Barnes & Noble encerra processo sobre leitor eletrônico Nook


A Barnes & Noble encerrou um processo no qual era acusada pela Spring Design de cópia ilegal do design de uma tela, para uso em seu popular leitor eletrônico Nook.

Sob os termos do acordo, a Spring garantiu à Barnes & Noble uma licença não exclusiva para todas as suas patentes e patentes de aplicações. Outros termos do acordo não foram divulgados.

Em sua queixa, entregue em novembro de 2009, a Spring Design afirmou ter mostrado para a Barnes & Noble o design de seu leitor eletrônico de duas telas, chamado Alex, quando as companhias conversaram sobre uma possível parceria.

A empresa afirmou que, mais tarde, a Barnes & Noble incorporou recursos do Alex ao seu Nook, quebrando um acordo de sigilo. Uma das telas do Nook é usada para a leitura e a outra para navegar na Internet.

A Barnes & Noble, que têm visto um encolhimento em suas vendas de livros em suas lojas próprias por anos, lançou a primeira versão do Nook em 2009 para competir com a Amazon, líder no mercado de leitores eletrônicos. Na semana passada, a Barnes & Noble divulgou que detém 25% desse mercado.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | 03/03/2011 – 14h16

Futuro do livro é digital


Não tenho dúvida: o futuro do livro é digital. Minha convicção está ainda mais reforçada depois de participar do Fórum Internacional do Livro Digital, que antecedeu a abertura da Bienal do Livro de São Paulo, na semana passada.

Com base na visão dos três palestrantes – o norte-americano Mike Shatzkin, o inglês John B. Thompson e o brasileiro Jean Paul Jacob – descrevo, por minha exclusiva responsabilidade, o que poderá ser, em 2025, a mais famosa enciclopédia virtual do mundo da UniPaedia [Universal Encyclopaedia], acessível por meio do SmartPad, o e-reader do futuro.

Essa enciclopédia conterá algo equivalente a 100 vezes mais informação do que a Wikipédia que hoje conhecemos, escrita em mais de 200 idiomas.

Veja como funcionará a UniPaedia. Enquanto aperta a tecla do microfone, você diz com clareza ao e-reader o tema de sua consulta. Por exemplo: Jean-Jacques Rousseau.

Em menos de dois segundos, abre-se a página com o artigo principal sobre o grande filósofo franco-suíço.

No lugar de uma foto central da página, você tem um display de super high definition onde se exibem vídeos, filmetes ou de recursos de multimídia.

Colaborativa. Para minha surpresa, as imagens vão se sucedendo, num audiovisual incrível. Um avatar apresenta o filósofo com texto e áudio: “Jean-Jacques Rousseau, né le 28 juin 1712 à Genève et mort le 2 juillet 1778 à Emenonville, est um écrivain, philosophe et musicien genevois de langue française…”

Como prefiro fazer a consulta em minha língua-mãe, aperto a tecla de seleção de idioma e escolho o português.

O avatar retoma sua biografia: “Jean-Jacques Rousseau, nascido no dia 28 de junho de 1712 em Genebra…” Ao fundo, o cenário da cidade suíça naquele ano.

Imagine a utilidade e o valor cultural de uma enciclopédia como essa com todos os recursos de multimídia, disponível em qualquer lugar do planeta, altamente colaborativa, permanentemente revisada e avalizada por especialistas das maiores universidades do mundo.

O livro é uma de minhas paixões. Ele me permite ler, reler e refletir no ritmo que mais me agrada, mais lento ou mais rápido, retornar às páginas anteriores, consultar o índice ou o glossário.

Mesmo assim, tenho muitas queixas do livro. À medida que a idade chega, começo a me sentir irritado com as letras miudinhas, os textos em corpo 7 ou mesmo 9, que não posso ampliar como no computador.

Imagine ler um livro de 400 páginas em corpo 7, ou, pior ainda, em dicionários e enciclopédias antigas.

A resposta a todos esses problemas é o livro eletrônico.

A Bienal de 2025. Estamos em plena Bienal do Livro de São Paulo-2010, que começou na semana passada e ainda se estende até o domingo próximo, no Anhembi.

Não perca a oportunidade de visitar o espaço da Imprensa Oficial, com uma exposição sobre o livro digital.

Visite tudo, fotografe, compre os livros que quiser, leve seus filhos, estimule-os a ler mais e registre o máximo de informações sobre o evento para compará-lo, daqui a 15 anos, com a Bienal do Livro de São Paulo-2025.

Naquele ano, você não precisará ir ao Anhembi. Até porque a Bienal não terá um local físico para sua realização, porque será inteiramente virtual, interativa, colaborativa e muito mais divertida.

Para a maioria dos especialistas, o livro como o conhecemos hoje estará praticamente extinto daqui a 30 anos, e só será encontrado em museus, nas últimas bibliotecas pessoais ou nas mãos de bibliófilos e colecionadores.

É claro que o livro impresso em papel não desaparecerá. Assim como os veleiros do século 18 não desapareceram totalmente – porque sobrevivem nos iates de luxo de hoje -, o livro poderá sobreviver, mas como um mercado de nicho, para edições de luxo, verdadeiras obras de arte, para reprodução das mais belas ilustrações.

E mesmo assim, combinando impressão especial com a tinta eletrônica [e-ink], papel eletrônico e nanopapel, capazes de resistir muito mais à ação do tempo.

Os sucessores do livro impresso em papel serão provavelmente livros digitais interativos, audiovisuais e multimídia, com novos conceitos, novos formatos e funções, como a UniPaedia acima descrita.

Mais leitores? Com o advento dos leitores eletrônicos e a universalização da tecnologia digital, é bem provável que cresça também o número de leitores, numa reversão surpreendente do declínio do hábito de leitura das novas gerações.

As primeiras ferramentas dessa revolução estão aí. São leitores eletrônicos como o Kindle DX da Amazon, o Sony e-Reader Touch PRS 500, o BeBook Neo, o Alex e-Reader, o PanDigital Novel, o Kobo e-Reader, o Barnes & Noble Nook, o Cool-er e, obviamente, a vedete mundial da Apple, o iPad. A Amazon espera lançar ainda este ano um Kindle de US$ 99.

Os e-readers atraíram e dominaram as atenções dos milhares de visitantes do Consumer Electronics Show 2010, em janeiro, na cidade de Las Vegas.

Eu já era otimista desde o lançamento dos primeiros leitores eletrônicos. Agora sou ainda mais, com os milhões de iPads vendidos pela Apple e com a informação mais impressionante da semana passada: a venda de livros eletrônicos para o e-reader da Amazon no primeiro semestre cresceu 200% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Estado de S. Paulo | 15/08/2010 | Ethevaldo Siqueira

O livro digital em debate


Gosto tanto de livros que, se fosse rico, investiria o máximo que pudesse em uma biblioteca particular tão grande e valiosa quanto à de meu querido e saudoso amigo José Mindlin. Por isso, não perco uma única edição da Bienal do Livro. Este ano tenho, além do prazer de visitá-la, um evento a mais para comparecer: o Fórum Internacional do Livro Digital, que será realizado nos dois dias que antecedem à Bienal.

O tema central desse fórum não é, a rigor, prever o fim do livro, mas discutir as transformações a que ele estará sujeito nos próximos anos. Por mais que me entristeça reconhecê-lo, concordo com a maioria dos estudiosos desse tema sobre as consequências das profundas inovações tecnológicas sobre o futuro do livro.

Para muitos especialistas, o livro impresso em papel estará praticamente extinto daqui a 30 anos, e só será encontrado em museus, nas últimas bibliotecas pessoais ou nas mãos de bibliófilos e colecionadores. Na melhor das hipóteses, como um mercado de nicho, sobreviverão livros de arte e obras de luxo, com as mais belas ilustrações ou reproduções de pinturas.

Em lugar dos livros de papel, teremos, provavelmente, o livro digital interativo, como um novo conceito, com novos formatos e funções. Os embriões desse novo livro já estarão tomando forma, à medida que vai desaparecendo seu antigo e secular antecessor, nascido praticamente com Gutenberg.

A boa perspectiva é que, com os leitores eletrônicos e a universalização da tecnologia digital, venha a crescer substancialmente o número de pessoas que leem, numa reversão surpreendente do declínio do hábito de leitura das novas gerações.

As ferramentas dessa revolução estão aí. São leitores eletrônicos como o Kindle DX da Amazon, o Sony e-Reader Touch PRS 500, o BeBook Neo, o Alex e-Reader, o PanDigital Novel, o Kobo e-Reader, o Barnes & Noble Nook, o Cool-er e, obviamente, a vedete mundial da Apple, o iPad.

Testemunhei em janeiro, em Las Vegas, algo surpreendente. De tal modo os e-readers atraíram e dominaram as atenções dos milhares de visitantes do Consumer Electronics Show 2010, que ouso afirmar que esses novos leitores digitais de e-books terão enorme impacto sobre a indústria do livro, bem como do jornalismo impresso. Tudo depende de alguns poucos avanços da tecnologia de monitores, bem como da capacidade de comunicação sem fio WiFi e 3G dos tablets e da disponibilidade da banda larga na maioria dos países.

A Amazon anunciou na semana passada a versão mais barata do Kindle, chamado Kindle Wi-Fi, seu leitor de livros digitais, por US$ 139. O aparelho tem apenas conexão via rede local sem fio e não 3G. Embora seja o mais barato da categoria, esse Kindle pode armazenar 3,5 mil livros. Um pouco mais cara é a versão desse e-reader com capacidade de comunicação 3G, que custará US$ 189.

Qual é o futuro do livro?

Vou conferir no fórum do livro digital na semana que vem tudo que penso sobre o tema e confrontar minhas ideias com as previsões dos especialistas. Acho que daqui a dois ou três anos, os tablets – esses modelos híbridos de mini-laptops e leitores eletrônicos – serão o grande sucesso entre os e-readers, batendo de longe a maioria dos dispositivos dedicados lançados no mercado até aqui.

Eu já era otimista desde o lançamento dos primeiros leitores eletrônicos, como o Kindle, da Amazon. Agora sou ainda mais, com os milhões de iPads vendidos pela Apple e o dado mais impressionante da semana passada: a venda de livros eletrônicos vendidos pela Amazon para o e-reader Kindle no primeiro semestres deste ano foi três vezes superiores às vendas do primeiro semestre do ano passado, ou seja, um crescimento de 200%.

Além de oferecer mais de 1,8 milhão de livros digitais gratuitos, disponíveis para download, a Amazon comercializou no último trimestre mais de 630 mil títulos, a maioria com preços até US$ 10.

O que pode quebrar todos os paradigmas atuais na disputa com os livros de papel é o fato de o leitor eletrônico não apenas armazenar milhares de livros mas também acessar jornais e revistas. Conheço dezenas de pessoas que já se tornaram usuárias habituais dos e-readers porque querem ter a liberdade de ler em viagem, em férias, em qualquer lugar, com o maior número de opções de obras, fotos, vídeos e documentos.

Com a nova tecnologia, estudantes poderão levar para o colégio ou universidade dezenas de livros de textos e dicionários, sem que isso pese um grama a mais em sua mochila. Além de tudo isso, os modelos tablets, como o do iPad serão, também, alternativas para os laptops ou netbooks.

Três palestrantes notáveis

O Fórum Internacional do Livro Digital, que acontecerá no Auditório Elis Regina, no Pavilhão de Congressos do Anhembi, terá três palestrantes imperdíveis: Mike Shatzkin, John B. Thompson e Jean Paul Jacob.

O primeiro é o norte-americano Mike Shatzkin, fundador e CEO da empresa The Idea Logical Company, que falará sobre O futuro do livro impresso num mundo digital, no dia 10, das 20h30 às 22h00. Consultor especializado na cadeia produtiva do livro, que envolve redação, edição, agenciamento, venda, marketing, produção e gestão, Shatzkin tem um dos blogs com maior audiência no mundo voltado para a discussão do impacto da mudança digital no mundo dos livros [The Shatzkin Files, http://idealog.com/blog%5D.

A segunda palestra – Os livros na Era Digital – será proferida no dia 11, das 8h30 às 10h00, pelo professor de sociologia da Universidade de Cambridge [Inglaterra] e autor do livro do mesmo nome [Books in the Digital Age, em inglês], com uma análise especial das transformações da indústria editorial do livro.

O último palestrante do Fórum Internacional do Livro Digital será o cientista brasileiro Jean Paul Jacob, ex-pesquisador da IBM em Almadén, Califórnia, e atualmente cientista-consultor da Universidade da Califórnia em Berkeley. O título de sua será O futuro já não é mais o que era, a ser proferida no dia 11, das 18h às 19h30.

Jean Paul Jacob adianta alguns aspectos de sua palestra: “O auditório fará um passeio guiado por mim por cenários que poderão fazer parte de sua vida no futuro de curto e de longo prazo. O mundo físico em que vivemos está sendo ampliado por muitos mundos digitais virtuais. No cinema, uma cena de grande perigo para um ator ou atriz é, na verdade, vivida virtualmente por desenhos ultra-reais produzidos por tecnologia digital”.

A palestra do cientista brasileiro mostrará ainda as transformações que poderão ocorrer no mundo dos livros, com a popularização dos leitores eletrônico-digitais, que usam tinta eletrônica, como o Kindle, o Sony e outros.

É nesse mundo virtual – diz Jean Paul Jacob – em que os átomos são substituídos por bits, que vamos explorar novas paisagens, nunca antes imaginadas. Páginas de livros e revistas, por exemplo, terão a possibilidade de mostrar um vídeo e até manter um diálogo por voz com o usuário”.

Por Ethevaldo Siqueira | 3 de agosto de 2010, 00h03 | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | Caderno de Economia & Negócios

A patente é da Amazon


Patente concedida à Amazon. Foto: divulgação

O Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos concedeu à Amazon o direito de explorar “dispositivos portáteis para leitura de livros eletrônicos com dois visores”. O pedido de patente foi feito em 2006, quando o primeiro protótipo do Kindle – que tinha um display secundário de LCD – estava em desenvolvimento. O Kindle hoje comercializado não tem mais duas telas, mas essa decisão afeta diretamente aparelhos com já lançados, como o Nook da rede de livrarias Barnes & Noble, ou com lançamento agendado.

Durante os quatro anos do processo, a Amazon se comprometeu a não fazer o mesmo pedido em órgãos de patente fora dos Estados Unidos, que poderiam avaliar o pedido mais rapidamente. Em troca, não foi obrigada a publicar que estava requerendo a patente de qualquer aparelho que atenda às seguintes especificações: possui uma capa protetora, uma tela principal de tinta eletrônica e um display secundário de LCD. Por conta do sigilo, a concessão pegou toda a indústria de e-readers de surpresa.

Kindle comercializado e sua primeira versão, com scroller de LCD. Foto: reprodução

A Amazon não divulgou se realmente planeja já entrar com processos pedindo o pagamento de direitos de propriedade às empresas que produzem e-readers que atendam às especificações da patente.

A Barnes & Noble, produtora do Nook, já está envolvida em outra disputa comercial: a empresa Spring Design afirma que A&N viu seu e-reader Alex [que também é contemplado pela patente da Amazon] sob contrato de sigilo e o copiou para criar o Nook.

Nook, da Barnes & Noble, e Alex, da Spring Design. Fotos: divulgação

Por Carla Peralva | Link do Estadão | 17 de julho de 2010 | 9h32

Alex eReader


Leitor permite, ainda, acesso completo à internet

Começou a ser vendido na semana passada o Alex eReader, criado pela empresa Spring Design e que pesa cerca de 300 gramas. O aparelho roda no sistema Android e lê e-books nos formatos ePub, pdf, html e txt. A internet pode ser acessada por Wi-Fi e até o fim do ano deve sair uma versão 3G. É possível também ouvir música enquanto lê. Seu preço é de US$ 399 e ele mede 4.7″ por 8.9″. Em breve a empresa deve anunciar versões multi-linguagem [chinês, espanhol, russo, coreano e hebraico].

PublishNews | 20/04/2010