BISAC | O que é, para que serve e como usar?


Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Já falamos anteriormente sobre metadados, por aqui e ali. Dessa vez, no entanto, gostaria de dar uma dica bem prática sobre como melhor preencher o metadados de seu livros. O exemplo escolhido é um que vejo que muitas editoras brasileiras não andam prestando tanta atenção: o cadastro de categorias.

Nas players estrangeiras como Amazon, Apple, Kobo e Google, esse cadastro é feito através do código BISAC, desenvolvido pelo Book Industry Study Group [BISG]. A lista de códigos BISAC é atualizada com certa frequência, o que pode causar diferenças da lista de uma loja para a outra, dependendo do ano base que elas estão usando como referência.

Book Industry Study GroupO que vejo nas lojas, quando estudo os livros das editoras brasileiras, é que muitas não estão preocupadas com o cadastro preciso da categoria de seus livros, colocando todos dentro do genérico Fiction [FIC000000] ou não compreendendo direito que o código BISAC é um código de assuntos, portanto, quando você categoriza um livro como Romance [FIC027000] você não está dizendo que seu livro é uma composição em prosa, e sim que o assunto principal do livro é de caráter amoroso. Esse é um erro muito comum. Já imaginou Sylvia Day e Bernard Cornwell na mesma categoria? Bom, é isso que acontece.

E como a Marina já disse por aqui, cadastrar corretamente e precisamente as categorias de seus livros ajuda em muito a visibilidade dos mesmos nas lojas, pois os algoritmos levam este código em consideração para fazer a sugestão de novas leituras. Ou seja, o leitor do Cornwell vai receber vários romances como recomendação. <3

As editoras que preferem cadastrar um BISAC genérico, por outro lado, não têm esse problema. No entanto, estes títulos precisam ser extremamente fortes para não serem prejudicados pela falta de precisão da recomendação dos mesmos para novos usuários. Por exemplo, o John Green estar com um BISAC Fiction > General [FIC000000] não é tão grave, porque suas vendas são tão relevantes que mesmo assim ele vai ser recomendado para MUITA gente. Mas um livro menos conhecido, de um autor menos conhecido, poderia se beneficiar de um BISAC mais preciso.

Outra coisa importante também é não confundir categorias como Family & Relationships ou Music como assuntos que fazem parte de um livro de ficção. Se o livro for ficção sobre relacionamentos familiares, você precisa procurar uma classificação dentro de Fiction, senão seu livro vai ficar relacionado muito provavelmente a livros de psicologia, educação e maternidade. E você não quer isso, certo?

Algumas dicas que deixo para quem vai preencher os metadados de assunto de livros:

  1. Se o título é estrangeiro, veja como a editora do original classificou o livro.
  2. Veja como livros similares estão classificados. Afinal, se você acha que seu livro é para os mesmos leitores de A garota no trem, você tem que torná-lo mais visível para aqueles que o consumiram.
  3. Não classifique os livros com base no CDD. São códigos com funções diferentes, e por mais que o CDD possa te ajudar a ter uma noção de que categoria utilizar, você dificilmente achará um correlato idêntico no BISAC.
  4. Use o bom senso. Nem sempre as referências dos outros estarão corretas, e isso pode realmente prejudicar seu livro.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

eBooks mudam o jogo para o catálogo e a exportação


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Para Shatzkin, qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas

Há dois aspectos do negócio que os e-books realmente devem mudar. Uma é que os e-books podem realmente levar a aumentos nas vendas do catálogo. O outro é que os e-books vão realmente permitir vendas fora do território de origem da editora.

Essa segunda questão nem vai exigir muito esforço. Em uma conferência chamada Camp CoreSource organizada pela Ingram recentemente, Mary Cummings da Diversion Books, que lançou no ano passado uma app e-bookstore somente para livros de romance, EverAfter Romance, contou que pouco menos da metade dos usuários do app EverAfter são de fora do mercado “interno” dos EUA. Desses 49%, só cerca de 6% são do Reino Unido e do Canadá. Claro, a Diversion detém os direitos mundiais de muitos títulos. E o resto do mundo tem bem mais do a metade das pessoas, bem mais do que a metade dos falantes de inglês, no mundo. Assim, os EUA ainda são responsáveis por mais usuários per capita, mas isso tem uma importância secundária. Conseguir metade dos clientes de mercados que teriam sido muito difíceis de alcançar há dez anos – sem qualquer esforço extraordinário – é algo muito novo.

Esta realidade global surge em outra frequente discussão atual. As grandes editoras estão sugerindo que as vendas de e-books se estabilizaram, talvez até mesmo diminuíram. A Amazon diz que “não é verdade”, que as vendas de e-books ainda estão aumentando. Algumas análises, como a que é feito pelo Data Guy for Author Earnings, dizem que os grandes livros das editoras estão perdendo participação nos e-books para os independentes, baseando-se principalmente em dados da Amazon para afirmar isso. As explicações mais comuns oferecidas são que o sucesso das editoras ao forçar um aumento nos preços dos seus títulos, combinado com um declínio em novos convertidos para e-books (que têm a tendência a “carregar” seus dispositivos quando começam a ler digitalmente) conta para a aparente tendência.

Mas a comparação pode ser distorcida. Todas as vendas da Amazon fora dos EUA que não são feitas através de uma loja local da Amazon são creditados à loja dos EUA. E quando a Amazon distribui e-books independentes, eles sempre (ou pelo menos quase sempre) têm direitos globais. Então poderia muito bem ser o caso, e muitas vezes é, de que os e-books de editoras que estão sendo comparados aos e-books independentes estão trabalhando em uma base territorial menor para vendas. Há um problema de misturar maçãs com laranjas que torna difícil comparar as vendas de e-books independentes da Amazon com as das editoras.

A questão a entender é que só ter e-books à venda em todo o mundo pode trazer mercados à porta de um cliente, onde quer que o livro tenha sido publicado. Qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas.

O desafio do catálogo é ainda mais complicado e os resultados podem não ser tão óbvios. Dois dos maiores impulsionadores das vendas de e-books são encontrados em resposta à pesquisa e ao efeito amplificado do impulso de vendas existentes na lista dos mais vendidos e nas recomendações da livraria. (“As pessoas que compraram esse, compraram aquele.”) Uma forte lei de distribuição parece inerente nas vendas de e-books. Aqueles que vendem desenvolvem impulso de vendas; aqueles que não, permanecem escondidos e enterrados.

Mas muito disso tem a ver com metadados. As editoras estão melhorando na redação da descrição que determina se os motores de busca conseguem identificá-la como uma “resposta” às consultas certas. Isso significa que, quando voltamos no tempo, é cada vez menos provável que a apresentação seja útil para isso.

E há algumas realidades sobre orçamentos e esforços de alocação em grandes empresas para levar em conta. Boa parte dos orçamentos e dos esforço internos de alocações para marketing vão para os lançamentos. O catálogo é muitas vezes maior que o número de títulos sendo lançados, então menor a quantidade de dinheiro e trabalho é dedicado a um número muito maior de títulos. Em uma base por título, quase não há nenhum recurso disponível para o catálogo. E como as vendas de e-books de catálogo não são geralmente robustas, prever o ROI necessário para aumentar essas alocações orçamentais requer coragem. Ou imprudência.

Depois estão as realidades políticas corporativas. Novos livros têm defensores. Estão os editores que fizeram os contratos e cujas carreiras serão afetadas pelo resultado. Sempre há alguém olhando para os lucros, firme na crença de que poucos livros do catálogo podem mover a agulha da mesma forma que um novo título. E as empresas e os editores são os que conhecem os livros e dizem aos publicitários como eles são e (muitas vezes) a quais públicos estão destinados.

E, acima de tudo, as editoras muitas vezes contam com as vendas do catálogo para aumentar o lucro, precisamente porque não precisam alocar gastos com marketing ou tempo da equipe para esses livros. Às vezes parece existir um medo nas editoras de que começar a gastar esforços de marketing no catálogo seria como abrir uma caixa de Pandora que comprometeria o aspecto mais rentável de seus negócios.

Mas há sinais de esperança de que isso está mudando.

Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, falou na recente reunião anual do Book Industry Study Group sublinhando como a S&S mudou sua abordagem sobre como capturar oportunidades de trabalhar com o catálogo. Reidy afirmou que entre impressos comprados on-line e e-books, mais de 60% das vendas da empresa aconteciam via Internet. Contou que na reunião semanal de marketing na S&S, que tenho certeza era quase exclusivamente orientada para os lançamentos até muito recentemente, eles já estão olhando para seus livros “através de uma lente de oportunidades diárias”. Isso poderia incluir perceber se um livro está listado para um prêmio ou foi mencionado em um programa de TV ou um tuite de uma celebridade. As chances de que um livro será descoberto por alguém procurando pelo livro desta forma são multiplicadas se a descrição do livro apontar os motores de busca na direção certa.

Esta é uma abordagem que vimos pela primeira vez na Open Road Digital Mediaalguns anos atrás. O “calendário de marketing” deles, voltado para feriados e eventos previsíveis como formaturas, não a data de publicação dos próximos livros. Claro, Open Road não tinha nenhum lançamento naquele momento. Todos os livros que adquiriram nos primeiros dias da empresa eram catálogo com direitos digitais de alguma forma disponíveis. Eles transformaram uma deficiência em uma virtude. Mas fazer o marketing do catálogo à luz das “oportunidades diárias” mais atuais é precisamente a coisa certa a fazer.

É interessante notar que quando Reidy falou na Digital Book World em janeiro de 2014, ela apontou para as oportunidades no mundo global. No ano anterior, notou, a S&S tinha vendidos e-books em mais de 200 países.

O reconhecimento de uma oportunidade é um primeiro passo e atribuir recursos humanos e de capital para aproveitá-la é a segunda. Mas as maiores editoras também vão precisar de ferramentas digitais para explorar plenamente o que está se abrindo para elas. Quando olhamos para o que Open Road estava fazendo, eles tinham cerca de mil títulos em sua loja, sendo que todos tinham acabado de ser adquirido pela equipe. Podiam pensar neles. As maiores editoras possuem dezenas de milhares de títulos em seus catálogos, muitos (senão a maioria) dos quais foram adquiridos e lançados por editores e publishers que já não são mais funcionários. Muitos deles possuem descrições velhas e desatualizadas que não podem ser atualizadas facilmente porque ninguém trabalhando lá agora conhece o livro.

Em breve será visto como necessário empregar tecnologia para monitorar as notícias e mídias sociais e para “mostrar” os resultados de cada “oportunidade diária” das possibilidades do catálogo. Por um bom tempo ainda vai ser necessário empregar seres humanos para fazer alguma investigação orientada para o que são hoje termos de pesquisa relevantes e escrever a descrição que irá responder a eles, mas a assistência tecnológica vai multiplicar a eficácia dos esforços humanos.

Devemos esperar que os catálogos comecem a aumentar sua participação nas vendas anuais de todas as editoras. E devemos esperar que aconteça o mesmo com as vendas no exterior.

Há relatos recentes dos EUA e do Reino Unido de que as vendas unitárias de impressos estão crescendo, enquanto as vendas unitárias dos e-books estão caindo. Isso está sendo comemorado por alguns como uma indicação de que os consumidores de livros estão se afastando da leitura digital para voltar ao impresso. Talvez porque eu intuitivamente ache isso pouco provável, posso pensar em algumas advertências.

As supostas reduções e crescimento são bem pequenas e as técnicas de medição são bastante cruas, portanto, existe uma questão de precisão. Mas também sabemos – como foi referido no corpo principal do post acima – que novos convertidos ao e-book tendem a “carregar” seus dispositivos digitais quando começam a ler dessa forma. Acredito que as compras no começo são um pouco “aspiracionais”, mas depois se estabelecem em um ritmo mais parecido com a substituição. Assim, as compras de e-books são infladas no início da “carreira” de leitura de e-books. Menos leitores novos de e-books a cada mês (o que certamente acontece) significa menos pessoas carregando os aparelhos.

Claro, o crescimento das vendas de livros impressos, que é a implicação dos dados recentes, é uma marca independente que, se confirmada ao longo do tempo, requer outra explicação e isso eu ainda não tenho.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Vendas de eBooks nos EUA alcançam US$ 3 bi 


O relatório BookStats, da Association of American Publishers [AAP] e do Book Industry Study Group [Bisg] confirmaram as previsões anteriores. As receitas provenientes das vendas de e-books nos EUA em 2012 ficaram próximas dos U$ 3 bilhões, acima dos US$ 2,1 bilhões de 2011. A tendência de vendas digitais e os fenômenos de vendas da série 50 tons e Jogos Vorazes são apontados como as causas do crescimento explosivo de 2012. A pisada no freio em 2013 é atribuída, portanto, a uma comparação desfavorável com 2012, com um agravante: o declínio nas vendas de e-readers dedicados e ao aumento das vendas de tablets. As receitas de publicação comercial global nos EUA também permaneceram estáveis em 2013, em US$ 14,6 bilhões, ligeiramente menor do que em 2012, quando apresentou receitas de US$ 15 bi. O relatório BookStats, comercializado pela AAP e pelo Bisg, já está em pré-venda.

Digital Book World | 26/06/2014

Deu tilt na tela do Kindle


Fabricante da tela do dispositivo da Amazon enfrente crise

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração

Um dos grandes diferenciais do Kindle sempre foi a sua tela. A tecnologia que permite baixo consumo de energia, a não emissão de luz e o consequente conforto na leitura é resultado de pesquisas feitas pela empresa E Ink, que fabrica a tela do dispositivo da Amazon. Mas as coisas não andam boas por lá. De acordo com o jornal Taipei News, a E Ink prevê perdas, reflexo da queda na demanda por devices de e-reader. As receitas deverão cair entre 5 e 10% em relação ao último trimestre. De acordo com o Chefe Financeiro da E Ink, Eddie Chen, há uma forte probabilidade de a empresa ir para o vermelho ainda no primeiro semestre de 2014. A culpa, segundo disse Chen, é a fraca demanda sazonal por e-readers. A verificação de Eddie Chen chega junto com o resultado da pesquisa feita pela Associantion of American Publishers [AAP] em parceria com o Book Industry Study Group [BISG] que apontou crescimento de apenas 3,81% mas vendas de e-books nos EUA . O índice de crescimento foi o menor desde 2012 e foi a primeira vez que ele ficou abaixo dos 10%. O futuro da E Ink, aponta Chen está na reestruturação societária e na ampliação do portfólio de produtos, inclusive fortalecendo a produção de telas para smartphones, um mercado muito mais robusto do que os e-readers. O e-Paper foi a maior fonte de renda da E Ink no ano passado, respondendo por mais de 80% da sua receita.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 07/04/2014

eBooks crescem apenas 3,81 por cento em 2013 nos EUA


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Desde 2002, a Association of American Publishers [AAP] apura a venda de e-books de seus associados e publica os resultados junto com as demais estatísticas do mercado norte-americano. Está semana, ela divulgou os numerous referente a 2012 e a grande surpresa que as vendas de e-books no segmento de interesse geral [trade] cresceram apenas 3,81%, alcançando US$ 1,3 bi. Em 2012, o faturamento digital deste setor havia ficado em US$ 1,25 bi. A surpresa é que pela primeira vez desde 2002, o crescimento ficou abaixo dos 10%, como demonstra o gráfico abaixo. [Clique nos gráficos para vê-los em tamanho maior.]

Crescimento do Faturamento de E-books no Mercado Trade nos EUA

Vale observar que ao longo dos anos, as estatísticas da AAP sofreram grandes variações em sua base de coleta de dados. O número e a classificação das editoras participantes se alteraram, as definições de formatos foram apuradas e a própria metodologia melhorada. Em 2010, por exemplo, a pesquisa passou a ser feita junto com o Book Industry Study Group, com grandes alterações metodológicas. Portanto, uma comparação ano a ano não pode ser considerada estatisticamente perfeita. Mas ainda assim, com esta grande ressalva, uma análise dos dados ao longo dos anos é uma ótima ferramenta para a visualização de tendências. No próximo gráfico, temos o faturamento digital ao longo dos anos dos editores de interesse geral associados à AAP.

Faturamento dos E-books no Merado Trade dos EUA

Para terminar, o gráfico da participação dos e-books no faturamento do segmento trade. Em 2012, 26,66% das vendas dos editores foram digitais. Como no ano anterior esta participação ficou em 25,87%, a hipótese de que a fatia do mercado digital está chegando a um platô é bastante plausível.

Participação do Faturamento de E-books no Mercado de Trade dos EUA

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Vendas subiram 1% em 2013 nos EUA


As vendas totais de livros subiu 1% de 2012 para 2013, alcançando US 15,05 bi, de acordo com resultados da pesquisa StatShpt feita pela Association of American Publishers [AAP] e pelo Book Industry Study Group [Bisg]. Todos os segmentos medidos apresentaram aumento de vendas durante o ano, exceto o segmento infantojuvenil que apresentou queda de 6,6% em relação a 2012, quando Jogos Vorazes foi um ponto fora da curva. Apesar do fenômeno de vendas da Trilogia 50 tons de cinza, de 2012, o segmento adulto conseguiu mostrar um aumento de 0,8% no ano. Os números mostram que as vendas de e-books adultos cresceram 3,8%, alcançando US$ 1,3 bi.

Por Jim Milliot | Publishers Weekly | 01/04/2014

THEMA | A nova ferramenta de metadados para livros


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Os leitores de O Nome da Rosa, de Umberto Eco, podem lembrar que os crimesno mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classificação a ser dada ao suposto manuscrito de Aristóteles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filosófica [no sentido dado à palavra pela escolástica], ou um texto demoníaco que negava o cristianismo? Dessa classificação dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condenação ao “inferno” dos livros proibidos. Da disputa, surge a razão dos assassinatos.

Por isso é que às vezes eu brinco, conversando com bibliotecários, que eles são capazes de assassinar em disputas sobre a classificação. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espaços para esse tipo de disputas [felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotecários].

O sistema decimal serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a indústria editorial e para o comércio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela indústria. Primeiro veio o ISBN, um identificador unívoco de cada título e edição. Mas, se não se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, são o título e o nome do autor. Durante várias décadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas “conversem” entre si a partir de fragmentos como esses, e importem/exportem dados de classificação cooperativa [nossa BN, infelizmente, não abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte].

Mas a classificação por “assuntos” do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avanço do comércio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as deficiências dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Daí que as entidades ligadas aos livros, em cada país [as que levam esses assuntos a sério, é claro], começaram a enfrentar o problema. O BISG – Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alemães o WGS. E começaram os remendos, com gente armando esquemas para “traduzir” as classificações de um para o outro. Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.

No meio do caminho apareceu o DOI – Digital Object Identifier e o consórcio EdiTeur. O EdiTeur é, digamos assim, o meta incentivador/organizador de padrões para a indústria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padronização surgiu de iniciativas do grupo, embora a administração de cada um deles logo tenha passado para órgãos específicos. O padrão Epubé administrado por um consórcio específico, assim como o ISBN possui um escritório central sediado em Berlim. O ONIX [ON line Interface EXchange], criado pelo BISG, também se integra a essa constelação.

Gosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formulação, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua importância nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informação digital, definido como tal pelo editor [de livros, de música, de filmes], receba um identificador único. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um capítulo, ou uma ilustração, ou um gráfico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circulação desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI é administrado pela DOI Foundation, e conta com a participação dos mencionados segmentos de música e filmes.

A mais recente iniciativa do EdiTeur é o THEMA, um sistema internacional para classificação de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classificação de assuntos, permitindo uma uniformização dos objetos de pesquisa.

Durante a conferência Tools ofChangena edição de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associações de mais de doze países, tanto da América do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governança do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na última Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasião também foi criado um comitê para dirigir o seu desenvolvimento, que deverá se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.

A proposta do THEMA é a construção de um sistema global de classificação de assuntos, aplicável facilmente por todos os integrantes da cadeia de produção e comercialização de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitirá o uso em múltiplas plataformas de comercialização e difusão do livro.

Mas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de nível máximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necessárias, cada uma dessas categorias inferiores identificada por códigos alfanuméricos.

As hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, são as Artes. Daí em diante vão se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;ABA vai para Artes – Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, é manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas.

A hierarquia implica que os livros devam ser classificados até o nível de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os níveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA [História da Arte] será também automaticamente classificado nos níveis mais gerais – AG [Belas Artes: tratamentos e assuntos] e o A.

O sistema permite também a combinação de várias classificações e o detalhamento por países, época histórica ou corrente artística, idade possível de interesse para o livro e seja lá mais que dado possa ser considerado relevante. Como os códigos serão alfanuméricos e constantes, os cabeçalhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.

Essa classificação deverá alterar também as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa critérios próprios para divisão de assuntos, o que certamente dificulta a comparação de dados entre os vários países.

A atribuição dos códigos de classificação é feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localizáveis pelos mecanismos de busca. E é gratuito, mesmo para as que estão em países cujas organizações profissionais não façam parte nem contribuam para o comitê de governança do THEMA.

É mais um esforço das organizações sérias de editores e livreiros para facilitar o intercâmbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar vários problemas prévios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a importância da aplicação correta de metadados em suas informações.

Mas algum dia chegaremos lá. Nem que seja pela pressão do resto do mundo, inconformado com essa balbúrdia que reina por aqui.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Fã de livro digital admite recaída pelas páginas de papel


Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Eu não queria voltar a ler livros em papel, mas honestamente não tive escolha. Minha cadela Pixel me forçou a isso.

O caso é que Pixel, com seus 16 quilos de energia, tem interesse obsessivo por sombras e reflexos. Na praia ou no parque, ela não persegue pássaros ou bolas de tênis; persegue suas sombras, olhando para o chão. E em casa, quando pego o iPad para ler um livro eletrônico, ela começa a girar freneticamente, e pula sobre mim tentando apanhar o reflexo da tela. Na maior parte das vezes, é uma cena engraçada, mas o hábito pode ser extremamente irritante quando estou em uma boa história.

Por isso, dois meses atrás decidi que tentaria um livro em papel. Pixel, por sorte, não pareceu muito impressionada com as qualidades reflexivas do papel. No entanto, e para minha surpresa, descobri que eu estava impressionado.

No passado, já debati os prós e contras dos livros em papel comparados aos digitais, e em muitos casos optei pela versão digital, dada a capacidade de carregar mil livros em um só aparelho, a presença de um dicionário integrado e a facilidade para compartilhar trechos interessantes via redes sociais.

Mas os livros eletrônicos podem ser realmente irritantes. No meu iPad, se uma mensagem de texto, e-mail ou outro alerta chega, sou rapidamente derrubado da página do livro. E mesmo quando meus aparelhos estão em modo avião, ou quando estou usando um Kindle, preciso lidar com Pixel.

Quando toquei um livro em papel, pela primeira vez depois de muitos anos, foi como aqueles momentos nos quais você ouve uma canção nostálgica no rádio e se perde completamente. A sensação de um livro em papel, com a textura áspera das páginas e a lombada grossa, oferece uma experiência absorvente e prazerosa –às vezes bem superior à de ler em um aparelho eletrônico.

Alguns estudos recentes constataram que a sensação tátil do papel também é capaz de criar uma experiência de aprendizado que propicia muito mais imersão ao leitor. O motivo? Muitos cientistas acreditam que seja neurológico.

Um relatório de pesquisa publicado pelo International Journal of Education Research constatou que alunos de ensino médio que liam textos em papel tinham resultados muito superiores, em termos de compreensão de leitura, do que alunos que liam o mesmo texto em formato digital.

Além disso, de acordo com um relatório publicado em outubro pelo Book Industry Study Group, que acompanha a situação do setor editorial, a venda de livros eletrônicos se desacelerou nos últimos 12 meses, respondendo por 30% do total de livros vendidos.

E não são apenas os velhos ranzinzas ou os proprietários de animais de estimação hiperativos que optam pelos livros em papel. Os adolescentes também o fazem.

Outro estudo, divulgado pela Voxburner, uma companhia britânica de pesquisa que rastreia como os jovens consomem mídia, sugere que a maioria dos adolescentes e jovens adultos do Reino Unido, com idades dos 16 aos 24 anos, prefere livros em papel a livros eletrônicos.

Há dois motivos principais para a preferência, diz a pesquisa. Primeiro, muitos dos entrevistados disseram gostar da sensação de ter um livro nas mãos, se comparada a uma experiência digital na qual a tela pode ser anódina e estéril.

O outro motivo fornecido para não comprar livros digitais é o preço. Muitos dos jovens britânicos entrevistados pareciam genuinamente perplexos pelos altos preços dos livros eletrônicos, que podem variar dos US$ 10 aos US$ 15, em média, ante os livros de bolso, que custam quase exatamente o mesmo ou até menos. “É evidente que eles enfrentam dificuldade para atribuir aos livros eletrônicos o mesmo valor atribuído pelas editoras”, o relatório de pesquisa afirma.

Eu continuo a ler livros no meu iPad, especificamente quando viajo, já que livros eletrônicos pesam quase nada e agora podem ser lidos até durante a decolagem e aterrissagem. Mas em casa, deitado no sofá, certamente vou continuar lendo também livros em papel, mesmo que Pixel não goste deles.

NICK BILTON | DO “NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha de S.Paulo | 16/12/2013, às 03h30

Amazon desbanca concorrência, segundo estudo do BISG


BISG chart

BISG chart

O BISG [Book Industry Study Group] publicou seu último relatório, sobre a percepção do consumidor em relação à leitura digital. Em relação à participação no mercado de e-books, a B&N e a Apple já afirmaram no passado ter 20% do mercado. O estudo da BISG mostra números diferentes: a Amazon teria 67% do mercado, B&N Nook 11,8% e Apple iBooks 8,2%. A categoria “Outros” ficou com 12,8%. “Outros” não foi discriminado, mas provavelmente consiste em Kobo, Google e Sony no varejo, vendas diretamente das editoras e talvez bibliotecas públicas. Outro dado é a preferência pelo formato digital. Das 14 categorias analisadas, 10 são lidas preferencialmente no formato de-book. As 4 restantes são livros de cozinha, graphic novels, guias de viagem e guias manuais. Essas categorias são fortes online, mas não no formato e-book.

Por Jack W. Perry | Digital Book World | 14/11/2013

‘Bundle’ mania


Editoras e lojas apostam cada vez mais na venda conjunta de e-books e livros físicos

Assim como “descobertabilidade” e outros termos ainda intraduzíveis que o mundo digital vive criando, a grande aposta do momento no mercado internacional aparentemente é bundling, ou seja, a venda conjunta de livros digitais e físicos, com descontos em um dos formatos. Seja como estratégia de marketing para vender edições de luxo, ou para captar a demanda pelo catálogo antigo em formato digital, como o MatchBook da Amazon, cada vez mais editoras e varejistas estão apostando nesse tipo de venda.

O nosso colunista Greg Bateman já havia apontado a oportunidade perdida pela Barnes & Noble de usar sua plataforma e leitor digitais para impulsionar a sua rede de livrarias físicas. Como a Foyles é leitora assídua do PublishNews, eles entenderam o recado e lançaram a sua iniciativa. Brincadeiras a parte, a rede de livrarias britânica fechou uma parceria com a HarperCollins no Reino Unido, para vender bundles de livros físicos e digitais. Clique na matéria para ler mais.

Por enquanto, apenas 8 títulos são contemplados, mas provavelmente veremos mais acordos desse tipo daqui para frente. Já no ano passado, a editora britânica Angry Robots tinha montado um projeto para apoiar as livrarias independentes, incentivando-as a fornecer os títulos da editora gratuitamente a clientes que comprassem o livro físico. Algumas editoras nos EUA, e na Alemanha, também já estão apostando da venda conjunta.

E tudo indica que o ‘bundle’ vai vingar. Um novo estudo do BISG (Book Industry Study Group) sobre a opinião do consumidor em relação ao e-book aponta que consumidores querem cada vez mais livros digitais com valor agregado. Segundo o estudo, os leitores se interessam muito pelo bundling, e “pagariam mais por uma venda conjunta do livro físico e digital do que pelos produtos independentemente”.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 31/10/2013

A estagnação dos eBooks em 2013


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Acreditava-se que chegariam a representar de 50 % a 80% de todo o mercado de livros nos Estados Unidos, mas os e-books estagnaram a caminho de novas altitudes. De acordo com um novo estudo do BISG [Book Industry Study Group], no último ano, a participação das vendas de todos os novos e-books se estabilizou em cerca de 30% e um pouco abaixo dos 15%, em valor e em volume, respectivamente. Paralelamente, a porcentagem de compradores de livros que leem e-books pelo menos uma vez por semana, assim como a porcentagem daqueles que compraram um e-book também se estagnou em 20% e 25%, respectivamente.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 30/10/2013

BISG [Book Industry Study Group] apoia ePub3


Formato deverá ser adotado para conteúdo web

Book Industry Study Group, BISG, anunciou o endosso à utilização do EPUB 3 como o formato preferível para “representar, condicionar e codificar conteúdo web” que inclui XHTML, CSS, SVG, imagens etc., informa o site Publishers Weekly. Segundo a declaração, o EPUB3 “aborda a necessidade da indústria editorial mundial de adotar um padrão para a criação de conteúdo digital, a fim de impedir casos de fragmentação, que começam a se infiltrar na cadeia produtiva”. O site conta ainda que Andrew Savikas, membro do conselho do BISG e CEO da Safari books, apoiou o formato EPUB como o preferido para entrega e distribuição e que está comprometido com a sua extensão. O Bisg lançou ainda uma grade informativa para ajudar a indústria a se adaptar à transição, informa oPublishers Weekly. A última versão pode ser baixada aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 08/08/2012