clientes brasileiros. Nesse caso, não seria necessário um grande processo de importação. Esta é a segunda razão que torna plausível uma especulação de que a Amazon vai abrir no Brasil antes do final do ano. Quanto aos preços competitivos dos Kindles, não podemos esquecer que a Kobo e a Livraria Cultura prometeram disponibilizar seus e-readers antes de dezembro. Podemos então esperar algo como uma guerra de preço na disputa pelos clientes na época do Natal.

Mas a Amazon realmente vai comprar a Saraiva?

Não vamos esquecer o outro cenário: os rumores da aquisição da Saraiva. Se isto for verdade, as coisas poderiam acontecer de forma diferente, talvez com maior rapidez. Para entender melhor esta possibilidade, no entanto, devemos conhecer um pouco mais sobre a maior rede de livrarias brasileira.

A Saraiva foi fundada em 1914 por um imigrante português como uma livraria de livros usados especializada em Direito. Três anos depois, começou a publicar livros. Hoje, quase 100 anos e várias aquisições depois, o grupo Saraiva inclui a maior rede brasileira de livrarias e uma das editoras mais importantes do país, forte na área de didáticos – onde se beneficia das enormes compras governamentais – e na área de Direito. Outras áreas de atuação incluem mercado geral, infantis, negócios e outros setores Acadêmicos. No lado do varejo, a Saraiva possui 102 lojas, das quais 47 são megastores. Em 2008, o grupo adquiriu a Siciliano, a segunda maior rede de livrarias brasileira, e se consolidou como a maior livraria no país [para comparar, imagine a Barnes & Noble comprando a Borders, se esta ainda existisse].

De acordo com a Bloomberg, o capital da Saraiva é de US$ 355 milhões, e o grupo Saraiva foi uma das três editoras brasileiras a entrar na lista anual das maiores empresas editoriais do mundo compilada pelo consultor editorial austríaco, Rüdiger Wischenbart.

Todo o mercado editorial brasileiro está avaliado em US$ 6,7 bilhões, de acordo com o último Global Ranking of the Publishing Industries. Para dar uma idéia do poder da Saraiva, a empresa teve uma receita total de R$ 1,889 bilhões em 2011 – apesar de que mais de um terço de suas vendas venham de outros itens e não de livros. E este número continua crescendo: a empresa teve um crescimento de 20,7% em 2011 em relação a 2010, com ganhos [Ebitda] de R$ 172,6 milhões ou 9,1% de receita. Na primeira metade de 2012, a receita foi de R$ 889 milhões, um crescimento de 8,9% sobre o mesmo período de 2011. Os lucros também cresceram de R$ 65,6 milhões para R$ 79,29 milhões na primeira metade de 2012, com uma margem de 8,9%. As livrarias Saraiva, no entanto, não vendem apenas livros, mas também CDs, DVDs, computadores, aparelhos eletrônicos e suprimentos para escritório. O site deles, lançado em 1998, vende uma seleção ainda maior de itens, de bicicletas a geladeiras. Em 2011, R$ 810,3 milhões de vendas vieram de produtos que não eram livros, correspondendo a 56,2% da receita da rede.

Os números são ainda mais interessantes quando se compara o desempenho da rede de livrarias da Saraiva ao da editora Saraiva. Em 2011, só 23,7% da receita do grupo veio da editora, um valor de R$ 447,1 milhões. No mesmo ano, no entanto, os ganhos [Ebitda] do negócio editorial forma de R$ 96,7 milhões e corresponderam a 55% dos ganhos de todo o grupo. Isso foi possível porque a margem de lucro das livrarias Saraiva foi de apenas 5,4% no ano passado, enquanto que a margem da editora chegou a 19,3%. Também é importante lembrar que 35,9% ou R$ 517,3 milhões da receita de varejo eram provenientes do e-commerce.

A análise destes números é crucial para se entender os possíveis caminhos que uma aquisição da Saraiva pela Amazon poderia tomar. Há basicamente três opções:

1] A Amazon adquire todo o grupo Saraiva
Esta é certamente a opção menos favorável, pois a Saraiva provavelmente não venderia sua unidade editorial, que é a parte mais lucrativa do negócio. A Amazon, por outro lado, provavelmente pensaria duas vezes antes de se tornar concorrente de outras editoras no Brasil antes mesmo de abrir sua própria loja local. Não faria sentido estratégico entrar no negócio editorial antes de começar sua atividade livreira em um novo mercado.

2] A Amazon adquire a divisão de vendas de livros da Saraiva
Este poderia ser o cenário dos sonhos para a Saraiva, já que venderia sua divisão menos lucrativa e manteria seu negócio com melhores resultados. A editoria e a livraria Saraiva já estão separadas em duas entidades legais diferentes, facilitando o processo de uma possível venda parcial. Claro que neste caso alguma sinergia se perderia, mas nada que um bom contrato com obrigações futuras não possa superar. E as margens de lucro são tão diferentes entre os dois negócios que tais sinergias não seriam suficientes para evitar um acordo. Do lado da Amazon, no entanto, não parece fazer muito sentido comprar 102 livrarias. Seria a primeira vez que a gigante de Seattle teria lojas físicas. É difícil imaginar que a Amazon mudaria sua estratégia global só para entrar no mercado brasileiro. Sim, o Brasil é o país da vez, mas o mundo é um lugar muito grande e é possível imaginar a Amazon em mercados como Escandinávia, Europa Oriental, Rússia ou África do Sul antes de imaginá-la repensando sua raison d’être ou vendendo sua alma ao demônio das lojas físicas.

3] A Amazon adquire somente a loja online da Saraiva
O site da Saraiva é responsável por 27,4% das receitas da Saraiva. Se a Amazon pudesse adquirir somente o negócio online, isto rapidamente abriria caminho no mercado e permitiria que ela superasse vários obstáculos sem precisar se envolver com a administração de lojas físicas. No entanto, isso não faria sentido para a Saraiva. O que seria de uma rede de livrarias sem um site no mundo de hoje? É difícil imaginar a Saraiva cometendo o mesmo erro que a Borders cometeu, deixando sua presença na web brasileira desaparecer ao vender, se associar ou fazer uma joint venture com uma empresa de e-commerce como a Amazon.

Se uma negociação entre os dois grupos realmente existe, faz sentido acreditar que ela acontece em torno das opções 2 ou 3. Uma decisão entre uma dessas opções favorece ou Amazon ou a Saraiva, dependendo de qual for a direção tomada, mas a inclusão ou não das 102 lojas físicas deve ser o ponto nevrálgico da negociação.

Brasileiros, cuidado

Qualquer que seja o modelo adotado, no entanto, uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon não é razão para que as editoras brasileiras comemorem. Se a Amazon comprar a Saraiva, a Submarino afunda, provavelmente deixando o mercado de livros – isto se não sair do mercado de vez no médio prazo – já que aquisição fortaleceria mais ainda a posição já forte da Saraiva no mercado. O resultado final seria, ironicamente, menos competição, mais consolidação e um mercado mais difícil para as editoras.

Mais cedo ou mais tarde, a Amazon fará um comunicado. E será escrito com os verbos no passado. Até lá, tudo que podemos fazer é esperar pelo próximo capítulo da novela “A chegada da Amazon no Brasil”, enquanto day traders ganham algum dinheiro com toda a confusão.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Publishing Perspectives | Clipado à partir de Tipos Digitais | Tradução: Marcelo Barbão | 19/10/2012

Microsoft e Barnes & Noble juntas na batalha pelo mercado digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Canso de ouvir no Brasil que a Barnes & Noble está falindo e indo pelo mesmo caminho que a falecida Borders. E isto está longe da verdade, como já expliquei em Não Confunda Barnes & Noble com Borders. É claro que a revolução digital que vem se impondo ao mercado editorial tem afetado a maior rede livreira do mundo e sua situação está longe de ser confortável. Mas a verdade é que a Barnes & Noble tem reagido com dignidade e sucesso, tendo, por exemplo conquistado um market share de 22% do mercado de eReaders com seu Nook, avançando sobre a até então intocável fatia da Amazon [dados da pesquisa The Rising of E-reading, da Pew Internet].

Hoje, um anúncio conjunto da megalivraria e de outra gigante de Seattle, a Microsoft, deve ter calado os mais catastróficos: “Barnes & Noble e Microsoft formam parceria estratégica para desenvolver experiências de leitura digital de nível mundial para consumidores“.

Sob o anúncio pomposo, o que vai acontecer de fato é a formação de uma nova empresa, subsidiária da Barnes & Noble, onde a Microsoft terá uma participação de 17,6% após uma ingestão de US$ 300 milhões. A nova empresa vai acolher sob suas asas não apenas a divisão do Nook, mas também os negócios ligados à educação e ao mercado universitário da livraria. O efeito mais imediato da parceria será o desenvolvimento de um aplicativo Nook para o Windows 8, próxima versão do sistema operacional da Microsoft  que funcionará em tablets e PCs. Um efeito menos imediato, mas extremamente relevante, está ligado à inclusão do negócio educacional na parceria, pois trata-se do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica top de linha para a distribuição e gerenciamento de materiais educacionais digitais para alunos e professores.

William Lynch, CEO da Barnes & Noble, enfatizou durante o anúncio por webcast esta manhã, que graças ao apoio da Microsoft será possível “desenvolver uma plataforma robusta para materiais didáticos”. Fica claro então que, a princípio, o papel da Microsoft será o de desenvolvimento tecnológico e de disseminação global da plataforma do Nook.

Na prática, o anúncio de hoje muda muita coisa no mundo dos livros digitais. Em primeiro lugar, marca a entrada da Microsoft em um jogo que ela parecia ignorar. A grande verdade é que toda a tecnologia de e-reading até agora foi desenvolvida praticamente sem nenhuma participação da empresa de Bill Gates. A chegada da outra gigante de Seattle desequilibra bastante as forças no mercado de e-books. Se antes tínhamos as megaempresas Amazon, Apple e Google, seguida pelos menores Barnes & Noble e Kobo, agora a rede de livrarias passa a brincar de igual para igual com os três maiores. É interessante observar também que, se antes a Barnes & Noble tinha uma briga mais direta com a Amazon, por serem ambos varejistas de livros, agora surge outra briga mais direta, desta vez com a Apple, na medida em que o Nook passa a andar de mãos dadas com o Windows.

Perguntado no webcast como a parceria afetaria a plataforma Android do Nook, Lynch explicou que não mudaria nada neste momento, uma vez que “o foco do acordo está  na liberação de experiências de leitura para centenas de milhões de estudantes e leitores que usam Windows”, e não na tecnologia dos atuais aplicativos.

Espere um pouco. Centenas de milhões? Os EUA têm apenas 300 milhões de habitantes e o Nook só está presente por lá [apesar dos boatos, nem na Inglaterra a plataforma foi lançada ainda]. Ou seja, uma grande internacionalização do Nook faz parte da estratégia que está criando a nova subsidiária da Barnes & Noble. E isto faz todo o sentido. Enquanto Google, Apple e Amazon possuem atuação global, e até a Kobo promulga suas aspirações mundiais a todo o momento, a Barnes & Noble era a única ainda presa a um único mercado consumidor. E apesar de ter tido um grande sucesso na obtenção de conteúdo internacional, especialmente graças ao excepcional trabalho de Patricia Arancibia, sua diretora de conteúdo internacional, a verdade é que a loja da Barnes & Noble só existe nos EUA.

Com a Microsoft, a Barnes & Noble tem a possibilidade de globalizar sua plataforma de forma rápida e descomplicada. Para o mercado brasileiro e mundial, portanto, mais importante do que a separação do negócio digital da Barnes & Noble em uma subsidiária, mais importante do que ter o negócio educacional sob este mesmo guarda-chuva e mais importante do que a força da tecnologia da Microsoft, está a internacionalização da plataforma Nook, que agora poderá chegar a todos os pontos do planeta onde a empresa de Bill Gates esteja presente.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

Barnes & Noble registra grandes vendas do leitor digital Nook


A Barnes & Noble registrou grandes vendas trimestrais do leitor Nook e se beneficiou com a liquidação final da concorrente Borders, mas a maior rede de livrarias dos Estados Unidos alertou que os esforços para promover o produto podem pesar nos ganhos.

A companhia, que apostou seu futuro na capacidade do Nook de competir com o Kindle, do Amazon.com, disse que as vendas de aparelhos eletrônicos, incluindo e-books, cresceram 85%, para US$ 220 milhões, no segundo trimestre fiscal terminado em 29 de outubro.

O Nook Tablet, durante uma demonstração no evento de lançamento do aparelho

Mas desenvolver e promover o dispositivo em uma campanha nacional pesou nos resultados.

A Barnes & Noble realmente tem que investir mais do que havia planejado para acompanhar o Kindle“, disse o analista Peter Wahlstrom, da Morningstar.

A Barnes & Noble, que lançou o novo Nook no mês passado, disse que o Ebitda [sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização] do fechado do ano deve ficar no piso da previsão anterior – de US$ 210 milhões a 250 milhões, e que a rede “planeja investir mais pesado” na divulgação do Nook.

A rede teve um prejuízo líquido de 6,6 milhões de dólares no segundo trimestre fiscal, ou US$ 0,17 por ação, comparado com uma perda de US$ 12,6 milhões, ou US$ 0,22 por ação, um ano antes.

Entre o lançamento do Nook, em 7 de novembro, e o fechamento dos mercados na última quarta-feira, as ações da empresa subiram 50% na crença de que a companhia conseguirá manter o ritmo da Amazon na batalha dos leitores digitais [os chamados e-readers] e tablets.

Segundo a empresa de pesquisa Forrester Research, a Barnes & Noble está em segundo lugar no mercado de leitores digitais, perdendo apenas para a Amazon.

DA REUTERS | Publicado em português por Folha.com | Tec | 01/12/2011 – 14h14

É muito chato ler na tela, diz Paulo Coelho sobre livro eletrônico


Paulo Coelho

Era uma vez um mago que vendia milhões de livros pelo mundo. Uma editora do seu país pensou que, a partir de histórias já existentes, ele poderia atingir mais uns milhares de leitores, especialmente estudantes, e criou um projeto com esse fim.

Ainda é cedo para saber a moral da história, mas, pelo roteiro, essa não seria má: “Se bem reciclado, o sucesso é fonte que nunca seca”.

Senão vejamos. O mago é o escritor Paulo Coelho, 64. A editora é a Saraiva [possui rede de livrarias e atua no setor de didáticos], que, por meio do selo Benvirá, acaba de lançar na Bienal do Rio “Fábulas”, com histórias de Esopo e La Fontaine adaptadas pelo autor de “Diário de um Mago”.

Além disso, o projeto de levar Coelho a crianças e jovens inclui a edição revisada de três títulos do autor [“O Alquimista”, “Veronika Decide Morrer” e “O Demônio e a Srta. Prym”] com “guias didáticos de leitura”, para serem usados em salas de aula.

O diretor editorial da Benvirá, Thales Guaracy, diz que as “Fábulas” são a primeira obra que Coelho faz por encomenda, a partir de uma sugestão da editora.

O escritor relativiza. “Não existe isso, ninguém me encomenda nada. Se eu quisesse, teria parado de trabalhar há dez anos. Faço isso porque eu adoro, não posso viver sem esse tipo de trabalho”, afirma, em entrevista à Folha, por telefone, de sua casa no interior da França.

Coelho conta ter se entusiasmado com o projeto. “Antigamente eu escutava no rádio a famosa frase ‘No tempo em que os animais falavam’. Ao reler tudo aquilo, estou aprendendo e revendo toda a minha infância, estou tentando falar para a criança que eu fui e continuo sendo.”

Ele admite que as alterações em relação às fábulas consagradas são “bem sutis” –o que indica quanto o peso da grife conta nessa jogada.

“No fundo, quanto mais próximo ficasse da ideia original, melhor. E foi o que eu fiz. É uma adaptação na qual procuro guardar o máximo de fidelidade ao original.”

Livro eletrônico e livrarias

É muito chato ler na tela. O que é que acontece: o cara baixa o meu livro –tenho todos os meus livros em todas as línguas [disponíveis para download]–, e diz: que bobagem, tô economizando nada, quando posso comprar um livro, carregar esse livro, curtir esse livro, viajar com ele, não cansar minha vista com esse livro. Aí o cara vai comprar o livro. Ele já teve uma amostra, é um trailer de um filme. Essa é a primeira coisa que as pessoas ainda não entenderam. É enxugar gelo, é irreversível.

A segunda coisa irreversível é o livro eletrônico. A França, o Brasil, a Espanha, os editores se reuniram e criaram umas corporações, “aqui não entra o livro eletrônico”. Entrou.

Mas tampouco é uma ameaça à livraria, que é um mundo mágico. Eu, por exemplo, leio muito em Kindle. Eu entro numa livraria, eu olho e posso escolher. Sempre compro mais livro do que leio. Mas vou ali, folheio, olho. Se eu quero ir no Kindle, sem conhecer o que eu quero, eu não vou achar.

Eu te dou dados concretos de amigos meus bem posicionado nessas plataformas eletrônicas: o livro eletrônico vai chegar a 25% do mercado, não vai passar disso, justamente por causa dessa ausência de [ferramentas de] procura. Quando meu Kindle fica vazio, fico desesperado, começo a procurar, procurar. Já baixei muita droga, já baixei livros que eu não imaginava que fossem bons. Você vai numa livraria, tem outras opções.

Então o que você está vendo agora é a volta das livrarias independentes. Sabe essas coisas que você não imagina, [todos pensavam que] acabou a livraria independente. As cadeias estão indo à falência, a Borders nos EUA, a Waterstones foi vendida na Inglaterra, você entra numa Fnac e vê tudo menos livro. Mas as livrarias independentes começaram a voltar, coisa que, há cinco anos, se você me perguntasse, eu diria que seria irreversível.

Leia a reportagem completa aqui.

Por Fabio Victor | Folha de S.Paulo | 10/09/2011

CBL oferece curso de Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa – 25 de Agosto de 2011

EUA vão à briga contra a Amazon


Enquanto as livrarias fecham as portas nos Estados Unidos, a Amazon, maior vendedora de livros no país através da internet, não precisa pagar uma série de impostos estaduais aplicados sobre vendas. Essa isenção da gigante do varejo eletrônico tem irritado alguns Estados e os concorrentes que possuem lojas físicas.

A vantagem da Amazon se deve a uma lei antiga que tenta controlar as vendas interestaduais. Mas essa legislação é anterior ao advento do comércio na internet, que hoje domina muitos setores, incluindo o de livros. Deixando de arrecadar bilhões todos os anos, a Califórnia foi o primeiro Estado a instituir impostos sobre o comércio online.

A Amazon e outras empresas, como a eBay, têm recorrido à Justiça e tentam até mesmo organizar um referendo. A tendência, segundo analistas, é de que muitos eleitores, que consomem seus produtos, se posicionem a favor das empresas, porque eles chegam a pagar até 8% menos graças a essa isenção.

Ainda assim, outros Estados, incluindo Nova York, também passaram a pressionar a Amazon para conseguir ampliar a sua receita, sem a necessidade de elevar impostos sobre a população. O senador democrata Dick Durbin, de Illinois, apresentou nesta semana um projeto de lei no Congresso para regulamentar as vendas interestaduais.

Diferença. Nos EUA, os Estados e mesmo municípios adotam taxas e impostos sobre vendas distintos, o que complica na hora de verificar as compras realizadas em outras jurisdições. O Wall Street Journal publicou, nesta semana, reportagem dizendo que a Amazon aconselha seus funcionários a evitarem alguns Estados.

Além dos governos estaduais, as livrarias com base física também reclamam dos benefícios da Amazon e de outras empresas que vendem livros por meio da internet. Além de precisarem pagar pelo espaço físico de suas lojas, essas empresas são obrigadas a aplicar o imposto sobre as vendas, que chega a atingir 8% em alguns Estados, como justamente a Califórnia e também Nova York. Consequentemente, os livros ficam mais caros, e alguns consumidores optam por encomendar na internet.

Diante da crise que afeta as livrarias, nenhuma das duas maiores redes dos EUA, a Barnes & Noble e a Borders, possuem lojas na região central de San Francisco. Elas também fecharam algumas de suas principais filiais em Manhattan neste ano. Para complicar, a Borders decretou concordata e a rival Barnes & Noble enfrenta uma crise financeira. Para se adaptar aos novos tempos, tenta migrar para o mercado de vendas via da internet.

Os leitores eletrônicos [e-readers], como o próprio Kindle, da Amazon, também afetam as livrarias tradicionais, que temem sofrer o mesmo destino das lojas de CDs. Estas praticamente desapareceram com o advento dos tocadores de música digital [mp3] e a possibilidade de baixar músicas na internet.

Por Gustavo Chacra | O Estado de S.Paulo | 05/08/2011

O mundo editorial não depende só de si


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 03/08/2011

No último dia 24 de julho, iniciou-se uma grande mudança no mercado de e-book. Teve seu primeiro impacto na Kobo, mas não tem nada a ver com a Borders.

A Kobo distribuiu uma nova app para o iOS [que é o sistema operacional da Apple para iPad e iPhone] que não contém mais o link direto para sua loja dentro do programa. Isso significa que comprar novos livros na Kobo exige que o usuário vá até Kobo.com através do browser [não é nada difícil, mas significa alguns passos a mais] em vez de acessá-la por um toque dentro da app.

Outras notícias nessa história ainda em andamento é que a app do Google foi “tirada” e que a app do Nook for Children não tem mais o link para a loja. Devemos esperar que as apps da Kindle e da Nook para adultos passem pela mesma mudança no futuro próximo [neste momento que o artigo está sendo publicado em português, Kindle e Nook já lançaram suas atualizações de app, sem o link direto para compra]. Isso quer dizer que a forma mais simples e direta de comprar e ler e-books no iPad ou no iPhone será através da iBookstore. Significará, certamente, um crescimento no market share da iBookstore à custa de todas as outras lojas de e-book. Também vai significar que muita gente que lê seus e-books num aparelho com iOS [sou um deles] e prefere usar qualquer uma das outras lojas [e também sou um desses] terá inconveniências e ficará aborrecido.

No entanto, também é verdade que a Apple vai se beneficiar desta mudança mesmo que muitos clientes fiquem ressentidos.

A questão mais enfática de tudo isso é que o mercado de livros é uma rolha flutuando numa correnteza de aparelhos digitais. Não controlamos nosso ambiente. Devemos continuar nos adaptando às decisões dos maiores players, alguns dos quais têm pouca disposição para dialogar e mínimos interesses no que é melhor do nosso ponto de vista, só se importando com a melhor estratégia para eles.

Sou culpado por manter uma visão centrada nas editoras em relação à possibilidade de que a Apple realmente forçasse a regra que levou a todas essas mudanças. Algo que começou a aparecer, como rumor, em fevereiro. Quer dizer: com esperança, quando ouvi pela primeira vez sobre essa possibilidade há seis meses, pensei que não aconteceria. Quis acreditar que como a Apple tinha se beneficiado substancialmente da presença das apps de e-books na sua plataforma, e como há milhões de pessoas que leem e-books em seus aparelhos Apple, mas preferem outros readers [apps] e outras eBookstores, que a Apple não forçaria essas regras que dizem que essas apps e livrarias estavam operando fora das normas.

Vou tentar não voltar a cometer esse erro. Uma das outras grandes empresas recentemente me elogiou pela facilidade com que aceitei a ideia de que empresas [e pessoas] agem em interesse próprio. Foi o que a Apple fez aqui.

O que isso significa depende da sua posição.

A Barnes&Noble [Nook], Google e Kobo se beneficiaram enormemente da chegada da Apple em abril de 2010 porque trouxe consigo o modelo de venda de “agência” que equilibrava os preços em todas as lojas para os e-books publicados pelas grandes editoras. Sem agência, muitos acreditam [e eu sou um deles] que as políticas agressivas de dumping do Kindle da Amazon em relação aos livros mais importantes teria diminuído seriamente a competitividade.

A B&N precisa de todo centavo que conseguir economizar, para investir no desenvolvimento do aparelho e no marketing; eles ficariam numa posição bem ruim se tivessem de abrir mão de margem de lucro para competir por consumidores.

A Google conseguiu fechar um acordo com umas 300 lojas independentes nos EUA para serem parceiras em seu programa de e-books. Poderiam não ter nem 10% disso se as independentes achassem que teriam de competir com o dumping de preços nos best-sellers. Quando a Random House aderiu ao modelo de agência no começo de março do ano passado – 11 meses depois que começou – uma das razões dadas foi responder ao desejo de lojas independentes em vender e-books, o que só seria possível se fosse pelo modelo de agência.

A Kobo sempre teve uma estratégia global que poderia permitir que crescessem mesmo se tivessem problemas no mercado norte-americano. Mas eles estavam tentando competir com os preços da Amazon nos tempos pré-agência e como o menor dos grandes players de e-books globais, eles teriam de ser considerados como os mais vulneráveis num ambiente caracterizado pela guerra de preços.

Essa mudança deve significar uma perda de vendas para todos eles. É difícil ver como poderia ser diferente.

A Amazon vai perder vendas também, mas eles podem ganhar no geral só porque a vida também vai ficar um pouco mais complicada para B&N, Kobo e Google.

Todas essas livrarias ganharam muito [mas não revelam seus dados] com o grande sucesso dos iPads e iPhones, além da capacidade de acesso, de forma direta e sem custo, a partir desses aparelhos. É claro que a Amazon e a Barnes&Noble venderam muitos Kindles e Nooks, claro [o aparelho da Kobo também está competindo e logo a Google vai lançar o seu], e estariam vendendo muitos e-books mesmo se os aparelhos da Apple não existissem. As editoras sabem que, entre 55-65% das vendas de e-books vêm da Amazon e 20-30% de seus e-books são vendidos pela Barnes&Noble; algumas dessas vendas são lidas em aparelhos dedicados e a maioria do resto em aparelhos com iOS. Mas eles não têm ideia de qual é seja a porcentagem. Agora vão começar a descobrir quando as vendas de outras livrarias passarem a vir da iBookstore. [Vendas da iBookstore, Kobo, Google e outras constituem entre 15-20% do total, às vezes até bem menos].

De todas as formas, o evidente benefício que a Apple e os aparelhos com iOS costumavam representar às livrarias agora fica reduzido em valor, mas o modelo de agência continua [para alegria de todos, menos da Amazon], assim como a capacidade de seus clientes usarem iPads e iPhones para consumir seu conteúdo.

Algumas editoras vão ter de reconsiderar suas estratégias.

Como a Amazon só vai aceitar contratos com os termos de agência com as Seis Grandes [eles têm formas de oferecer 70% de participação nas vendas, mas não abrem mão de ter o controle dos preços], como algumas editoras não gostam do modelo de agência e como a iBookstore não tem sido muito agressiva em termos de conteúdo como seus competidores [não tenho certeza sobre isso, mas parece que todos os outros players possuem equipes muito maiores buscando conteúdo do que a iBookstore], há editoras vendendo para as outras livrarias e não para a Apple. Eu imaginaria que elas poderiam estar esperando uma súbita queda de vendas através do iOS, apesar de não saberem exatamente a divisão de mercado.

E isso aponta para uma grande diferença entre as editoras e as livrarias. As livrarias sabem quanto de suas vendas são feitas pelas diferentes apps dos clientes. Eles também sabem quantos e-books estão sendo lidos em aparelhos com iOS. As editoras não têm ideia. No longo prazo, isso mostra como as editoras podem se beneficiar se novos players entrarem no mercado – Anobii no Reino Unido [que nos contou que vão repassar os dados para as editoras] e a Bookish nos EUA [que ouvimos, de forma indireta, que vão fazer o mesmo] – e conseguirem algum market share de maneira que possam fornecer visibilidade sobre o consumo, que as editoras não possuem agora.

E isso me leva de volta à metáfora sobre a rolha numa correnteza de aparelhos digitais. Não havia mercado de e-books sério antes de a Amazon lançar o Kindle, se dedicar realmente a vendê-lo, e usar a capacidade que tinham então para sacrificar margem de lucro e criar uma proposta comercial forte que foi a catalisadora para criação do mercado. Não havia competição séria para a Amazon até a nova diretoria da Barnes&Noble lançar o Nook com um compromisso forte de fazê-lo conhecido, usando sua presença em lojas físicas para apresentar os e-books a novos públicos e, com aparelhos mais inovadores, contribuindo para o explosivo crescimento da leitura em formatos digitais.

Não havia restrição na capacidade da Amazon de usar seu poder financeiro para dar descontos no conteúdo das editoras a fim de conseguir crescer no mercado até que o novo aparelho da Apple, o iPad, criou novos modelos de vendas que forçaram a estabilidade do preço e, ao mesmo tempo, deram às editoras uma nova capacidade de maximizar a renda e usar o preço como ferramenta de marketing.

Não havia forma eficiente de apresentar aos leitores de livros a conveniência da leitura digital sem o investimento num aparelho dedicado até que o iPad colocou essa capacidade em milhões de mãos que nem sabiam que queriam aquilo.

Não havia grande motivação para as lojas de e-book apresentarem interoperabilidade entre os aparelhos até muitos donos de aparelhos também se tornarem donos de iPhone e iPad.

Notamos que todas essas mudanças no mercado foram criadas por outros, não pelas editoras. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, tampouco nova. As editoras também não participaram no investimento que criou as megastores e nem na Amazon nos anos 90, coisas que aumentaram suas vendas. O papel de uma editora é usar os canais que estão disponíveis para colocar livros nas mãos dos leitores.

Dentro da perspectiva da maioria das editoras, essa mudança poderia ter pouco impacto. Qualquer leitor que usa iPad ou iPhone e quer um livro, ainda pode encontra-lo e compra-lo. Se a loja da Apple se fortalecer à custa do Kindle e do Nook, isso constitui uma diversificação de mercado que é boa para eles [se o impacto cair de maneira desproporcional sobre o Nook, no entanto, isso será ruim.]

Mas a simbiose feliz entre eBookstores e a Apple, pela qual as primeiras têm acesso aos clientes que, de outra forma, não teriam, e a Apple é capaz de entregar a seus clientes o conteúdo que não teria em outras circunstâncias, parece ter chegado a um fim. E a iBookstore, que estava brigando por migalhas depois que a Amazon tomou metade do mercado de e-books dos EUA e a B&N mais da metade do restante, está a ponto de se tornar um competidor mais importante.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 03/08/2011

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Pearson vai administrar sites da Borders e da Angus & Robertson


A Pearson Australia vai assumir a área de negócios on-line da rede australiana de livrarias falida, a REDGroup, que inclui os sites da Borders e a Angus & Robertson. Os sites serão administrados de forma independente e a Pearson assinou um acordo com a Kobo para o fornecimento de e-books. O REDgroup entrou em“administração voluntária” em fevereiro e desde então tem enfrentado o fechamento de uma série de lojas.

Por Graeme Neill | The Bookseller | 04/07/2011

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

O futuro das livrarias na era dos tablets


Diante do avanço dos leitores digitais, grandes redes investem em expansão, diversificam o portfólio e reforçam a oferta de livros eletrônicos

No mês passado, a Borders, segunda maior rede de livraria dos Estados Unidos, pediu concordata e decidiu fechar 30% das suas lojas. A justificativa foi a dificuldade da empresa em se ajustar diante das novas tecnologias. A chegada dos leitores digitais revolucionou o mercado literário e obrigou as principais redes a repensarem o modelo de negócio. O que tira o sono dos principais executivos é saber qual será o peso do livro impresso no faturamento.

A rede Amazon informou que no último trimestre de 2010, pela primeira vez na história, os livros para o Kindle [leitor digital da empresa] foram mais vendidos que os tradicionais. A relação foi de 115 livros eletrônicos comercializados para 100 físicos. Hoje, os livros digitais respondem por uma fatia entre 3% e 10% do faturamento das editoras no mercado americano. Para 2015, a projeção é que quase metade das receitas venha dos livros digitais.

No Brasil, as redes brasileiras já começaram a se movimentar diante do avanço dos tablets [leitor digital]. Um estudo recente da consultoria IDC revela que 300 mil unidades serão vendidas este ano no País, contra 100 mil aparelhos comercializados em 2010.

A Livraria Cultura já fez as contas: espera que 5% do seu faturamento venham dos livros digitais até 2012. O número pode parecer pequeno, mas o salto almejado é grande. Atualmente, esse segmento corresponde a 0,5% do faturamento da rede. “O mercado ainda não tem a resposta para avaliar qual será o impacto exato nas vendas com a chegada das novas tecnologias“, diz Fabio Herz, diretor de marketing e relacionamento da livraria. “Pesquisa tem muita futurologia, mas uma livraria não vai sobreviver só com o livro tradicional“, avalia Herz.

Para diversificar o seu faturamento, a Livraria Cultura já oferece os eBooks e AudioBooks. CDs e DVDs também fazem parte do seu cardápio de ofertas. A rede segue apostando nas lojas físicas e planeja para este ano a inauguração de mais três – as duas primeiras no Rio de Janeiro e uma em Curitiba. Em 2010, a Cultura teve um aumento de 17% no seu faturamento. Para este ano, a meta da rede é manter o crescimento próximo dos 20%.

Megastore. A Livraria Saraiva é a que mais surfa na diversificação de produtos. Desde 1996, a livraria aposta nas lojas tipo megastore – em que a ênfase para a venda de produtos tecnológicos é grande. Das 100 lojas do grupo, 52 são megastore. “Já somos os maiores vendedores de iPad, também estamos entre principais vendedores da Apple, da HP e Sony Vaio no Brasil“, diz o diretor-presidente da companhia, Marcílio Pousada.

A direção da Livraria Saraiva trabalha para que em três anos 10% do faturamento venham de outros serviços, como a venda de livros digitais e também de serviços financeiros [cartão de crédito] e informática [venda de computadores]. Recentemente, a rede anunciou que também vai entrar no segmento de turismo com a criação da Saraiva Viagens, que irá oferecer passagens aéreas e pacotes turísticos. “A empresa se reinventa sempre. Trabalhamos com a tendência do futuro. Em 2009, começamos a vender filmes pela internet e, no ano passado, passamos a vender livro de forma digital“, afirma Pousada.

A rede planeja ainda abrir mais duas lojas em São Paulo neste ano – no shopping Alphaville e no Tamboré. A meta é inaugurar quatro unidades por ano. Na avaliação de Pousada, a Saraiva continuará investindo na abertura de lojas tipo megastore onde julgar viável. Para ele, esse tipo de negócio funcionará para atrair os compradores para atividades culturais, de entretenimento e lazer. “Não abro mão de ter contato com o cliente“, diz.

Exceção. Das três maiores redes do Brasil, a Livraria Nobel é a única que não mostra interesse em investir em livros digitais tão cedo. Para o diretor Sérgio Milano Benclowicz, o mercado não será atrativo pelos próximos cinco anos. “As vendas ainda são pífias. Só vamos entrar nesse mercado quando o volume for relevante.

Apesar de não ter planos para aderir ao mercado digital no curto prazo, as 200 lojas da rede procuram diversificar o seu negócio para crescer. Segundo Benclowicz, a Nobel conta com uma forte oferta do setor de papelarias e, em algumas lojas, comercializa DVDs e CDs. “No ano passado crescemos 12% e a expectativa para 2011 é de 10%“, diz.

A perspectiva de negócio da Nobel vai na contramão até mesmo das redes menores. Criada no bairro boêmio da Vila Madalena, em São Paulo, a Livraria da Vila – com cinco unidades – decidiu apostar nos livros digitais. A rede não trabalha com metas anuais definidas de expansão, mas ainda aposta no contato direto com o cliente. “Enxergamos livraria como um ponto de encontro”, diz o dono Samuel Seibel. “Vamos ter mais lojas, sem pressa, com planejamento“, Neste ano, a Livraria da Vila vai inaugurar a sua sexta unidade, no shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo.

Apesar de ter uma fatia menor do mercado de livros, a rede enxerga nas novas tecnologias uma nova possibilidade de negócios. Tanto que, nos últimos meses, o sistema de vendas da Livraria da Vila passou por uma mudança para permitir a comercialização de livros eletrônicos. “Em breve iremos começar a vender os livros digitais. Sobre os aparelhos em si, estamos também discutindo qual será a melhor forma tê-los em estoque“.

Polos culturais. Na avaliação de Seibel, é prematuro fazer qualquer previsão para as novas formas de negócios, mas ele acredita que as livrarias passarão a ser vistas como polos culturais e lugares de encontro para realização de cursos, debates, palestras e peças teatrais. “Se essa visão serve para um horizonte de cinco, 10 ou 50 anos, isso realmente não saberia avaliar“.

Com 11 unidades, todas no Rio de Janeiro, a Livraria da Travessa deve começar a comercializar os leitores eletrônicos a partir de junho. A nova empreitada da empresa é classificada pelo sócio principal, Rui Campos, como “um terreno nebuloso“. “Ninguém sabe sobre o futuro. Tem muita opinião apressada e ainda existem muitas dúvidas.

A Travessa já firmou parceria com quatro empresas para a distribuição de livros eletrônicos. “O grande varejo passa por ondas. A gente está usando a teoria do Darwin: a sobrevivência é do produto mais forte e adaptável.“, diz Campos.

Por Luiz Guilherme Gerbelli | O Estado de S.Paulo | 07 de março de 2011

Empresas foram lentas na busca pela tecnologia


O fim das grandes livrarias americanas era uma tendência natural com o aumento da encomenda de livros pela internet e também da venda das versões virtuais para e-readers. O problema, segundo analistas, é que as gigantes do setor, especialmente a Borders, não se adaptaram para estes novos tempos e viram a Amazon dominar o mercado.

Muitos consumidores ainda veem os títulos dos livros que querem ler em filiais da Barnes&Noble e da Borders e, em vez de comprá-los, esperam para voltar para a casa, entrar no computador e encomendar pela internet uma versão impressa ou baixar diretamente em algum e-readers – os preços das versões virtuais costumam ser menores do que os dos livros impressos.

Em vez de criar a sua própria loja virtual quando o mercado começou a surgir há mais de uma década, a Borders, em 2002, decidiu terceirizar para a Amazon a área de encomendas, entrando no setor em 2008, quando já era tarde. O e-reader da Borders denominado Kobe não é conhecido de muitos leitores, que se referem ao aparelho como “kindle da Borders” – kindle é o nome do e-reader da Amazon.

Analistas acreditam que a Barnes&Noble pode ser favorecida no curto prazo pelo fechamento das filiais da Borders, que em muitos casos ficavam próximas uma das outras. Mas a empresa também permanece atrás no mercado e-readers, apesar de seu Nook ter mais mercado do que o Kobe. Nas lojas ainda aberta da empresa, o espaço dedicado à venda do aparelho tem ganho cada vez mais destaque.

Independentemente de sobreviver ou não, o mais provável é que a Barnes&Noble precise se transformar em “uma editora virtual”, segundo escreveu o especialista no mercado de tecnologia Michael Wolf. E, cada vez mais, atue como a Amazon na venda de livros.

Por Gustavo Chacra | O Estado de S.Paulo | 06 de março de 2011

À beira do ponto crítico


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/03/2011 | Tradução Marcelo Barbão

Às vezes, e parece que isso acontece com muito mais frequência hoje em dia, o futuro chega mais rápido do que se espera.

Seguidores desse blog, e dos meus discursos antes de existir um blog [este é de 2001!], sabem que há muito tempo espero o momento em que muitas pessoas passarão a ler mais e-books do que livros impressos. Errei no ritmo que isso ia acontecer. [Há dez anos eu esperava que isso acontecesse em 2006 ou 2007.] Errei em relação à questão da diferença que faria um aparelho de leitura [leio muito confortavelmente no celular, e antes disso num PDA, por isso achei que poucos iriam querer mais um aparelho somente para ler]. E estou repensando minhas expectativas em relação aos enhanced e-books e à utilidade da leitura social.

Mas há muito tempo ficou claro para mim que os e-books oferecem vantagens incríveis sobre os impressos – portabilidade, facilidade de compra e custos menores que devem inexoravelmente reduzir os preços – e que isso iria influenciar muitas das pessoas que, cada vez mais, estão na frente de uma tela a maior parte de seu tempo. E minha longa experiência lidando com a administração de livrarias deixou evidente que a consequente diminuição de vendas em lojas físicas iria levar a falências, o que aumentaria as distâncias para os clientes chegarem às lojas, e isso por sua vez motivaria mais pessoas a comprar livros impressos ou digitais online. O que iria levar a mais falências. É um círculo virtuoso se você estiver no negócio do e-book ou de vendas de livros impressos on-line. Ou se quiser ver os norte-americanos consumindo menos gasolina.

É um círculo vicioso – uma espiral mortal – se você é dono de uma livraria.

Michael Cader, da Publishers Lunch, informou [é preciso ser assinante para acessar os links] que os números da BookScan mostram uma queda na venda unitária de livros impressos em torno de 4,4 % de 2009 para 2010. Mas não acredite nesse número. Já está desatualizado. Cader fez uma análise mais profunda de mais dados recentes da BookScan mostrando que as vendas de livros impressos tinham caídomais de 15% em comparação com o ano anterior nas primeiras seis semanas de 2011! E a parcela de livros impressos vendidos online continua aumentando, então isso, quase com certeza, significa que as vendas em lojas caíram ainda mais rapidamente. As vendas de livros impressos em lojas podem ter caído 20% ou 25% em comparação com o ano passado? Claro que sim!

Vendas de iPads, Kindles e Nooks excederam as expectativas para o Natal de 2010. Dominique Raccah, chefe da editora independente Sourcebook, uma empresa com uma linha diversificada, informou em seu blog que as vendas em sua empresa em janeiro foram 35% através de métodos digitais!

Não me espanta que ela diga: “Podemos estar bem no ponto de virada. Suspeito que vamos ver alguma revisão quando os editores olharem seus números no final do primeiro trimestre de 2011.”

Ouvi o argumento de umas pessoas muito inteligentes falando que a adoção do e-book vai se estabilizar em algum momento. Como ela tem dobrado, ou mais, nos últimos três anos e tem sido frequentemente colocada entre 13 e 19% para nova ficção e não-ficção no último trimestre de 2010, sabemos que não poderá continuar a dobrar nos próximos três anos, ou iria ultrapassar os 100%. Mesmo assim, previsões de que as vendas de e-books chegarão aos 50% nos próximos cinco anos e que o espaço em prateleiras nas livrarias vai cair igualmente pela metade nos próximos cinco anos – que era a minha opinião – parecia algo bastante agressivo há seis meses.

Não parece mais.

A parcela de renda que a Borders representava para as editoras está ao redor de 8%. Poderia ser 10% ou 12% se víssemos só as vendas em lojas físicas. Assim, se a Borders desaparecesse completamente amanhã [e isso não vai acontecer] e mesmo se todo livro que eles vendessem em suas lojas fossem, de alguma forma, comprados na loja de outra pessoa [o que não vai acontecer], a redução da venda de livros em lojas seria tão grande que todas as outras livrarias, coletivamente, veriam um declínio substancial de vendas ano a ano.

Tudo isso significa que 2011 será um verdadeiro “apertem os cintos, o piloto sumiu” para as editoras. E Raccah está certa ao afirmar que as editoras ficarão um tanto quanto perdidas ao olharem seus números no primeiro trimestre desse ano.

Um impacto sobre o qual as editoras sofisticadas estão conscientes, mas que não é tão óbvio para olhos pouco treinados, é que com as vendas caindo, as porcentagens de retorno, inevitável e inexoravelmente, vão subir. Quando um editor calcula uma porcentagem de devolução para qualquer período – uma semana, um mês, um trimestre ou um ano – está medindo as devoluções recebidas e creditadas naquele período em relação às vendas feitas no mesmo período. Mas a devolução na verdade está ligada às vendas feitas em períodos anteriores; mesmo na pior das situações, poucos livros são devolvidos menos de três meses depois de seu pedido.

Então, o que está acontecendo agora é que os envios estão diminuindo – quase nenhum ou muito pouco para a Borders e com expectativas caindo em outros lados – enquanto que as devoluções estão crescendo porque estão sendo devolvidos os pedidos feitos a partir das expectativas mais altas dos últimos seis ou doze meses. Isso significa que as vendas por internet que estão sendo realizadas agora – envios menos devoluções – poderiam, para muitos, ser um desapontamento que beira a desolação.

E as porcentagens de devolução não são as únicas porcentagens problemáticas. Duas outras nas quais se baseiam as editoras serão mais desafiadoras.

A porcentagem do preço de um livro impresso que é constituído pelo “custo unitário de fabricação” é um. O custo unitário é algo extremamente sensível. Se você está imprimindo menos livros e se precisa segurar os preços de varejo [duas coisas que certamente acontecerão], a porcentagem da receita gasta na criação de livros impressos irá aumentar.

O segundo ponto problemático é que as editoras gostam de pensar os custos fixos como porcentagem. Muitas editoras ainda seguem a prática pouco inteligente de colocar um cálculo de porcentagem sobre os custos fixos em seus cálculos de cada livro. Mas se o volume de vendas cair mais rápido do que os custos fixos puderem ser reduzidos, essa porcentagem aumentará também. E não dá para reduzir de forma eficiente esses custos rapidamente. Demitir pessoas é geralmente uma ilusão; estamos sempre ouvindo falar de freelancers que conseguem trabalho porque as editoras demitiram a equipe que costumava fazer a mesma tarefa. Mas, além disso, custos de manutenção do espaço de trabalho e galpão de armazenamento, além de investimentos em sistemas não sobem ou diminuem de acordo com o volume [que é exatamente por isso que é um erro de lógica calculá-los como uma porcentagem da renda!]. Editoras que estão usando porcentagens sobre custos fixos para calcular suas margens em cada título que contratam vão descobrir que esses números precisam ser reconsiderados também.

Apesar de a Barnes & Noble sentir a queda nas margens de todas as livrarias físicas, eles estão, sem dúvida, bem conscientes da sua crescente importância para todas as editoras num futuro mundo sem a Borders. A B&N quase certamente estará procurando melhores termos de negociação e as editoras quase certamente sentirão a fraqueza de sua posição ao lidar com esses pedidos. E isso sem contar o fato de que as editoras realmente querem que uma Barnes & Noble saudável mantenha sua capacidade de mostrar os seus livros ao público.

Então, as vendas estão caindo, os retornos estão crescendo, o custo dos bens está subindo, as margens das vendas estão caindo, e manter os custos fixos corretos será um problema crescente. A boa notícia é que as vendas dos e-books estão crescendo e as margens deles – pelo menos até agora – foram bem preservadas.

Mas o primeiro sinal significativo de que os preços dos e-books vão cair chegou com a notícia de que e-books de 99 centavos de dólar estão começando a aparecer na mídia e nas listas de best-sellers que saem no The New York Times e no USA Today. Isso cria alguns problemas horríveis. Coloca autores anteriormente desconhecidos com livros por 99 centavos de dólar aparecendo como criadores de best-sellers. E encoraja as editoras já estabelecidas a cortar os preços para alcançar números de vendas que os coloquem nessas listas.

No mínimo, imagino que as editoras vão começar a pedir que o New York Times e o USA Today considerem a renda total que um livro gera no comércio [preço vezes unidade] quando criarem as listas, e não se baseiem somente nas quantidades de exemplares vendidos. Como as editoras estabelecidas compram muito mais anúncios que os autores de livros de 99 centavos, podemos esperar que eles, pelo menos, dêem alguma atenção a elas.

As editoras terão de lutar para manter seu negócio lucrativo e repensar muitas das práticas mais reconhecidas nas próximas semanas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/03/2011 | Tradução Marcelo Barbão

Livraria perde para livros on-line e pede concordata


EUA: A Borders Group fez um pedido de proteção judicial contra falência nesta quarta-feira [16] e afirmou que planeja fechar quase um terço de suas livrarias após anos de vendas fracas que tornaram impossível para a empresa administrar sua dívida.

A esperada concordata da companhia dará à segunda maior rede de livrarias dos Estados Unidos uma chance de arrumar suas finanças e encolher seus negócios em um momento em que os consumidores optam cada vez mais por produtos on-line. O processo de recuperação judicial pode ajudar a rival maior Barnes & Noble, que também enfrenta dificuldades, por conta da queda no número de lojas rivais.

O presidente da Borders, Mike Edwards, afirmou que a rede “não tem recursos de capital que precisa para ser uma competidora viável”. Ele acrescentou que a recuperação judicial é essencial para que a empresa possa reestruturar sua dívida enquanto continua operando.

A Borders, fundada em 1971 como uma pequena rede de livrarias em Ann Arbor, no Estado de Michigan, foi pioneira no conceito de superlojas na década de 1990 junto com a Barnes & Noble, mas a empresa enfrentou dificuldades para se adaptar às rápidas mudanças geradas no mercado editorial pelas inovações tecnológicas.

A incapacidade da empresa de montar um negócio on-line significativo e sua quase ausência no crescente mercado de livros digitais tornou difícil a tarefa de manter o ritmo imposto por Barnes & Noble e pela varejista online Amazon.com.

As vendas da empresa caíram a taxas de dois dígitos percentuais em 2008, 2009 e em cada trimestre de 2010. A companhia teve quatro presidentes-executivos nos últimos três anos e teve dois vice-presidentes financeiros em 2010.

A Borders, que tem um quadro de 6.100 funcionários, opera 508 superlojas com sua marca e uma cadeia de lojas menores chamada Waldenbooks.

A companhia informou que vai fechar cerca de 30% de suas lojas nas próximas semanas. Nos últimos anos, a maior parte dos fechamentos de lojas ocorreu na rede Waldenbooks.

A Borders tinha até 25 de dezembro compromissos que somavam 1,29 bilhão de dólares e ativos de 1,28 bilhão.

Por Reuters | 16/02/2011

iFlow permite ler e-books da Cultura no iPad [sem quebrar o DRM]


No início de dezembro de 2010, uma nova app chegou discretamente à loja de apps da Apple. Com o nome de iFlow, a princípio parecia ser apena mais um e-reader para iPhone/iPod e iPad. Mas uma pequena análise do aplicativo já demonstrou que havia algo mais ali. A grande vantagem do iFlow é que, apesar da existência de uma iFlow Bookstore, ele permite que você leia nele qualquer outro livro digital em formato ePub. Até aí os leitores da Kobo e o próprio iBooks fazem isso, mas o iFlow abre ePubs com DRM da Adobe Editions! Isto quer dizer que livros comprados em e-bookstores da Google, Sony, Borders e Kobo podem ser lidos no iFlow! E, no que interessa a nós, tupiniquins, livros comprados nas ebookstores brasileiras como Livraria Cultura, Gato Sabido e Saraiva também podem ser abertos e lidos no novo aplicativo, mantendo-se o DRM dos arquivos intactos.

A vantagem para quem compra livros da Livraria Cultura [e de outras ebookstores menores como a soteropolitana Grioti] é óbvia: graças ao iFlow é possível ler os livros no iPad e iPhone/iPod, já que estas lojas não possuem apps próprias. Para e-bookstores com aplicativos próprios para iPad e iPhone, como a Saraiva e a Gato Sabido, a vantagem pode parecer menor, mas para mim ela ainda é imensa. Explico: assim como ninguém tem em casa uma prateleira para cada livraria onde compra livros, ninguém vai querer ter uma app para cada e-bookstore onde adquire e-books. Assim, apps que aceitam livros com DRM de outras lojas trazem uma grande vantagem.

Eu acredito que a maioria das pessoas vai sempre ter a app da Amazon em seus iGadgets, primeiro por ela ser uma condição sine qua non para usar o modelo proprietário da gigante de Seattle e, segundo, porque a app deles é excelente. Além da app da Amazon, acho que o público leitor de iPads e iPhones terá um ou dois aplicativos em suas telas para ler ePubs. E talvez um destes seja o iFlow. Aliás, vale lembrar que o iBooks não tem agradado muito à torcida. Eu mesmo acho meio patético aquelas páginas virtuais virando…

A outra grande novidade do iFlow é que ele trata os e-books como um conteúdo que flui, ignorando a paginação – daí o nome iFlow. Ou seja, você lê passando as páginas verticalmente, como a leitura que já estamos habituados a fazer em tela. Quem quiser “virar as páginas” também pode por meio de dois botões virtuais. Pode-se também optar pelo fluxo automático das páginas e regular a velocidade… Mas haja concentração!

Para ler os livros de outras lojas no iFlow é preciso fazer o cadastro gratuito no aplicativo ou no site [www.iflowreader.com]. No processo, deve-se cadastrar o username e senha da Adobe Editions. E é aí que vem a pegadinha. Pelo menos por enquanto não é possível importar os ePubs DRMizados no iPad ou no iPhone. Isto tem de ser feito no site, mas é um processo simples e indolor. Basta clicar em “Import a Book” depois de fazer o login e escolher os arquivos .epub dos livros que você quer importar. Os livros da Cultura e Gato Sabido ficam no diretório “My Digital Editions” dentro de “Meus Documentos”. Os eBooks da Saraiva ficam dentro de “Livro Digital Saraiva” também em “Meus Documentos”. Outras lojas virtuais, como a Sony, criam diretórios dentro de “My Books”. Enfim, a primeira vez pode ser difícil achar, mas depois fica fácil.

O iFlow é uma ótima alternativa de app de leitura para iPad e iPhone. Ainda tem muito para melhorar, mas já é melhor que qualquer app de leitura nacional.

Texto escrito por Carlo Carrenho | Publicado originalmente no Blog Tipos Digitais | 08/01/2011

O Livro Na Era Digtal na USP


A palestra “O Livro na Era Digital” ministrada por Ednei Procópio no dia 26/10/10, às 9h, no evento “XIII Semana do Livro e da Biblioteca”, realizado na USP/ESALQ/DIBD em Piracicaba.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Google tenta reescrever o mercado de livros digitais


O Google Inc. está nos estágios finais para o lançamento de seu aguardado empreendimento no setor de livros eletrônicos, a Google Editions, que pode sacudir a forma como os e-books são vendidos.

A iniciativa, que está atrasada — executivos do Google haviam dito que esperavam fazer o lançamento em meados deste ano —, acaba de superar várias barreiras técnicas e legais, disseram pessoas próximas da empresa. O lançamento nos Estados Unidos está previsto para este ano ainda e, internacionalmente, para o primeiro trimestre de 2011, disse Scott Dougall, diretor de gerência de produtos do Google.

Nas útimas semanas, livreiros independentes, que devem ter papel importante na Google Editions, começaram a receber contratos de sua associação. Vários editores informaram que estavam trocando arquivos com o Google — um sinal de que o lançamento está próximo, dizem editores. “Por causa da complexidade desse projeto, nós não quisemos sair com algo que não estivesse completo“, disse Dougall.

A Google Editions espera transformar o mercado de livros eletrônicos oferecendo um modelo aberto, do tipo “leia em qualquer lugar”, que difere do dos concorrentes. Os usuários poderão comprar livros de vários varejistas on-line — inclusive livrarias independentes — e adicioná-los a uma biblioteca on-line ligada a uma conta do Google. Eles poderão acessar sua conta do Google em qualquer dispositivo com um navegador de internet, como computadores, smartphones e tablets.

É uma abordagem bem diferente da usada pela Amazon.com Inc., que tem uma participação estimada de até 65% do mercado. Os usuários de seu leitor Kindle só podem comprar livros da própria Amazon, apesar de poderem lê-los em dúzias de diferentes aparelhos que rodam o software do Kindle e também acessarem livros gratuitos de outras fontes.

Detalhes importantes do projeto do Google permanecem sem resposta. O principal é qual porcentagem da receita o Google dividirá com livrarias independentes e outros vendedores. Também não está claro quantos e quem são os parceiros para a venda dos livros. A expectativa é que mais de 200 livreiros independentes dos EUA participem, segundo a Associação de Livreiros Americanos.

Por causa do alcance do Google — a ferramenta de busca atrai 190 milhões de usuários de internet nos Estados Unidos por mês, quase 1 bilhão no mundo, segundo a comScore Inc. —, muitos acreditam que a Google Editions tem o potencial de transformar o incipiente mercado de e-books. Espera-se que a venda de livros digitais nos EUA mais do que triplique em relação a 2009, quando movimentou US$ 301 milhões, e atinja a marca de US$ 966 milhões este ano, de acordo com a Forrester Research.

O Google afirma que está numa missão de alcançar todos os usuários de internet, e não apenas aqueles com os tablets, por meio de um programa pelo qual os websites remeterão seus usuários para a Google Editions. Por exemplo: um blog relacionado a surfe poderia recomendar um livro sobre surfe, direcionar os leitores para a Google Editions para comprá-lo e dividir os lucros com o Google. Por meio de outro programa, as livrarias poderiam vender livros Google Editions a partir de seus websites e dividir a receita com o Google.

O Google irá transformar todo espaço da internet que fale sobre um livro num espaço em que você pode comprar aquele livro“, diz Dominique Raccah, editora e proprietária da Sourcebooks Inc., uma editora independente sediada a em Naperville, Estado do Illinois. “O modelo do Google vai provocar muitas vendas. Nós achamos que eles podem obter 20% do mercado de e-books muito rápido.

A estratégia de não ter o seu próprio aparelho para a leitura dos livros digitais poderia dar uma vantagem competitiva ao Google, diz Brian Murray, diretor-presidente da HarperCollins Publishers Inc., editora da News Corp. À medida que o número de aparelhos portáteis de leitura — incluindo tablets e smartphones — se proliferar, a Google Editions será beneficiada “porque a sua tecnologia pode ser a menos dependente de aparelhos específicos”, diz ele. A News Corp. é proprietária do Wall Street Journal.

O Google assinou acordos com muitos dos principais editores de livros e a expectativa é que ofereça centenas de milhares de títulos para compra e outros milhões de graça. A maioria dos títulos disponíveis atualmente em livrarias físicas estariam disponíveis na Google Editions “no lançamento ou logo depois”, disse James Crawford, um diretor de engenharia do Google. Os preços de venda serão parecidos com os da Amazon e Barnes & Noble Inc.

Mas o Google também está enfrentando obstáculos devido ao começo tardio e ao modelo diferente.

Muitos compradores de livros digitais estabeleceram uma lealdade com os vendedores baseada em experiências de compras bem-sucedidas. O Google tem um histórico fraco no varejo que não vai muito além da venda de anúncios.

A empresa já está enfrentando resistência de alguns dos maiores vendedores de livros. Eles dizem que não precisam do serviço. “Não vejo vantagem em promover o conteúdo deles, especialmente porque ele pode ser pequeno em termos de receitas totais“, diz Michael Edwards, diretor-presidente da unidade de venda de livros da Borders Group Inc., que vende e-books por meio de um acordo com a Kobo Inc., de Toronto.

Mesmo assim, alguns livreiros independentes que não podem pagar para abrir suas próprias livrarias virtuais acreditam que a Google Editions poderá ser o portal que permitirá a entrada deles no mercado digital. Os independentes instalarão tecnologia do Google em seus websites para que possam vender livros digitais e receber uma fatia da receita.

Se eu não acompanhar o que está acontecendo, ficarei para trás“, diz Liz Murphy, proprietária da The Learned Owl Book Shop, de Hudson, Ohio, que está ansiosa para ver o que o Google vai fazer. “As pessoas estão comprando e-books, mas elas não estão comprando de mim.

A loja de e-books é uma extensão do ambicioso — e por vezes controverso — plano do Google de digitalizar os 150 milhões de livros do mundo e torná-los acessíveis aos usuários da ferramenta de busca e pesquisa da empresa. Graças a vários centros de digitalização de livros localizados perto das principais bibliotecas, executivos do Google dizem que 10% do projeto, apelidado Google Books, já está completo.

O lançamento da Google Editions, que, alertam editores, foi atrasada antes e pode ser atrasada de novo, ocorre num momento crucial na transformação dos livros digitais.

Os aparelhos eletrônicos de leitura ficaram muito mais acessíveis. Quando a Amazon lançou o Kindle, em 2007, ele custava US$ 399. Hoje, é possível comprar um aparelho por US$ 150 ou menos. Com o lançamento do iPad da Apple Inc., em abril, mais de 15 milhões de e-readers e tablets serão vendidos até o fim de 2010, em comparação com os cerca de 2,8 milhões de leitores digitais de 2009, prevê a Forrester.

Por Jeffreu A. Trachtenberg, Jessica E. Vascellaro e Amir Efrati | Publicado originalmente em The Wall Street Journal

Leitores eletrônicos ganham ímpeto e estimulam vendas


Os leitores eletrônicos dispararam em popularidade nos últimos anos, e continuarão a ganhar ímpeto entre os norte-americanos, mas talvez se mantenham como um nicho ocupado principalmente por bibliófilos dedicados.

Cerca de oito por cento dos leitores dos Estados Unidos empregam leitores eletrônicos. Mas uma pesquisa da Harris Interactive divulgada na quarta-feira demonstrou que cerca de 12 por cento dos norte-americanos disseram que era provável que obtivessem um aparelho desse tipo nos próximos seis meses.

Com a expectativa de que continue a alta nas vendas dos leitores eletrônicos, e com a chegada de novos modelos, é inevitável que os hábitos de leitura dos norte-americanos mudem,” afirmou a Harris em comunicado.

A pesquisa envolvendo 2.775 adultos norte-americanos demonstrou que entre os proprietários de leitores eletrônicos a probabilidade de compra de livros é muito maior do que entre os demais entrevistados.

Cerca de um quinto dos usuários de leitores eletrônicos adquiriram 21 ou mais livros nos últimos 12 meses, uma média bem superior aos 12 por cento de consumidores comuns que compraram em ritmo semelhante. Os livros eletrônicos hoje respondem por três por cento das vendas de livros, mas os analistas antecipam que essa proporção venha a se quadruplicar até 2015.

De acordo com a consultoria Forrester Research, o Kindle, da Amazon.com, lançado em 2007, já vendeu mais de cinco milhões de unidades, enquanto a maior cadeia de livrarias norte-americana, a Barnes & Noble, vendeu cerca de um milhão de leitores eletrônicos Nook desde que o modelo foi lançado no ano passado.

Outros aparelhos bem vendidos são o Sony Reader e o computador tablet Apple iPad, que funciona como leitor eletrônico.

Amazon, Barnes & Noble, Apple e o Borders Group, que não fabrica leitores eletrônicos mas os vende, estão envolvidos em uma guerra pelo crescente mercado de livros eletrônicos, e os aparelhos são parte crucial de sua estratégia.

Apesar de toda sua popularidade, os leitores eletrônicos parecem destinados a se manter populares principalmente entre os bibliófilos mais ávidos. Cerca de 60 por cento dos norte-americanos entrevistados na pesquisa disseram que não era provável que adquirissem um leitor eletrônico nos próximos meses.

Por Phil Wahba | Publicado originalmente por Reuters Life! | © Thomson Reuters 2010 All rights reserved | Quarta-feira, 22 de setembro de 2010 16:20 |

Na Borders, e-reader chega a custar US$ 99,99


Já tem e-reader custando US$ 99,99 nos Estados Unidos. Esse é o preço do Aluratek Libre eBook Pro, que a Borders começou a vender na última quarta-feira  [1º]. Ela aproveitou a maré e reduziu em US$ 20 o preço do Kobo, que passa agora a custar US$ 129. O Libre é um leitor básico, com tela de LCD e recursos multimídia, como MP3 player. Já o Kobo tem tecnologia e-ink. Além disso, ela começa a vender dois tablets nos próximos dias. O Velocity Cruz Reader chega em 30 de setembro e o Velocity Micro Cruz Tablet, no dia 15 de outubro. Os aparelhos já estão em pré-venda. Para ver os outros modelos que a Borders vende, clique aqui.

PublishNews

Livraria americana baixa preço de leitor de e-book para menos de cem dólares


A partir de 1/9, Borders vende o Aluratek Libre por US$ 99,99; analista do Yankee Group prevê que aparelhos custarão até US$ 50 em 2011.

O preço-base dos e-readers vai cair para menos de cem dólares nesta quarta-feira [1/9], quando a rede americana de livrarias Borders começar a vender o Aluratek Libre eBook Pro por 99,99 dólares.

A varejista também anunciou na terça-feira [31/8] que começa a vender o e-reader Kobo a partir desta quarta-feira por 129,99 dólares, 20 dólares a menos que o preço anterior.

O CEO da Borders, Mike Edwards, descreveu a iniciativa como uma forma de “ainda mais clientes comprarem e-readers por bons preços”.

Especialistas têm previsto por algum tempo que os preços dos e-readers – principalmente os que usam displays do tipo e-ink – cairiam para menos de cem dólares.

O Libre tem um monitor LCD que a Borders descreve como “de fácil leitura”, mas que para muitos analistas parece difícil de usar depois de horas de uso. O Libre parece ter sido projetado para uso multimídia – ele inclui um tocador MP3 embutido.

O Kobo, em comparação, usa tecnologia e-ink, considerada mais fácil de ler sob a luz do sol e que oferece muitas tonalidades de cinza.

Tablets Android

A Borders afirmou que sua estratégia inclui a oferta de uma variedade de aparelhos. Ela destacou que também vende os tablets Velocity Micro Cruz Reader R101 e o Cruz Tablet T103, ambos com sistema Android, por 199,99 dólares e 299,99 dólares, respectivamente. Os dois usam telas de 7 polegadas sensíveis ao toque e permitem navegação na web.

O analista Dmitriy Molchanov, do Yankee Group, previu que os preços de alguns e-readers com telas e-ink monocromáticas cairiam para 50 dólares, provavelmente no ano que vem, à medida que alguns fabricantes concentrem seu foco em telas coloridas multifuncionais que poderão ser vendidas por preços maiores. Aparelhos com telas e-paper coloridas deverão ser lançados em meados de outubro.

Muitos analistas acreditam que os consumidores comparam os vários e-readers com o iPad e sua tela LED de 9,7 polegadas. O iPad tem preços a partir de 499 dólares e oferece diversas funções multimídia.

Por Matt Hamblen | Computerworld/EUA | Publicada em IDG Now! | 01 de setembro de 2010 às 08h55

O que falta para um verdadeiro “Kindle Brasileiro”?


Esse artigo é uma “carta aberta” aos desenvolvedores nacionais de leitores eletrônicos e eBooks, junto com uma breve análise de mercado e sugestões de como melhorar seus produtos.

Mercado Global

No final de 2007, a Amazon lançou o Kindle original, um leitor eletrônico de livros, que se integrava à sua loja virtual, oferecendo eBooks diretamente para o aparelho. O Kindle não foi o primeiro produto do mercado, a tecnologia de tela por e-Ink já existia comercialmente há pelo menos 3 anos na época, inclusive com leitores funcionais, como o Sony LIBRIé, no Japão em Abril de 2004 e sua evolução para o mercado global na forma do Sony Reader em Setembro de 2006.

Mesmo com o Kindle não sendo o primeiro aparelho, ele foi maior sucesso comercial em sua categoria pelo simples motivo de ter toda uma estrutura por trás para melhorar a experiência do usuário: os livros podiam ser comprados de forma transparente via rede 3G, o acervo de eBooks era razoável e o preço era justo; essas vantagens estruturais eram tão convidativas, que os usuários até ignoravam as limitações do aparelho propriamente dito comparado com outros já existentes, como a falta de toque na tela, backlight e suporte ao formato ePub.

Apenas recentemente, outras livrarias americanas conseguiram criar uma estrutura similar à da Amazon, como a Barnes & Noble, com seu leitor Nook e a Borders com o Kobo e outros leitores eletrônicos.

Mercado Brasileiro

Aqui no Brasil, apenas nos últimos meses vimos projetos de leitores eletrônicos aparecendo, com todos eles sendo lançados praticamente juntos, a tempo da Bienal do Livro de São Paulo. Até onde eu pude catalogar, temos disponível: o Positivo Alfa, o Coolreaders COOL-ER, o Mix Leitor D e o Braview BR-100-TX; todos com tela e-Ink de 6 polegadas e outras similaridades de hardware.

Apesar de todo o esforço nacional, esses projetos estão fadados ao fracasso se não evoluírem para alcançar o Amazon Kindle, que já está disponível no Brasil desde Outubro de 2009, e com as sucessivas quedas de preço chega mais acessível que os preços sugeridos dos concorrentes nacionais. Isso tudo sem levar em conta a maturidade o aparelho e o serviço oferecido pela Amazon. O único ponto onde os nacionais realmente têm alguma chance é no acervo em português, o que também é apenas uma questão de tempo para a Amazon, tempo que esse que é o limite máximo para os nacionais evoluírem, se perderem essa janela não há mais volta.

Replicando o Kindle

Essa não é uma tarefa fácil, o Kindle já está em sua terceira edição, teve sucessivos updates de software, possui um orçamento desproporcional em R&D [Pesquisa e Desenvolvimento], ou seja, é um produto bastante maduro e estabelecido. Em contrapartida, os leitores nacionais são licenças OEM de leitores genéricos, apenas com localização para o mercado local; em termos de hardware eles mal chegam ao nível da primeira edição do Kindle, já com 3 anos de idade.

Eu sei que é injusto comparar o hardware, todas as telas de e-Ink, de todos os leitores que usam essa tecnologia vêem de um único fornecedor, e a Amazon tem recursos suficiente para trabalhar em conjunto com essa empresa e conseguir prioridade na disponibilidade das inovações, como por exemplo, a última versão da tecnologia, chamada de e-Ink Pearl, hoje apenas disponível no recém-lançado Kindle 3.

Para os leitores nacionais se destacarem, a maneira mais efetiva atualmente é via software e serviços:

Software: o leitor não pode ser apenas uma versão traduzida de um leitor chinês básico, ele precisa oferecer vantagens reais para o usuário, como:

  • Integração melhor com as livrarias online.
  • Text-to-Speech [leitor de tela] em português.
  • Sistemas de bookmark, destaque e anotações.
  • Dicionário integrado em português [o Positivo Alfa já vem com o Aurélio].
  • Interface intuitiva.
  • Tipografia otimizada para e-Ink, com “hinting” de fontes.
  • SDK aberta para desenvolvimento de Apps.

Serviços: o leitor sozinho não é muito atrativo para o consumidor atual de livros, segue alguns exemplos de serviços que agregam valor ao aparelho:

  • Sincronismo de bibliotera pessoal “na nuvem”.
  • DRM Opcional.
  • Softwares leitores alternativos para PC, celulares e tablets.
  • Sincronismo de última página entre softwares e o leitor.
  • Sincronismo de outros serviços, como anotações, bookmark, etc.
  • Sistema se assinatura de periódicos em parceria com jornais e revistas.
  • Loja de Apps e incentivo aos desenvolvedores.
  • Recomendações, “clube do livro”, conteúdo editorial.
  • Integração com redes sociais.
  • Primeiros capítulos de graça.
  • Sistema fácil de publicação direta para os autores.
  • Programa de afiliados.
  • Ofertas periódicas, “livro da semana”, etc.
  • Sistema de empréstimo digital de livros.

Se algum leitor nacional conseguir completar a maioria dos itens dessa lista e conseguir oferecer um preço justo, eu garanto que a próxima Bienal do Livro vai ser predominantemente digital!

A Receita do Bolo

Hardware

  • A tecnologia de tela é padronizada, a única diferença que alguém pode ter nesse aspecto é ter suporte touchscreen, mas mesmo assim isso é apenas uma camada extra sobre a tela de e-Ink padrão, que todos têm o mesmo acesso, ou seja, a tela é commodity! A função de hardware que realmente impacta a experiência do usuário é a conectividade, seja ela via 3G ou Wi-Fi. Os hardwares projetados no Brasil precisam ter isso em mente, e os que licenciam hardware chinês pronto precisam colocar isso no topo da lista de novas funcionalidades para cobrar do fornecedor.

Software / Serviços

  • Interface: Não é segredo que os leitores possuem a mesma base de software: Linux como Sistema Operacional e alguma variante de FBReader como leitor de eBooks; daí pra frente é pura questão de interface gráfica. Os projetos nacionais precisam investir mais em usabilidade, fazer testes com usuários, encontrar e corrigir as partes de software que geram confusão, etc. Para isso é necessário integrar as esquieps de Design, User Experience [“UX”] e Quality Assurance [“QA”].
  • Performance: Os leitores nacionais fazem feio na hora da ação mais simples possível do leitor: virar páginas! e não estou falando do tempo de refresh do e-Ink, eles passam a maior parte do tempo renderizando a página seguinte em memória para finalmente aplicar na tela de uma vez. Uma equipe de engenheiros é fundamental para otimizar o código. Soluções simples, como renderizar previamente algumas páginas em memória, por exemplo, podem melhorar bastante a reputação do produto, e uma boa equipe de engenheiros de programação conhece todas essas técnicas.
  • Text-to-Speech: Esse recurso não é útil apenas para deficientes visuais, qualquer usuário pode passar por uma situação onde precise de um acesso alternativo ao conteúdo, como por exemplo: descoforto ao ler em meios de transporte, receio de tirar o leitor da bolsa/mochila por segurança, etc. Existem vários projetos Open-Source de leitura de texto, alguns até com vozes em português do Brasil, pronta para serem usadas, só precisa ser “colada” pela equipe de desenvolvimento. Segue um exemplo de um fragmento narrado pelo eSpeak com a voz em português, é meio robótica, mas não é muito diferente do que o Kindle oferece em inglês:
    Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, com saudosa lembrança, estas memórias póstumas, Machado de Assis.
  • Softwares de Leitura: Atualmente a Amazon, Barnes & Noble e Borders oferecem seus eBooks tanto em leitores dedicados, como via software para Windows, Mac OS X, iOS [iPhone, iPod touch, iPad], Android e Blackberry. Para se equiparar com esses serviços é necessário pelo menos suportar a plataforma Windows e iOS, e pensando no futuro suportar também Android. O software nào precisa ter todas as funcionalidades do leitor dedicado, mas precisa pelo menos suportar os fortados de eBooks com e sem DRM, e sincronizar as últimas páginas entre eles. Antes de sair programando é necessário estabelecer uma API comum a todos, a partir daí delegar uma plataforma para cada equipe, podendo ser inclusive terceirizadas.
  • Dicionário Integrado: A Positivo saiu na frente com esse recurso, oferecendo o Dicionário Aurélio no Alfa. Mas além disso, existem outros bons dicionários que podem ser licenciados, tudo que precisa é uma boa negociação e uma breve adaptação técnica do banco de dados do dicionário para o formato do leitor.
  • Tipografia Avançada: Quando o assunto são fontes não tem muito pra onde correr, é melhor entrar em contato direto com uma Font-Foundry [empresa que desenha e distribui fontes] que tentar otimizar fontes abertas por conta própria. Poucos fabricantes se dão conta, mas as fontes são fundamentais para a legibilidade do leitor eletrônico, especialmente com as limitações de cores e resolução das telas de e-Ink. O processo e otimizar uma fonte para uma determinada resolução é chamado de “hinting”, onde os designers ajustam os traços dos caracteres para se enquadrarem melhor nos pixels. O recomendável é fechar parcerias com empresas grandes, como Bitstream, Monotype ou Adobe; e não confiar apenas nas fontes simples oferecidas pelos OEMs.
  • SDK para Apps: Esse provavelmente é o passo mais complexo de todos! requer uma grande equipe multi-disciplinar, suporte à uma comunidade de desenvolvedores e todas as burocracias envolvidas na distribuição. Apesar da complexidade, os resultados são bastante promissores se forem bem implementados; e se conseguir usar uma linguagem ou framework já populares é melhor ainda, especialmente usando linguagens de script, como Python ou Lua.
  • Integração com Livrarias: Essa é, de longe, a maior barreira de usabilidade dos leitores eletrônicos atuais: é muito difícil para um usuário leigo comprar os primeiros livros e copiar para o aparelho! A integração com as lojas é simplesmente obrigatória para um produto bem-sucedido. O ideal é o próprio dispositivo possibilitar a compra, mas caso o hardware não ofereça meios de conexão, o uso de softwares gerenciadores integrados às lojas já ajuda nessa tarefa.
  • Cloud Computing: Uma estrutura centralizada de servidores, que guardam dados dos livros, bookmarks, anotações, etc. Esse recurso depende mais da loja de eBooks que do fabricante, mas uma parceria com o fabricante do leitor é fundamental para integrar esses serviços. Isso requer uma equipe de programação especializada em Web e e-Commerce, atém de “SysAdmins”, DBAs e outros profissionais necessários para manter os serviços no ar.
  • Assinatura de Periódicos: Para oferecer um serviço como esse é preciso padronizar modelos de assinatura e cobrança, além de fechar parcerias com jornais e revistas de grande circulação, mas isso é basicamente negociação, o maior desafio técnico é entregar esse conteúdo, o que pode ser resolvido da mesma forma que integração com a loja: preferencialmente via wireless, com opção via software gerenciador.
  • Redes Sociais: Aqui podem ser agrupados uma série de recursos simples, mas que podem impactar bastante a experiência do usuário, como por exemplo: notificações tipo “estou lendo…” no Facebook, trechos de destaque de texto via Twitter, etc. Não precisa de uma equipe muito técnica para isso, apenas bastante criativa, e que entenda as dinâmicas sociais dos amantes de livros.

Conclusão

Executar todas essas idéias é uma missão monumental, e como eu já dei a entender, é muito pouco provável que algum fabricante, livraria ou editora consiga implementar tudo, afinal o custo é bem proibitivo, a mão-de-obra é escassa e a concorrência do Kindle é quase desleal. Mas mesmo assim é algo que eu investiria se tivesse os recursos para isso! o mercado de eBooks tende a crescer bastante. Eu sei que os eBooks nunca vão matar os livros de papel, mas com certeza vão fazer parte da vida de todos em breve!

Este Artigo está licenciado sob Licença Creative Commons Atribuição 3.0 | Por Ronaldo Ferreira | Publicado originalmente em Racum Tecnologia

Lojas próprias são o futuro para eBooks


Uma das características recorrentes de “mudança” é a de que uma coisa nova se pareça com aquilo que ela está tomando lugar. E o mesmo está acontecendo com os e-books e seus pontos de venda. Os e-books têm sido, em sua maior parte, exatamente como os livros de papel só que com tela. E quando digo “o mesmo”, quero dizer exatamente duplicar até mesmo páginas em branco e a página de direitos encontrado em livros impressos, inclusive com as informações sobre quantas edições aquele livro teve [isso ainda acontece frequentemente; acabei de passar por essa experiência com The Big Short que estou lendo agora no leitor digital da Barnes & Noble].

E o revendedor de e-books também imitou a venda de livros impressos ao dar ênfase à maior concentração de títulos em um único lugar. Esse é um paradigma que faz sentido no mundo real: se pego meu carro e vou até uma megastore, não quero chegar lá e descobrir que os livros de mistério estão lá mas os de culinária estão em uma loja no próximo quarteirão.

Esse é um “fato” pré-estabelecido [apesar de questionar se é verdadeiro, como explicaremos mais tarde]: quanto maior a seleção de livros oferecidos em um único lugar, maior o poder de atrair consumidores. Meu pai descobriu isso quando ele era o gerente de uma loja da cadeia Brentano nos anos 60. A loja de Short Hills, Nova Jersey era a pior da rede até que eles dobraram a seleção de títulos. E então, como mágica, ela se tornou a melhor em performance em toda a rede.

A Amazon comprovou esse aspecto quando começou nos negócios nos anos 90. Apesar de não ser a primeira livraria online, foi a primeira que realmente tentou ter todo tipo de produto à venda. De fato, eles foram muito além de “ter de tudo” ao prover uma base de dados [obtidos da Baker & Taylor, mas isso é uma outra história] que nos mostrava não apenas todos os livros impressos, mas também todos os livros que estavam fora de catálogo!

O pensamento da época, de editoras e revendedores, era de que não seria bom sugerir títulos fora de catálogo como resultado de uma pesquisa. Mas, é claro, essa era a vantagem competitiva deles. Rapidamente se tornaram o melhor lugar para busca por causa da completa base de dados e, na verdade, confirmando para o cliente que “o que você quer é um livro que foi publicado, mas não está prontamente disponível” tornava mais fácil oferecer um substituto. Enquanto que a loja [online ou não] que não tinha o livro [por estar fora de catálogo], mas que também não fornecia a informação, tampouco conseguia vender um livro alternativo.

A importância da seleção de livros foi novamente provada pela Amazon quando eles lançaram o Kindle em novembro de 2007 e acenderam o fogo, que ainda se espalha, do e-book. Antes do Kindle, havia talvez 100 mil títulos em e-books disponíveis em PDF que poderiam ser lidos em um computador, mas o número não chegava nem perto disso quando se tratava de equipamentos menores [Palm, Mobi, Ditlit]. A Amazon lançou o Kindle com aproximadamente 150 mil títulos e usou seu poder de mercado para convencer as editoras a dar mais e mais do livro mais novo, do livro “sensação”, no formato deles [para Kindle] e o mais perto possível da data da publicação impressa.

Havia outras características do Kindle [habilidade de armazenar livros usando tecnologia wireless e instantaneamente sem precisar de intermediários; a facilidade para ser lido; o dicionário incluso; a profunda relação com um grande número de compradores de livros online; e, claro, os preços atraentes em relação às edições impressas dos livros mais vendidos] foi combustível para o sucesso instantâneo, mas a seleção robusta de títulos era um elemento crítico.

Então até aquele momento – e alguém pode dizer até este momento – a maior seleção de livros disponíveis em um único lugar tem sido tão importante para um vendedor virtual de e-books quanto foi historicamente para um vendedor de livros impressos em uma loja física.

Anos atrás, percebi que o poder de atração de uma grande seleção em uma única loja física tinha diminuído. Quando papai dobrou o inventário da Short Hill, ele oferecia títulos que os consumidores não poderiam encontrar em nenhum outro lugar das proximidades. Quando a Barnes & Noble e a Borders pegaram dinheiro de Wall Street para imitar o modelo da Bookstop de megastores com mais de 100 mil títulos nos anos 90, eles estavam disponibilizando com grande conveniência para os consumidores, livros que antes era necessário muito esforço para serem encontrados. Mas o espaço sem limites das prateleiras de uma loja online diminuiu a vantagem e nos primeiros anos dessa década me pareceu que o consumidor achava tão poderosa a ilimitada disponibilidade de títulos online que poderiam ser entregues em um ou dois dias que o apelo de ter uma grande seleção de títulos diminuiu.

Mas há outra ameaça na história de venda de livros [em lojas físicas e online] que acredito que se tornará em breve o paradigma dominante na venda de livros. E, é claro [só pra lembrá-lo de qual blog está lendo], isso se encaixa no conceito de “verticalidade”.

As editoras sabem há muito tempo que bons acordos podem ser feitos e grandes vendas realizadas através do que chamamos “varejistas especializados” [O rótulo dado a essas vendas em uma editora, e outras como vendas por catálogos ou vendas Premium, é “Canais Alternativos”]. A loja que vende as ferramentas e materiais para repintura do seu assoalho pode vender um livro que explica como fazê-lo. A loja que vende computadores, papel e tinta pode também vender manuais e livros de ajuda para usuários de computador. A loja de jardinagem pode vender livros que ensinam como fazer suas rosas florescerem.

A megastore online Amazon, e outros comerciantes online [e não só de livros], tem operado programas de fidelidade pelos quais um site ganha comissão em vendas feitas quando um cliente chega até eles por um link no site de outro. Isso geralmente funciona quando o site participante promove um título em particular; quando o visitante clica no link, o consumidor é levado ao site da Amazon ou da B&N por causa desse título. Se o consumidor compra, o site que o encaminhou leva uma comissão. Essa receita não representa uma grande quantidade de dinheiro para os sites que encaminham clientes [apesar de que às vezes chega a representar], mas acredita-se que [como tudo que envolve a Amazon não temos dados que confirmem isso] cumulativamente, referências de talvez milhões de afiliados direcione um volume significativo de clientes para Amazon [e outros sites].

E isso é o mais longe que as “vendas especiais” foram no mundo de e-books. Mas acho que a partir daqui isso está para mudar e a mudança que veremos nos próximos anos vai acabar com a noção de “todos os assuntos em um só lugar” é uma vantajosa jogada de marketing, online ou em loja física. Muitas vendas de livros, e particularmente as vendas de e-books, vão passar a vendedores “contextuais”. O site do seu contador vai vender livros que o ajudam a entender a nova lei de imposto ou como se preparar para vender seu negócio. Seu site favorito de esportes vai vender a nova biografia do Kaká. E o seu boletim informativo preferido sobre “Crítica Literária” vai atender suas necessidades de adquirir um livro de ficção sem ter que passar por vastas listas de livros em uma megastore online.

Isto é: uma oferta acurada de e-books [a um clique da habilidade de comprar mais conteúdo além da seleção acurada] será apresentada em todo site que tenha tráfego significante. Entregar conteúdo comprável – livros agora, mais recentes revistas, artigos mais curtos, e áudio relevante [e vídeo] – vai se tornar um conteúdo normal de qualquer site [ou comunidade web] que aspira uma verdadeira aproximação com os visitantes do site. “O que eu li ultimamente e gostei; e porquê” é uma informação que se esperar de qualquer blogueiro ou comentarista com seguidores.

Algumas semanas atrás, a Barnes & Noble fez seu anúncio regular dos resultados financeiros e as expectativas para o futuro. Nesse anúncio a B&N expressou a expectativa de que o mundo do e-book se estabeleceria em cinco grandes empresas e que a B&N seria uma delas. Com essa perspectiva, eles se vêem com proporção razoável – diria 20% – do mercado de e-book.

Minha primeira reação a isso foi: “O que eles estão pensando? Não serão cinco vendedores online, serão cinco milhões.” Um dia ou dois depois eu tive uma conversa com um dos meus gurus pessoais de tecnologia que viu do mesmo modo o comunicado da Barnes & Noble [“vai se consolidar, como aconteceu com o negócio da música”]. Ele também fez muitas perguntas práticas. Em qual equipamento esses livros serão lidos? Como todos esses sites individuais vão lidar com formatação, com DRM, com serviços ao consumidor? Em outras palavras, “grande visão, Mike, mas como isso pode funcionar?”

Eu acho que isso vai funcionar como os sites afiliados funcionaram, mas de uma maneira mais sofisticada. Um operador central forte facilita a oferta comercial de um player. O prenúncio do futuro é o acordo anunciado alguns dias atrás entre a F+W Media e a Ingram Digital. A Ingram está criando todos os sites especializados da F+W [e são vários sites para muitos diferentes grupos verticais de interesse] com a habilidade em vender livros eletrônicos e online de todas as editoras para o tráfego do site deles [Apesar de termos relações de trabalho com ambas empresas, não estamos envolvidos no negócio e não sabemos nenhum detalhe].

Eu acredito que o acordo entre Ingram e F+W é o começo de algo novo e grande. Ambas companhias vão achar meios de crescer qualquer que seja o assunto inicial. F+W vai ter de aprender como negociar o que a Ingram pode dar a eles em um shopping e a experiência de consumo para o consumidor. E a Ingram vai ter de aprender como entregar o que eles podem oferecer para a F+W de um modo que permita que a F+W melhore e ofereça algo personalizado e exclusivo para sua própria comunidade.

Se essa visão de futuro estiver correta, a competição entre os players que podem oferecer uma seleção de e-books e os serviços de transação que a Ingram oferece – aquelas que já estão no jogo como Amazon, B&N, iBooks, e Kobo e aqueles dizendo que estão para entrar como Google, Blio da B&T, e Copia – vai acontecer em uma nova arena. B&N anunciou acordos como esse, onde eles estruturam a livraria de outro. A Kobo ainda não fez, mas espero que o façam; isso também me parece uma oportunidade que eles perceberam. Isso é um pouco estranho; isso coloca a “distribuidora” Ingram competindo com “varejistas” para criar o próximo round de varejista especializado. A Ingram obviamente tem a capacidade inerente de oferecer entrega de livros impressos e eletrônicos mas, é claro, a B&N tem recursos internos para fazê-lo também, e a B&T também pode fazer isso. Há anomalias quanto às margens de cada um a serem acertadas, mas, no final, as compras por meio dessa estratégia serão mais baratas para o consumidor do que na maioria das outras formas de vendas, mesmo que uma margem fixa do editor seja dividida entre os players daquele nicho.

Esse negócio ainda não começou pra valer; estamos apenas vendo os contornos dele. Inicialmente, a competição parece ser sobre como cada varejista oferece seu vasto conjunto de conteúdo para o consumidor online de uma maneira consolidada. [E, geralmente, tem sido o mesmo para Ingram. A maior parte de seus negócios vem de grandes lojas “distribuidoras” de e-books.] Mas com o tempo vai envolver na competição os revendedores especializados. Ganhar sempre foi sobre como oferecer a melhor experiência consumista ao consumidor do concorrente. Marcas próprias são a chave para o futuro de vendas de e-book [e de livro impressos].

Em sua coluna quinzenal, Mike Shatzkin conta sobre os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto da coluna é publicado originalmente em seu blog, o The Idea Logical Blog, e o autor muito gentilmente autoriza que o PublishNews o traduza na íntegra.

Autoridades americanas investigam preço de e-book


O gabinete do procurador-geral do Estado americano de Connecticut disse estar analisando os preços dos livros digitais oferecidos pela Amazon e pela Apple – rivais no mercado de e-readers, os dispositivos de leitura de livros eletrônicos -, citando sua preocupação com as condições de concorrência, em vista dos acordos fechados com as principais editoras.

Richard Blumenthal, que ocupa o mais alto cargo no Judiciário de Connecticut, escreveu para a Apple e para a Amazon expressando preocupação de que os acordos de preços com as editoras “ameaçam incentivar coordenação de preços e desencorajar descontos“.

A iniciativa representa uma possível ameaça aos esforços das editoras para assumir o controle dos preços dos e-books em meio ao rápido crescimento da demanda por títulos para leitura em dispositivos digitais, como o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple.

Tanto a Amazon como a Apple, que dominam o mercado de leitores digitais, atualmente em rápido crescimento, têm acordos firmados com as principais editoras. Os acordos dão ao editor de um e-book o direito de fixar seu preço de tabela, em troca de conceder ao vendedor o equivalente a 30% da receita.

A investigação em Connecticut está centrada em notícias não confirmadas de que a Amazon e a Apple obtiveram garantias reais de que lhes serão assegurados os mesmos termos de venda de e-books que a qualquer outro concorrente, o que lhes permitirá cobrar os preços mais baixos do mercado.

Em suas cartas às duas companhias, Blumenthal disse que o acordo comercial – apelidado de “nação mais favorecida” – resultará na “fixação de um piso para os e-books oferecidos pelas editoras“. A expressão usada faz uma analogia entre os termos “país” e “empresa”. Blumenthal disse também que um levantamento inicial sobre vendas de best-sellers nas livrarias digitais da Amazon, Apple, Borders e Barnes & Noble mostra que, “quase uniformemente”, os preços dos quatro vendedores são idênticos, o que pode ser, “em última instância, prejudicial ao consumidor final“.

A Amazon e a Apple oferecem mais best-sellers em formato eletrônico por US$ 9,99, um preço significativamente inferior aos preços de lista das editoras para novos livros de capa dura, que custam, em média, mais de US$ 20.

O apoio dos editores a esse modelo de formação de preço se deve ao receio destes de que a concessão de descontos agressivos na venda de e-books crie um caos em seu modelo de negócios tradicional.

Blumenthal disse querer que tanto editoras como varejistas aprofundem uma discussão sobre essas questões com seu gabinete.

A Apple não quis comentar o assunto, e não foi possível entrar em contato com a Amazon.

Livros em formato tradicional são vendidos a um preço de atacado negociado entre editor e distribuidor. Este, mais tarde, decide o preço final de varejo – um modelo inicialmente adotado pela Amazon para e-books -, mas abandonado em favor do “agency model” estabelecido pela Apple na esteira de pressões dos editores, neste ano.

Em 2007, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que, sob algumas circunstâncias, fabricantes podem fixar preços mínimos de revenda. Mas as leis em vários Estados, entre eles o da Califórnia, de Nova York e de Connecticut, ainda consideram ilegal a fixação de preços mínimos.

Valor Econômico | 04/08/2010 | Publicado originalmente em Financial Times | Por Jonathan Birchall | Tradução Robert Banvolgyi

Estado de Connecticut investiga Apple e Amazon por e-books


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon.com e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de preços mais favoráveis com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos“, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor“, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

Reuters | 03 de agosto de 2010 às 17h02

Acordo entre Apple e Amazon será investigado


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

“No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de ‘preços mais favoráveis’ com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos”, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir – com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal -, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor”, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

POR ALEXANDRIA SAGE | REUTERS | 3 de agosto de 2010 | 8h55

Borders inaugura e-bookstore


A e-bookstore da Borders Group Inc nasceu nesta quarta-feira [7] e a previsão é de que rapidamente ela alcançará seus rivais e ganhará uma fatia desse mercado de e-books que cresce vertiginosamente. A inauguração acontece nove meses depois que Barnes & Noble lançou o Nook e três meses depois da aparição do iPad, o que permitiu com que elas e a Amazon saíssem na frente. Mas Mike Edwards, presidente da Borders Inc, disse que a empresa não está em desvantagem. “Nós vamos conquistar o mercado apenas por nos lançarmos nele”. Edwards disse que a Borders, a segunda rede em vendas, tem um mailing de 38 milhões de clients em seu programa de fidelidade e tem cerca de 700 lojas onde vai poder divulgar sua loja virtual. A Borders vai oferecer 1,5 mi de títulos, incluindo livros gratuitos. “Muitas pessoas me disseram: Você está atrasado para o jogo. E eu disse: o jogo acabou de começar”.

Reuters | 08/07/2010 | Por Phil Wahba

Borders lança livraria eletrônica e quer alcançar rivais


A livraria eletrônica do Borders Group entrou em operação nesta quarta-feira [7], e o responsável pelas operações de varejo de livros da empresa previu que ela rapidamente recuperaria seu atraso com relação aos rivais e conquistaria uma fatia do setor de livros eletrônicos, que cresce rapidamente.

O lançamento surgiu nove meses depois que a Barnes & Noble lançou seu leitor eletrônico Nook, e três meses depois que a Apple introduziu seu popular computador tablet iPad, o que permitiu a ambas as empresas, bem como à Amazon.com, que vende o leitor eletrônico Kindle, obter grande vantagem inicial sobre a Borders.

A companhia precisa urgentemente conquistar uma fatia do negócio de livros eletrônicos: as vendas em suas superlivrarias e em seu site caíram em 11,4% no primeiro trimestre, o mais recente declínio em uma longa sequência.

Mas Mike Edwards, o presidente da Borders Inc., a principal unidade operacional do grupo, disse que sua empresa não estava em desvantagem.

Nós conquistaremos mercado assim que ativarmos o serviço“, disse Edwards à Reuters em entrevista na semana passada.

Edwards disse que a Borders, a segunda maior cadeia norte-americana de livrarias por faturamento, tem dados e endereços de e-mail de 38 milhões de consumidores em seu programa de fidelidade, e conta com cerca de 700 lojas nas quais pode promover sua livraria virtual, o que segundo ele a ajudará a recuperar rapidamente o atraso.

A Borders anunciou que sua loja de livros eletrônicos terá 1,5 milhão de títulos em oferta, o que incluirá livros gratuitos. A Amazon informa oferecer 620 mil livros e outros 1,8 milhão de livros gratuitos cujos direitos autorais já expiraram, e a Barnes & Noble diz ter um milhão de títulos à venda.

Edwards, que estimou que a Borders controla cerca de 15% do mercado físico de livros nos Estados Unidos, afirmou que a companhia deve conquistar porção semelhante das vendas de livros eletrônicos.

No momento, cerca de 5% das vendas da Borders, incluindo livros físicos comprados on-line, são realizadas em seu site, o que representa US$ 100 milhões em faturamento este ano.

Edwards disse que as vendas on-line dispararam devido a melhorias no site.

Folha.com | 07/07/2010 | 17h34 | DA REUTERS, EM NOVA YORK

Barnes & Noble lança versão Wi-Fi do Nook


A Barnes & Noble lançou nesta segunda-feira [21] uma versão WiFi de seu leitor de livros digitais Nook.

A companhia também reduziu o preço do modelo compatível com redes celulares 3G diante de aumento na competição no segmento que atravessa rápida expansão.

A maior vendedora de livros especializados dos Estados Unidos em vendas definiu preço US$ 149 para a versão Wi-Fi e de US$ 199 para a versão 3G.

A decisão da livraria surge depois do lançamento do iPad pela Apple, aparelho que atraiu muito interesse do mercado e enquanto a Borders Group se prepara para começar a operar sua própria loja de livros eletrônicos.

O Nook também compete com o Kindle, da Amazon.com.

A Barnes & Noble lançou o Nook em outubro.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Folha.com | Tec | 21/06/2010-16h42