A eterna luta do mercado editorial contra a pirataria


Entre janeiro e a última quarta, 16, foram excluídos, de sites brasileiros e estrangeiros, 125.650 links que ofereciam, gratuitamente, livros protegidos por direitos autorais para download. 5% dos sites notificados pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] ainda não atenderam o pedido e podem ter de responder na Justiça – caso a identidade dos responsáveis seja conhecida. No caso do Le Livros, citado na coluna da semana passada, há mais de um ano, a entidade segue seus passos na tentativa de tirá-lo do ar. Na lista de livros mais pirateados em 2015 – 80% em PDF –, estão títulos esgotados, caros ou baratos. Portanto, não há lógica. Em janeiro, o campeão foi O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick; em abril, A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa; em julho, O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Coutois; em outubro, A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu.

Confira o ranking completo

Janeiro – O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick [331 links]
Fevereiro – Sem Clima para o Amor, de Rachel Gibson [485 links]
Março – Procura-se um Marido, de Carina Rissi [724 links]
Abril – A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa [724 links]
Maio – 50 Anos a Mil, de Lobão [299 links]
Junho – Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal, de Alan e Barbara Pease [396 links]
Julho – O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Curtois [174 links]
Agosto – Conversando com os Espíritos, de James Van Praagh [198 links]
Setembro – Tratado de Fisiologia Médica, de Guyton & Hal [134 links]
Outubro – A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu [160 links]
Novembro – Direito Civil Esquematizado, de Pedro Lenza [169 links]
Dezembro – Empreendedorismo, de Idalberto Chiavenato [244 links]

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo, Babel | 19/12/2015

Pirataria na mira: editoras descobrem novo site com livros


Marcio Fernandes/Estadão

Marcio Fernandes/Estadão

Às vésperas do segundo aniversário [pelo que dizem na apresentação], só agora o site Le Livros começa a ser descoberto por editoras brasileiras. Ali, podem ser lidos ou baixados [epub, mobi e pdf] mais de 3 mil livros em português, incluindo os lançamentos O Irmão Alemão, de Chico Buarque; Eternidade Por Um Fio, de Ken Follett; e O Capital no Século 21, de Thomas Piketty. Sem pagar nada. É o site mais profissional já criado em português para esse fim polêmico – a discussão pirataria X acesso à cultura é antiga. Há dois meses, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos recebeu a primeira denúncia de um autor. Uma ou outra editora também reclamou. A Record, por exemplo, só tomou conhecimento na quinta, pelo Estado. O passo agora é descobrir os responsáveis e tomar providencias jurídicas – para a tristeza dos mais de 400 mil seguidores no Facebook [muitos dos quais profissionais do mercado editorial e escritores].

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 28 novembro 2014 | 21:18

Site “Le Livros” está ameaçado de sair do ar


São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras [o último de Chico Buarque já está lá], atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 2/12/2014, às 18h56

Leitura pirata


No topo do ranking dos livros mais pirateados no Brasil estão O símbolo perdido, de Dan Brown [Arqueiro], Metro 2033, de Dmitry Glukhovsky [Planeta], e O Grand Gatsby, de F. Scott Fitzgerald [Cia. das Letras]. Entre as obras nacionais aparece O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte [Panda Books], segundo levantamento da ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos], indicou Mônica Bergamo. A cada mês, oito mil links usados para downloads ilegais em sites de compartilhamento são excluídos da rede. No levantamento, em agosto, figuram também obras de direito e de medicina.

Por Mônica Bergamo| Folha de S. Paulo | 27/09/2014

Pedras no caminho


Até um gigante do varejo como a Amazon sofre para se viabilizar comercialmente sob o impacto do custo Brasil

Amazon

Ao anunciar sua entrada no mercado editorial brasileiro, em 6 de dezembro de 2012, a Amazon, gigante americano da venda on-line, apostava que aquele seria o Natal do Kindle, o pequeno leitor digital que dá acesso a um universo de milhões de livros. Mas não foi. 0 primeiro obstáculo apresentou-se logo na largada: o lote inicial ficou retido na alfândega de Vitória, no Espírito Santo, aguardando liberação da Anatel, e só pôde começar a ser vendido duas semanas depois. De lá para cá, tem sido uma dificuldade atrás da outra. Imprensada entre os impostos altíssimos — por causa deles, seu leitor aqui é o mais caro do mundo —, os labirintos da burocracia, a feroz resistência das livrarias e a falta de mão de obra especializada [a vaga do número 2 da operação levou meses para ser preenchida], a Amazon, um portento com faturamento de 61 bilhões de dólares em 2012, completou um ano de atividade no país em marcha lenta. Trata-se de um caso emblemático de como o custo de fazer negócios no Brasil pode minar as intenções até mesmo de uma empresa que tem poder de vida ou morte em seu setor.

Apenas 60 000 Kindles foram vendidos até agora no Brasil, contra 3 milhões de iPads. Um problemão, já que o Kindle representa arma indispensável na fidelização de clientes: é fácil de carregar, fácil de ler em qualquer lugar e nele é facílimo fazer download dos milhões de e-books à venda na Amazon — este, seu negócio mais lucrativo na livraria. Erro de estratégia? Não exatamente. A Amazon sabia o que a esperava — preparava a vinda desde 2009 —, só que o chamado custo Brasil saiu mais caro do que o previsto. O peso dos impostos é um bom exemplo. A empresa tinha plena consciência dele, tanto que contratou Welber Barrai, ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula, para batalhar no Congresso por um projeto de lei que, em nome da cultura, isenta o Kindle de impostos; o lobby deu resultado no Senado, mas ainda se arrasta na Câmara. Com isso, o preço ficou nas alturas: o Kindle simples está custando 299 reais. O mesmo aparelho sai pelo equivalente a 260 reais na Inglaterra, 180 reais na França e 150 reais nos Estados Unidos. “Se zerarem os impostos, como aconteceu em outros países, o preço se reduziria 60%“, afirma Alex Szapiro, presidente da Amazon no Brasil.

Além de caro, o Kindle é difícil de encontrar. As livrarias brasileiras se recusam a vendê-lo, sob o argumento [justificado, aliás] de que a Amazon é uma máquina de preços baixíssimos que já levou à falência redes tradicionais. Em demonstração explícita do exacerbado protecionismo do mercado, Marcílio Pousada, ex-presidente da Saraiva, a maior rede de livrarias do país, chegou a telefonar para os donos de editoras ameaçando boicotar quem firmasse contratos favoráveis demais com a Amazon.

Quiosques montados em shoppings fecharam por falta de compradores, e s agora a empresa parece enfim, a ponto de firmar com fornecimento com uma grande rede varejista. Também emperra os negócios da loja virtual brasileira o fato de que, dos 2 milhões de títulos oferecidos, apenas 30000 são em português. Por causa, em parte, da pressão das livrarias e, em parte, de sua própria inação, até recentemente o e-book não era prioridade nas editoras. A Amazon veio sacudir essa morosidade. Para atenuar a preocupação dos livreiros e estimular a produção de livros digitais, a empresa aceitou até uma cláusula inédita em seus contratos; nas promoções que fizer, o preço do e-book, que já é 30% menor que o do livro de papel, pode baixar no máximo 10% — nos Estados Unidos, não há limite.

Atualmente, todo novo título lançado no Brasil tem seu equivalente digital, mas poucos dos antigos estão disponíveis. “O problema é que renegociai- velhos contratos dá muito trabalho“, explica Ricardo Garrido, diretor de operações do iba, empresa do Grupo Abril que produz e comercializa títulos digitais. Diante de tantos entraves, a média diária de e-books baixados na loja brasileira da Amazon não passa de 3 000, e a operação representa apenas 1% do faturamento global da empresa — mesmo assim, ela é líder de vendas de livros digitais no Brasil [detém 40% do mercado], seguida da Apple [20%] e do Google [10%]. Outra luta inglória, esta não só da Amazon, tem sido travada contra a pirataria. No ano passado foram rastreados 108279 links para downloads ilegais de livros por brasileiros, quase 50% a mais do que em 2012, de acordo com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos.

Criada em 1994 para vender livros físicos on-line, a Amazon comercializa de ostras a motor de lancha e tem livrarias virtuais em treze países. Em busca de alternativas agora que as vendas de e-books deixaram de aumentar em praças tradicionais, como Estados Unidos e Inglaterra [onde correspondem a 20% do faturamento das editoras], e avançam lentamente em outras, como França e Alemanha, a empresa decidiu apostar em economias emergentes; são mercados difíceis, mas promissores, como México, índia. China e o próprio Brasil. Por aqui, somente 3% dos livros vendidos são digitais. Impávida diante dos obstáculos, já anunciou que em março ou abril começará a vender livros físicos aqui, comprando nova briga com as editoras — para escapar do Judiciário brasileiro, a empresa tenta emplacar uma cláusula segundo a qual qualquer desacordo será decidido em câmaras de arbitragem, e em inglês. Aos leitores, só resta torcer por um acordo que lhes traga livros mais baratos e mais acessíveis.

Por Thiago Prado | Revista Veja | 27/01/2014

ABDR questiona informações


A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] enviou uma nota ao Link questionando as informações publicadas na coluna publicada no dia 17. A entidade diz que a notificação enviada ao site eBooksBrasil não foi por causa de uma obra em domínio público, como foi publicado – mas, sim, referente a uma tradução que ainda está protegida por direitos autorais.

A obra em questão, A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, está em domínio público. A tradução que está no eBooksBrasil, segundo o responsável pelo site, é de Frederico Ozanam de Barros – que autorizou a publicação. Mas, segundo a ABDR, não há dados sobre a edição e a tradução da obra na versão disponibilizada do site. A entidade alega que o livro que está no site é uma tradução de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez, publicada pela editora Ediouro, e ainda protegida por direitos autorais. Portanto, pirata – segundo a ABDR.

A entidade também questiona o processo contra o responsável pelo site Livros de Humanas – segundo a ABDR, a ação foi movida contra um “profissional autônomo de transporte de pessoas” e não contra um “estudante da USP”. A entidade refere-se ao titular do domínio do site, registrado nos EUA.

Veja a íntegra da nota:

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] gostaria de informar ao OESP a sua versão dos fatos narrados na coluna da jornalista Tatiana de Mello Dias publicada no Caderno Link no dia 17/12/2012.

Referida coluna informava que a ABDR havia enviado uma notificação para o titular do sítio eBooksBrasil remover o conteúdo da obra literária cujo título era A Cidade Antiga de autoria de Fustel de Coulanges que estava em domínio público e que o seu tradutor havia autorizado tal disponibilização.

Ocorre que a notificação da ABDR referia-se a uma tradução dessa obra que ainda goza de proteção da Lei de Direitos Autorais, tradução essa de autoria de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez. E no conteúdo da obra disponibilizado nesse sítio os dados de sua edição e da sua tradução foram suprimidos, o que prejudicou a identificação da tradução.

No ano de 2.012 a ABDR enviou – em média – 6.395 notificações por mês para sítios que disponibilizam os conteúdos de obras literárias sem autorização dos respectivos titulares de direitos autorais. Do total de mais de 76.400 notificações enviadas, 98,75% dos sítios notificados retiraram os conteúdos disponibilizados ilegalmente em 24h, e em menos de 0,16% dos casos os titulares dos sítios responderam para a ABDR informando que possuíam autorizações dos titulares de direitos autorais para disponibilizar os conteúdos das suas obras.

Relativamente à ação judicial proposta pela ABDR em face do sítio “livrosdehumanas”, também mencionada na matéria do dia 17/12/2012, convém destacar que fora ajuizada em face do seu titular – registrado no órgão registrador de domínios norte-americano – o qual ao se defender no processo asseverou ser um profissional autônomo de transporte de pessoas e não um estudante universitário.

Esta é a posição da nossa entidade sobre os fatos acima.

Por Tatiana de Mello Dias | LINK | 21 de dezembro de 2012, às 18h32

E enquanto não saí o Marco Civil da Internet…


POR EDNEI PROCÓPIO

A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges

A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges

Pessoal, é o seguinte, olha só, lembra daquele caso do site Livros de Humanas com a ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos]? Pois é, a bola da vez agora é o website eBooksBrasil.org que está está sendo sondada, escaneada e vigiada pela ABDR.

Na verdade, o projeto eBooksBrasil já vem sendo rondado pela ABDR há algum tempo. Em setembro a conta da eBooksBrasil foi deliberadamente vigiada no site de compartilhamento Scribd por supostamente estar infringindo as leis de Direitos Autorais.

Uma explicação publicada no site da eBooksBrasil.org no dia 28 daquele mês registra o seguinte:

A culpa é dos cupins. A ABDR, em seu trabalho incessante de proteger os interesses editoriais de seus mantenedores, já tinha solicitado ao Scribd a retirada de conteúdos legítimos, aproveitando-se do DMCA, como pode ser visto aqui.

Dei todo o tempo do mundo para que a ABDR criasse vergonha e se retratasse, como por ser visto aqui. Não só não se retratou, como voltou a atacar, solicitando ao Scribd a retirada de outro conteúdo legítimo, como pode ser visto aqui.

Como cada vez constato, à abundância, o grau de pouca vergonha vigente, não estranho o comportamento dos térmitas da ABDR. Mas não estou com disposição de ficar brincando de notificações e contra-notificações, principalmente porque todos os livros que coloquei lá estão aqui. Assim, todos os ebooks colocados na estante do eBooksBrasil no Scribd foram retirados. Os autores e/ou tradutores, legítimos detentores dos direitos autorais, poderão, caso queiram, fazer a inclusão diretamente no Scrib. Este é mais um desserviço da ABDR à democratização da cultura em nosso país. Não reclamem comigo [eBooksBrasil.org], nem com o Sribd [Scribd.com]. Se quiserem reclamar com alguém, reclamem com a ABDR [abdr.org.br].

Hummmmm… Interessante… Deixe-me ver. Teotonio Simoes, o fundador da eBooksBrasil.org, conta agora em seu website que recebeu no último dia 13, abre parenteses, “um ameaçador e-mail em nome da abdr [ela mesma] dando-me o prazo de 24 horas para retirar do site o livro A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros.“.

É, bem, hoje é dia 23, já se passaram 10 dias e o livro A Cidade Antiga ainda continua lá, no ar, em uma primorosa edição versão eBookLibris, diga-se de passagem. E, para por ainda mais senha na fogueira, Teotonio Simoes ainda publicou os e-mails trocados com a ABDR.

Não faço e não faria apologia à pirataria, mas tem realmente alguma coisa errada no entendimento do que é público e do que é privado. Teotonio Simoes é simplesmente um artista em suas colocações. Simplesmente genial!

POR EDNEI PROCÓPIO

Pasta do Professor atinge a marca de meio bilhão de páginas


“Isso significa que meio bilhão de páginas de conteúdo não foram pirateadas”comemora Bruno de Carli

O projeto Pasta do Professor, nascido dentro da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, ABDR, e que reúne 34 editoras e mais de 70 selos editoriais voltados ao ensino universitário, alcançou na última semana a marca de meio bilhão de páginas de conteúdo entregues aos alunos das instituições de ensino filiadas à iniciativa. O projeto cria uma alternativa legal viável contra a pirataria de livros, em especial no meio universitário – a famosa xerox da pasta do professor. “O aluno tira cópia porque é barato e é fácil. Se o livro tem 100 páginas, ele usa apenas 30, por isso que, independentemente do preço do livro, ele sai caro para o aluno”, explica Bruno de Carli, diretor do projeto. Frente a essa realidade, a Pasta do Professor buscou replicar o modelo de tirar cópias dos livros universitários, e viram que a internet seria a ferramenta mais adequada para isso, devido a sua capilaridade.

Para viabilizar a Pasta do Professor e torná-la o mais acessível possível aos alunos, o projeto acabou criando também um enorme acervo de metadados: “Todos os livros estão fracionados em capítulos, colocados pelo nome. Na época nem se sabia que no futuro isso seria o famoso metadado” comenta Bruno.

O projeto é pioneiro no mundo, e evoluiu ao longo do tempo nos formatos e tecnologia, começando com o sistema de folhas soltas impressas nas parcerias com universidades como PUC-Minas, PUC-Rio, Mackenzie e ESPM, para o formato de fascículos impressos na Universidade Estácio, e por fim disponibilizando os conteúdos das editoras afiliadas em tablets e sistemas de leitura online através de browser na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/08/2012

Contexto se desliga da ABDR após o caso do Livros de Humanas


Em nota no blog da Contexto, o diretor e fundador da editora Jaime Pinsky informou que a casa não é mais filiada à Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O desligamento, segundo o texto de Pinsky, foi uma reação à forma como foi conduzida a ação judicial da ABDR que determinou o fechamento do site Livros de Humanas, que disponibilizava mais de dois mil títulos para download gratuito incluindo obras protegidas pela Lei de Direitos Autorais. A ação explicitava o nome da Forense e da Contexto, o que acabou provocando protestos na internet a favor do site e contra as editoras. Pinsky afirma que “nossa preocupação sempre foi ‘promover a circulação do saber’ – não por acaso o próprio lema da Editora Contexto”. Segundo ele, “1- em nenhum momento pedi que o site fosse tirado do ar; e 2 – solicitei, por escrito, a desfiliação de nossa editora da ABDR”. Leia o texto na íntegra. Nesta semana, Ivana Jinkings, editora da Boitempo, também se manifestou contra o fechamento do Livros de Humanas no blog da editora. Leia aqui.

PublishNews | 15/06/2012

Livrosdehumanas.org se defende


O blog Livros Etc., de Josélia Aguiar, entrevistou Thiago, moderador dolivrosdehumanas.org, que saiu do ar na quarta-feira passada depois de ser notificado pela Justiça, como efeito da ação movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O endereço reunia cerca de 2,3 mil PDFs de livros e, segundo a ABDR, sua atividade gerou prejuízo de R$ 200 milhões. Uma série de manifestações em defesa do site aconteceu nas redes sociais. Na entrevista ao blog, Thiago afirma, entre outras coisas, que o número médio de visitantes únicos do site era de 3.500, público majoritariamente formado por estudantes universitários. “Muitos escreviam para o site falando que nas bibliotecas de suas universidades não encontravam a quantidade de títulos que indexávamos no livrosdehumanas.org. Os maiores pedidos eram livros de filosofia e dos mais diversos campos das ciências humanas.” Ele também disse que “nem todas as obras são possíveis de processo pela ABDR”. Há, segundo ele, títulos em domínio público, e-books gratuitos, livros com autorização dos autores, entre outros casos. “É tudo mais complexo do que a gritaria da ABDR faz parecer“, afirmou.

Por Josélia Aguiar | Folha Online | 21/05/2012