Amazon oferece créditos a seus consumidores para compensar cartel de eBooks


Por uma decisão da justiça dos Estados Unidos, a empresa terá de reembolsar os clientes por cada e-book que tenham comprado com preço fixado

Alguns consumidores de e-books da Amazon amanheceram nesta terça-feira, 25 de março, com uma excelente notícia na caixa de entrada: uma compensação financeira por cada e-book comprado durante anos em que a Amazon fixou os preços dos livros digitais.

Calma, a Amazon não é boazinha e se arrependeu de ter fixado para cima preços de e-books entre abril de 2010 e maio de 2012: ela foi considerada culpada pela justiça dos EUA e, por isso, foi obrigada a reembolsar seus consumidores para cada e-book comprado com o preço fixado.

Os valores variam dependendo do local e do tipo de publicação: bestsellers do New York Times rendem US$ 3,17, enquanto outro livros valem US$ 0,73 em créditos. Isso para quem não estiver no estado de Minnesota, nos EUA: lá, os bestsellers valem US$ 3,93 e os outros livros US$ 0,94. Os valores foram adicionados à conta da Amazon e serão usados na próxima compra de e-book ou livro impresso. Ao todo, a Amazon distribuirá US$ 166 milhões entre seus consumidores. E ela não será a única – Barnes and Noble, Kobo, Apple e Sony também precisam devolver uma pequena quantia a seus clientes.

Caso você tenha sido um dos que receberam um pequeno [ou talvez nem tão pequeno] crédito da Amazon, você terá um ano para decidir em qual livro vai gastá-lo – eles expiram no dia 31 de março de 2015, e, 90 dias antes, a Amazon o lembrará do valor que ainda não foi gasto.

Por Daniel Junqueira | Publicado originalmente em Gizmodo | 25/03/2014

Leitura aumenta com eBooks


Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine

Nos estados unidos, pesquisa do pew internet project mostra que donos de leitores de ebooks [como nook, da barnes & noble e kindle, da amazon] estão lendo mais do que que a turma do velho livro de papel. quanto mais? Quem tem um ebook reader leu 24 livros [em média] nos últimos 12 meses, contra 15 de quem não tem. Q mediana de leitura é 13 livros por ano para quem lê ebooks e 6 para quem não lê. não 10 ou 30% a mais de leitura nos ebooks, mas mais de 100%.

Nos EUA, até fevereiro de 2012, 21% dos leitores já leu pelo menos um ebook. E este número vem crescendo muito rapidamente: o número de dezembro de 2011 era 17%. A literatura é claramente uma economia em transição, um processo que começou há cinco anos, com o lançamento do kindle [ou há dez, se você quiser, com iTunes, como mostra a lista abaixo].

Tech timelina of eReaders & Tablets

Tech timelina of eReaders & Tablets

Parece óbvio que o livro está virando serviço, de forma muito rápida nos EUA e, breve, no resto do mundo, inclusive no Brasil, onde a Amazon deve lançar o Kindle ainda em 2012 e onde atores locais estão montando suas ofertas de leitores e serviços. Se vai haver serviços abertos e interoperáveis ainda é um problema em aberto. Imagine que seus dois autores prediletos estão disponíveis, cada um, em apenas uma plataforma de serviços digitais. Será que você terá – em último caso – que ter dois leitores de ebooks para ler os dois autores? Ou, talvez, num ambiente de ubiquidade e pervasividade de redes,

E os problemas não param por aí: com a mudança de plataforma de literatura do papel encadernado [e editoras, distribuidores, livrarias, bibliotecas] para a rede, os direitos do leitor podem mudar radicalmente e alguns dos muito antigos [como emprestar um livro, pra citar o mais básico] são afetados. É preciso, pois, rediscutir e restabelecer os direitos do leitor digital, o que envolve propriedade e privacidade, entre muitos outros. Os direitos do autor também estarão na pauta, pois pirataria literária, digital, não vai ser assunto menor nos próximos anos. junto com os problemas, é sempre bom lembrar, virão as oportunidades. Neste caso, bilionárias, inclusive aqui, no .BR.

Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine | Silvio Meira é professor titular de engª de software do http://www.cin.ufpe.br, chief scientist do http://www.cesar.org.br, presidente do conselho do http://www.portodigital.org além de fundador e batuqueiro do maracatu “a cabra alada”

No mundo das nuvens


Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Apesar dos relativamente pequenos hábitos quantitativos de leitura no Brasil, o livro eletrônico já começa a aparecer no cenário do consumo nacional, com crescente quantidade de leitores. Ressalte-se que pesquisa SNEL-CBL divulgada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro aponta crescimento dos leitores, e o mercado da educação tem grande parcela desse saudável índice.

E o subitamente tão falado “cloud computing”? Assim como os ciclos contemporâneos, seu surgimento é repentino e intenso como um tsunami, e logo se aplica a nosso cotidiano, sem que saibamos de que forma. Vamos ver do que se trata, principalmente as suas primeiras implicações na nova relação do consumidor com o mercado editorial.

Falando em “computação da nuvem”, onde vamos armazenar a nossa nova biblioteca, a digital, que será exibida na tela do aparelho leitor [o “reader”], geralmente um “tablet” [uma simples placa, palavra que deriva do latim tabula]? Como viajar e levar na bagagem digital o guia turístico, dicionário, romance, algum livro técnico, o livro de sua religião, além de tirar fotos, filmar, mandar e-mails, e telefonar pelo skype?

As grandes empresas provedoras de conteúdo e serviços de redes sociais constataram que o armazenamento de dados em locais seguros, distantes do consumidor, mas acessíveis pela internet, facilitaria a vida de todos, já que a capacidade de reprodução e armazenamento de informação cresce em velocidade geométrica e os aparelhos decrescem de tamanho físico quase na mesma proporção. Daí que o volume oceânico de dados – p. ex. de Gmail ou Facebook – fica disponível em “armazéns” gigantescos, refrigerados e seguros [até hoje!], de modo a permitir o acesso rápido de qualquer local do planeta, pela internet.

E como se dá esse armazenamento no mundo dos livros eletrônicos? Para responder a essa pergunta pesquisei os contratos do KINDLE, leitor da Amazon, e do NOOK, leitor da Barnes & Noble, transcrevendo e analisando, agora, alguns itens significativos, seguidos de tradução livre para facilitar a compreensão.

Da leitura dos instrumentos – o primeiro com simples 6 folhas e o outro com 30 – vemos a primeira e significativa diferença da forma de aquisição e da vida do livro eletrônico em relação ao nosso querido volume de papel, e a nós leitores. Enquanto compramos um livro [suporte físico da obra, ou corpus mechanicum] que permanecerá em nossas vidas sem limite de tempo, no caso do livro eletrônico teremos alicença de leitura de conteúdo digital [“Digital Content is licensed, not sold, to you by the Content Provider”; tradução: Conteúdo Digital é licenciado, não vendido, para você pelo Provedor de Conteúdo], que poderá ser revogada [“non-exclusive, revocable license to make personal, non–commercial use…”;tradução, licença não exclusiva, revogável, para uso pessoal, não comercial, contrato do Nook].

Simples pesquisa que você pode fazer mostrará que a Amazon cancelou a licença, concedida a consumidores pagantes, de leitura de “1984”, de Orwell, por conta de não autorização da disponibilidade da obra para os leitores eletrônicos daquela “livraria”. A obra foi simplesmente deletada [aliás, deletar, delete, vem do latim delere, deletium, que significa destruir, assim como em Delenda Cartago!] da biblioteca situada nas nuvens. Acresçam-se a essa circunstância as da rápida obsolescência dos aparelhos, que faz toda uma geração eletrônica virar sucata em pouquíssimo tempo [fitas de vídeo-cassete, disquetes, TV de transistor, celular analógico], podendo inutilizar o conteúdo armazenado.

Então fica claro que o adquirente de um livro eletrônico terá a condição de licenciado, locatário, leitor temporário, já que a vida útil dos conglomerados, as suas freqüentes fusões e oscilações geram uma nova relação com o consumidor-leitor, bem diferente da estável e simples compra do livro físico. Não mais seremos proprietários do objeto físico livro, ficando inibidos, nesse caso, os sentidos de tato e olfato em relação à obra, mas possivelmente teremos a inclusão da audição mediante a incorporação, por exemplo, da voz do escritor, ou imagens do tema nos “enhanced books” [livros para leitores eletrônicos com acessórios visuais e sonoros que aparecem na tela, como os dos exemplos].

O conteúdo fica, então, armazenado na já correntemente chamada nuvem [“all Digital Content that you purchase in an online ‘library’ [is] hosted in our ‘cloud’ storage facility”, Nook; tradução, todo o conteúdo digital que você adquirir numa biblioteca on line [fica] hospedado na nossa nuvem de armazenamento]. E a empresa afirma que, quando o consumidor se conectar, ela usará os “reasonable efforts” para permitir seu acesso a essa biblioteca, tão distante e tão próxima.

O contrato estipula que a licença concedida ao leitor é personalíssima, pois se destina unicamente ao uso do adquirente, que não poderá “sell, rent, lease, distribute, broadcast, sublicense, or otherwise assign any rights to the Digital Content or any portion of it to any third party…” [tradução, vender, alugar, distribuir, sublicenciar, ou transferir quaisquer direitos de Conteúdo Digital ou qualquer parte dele para qualquer terceiro] [contrato do Kindle].

É claro que a atual lei de direito autoral brasileira também proíbe xerocar um livro de papel para revenda, mas as condições de reprodutibilidade de um livro digital [se quebrado o código de segurança do arquivo, e os mini-gênios não tardarão a encontrar um atalho eletrônico] permitem rapidíssima difusão mundial do conteúdo [dust in the wind].

Destaco que a quebra do código de segurança, ou qualquer alteração do software, estão entre as restrições da licença concedida para uso e leitura do conteúdo digital conforme cláusula 2, “d”, do Contrato da Nook.

Vê-se, então, que o simples ato de aquisição de um livro eletrônico vem, hoje, com regras enormes, que causam um primeiro, e normal, espanto [quando comprei uma das primeiras fitas de vídeo-cassete no Brasil foram emitidas duas notas fiscais, uma referente à transmissão do conteúdo, um filme de Chaplin, e outra pela aquisição da própria fita]. Logo esses hábitos estarão incorporados a sociedade, e não causarão estranheza.

No entanto, certas relações do mercado editorial mudarão. Destaco desde logo duas relevantes; [a] o consumidor-leitor entrou no circuito antes existente apenas entre editor e autor, adquirindo alguns direitos inéditos, com a licença concedida; e [b] a substituição dos livros físicos pelas licenças para as bibliotecas, pois não é justo, para o escritor, que se compre um só livro eletrônico e se empreste simultaneamente para muito mais pessoas que poderiam tomar livros físicos.

A resposta a segunda questão tem como pista a nova equação econômica: bens rentáveis são aqueles de preço menor, mas utilizados por muito mais pessoas. Assim, possivelmente o livro, viabilizando o constitucional acesso à cultura, seria utilizado por milhares de pessoas, por tempo menor, pagando bem menos, mas o maior volume de licenças permitiria até maior retorno financeiro para o escritor e a editora, respeitando o direito autoral, também assegurado pela Constituição.

Não tenho dúvida de que a discussão aberta entre os interessados conduzirá a soluções justas para autores, editores e leitores, devendo o Poder Público atentar para as singularidades do caso.

Enquanto não chegam as soluções poderemos até exercitar a nefelomancia para imaginar as respostas para as novas – e muitas – questões!

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Registro que entre 8 e 13 de setembro o Brasil recebeu significativa delegação de editores ingleses, comandada pela singular Emma House, diretora da Publishers UK. Os encontros com o mercado editorial brasileiro [Rio e SP], dos quais tive a honra de participar, marcaram um primeiro passo para novo e intenso patamar de trocas de experiências entre os dois países.

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Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL] e conselheiro do MAM-RIO.

Na coluna Lente, Gustavo Martins de Almeida vai abordar os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento.

O que as pequenas editoras, os agentes e os autores precisam saber sobre publicação de eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin

Com a aceleração na passagem de um mundo editorial centrado na impressão para outro, centrado no digital, estão surgindo cada vez mais editoras digitais.

As maiores editoras, com os recursos de departamentos de TI sofisticados para guiá-las, já são parte do jogo há alguns anos e estão prestando muita atenção desde que o Kindle foi lançado pela Amazon no final de 2007. Mas com o crescimento do mercado, também aumentou o ecossistema. Há três anos era possível alcançar uma boa parte do mercado de e-books através de uma única livraria, a Amazon, num aparelho que realmente só conseguia mostrar livros de texto narrativos lineares; agora temos muitas opções para chegar ao consumidor por causa da maior variedade de aparelhos e com apresentações que podem ser sofisticadas.

Serviços gratuitos ou muito baratos oferecidos na internet a toda editora – de qualquer tamanho –, todo agente literário e todo aspirante a autor sugerem “você pode fazer isso” e dão a entender que pode ser feito “de maneira eficiente e sem muita ajuda”. Na verdade, serviços como o KDP [Kindle Direct Publishing] da Amazon, o PubIt! da Barnes and Noble e provedores de serviços comoSmashwords e BookBaby, oferecem a possibilidade de criar um e-book a partir do seu documento e distribuí-lo através da maioria das livrarias, para quase todo os aparelhos e quase de graça.

É realmente assim tão simples? Dá para suspeitar que não, já que agências literárias estão criando editoras de e-books [por exemplo: a Diversion, agência de Scott Waxman] e um pacote de serviços [por exemplo, a The Knight Agency em Atlanta] e consultoria para ajudar os seus autores. E num nível um pouco acima, as empresas de distribuição de e-books [por exemplo: MintRight] e editoras somente de e-books [por exemplo: Open RoadRosetta, e a avó de todas elas, a e-Reads de Richard Curtis] estão criando mais alternativas, às vezes até proposições explicitamente voltadas para os agentes. Se publicar e-books para todos os canais fosse realmente uma simples questão de fazer o upload de um arquivo, dificilmente seria necessário construir toda essa infraestrutura.

Sabemos que editoras pequenas, agentes literários e autores estão se transformando em editores a uma taxa incrível. Há dois anos, quando eu estava tentando organizar um painel de agentes literários para conversar sobre o trabalho com autores com base em cobrança por serviços no lugar de uma parcela dos royalties, foi difícil encontrar voluntários para discutir novos modelos. Há duas semanas, um grande agente de fora de Nova York me disse: “todos temos de pensar sobre isso agora; não temos alternativa”.

Resumindo, não são apenas as grandes editoras que estão dispostas a desenvolver uma estratégia digital para ajustar seus negócios aos novos tempos. Os competidores menores, os agentes que dependem da distribuição do seu conteúdo e até os autores que dependiam de editoras cujo negócio sempre foi transformar um manuscrito num livro, estão todos encarando uma nova realidade. Precisam considerar quais novidades poderiam reduzir ou eliminar a necessidade de uma editora ou pelo menos reduzir sua participação.

Apesar da estratégia correta para cada um depender de fatores que diferem para cada caso, há coisas que todos os que estão entrando nesta arena precisam saber e entender.

Primeiro de tudo, quais são todas as coisas que os editores fazem para que o manuscrito se transforme em uma venda? Todas elas são necessários? Quanto custam? Edição e desenvolvimento, revisão, design, criação de metadados: são coisas feitas rotineiramente nas editoras. Elas são críticas para todo livro? Um leitor/comprador notaria se um editor novato deixasse de fazer alguma delas? Os serviços que prometem fazer e distribuir um e-book sem investimentos fazem essas coisas bem?

Os e-books em si se tornaram cada vez mais complicados. O padrão ePub [usado por quase todo e-book não direcionado ao ecossistema Kindle] melhorou para enfrentar o desafio das apps e conseguir incluir cor, vídeo, áudio e elementos de software. Todo mundo que sabe que “você recebe pelo que paga” espera que os e-books mais complexos custem mais e deem mais trabalho para ser criados do que e-books de texto narrativo tradicional. Mas o que constitui algo “complexo”? E quanto dinheiro a mais custa esse “dar mais trabalho” para o editor que quer distribuir um e-book mais complexo do que simplesmente texto?

O marketing de e-books também exige todo um novo conjunto de conhecimentos e habilidades. A chave para todo o marketing de e-book é a metadado que o acompanha. Códigos que viajam junto com o arquivo especificando a informação bibliográfica central e o preço, mas que podem também representar muito mais do que isso a uma livraria ou um mecanismo de busca. Search engine optimization [SEO] é a arte de criar metadado que faz com que o livro tenha mais possibilidades de ser encontrado em resposta a diversas buscas; isso é outro conhecimento que novos editores de e-books precisam ter.

Este é apenas o começo do que é possível [e portanto necessário] no marketing de e-book. Trechos de capítulos podem ser distribuídos de graça. Sites podem ser convidados como parceiros…

E autores e editoras podem, e devem, fazer “marketing nas redes sociais”: usar o Twitter e o Facebook para comentar em perfis de grande audiência para chamar a atenção e ganhar credibilidade com audiências mais amplas. Isso significa mais conhecimento a ser adquirido.

Qualquer novo editor vai precisar entender os caminhos para o mercado. É verdade que a Amazon tem mais da metade das vendas de e-books nos EUA e a Barnes & Noble tem a metade do que sobra. Mas isso não acontece com todo livro e ignorar os outros deixa um bom pedaço do mercado inexplorado, sendo que as coisas estão mudando muito rapidamente [a participação da Amazon no mercado caiu muito nos últimos dois anos]. A OverDrive é o principal caminho para as livrarias. A Ingram agrega muitas lojas independentes. A Baker & Taylor está abrindo mercados entre grandes varejistas. A Kobo é tão importante no Canadá quanto a B&N nos EUA e trabalha em outros mercados no mundo todo. A Google tem o ecossistema de e-books que está entrando com seriedade entre as livrarias independentes. A Sony está para apresentar novos aparelhos que podem aumentar a sua importância no mercado. E a Apple está fazendo o máximo para dominar as vendas para seus aparelhos, que constituem uma grande fatia do bolo dos consumidores de e-books.

É possível chegar a todos esses canais diretamente, mas também existem muitos serviços para fazer o trabalho incrivelmente complexo de distribuir e administrar estes múltiplos canais. Perseus ConstellationIngram DigitalINscribe DigitalLibreDigital [recém comprada pela Donnelley] eBookmasters, assim como os serviços automatizados: Smashwords, BookBaby e MintRight que já mencionamos, além de outros, oferecem pacotes de serviços que fazem as mesmas coisas e ajudam com as necessidades de criação e marketing também.

Como falamos no começo, as maiores mudanças no mercado editorial estão acontecendo na comunidade de agentes. O que foi um modelo de negócio estável durante gerações está agora, repentinamente, mudando. Parece que há tantos modelos e posturas novas quanto agências literárias. Isso acrescenta outra coisa que todas as e-editoras – algumas formadas por agentes, outras por pequenas editoras tradicionais ou escritores – precisam saber e compreender. As relações entre autores, agentes e editores estão ficando muito mais complicadas e todo mundo precisa passar algum tempo pensando nisso e discutindo o seu significado.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].