Recordes digitais


A edição 2014 do Guinness World Records 2014 [Editora Agir, R$ 84,90] está repleto de novos recordes e traz como novidade um app gratuito [para Android e iOS] que permite interagir com o livro em realidade aumentada. Ou seja, dá pra ver os recordiastas em 3D, brincar com as animações e até tirar fotos com elas.

O leitor pode saber como é vista do topo do Monte Everest [em 360°], explorar o mapa mundi com as transformações, ver a maior mosca do mundo em tamanho real, interagir com o maior dinossauro carnívoro do mundo; tudo em 3D, com imagem e som e ainda assistir vídeos inéditos do recorde da motocicleta mais alta, maior robô capaz de andar e muito mais.

Porque enviar textos sem DRM para o Kindle?


POR EDNEI PROCÓPIO

Li, num jornal de Imperatriz, enquanto me preparava para minha palestra sobre eBooks, durante o 10º Salão do Livro da cidade, que a Amazon já está pensando no lançamento do Kindle Fire 2.

E enquanto a gigante do varejo online, a Amazon.com, prepara a segunda edição do tablet cujo navegador, pela tecnologia empregada, é um dos mais eficientes que se tem notícia, fiquei pensando num modo mais simples de como enviar para o hardware alguns artigos e matérias que me aguardavam na fila de espera da leitura.

Encontrei uma pista na última edição da revista Superinteressante, que eu comprei na ida, numa daquelas revistarias de aeroporto.

Aqui vai, portanto, uma dica de como enviar textos, sem DRM, para ler no seu Kindle. Tablets como o Kindle Fire, como sabemos, não serve apenas para ler livros eletrônicos comprados na loja da Amazon. O usuário também pode, por exemplo, alimentá-lo com textos, artigos e matérias da Internet. Mas como fazer isso para uma posterior leitura offline?

Fique tranquilo, não usaremos nenhum script malicioso ou jailbreak da vida.

[A] O primeiro modo é instalando o plug-in Readability. O aplicativo Readability irá adicionar um botão ao navegador. Clique no botão Readability e o conteúdo, a página, que você está lendo será enviada para o aparelho. Um script, chamado sugestivamente de Send to Kindle estará lá no canto superior, à direita, através do atalho Shift + Ctrl + K. Se você estiver, por exemplo, lendo um livro da estante da eBooksBrasil.org, o conteúdo aparecerá no seu Kindle.

[B] Agora, se o leitor desejar enviar arquivos nos formatos .DOC, .TXT, .PDF, etc., diretamente para o Kindle, o segundo modo é instalando no PC o aplicativo Send to Kindle [desenvolvido pela própria Amazon].

Basicamente é isso. Fácil, não? Foi o que eu pensei e, por isso, baixei um livro eletrônico pirat… quer dizer, sem DRM, e me pus a testar. Eu baixei uma versão pirat… quer dizer, sem DRM, do livro “A Profecia Celestina” do site… [não vou entregar o nome do site porque eu não quero tirar o trabalho do pessoal da  ABDR].

Aliás, como eu morro de medo do pessoal da ABDR me enviar uma intimação, ou algo que o valha, liguei logo para o meu advogado para explicar para ele a minha experiência de testar plug-ins e aplicativos oficiais com livros pirat… quer dizer, conteúdo sem DRM. Aí ele me disse “…mas é tão fácil assim?” e eu respondi “sim, claro, veja: basta você instalar o plug-in de leitura online do Readium, subir o ePub de um livro eletrônico pirat… quer dizer dizer sem DRM, clicar no Sent to Kindle e”… ele respondeu:

Veja bem, é muito arriscada a sua experiência.. se você for preso eu não sei se eu conseguirei te defender. É muito complicado explicar ao excelentíssimo Juiz que você estava testando um aplicativo oficial com um conteúdo sem DRM, ao invés de ter de explicar que baixou um livro pirata para provar que o sistema de certas empresas, dito seguras, também servem para isso.

Mesmo assim eu me arrisquei, baixei a versão pirat.. quer dizer, sem DRM, do livro do escritor James Redfield e mandei para o meu Kindle sem muito esforço. Só que, para o meu azar, quando eu estava lendo o tal conteúdo sem DRM, dentro do avião, a comissária de bordo me pediu para que eu gentilmente desligasse o meu aparelho. Aí eu disse para a aeromoça, muito linda por sinal, que veja bem, aquilo não era um aparelho, que blasfêmia, aquilo era um leitor de livros eletrônicos. Mas ela, muito educadamente me pediu:

Tudo bem, senhor, eu compreendo, mas, por favor, desligue o seu livro!“.

É realmente um absurdo não poder ler livros dentro de um avião, tudo bem que o conteúdo era… sem DRM. Pra piorar, minha palestra sobre eBooks foi um desastre. Não tive audiência nenhuma. Não sei se porque a feira era de livros impressos, estava vazia, ou se não tinha ninguém interessado no futuro do livro mesmo.

Bem, acredito quando o James Redfield escreve em seu livro que nada é por acaso. Pelo menos percebi duas coisas na minha ida para o 10º Salão do Livro de Imperatriz. Que gostaria de aproveitar para comentar aqui:

[1] Existe um jornal terrível na cidade de Imperatriz, chamado O Progresso. Gente, na boa, o jornal deveria se chamar O Regresso. É um dos piores jornais que eu já folheei na vida. Tanto em termos de design, quanto em termos de conteúdo. Eu acho talvez que eu não devesse fazer isso, mas tem jornais de bairro aqui na nossa cidade que é muito melhor que O Progresso.

Como sempre faço quando chego em uma cidade nova que visito, eu procurei uma igreja e o jornal local para saber das coisas da região. Não gosto de me sentir uma espécie de caipira da cidade grande. Lendo O Progresso descobri que o jornal não conseguiu me mostrar o que de fato era a cidade, na sua essência. Então, bem, o que eu fiz, fui à Internet. Encontrei algo sobre a cidade na Wikipedia que me deixou um pouco angustiado, pois também parecia não refletir a cultura de onde eu estava.

Eu não sei, creio talvez que a imprensa regional esteja sendo asfixiada pela globalização da incompetência nas mídias.

[2] Dentro do saguão do aeroporto existe uma loja da La Selva [ou seria da SuperNews?, não me lembro mais]. Lá, eu fui abordado por um vendedor que me ofereceu uma ‘assinatura’ diferenciada da revista Wide, Galileu, etc., enfim das revistas que eu gosto. O processo era bem simples e bastante atraente: eu escolhia a revista, deixava o meu cartão de crédito e os números das revistas selecionadas me eram entregues no meu endereço físico todos os meses como se fosse uma assinatura convencional. Mas, porém, todavia, contudo, quem estaria entregando era a loja onde eu fiz a compra antecipada das revistas, o que me renderia 30% de desconto.

Uau! Gostei bastante da ideia dos descontos, me pareceu mais atraente do que eu fazer uma assinatura convencional, mas fiquei pensando no jornaleiro perto da minha casa cujo contato eu perderia nas minhas visitas nos domingos de manhã. Na verdade, o jornaleiro perto da minha casa é santista, como eu, e aí eu perderia as nossas conversas.

No final, não fiz a compra antecipada dos números das minhas revistas favoritas. Mas fiquei pensando que as coisas mudaram tanto que o jornal mais importante de uma cidade do Maranhão, com duzentos e cinquenta mil habitantes, mantém o pior conteúdo, que deveria ser regional, diga-se de passagem, que um município de nosso país pode ter acesso. E pensei também que até o modelo de assinaturas de revistas impressas pode enfrentar uma concorrência se as revistarias resolverem vender com descontos e entregar revistas diretamente para os seus clientes.

A conclusão deste post seria a seguinte: a cidade de Imperatriz precisa pensar urgentemente em uma alternativa para melhorar o design e conteúdo do seu maior jornal regional. Não faz sentido eu comprar um jornal de Imperatriz para ler notícias do Sudeste; E as revistarias estão tentando sobreviver vendendo números antecipados de revistas aos seus clientes abrindo mão de um percentual de seu lucro.

O que tudo isto tem a ver com enviar textos sem DRM para o Kindle? É muito simples: enquanto todos os geradores e editores de conteúdo investem seu tempo pensando em um modo de manter seguro os seus livros, alternativas de vendas de mídias são criadas, qualidade de conteúdo e design vão sendo esquecidos e a tecnologia avança para levar conteúdo sem DRM diretamente para os hardwares, passando por incrível que possa parecer pela própria plataforma segura de quem as desenvolveu. Então, porque enviar textos sem DRM para o Kindle? Pelo simples fato de que existem ferramentas que foram criadas para isso.

Bem, a Amazon vai precisar muito mais do que uma boa dose de antropologia, para não dizer antropofagia, se quiser entender o mercado editorial brasileiro antes de aportar em nosso país.

POR EDNEI PROCÓPIO