Inscreva seu Trabalho Científico no 6º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


A 6ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital seguirá com a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital no intuito de promover trabalhos empíricos e conceituais inéditos. Os prêmios aos vencedores são R$ 1.500 reservados ao primeiro colocado, R$ 1.000 ao segundo e R$ 500 ao terceiro.

O evento acontecerá dia 25 de agosto de 2016, antecedendo a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Auditório Elis Regina, localizado na Av. Olavo Fontoura, 1209 – ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi, em São Paulo. Mais informações: digital@cbl.org.br.

Brasil, eBooks, educação e tecnologia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Non ducor, duco

Com seus 11 milhões de habitantes – 20 milhões, se incluirmos as cidades ao redor – e um PIB de mais de 300 bilhões de dólares, São Paulo representa o principal polo industrial e financeiro da América do Sul. Cerca de 6 milhões de automóveis transitam por sua gigantesca rede de estradas, avenidas, túneis, pontes e viadutos. Escapando do trânsito,incontáveis passageiros são transportados pelas diferentes linhas de metrô, enquanto no ar, um enxame de helicópteros aguarda o momento propício para descer no terraço de algum arranha-céu.

A cidade transmite uma intensidade extraordinária, é absolutamente multicultural e absorve tudo o que chega de fora – costumes, roupas, comidas e até palavras – com a mesma naturalidade que uma selva tropical assimila espécies novas. No entanto, tal facilidade não deveria criar nenhuma confusão: longe de adaptar-se passivamente às tendências da moda, São Paulo transforma todas a seu favor, o que talvez explique a máxima em latim que adorna sua bandeiranon ducor, duco – “não sou conduzido, conduzo”.

CONTEC: educação e tecnologia

Felizmente, a cidade conta com espaços de serenidade. O Parque Ibirapuera é um dos mais importantes de São Paulo: possui belíssimos lagos, fontes e árvores, assim como uma rica oferta cultural. No centro dele ergue-se o Auditório Ibirapuera, concebido há várias décadas pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente administrado pelo Instituto Itaú Cultural.

O Auditório destina-se geralmente a grandes espetáculos musicais, mas durante os dias 7 e 8 de agosto serviu de sede para o evento CONTEC, uma conferência internacional sobre educação e tecnologia organizada pela Feira do Livro de Frankfurt [FBF] – em especial por suas divisões LitCam e Frankfurt Academy –, que contou com o apoio de atores locais como PublishNewsAbeu, o Instituto Itaú Cultural, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Positivo, entre outros. Quase 700 pessoas, majoritariamente jovens, assistiram a debates atuais sobre a questão do analfabetismo, os planos de leitura do Estado brasileiro, as iniciativas de empresas locais e as incursões das empresas internacionais.

Pelo que se pôde ver, o Brasil se prepara para um grande salto tanto em educação quanto em tecnologia. Como deixou claro Karine Pansa – diretora da CBL – na abertura do evento, o Brasil ainda é um país desigual, mas a universalização da educação primária, o investimento em qualidade educativa e as novas tecnologias acabarão sendo fatores decisivos na consolidação de um mercado leitor. Para conseguir estes objetivos, o país “terá que aprender das nações que já deram esse salto”.

Um Estado poderoso

André Lázaro – que foi secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade durante a presidência de Lula da Silva – enumerou as conquistas e desafios dos planos nacionais de luta contra o analfabetismo, assim como a necessidade de trabalhar com força neste âmbito, a fim de conseguir uma democracia melhor. Como lembrou Lázaro, ainda persistem fortes diferenças entre o rico sudeste e o nordeste mais pobre, assim como entre as cidades e o campo.

Lúcia Couto – atual coordenadora geral de Ensino Elementar do Ministério da Educação – descreveu as diferentes ferramentas utilizadas pelo Estado para universalizar a alfabetização das crianças. O Brasil está discutindo atualmente os detalhes do Plano Nacional de Educação, que poderia elevar o investimento educativo a 10% do PIB nos próximos 10 anos.

Os esforços do setor público também vêm da área da cultura. Galeno Amorim – presidente da Fundação Biblioteca Nacional – expôs detalhes do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Como apontou o presidente da FBN, o Ministério da Cultura designou quase 200 milhões de dólares a diversas iniciativas de fortalecimento das bibliotecas e de estímulo à leitura que serão realizadas até o final do ano.

Brasil na vanguarda tecnológica

Se o setor público dá sinais de se mover com decisão, as empresas privadas não ficam atrás, embora sejam conscientes de que falta muito por fazer. Cláudio de Moura Castro – assessor do poderoso grupo Positivo – afirmou que apenas 18% dos universitários possuem o hábito da leitura e que um número significativo de alunos são, na verdade, analfabetos funcionais; de fato, em todo o Brasil existem tantas livrarias quanto na cidade de Paris.

O matemático José Luís Poli – do Programa de Alfabetização em Língua Materna [PALMA], desenvolvido pela empresa IES2 – confirmou o diagnóstico negativo a respeito dos milhões de analfabetos plenos e funcionais, mas se mostrou otimista sobre as soluções aportadas pelas novas tecnologias. PALMA funciona como um conjunto de aplicativos para celulares e oferece diferentes ferramentas de escrita e compreensão de textos. É importante lembrar que no Brasil existem mais de 250 milhões de celulares – o que equivale a uma penetração de 130% – dos quais ao redor de 54 milhões são 3G. Por outro lado, os fortes investimentos em infraestrutura 4G que se avizinham permitem supor que a telefonia móvel desempenhará um papel ainda mais vital na comunicação brasileira.

Brasil 2.0

As redes sociais constituem outro dos fatores decisivos no mundo da comunicação do Brasil. O país conta com mais de 55 milhões de contas de Facebook – segundo, depois dos EUA, no ranking global de usuários. A rede social Orkut, que no Brasil é administrada pela Google, perdeu sua liderança no final de 2011, mas ainda conta com uma considerável massa de seguidores. Em relação ao Twitter, o Brasil também segue os EUA no número total de usuários, sendo São Paulo a quarta cidade com maior número de tweets do mundo, só atrás de Jacarta, Tóquio e Londres. Durante a conferência CONTECa escritora carioca mais de 200.000 leitores que a seguem.

Os meios sociais do Brasil vão, inclusive, além do Facebook, Orkut ou Twitter. Já surgiram redes locais organizadas por núcleos de interesse, que mostram uma atividade notável. Na mesa que tive a oportunidade de moderar, Viviane Lordello deu algumas cifras do Skoob, a maior rede social de leitores do Brasil: uns 600.000 internautas trocam recomendações, notas e até livros físicos que são enviados por correio postal; estes usuários são de todo o território brasileiro, no entanto mais de 45% vive em São Paulo. Também é preciso destacar o trabalho realizado pela Copia, uma plataforma de conteúdos digitais dependente do grupo DCM dos EUA; Marcelo Gioia – CEO do Copia Brasil – enumerou durante a CONTEC os planos da empresa em nível local, especialmente depois de ter fechado uma aliança com o Submarino, a principal empresa de comércio eletrônico da América Latina: desta união de forças surgiu o Submarino Digital Club, uma rede social na qual os usuários podem compartilhar anotações assim como comprar e descarregar e-books.

Local e global. CONTEC 2013

A necessidade de estabelecer alianças locais foi em parte discutida durante a sessão “Visão panorâmica: olhando a bola de cristal”, na qual participaram Tânia Fontolan – do conglomerado brasileiro Abril Educação – e Hegel Braga – diretor da Wiley Brasil – sob a coordenação de Holger Volland. Fontolan começou explicando a forma como a Abril Educação vê o mercado educativo local nos próximos anos: crescimento dos conteúdos na nuvem; proliferação de tablets e celulares; aprendizagem baseada em videogames e conteúdo aberto. Braga, por seu lado, ofereceu detalhes sobre as ações da Wiley no Brasil: a empresa abriu um escritório próprio em São Paulo há poucos meses: dali espera desenvolver acordos com sócios locais e trazer tecnologia do exterior para ajustá-la ao cliente brasileiro. Tânia Fontolan concordou com a importância de trabalhar com alianças locais, embora tenha se mostrado cética a respeito da ideia de implantar soluções tecnológicas fechadas, pois em muitas ocasiões estas se mostraram simplesmente inadaptáveis.

Jurgen Boos e Marifé Boix García – respectivamente diretor e vice-diretora da FBF – sublinharam seu compromisso de longo prazo com o Brasil e a América Latina, ao mesmo tempo em que anunciaram uma nova edição da CONTEC para junho de 2013, desta vez na forma de uma feira internacional de conteúdos e educativos e multimídia, com dias diferenciados para os profissionais e para o público. A FBF já conta com delegações de Nova Délhi, Moscou, Beijing e Nova York, e logo abrirá um escritório em São Paulo. Segundo Jurgen Boos, as redes e o know how da FBF podem ser de grande ajuda para a indústria editorial brasileira:

“O Brasil tem um mercado interno enorme, com quase 200 milhões de pessoas. No entanto, está muito focado no local, ainda carece de contatos internacionais e é aí onde acho que nós podemos desempenhar um papel importante. Gostaríamos também de trabalhar com as universidades brasileiras, porque considero que tudo que fizermos deverá ser local. Podemos trazer nossa experiência, mas são necessários profissionais do mercado local.”

eBooks na Bienal: um futuro entre o EPUB e a nuvem

No dia 9 de agosto, a uns 12 quilômetros do Parque Ibirapuera – no centro de exposições do Anhembi – foi inaugurada a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, sob o lema “Os livros transformam o mundo, os livros transformam as pessoas”. A exposição durou 11 dias e foi visitada por mais de 750.000 pessoas, confirmando o dinamismo de uma indústria editorial que fatura quase 2,5 bilhões de dólares anuais.

Em comparação com os estandes de livros impressos, o espaço dedicado aos e-books era bastante limitado, o que acaba sendo coerente com a baixa faturação que apresenta o segmento digital: na verdade, os livros eletrônicos equivalem hoje a menos de 1% do total de ingressos da indústria editorial brasileira. Apesar disso, algumas tendências permitem antecipar um crescimento acelerado do novo mercado.

Como afirmamos antes, são numerosas as empresas estrangeiras que trabalham com aliados nativos para oferecer conteúdos digitais cada vez mais adaptados aos leitores locais. Graças ao lançamento de sua rede social de livros digitais – resultado do acordo com a Copia – o estande da Submarino foi um dos mais concorridos da Bienal.

Por outro lado, a considerável capacidade de investimento dos players autóctones possibilitou o surgimento de plataformas originais como Nuvem de Livros, desenvolvida pelo Grupo Gol, em associação com a operadoraVivo-Telefônica: durante a Bienal, os estudantes puderam se informar sobre as funcionalidades e custos desta plataforma na nuvem, que conta com 800.000 usuários e que por menos de 2 reais por semana oferece acesso a cerca de 6.500 títulos.

Da mesma forma, as editoras nacionais estão trabalhando ativamente na digitalização de seus catálogos, embora ainda haja muito a melhorar: segundo a especialista Camila Cabete, mais de 60% dos arquivos EPUB brasileiros apresentam erros de estruturação. De qualquer forma, a migração já começou: os títulos publicados em formato digital chegaram, em 2011, a 9% do total de obras registradas. Diversas editoras passaram à ofensiva comercial, em especial no terreno do livro científico: Atlas, GENEditora Saraiva e Grupo A uniram forças para oferecer seus títulos através do Minha Biblioteca, uma plataforma de conteúdo digital pensada para o mercado acadêmico.

Quem quer colocar [Kindle] um fogo [Fire] na Amazônia?

O dia 10 de agosto foi a data chave para os e-books durante a Bienal. Ao longo de toda essa jornada – “o dia D” – o público pôde escutar diferentes protagonistas da cena digital: Andrew Lowinger da Copia, Marie Pellen da OpenEdition, Jesse Potash da Pubslush, Júlio Silveira da Imã, Eduardo Melo da Simplíssimo, Marcílio Pousada da Livraria Saraiva e Russ Grandinetti da Amazon Kindle. Depois da primeira conferência, os organizadores foram obrigados a mudar o evento para uma sala maior, já que o número de participantes tinha superado as expectativas.

Quando chegou a vez de Russ Grandinetti, nem sequer a nova sala foi suficiente para conter os interessados, e um grande número de ouvintes ficou de fora. O executivo esclareceu logo no começo que não daria nenhuma data para o desembarque da Amazon no Brasil e se limitou a enumerar os pontos positivos do e-reader Kindle e o tablet Fire. Carlo Carrenho – diretor do PublishNews – coordenou o diálogo entre Grandinetti e o público, e no final lembrou uma frase de Jeff Bezos: “Quero ir à lua… e ao Brasil”, o que levou a uma pergunta que o público celebrou com gargalhadas: “Quando pensam em abrir essa filial lunar, então?” É que o lançamento da Amazon no Brasil já demorou muito – talvez um sinal de que as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Às complexidades impostas somam-se obstáculos impensados: por exemplo, até muito pouco tempo, o domínio amazon.com.br era propriedade de uma empresa local; demorou 7 anos para a Amazon EUA conseguir um acordo com sua contraparte brasileira – porque não era simples para os norte-americanos alegarem seu direito sobre a marca, já que o rio Amazonas [“Amazon” em inglês] se encontra precisamente no Brasil. Em todo caso, a empresa de Seattle parece disposta a fazer o que for necessário para se estabelecer na América do Sul – desde adquirir empresas nativas até operar sob uma denominação diferente, entre outras alternativas.

Imediatamente depois da Amazon, chegou a vez da livraria Saraiva. Nesse momento, eram tantas as pessoas na sala que a situação se assemelhava mais a um show de rock do que a uma conversa sobre e-books. Marcílio Pousada lembrou a importância de contar com 102 lojas em todo o território brasileiro e de ser um dos principais vendedores de tablets e de livros a nível nacional. Vale a pena sublinhar que a Saraiva possui mais de 2 milhões de clientes ativos em sua divisão eletrônica. Graças a uma equipe de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento digital, implementou seu próprio aplicativo de leitura e outras iniciativas pensadas especificamente em função do leitor local. Este potencial concorrente da Amazon oferece hoje em torno de 10.000 títulos em língua portuguesa e espera somar outros 5.000 até dezembro.

Quem manda no baile

No Brasil, confluem hoje forças muito poderosas, provenientes tanto do interior quanto do exterior. Como rios caudalosos que se interconectam, o setor público, as empresas locais e as empresas globais formaram um ecossistema rico e dinâmico. Este diagnóstico poderia ser aplicado a diferentes áreas da economia, por exemplo a de infraestrutura de transportes, tal como pôde ser visto nos recentes anúncios do governo para a construção de ferrovias e estradas.

No âmbito das publicações digitais, a sinergia entre os players públicos e privados, locais e globais, é especialmente clara. A envergadura dos atores envolvidos permite supor um crescimento acelerado tanto da oferta de conteúdos quanto dos ingressos econômicos. O país tem tudo para ganhar com o desembarque das multinacionais do e-book: as empresas brasileiras recebem uma forte transferência de tecnologia do exterior, ao mesmo tempo em que os consumidores nacionais têm acesso a plataformas e dispositivos de primeiro nível.

Apesar disso, também é preciso avisar que existe o perigo de uma saturação da oferta. Na verdade, muitos de meus interlocutores brasileiros estavam surpresos pelo otimismo excessivo manifestado pelas empresas internacionais, que acham que este mercado é um novo Eldorado, a ansiada fuga da crise econômica que afeta suas matrizes. E o certo é que – tal como sublinharam os criadores de políticas durante a conferência CONTEC– o Brasil continua enfrentando desafios cuja solução exigirá muito tempo e grande esforço.

De qualquer forma, apesar de todas as dificuldades, o país ganhou uma relevância ineludível e já dialoga de igual para igual com os titãs da indústria eletrônica global. E o Brasil – com seu ativo setor público, suas poderosas empresas e seu povo extraordinário – está decidido a conduzir o baile, não a ser conduzido.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Copia e Submarino mostram as vantagens da leitura virtual


CEO do Copia faz apresentação hoje, na Bienal do Livro

A Submarino Digital Club apresenta, na Bienal do Livro, novas experiências de leitura virtual e colaborativa, utilizando-se da tecnologia da empresa Copia, integrante do Grupo internacional DMC, que desenvolveu uma plataforma de distribuição e comercialização de conteúdo digital. Funciona como um portal interativo, onde o cliente se cadastra e adquire livros através da compra on-line. O usuário pode ler, comentar e compartilhar conhecimentos e experiências com outros leitores que também estejam cadastrados na rede, tornando a leitura uma ação social.

Na Bienal, o Copia irá realizar a Promoção Ganhe sua Primeira Biblioteca Digital para que os visitantes conheçam e explorem as vantagens do serviço: o visitante se cadastra e recebe um código vip para que possa baixar gratuitamente, no período de realização da Feira, 8 títulos dos melhores best-sellers em versão de e-book. Em nota, o diretor-executivo do Copia no Brasil Marcelo Gioia afirma: “Acreditamos que um dos motivos do mercado de livro digital no Brasil ainda ser pequeno é o fato de os leitores ainda não conhecerem o que realmente é um livro digital de qualidade. O objetivo de presentear os visitantes com esses livros é fazer com que o novo leitor tenha uma experiência agradável e positiva de leitura digital,” explica o diretor-executivo do Copia no Brasil, Marcelo Gioia.

PublishNews | 10/08/2012

“O futuro das editoras não me preocupa”, diz executivo da Amazon


O vice-presidente mundial de Kindle da Amazon, Russ Grandinetti, disse em palestra na Bienal do Livro que a companhia ainda não tem uma data para lançar seu leitor e sua loja de livros digitais no Brasil.

Em uma de suas raras aparições públicas, Grandinetti reconheceu, no entanto, que a Amazon perde a chance de apostar no mercado brasileiro.

O Kindle é uma experiência que revolucionou os hábitos de leitura das pessoas, queremos ampliá-la ainda mais“, disse.

Lançado em 2007, o Kindle é um leitor eletrônico que permite comprar, baixar, pesquisar e ler livros digitais, jornais, revistas.

Grandinetti acrescenta que é ótimo que os autores tenham mais opções para publicar seus livros, em vez de apenas submetê-lo a uma editora tradicional.

O FUTURO DIRÁ

Os e-books faturaram R$ 870 mil em 2011, mas ainda representam menos de 0,5% do mercado editorial brasileiro.

De janeiro a março de 2012, foram vendidos 370 mil tablets, 61% deles com sistema operacional Android. Existem hoje pouco mais de 1.500 títulos nacionais em versão eletrônica.

“Estamos vivendo um momento interessante para a indústria editorial. Talvez em alguns anos, depois que todas as leis de propriedade intelectual forem debatidas, teremos um horizonte mais promissor no Brasil”, disse Grandinetti.

Segundo dados da Nielsen BookScan, a queda nas vendas dos livros impressos nos Estados Unidos dobrou em dois anos. No Reino Unido, a venda de livros físicos foi de 12% no geral e de 26% apenas em ficção. O mesmo ocorre na Espanha.

O futuro da indústria editorial não nos preocupa, quero saber que papel poderemos ter no futuro“, disse.

DOUGLAS GAVRAS | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 10/08/2012 – 15h34

Como fica o livro impresso com o advento do e-book?


Desde que Gutemberg inventou a imprensa, o livro como conhecemos se perpetuou. À época, monges católicos criticaram a invenção e amaldiçoaram o mecanismo que fazia em poucos minutos o que um especialista em litografia levava semanas.

Agora estamos passando por um processo parecido. Quando a Amazon Books lançou o Kindle, leitor digital de fácil transporte e capacidade de armazenamento absurda, um novo ciclo no mercado editorial se iniciou.
Ao contrário do que se possa pensar, criar um e-book não se resume simplesmente em criar um arquivo em formato .pdf [Acrobat Reader] e disponibilizar para download, cobrando por isso. Existem centenas de plataformas, centenas de formatos e é necessário converter a mídia impressa para cada uma delas.

Nos EUA, o Nook da Barnes & Nobles e o novo Kindle disputam mercado, sendo o primeiro consideravelmente mais barato e funcional que o segundo. Em terras tupiniquins, só agora se começa a entender esse fenômeno que, no exterior, já se tornou costume. A principal líder nacional no segmento “livraria digital” é a Gato Sabido, cujos livros eletrônicos são produzidos para o leitor Coo-ler. A falta de versões em .pdf’s e “imposição” de um formato ao consumidor são fatores importantes a serem observados. É indiscutível o crescimento que a empresa teria se passasse a produzir material também em formatos ditos “universais”.

Com isso, surge a questão: o livro impresso desaparecerá?

Conversei com personalidades do mundo editorial sobre o assunto. Confira as opiniões.

Cassandra Clare, autora do best-seller The Mortal Instruments

Eu não tenho medo de e-books. É normal ter medo de mudar, mas eu não acho que os e-books farão o download ilegal ploriferar assim como aconteceu com a indústria fonográfica. As pessoas não consomem livros da mesma maneira que consomem música. Quando as pessoas querem um livro, eles querem que a coisa toda – quando as pessoas compram música muitas vezes querem apenas uma ou duas músicas de um álbum. Agora, eles podem receber apenas aquela canção do CD, ao invés de comprá-lo inteiro. Mas ninguém quer apenas um capítulo de um livro“.

Lauren Kate, autora do best-seller Fallen

Admito, não sei muito sobre downloads ilegais, mas acho que a revolução do livro ocasionada pelo Kindle é muito grande, mas não começou agora. Houve bastante tempo para o mercado editorial perceber se isso era rentável ou não, usando indústria fonográfica como exemplo, para então se preparar melhor focando-se nas deficiências da segunda. Existem ainda alguns desafios a serem trabalhados, mas acho que, no geral, um sistema amplo e justo foi alcançado, com autores e editores ainda sendo compensados por seus produtos. Fallen está disponível no e-book e estou contente em dizer que as vendas estão indo muito bem“.

Lucia Riff, sócia fundadora da maior e mais importante agência literária brasileira

Quando fui convidada pela primeira vez a falar sobre esse tema, logo recusei. Pedi para falar de agenciamento, de direitos autorais, de qualquer coisa, menos de e-books. Isso porque o advento do e-book é algo relativamente novo e não me sentia segura para discorrer a respeito. Mas é um assunto do qual já não se pode mais fugir. A transformação do mercado editorial é algo vivo, real e deve ser encarado. Não sei o que pensar sobre e-books. É indiscutível as vantagens que ele traz – baixo custo, portabilidade, acesso fácil e rápido a livros enclausurados no Acervo dos Raros de bibliotecas federais, mas ele acaba tolhendo um pouco a liberdade do leitor – um arquivo baixado hoje não é garantia de que ele existirá amanhã. Recentemente, a Amazon foi processada por disponibilizar o célebre “1984” de George Orwell de forma gratuita, achando que a patente autoral já havia sido quebrada. Não tinha. Em um dia, centenas de e-books foram baixados. No outro, todos esses e-books tiveram seus respectivos conteúdos recolhidos e desapareceram dos eReaders sem uma explicação prévia por parte da empresa. O Google acaba de ser processado pelo ambicioso projeto de digitalizar todo o conhecimento humano e disponibilizar na rede, uma Biblioteca de Alexandria Moderna. E os autores, como ficam? E o autógrafo? Houve uma época em que ter um livro autografado pelo autor era quase como sustentar um troféu. E agora, cobraremos pela presença? E a liberdade que eu tenho de emprestar, dobrar e esconder um livro debaixo da cama, por exemplo? E os mais diferentes formatos, cores e formas? Será que, no futuro, teremos bibliotecas que emprestarão um chip com o conteúdo do livro? Tudo isso nos leva a pensar se essa revolução é mesmo benéfica, mas precisa ser estudada de todos os ângulos“.

Por aqui, a UFMG inova em pesquisas ambiciosas e ousadas. O Professor Chico Marinho, durante a Bienal do Livro de Minas Gerais, em debate realizado em 21/05/2010, no Expominas, falou para uma platéia vasta sobre os avanços na tecnologia dos eReaders.

“Estamos analisando o e-book de um ângulo diferente do mercado editorial atual. Nossos estudos avançam no sentido de criar um livro que modifique suas histórias de acordo com o humor do usuário. Assim, o eReader seria capaz de constatar modificações de ordem fisiológica e emocional e alterar o produto às necessidades do consumidor final, gerando conteúdo mutável e personalizado”.

Há de se considerar ainda a interatividade que esse novo formato digital trás ao leitor. Durante a Bienal de São Paulo desse ano, era possível observar um show de tecnologia no stand da Editora Globo. Inovando, o grupo editorial está formatando as clássicas histórias do Sítio do Picapau Amarelo, escritas pelo lendário Monteiro Lobato, para o iPad, a plataforma da Apple de Steven Jobs. Assim, crianças ainda iniciantes ou iniciadas na nobre arte de viajar através da leitura puderam ver livros com animações, vídeos e áudios. Um novo conceito que já tem nome: mediabooks.

Especular se os livros “físicos” vão desaparecer diante a novidade é excluir todos os méritos que esse formato possui há séculos. Concordo com Cassandra Clare quando ela cita as diferentes formas de consumo entre o mercado editorial e o fonográfico e penso que essa nova mídia tem como objetivo acrescentar, e não extinguir.

E-books são sim uma realidade promissora e que, de agora em diante, só irão expandir, mas como uma alternativa viável a quem não faz questão de montar uma biblioteca pessoal, quem usa uma obra de forma descartável [lê e abandona] ou simplesmente para quem não pode pagar R$70,00 reais em um texto, num país de terceiro mundo, onde a grande maioria da população ainda vê o hábito da leitura como algo elitista e inalcançável.

Por Igor Silva | Publicado originalmente em Vá ler um livro | 10/09/2010 | 11:46:50

Do que depende a sobrevivência da leitura?


O término da 21ª Bienal do Livro de São Paulo mais uma vez colocou em evidência um espectro que ronda o mercado editorial e o universo de leitores já há alguns anos: o fantasma do livro digital. É bom lembrar, antes de mais nada, que um fantasma não é essencialmente uma entidade maléfica, assim como não o é, em essência, o livro digital, ou e-book. Mas algumas leituras muito apressadas e propagandas mais apressadas ainda têm causado reações precipitadíssimas, para o bem ou para o mal mas, sobretudo, por uma compreensão parcial de tudo o que envolve o livro digital, o próprio livro, a leitura e até mesmo a educação como ela é, pois ainda se trata da principal fonte de formação de novos leitores. Criadas como peças fundamentais na geografia urbana das cidades desde antes da idade moderna, as bibliotecas públicas encarnam desde então um espírito democrático como poucos espaços públicos têm conseguido. Seja pelo acesso franqueado, como por suas características elementares, como o empréstimo domiciliar, seria muito ingenuidade imaginar que as corporações empenhadas na criação de aparelhos leitores de livros guardem esse tipo de preocupação – ou, acaso, seria imaginável que a Amazon ou o iTunes venham a emprestar gratuitamente seus conteúdos digitais?

Muitas pessoas têm confundido o conceito de livro digital com os aparelhos leitores, ou e-readers. Ao contrário do livro convencional, vendido em exemplares únicos, o livro digital tem outra forma de distribuição: depois de adquirido, poderá ser lido nos aparelhos leitores, equipamentos portáteis capazes de reproduzir o conteúdo escrito, seja qual for o seu gênero, em telas com tecnologias diversas e alguns outros recursos como conexão remota a redes, internet, entre outros.

Portanto, o livro digital não é um livro, e sim, meramente um conjunto digital de dados decodificado e exibido em um equipamento. No plano comercial, os aparelhos leitores não estão atrelados a editoras, mas a empresas de tecnologia que podem arbitrar formatos tecnológicos específicos, e proprietários impedindo, inclusive, que um determinado conteúdo possa ser lido em qualquer outro dispositivo que não aquele através do qual foi comercializado. Diferentemente dos volumes impressos, cujo suporte é único, os livros digitais trazem à seara da informação escrita um fantasma ainda muito pouco conhecido no meio editorial, mas que tem poderes muito significativos. O fantasma atende por DRM, ou digital rights management, e já se revela, mesmo que disfarçadamente, em muitos destes equipamentos, principalmente nos mais vendidos entre eles: o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple.

O futuro dos Direitos Autorias

De acordo com a Free Software Foundation, o DRM seria mais apropriadamente denominado por digital restrictions management, uma vez que sua funcionalidade está muito mais para a gestão das restrições de uso do conteúdo digital do lado do usuário que do fabricante. Tratam-se de parâmetros inseridos nos conteúdos digitais com capacidade para coletar dados do uso, bem como determinar padrões de durabilidade, acesso a cópias e intercâmbio de formatos. Desenvolvido inicialmente por demanda dos fabricantes e distribuidores de música, é um tipo de tecnologia utilizada na transferência de vários tipos de conteúdo digital, inclusive na transmissão televisiva em formato digital.

Ao passo em que muitos avanços e iniciativas têm ocorrido em função de ampliar e não restringir os direitos do lado dos consumidores e da sociedade, procurando garantir o acesso universal à informação principalmente em ambientes educacionais, o mercado editorial tem se movido fundamentalmente em torno das iniciativas que lhe podem garantir a sobrevivência e sustentabilidade. A discussão recente em torno da reforma da Lei de DIREITOS AUTORAIS e os interesses que aí se têm debatido comprovam que muitos rounds serão travados no sentido de deitar à lona as possibilidades concretas de um avanço num curto espaço de tempo.

Como o movimento de livre distribuição e licenciamento não deixa de crescer, é de esperar que o mercado venha obrigatoriamente a reconfigurar-se em função do novo habitus de acesso à informação, e não vice-versa. A novíssima sociedade da informação, que se acostumou a ver na informação e em sua circulação um mercado a ser explorado, tem necessitado redimensionar-se constantemente, sob pena de inadequar-se aos novos meios de troca e acesso que são criados de forma incessante.

Por isso, a grande diferença entre os serviços de bibliotecas públicas e o negócio dos conteúdos digitais está em que a perspectiva lucrativa aqui se instala em definitivo entre editores e leitores. Mesmo as iniciativas de implantação de grandes bibliotecas digitais, patrocinadas muitas vezes por gigantes tecnológicos, como HP ou a Google, não visam a alterar em praticamente nada as relações de acesso ao conteúdo da informação. Sua revolução está nos meios e na sempre presente perspectiva de oferta de serviços comerciais agregados. Assim, tais iniciativas assentam-se sobre obras em domínio público ou criadas já dentro do espírito de livre reprodução, como as obras licenciadas através da Creative Commons.

Para novas edições e conteúdos presentes e futuros, não há um projeto descrito ou tão benevolente a ponto de se imaginar que a intenção edificante destas corporações visa exclusivamente à universalização do acesso à informação.

Iniciativa pioneira e que se mantem há 40 anos de forma voluntária, o projeto Gutenberg é o exemplo vivo de que iniciativas não comerciais emperram em limites de expansão por falta de investimento. Contando com donativos e sem o apoio de grandes bibliotecas ou de seus consórcios, mesmo assim guarda a semente de um plano ousado: reinventar em formatos não-proprietários o sonho de uma fonte livre de consulta e leitura. Mesmo iniciativas que contam com o apoio do governo, no caso brasileiro, e destinadas à pesquisa de ponta, como a produção científica da pós-graduação, patinam ainda em dificuldades técnicas para levar a ideia de uma Biblioteca Digital de Teses a ser popularizada entre instituições menores, como faculdades do interior do Brasil.

Em 2003, o jornalista Elio Gaspari já advertia ironicamente que o único banco que não dá certo no Brasil é o banco de teses. Passados sete anos, nem o MEC nem a Capes forneceram sequer uma explicação remota acerca das razões pelas quais o projeto se mantém sem acesso a conteúdo integral e é realizado em separado a outras iniciativas particulares de divulgação científica. Talvez sejam razões semelhantes as que levam o Google a manter indefinidamente em versão beta seu projeto Scholar. O que pode estar custando a ser percebido é a necessidade de democratizar as fontes antes de se fomentar o acesso, de o meio acadêmico se comprometer a dar o exemplo, abrindo mão de direitos comerciais e da sociedade, por sua vez, desconsiderar propostas que visam ao monopólio ou uso terciário da informação, oferecida como subproduto de iniciativas essencialmente comerciais.

As palavras em registro digital

Reclamado principalmente pelas pessoas com deficiência visual, que veem os livros em braille sendo progressivamente relegados a edições especiais e à perspectiva de que novos recursos tecnológicos venham a possibilitar seu acesso a conteúdos de outra maneira indisponíveis, os recursos de acessibilidade dos e-readers são duramente criticados por esta parcela da população. No Brasil, iniciativas como o MOLLA – Movimento pelo Livro e Leitura Acessíveis no Brasil, são pertinazes na denúncia de práticas editoriais discriminatórias e realizam um trabalho que procura garantir que o acesso à informação, como um direito universal, seja efetivado através de compromissos sociais que atendam às especificidades humanas como um todo, como recomenda o conceito de desenho universal. Nessa perspectiva, têm chamado atenção algumas dificuldades de uso dos e-readers, como a inacessibilidade das telas de toque [touchscreen] e incapacidade de conversão texto-áudio, fatores limitantes do acesso por pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida.

O semiólogo e escritor italiano Umberto Eco lançou no começo deste ano o Livro-entrevista Não contem com o fim do Livro, no qual discute algumas questões como a segurança de dados dos conteúdos digitais, a fidedignidade e a história da humanidade e seus registros. Em dado momento da entrevista, Eco comenta que não entende as razões pelas quais se iniciou o que ele chamou de “obsessão” pelo fim do livro. Para ele, os livros continuarão a existir porque não se trata de uma experiência, mas de um produto com uma credibilidade de 500 anos, ao passo que os recursos tecnológicos têm sido substituídos pelo menos a cada cinco anos. No seu caso, diz que não trocaria sua biblioteca por outra digital pela simples razão de que nada o asseguraria de que as informações estivessem disponíveis a qualquer momento e a salvo de bugs. Uma leitura sem risco de bugs ou perdas maiores, para Eco, continua a ser um privilégio exclusivo dos impressos.

É possível que estas palavras, cada uma delas, jamais sejam gravadas na celulose do papel, matéria-prima dos impressos de um modo geral, sejam livros, revistas ou jornais. A bem da verdade, nem uma prova em rascunho para revisão será impressa numa simples impressora doméstica. Seu único registro estará no meio digital, no código binário e na memória de quem, ao lê-las, decida por utilizá-las em algum tipo de raciocínio que possa somar ou contestar alguma informação previamente assimilada. O registro da informação é uma necessidade que a capacidade de atenção e memória humana exigem. À medida em que evoluiu, a humanidade foi criando mecanismos acessórios para estes fins. Dicionários, enciclopédias e outras formas sistematizadas de informação que hoje convergem, aparentemente de forma inexorável, para os recursos digitais.

Como garantir o acesso à leitura?

A internet é formada essencialmente por recursos digitais interconectados e multiplicados em uma desrazão. Muitas das pessoas que afirmam tratar-se de bilhões de páginas não erram, mas não acertam jamais em saber o quanto de informação repetida ou informação incompleta é armazenada e acessada permanentemente. Por muito tempo, soube-se que a Bíblia e o Manifesto Comunista foram os livros mais impressos do mundo. Hoje, sabe-se que muitas páginas da internet superam este número n vezes. Por muito tempo, soube-se que quem lia o Novo Testamento ou o Manifesto Comunista teria conhecido a vida de Cristo ou as ideias centrais do comunismo. Hoje é impossível saber o que todas as pessoas que acessaram determinada página da internet, como por exemplo a página de PESQUISA do Google, foram até lá buscando, o que leram e o que conheceram efetivamente a partir daí. A distinção fundamental entre os exemplos supracitados é o suporte de inscrição. No primeiro, o texto e a estrutura convencional, circunscrita. No outro, o hipertexto e a estrutura aberta, diametral.

Seria um tipo de limite absurdo imaginar um novo recurso tecnológico capaz de fazer o processamento e exibição de um texto e ao mesmo tempo compartilhar uma conexão com a internet que não contasse com esse tipo de recurso e que não tivesse por base alguma forma derivada de hipertexto. Quando se pensa em dispositivos capazes de ler o livro digital, somente um purismo radical pensaria num dispositivo que imitasse o livro em papel. Já houve quem sugerisse que os e-readers devessem, inclusive, emitir o odor produzido pelos ácaros, para se preservar a leitura como se tratassem de brochuras antigas. São devaneios curiosos mas que não interessam ao principal, que é sobrevivência da leitura, apesar das tecnologias.

Antes que o livro mudasse, a própria leitura mudou. Em uma época marcada pelo exagero do uso da imagem, a palavra está em decadência e o discurso, fragmentado e cada vez mais dissociativo. Mesmo assim, o desafio da leitura continua a ser como uma busca por consistência no acesso aos bens culturais. Maiores ainda são as dificuldades de concretizar uma leitura online porque há sempre uma forma de que anúncios publicitários resolvam sacudir as telas de leitura e inúmeras portas de saída convocando a atenção do incauto leitor. As pessoas que estão atualmente preocupadas em saber qual tecnologia se vai consolidar em lugar do livro nos próximos cinco anos poderiam parar de pensar um pouco em aparelhos e pensar mais em como a leitura e seu acesso poderão ser garantidos e ampliados a todas as pessoas porque, do contrário, não haverá evolução a encontrar neste processo, mas uma ainda maior elitização do que a já existente.

Consumidores no lugar de leitores

GUIA GLOBAL | 06/09/2010

E-books roubam a cena na Bienal do Livro


Edição deste ano trouxe exemplares de livros eletrônicos para o público conhecer as novas formas de consumir cultura

São Paulo recebeu durante onze dias a 21ª Bienal Internacional do Livro. Foram 350 expositores, cerca de 700 mil pessoas passaram pelos corredores do evento, milhares de livros espalhados pelos estandes… mas dá só uma olhada no que chamou a anteção dos visitantes.

A edição deste ano proporcionou ao público o contato direto com uma nova maneira de consumir conhecimento e cultura. Os leitores eletrônicos estiveram espalhados aos montes para quem quisesse conhecer e aprender mais sobre esse mundo. E as reações foram as mais diversas.

Todo mundo está se interessando. Vem aqui desde criança, tem criança de 10 anos que compra, que escolhe e tem gente mais velha também“, diz Luciana Ernanny Legey, Sócia de um fabricante de leitores digitais.

A mobilidade oferecida pelos leitores eletrônicos é um dos pontos fortes desses produtos. Uma recarga de bateria pode deixar o aparelho funcionando por cerca de uma semana. Num pequeno aparelho como este, é possível guardar até dois mil títulos. E é isso que mais chama atenção dos usuários.

Você pode carregar nesse aparelho a sua biblioteca inteira. É muito simples, você vai no site, baixa o livro e passa para o aparelho. E é muito agradável de ler, não reflete, então você não cansa. É uma tecnologia para imitar papel, então você sente que você esta lendo no papel efetivamente“, explica Luciana.

Aqui nesse espaço ficaram expostos dezenas de iPads, além de outros leitores eletrônicos como o da Sony, o Kindle e o Cooler. Cada visitante que passava por perto dava uma paradinha para interagir um pouco com as novas tecnologias. A Letícia e a Sarah nunca tinham visto um iPad, e a primeira impressão das duas com o tablet da Apple valeu a pena.

Eu achei mais legal, porque é uma forma mais descontraída de você ler, não fica só naquela chatice das letras do livro, do papel”, diz Letícia Maia, estudante.

A também estudante Sarah Gomes acredita que os e-books dão mais dinamicidade à leitura “É como se você tivesse um livro mesmo nas mãos, só que pelo computador. Então você pode tocar, interagir com os personagens, ler quantas vezes você quiser e você não fica cansado. É muito legal.”

O mercado de livros físicos no país ainda não deve sofrer com a chegada desses novos gadgets. Os leitores eletrônicos ainda custam caro para o público brasileiro. Mas as editoras já começam a ficar de olho nessa nova tendência.

Isso amplia o acesso da população a uma leitura, a um conhecimento, à informação“, diz Vera Lúcia Wey, Gerente de Produtos Editoriais da Imprensa Oficial.

E aí, ficou curioso para saber como funcionam o iPad e o Kindle? Então acesse agora os links acima desse texto. Você vai encontrar dois testes que fizemos com os gadgets da Apple e da Amazon. Corre lá!

Olhar Digital | 22 de Agosto de 2010 | 15:45h

Os queridinhos dos visitantes da Bienal


Dois espaços da Bienal do Livro têm chamado mais a atenção dos visitantes da feira. A prova são as constantes – e longas – filas e os números divulgados pelos organizadores. Estima-se que tenham passado pelo Espaço Digital da Imprensa Oficial, onde estão expostos leitores digitais como o iPad, o Kindle e o Cool-er, mais de 10 mil crianças. Isso sem contar os demais curiosos. Lá, eles conhecem este que virou o assunto do momento e podem experimentar à vontade os leitores.

Já o “O livro é uma viagem”, do Instituto Pró-Livro, que neste ano ganhou uma melhor localização, recebeu, até ontem [19], 15 mil crianças. A instalação de 500 m² leva as crianças para dentro das histórias, abriga um espetáculo teatral feito especialmente pela Pia Fraus para esta atração e também livros gigantes, mostra curiosidades relacionadas à língua portuguesa, apresenta resumos de obras literárias e é totalmente acessível. Vale um tempinho na fila!

PublishNews | 20/08/2010

Encontros meio virtuais meio reais na Bienal


Marcelo Mirisola, André de Leones e Lúcia Bettencourt estarão na Bienal Internacional do Livro de São Paulo [Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – São Paulo/SP] nesta sexta-feira [20], às 19h30, para uma conversa sobre o mundo online e sobre o livro digital no Submarino Espaço Digital/Gato Sabido. Juntam-se a eles pelo telão, Noga Sklar e Ricardo Hofstetter. Todos têm e-books lançados pela KindleBookBr, de Noga. Mirisola lança agora na Bienal a versão digital de seu Joana a contragosto. Lúcia e André participam da recém-lançada coletânea de contos da revista eletrônica “Histórias Possíveis”. É de Ricardo o e-book A Transilvânia é o Catete. E neste momento em que o virtual encontra o real, Erwin Maack, que lança Dança ritual urbana e outros movimentos, encontra, pela primeira vez, a bailarina nipo-paulista Susana Yamauchi, personagem do seu livro de contos, que fará uma apresentação depois da conversa. Haverá também sessão de autógrafos… virtual. Vale conferir!

PublishNews | 19/08/2010

Bienal do Livro chega ao YouTube


Para quem não conseguiu ver os debates e palestras da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a organização do evento criou um canal no YouTube, que receberá vídeos dos encontros com os escritores. O canal já está no ar: basta digitar “bienaldolivrosp” no campo de busca do site http://www.youtube.com.

No fim de semana, a Bienal atraiu pelo menos 160 mil pessoas para o Pavilhão de Exposições do Anhembi, na zona norte da capital, segundo estimativa da organização. A expectativa é receber 700 mil visitantes até domingo, último dia do evento. “O conceito desta edição é levar a Bienal para fora dos muros do Anhembi. E isso também tem a ver com a internet. O canal no YouTube tornará o evento mais presente, já que é impossível assistir a todas as atrações”, disse Eduardo Mendes, diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro [CBL], entidade organizadora do evento.

Estado.com | 16/08/2010 | Ana Bizzotto e Vitor Hugo Brandalise

Grupo A investe US$ 100 mil no mercado digital


Um aplicativo para iPad e iPhone abre caminho para os e-books que o grupo ainda vai lançar

Pensando no crescente mercado de livros digitais, o Grupo A, holding que engloba as editoras Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGraw-Hill e o novo selo Penso, está investindo US$ 100 mil na conversão dos livros impressos para o formato padrão de e-books e suas diversas plataformas.

Para inaugurar essa nova fase, lança, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a versão digital para um de seus best-sellers – Medicamentos de A a Z, de Elvino Barros.

O livro, de 680 páginas, é um guia dos principais medicamentos utilizados na prática clínica, organizados em ordem alfabética e com informações de preços e diferentes tipos de receituários.

Na versão para iPad e para iPhone, o livro será dinâmico. O leitor poderá pesquisar remédios e doenças e classificar como favoritos as drogas de uso corrente. O aplicativo também permite anotações pessoais ao longo do conteúdo e a pesquisa dos produtos genéricos e dos disponíveis na Farmácia Popular. Ele estará disponível para download na Apple Store em uma versão gratuita, que dará acesso a dois medicamentos por letra do alfabeto. Já a versão completa do aplicativo estará disponível por U$ 24,99
Desde 2005, o Grupo A vem investindo para adaptar seu negócio e atender aos novos hábitos de consumo de informação. Em breve, vários livros serão disponibilizados em formato digital.

A nossa meta é atender a conveniência do leitor. A partir do mês de setembro começaremos a oferecer alguns títulos em e-books” afirma Adriane Kiperman Rojas, diretora editorial do Grupo A.

PublishNews | 10/08/2010