BISAC | O que é, para que serve e como usar?


Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Já falamos anteriormente sobre metadados, por aqui e ali. Dessa vez, no entanto, gostaria de dar uma dica bem prática sobre como melhor preencher o metadados de seu livros. O exemplo escolhido é um que vejo que muitas editoras brasileiras não andam prestando tanta atenção: o cadastro de categorias.

Nas players estrangeiras como Amazon, Apple, Kobo e Google, esse cadastro é feito através do código BISAC, desenvolvido pelo Book Industry Study Group [BISG]. A lista de códigos BISAC é atualizada com certa frequência, o que pode causar diferenças da lista de uma loja para a outra, dependendo do ano base que elas estão usando como referência.

Book Industry Study GroupO que vejo nas lojas, quando estudo os livros das editoras brasileiras, é que muitas não estão preocupadas com o cadastro preciso da categoria de seus livros, colocando todos dentro do genérico Fiction [FIC000000] ou não compreendendo direito que o código BISAC é um código de assuntos, portanto, quando você categoriza um livro como Romance [FIC027000] você não está dizendo que seu livro é uma composição em prosa, e sim que o assunto principal do livro é de caráter amoroso. Esse é um erro muito comum. Já imaginou Sylvia Day e Bernard Cornwell na mesma categoria? Bom, é isso que acontece.

E como a Marina já disse por aqui, cadastrar corretamente e precisamente as categorias de seus livros ajuda em muito a visibilidade dos mesmos nas lojas, pois os algoritmos levam este código em consideração para fazer a sugestão de novas leituras. Ou seja, o leitor do Cornwell vai receber vários romances como recomendação. <3

As editoras que preferem cadastrar um BISAC genérico, por outro lado, não têm esse problema. No entanto, estes títulos precisam ser extremamente fortes para não serem prejudicados pela falta de precisão da recomendação dos mesmos para novos usuários. Por exemplo, o John Green estar com um BISAC Fiction > General [FIC000000] não é tão grave, porque suas vendas são tão relevantes que mesmo assim ele vai ser recomendado para MUITA gente. Mas um livro menos conhecido, de um autor menos conhecido, poderia se beneficiar de um BISAC mais preciso.

Outra coisa importante também é não confundir categorias como Family & Relationships ou Music como assuntos que fazem parte de um livro de ficção. Se o livro for ficção sobre relacionamentos familiares, você precisa procurar uma classificação dentro de Fiction, senão seu livro vai ficar relacionado muito provavelmente a livros de psicologia, educação e maternidade. E você não quer isso, certo?

Algumas dicas que deixo para quem vai preencher os metadados de assunto de livros:

  1. Se o título é estrangeiro, veja como a editora do original classificou o livro.
  2. Veja como livros similares estão classificados. Afinal, se você acha que seu livro é para os mesmos leitores de A garota no trem, você tem que torná-lo mais visível para aqueles que o consumiram.
  3. Não classifique os livros com base no CDD. São códigos com funções diferentes, e por mais que o CDD possa te ajudar a ter uma noção de que categoria utilizar, você dificilmente achará um correlato idêntico no BISAC.
  4. Use o bom senso. Nem sempre as referências dos outros estarão corretas, e isso pode realmente prejudicar seu livro.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Vendas de eBooks nos EUA alcançam US$ 3 bi 


O relatório BookStats, da Association of American Publishers [AAP] e do Book Industry Study Group [Bisg] confirmaram as previsões anteriores. As receitas provenientes das vendas de e-books nos EUA em 2012 ficaram próximas dos U$ 3 bilhões, acima dos US$ 2,1 bilhões de 2011. A tendência de vendas digitais e os fenômenos de vendas da série 50 tons e Jogos Vorazes são apontados como as causas do crescimento explosivo de 2012. A pisada no freio em 2013 é atribuída, portanto, a uma comparação desfavorável com 2012, com um agravante: o declínio nas vendas de e-readers dedicados e ao aumento das vendas de tablets. As receitas de publicação comercial global nos EUA também permaneceram estáveis em 2013, em US$ 14,6 bilhões, ligeiramente menor do que em 2012, quando apresentou receitas de US$ 15 bi. O relatório BookStats, comercializado pela AAP e pelo Bisg, já está em pré-venda.

Digital Book World | 26/06/2014

Deu tilt na tela do Kindle


Fabricante da tela do dispositivo da Amazon enfrente crise

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração

Um dos grandes diferenciais do Kindle sempre foi a sua tela. A tecnologia que permite baixo consumo de energia, a não emissão de luz e o consequente conforto na leitura é resultado de pesquisas feitas pela empresa E Ink, que fabrica a tela do dispositivo da Amazon. Mas as coisas não andam boas por lá. De acordo com o jornal Taipei News, a E Ink prevê perdas, reflexo da queda na demanda por devices de e-reader. As receitas deverão cair entre 5 e 10% em relação ao último trimestre. De acordo com o Chefe Financeiro da E Ink, Eddie Chen, há uma forte probabilidade de a empresa ir para o vermelho ainda no primeiro semestre de 2014. A culpa, segundo disse Chen, é a fraca demanda sazonal por e-readers. A verificação de Eddie Chen chega junto com o resultado da pesquisa feita pela Associantion of American Publishers [AAP] em parceria com o Book Industry Study Group [BISG] que apontou crescimento de apenas 3,81% mas vendas de e-books nos EUA . O índice de crescimento foi o menor desde 2012 e foi a primeira vez que ele ficou abaixo dos 10%. O futuro da E Ink, aponta Chen está na reestruturação societária e na ampliação do portfólio de produtos, inclusive fortalecendo a produção de telas para smartphones, um mercado muito mais robusto do que os e-readers. O e-Paper foi a maior fonte de renda da E Ink no ano passado, respondendo por mais de 80% da sua receita.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 07/04/2014

Vendas subiram 1% em 2013 nos EUA


As vendas totais de livros subiu 1% de 2012 para 2013, alcançando US 15,05 bi, de acordo com resultados da pesquisa StatShpt feita pela Association of American Publishers [AAP] e pelo Book Industry Study Group [Bisg]. Todos os segmentos medidos apresentaram aumento de vendas durante o ano, exceto o segmento infantojuvenil que apresentou queda de 6,6% em relação a 2012, quando Jogos Vorazes foi um ponto fora da curva. Apesar do fenômeno de vendas da Trilogia 50 tons de cinza, de 2012, o segmento adulto conseguiu mostrar um aumento de 0,8% no ano. Os números mostram que as vendas de e-books adultos cresceram 3,8%, alcançando US$ 1,3 bi.

Por Jim Milliot | Publishers Weekly | 01/04/2014

THEMA | A nova ferramenta de metadados para livros


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Os leitores de O Nome da Rosa, de Umberto Eco, podem lembrar que os crimesno mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classificação a ser dada ao suposto manuscrito de Aristóteles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filosófica [no sentido dado à palavra pela escolástica], ou um texto demoníaco que negava o cristianismo? Dessa classificação dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condenação ao “inferno” dos livros proibidos. Da disputa, surge a razão dos assassinatos.

Por isso é que às vezes eu brinco, conversando com bibliotecários, que eles são capazes de assassinar em disputas sobre a classificação. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espaços para esse tipo de disputas [felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotecários].

O sistema decimal serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a indústria editorial e para o comércio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela indústria. Primeiro veio o ISBN, um identificador unívoco de cada título e edição. Mas, se não se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, são o título e o nome do autor. Durante várias décadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas “conversem” entre si a partir de fragmentos como esses, e importem/exportem dados de classificação cooperativa [nossa BN, infelizmente, não abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte].

Mas a classificação por “assuntos” do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avanço do comércio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as deficiências dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Daí que as entidades ligadas aos livros, em cada país [as que levam esses assuntos a sério, é claro], começaram a enfrentar o problema. O BISG – Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alemães o WGS. E começaram os remendos, com gente armando esquemas para “traduzir” as classificações de um para o outro. Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.

No meio do caminho apareceu o DOI – Digital Object Identifier e o consórcio EdiTeur. O EdiTeur é, digamos assim, o meta incentivador/organizador de padrões para a indústria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padronização surgiu de iniciativas do grupo, embora a administração de cada um deles logo tenha passado para órgãos específicos. O padrão Epubé administrado por um consórcio específico, assim como o ISBN possui um escritório central sediado em Berlim. O ONIX [ON line Interface EXchange], criado pelo BISG, também se integra a essa constelação.

Gosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formulação, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua importância nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informação digital, definido como tal pelo editor [de livros, de música, de filmes], receba um identificador único. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um capítulo, ou uma ilustração, ou um gráfico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circulação desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI é administrado pela DOI Foundation, e conta com a participação dos mencionados segmentos de música e filmes.

A mais recente iniciativa do EdiTeur é o THEMA, um sistema internacional para classificação de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classificação de assuntos, permitindo uma uniformização dos objetos de pesquisa.

Durante a conferência Tools ofChangena edição de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associações de mais de doze países, tanto da América do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governança do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na última Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasião também foi criado um comitê para dirigir o seu desenvolvimento, que deverá se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.

A proposta do THEMA é a construção de um sistema global de classificação de assuntos, aplicável facilmente por todos os integrantes da cadeia de produção e comercialização de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitirá o uso em múltiplas plataformas de comercialização e difusão do livro.

Mas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de nível máximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necessárias, cada uma dessas categorias inferiores identificada por códigos alfanuméricos.

As hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, são as Artes. Daí em diante vão se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;ABA vai para Artes – Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, é manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas.

A hierarquia implica que os livros devam ser classificados até o nível de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os níveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA [História da Arte] será também automaticamente classificado nos níveis mais gerais – AG [Belas Artes: tratamentos e assuntos] e o A.

O sistema permite também a combinação de várias classificações e o detalhamento por países, época histórica ou corrente artística, idade possível de interesse para o livro e seja lá mais que dado possa ser considerado relevante. Como os códigos serão alfanuméricos e constantes, os cabeçalhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.

Essa classificação deverá alterar também as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa critérios próprios para divisão de assuntos, o que certamente dificulta a comparação de dados entre os vários países.

A atribuição dos códigos de classificação é feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localizáveis pelos mecanismos de busca. E é gratuito, mesmo para as que estão em países cujas organizações profissionais não façam parte nem contribuam para o comitê de governança do THEMA.

É mais um esforço das organizações sérias de editores e livreiros para facilitar o intercâmbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar vários problemas prévios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a importância da aplicação correta de metadados em suas informações.

Mas algum dia chegaremos lá. Nem que seja pela pressão do resto do mundo, inconformado com essa balbúrdia que reina por aqui.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Amazon desbanca concorrência, segundo estudo do BISG


BISG chart

BISG chart

O BISG [Book Industry Study Group] publicou seu último relatório, sobre a percepção do consumidor em relação à leitura digital. Em relação à participação no mercado de e-books, a B&N e a Apple já afirmaram no passado ter 20% do mercado. O estudo da BISG mostra números diferentes: a Amazon teria 67% do mercado, B&N Nook 11,8% e Apple iBooks 8,2%. A categoria “Outros” ficou com 12,8%. “Outros” não foi discriminado, mas provavelmente consiste em Kobo, Google e Sony no varejo, vendas diretamente das editoras e talvez bibliotecas públicas. Outro dado é a preferência pelo formato digital. Das 14 categorias analisadas, 10 são lidas preferencialmente no formato de-book. As 4 restantes são livros de cozinha, graphic novels, guias de viagem e guias manuais. Essas categorias são fortes online, mas não no formato e-book.

Por Jack W. Perry | Digital Book World | 14/11/2013

‘Bundle’ mania


Editoras e lojas apostam cada vez mais na venda conjunta de e-books e livros físicos

Assim como “descobertabilidade” e outros termos ainda intraduzíveis que o mundo digital vive criando, a grande aposta do momento no mercado internacional aparentemente é bundling, ou seja, a venda conjunta de livros digitais e físicos, com descontos em um dos formatos. Seja como estratégia de marketing para vender edições de luxo, ou para captar a demanda pelo catálogo antigo em formato digital, como o MatchBook da Amazon, cada vez mais editoras e varejistas estão apostando nesse tipo de venda.

O nosso colunista Greg Bateman já havia apontado a oportunidade perdida pela Barnes & Noble de usar sua plataforma e leitor digitais para impulsionar a sua rede de livrarias físicas. Como a Foyles é leitora assídua do PublishNews, eles entenderam o recado e lançaram a sua iniciativa. Brincadeiras a parte, a rede de livrarias britânica fechou uma parceria com a HarperCollins no Reino Unido, para vender bundles de livros físicos e digitais. Clique na matéria para ler mais.

Por enquanto, apenas 8 títulos são contemplados, mas provavelmente veremos mais acordos desse tipo daqui para frente. Já no ano passado, a editora britânica Angry Robots tinha montado um projeto para apoiar as livrarias independentes, incentivando-as a fornecer os títulos da editora gratuitamente a clientes que comprassem o livro físico. Algumas editoras nos EUA, e na Alemanha, também já estão apostando da venda conjunta.

E tudo indica que o ‘bundle’ vai vingar. Um novo estudo do BISG (Book Industry Study Group) sobre a opinião do consumidor em relação ao e-book aponta que consumidores querem cada vez mais livros digitais com valor agregado. Segundo o estudo, os leitores se interessam muito pelo bundling, e “pagariam mais por uma venda conjunta do livro físico e digital do que pelos produtos independentemente”.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 31/10/2013

A estagnação dos eBooks em 2013


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Acreditava-se que chegariam a representar de 50 % a 80% de todo o mercado de livros nos Estados Unidos, mas os e-books estagnaram a caminho de novas altitudes. De acordo com um novo estudo do BISG [Book Industry Study Group], no último ano, a participação das vendas de todos os novos e-books se estabilizou em cerca de 30% e um pouco abaixo dos 15%, em valor e em volume, respectivamente. Paralelamente, a porcentagem de compradores de livros que leem e-books pelo menos uma vez por semana, assim como a porcentagem daqueles que compraram um e-book também se estagnou em 20% e 25%, respectivamente.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 30/10/2013

BISG [Book Industry Study Group] apoia ePub3


Formato deverá ser adotado para conteúdo web

Book Industry Study Group, BISG, anunciou o endosso à utilização do EPUB 3 como o formato preferível para “representar, condicionar e codificar conteúdo web” que inclui XHTML, CSS, SVG, imagens etc., informa o site Publishers Weekly. Segundo a declaração, o EPUB3 “aborda a necessidade da indústria editorial mundial de adotar um padrão para a criação de conteúdo digital, a fim de impedir casos de fragmentação, que começam a se infiltrar na cadeia produtiva”. O site conta ainda que Andrew Savikas, membro do conselho do BISG e CEO da Safari books, apoiou o formato EPUB como o preferido para entrega e distribuição e que está comprometido com a sua extensão. O Bisg lançou ainda uma grade informativa para ajudar a indústria a se adaptar à transição, informa oPublishers Weekly. A última versão pode ser baixada aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 08/08/2012

O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Metadata, ou quando os editores brasileiros comem moscas, cobras e largatos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

A palestra mais interessante do primeiro dia do Congresso do Livro Digital da CBL foi sem dúvida a de Edward Nawotka, editor-chefe do Publishing Perspectives, já no final da tarde.

Ed tratou de vários pontos, voltando a dez anos atrás e mostrando alguns dos erros estratégicos que culminaram na falência da Borders e os perigos que rondam o mercado editorial. Mas o ponto central do que falou foi a advertência: algo que os editores podem e devem fazer para garantir seu futuro em um mercado onde pululam os autores que se auto-publicam, é trabalhar a metadata de seus livros.

De que se trata?

Metadata é o conjunto de dados sobre dados. Assim simples, parece pouco. Mas na verdade é algo realmente fundamental para adquirir o instrumento mais precioso que os editores podem ter para manter sua posição no mercado: informação.

O título de um livro, o nome do autor, da editora e o ISBN, por exemplo, são metadatas. Informações que se referem a um livro. Mas se restritos apenas a esses dados, a quantidade de informação que estes podem proporcionar é ridícula, diante da riqueza que pode ser mineirada se houver uma compreensão melhor sobre o assunto.

Agora quem recua a dez, doze anos atrás sou eu. Trabalhava na CBL, como Diretor de Relações Institucionais. Por volta de 1998/99, duas movimentações no mercado internacional atraíram minha atenção. A primeira foi a iniciativa do Book Industry Study Group – BISG [mantido pela indústria editorial americana para promover pesquisas e estudos sobre o mercado] e do Book Industry Comunication [do Reino Unido] de construir a primeira versão do ONIX – On Line Information Exchange. O padrão ONIX é desenhado para possibilitar a comunicação computador-computador entre os envolvidos na criação, distribuição, licenciamento ou qualquer outro modo de tornar disponível propriedade intelectual publicada, seja física ou digital. Todos os padrões ONIX são expressos em XML. Mais informações aqui .

A segunda iniciativa foi a da criação do DOI – Digital Object Information, também por iniciativa principalmente dos editores, destinada a identificar qualquer segmento de informação digital de forma unívoca [tal como o ISBN identifica uma edição, o DOI identifica objetos digitais]. Mais informações aqui . Qualquer segmento, nesse caso, pode significar desde o livro digital inteiro até qualquer parte dele [o título, o nome do autor, o ISBN, uma foto, a capa, um gráfico, uma ilustração, qualquer parte do objeto digital].

As duas iniciativas criaram as condições para que se pudesse rastrear a circulação na Internet de qualquer movimentação relacionada com os livros: no caso do ONIX, mesmo dos livros físicos; no caso do DOI, de qualquer segmento digital. O resultado disso foi, entre outras coisas, o surgimento dos diferentes sistemas de DRM – Digital Rights Management.

É importante destacar que o DRM pode ser um instrumento extremamente flexível e, acoplado com as informações dos arquivos no padrão ONIX e DOI, possibilitam ao editor obter dados valiosíssimos sobre a circulação das INFORMAÇÕES sobre seus produtos na Internet.

Digamos, por exemplo, que as informações sobre um título qualquer – livro físico – estão organizadas no padrão ONIX. O sistema permite que se recolham informações sobre qualquer acesso a qualquer tipo de informação que circule na Internet sobre esse livro. Se alguém acessa o site da editora e clica no título em questão, o sistema coleta informações as mais variadas a partir do IP de quem clicou. O mesmo se o título for consultado no site de uma livraria ou de um distribuidor. Depende de como foram organizados os metadados dentro do padrão ONIX. Ou seja, não é preciso que seja um livro digital para que os metadados referentes a esse livro já estejam gerando informações para os editores: sobre a distribuição geográfica dos acessos, por exemplo, que podem ser combinados com outras fontes de informações. Quem já viu as tabelas do Google Analytics pode imaginar o quanto é possível garimpar a partir de um simples clique no título do livro. E o ONIX não é apenas isso. Tem muito mais.

O DOI simplesmente amplifica essas possibilidades para os livros digitais.

As restrições à circulação dos e-books, que tornaram os DRMs mais conhecidos por conta das restrições nas transferências do conteúdo digital, são praticamente um subproduto da combinação ONIX/DOI. E a maioria das pessoas pensa que os DRMs dizem respeito apenas ao comércio dos e-books.

Nada disso. DRMs são uma expressão prática de coleta de metadados, e apenas uma delas, talvez a que tenha atraído maior rejeição por parte dos consumidores finais.

Representando a CBL, cheguei a assistir a duas séries de reuniões sobre o DOI, em Frankfurt e em Berlim, e o assunto já começava a ser discutido pela diretoria da CBL. Era uma visão de futuro para o mercado editorial.

Em 2002, na sucessão da administração do Raul Wassermann, o senhor Oswaldo Siciliano foi eleito e jogou fora tudo isso.

Somente no ano passado a CBL iniciou tratativas com a Federación de Gremios de Editores de España para adotar uma versão do padrão ONIX em um catálogo de livros disponíveis, que seria a versão brasileira do DILVE – Distribuidor de Información del Libro Español en Venta. Falou-se nisso e depois não ouvi mais a respeito. No site da CBL, não se encontra mais nada sobre o assunto.

Em resumo, no começo da década passada já se esboçava uma visão de futuro sobre a importância da coleta de informação, e da padronização do tipo de informações. O esforço foi jogado fora e interrompido.

É possível que algumas editoras mais bem informadas estejam trabalhando com o padrão ONIX. Não sei. Se estão, devem guardar esses dados como um tesouro de informações valiosíssimas.

Mas o fato é que o mercado editorial brasileiro, nessa altura dos acontecimentos, tem que correr atrás do prejuízo.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá nos dias 26 e 27 de julho de 2011, no Centro Fecomercio de Eventos em São Paulo – SP.O evento vai reunir palestrantes internacionais e nacionais como: Dominique Raccah [Sourcebooks – BISG], Bob Stein [The Future of the Book], Joseph Craven [Sterling Publishing], Rochelle Grayson [BookRiff Media], Pieter Swinkels [Kobo], Marcos da Veiga Pereira [Sextante], Martha Gabriel [New Media Developers] que trarão suas experiências e visões sobre comportamento do consumidor; gestão do livro digital e suas tecnologias; modelos de negócio existentes e outros assuntos de interesse aos empresários e executivos do livro. O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem apoio da Frankfurter Buchmesse e Fecomercio – SP.

Conheça a programação e faça sua inscrição pelo site www.congressodolivrodigital.com.br.

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado


Organizado pela CBL, evento contará com a presença de profissionais do mercado editorial nacional e internacional e de pesquisadores brasileiros

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.

Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas [entre editoras, livrarias e distribuidoras] são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.

Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.

Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.

A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos [Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP] e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site http://www.congressodolivrodigital.org.br.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 25/05/2011