Saraiva lança o LEV


O e-reader já está disponível em todas as lojas da rede, pela internet e pelo walmart.com

Uma prateleira inteira da loja da Saraiva no Shopping Ibirapuera amanheceu vazia nessa terça-feira [5]. Com isso, a livraria queria demonstrar que livros de uma prateleira inteira cabem no LEV, o e-reader que a varejista acaba de lançar. A notícia foi adiantada pelo PublishNews na última sexta-feira [1º]. O produto, que será oferecido por todas as lojas da Saraiva [físicas e de e-commerce] do Brasil e pelo Walmart.com, chega ao mercado ao preço de R$ 299 o modelo de entrada e de R$ 4.79 o LEV com luz [até o dia 31 de agosto, o LEV com luz está em promoção, saindo a R$ 399]. Michel Levy, CEO do Grupo Saraiva, e Deric Guilhen, diretor de produtos digitais, confirmaram as especificações técnicas adiantadas pelo PublishNews: o LEV traz tela touch-screen de 6 polegadas e de alta resolução [758 x 1024], WiFi, monitor monocromático de 16 tons de cinza, porta de conexão Micro USB, memória interna de 4G e slot para cartão MicroSD para expansão de até 32 GB. O LEV pode armazenar cerca de 4 mil livros e sua bateria pode durar até três semanas. Como o próprio nome diz, trata-se de um aparelho leve, com apenas 190 gramas. O LEV vem de fábrica com dez títulos gratuitos [veja lista completa no final da matéria] e os usuários podem escolher outros quatro títulos da lista de mais vendidos da Saraiva para compor o seu acervo particular. A Saraiva mantém o seu costumaz mistério em relação aos planos para o novo produto. “Por ser uma empresa de capital aberto, não podemos adiantar a nossa previsão de vendas, mas temos planos audaciosos para o novo produto”, contou ao PublishNews Deric. A promoção de lançamento do LEV, que começou hoje ao meio dia em todas as lojas da rede, é focada na degustação do dispositivo. Deric adianta que 100% dos funcionários foram capacitados para o atendimento ao cliente que poderão, nos pontos de venda, experimentar o LEV.

O lançamento, de acordo com Levy, está em consonância com o posicionamento da Saraiva, de oferecer uma experiência completa de leitura. Na apresentação, Levy relembrou a entrada da Saraiva no mundo digital, em 2010, quando lançou o app Saraiva Reader. No ano de lançamento, o aplicativo angariou oito mil usuários que tinham acesso a um acervo de mil títulos de 40 editoras. Em 2014, o app tem 4,6 milhões de usuários, mais de 30 mil títulos em português produzidos por 643 editoras. “Com o lançamento do LEV, damos aos nossos clientes soluções completas para leitura digital”, comemora o CEO.

A viabilidade do device foi estudada pela Saraiva que detectou em pesquisa que 70% do universo pesquisado nunca tinha utilizado um dispositivo dedicado à leitura e destes, 87% demonstraram interesse em saber mais sobre o aparelho. Questionado sobre o fôlego de um aparelho exclusivo para leitura, Levy apontou que o grande diferencial do LEV é que o dispositivo funciona como uma extensão das lojas Saraiva. “Não é só um aparelho tecnológico é uma extensão das lojas físicas e o nosso objetivo com ele é alcançar leitores de livros”, disse.

O aparelho é resultado de um trabalho de mais de um ano, que aliou o conhecimento do Grupo Saraiva em varejo e mercado editorial brasileiro à expertise da Bookeen, líder europeu em dispositivos para leitura, e do Centro de Estudos Avançados do Recife [C.E.S.A.R], que atuou na criação do software e na integração com a biblioteca de livros digitais e o e-commerce da Saraiva.

Isenção

Também como o PublishNews adiantou, a Saraiva entrou com um instrumento jurídico para comercializar o LEV com isenção fiscal. Os porta-vozes do Grupo confirmaram a informação, mas preferiram não entrar em detalhes. “A Saraiva acredita que o produto é um livro e, por isso, merece o mesmo tratamento dado aos livros físicos, já que é um produto 100% voltado para a leitura”, disse Deric.

Assinatura
No primeiro momento do LEV, a Saraiva não colocará à disposição o serviço de subscrição de e-books, como sugeriu a IstoéDinheiro em matéria publicada ontem. A venda, no primeiro momento, será apenas por unidade, mas, de acordo com os porta-vozes da empresa, a Saraiva está antenada na onda de serviços por assinatura, mas isso, por enquanto, é plano para o futuro.

Títulos embarcados no aparelho

  • As cidades e as serras, de Eça de Queiros [Saraiva de Bolso]
  • Alguém especial, de Ivan Martins [Benvirá]
  • Fábulas selecionadas, de Paulo Coelho [Benvirá]
  • Heróis, deuses e monstros da mitologia grega – mitos selecionados [Benvirá]
  • Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeida [Saraiva de Bolso]
  • Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis [Saraiva de Bolso]
  • Nocatue – conto selecionado, de Jack London [Benvirá]
  • O cortiço, de Aluisio Azevedo [Saraiva de Bolso]
  • Pássaros na boca – contos selecionados, de Samanta Schweblin [Benvirá]
  • Resenha esportiva – crônicas selecionadas, de Nelson Mota [Benvirá]

Por Leonardo Neto | PublishNews | 05/08/2014

Preços de eBooks no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Há alguns dias fiz uma pesquisa de preços para comprar um livro que me interessava. Queria ler The Financial Lives of the Poets, de Jess Walter. Sabia que havia uma tradução e resolvi verificar se leria o livro em inglês ou na tradução, e se havia disponibilidade dessa tradução em e-book, fosse no formato ePub ou Kindle.

Havia. A Benvirá, editora no Brasil, vendia [exclusivamente] na loja da sua matriz, a Saraiva,o livro em formato ePub. O preço de capa do livro impresso era R$ 39,90, adquirido na Saraiva saía por R$ 33,90 e o e-book… custava R$ 35,90! [Isso até o dia 22/07. No dia 23/07, o site apresentou uma mudança significativa: passou a vender os dois formatos pelo mesmo preço de R$ 35,90].

Ou seja, a Benvirá dava 15% de desconto para quem comprasse o livro na Saraiva, mas quem o adquirisse para ler no aplicativo da cadeia de livrarias ou em algum Kobo ou tablet, ganhava apenas 10%. A Saraiva, como se sabe, não vende nenhum e-reader próprio. Apenas disponibiliza aplicativo para quem quiser ler nos desktops ou em tablets.

À surpresa seguiu-se a perplexidade. Quem seria idiota o suficiente para comprar um e-book, depois de ter gasto no mínimo mais R$ 259,00 [Kobo mini] ou R$ 299,00 [o Kindle mais barato], para pagar mais caro que o livro impresso? Afinal, quem tem ou pensa em comprar um e-reader [ou um tablet, que é mais caro, mas é multiuso] sabe perfeitamente que a grande vantagem dos e-books está no preço, e que um leitor assíduo amortiza rapidamente o investimento com o que economiza no preço dos livros.

Eu não acompanho de perto a evolução dos preços de e-books no Brasil. Acompanhei o processo de chegada do Kobo e do Kindle, e as notícias sobre sua presença aqui, e a expectativa de que a evolução da participação de e-books no mercado tivesse evolução similar à que aconteceu em outros países. Diante da surpresa, resolvi fazer uma brevíssima pesquisa de preços. Nada científico nem sistemático. Simplesmente peguei alguns títulos de três editoras [Benvirá, Record e Companhia das Letras] para “sentir” como os preços se comportavam.

No site da Benvirá aparecem as indicações de preço [com os livros impressos referidos à loja virtual da Saraiva] e uma aba para o e-book. No site da Record, a indicação de que existe uma versão em e-book remete às lojas que a vendem, e no da Companhia das Letras aparecem os preços de capa e de e-books [oficiais], mas nem sempre está assinalado o preço do e-book.

Como se tratava apenas de uma “percepção”, procurei os preços dos e-books apenas na Amazon [Kindle] e na Kobo. Deixei de lado as demais lojas. Para ter uma referência sobre o preço praticado por cadeias de livrarias [se teriam ou não descontos], fui ver os preços no site da Livraria Cultura. Mais uma vez repito. Não pretendia destacar nem as editoras nem as livrarias. Só queria ver se o comportamento da Benvirá se repetia.

O resultado está abaixo:

 Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Efetivamente, pelos preços verificados, o braço editorial da Saraiva, a Benvirá, mostrou que pouco se importa com a venda de e-books. E que não usa todos os canais de venda disponíveis: nenhum de seus livros com edições eletrônicas estava disponível na loja Kindle ou na loja Kobo. Só podiam ser comprados na Saraiva.

O único livro com um desconto significativo na versão e-book foi o Deserto, do Luís Krausz, que pode ser adquirido com 50% de desconto. Nos demais, o desconto padrão era de 10% sobre o preço de capa oficial da edição impressa, e que às vezes resultava em um preço maior para o e-book vis-à-vis o preço do impresso ofertado pela Saraiva.

Nas outras editoras fica clara a existência de várias estratégias de precificação dos e-books. O livro mais conhecido da Lya Luft [Record], teve sua versão e-book ofertada com 69% de desconto no Kindle e 67% na Kobo. Já um livro em domínio público, com a tradução já paga e formato de bolso [Mansfield Park, da Jane Austen] teve apenas 5% de desconto na versão eletrônica. E assim por diante.

A grande interrogação que sobra disso, por enquanto, é sobre as intenções da Saraiva em relação aos livros eletrônicos. A empresa vende seus e-books apenas em suas lojas próprias. Não posso afirmar de modo absoluto, mas tudo indica que não vende através das outras livrarias eletrônicas. Também não dispõe de um e-reader, apenas do aplicativo. Seus livros, portanto, só podem ser lidos nos e-readers dos demais [exceto no Kindle]. E a precificação é o que vimos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

A lista com mais livros à venda na Amazon.com.br


No ranking do PublishNews, 64 de 100 livros mais vendidos estão à venda no site amazon.com.br

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Se no mercado editorial a briga pelo primeiro lugar ainda está começando [Kobo, Google e Amazon], na lista de mais vendidos ele volta ao príncipe encantado de 2012, Mr Grey!

Nessa semana os três livros da trilogia Cinquenta tons de cinza [Intrínseca], ocupam as três primeiras posições na lista geral. Na mesma linha “só um tapinha não dói”, ainda temProfundamente sua Toda sua [Paralela], em 4º e 7º, e ainda o Box da trilogia em 8º. Com tanta posição a lista parece mais um Kama Sutra.

Outras novidades da semana foram: não ficção, Coragem para sonhar [Prumo]; infanto juvenil, Depois dos quinze [Gutenberg], e Terra de histórias [Benvirá]; autoajuda,Viver com fé [Casa da Palavra], Contos do dia a dia [Vida e Consciência], Kafka para sobrecarregados [Sextante] e Deus está no controle [Mundo Cristão]; ficção, A luz através da janela e Por um momento apenas [ambos Novo Conceito].

E não tem como não falar da chegada da Amazon ao Brasil, que trouxe agitação e provocou insônia no mercado editorial essa semana. Mais da metade dos livros da lista do PublishNews desta semana está disponível no site brasileiro da gigante americana. 64 livros [de 100] para ser exato.

No ranking das editoras, a Sextante emplacou 12 livros, mas logo atrás vem a Ediouro, com 10. Um dos destaques da semana foi a Companhia das Letras, que emplacou 7 livros e chegou ao terceiro lugar, junto com Record e Vergara&Riba. Dos 7 livros da Companhia, 5 são do selo Paralela.

Por Cassia Carrenho | PublishNews | 07/12/2012