Apple pede que corte de apelações evite decisão “radical” sobre eBooks


iBooks, da AppleNOVA YORK | A Apple pediu que uma corte de apelações norte-americana desconsidere uma decisão judicial que a empresa considerou “radical”, segundo a qual a companhia violou a lei antitruste ao manipular preços de livros eletrônicos, e acusou editoras de “conspiração”.

O pedido feito na terça-feira à noite ocorreu depois que a juíza distrital norte-americana Denise Cote de Nova York concluiu em julho passado, após um julgamento sem júri, que a Apple teve “papel central” em um esquema ilegal em dezembro de 2009 com cinco editoras para elevar os preços dos e-books e impedir competidores como Amazon.com.

Os editores anteriormente haviam concordado em pagar mais de 166 milhões de dólares p14ara encerrar acusações antitruste.

A Apple introduziu e-books em 2010 para ajudar a impulsionar as vendas de seu novo tablet iPad.

Em um documento destinado à corte de apelações de Nova York, a Apple disse que em nenhum momento “tinha conhecimento de que os editores estavam envolvidos em conspiração“.

Disse ainda que legalmente tirou vantagem de uma “discórdia” de mercado e as frustrações dos editores com a Amazon, e “lançou competição em um mercado altamente concentrado, entregando mais produção, níveis de preços menores e inovação acelerada.

Por Jonathan Stempel | Reuters | quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014, às 14:30

Editora lança novo selo


Formas breves é dedicado ao conto

A editora digital e-galáxia acaba de lançar um novo selo, o Formas Breves. Trata-se de uma coleção de contos com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa. O selo também vai ter traduções exclusivas: do sueco, Luciano Dutra apresentará os contos de Hjalmar Söderberg, e do inglês, a tradutora Denise Bottmann prepara uma série de contos de Virginia Woolf. Todos os textos estarão à venda exclusivamente em e-book, nas lojas Amazon, Apple, Google Play, Livraria Cultura, Saraiva e Iba, e com o valor de U$ 0,99, ou R$ 1,99, por conto.

PublishNews | 21/02/2014

Sony joga a toalha


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Sony jogou a toalha no negócio de e-book e entregou seus clientes para a Kobo. Isso iniciou muitas especulações de que a Nook vai fazer o mesmo. Se a B&N fosse realmente forçada a escolher entre os investimentos que precisam ser feitos em suas lojas e os investimentos exigidos para competir na entrega digital, seria difícil que não preferissem salvar as lojas. A ideia de que outro varejista, talvez o Walmart, comprasse toda a empresa parece bastante lógica, mas não dá para descartar que existe uma ligação sentimental do principal dono da B&N, Len Riggio, com as lojas.

Apesar das esperanças e expectativas de empresas iniciantes como a Zola Books [que fez uma aquisição recente, tirando a Bookish das mãos das três editoras que a abriram], o Blio da Baker & Taylor, o Copia ou o projeto txtr, que antes se baseava em telefone, parece que estamos vendo o começo da consolidação do negócio do e-book. A verticalização pode funcionar, como parece acontecer com Allromanceebooks, mas só ser “administrado de forma independente” não foi suficiente para a Books on Board, uma empresa que terminou no ano passado, depois de muito tempo funcionando. [Até o momento, a Diesel, uma independente comparável, está se aguentando.]

A Sony é uma grande empresa com um negócio de e-books muito pequeno. Eles também foram realmente “os primeiros” na era moderna dos aparelhos de e-book. O Sony Reader e-ink é mais parecido com o Kindle e o Nook do que qualquer outra coisa que apareceu antes. Mas se o e-book já se encaixou em algum momento como objetivo maior para a Sony, não é claro qual foi.

A Apple abriu sua e-book store porque acharam que tinham um aparelho perfeito para o consumo de livros [o iPad], mas também tinham experiência com venda de conteúdo [iTunes]. Eles também veem potencial para iPads nos mercado escolar e universitário, então desenvolveram tecnologia para permitir que livros mais complexos – o tipo que ainda não conseguiu ter sucesso comercial – fossem desenvolvidos para a plataforma deles. Estabelecer seus aparelhos e o ecossistema do iOS no mercado educacional seria uma grande vitória.

O Google reconheceu há uma década que livros, sendo repositórios de informação que continham a melhor resposta para muitas buscas, eram um mundo no qual eles queriam estar. Com sua crescente posição em aparelhos – o celular Nexus 7 e os computadores Chromebook — e como os desenvolvedores do Android que compete com o iOS no mercado de apps, há muitas formas através das quais estar no negócio de e-books complementa outros esforços, incluindo talvez, concorrer com a Apple e o iOS nas escolas.

Eu já afirmei [entre outras coisas] que a venda de e-books não funcionaria como uma operação exclusiva; precisa ser um complemento a outros objetivos e atividades para fazer sentido comercial. A Sony descobriu que não servia para ela, quase certamente porque não acrescenta valor a nenhum dos seus outros negócios.

Claro, e-books certamente complementam o negócio central da Barnes & Noble. Você tem uma deficiência bastante óbvia se dirige uma livraria e não vende e-books, então todo mundo faz isso de uma forma ou outra. Entre os erros que a Borders é acusada de ter cometido antes de desaparecerem foi entregar seu negócio de e-books para a Kobo. Dúvidas sobre o futuro da Waterstones no Reino Unido incluem se foi inteligente entregar seu negócio de e-books para a Amazon. Se a Barnes & Noble não tivesse o Nook, eles teriam que fazer um acordo com quem tivesse o Nook ou com algum outro.

Tenho certeza que a Apple, a Kobo ou a Google ficariam encantadas em ter seus livros integrados nas ofertas da Barnes & Noble, e provavelmente a Amazon também, apesar de que o mais provável é que eles nunca seriam convidados. Todos eles mostraram interesse em se afiliar a lojas independentes, com o Google começando e desistindo, a Kobo agora tentando fechar algo, e, até a Amazon, que não conseguiu penetrar bem nas independentes com seus livros próprios agora oferece a elas um programa de filiação para vender e-books Kindle chamado Amazon Source. Mas certamente todos eles aproveitariam a chance de expandir sua distribuição aos clientes da Barnes & Noble.

É provável que a B&N acredite que o negócio do Nook só pode ser realmente bem-sucedido se continuarem investindo em aparelhos melhores e criarem uma presença global. Isso pode ser verdade, mas também poderia ser que a Nook seja útil para seu negócio de livrarias sem acrescentar continuamente aparelhos ou criar uma presença fora dos EUA onde não existem lojas da B&N. Cada vez mais pessoas estão se sentindo confortáveis lendo em aparelhos multi-funcionais através de apps. Talvez a B&N pudesse manter um negócio lucrativo com sua audiência usuária de Nook enfatizando mais as sinergias com as lojas [unindo impressos e e-books, como a Amazon faz com sua iniciativa Matchbook e como já foi tentado em escala menor por algumas editoras, seria uma forma] e não se preocupar tanto com tornar o Nook competitivo com as outras livrarias de e-books como um negócio independente.

O imprevisível aqui é se alguma empresa grande – sendo o Walmart uma das mais mencionadas — visse benefícios em participar do negócio de e-books [ou até todo o negócio de livros] em seu portfólio. Isso acontece no Reino Unido, onde uma rede de supermercados, a Sainsbury’s, comprou a maioria das ações da Anobii [uma startup iniciada por editoras inglesas, análoga à Bookish nos EUA] e a Tesco comprou a Mobcastporque o negócio do livro aparentemente combinava bem com suas ofertas e a base de seus clientes. [Tanto a Sainsbury’s quanto a Tesco fizeram declarações sobre fortalecer seu “entretenimento digital” e as propostas de varejo online. A Tesco está investindo em aparelhos também.] A Kobo tem como pilar de sua estratégia encontrar parceiros em livrarias físicas ao redor do mundo.

Em base global, fora do mundo da língua inglesa, o negócio do e-books ainda está na infância. Mas é difícil ver como qualquer empresa sem uma presença em inglês poderia desenvolver a escala para competir com aqueles que têm. Toda nação e linguagem terá livrarias locais que seriam as “primeiras” para os leitores daquela localidade. Algumas poderiam até ter a ambição de também dominar o negócio local de e-books, especialmente quando fica cada vez mais claro que os e-books canibalizam o espaço em prateleira das livrarias. Mas o custo de tempo e dinheiro, combinado com a vantagem competitiva de ter livros em língua inglesa em oferta não importa qual idioma seu mercado alvo lê, vai fazer com que uma estratégia “crie tudo sozinho” seja muito pouco atraente. Então pareceria que a Amazon, Apple, Google e Kobo estão posicionadas para crescer organicamente e fazer parcerias em todos os lugares. E isso vai exigir algum evento sério, como o Walmart comprando a Barnes & Noble, para quebrar o poder que este quarteto tem sobre o mercado global de e-books na próxima década.

Um acontecimento potencialmente perturbador que este artigo ignora é a possibilidade de que os e-books se tornem um negócio de assinaturas na próxima década. Tenho dois pensamentos abrangentes sobre isso.

Um é que o hábito de compra de livro a livro está bastante arraigado e não será mudado drasticamente com os e-books nos próximos dez anos. Não tenho ideia de qual porcentagem do mercado de e-books agora funciona por meio de assinaturas, mas acho que é seguro dizer que “bem menos do que 1%”. Então meu instinto é que seria necessário um sucesso incrível para chegar aos 10% nos próximos dez anos.

A outra coisa que devemos lembrar é que qualquer livraria de e-books sempre pode desenvolver uma oferta de assinaturas. A Amazon realmente começou isso com o Kindle Owners Lending Library. Você pode ter certeza que se Oyster ou 24Symbols começarem a juntar uma quantidade importante de mercado, todos os Quatro Grandes, que vimos aqui, encontrarão uma forma de competir por este segmento. [É bastante mais difícil acontecer o contrário; é muito menos provável que a Oyster ou a 24Symbols abram lojas normais.]

Então se a assinatura crescer ou não, as gigantes de vendas de e-books vão continuar as mesmas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Apple perde tentativa de bloquear monitor antitruste de eBooks


A Apple perdeu nesta segunda-feira sua mais recente tentativa de colocar em espera um monitor indicado pelo tribunal antitruste, depois que um tribunal federal de apelações rejeitou o argumento de que seu trabalho estava causando danos irreparáveis à empresa.

Em uma breve ordem, o Segundo Circuito Norte-Americano do Tribunal de Apelações de Nova York disse que o monitor Michael Bromwich pode continuar a analisar as políticas de compliance antitruste da Apple, enquanto a empresa busca um apelo mais amplo visando removê-lo por completo.

A juíza distrital Denise Cote instalou Bromwich em outubro, três meses depois que ela concluiu que a Apple era responsável por conspirar com cinco editoras para aumentar os preços de e-books.

Desde então, a Apple tem travado uma batalha perdida para colocar Bromwich no gelo, reclamando que ele tem buscado agressiva e indevidamente entrevistas com os principais executivos e possui amplo acesso aos documentos da empresa para além do âmbito das suas funções.

Com o entendimento de que “o monitor irá realizar suas atividades dentro dos limites” dos seus deveres, o tribunal de apelações disse que iria negar o pedido da Apple.

A Apple não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. O Departamento de Justiça disse que não tinha comentários imediatos.

Por Nate Raymond and Joseph Ax | NOVA YORK, 10 Fev | Reuters | Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, às 20:26

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

Intel cunhou o termo “iPad” em 1994, e tentou lançar tablet em 2001


Reprodução | Intel

Reprodução | Intel

Muito antes da Apple lançar seu iPad, a Intel apresentou ao mundo seu “bloco de informações, que chegou até a CES 2001, mas sem grande sucesso

Antes que a Apple lançasse o iPad, em 2010, ninguém previa este nome para um tablet. Quer dizer, ninguém exceto o ex-vice-presidente da Intel, Avram Miller.

Sim, as previsões de dispositivos semelhantes ao iPad existem há décadas. O filme 2001: Uma Odisseia no Espaço [1968], de Stanley Kubrick, tinha aparelhos semelhantes a tablets. E a antiga empresa Knight Ridder divulgou em 1994 um vídeo-conceito para um tablet de notícias.

Mas muito antes de a Apple lançar seu tablet, já se falava em um iPad.

Em 30 de junho de 1994, a Associated Press descreveu a visão da Intel para a casa do futuro, centrada em uma “fornalha de informação”. Mas também há a menção de um dispositivo curioso: um I-pad, ou “bloco de informações”.

“Um dos dispositivos mais interessantes é chamado de I-pad, um bloco de informações”, disse [Avram] Miller. “Seria um dispositivo com tela plana. Você pode escrever nele, tocá-lo. Você pode falar com ele e ele pode responder com voz. Seria sem fio, barato e teria diferentes formas na casa.

Algumas formas primitivas de um “I-pad” são os dispositivos Apple Newton, Motorola Envoy e IBM Simon, que têm características de computação e comunicação.

O I-pad que a Intel mencionava em 1994 era mais ou menos um termo genérico para os gadgets que iriam interagir com a casa do futuro. Ainda assim, o nome e suas associações com “casas inteligentes” aconteceram mais de 15 anos antes de a Apple estrear o iPad.

A Intel ainda revelou um dispositivo IPAD na feira CES em 2001. O Intel Pad usava uma conexão sem fio ao seu PC para acessar a web – ele dependia de outro computador para funcionar. Ele tinha botões, roda de mouse e uma caneta para interagir com a tela.

Mas, segundo a CNET, ele acabou irritando as parceiras da Intel, já que poderia concorrer com produtos delas. A empresa então cedeu à pressão e cancelou o projeto.

Ainda hoje, a Intel tenta encontrar seu espaço no mercado de tablets com seus processadores, sofrendo forte concorrência da ARM. Há até rumores de que a Intel poderia fabricar chips para… o iPad.

Por Matt Novak | Gizmodo | Com informações da Associated Press | 30/01/2014

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Brasil já pode comercializar didáticos interativos pela loja virtual da Apple


Brasil e outros 50 países já podem comercializar didáticos interativos pela loja virtual da Apple

Em comunicado enviado pela Apple à imprensa na tarde de ontem, a companhia criada por Steve Jobs informou que o Brasil [e outros 50 países da América Latina, Ásia e Europa] está na linha de expansão da iBooks, a livraria digital da Apple. A partir de agora, editores e autores independentes poderão comercializar livros didáticos pela plataforma. Não só isso. A iBooks permite criar livros digitais dinâmicos, com gráficos interativos, diagramas com rotação em 3D, além de possibilitar a atualização de conteúdos a qualquer momento.

Ainda de acordo com o comunicado, existem hoje cerca de 25 mil títulos educacionais, incluindo alguns criados pelas universidades de Cambridge, Oxford e pela editora britânica Hodder Education. Nos EUA e no Reino Unido, os didáticos vendidos pela iBook já cobrem 100% do currículo escolar do ensino médio.

Para Eddy Cue, vice-presidente de Software e Serviços de Internet da Apple, o serviço, agora ampliado para outros países, pode dar início a uma revolução. “Os incríveis conteúdos e ferramentas disponíveis para iPad permitem que professores personalizem o aprendizado de uma forma como nunca foi vista antes. Não podíamos mais esperar para ver professores em mais países criando planos de aulas com livros didáticos interativos, aplicativos e conteúdo digitais dessa qualidade”, afirmou no comunicado.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 23/01/2014

Apple evita temporariamente monitoramento de eBooks


Tribunal livrou temporariamente a companhia de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Nova York – Um tribunal federal de apelações livrou temporariamente a Apple nesta terça-feira de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência, depois de a empresa ter sido considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos.

O Segundo Circuito do Tribunal de Apelações de Nova York concedeu à Apple uma “suspensão administrativa” da ordem judicial nomeando o monitor Michael Bromwich, enquanto a empresa busca permissão para uma suspensão mais longa em sua apelação.

A Apple alegou que Bromwich tem sido muito intrusivo, pedindo reuniões com executivos de alto escalão e membros do Conselho da empresa, e tem cobrado 1,1 mil dólares por hora de serviço. Alegou ainda que as atividades do monitor poderiam interferir na capacidade da empresa de desenvolver novos produtos.

REUTERS | EUA | 21/01/2014 17:08

eBooks chegam a 3% das vendas de livros


Em 2013, as vendas de livros digitais nos mercados mais desenvolvidos do mundo tenderam à estagnação.

Enquanto em países como França e Alemanha o segmento cresceu no mesmo ritmo acelerado dos EUA até 2011, com os digitais passando os 5% das vendas das editoras, os mercados onde os e-books já são superiores a 20% [EUA e Reino Unido] tiveram aumento quase nulo.

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre a desaceleração, mas uma tendência paralela nos países de língua inglesa chamou a atenção.

Trata-se da expansão de serviços de leitura via streaming, como Scribd e Oyster, com os usuários que pagam mensalidades para acessar milhares de títulos em vez de pagar por eles isoladamente.

Ainda com poucas opções nessa área [o maior serviço, a Nuvem de Livros, é mais voltado ao público estudantil], o Brasil teve em 2013 seu primeiro ano com a presença das grandes lojas de livros e viveu crescimento similar ao dos EUA nos primórdios do Kindle, entre 2008 e 2009.

As maiores editoras do país fecharam 2012 com os e-books representando cerca de 1% de suas vendas totais. Agora, após um ano com Amazon, Apple, Google e Kobo oferecendo e-books nacionais, as casas informam que o digital chega a 3% de suas vendas.

É ainda uma parcela pequena e que decepciona editores, mas um crescimento esperado para um país cujos leitores ainda tateiam as opções de leitura digital.

A Objetiva, por exemplo, vendeu 15 mil e-books em 2012 e fecha 2013 com 95 mil livros digitais vendidos, um crescimento de 650% [eles agora representam 3% das vendas da editora].

Marcos Pereira, editor da Sextante, diz que esperava mais que os 2% que os e-books representam hoje para a editora, mas ressalva que isso tem relação com o fato de apenas metade de seu catálogo de 600 títulos já ser vendido no formato.

A casa, no entanto, tem um dos casos mais expressivos de vendas digitais no país. “Inferno”, de Dan Brown, que já vendeu cerca de 500 mil cópias impressas, teve comercializados 24 mil e-books desde o meio do ano, quando foi lançado — ou seja, quase 5% das vendas foram digitais.

O que caiu foi o ritmo de expansão dos acervos digitais. Em geral, as editoras têm feito lançamentos simultâneos em papel e e-book, mas contratos feitos anos atrás inviabilizam a conversão de títulos mais antigos.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 04/01/2014, às 03h44

Manifesto diz que inovação está no livro físico, não em eBooks


Ao mesmo tempo em que o universo dos textos impressos encolhe, o livro -ou, pelo menos, algumas de suas características mais conhecidas – revela uma capacidade notável de continuar vivo on-line.

Parece que a ideia do livro está tão profundamente enraizada no inconsciente coletivo que ninguém suporta deixá -la para trás.

A Amazon alega que, em seu mais recente e -reader, “as páginas são virtualmente indistinguíveis de um livro físico“. Estantes de livros em salas de estar podem estar virando coisa do passado, mas compre um e -book do iBooks e a Apple prometerá “descarregar livros para sua estante” imediatamente.

Algumas funções dos livros físicos que não parecem ter lugar na era digital estão sendo conservadas, mesmo assim. As editoras ainda encomendam capas para e-books, apesar de a função delas -atrair a atenção de leitores numa loja repleta de títulos – ter deixado de existir.

Muitas das tentativas de modificar a experiência fundamental do livro fracassaram.

A Social Books, que permitia que os usuários comentassem trechos específicos de livros, virou Rethink Books e depois fracassou.

Peter Meyers, autor de "Breaking the Page", sobre o futuro dos livros, em seu escritório, em Nova York |  Photo: Hiroko Masuike - 27.nov.13/The New York Times

Peter Meyers, autor de “Breaking the Page”, sobre o futuro dos livros, em seu escritório, em Nova York | Photo: Hiroko Masuike – 27.nov.13/The New York Times

A Push Pop Press, que misturava textos, imagens, áudio, vídeo e gráficos interativos, foi comprada pelo Facebook em 2011, e não se ouviu falar mais nela.

A mais recente a tropeçar foi a Small Demons, que explora as relações entre livros. Por exemplo, um usuário que se interessasse pelo “Ziegfeld Follies” ao ler “O Grande Gatsby” poderia seguir um link apontando para trechos em que o espetáculo de teatro de revista aparece em 67 outros livros. A Small Demons informou que vai fechar neste mês, sem ter conseguido um novo investidor.

Muitas dessas soluções nasceram da capacidade de um programador de criar alguma coisa, mais do que do entusiasmo dos leitores por coisas de que precisam“, disse Peter Meyers, autor de “Breaking the Page”, análise ainda inédita da transformação digital dos livros.

O inovador digital Bob Stein escreveu recentemente que “as pessoas com frequência me pedem reflexões sobre ‘o futuro do livro’“. Como ele é fundador do Instituto para o Futuro do Livro, seria lógico imaginar que ele pudesse prever e até saudar a pergunta. “Francamente, não a suporto“, escreveu.

MANIFESTO

Existe até um movimento que proclama que os mecanismos mais inovadores para a reprodução e a leitura de histórias estão sendo desenvolvidos não nos e -books, mas em livros físicos.

O manifesto do movimento está impresso na capa de um novo volume, “Fully Booked: Ink on Paper: Design & Concepts for New Publications”, que ironiza a noção da internet como sendo a novidade mais recente.

Quando a internet se popularizou, pareceu que os livros precisavam de uma revisão.

O livro físico tinha se tornado algo bastante limitado, avesso ao design fora de sua capa“, comentou Peter Brantley, que administra a conferência Books in Browsers, em San Francisco.

Depois, todas as limitações desapareceram.

Algumas start -ups optaram por uma abordagem básica: pegam um texto e o dividem em partes. O serviço Safari Flow, da Safari Books, oferece capítulos de manuais técnicos por uma assinatura mensal de US$ 29. A Inkling faz o mesmo com títulos voltados ao consumidor geral. Se você quiser comprar apenas o capítulo sobre massas, pode adquiri -lo por US$ 4,99, em vez de ter a obrigação de comprar o livro de receitas na íntegra.

O enfoque da Citia é mais ambicioso. Trabalhando em cooperação com um autor, seus editores pegam um livro de não ficção e reorganizam as ideias dele em fichas digitais que podem ser lidas em aparelhos diversos e transmitidas pelas redes sociais.

‘DECISÃO DIFÍCIL’

A decisão de dedicar 10 ou 15 horas de tempo à leitura de um livro será cada vez mais difícil de ser tomada“, explicou Meyers, vice -presidente de inovação editorial e de conteúdo da Citia. “Por isso, precisamos libertar as ideias presas dentro dos livros.

Um dos primeiros livros a ser submetido ao tratamento da Citia foi “Para Onde nos Leva a Tecnologia”, de Kevin Kelly. Seções do livro são resumidas em uma ficha, e depois o leitor pode mergulhar nas divisões de cada seção.

Mas, desde que surgiu, em 2012, a empresa criou fichas de apenas quatro livros. Ela está em negociações com agências de publicidade e talentos, empresas de serviços financeiros e de produtos ao consumidor. “Todas as empresas estão se tornando empresas de mídia“, disse Meyers. “Todas precisam contar histórias sobre seus produtos.

Como rotular essas histórias é outra questão.

Quando um livro é colocado on -line, pode ser apenas por saudosismo que ele continue a ser conhecido por seu nome antigo. “Vamos continuar a reconhecer e -books como sendo livros, mas nossa visão do trabalho de contar histórias vai se ampliar, inevitavelmente“, disse Brantley.

POR DAVID STREITFELD | DO “NEW YORK TIMES”, EM SAN FRANCISCO | Clipado à partir de Folha de S.Paulo | 17/12/2013, às 02h30

Amazon desbanca concorrência, segundo estudo do BISG


BISG chart

BISG chart

O BISG [Book Industry Study Group] publicou seu último relatório, sobre a percepção do consumidor em relação à leitura digital. Em relação à participação no mercado de e-books, a B&N e a Apple já afirmaram no passado ter 20% do mercado. O estudo da BISG mostra números diferentes: a Amazon teria 67% do mercado, B&N Nook 11,8% e Apple iBooks 8,2%. A categoria “Outros” ficou com 12,8%. “Outros” não foi discriminado, mas provavelmente consiste em Kobo, Google e Sony no varejo, vendas diretamente das editoras e talvez bibliotecas públicas. Outro dado é a preferência pelo formato digital. Das 14 categorias analisadas, 10 são lidas preferencialmente no formato de-book. As 4 restantes são livros de cozinha, graphic novels, guias de viagem e guias manuais. Essas categorias são fortes online, mas não no formato e-book.

Por Jack W. Perry | Digital Book World | 14/11/2013

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

A Fliporto 2013 promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em módulos, a oficina contará com aulas intensas para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio tem 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma biblioteca digital“, e em 2010 lançou “O livro na era digital“. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Taxa fixa para baixar eBooks pode ser solução para indústria dos livros


Quando o Napster entrou no ar, em 1999, como maior plataforma de troca de arquivos musicais do mundo, não demorou muito para que milhões de aficionados por música o descobrissem. Naqueles bons tempos, mais de 10 milhões chegavam a acessar simultaneamente a plataforma, baixando e partilhando música gratuitamente.

Mais de dez anos se passaram até que o setor econômico revertesse essa tendência, proporcionando alternativas legais. No entanto, de início, o poder de mercado do MP3 não foi percebido pela indústria fonográfica. Empresas que não tinham a ver com o ramo, como a Apple ou a Amazon, foram mais rápidas e dividiram o bolo entre si.

Durante muito tempo, a indústria musical subestimou a internet. Muitos diretores do setor a viam apenas como um playground musical. Os executivos das gravadoras passaram tempo demais se sentindo seguros, ninguém nos setores de chefia acreditava que os MP3s e a internet iriam revolucionar de tal forma a distribuição de música.

Quando o problema foi identificado, já era tarde demais. O medo da expansão galopante da pirataria na internet se espalhou pela indústria, que registrou quedas de faturamento milionárias. Enquanto fora relativamente fácil dar fim ao Napster, há muito se perdeu todo o controle sobre as ofertas na zona cinzenta da internet.

INDÚSTRIA DO LIVRO MAIS RÁPIDA

Enquanto isso, a comercialização de cópias eletrônicas de livros ainda estava engatinhando. o interesse público era pouco, excetuado setor de literatura especializada, onde as publicações digitais eram cada vez mais numerosas. No entanto, as editoras estavam cientes de que teriam que enfrentar o problema mais cedo ou mais tarde. Logo elas compreenderam que teriam de oferecer e-books pela internet, para não perder a conexão com o mercado. E isso, a preços acessíveis e sem grandes obstáculos técnicos.

Em meados da década de 2000, fornecedores como a líder de mercado Amazon, mas também outras plataformas especializadas em literatura, tomaram a frente. Hoje, na área de prosa, praticamente não há livro impresso que também não esteja disponível como e-book. Mesmo assim, a parcela de mercado de e-books continua mínima, só passando de 0,8% em 2011 a 2,4% no ano passado.

As razões para a falta de interesse são várias. Muitos ainda preferem segurar um livro de papel nas mãos a olhar para um monitor. Alguns observadores criticam que os preços dos livros eletrônicos ainda seriam altos demais. Além disso, muitas vezes eles são oferecidos com uma proteção contra cópias digitais, o que impede o usuário de lê-los em diferentes dispositivos.

E justamente a tentativa da Amazon de dominar o mercado, adotando um formato exclusivo e um dispositivo de leitura próprio, o e-reader Kindle, afastou muitos usuários, em vez de conquistá-los.

DAVID CONTRA GOLIAS

Não é de espantar que o mercado de e-books – mesmo se desenvolvendo lentamente – atraia outro tipo de concorrente: fornecedores ilegais tentam puxar o tapete das gigantes da internet.

Na Alemanha, o portal de download Torboox dispõe atualmente de mais de 42 mil títulos, incluindo todos os best-sellers, e, segundo informações próprias, registra mensalmente mais de 1,2 milhão de downloads.

O que alegra particularmente os usuários é que ali, ao contrário dos fornecedores legais, a proteção digital não é um problema. Assim, os livros podem ser copiados livremente e lidos em todos os e-readers, tablets e computadores comuns.

Em meados deste ano, a Torboox ameaçou se afogar no próprio sucesso. Graças à divulgação na mídia, o número de downloads aumentava sem parar. Servidores mais potentes tiveram de ser instalados, mas aí diminuiu a disposição dos usuários em fazer doações. Para contornar o dilema, o portal passou a adotar uma taxa fixa de 3 euros mensais, do tipo “all you can read”.

AMAZON CORRE ATRÁS

E em breve a gigante do setor Amazon poderá seguir o exemplo dos piratas da internet, só que por meios legais. Devido a seu enorme poder de mercado, a empresa tem como influenciar os preços, que ela deverá baixar o máximo possível, em prejuízo das editoras e autores.

Os piratas da TorBoox se veem um pouco como o lendário Robin Hood, que roubava dos ricos para dar para os pobres. Na luta contra os gigantes da internet, eles surpreenderam as editoras com a oferta de fechar o site de downloads. Em contrapartida, a Associação do Comércio Livreiro Alemão cuidaria para impor no país uma taxa fixa para e-books, evitando que Amazon e companhia dividam o mercado entre si.

EDUCAÇÃO EM VEZ DE CRIMINALIZAÇÃO

No entanto, esse acordo não foi realizado, em vez disso, a associação aposta no trabalho de esclarecimento. “Queremos alertar os usuários que tais plataformas se movem num campo ilegal. Ao mesmo tempo, pretendemos chamar a atenção deles para ofertas legais“, afirmou a porta-voz Claudia Paul. Como a plataforma Libreka.de, que oferece 270 mil títulos.

Acreditamos que grande parte dos usuários irá se comportar, então, de forma legal. Não concordamos com sanções nessa área.” Por outro lado, é preciso proceder decididamente contra as plataformas ilegais. Para tal, a Associação do Comércio Livreiro Alemão aposta nas autoridades ou em organizações antipirataria.

Mas como o setor explica o avanço galopante da pirataria, embora o mercado de e-books esteja se desenvolvendo rapidamente na Alemanha? Claudia Paul aponta primeiramente os bons negócios para os ilegais. Afinal de contas, eles ganham com a publicidade em seus sites. Além disso, “até agora, o risco de os operadores das plataformas serem identificados não é tão grande“.

A indústria editorial ainda resiste à ideia da taxa fixa, embora ela pudesse matar dois coelhos de uma só cajadada: combater com sucesso a pirataria e competir com os gigantes da internet.

Autores e editoras teriam que contar com lucros menores, mas a indústria musical e os artistas também não foram prejudicados com a venda legal de MP3s. Após uma queda bilionária na receita, o mercado musical se recuperou. Atualmente, os MP3s respondem por um quinto da receita no setor , com tendência a aumentar.

DA DEUTSCHE WELLE, 05/11/2013, às 11h25

É muito cedo para desistir dos ‘enhanced eBooks’


Alguns observadores do mercado digital se perguntam por que os tablets não impulsionaram uma nova geração de e-books ricos em mídias, com novas experiências e formatos digitais. Paralelamente, virou senso comum entre os editores a ideia de que não há mercado para o que se chama hoje de ‘enhanced e-books’. Hoje, simplesmente não sabemos se leitores gostarão ou pagarão por livros que usam tudo o que uma plataforma digital tem a oferecer. E provavelmente vai levar mais tempo que o esperado, principalmente por causa da natureza fragmentada do ambiente do e-book. Apple, Amazon, Barnes & Noble, Kobo, entre outros, ainda não empurraram o setor adiante, então os desafios para os criadores e editores que buscam novas experiências de leituras são grandes. Portanto não há uma oportunidade real para os leitores e nem como julgar se esse mercado seria comercialmente viável.

Por David Wilk | Digital Book World | 24/10/2013

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

Uma boa notícia para os amantes dos livros eletrônicos. A Fliporto promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site http://www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em nove módulos, a oficina contará com aulas intensas e laboratórios para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui os temas, o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou Construindo uma biblioteca digital, e em 2010 lançou O livro na era digital. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Apple e Amazon ganham nova concorrente na Austrália


Big W inaugura livraria online com 300 mil títulos

Em julho, o site americano de e-commerce Overstock travou uma guerra de preços com a Amazon, declarando que ia bater sistematicamente os preços da varejista de Seattle. No Japão, o CEO da Rakuten, Hiroshi Mikitani, nem esconde a missão da empresa de derrubar a Amazon por lá. Agora, a australiana Big W está chamando atenção por visar gigantes do varejo como Amazon e iTunes. A Big W inaugurou sua livraria online, querendo oferecer “um pouco de concorrência ‘da casa’ para Amazon, iTunes e similares”.  Com uma derrota judicial da Apple nos Estados Unidos, novos empreendimentos digitais na Europa e concorrentes ao redor do mundo, seria o começo do fim do oligopólio digital?

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 01/10/2013

Global eBook Report: Novas tendências do mercado digital mundial


Foi lançado hoje o Global eBook Report, relatório compilado pelo consultor austríaco Rüdiger Wischenbart, que reúne dados e tendências do livro digital no mundo inteiro. “O Global eBook report é um dos relatórios mais completos sobre o status do mercado de livros eletrônicos no mundo. Além do capítulo do Brasil, há dados estatísticos completos e atualizados não apenas de grandes mercados, como EUA e Inglaterra, mas também de países como Hungria, Índia, China e Suécia. Ou seja, é uma ótima maneira de se ter uma visão panorâmica dos e-books no mundo,” comenta Carlo Carrenho do PublishNews.

Não é novidade que o livro digital veio para ficar. Uma das inquietações dos profissionais da indústria, porém, era a diminuição da receita das editoras por causa do livro digital, pois ao substituir parte do livro impresso por livros digitais mais baratos, a tendência do lucro seria cair. Wischenbart destacou porém que, pela primeira vez, as receitas da venda de e-books compensou o declínio geral das vendas de livros impressos no Reino Unido.

Além disso, o relatório mostra que, após o boom inicial, o mercado digital está entrando em uma nova fase nos EUA e Europa. Wischenbart explica que hoje “vemos novos empreendimentos, startups e plataformas lançadas por consórcios, como é o caso da Telefonica e Planeta/Circulo na Espanha, ou do Tolino na Alemanha, o que mostra que essa nova fase de transformação digital agrega valor à cadeia inteira, não se trata apenas de novos formatos de livros”. Mas, segundo o consultor, o mercado ainda é marcado por grandes conflitos entre alguns players mundiais – em particular Amazon e Apple – e iniciativas locais.

No caso brasileiro, o relatório ressalta as ações do governo liderando o caminho da transição para o digital, que Wischenbart compara a ações similares na Índia e Coreia.

Leitura essencial para profissionais do mercado, o relatório pode ser baixado no site http://www.global-ebook.com/

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 01/10/2013

Tendências digitais


Nos dois países onde os e-books já correspondem a pelo menos 20% do total de vendas do mercado editorial, EUA e Reino Unido, o crescimento do segmento tende à estagnação, enquanto localidades como França, Espanha e Alemanha, nas quais os digitais beiram os 5%, crescem em ritmo similar ao dos países de língua inglesa nos últimos anos. Essa é uma das constatações da pesquisa Global eBook, que será divulgada mundialmente na terça. O relatório foi feito em parceria com publicações internacionais sobre o mercado editorial (no Brasil, o parceiro foi o Publishnews) e estará disponível de graça no mês de outubro no site global-ebook.com.

// NETFLIX DOS LIVROS

Para o austríaco Ruediger Wischenbart, coordenador da pesquisa, um dos destaques do ano foi o crescimento de serviços de assinaturas de livros digitais por mês, similares ao Netflix (de filmes) e ao Spotify (de música), “dando pista clara de que esse é o próximo passo na transformação da cadeia do livro“.

A espanhola Telefônica anunciou anteontem a estreia do Nubico, pelo qual, mediante mensalidade de 8,99 euros (R$ 27), o usuário tem acesso a 3.000 títulos.

Outros serviços similares, o Oyster e o Scribd, ganharão em breve a adesão da HarperCollins, uma das maiores editoras do mundo, que colocará 1.400 títulos na primeira plataforma e 10 mil na segunda.

// NOVA FASE

As negociações com a Amazon foram as mais demoradas, mas as 33 editoras que distribuem e-books pela Digitaliza poderão, até o final do ano, vender pela loja. Dez delas, incluindo a Aleph, a Escrituras, a Matrix e a Vermelho Marinho, já terão títulos disponíveis no mês que vem.

Um motivo para a demora –as conversas com outras lojas, como a Apple e a Saraiva, foram concluídas há meses– foi que o grupo assinou a nova versão do contrato da Amazon, que trata também da venda de livros físicos, prevista para 2014. Editores dizem que tiveram de ceder mais do que gostariam, mas que “não dava para ficar de fora”.

Por Raquel Cozer [raquel.cozer@grupofolha.com.br] | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 28/09/2013

O crescimento orgânica do mercado digital nos países em Desenvolvimento


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Eu estudo publicação eletrônica em países em desenvolvimento desde 2009, quando Ramy Habeeb (Egito), Arthur Attwell (África do Sul) e eu montamos a Digital Minds Network, para trocar dados informalmente. Como editores digitais no Sul Global, não sentíamos que os modelos de negócios dos EUA e da Europa se encaixavam nas nossas necessidades. Então, em 2011, a International Alliance of Independent Publishers e o Prince Claus Fund me pediram para fazer um estudo detalhado do fenômeno digital na América Latina, África, Mundo Árabe, Rússia, Índia e China. Desde então, continuo a monitorar a publicação digital no mundo em desenvolvimento.

É difícil gerar números sobre a penetração do e-book nestas regiões, por várias razões. As estatísticas nacionais tendem a ser instáveis – é difícil criar um catálogo de livros impressos no Mundo Árabe, por exemplo. Além disso, a ideia de penetração de e-books no setor editorial em geral é relevante para regiões como os EUA e a Europa, mas é muito menos importante para os mercados em desenvolvimento.

Na verdade, quando a tecnologia digital explodiu, o Ocidente já tinha uma “indústria Gutenberg” bem integrada, e o e-book foi visto como uma extensão ou migração do livro impresso: então, havia “livros” e depois “e-books”, “distribuição” e depois “e-distribuição”. É lógico, então, que a experiência pioneira de Michael Hart se chamasse Project Gutenberg e que a Amazon, a atual líder de vendas digitais no Ocidente, começasse como uma livraria online. Na Espanha, para dar um exemplo europeu, a Libranda foi criada pelas maiores editoras impressas.

Desenvolvimento digital orgânico nas economias em desenvolvimento

Nos mercados emergentes, no entanto, as versões eletrônicas nem sempre aparecem como um segundo estágio, às vezes são desenvolvidas diretamente, sem uma história analógica. Numerosos portais de e-publishing no Oriente começaram com videogames, por exemplo – como é o caso da Shanda Cloudary. Na África, livros físicos são considerados e-books impressos – ver a Paperight — que inverte a típica sequência ocidental (1º livros, 2º e-books).  São ecossistemas bem diferentes dos que estamos acostumados.

É por isso que quando falamos de países emergentes, em vez de se referir somente a e-books, faz mais sentido falar em edição digital, incluindo alguns livros para celular, plataformas online, impressão sob demanda e conteúdo educativo digital – além dos e-books, claro. Se olharmos só para e-books, capturamos pouco movimento e arriscamos perder de vista o que é importante: fenômenos significativos acontecendo, que devem ser medidos quantitativamente (números de renovação de estoque, número de publicações) assim como qualitativamente (impacto social, tendências subjacentes).

Os mercados emergentes incorporam modelos internacionais, ao mesmo tempo em que criam modelos próprios – e a variedade é enorme. Na América Latina, algumas das grandes capitais com forte tradição editorial (São Paulo, Buenos Aires) tendem a seguir o padrão típico livro/e-book do Ocidente, mas há outras tendências interessantes, como a proliferação de literatura online – ainda sem um sólido modelo de negócio – ou a infraestrutura do setor público e projetos de conteúdo digital. O Brasil lidera o caminho no campo tecnológico, apesar de que para o resto dos países na América Latina, o fato de terem uma língua em comum – espanhol – representa uma vantagem quando se pensa em iniciativas eletrônicas.

Na Índia, reduzir a lacuna entre o digital e o impresso também é uma política do Estado. Talvez por causa da profusão de idiomas – e, portanto, de caracteres – típica do país, o setor público optou por um tablet, em vez de laptops com teclado analógico. Assim surgiu o Aakash, um dos projetos tecnológicos mais ambiciosos da história mundial. Entregar mais de 220 milhões de tablets para estudantes será uma tarefa desafiadora, mas se a iniciativa for um sucesso, em quatro ou cinco anos, o mercado editorial na Índia será muito diferente do que é agora, e várias empresas e indivíduos já estão criando conteúdo para este aparelho.

China: um centro dinâmico

A China é definitivamente o centro mais dinâmico da publicação digital. A literatura chinesa online está mostrando sinais de extraordinária vitalidade, com portais como Qidian ou Hongxiu— os dois sob a égide da Shanda Literature. Os quase 2 milhões de autores da empresa, 6 milhões de títulos a venda e dezenas de milhões de leitores ativos são outro indicador de que na China a leitura e a escrita digital alcançaram as massas e estão se tornando um negócio sério. O país oferece plataformas importantes, um enorme volume de conteúdo e uma massa de clientes sem igual: para mencionar só um dado estatístico comparativo, há tantos usuários de internet 3G na China hoje quanto habitantes nos Estados Unidos.

Há alguns anos que as grandes empresas ocidentais – Amazon, Apple, Google — encontram certas dificuldades quando se trata de ganhar uma base nestas regiões. Como exemplos: na China, a Amazon capturou ridículos 1 ou 2% do e-commerce doméstico; na Rússia, o líder de buscas online não é Google, mas Yandex, com 62% do mercado; na África subsaariana, a presença da Apple é completamente marginal. Acho que hoje em dia, uma editora estrangeira tem mais chance de vender um e-book na Argentina, por exemplo, através da Bajalibros do que através das lojas internacionais.

A situação sempre pode mudar, mas no presente a estratégia mais razoável para as editoras interessadas em entrar nestes mercados seria: 1) tentar entender a lógica digital do país – principais atores públicos e privados, aparelhos, meios de pagamento, impostos, negócios e tradições culturais e 2) formar uma aliança com os players locais.

Contextos de mudança e evolução

Muitos países em desenvolvimento apresentam contextos econômicos em constante mudança, como câmbio flutuante, inflação, regulamentações inesperadas e outros obstáculos que as editoras norte-americanas e europeias não estão acostumadas. Até países que agora parecem estar estáveis do ponto de vista macroeconômico podem mudar da noite para o dia, como já aconteceu tantas vezes na América Latina, por exemplo. Subestimar estes desafios pode ser fatal. No entanto, uma estratégia equilibrada pode abrir as portas para substanciais mercados digitais, como no setor educacional na Índia e no Brasil. As oportunidades nesta área são enormes.

As lições aprendidas do mercado editorial no mundo em desenvolvimento podem ser lucrativas não só para projetos implementados nestas regiões, mas também para iniciativas realizadas na Europa e nos EUA. Há muitas comunidades multiculturais do Sul Global no Ocidente e algo me diz que se os editores pudessem levar em conta a “gramática digital” que acontece no país de origem, talvez conseguíssemos atingir este público especial de forma mais eficiente – independente de onde estiverem vivendo.

Octavio Kulesz é o diretor da editora Teseo de Buenos Aires e da Alliance-Lab. Ele fará uma palestra naPublishers Launch Frankfurt Conference sobre o tópico de “O que você precisa saber sobre Edição Digital no Mundo em Desenvolvimento” às 13h do dia 8 de outubro, Hall 4.2, Room Dimension na Feira do Livro de Frankfurt.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013 | Artigo publicado originalmente na Publishing Perspectives. Tradução: Marcelo Barbão.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Amazon lança tablets com suporte ao vivo em vídeo


Dispositivos HDX, com tela de alta definição, possuem ‘botão de socorro’

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/amazon-lanca-tablets-com-suporte-ao-vivo-em-video-10134724#ixzz2fvdiHmmw  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP

SEATTLE | A Amazon.com anunciou dois novos tablets de alta definição na terça-feira com um recurso inédito de suporte on-line em vídeo, na esperança de que a novidade venha a dar-lhe uma vantagem sobre os dispositivos das rivais Apple e Google.

Os novos tablets Kindle Fire HDX apresentam o que a Amazon tem chamado de “Botão de Socorro” [Mayday Button], que aciona traz instantaneamente um papo em vídeo com um representante de suporte técnico que pode dizer a um usuário como operar o dispositivo ou até mesmo fazer isso por ele remotamente.

A Amazon disse que o serviço é gratuito para clientes HDX, está disponível em todos os momentos, e tem tempo previsto máximo de resposta de até 15 segundos. Os usuários podem mover a caixa de vídeo na tela a seu bel-prazer e seus rostos não podem ser vistos pelo representante da Amazon.

A maior varejista internet do mundo tem uma abordagem para o mercado de tablet diferente do da a Apple, vendendo de seus dispositivos Kindle a preços baixos e obtendo lucro com a venda de conteúdo digital, como vídeo e música, ou bens físicos, como os livros vendidos em seu site. Desde que a Amazon entrou no então nascente mercado de tablets com o Kindle Fire, em 2011, os dispositivos da empresa têm provado ser eficazes máquinas de venda automática.

Não está claro ainda como o recurso de suporte pessoal instantâneo vai afetar o custo subjacente de apoiar o Kindle.

Este é o tipo de recurso que estamos bem adaptados para oferecer”, disse o presidente-executivo da Amazon, Jeff Bezos, ao mostrar os novos tablets a jornalistas na sede da Amazon em Seattle na terça-feira. “Muitas das coisas que fizemos juntos combinam com trabalho pesado. Esta é uma dessas coisas”.

Por Reuters | 25/09/13, às 9h37 | Publicado originalmente e clipado à partir de O Globo | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Para o escritor Scott Turow, Google e Amazon representam ‘a lenta morte do autor americano’


O best-seller e advogado é o principal convidado da Pauliceia Literária, evento que será realizado em São Paulo entre os dias 19 e 22 de setembro

Scott Turow. O autor já vendeu milhões de cópias no mundo com romances como “Acima de qualquer suspeita” (1987), “O ônus da prova” (1990) e “O inocente” (2010) M. Spencer Green / Agência O Globo

Scott Turow. O autor já vendeu milhões de cópias no mundo com romances como “Acima de qualquer suspeita” (1987), “O ônus da prova” (1990) e “O inocente” (2010) M. Spencer Green / Agência O Globo

RIO | Seus livros falam de mortes, acusações, desconfianças e de toda uma elaborada disputa jurídica. Neles, já foram descritos estupros, suicídios e assassinatos, sempre com detalhes de quem conhece bem tanto a arte da narrativa quanto a aridez das histórias policiais. Mas o assunto que ultimamente mais tem tomado o tempo do escritor e advogado americano Scott Turow é diferente das tramas de seus romances. Trata-se de um crime, sim, mas um em que é mais difícil encontrar provas e identificar culpados. É o que Turow chama de “A lenta morte do autor americano”.

Os suspeitos, apontados por ele num artigo que publicou em abril no jornal “The New York Times”, sobre os efeitos da era digital para os escritores, são Google, Amazon, a pirataria na internet e até as grandes editoras. Desde então, o assunto vem sendo motivo de debate para esse americano de 64 anos. E certamente será um dos temas abordados por ele na Pauliceia Literária, evento que será realizado em São Paulo entre os dias 19 e 22 de setembro e do qual Turow é o principal convidado — ele fala no dia 20, às 19h, na Associação dos Advogados de São Paulo, com mediação de Arthur Dapieve, colunista do GLOBO.

— Eu costumo chamar a Amazon de “O Darth Vader do mundo literário”. Com uma política pesada de descontos e até pagando aos editores um valor mais alto do que o valor de venda dos livros, a Amazon está forçando a saída de seus competidores do negócio — afirma Turow, em entrevista por telefone ao GLOBO, ao exemplificar seus confrontos com algumas práticas do mercado digital. — As livrarias estão fechando, e as que tentam se arriscar nos e-books não conseguem. Para mim, seria natural alguém querer comprar e-books indo até uma livraria, plugando seu celular ou tablet num cabo e escolhendo o seu livro. Mas algo assim não acontece por causa da pressão que a Amazon faz no mercado.

Processo contra o Google

Não à toa, Turow foi eleito em 2010 para a presidência do Sindicato Americano de Autores, o que é extremamente simbólico para um momento de discussão sobre os direitos na internet e os contratos para e-books. Turow não é apenas responsável por celebrados romances jurídicos, como “Acima de qualquer suspeita” (1987) e “O ônus da prova” (1990), ambos publicados no Brasil pela editora Record, mas é também um advogado atuante, sócio de um grande escritório de Chicago. É, portanto, a figura perfeita para dar voz às preocupações de um sindicato que em 2005 entrou com um processo contra o Google para impedir o Library Project, por meio do qual a empresa pretende digitalizar todos os livros do planeta.

— A ação do Sindicato contra o Google parece interminável, o caso já tem oito anos. Quase chegamos a um acordo em certo momento, mas o juiz o rejeitou. Espero que haja um novo julgamento até o fim deste mês. Mas há outros problemas com o Google e outros buscadores. Você encontra neles o caminho para livros piratas, com uma série de links publicitários ao lado. O Google leva o usuário para baixar todos os meus livros ilegalmente e ainda lucra com isso — diz.

No artigo do “New York Times”, Turow disse que “o valor dos direitos autorais está sendo rapidamente depreciado”. Segundo ele, as mudanças no mercado afetariam sobretudo os autores médios, por conta da política das grandes editoras americanas de fixar um limite de 25% no pagamento de royalties aos autores, apesar de o custo com o livro digital ser, em teoria, menor. O autor lembra, ainda, que a Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA entrou com uma ação contras as editoras e contra a Apple por fixarem preços para os e-books.

A Apple foi considerada culpada em julho, e, há uma semana, a Justiça americana determinou que a empresa altere seus contratos com as editoras e seja acompanhada por um auditor externo durante dois anos. Mas a Apple vai apelar.

— Não gostei da decisão da Justiça contra a Apple, acho que ela serviu para favorecer a Amazon — diz Turow. — O que as editoras e a Apple fizeram foi criar uma nova estrutura de preços, que realmente tornou os livros mais caros, mas elas fizeram isso para barrar a política de monopólio da Amazon, que vende os livros baratos artificialmente para tirar os concorrentes do mercado. Quando você vê livrarias que não a Amazon perdendo dinheiro ao vender e-books, é sinal de que existe alguma distorção, e essa distorção não foi criada pela Apple.

Novo romance sai este ano nos EUA

Em paralelo às lutas do sindicato, Turow ainda encontra tempo para advogar e escrever. O caso mais recente em que atuou, ele explica, foi como consultor num processo contra um político eleito que nomeou para um cargo público sua empregada doméstica. Mas há algo novo a caminho, bem mais interessante para seus leitores: já está em pré-venda em lojas como a Amazon (ops!) seu 12º livro, chamado “Identical”. A previsão de lançamento no Brasil, também pela Record, é para o ano que vem, e seu título provisório em português é “Idênticos”.

— O livro se passa em 2008 e vai tratar de dois gêmeos idênticos. Um, Paul, está prestes a concorrer a prefeito, enquanto o outro, Cass, será solto da prisão depois de 25 anos de condenação por assassinar sua namorada. A partir daí levanta-se a suspeita de que Paul também pode ter tido algum envolvimento no crime — explica Turow.

Antes, o último livro lançado por Turow foi “O inocente”, em 2010, uma sequência para “Acima de qualquer suspeita”, sua obra mais conhecida e que foi parar nos cinemas em 1990 sob a direção de Alan J. Pakula, com Harrison Ford como protagonista. Nele, assim como em seus outros romances, “Identical” inclusive, a trama se passa no fictício Condado de Kindle, o universo criado por Turow para desenvolver histórias que misturam densos casos judiciais com as relações pessoais de seus personagens. Tudo inspirado na realidade de um advogado que Turow conhece tão bem.

— Sempre me senti dividido entre o direito e a literatura, mas eu não sou esquizofrênico. Escritores e advogados têm muito em comum — diz. — Eu pratico direito criminal, e os clientes que me procuram podem ser divididos em duas categorias. A primeira é a de inocentes; e a segunda, maior, é de pessoas que fizeram algo errado e estão com medo de serem pegas. O meu trabalho como advogado, então, é parecido com o meu de romancista: tentar entender as motivações de um cliente ou de um personagem.

Por André Miranda | O Globo | 11/09/2013 | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Juíza bate o martelo: o novo cenário da publicação digital


A juíza Denise Cote alterou a paisagem do varejo de e-books nos Estados Unidos para os próximos cinco anos. Ela assinou na última semana a ordem que descreve a punição da Apple no caso de conluio com as editoras. Pelos próximos cinco anos, a Apple não poderá fechar nenhuma cláusula de nação mais favorável com nenhuma editora.

Por mais de dois anos, a Apple também não poderá fechar nenhum contrato no modelo de agência com as cinco editoras envolvidas no caso. Por fim, passará dois anos sendo monitorada de perto para não repetir os erros. A boa notícia para a Apple é que a juíza não regulou as atividades da empresa dentro do aplicativo, o que significa que ela pode ainda cobrar 30% pelas compras feitas dentro do aplicativo e que ela não precisa dar a permissão à Amazon e outras rivais de colocarem links para lojas dentro do aplicativo.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 09/09/2013

Apple inicia novo capítulo na plataforma iBooks


O OS X Mavericks, o novo sistema operacional da Apple, é também o início de um novo capítulo na história do iBooks, a plicativo para eBooks da maçã. Agora, os livros digitais que o leitor já baixou nos dispositivos iPad, iPhone ou iPod touch aparecem automaticamente no iBooks do Mac.

De best-sellers e clássicos da literatura a livros didáticos, é fácil encontrar o que você procura na iBooks Store. Você pode pesquisar por título, autor ou gênero e clicar para ver os detalhes, as críticas ou ler uma amostra grátis.

De best-sellers e clássicos da literatura a livros didáticos, é fácil encontrar o que leitor procura na iBooksStore. O leitor pode pesquisar por título, autor ou gênero e clicar para ver os detalhes, as críticas ou ler uma amostra grátis.

Há mais de 1,8 milhões de livros na iBooksStore para serem baixados. Ler livros no Mac se mostra tão intuitivo quanto em um dispositivo portátil da linha iOS. O leitor vira as páginas deslizando, aumente imagens com um movimento de pinça ou role por todas as páginas.

Quando o leitor compra um livro em seu Mac, o iCloud envia automaticamente para todos os seus dispositivos com iOS. Se o leitor estiver lendo um livro no seu iPad e destacar um texto ou fizer anotações, encontrará tudo do jeito que deixou quando continuar a leitura no seu Mac ou iPhone. O iCloud até lembra em que página parou.

Quando o leitor compra um livro em seu Mac, o iCloud envia automaticamente para todos os seus dispositivos com iOS. Se o leitor estiver lendo um livro no seu iPad e destacar um texto ou fizer anotações, encontrará tudo do jeito que deixou quando continuar a leitura no seu Mac ou iPhone. O iCloud até lembra em que página parou.

Se o leitor estiver estudando, ele pode manter abertos quantos livros quiser enquanto pesquisa com facilidade. Quando o leitor copia uma parte de um livro em um trabalho, o iBooks adiciona a citação. E quando o leitor faz anotações, destaca trechos ou adiciona um marcador no Mac, o iCloud, serviço de armazenamento pessoal, envia tudo automaticamente para todos os seus dispositivos. Assim, o leitor pode ver as anotações no dispositivo que levar para a sala de aula.

Os diagramas, fotos e vídeos interativos dos livros do iBooks ganham vida com os movimentos do seu trackpad Multi-Touch. Suas anotações e destaques são exibidos no painel de Notas.

Os diagramas, fotos e vídeos interativos dos livros do iBooks ganham vida com os movimentos do seu trackpad Multi-Touch. Suas anotações e destaques são exibidos no painel de Notas.

O iCloud até lembra em que página o leitor parou. Então, se o leitor começar a ler no seu iPad, iPhone ou iPod touch, pode continuar no Mac, do ponto onde parou.

O leitor pode deixar abertos quantos livros quiser. Isso é perfeito para estudar, fazer pesquisas ou quando quiser ver mais de um livro ao mesmo tempo.

O leitor pode deixar abertos quantos livros quiser. Isso é perfeito para estudar, fazer pesquisas ou quando quiser ver mais de um livro ao mesmo tempo.

Escritor best-seller luta contra Google, Apple e Amazon


O escritor e advogado Scott Turrow está em guerra. E o inimigo, desta vez, não é nenhum inocente condenado injustamente, e sim as grandes corporações da rede, entre elas Google, Amazon e Apple. Presidente da Author’s Guild, uma associação que reúne cerca de 8.000 escritores nos EUA, Scott quer que as empresas dividam os lucros com quem cria o que elas vendem.

Essas empresas distribuem conteúdo pirateado que outros produzem. E vendem publicidade com essa distribuição, enquanto escritores e editores não ganham nada“, reclama ele, que luta para que os gigantes da internet paguem direitos autorais a escritores.

Admitindo que não nega “por um segundo” que a internet melhorou imensamente a vida cotidiana de muita gente, ele diz que o sucesso dessas empresas não pode ser feito passando os outros para trás. “Sou a favor do preço baixo para os livros, o que estimula a leitura, mas quero a divisão dos lucros.

Scott Turrow luta contra Google, Amazon e Apple por direitos autorais dos escritores

Scott Turrow luta contra Google, Amazon e Apple por direitos autorais dos escritores

Os nove romances de Scott Turow, 64, venderam mais de 25 milhões de exemplares até hoje. Seus livros são dramas de tribunais, gênero que reinventou e levou para Hollywood “”como “Acima de Qualquer Suspeita” [que virou filme com Harrison Ford em 1990], “O Ônus da Prova” e “Ofensas Pessoais”.

Ele deixa claro que não compra as brigas com as grandes empresas da internet por causa própria. “Essa crise não atinge tanto autores best-sellers, como eu, que têm poder de negociar, mas faz com que muitos novatos ou escritores menos conhecidos percam seu meio de sustento.

Scott perdeu uma dessas batalhas, recentemente, quando a Suprema Corte americana permitiu a importação e revenda de edições internacionais de livros de autores americanos “”em geral mais baratas e pelas quais, diz ele, os escritores quase nunca recebem.

Sites como Yahoo! e Bing também não são perdoados pelo autor. “Se você procurar livros digitais grátis do Scott Turow nesses sites, virão várias páginas promovendo material pirateado. Com anúncios ao lado, pagos para esses sites, que não trabalham de graça.

Scott terá um descanso das brigas, em breve e no Brasil. Ele participa da primeira edição do evento Pauliceia Literária, da Associação dos Advogados de São Paulo, entre 19 e 22 de setembro, que vai abordar a relação do direito com a literatura. O festival ainda terá o escritor português Valter Hugo Mãe e o mexicano Juan Pablo Villalobos.

IGUALZINHO AOS EUA

Sou fascinado pelo Brasil, é parecido com os EUA, do tamanho às riquezas naturais, da história à escravidão“, diz

Às vésperas de lançar seu décimo romance nos EUA, “Idênticos” [sai em março no Brasil, pela Record], ele não esconde a empolgação em conhecer Fernando de Noronha. Sua terceira viagem ao país terá dias de descanso, entre Bahia, Rio e Pernambuco.

Ele lembra com gosto de sua visita a uma livraria paulistana, em uma sexta-feira à noite, em 2011, “onde mal dava para circular de tanta gente”. O país tinha mudado muito desde sua primeira visita, em 2003. “Acompanho o Brasil com grande interesse.”

O autor justifica porque, mesmo sendo um campeão de vendas há muitos anos, nunca deixou de trabalhar como advogado em um grande escritório. “Não é só por fonte de inspiração literária, não. Ser advogado me ensina muito. Me faz ter tantas experiências de vida que evitei qualquer tentação de virar escritor 100% do tempo.

Mas ele anda melancólico com a profissão, o que ficou explícito no último romance, “O Inocente”, de 2010 [Ed. Record], continuação de seu livro de maior sucesso, “Acima de Qualquer Suspeita”. “Houve diversas mudanças no direito nesses últimos 25 anos e há uma comercialização excessiva do dia a dia, cada vez mais dependente de interesses corporativos.

Scott, que tem trabalhado pro bono “”sem cobrar honorários”” em diversos casos recentes, dá o exemplo de um advogado de um grande escritório de sua cidade, Chicago, que ganhou quase R$ 20 milhões no ano passado. “Já sei que serei odiado pelos colegas por dizer isso, mas me pergunto o que faz um advogado para receber tanto dinheiro.

Para ele, a profissão está em crise nos EUA, tornando-se cada vez mais desigual. “As faculdades de direito ganham muito dinheiro e despejam no mercado milhares de recém-formados, que não acham emprego. Os portões da profissão deveriam estar mais fechados“, argumenta. “Há os advogados de elite que ganham milhões e uma maioria trabalhando por muito pouco.

Scott também discute como os julgamentos nos Estados Unidos viraram uma espécie de reality show. “Uma câmera muda o comportamento de todo mundo: do juiz, das testemunhas, dos advogados. Mas é permitido pela lei, para que atinjam uma audiência maior“, diz. “A Suprema Corte não permite. Os juízes de lá não se deixaram virar personalidades televisivas.

Por Raul Juste Lores | Folha de S. Paulo | 25/08/2013

Kobo apoia proposta do DOJ contra a Apple


Em carta apresentada na última quinta-feira à corte americana, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) rejeitou as objeções das editoras, que afirmaram que a proposta do DOJ de punição da Apple mudaria o acordo das editoras com a Justiça, e reforçou o argumento de que a Apple não é apenas uma varejista parceira das editoras, é também co-conspiradora […] Enquanto isso, o DOJ recebeu apoio em forma de nota amicus da Kobo e da Federação de Consumidores dos EUA. O apoio da Kobo coloca a empresa canadense em desacordo com seu parceiro no varejo – a Associação dos livreiros (ABA). Na nota, a Kobo afirma que a proposta do DOJ ajudaria a Kobo e as livrarias independentes – especialmente através do dispositivo que requer que a Apple permita que os livreiros liguem os aplicativos às suas próprias e-bookstores, por dois anos, sem pagar comissão à Apple pelas vendas.

Por Andrew Albanese | Publishing Perspectives | 12/08/2013

Vinícius de Moraes ganha obra completa em eBook


E-books serão vendidos nas livrarias virtuais Kobo/Cultura, Amazon, Saraiva e Apple

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes

Cem anos atrás, o recém chegado ao mundo Vinícius de Moraes talvez nunca fosse imaginar toda sua obra em formato de livro eletrônico. Mas em outubro, mês em que se comemora o centenário do escritor, a editora Companhia das Letras vai lançar toda sua obra em e-book. Serão ao todo 12 títulos do autor de uma vez, e 2 e-books pelo selo Breve Companhia, com seleções organizadas por tema. Inicialmente os e-books serão  apenas texto, mas depois poderão agregar outros elementos, como música, vídeos etc.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 08/08/2013

eBooks da Reader’s Digest Brasil chegam às lojas digitais


Editora lança 20 títulos inéditos na Amazon, Apple, Google, Kobo e Xeriph

Reader's Digest BrasilA editora Reader’s Digest Brasil (Seleções) acaba de firmar parceria com lojas de e-books para a venda de mais de 20 títulos exclusivos. Amazon, Apple, Google, Kobo e Xeriph passam a comercializar e-books inéditos, baseados nos livros da Readers Digest de maior sucesso de vendas no Brasil. Em nota, Claudia Bastos, gerente de marketing da Reader’s Digest Brasil, afirma que os e-books “foram escolhidos de acordo com os assuntos de maior interesse dos clientes e leitores de Seleções, levando em conta temas ainda não explorados no mercado de e-books brasileiro”. Dependendo do desempenho dos títulos mais vendidos nesses primeiros meses, a Seleções desenvolverá novos e-books. Os preços variam entre R$ 2,90 e R$ 14,90.

PublishNews – 08/08/2013

Departamento de Justiça americano quer punir Apple


Departamento de Justiça americano quer punir Apple ainda mais. Apple chama propostas de ‘draconianas’

A juíza Denise Cote julgou em julho que a Apple é culpada de conluio no caso de precificação de e-books. Agora, o Departamento de Justiça americano (DOJ) quer que ela imponha sanções rígidas à empresa e a mantenha sob supervisão do governo pelos próximos anos. Na última sexta-feira (02/08), o DOJ colocou o pedido para que a juíza obrigue a Apple a acabar com o modelo de agenciamento pelos próximos cinco anos, não só com as editoras, mas com todos os fornecedores do iTunes, que passariam a vender conteúdo (música, vídeo, programas de TV etc.) através da app store sem pagar a taxa de 30% à Apple.

Se Cote acatar a proposta, ela estaria basicamente descartando o acordo que fechou com as editoras Hachette, HarperCollins, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin. O argumento do DOJ toca justamente neste ponto: ele defende que, após o fim do acordo com a Justiça, em dois anos, as editoras da Defesa voltarão a negociar contratos de e-books como antes. Segundo o site Publishers Lunch, o DOJ ressaltou em seu argumento a opinião de que “vários CEOs das editoras da Defesa deram testemunhos não críveis em apoio à Apple”, e destacou ainda o CEO da Macmillam, John Sargent, que declarou “estar até mesmo orgulhoso das suas ações, não só na época como ainda hoje também.” Para o DOJ, o fato da conduta ilegal da Apple ter sido conduzida nos níveis mais altos da direção mostra uma vontade da empresa de adotar práticas de fixação de preços ilegais.

A Apple não demorou a se manifestar. Ainda na sexta-feira, à tarde, ela respondeu dizendo que as propostas do DOJ eram “uma intrusão draconiana e punitiva nos negócios da Apple, loucamente fora de proporção de qualquer mal ou prejuízo potencial julgado”. A Apple acredita que a observância do Governo seria aplicada somente à empresa e ultrapassaria “as questões julgadas no caso, ferindo a competição e consumidores e violando princípios básicos de justiça e processo legal”. Como o fantasma da gigante varejista de Seattle está sempre por perto, a Apple aproveitou para cutucar e dizer que, caso as medidas fossem adotadas e a empresa prejudicada, a “Amazon poderia usar seu poder de mercado para conseguir termos mais favoráveis que a Apple seria capaz” nos e-books. De um modo geral, a Apple defende que a sua conduta unilateral (ou seja, se não houvesse tido participação das editoras) nunca foi o problema em si, portando as imposições abrangentes não fazem sentido.

Por enquanto não houve manifestação por parte da Juíza Denise Cote, mas sua tendência favorável ao DOJ pode vir a mudar drasticamente a indústria da venda de conteúdo na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 05/08/2013

Estimada em 0,29 por cento a participação de eBooks no mercado brasileiro em 2012


Por Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 01/08/2013

A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro referente a 2012 e divulgada esta semana pela Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros traz dados interessantes sobre o incipiente mercado do livro digital brasileiro no ano passado. É a segunda vez que a pesquisa coleta dados do mercado de eBooks, mas em 2011 o mercado era tão infinitesimal que os números não diziam muita coisa. Além disso, nesta nova pesquisa, mais dados foram coletados como, por exemplo, o número de e-books vendidos.

[Para saber mais sobre o desempenho dos livros físico no mercado brasileiro em 2012, leia as matérias “Indústria editorial tem pior queda de faturamento desde 2002” e “Segmento de Obras Gerais apresenta crescimento real em 2012” noPublishNews.]

Mas vamos aos dados. Segundo o estudo, as 197 editoras pesquisadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas [FIPE] faturaram R$ 3,85 milhões em vendas de e-books e aplicativos de conteúdo em 2012. Em número de “exemplares” vendidos, a pesquisa aponta que foram vendidos 235.315 unidades. Antes de continuarmos, uma ressalva: como não há séries histórica dos livros digitais, os pesquisadores da FIPE não se aventuraram a extrapolar a amostra e inferir números relativos ao universo, i.e. ao mercado inteiro, como fazem com os dados de livros físicos. Portanto, estes números são exatamente o que foi apurado na amostra.

Abaixo os gráficos de faturamento e unidades vendidas com as divisões por subsetor da indústria:

Número de exemplares vendidos

Número de exemplares vendidos

Faturamento

Faturamento

Se comparado com os números de 2011, o crescimento do faturamento foi de 343,44%, uma vez que a pesquisa apontou um faturamento de R$ 868 mil em 2011. Na prática, este número pouco significa, pois o mercado era tão ínfimo em 2011 e a pesquisa digital tão nova, que os números deste ano devem ser vistos sempre com um certo ceticismo, apesar do esforço da FIPE.

A primeira coisa que quis fazer ao receber a pesquisa foi comparar seus achados com a estimativa que fiz no post “E-books responderão por 2,63% do mercado em 2013” para o mercado em 2012. Chamar de estimativa talvez seja até um exagero, pois eu tinha pouquíssimos dados. Eram apenas declarações de um dos diretores da distribuidora DLD publicadas em O Estado de S.Paulo pela competente jornalista Maria Fernanda Rodrigues. Ainda assim, arrisquei calcular uma curva de crescimento e apontar que no ano passado as vendas de unidades de e-books ficaram em 632.546 e equivaleram a 0,47% das vendas de livros nos setores de CTP e Obras Gerais [Trade]. Na época, optei por considerar a soma destes dois segmentos como base e tive que usar os números de 2011 para estimar seu tamanho, pois os dados de 2012 não estavam disponíveis. “No caso do mercado digital, não faria sentido considerar nem didáticos e nem religiosos, cuja participação ainda é irrelevante. Já CTP é um setor que já começa a encontrar representatividade, até porque a Editora Saraiva possui o maior catálogo digital no Brasil”, explico no post.

E como fica este número se utilizarmos os dados da pesquisa CBL/SNEL de 2012? O total de e-books vendidos dos segmentos CTP e Obras Gerais pelas 197 editoras pesquisadas em 2012 foi  179.375. E o total de exemplares físicos vendidos pelo setor foi de 144.400.213. O problema é que não podemos comparar o total físico, extrapolado, com o total digital, que é apenas uma amostra. Não existe nenhuma saída muito digna aqui. A solução menos pior seria utilizar a participação da amostra da pesquisa no universo de livros físicos para se inferir o mercado. Tal participação é de 54% e o resultado inferido seria de 332.176 exemplares. Tal número de exemplares vendidos significaria então uma participação digital de 0,23% em 2012.

Acredito que este número esteja de fato mais próximo da realidade de 2012. E digo isso baseado em outros números aos quais tive acesso ao longo do ano depois de publicar aquele post em janeiro. Basicamente, ao calcular a curva de vendas, limitado pelos poucos dados à disposição, eu considerei um crescimento mais constante ao longo dos meses, quando na verdade o crescimento de vendas deu grandes saltos em outubro [com a entrada da Apple no mercado] e em dezembro [com a entrada de Kobo, Amazon e Google], fazendo com que a curva ficasse em uma posição inferior e que a quantidade vendida em 2012 fosse quase 50% menor.

Aqui está a curva original, calculada em janeiro de 2012:

Vendas de e-books no Brasil

Vendas de e-books no Brasil

E aqui está uma curva reajustada e mais compatível com os dados da CBL e com números aos quais tive acesso recentemente:

Resta saber como fica então minha previsão de que terminamos 2013 com 2,63% de participação dos e-books no total dos livros vendidos nos segmentos de CTP e Obras Gerais. E apesar deste reajuste que tive que fazer para 2012, os dados que tenho tido acesso ao longo dos últimos meses têm confirmado minha previsão e não há razão para rever este número por enquanto. Continuo apostando que terminamos o ano com mais de 3 milhões de e-books vendidos. E, sim, isto é quase 10 vezes mais que as vendas do ano passado.

No exterior, as estatísticas publicadas de participação do mercado do digital via de regra se referem ao faturamento – não unidades vendidas – do segmento de obras gerais [trade]. E os números da CBL/SNEL deste ano permitem um cálculo com as mesmas premissas. Segundo o estudo, as 197 editoras pesquisadas faturaram R$ 1,8 milhão em e-books no ano passado no segmento de Obras Gerais. Se usarmos a relação amostra/universo para inferirmos o mercado total [e eu sei que estou usando uma bela licença poético-estatística aqui; sorry FIPE] chegamos a uma venda de R$ 3,35 milhões, o que equivaleria a 0,29% do faturamento total do segmento de Obras Gerais. Algo ainda muito longe das participações acima de 25% nos EUA e por volta de 12% no Reino Unido.

Mas vale lembrar que a brincadeira por aqui só começou de verdade em outubro, quando a Apple começou a vender livros digitais brasileiros, e só ganhou força máxima no Dia D, 5 de dezembro de 2012, quando Amazon, Google e Kobo chegaram juntas ao Brasil.

Finalmente, uma última observação. O preço médio do livro digital de Obras Gerais em 2012 foi de R$ 13,90, em valores recebidos pelas editoras. No mercado físico, sem vendas para o governo, o preço médio foi de R$ 8,94. Se considerarmos descontos médios praticados pelas editoras de 50% no físico e 40% no digital, podemos inferir que os preços médios de capa digitais e físicos ao consumidor sejam, respectivamente, R$ 23,17 e R$ 17,88. Ainda que os valores de preço médio não possam ser usados como índice de preços, uma vez que o próprio livro médio varia em formato e tamanho de ano para ano e nos segmentos físico e digital, chama a atenção o preço médio superior das edições digitais. Estes dados merecem um estudo mais aprofundado.

Por Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 01/08/2013

Associação das Editoras Americanas adota plano ambicioso para adoção em massa do ePub3


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

O plano, ambicioso, também inclui obter um amplo suporte  entre os vendedores em até seis meses.

Certamente a adoção de um padrão comum, para algo complexo como um livro digital, não é tarefa fácil. Quando o assunto é ePub3, existem vários motivos para os sistemas de leitura [leia-se: os grandes vendedores de ebooks] ainda não aceitarem o formato de forma uniforme. Até agora, a Apple é a livraria que oferece mais suporte. Há previsão de que até o final do ano, a Apple ganhará a companhia de Kobo e Google na arena do ePub3.

Um cenário com mais harmonia, padronização na aceitação do ePub3, tornaria o trabalho e a produção de ebooks avançados bem mais simples, e mais barato, para as editoras. Com isto em mente, a AAP [Association of American Publishers] convidou os maiores vendedores e editoras para participar da sua nova iniciativa, uma série de encontros para esquematizar a adoção do EPUB3. Chamado de “Projeto de Implementação do ePub3?, o objetivo é avançar rapidamente uma harmonização no uso do formato por editoras e vendedores. A informação é do Digital Book World.

A meta da associação é lançar um grande número de títulos em ePub3 no primeiro trimestre de 2014.

A AAP afirma que as editoras americanas estão trabalhando juntamente com “vendedores, distribuidores de conteúdo digital, fabricantes, provedores de sistemas de leitura, especialistas em tecnologia e organização de padrões”. Mas a entidade não comenta ainda quais editoras e vendedores decidiram participar até agora. A entidade afirma estar convidando todos os integrantes do mercado para sentar à mesa.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

Die Zeit leva sua reputação para os eBooks


DIe ZeitJornal alemão lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais

O jornal alemão Die Zeit resiste à fórmula dos textos curtos e rasos, tão frequentemente adotada pelos jornais que veem sua sobrevivência ameaçada na era digital. O semanário, tido como o melhor da Europa, continua publicando textos longos e analíticos que continuam lhe garantindo ótima reputação e também crescimento – sua receita cresceu 2% em 2012 e alcançou € 154 milhões, a maior desde a criação do jornal em 1946. Foi com certa naturalidade então que o Zeit aderiu à onda de outros veículos da imprensa internacional [no Brasil temos o caso do jornal O Globo] e lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais, que têm entre 50 e 150 páginas e reúnem textos já produzidos pelo Zeit. Segundo Sandra Kreft, responsável pelas revistas e novos negócios do grupo, os e-books foram pensados para atender os leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos.

PublishNews: Por que o Die Zeit lançou e-books?
Sandra Kreft: O Zeit é uma empresa de mídia atenta aos novos desenvolvimentos dos meios de comunicação e do comportamento do leitor. Quando os e-books começaram a crescer na Alemanha, em 2011, começamos a olhar para essa área de negócio. Há leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos e essa lacuna nós preenchemos com nossos e-books, que abordam temas atuais que mexem com a sociedade. Quando um tema novo se torna relevante, podemos reagir rapidamente e produzir um e-book que apresenta o que há de mais importante sobre o tema. Queremos levar as competências do Zeit – jornalismo de qualidade e diversidade temática –para o digital.

PN: Como vocês elegem os temas dos e-books e quais públicos buscam alcançar com eles?
SK: A partir de uma grande base de assinantes e das experiências que havíamos reunido com nossos outros produtos digitais, pudemos de antemão analisar muito bem os grupos que se interessariam pelos e-books. Agora, depois do início da operação e graças à nossa loja digital própria, estamos descobrindo algo mais sobre nossos clientes todos os dias. Os assinantes são um público importante, porque confiam na marca Die Zeit e estão abertos a nossos novos produtos. Mas por meio de outras plataformas de vendas – Amazon, Apple, Google, Weltbild, Hugendubel e Kobo –, alcançamos também outros clientes que não são leitores regulares do Zeit.

PN: Qual o processo de produção dos e-books dentro do jornal?
SK: Em geral os e-books consistem em textos publicados anteriormente no Zeit ou nas revistas do grupo. Com a reunião dos textos, que antes haviam sido publicados separadamente, os leitores têm no e-book uma obra compacta, que lhes dá um panorama com as informações mais importantes sobre o tema escolhido. Para o futuro é possível que textos inéditos sejam escritos para os e-books. Trabalhamos junto com a redação, que nos ajuda na escolha dos textos e na estruturação dos livros. Então todo o material é revisado e, quando necessário, atualizado.

PN: Se os e-books são a reunião de textos já publicados, o leitor se dispõe a pagar? Por que ele simplesmente não buscaria os textos gratuitamente no site do jornal?
SK: O valor para o leitor está justamente na seleção e reunião dos textos relevantes sobre um tema especifico. Assim ele economiza o tempo e o esforço de procurar os artigos no site. Ele também pode ler o e-book em qualquer momento e em qualquer lugar, mesmo sem conexão à internet. Além disso, nem todos os textos que saem no Zeit estão disponíveis no zeit.de. Alguns e-books foram feitos com conteúdo exclusivo, um deles é o Vorsicht, gute Nachrichten! [“Cuidado, boas notícias!”], que contém o resultado de uma pesquisa conduzida pelo Zeit que ainda não havia sido publicada.

PN: Quais critérios vocês usam para estabelecer os preços? [Eles variam entre € 1,99 e 4,99]
SK: Nossos e-books mais curtos, cada um com três reportagens sobre um assunto, têm cerca de 50 páginas cada. Já os mais extensos têm cerca de 150 páginas, três vezes mais. O tamanho é um critério importante para compor o preço, mas também contam a exclusividade da informação e o valor percebido pelo leitor.

PN: Quais os resultados das vendas até agora e quais são as metas para a coleção?
SK: A nova coleção de e-books foi lançada há um mês e foi muito bem recebida. As vendas na nossa loja própria, as quais podemos analisar constantemente, evoluem de forma bem positiva. Estamos muito satisfeitos. Para o primeiro ano, não temos uma meta de vendas, já que queremos usar este tempo como fase piloto para experimentar e aprimorar. Nosso objetivo é publicar regularmente, a cada um ou dois meses, novos títulos de temas variados. Até o fim do ano queremos lançar 25 e-books.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente e clipado à partir de PublishNews | 23/07/2013

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Decisão sobre livros eletrônicos confere vantagem à Amazon


Jeff Bezos, fundador da Amazon, adora desordenar mercados. Nesse aspecto, ele deve estar tendo um verão maravilhoso. O negócio dos livros, que costumava viver no passado quase como se fosse um ramo do comércio de antiguidades, está aberto a disputas.

Uma juíza federal decidiu na quarta-feira que a Apple se envolveu em um conluio ilegal com cinco ou seis das maiores editoras norte-americanas a fim de aumentar os preços no incipiente mercado de livros eletrônicos.

A decisão foi tomada dois dias depois que da renúncia do presidente-executivo da Barnes & Noble. A empresa anunciou que não pretende substituí-lo, o que sinaliza que a maior cadeia de livrarias físicas dos Estados Unidos pode ser imediatamente dissolvida.

O veredicto no caso da Apple podia parecer inevitável, e a juíza já havia indicado previamente qual seria sua decisão, mas ainda assim enfatiza de forma clara até que ponto as companhias convencionais do setor de livros foram completamente deslocadas.

Apenas a Amazon, liderada por Bezos, parece ter um plano. E ele o está executando com uma competência que enfurece os concorrentes e recompensa seus acionistas.

Vivemos um momento no qual o poder cultural está sendo transferido ao controle de novas forças“, diz Joe Esposito, consultor editorial. “Deus não permita que o governo dite a nossos empreendedores o que fazer, mas temos uma questão de política social aqui. Não queremos que as empresas se tornem um buraco negro que absorve toda luz exceto a delas“.

IMPACTO

O caso da Apple, aberto pelo Departamento da Justiça, terá pouco impacto imediato sobre a venda de livros. As editoras haviam aceitado um acordo quanto à queixa há tempo considerável, protestando que nada haviam feito de errado, mas afirmando que não tinham condição financeira de enfrentar o governo.

Mas deve demorar bastante para que elas voltem a tentar tomar controle de seu destino com tamanha audácia. Atrair a atenção do governo uma vez causou problemas suficientes; fazê-lo duas vezes poderia resultar em um desastre.

O Departamento da Justiça involuntariamente causou consolidação ainda maior nesse setor em um momento no qual consolidação não é necessariamente uma boa pedida“, disse Mark Coker, presidente-executivo da Smashwords, uma distribuidora de livros eletrônicos.

Se você deseja um ecossistema vibrante com múltiplas editoras, múltiplos métodos de publicação e múltiplos varejistas de sucesso, dentro de cinco, 20 ou 50 anos, o acontecido esta semana representa um passo atrás“.

GANHADORA

Algumas pessoas no setor editorial suspeitam que a Amazon tenha estimulado o governo a iniciar o processo. A companhia nega, mas ainda assim emergiu como maior ganhadora.

Enquanto a Apple será punida – a indenização ainda não foi decidida – e as editoras saíram chamuscadas, a Amazon fica livre para exercer seu domínio sobre os livros eletrônicos e para continuar a ganhar participação de mercado nos livros físicos. A companhia de varejo eletrônico se recusou a comentar, na quarta-feira.

A Amazon não está na maioria das manchetes, mas todos os grandes acontecimentos no mundo dos livros envolvem a Amazon“, disse Paul Aiken, diretor executivo da Authors Guild, uma união de escritores.

Se houve conluio das editoras, o objetivo era contestar o domínio da Amazon. Os problemas da Barnes & Noble talvez derivem do erro da empresa quanto ao tablet Nook, da mesma forma que a falência da Borders pode ter sido acelerada por erros de gestão, mas a posição precária da empresa é a mesma de qualquer varejista que pague aluguel e tenha de enfrentar um concorrente virtual dotado de amplos recursos financeiros“.

Os executivos da Amazon não gostam muito de debate público, mas argumentam que desordenar os mercados terminará resultando em mais dinheiro para mais autores e em oferecer mais livros de forma mais ampla a um público maior, e a preços mais baixos. Como discutir contra isso?

Esse modo de ver as coisas, porém, não parecia confiável a muita gente, na quarta-feira.

Os detratores da Amazon argumentam que a empresa não é uma organização sem fins lucrativos ou uma entidade pública, mas uma companhia que compete vigorosamente e cujos investidores esperam faturar muito dinheiro em breve.

Aiken diz que “as armas do Departamento da Justiça parecem estar apontadas na direção errada“.

BARNES & NOBLE

Mas a preocupação mais premente do setor é o destino da Barnes & Noble. Quando a Borders fechou as portas, dois anos atrás, analistas afirmaram que o fechamento de suas 400 lojas havia trazido uma consequência inesperada: o ritmo de crescimento dos livros eletrônicos começou a cair, porque os leitores não podiam mais examinar os novos títulos nas lojas da Borders antes de pedi-los na Amazon.

Os livros eletrônicos, em outras palavras, não eram uma tecnologia mágica que permitiria eliminar toda a infraestrutura existente no mercado editorial. Precisavam do ecossistema existente.

Se todas essas redes de livrarias operadas por grandes empresas desaparecerem, subitamente haverá muito menos espaço dedicado a exibir grande número de títulos“, disse J. B. Dickey, proprietário da Seattle Mystery Bookshop.

Provavelmente veremos queda continuada nas tiragens, talvez um número menor de títulos publicados, e as grandes editoras de Nova York se limitarão aos best sellers conhecidos. O que significa que mais autores novatos e de vendas médias terão dificuldade para ficar em catálogo e mais escritores terão de bancar a publicação de seus livros em papel – ou mais provavelmente lançarão seus trabalhos como livros eletrônicos“.

Tudo isso parece sombrio. Talvez o único consolo para aqueles que temem o poder da Amazon é o conhecimento de que todas as companhias um dia chegam a um pico de crescimento que não poderão exceder, por mais improvável que isso pareça durante sua ascensão.

Esposito lembra que 30 anos atrás foi publicado um livro chamado “The Media Monopoly”, que expressava preocupação sobre o poder excessivo da cadeia de jornais Gannett e das três grandes redes de TV norte-americanas.

É um livro que parece muito datado, hoje“, diz Esposito.

POR DAVID STREITFELD, DO “NEW YORK TIMES” | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 11/07/13 | Tradução de Paulo Migliacci

Segundo juíza, Apple manipulou preços dos eBooks


AppleA juíza americana Denise Cote decidiu que a Apple conspirou para aumentar o preço de varejo dos e-books. O veredito, divulgado hoje [10/07], estabelece que “os promotores mostraram que as editoras da Defesa conspiraram entre si para eliminar competição nos preços de mercado, com o objetivo de aumentar os preços dos e-books, e que a Apple teve um papel central na facilitação e execução dessa conspiração.” […] A juíza continou: “Para que as editoras controlassem os preços dos e-books e os aumentassem acima do valor de US$ 9,99 elas precisariam agir coletivamente; qualquer outra maneira deixaria uma editora vulnerável à retaliação da Amazon. A Apple aproveitou o momento e jogou suas cartas brilhantemente. Aproveitou o medo e frustração das editoras da Defesa em relação à precificação da Amazon, além da oportunidade criada pelo lançamento do iPad no dia 27 de janeiro”.

Por Lisa Campbell e Philip Jones | The Bookseller | 10/07/2013