Mercado de livros digitais no Brasil se aquece à espera da Amazon


À espera do desembarque da Amazon em território nacional, o mercado de livros digitais no Brasil vem tomando fôlego para avançar em um segmento ainda incipiente, apostando em maior oferta de títulos, aumento de vendas a taxas consideráveis e parcerias que devem mudar o cenário dos chamados e-books no país.

Com grandes representantes globais do segmento se preparando para abocanhar uma fatia do promissor mercado brasileiro, hoje são as empresas nacionais que dominam o setor de livros digitais, que caminha a passos lentos e sofre pela ausência de dados sobre vendas, participação de mercado e relevância dentro do mercado de livros como um todo.

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand - 28.set.11 | France-Presse

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand – 28.set.11 | France-Presse

Líder no setor de livrarias e maior vendedora de livros via internet no país, a Saraiva ingressou em 2010 nos livros digitais, que a empresa acredita ser seu maior negócio.

Vendemos R$ 500 mil em livros digitais nos últimos 30 dias“, disse o presidente-executivo da Saraiva, Marcílio Pousada. “E vamos aumentar esse patamar mensal.

Com 12 mil títulos nacionais e 240 mil em inglês, a empresa espera encerrar este ano com mais de 15 mil nacionais e criou um aplicativo de leitura que, segundo o executivo, já supera 800 mil downloads.

Temos um caminho a percorrer. O primeiro passo é ter acervo, acompanhando o lançamento de livros físicos, além de ter instrumentos poderosos de leitura e software adequado“, disse.

Mais ousada, a Livraria Cultura apostou nos livros digitais em 2002, “no tempo certo e errado“, segundo seu presidente-executivo, Sergio Herz. Com o mercado ainda pouco maduro, a companhia interrompeu a tentativa, que foi retomada em 2010.

Embora ainda represente uma parcela inexpressiva no faturamento da empresa, a Cultura estima que a receita com livros digitais aumente em 250% este ano, consolidando a rede como a segunda maior de livros digitais do país em vendas, segundo Herz.

Apesar do otimismo, o presidente da Livraria Cultura cita questões tributárias como o maior entrave ao avanço dos ebooks no país.

Os tablets no Brasil ainda são muito caros por impostos. O Brasil não é tão amigável para o segmento quanto lá fora. Aqui pago quase o mesmo valor do produto em impostos“, afirmou Herz.

A Cultura firmou em meados de setembro uma parceria com a canadense Kobo e o número de títulos digitais oferecidos pela livraria no Brasil vai saltar dos atuais 330 mil para 3 milhões no início de novembro. A empresa também vai vender aqui os leitores digitais da Kobo. “Com a parceria, o cenário fica igual ou melhor que nos Estados Unidos“, disse Herz.

AMAZON NO FOCO

Com exceção da rede francesa Fnac, que está presente no Brasil mas com participação muito pequena em livros digitais, o mercado tem voltado as atenções à Amazon, que se prepara para instalar operações de venda de ebooks no país.

A estimativa inicial era de que o grupo norte-americano chegasse ao Brasil no atual trimestre, mas representantes do setor de comércio eletrônico já consideram que a estreia ocorra apenas no início de 2013.

A entrada da Amazon no país deve se dar inicialmente apenas com seu tablet, o Kindle, e um catálogo de e-books em português, disseram representantes de editoras locais e uma fonte da indústria a par dos planos, em junho.

Com uma abordagem totalmente digital, em um primeiro momento a Amazon minimizaria os riscos que uma estreia de maiores proporções implicariam em um país com problemas notórios de infraestrutura.

Mas a expectativa em torno de tal estreia ganhou tons de especulação, com rumores de que a Amazon estaria buscando associar-se a um grupo local para entrar no Brasil com mais força.

A líder em comércio eletrônico B2W e a própria Saraiva foram os dois principais alvos de especulações.

É natural que qualquer empresa internacional procure o líder do mercado onde vai entrar, e sempre estamos abertos a ouvir“, disse Pousada, da Saraiva, negando a existência de negociações no momento. “É mais um que vem tentar vender livros digitais e participar desse mercado.

No mesmo sentido, Herz, da Cultura, vê a chegada da Amazon como favorável ao setor. “Prefiro a Amazon no Brasil, jogando nas mesmas condições. Hoje os brasileiros já compram lá, mas ela não lida com os problemas que lidamos aqui.

A parceria com a Kobo, segundo ele, foi impulsionada pela necessidade de ganhar forças para competir com a nova rival. “Sozinhos, não concorreríamos com a Amazon“, assinalou.

VAREJO FÍSICO

Se fossem reunidos em uma única loja física, os livros digitais vendidos pela Saraiva ocupariam hoje a 11ª posição entre as 102 lojas da rede em termos de volume. Em janeiro, estavam na 79ª colocação e, no mês passado, na 49ª.

Esse avanço crescente favorece os e-books e, ao mesmo tempo, cria incertezas quanto à força do varejo físico.

A loja física está em xeque, perdeu importância no varejo global. Existe muito ponto de venda no mundo para pouco consumidor“, afirmou Herz, da Cultura, que vê espaço para crescer em lojas físicas, porém com mais critério.

A livraria se tornou uma experiência de entretenimento, muito mais que pelo produto”, disse. “O futuro das livrarias é oferecer atrativos.

DA REUTERS | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo, TEC  | 24/10/2012 – 19h04

Possível venda da Saraiva faz B2W despencar na bolsa


As notícias em torno de uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon impactaram negativamente os papéis da B2W, que encerraram o dia de ontem em queda de 8,54% – a maior queda do Ibovespa. Segundo analistas do mercado, a B2W seria a varejista mais afetada caso a transação venha a ser concluída. As ações da Saraiva, que valorizaram 7,4% na quarta-feira, fecharam ontem em queda de 0,36%. O mercado ainda tem dúvidas se as negociações vão avançar.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 18/10/2012

Amazon no Brasil: o que esperar da chegada da gigante do varejo


Gigante norte-americana pretende chegar ao mercado nacional em 1º de setembro e deve causar frisson no setor de livros digitais. Concorrentes precisarão se adaptar

A chegada da Amazon ao Brasil, prevista para o dia 1º de setembro, promete ser apenas a ponta do iceberg na movimentação do e-commerce no país. Focada no primeiro momento no setor de livros, com destaque para os e-books, a marca terá como concorrentes diretos as livrarias Saraiva e Cultura e os grupos B2W, que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime, e Nova Pontocom, com Ponto Frio, Casas Bahia e Extra. As metas da norte-americana são ousadas: até o fim de 2012, a Amazon espera vender 1,1 milhão de produtos e, em 2013, chegar a 4,8 milhões.

A principal diferença da gigante do varejo mundial em relação às empresas atuantes no mercado brasileiro, indicam especialistas da área, é que a marca fundada por Jeff Bezos em 1994 assimilou desde sua origem a importância da experiência de compra dos consumidores. Com interação customizada, a Amazon proporciona uma loja ideal para cada tipo de perfil e dialoga bem com todos eles, o que parece estar ainda longe da realidade dos grupos brasileiros.

Entre as dificuldades, o consumidor encontra desrespeito no tratamento e justificativas desnecessárias. “Aqui se aceita baixo nível no atendimento ao cliente, com prazos ridículos, quebras de promessa constantes e problemas de reclamação e devolução. Nosso pós-venda ainda tem muita percepção de risco. A Amazon não discute, ela troca seu produto e pronto. No Brasil, as marcas exigem provas constantes da necessidade real de trocar qualquer coisa”, avalia Nino Carvalho, Coordenador dos Cursos de Marketing Digital da FGV no Brasil e Consultor em Estratégias de Marketing Digital, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A boa política de relacionamento com o consumidor será uma das armas da norte-americana na hora de deixar as concorrentes para trás. Somado a isso, muitos brasileiros já realizam compras no site e a vinda da Amazon para o país reflete no estreitamento dos laços. Com força local, os analistas preveem uma aceleração no tempo de entrega dos produtos e, vencida as barreiras burocráticas, uma consolidação que levará entre 12 e 18 meses. “A distância em relação a outros players será folgada”, completa Carvalho.

Com um faturamento de US$ 48 bilhões em 2011, os livros digitais serão apenas o começo da estratégia da Amazon no Brasil. O objetivo é inserir no e-commerce nacional, aos poucos, 131 outras categorias em que atua nos Estados Unidos. A chegada da norte-americana deve alavancar ainda mais as vendas do varejo eletrônico brasileiro, que em 2011 registrou 31,9 milhões de e-consumidores e movimentou R$ 18,7 bilhões, um aumento de 26% comparado a 2010, segundo dados da e-bit.

Aprendizado e crescimento

As dificuldades das marcas brasileiras em concorrer com a Amazon em um primeiro momento podem se transformar em aprendizado e adaptação a médio prazo. O principal passo é a atualização nos sistemas de inteligência, banco de dados, sistema de estruturas e até mesmo novas contratações. “Isso vai imprimir nos players brasileiros conhecimento em tecnologia, estrutura, infraestrutura, pessoal, cultura organizacional e desenho do fluxo de processos”, indica Carvalho.

Outro ponto positivo é que a entrada de uma empresa de grande porte representa aumento de concorrência e, por consequência, disputa por melhores preços. A união dos fatores reflete nas escolhas dos consumidores do e-commerce, que passaram de 9,5 milhões em 2007 para 31,9 milhões no último ano, número que representa 53,7 milhões de pedidos pela internet.

Para a disputa acirrada não ficar só no papel, no entanto, um obstáculo da Amazon é na logística e distribuição dos produtos. Apesar de gigante, a companhia encontra dificuldades em reunir conteúdo para a venda de e-books. Com o objetivo de fechar acordos com 100 editoras até abril deste ano, em março, a Amazon havia assinado apenas 10 contratos, um provável reflexo da força dos concorrentes nacionais.

A plataforma para leitura dos livros digitais também é outro desafio. Para ter acesso às obras, é necessária a aquisição do leitor Kindle, aparelho que a Amazon quer vender na faixa de R$ 149,00 a R$ 199,00 no país. O preço seria tentador, já que produtos de outras marcas no Brasil, como o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela primeira livraria virtual do país, a Gato Sabido, não saem por menos de R$ 600,00. Especialistas apontam, no entanto, que para ter um preço abaixo dos aparelhos disponíveis hoje no mercado brasileiro, a Amazon teria de fabricar o Kindle aqui ou importá-lo com isenção de impostos.

Esbarrando na lei

O momento considerado economicamente positivo para a inserção de uma empresa de grande porte como a Amazon, em um mercado emergente como o do Brasil, não impede que a marca encontre dificuldades com a legislação brasileira. O grande desafio é o despreparo do país, que não possui leis específicas para a internet e para o comércio eletrônico.

Os conteúdos digitais não têm tributação específica e a interpretação é vaga quanto ao item comprado ser serviço ou mercadoria. “Essa é uma barreira de entrada da Amazon e a empresa precisa olhar com atenção na hora de chegar a países assim. Ela precisará fazer um investimento e não sabe se calcula os ganhos, ou melhor, se tem lucro ou prejuízo, porque também desconhece quanto terá que pagar de imposto”, explica Mauricio Salvador, Sócio Diretor da GS&Virtual, braço da GS&MD, e especialista em Comércio Eletrônico e Cross Channel, em entrevista ao portal.

Na opinião de Salvador, a entrada da empresa no mercado brasileiro pode chamar a atenção do poder público e ser o empurrão necessário para discutir a criação de legislações tributárias no mundo digital. Com a definição de parâmetros, grupos internacionais poderiam definitivamente mirar no país sem receio de investir. “Temos três problemas graves: a burocracia, a corrupção e a tributação. Quando qualquer investidor estrangeiro olha para o Brasil e vê essas barreiras titubeiam. Temos confusão e deslealdade e a entrada de um grande player mostra ao mundo inteiro o que está acontecendo. A torcida é para que dê certo e que novos empreendimentos sejam abertos”, diz.

Por Isa Sousa | Publicado originalmente em Mundo do Marketing | 26/07/2012

Amazon.com chega ao Brasil em setembro


Era inevitável e até demorou demais, mas em setembro a gigante de comércio Amazon.com chega ao Brasil.

A empresa prepara seu escritório e centro de distribuição em São Paulo e está contratando talentos brasileiros para cargos técnicos e de negócios.

O impacto no mercado brasileiro será incrível, e os concorrentes diretos como B2W [Americanas, Submarino, Shoptime] e Walmart terão que rebolar para resolver a insatisfação de seus clientes e renovar seus sites obsoletos.

Para o setor de conteúdo digital, como livros, jogos e afins, mais uma porta se abre para escoar a produção nacional, seja de grandes editoras ou autores independentes, incluindo o lançamento do leitor digital Kindle no Brasil.

O desafio da Amazon de Jeff Bezos será superar a burocracia brasileira.

Por Alex Moura | O Globo | 23/07/2012