Amazon e MEC: um divisor de águas?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Para quem, como eu, esperava que a grande novidade desse início de ano fosse o edital do PNLD 2016, o acordo MEC-Amazon para a distribuição de livros didáticos digitais caiu como uma bomba – daquelas bem indigestas.

Segundo nota divulgada esta semana pela própria Amazon, o acordo envolve “conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets” e “tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir esse catálogo de livros para professores do ensino médio de escolas públicas”. Os professores terão acesso ao material por meio de aplicativos Kindle instalados nos cerca de 600 mil tablets Android comprados pelo governo.

Pelo teor do notícia, esse primeiro convênio parece dizer respeito aos PDFs do PNLEM 2012, já negociados com as editoras. Mas as intenções da gigante norte-americana são bem mais amplas, a julgar pela declaração de Alex Szapiro, diretor geral da empresa no Brasil: “Esperamos trabalhar com o FNDE para alcançar alunos e professores em todas as séries, com o objetivo de contribuir para a melhoria da educação no país”.

O acordo acontece no âmbito de um edital de convocação publicado em outubro de 2012, que pedia “a estruturação e operação de serviço virtual para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do PNLD, do PNBE e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja os direitos autorais digitais e a propriedade intelectual dos acervos”. Segundo o documento, podem ser firmadas “parcerias com diferentes instituições simultaneamente ou alternadamente”, o que na prática quer dizer que outras interessadas, como Saraiva e Adobe, ainda podem estar no páreo.

O lado ruim da história

Com simultaneidade ou não, há muitos aspectos negativos para as editoras didáticas – a começar pelo fato de que elas tiveram a chance de construir uma alternativa coletiva para essa plataforma e não o fizeram. O projeto simplesmente não foi para a frente na Abrelivros em 2012/13.

Assim perdeu-se a chance de ganhar um aprendizado importante – e, sobretudo, de ter acesso direto ao próprio consumidor. Afinal, controlar a plataforma significa se relacionar com o público escolar: ter acesso a essa base de dados, saber como os livros estão sendo usados [trechos comentados, palavras consultadas, o ponto em que as pessoas deixam de ler] etc. É a chamada “big data”, tendência essencial hoje em tecnologia.

E agora uma das empresas que pode ter acesso a essas informações é a Amazon, concorrente em potencial das editoras. Lá fora, uma das apostas da empresa tem sido a autopublicação e até a edição direta de autores – em outras palavras, eles podem usar a experiência adquirida para 1] incentivar os professores a criar os próprios materiais [até aí, tudo bem] e 2] passar a criar e editar livros didáticos diretamente [alguém duvida?].

Tudo isso com tecnologia proprietária, o que quer dizer que os materiais produzidos e distribuídos talvez possam ser lidos apenas em aplicativos e plataformas da Amazon [que, é claro, rodam em qualquer dispositivo] –uma derrota também para os grupos de recursos educacionais abertos.

O imbróglio me trouxe à mente a última coluna de 2013, onde citei um artigo de Joe Wikert que vaticinava a “morte por irrelevância” das editoras. Segundo ele, “não é a Amazon que as está matando, e sim elas mesmas. Os editores […] estão se tornando menos relevantes a cada ano”.

Outra derrota para as editoras está no fato de que este é o segundo anúncio de conteúdo embarcado pelo MEC em tablets para professores no Brasil – e o segundo estrangeiro. Primeiro foram os vídeos de Khan Academy; agora, o aplicativo de leitura digital da Amazon. Corre à boca pequena, inclusive, que as editoras seriam tidas, entre as pessoas do ministério, como empresas que não entendem muito de digital.

Existe um lado bom

Feitas as devidas ressalvas, também é possível enxergar aspectos positivos no uso do app Kindle por professores de escolas públicas. Afinal, a Amazon possui talvez o maior [e melhor?] ecossistema de livros digitais do mundo; o simples fato desses docentes terem acesso a ele constituiria não só um processo de inclusão digital, mas também de incentivo à leitura.

E não é só na teoria: uma pesquisa da ONG inglesa QuickReads acaba de mostrar que leitores adultos tendem a ler mais se usam um e-reader. 48% dizem que a tecnologia os faz ler mais; mais de 40% citam a capacidade de consultar palavras no dicionário e de mudar o tamanho e aparência do texto como vantagens do digital. Por fim, 62% afirmam que o acesso a livros digitais gratuitos os faz ler títulos que normalmente não leriam.

Do ponto de vista das editoras, isso pode se traduzir em mais leitura [e vendas] de seus livros como um todo. Os professores podem se interessar por obras recomendadas nos livros didáticos, assim como por outros títulos disponíveis nas lojas digitais – e acessar tudo isso com um clique.
Da noite para o dia, um mercado de 600 mil leitores em potencial pode surgir – número nada desprezível na realidade brasileira, em que os e-readers ainda não chegam às centenas de milhares, e os tablets, já na casa dos milhões, são mais usados para acessar outros tipos de conteúdos.

Um divisor de águas

Não dá para saber ainda como vai ser o relacionamento MEC-Amazon. Segundo dito na CBN por Cristina de Luca, esse acordo ainda é um piloto – e, como todo piloto, pode ser que não funcione bem. Ao contrário da Amazon, as editoras sabem bem as dificuldades de levar esse tipo de recurso às escolas brasileiras [públicas ou particulares]. Pode ser também que outras alternativas surjam, ou até que o governo e a política mudem.

A única certeza é que esse é um acordo com potencial para ser um divisor de águas no mercado editorial brasileiro – para o bem e para o mal.

E você, o que acha?

Até a próxima,@gabidias
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Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso [e mais um pouco] na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

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Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

W3C finalmente entra na jogada


POR EDNEI PROCÓPIO

W3C [a principal organização de padronização da World Wide Web] está apoiando a padronização dos livros eletrônicos. Para dar o start à iniciativa, a W3C criou uma comissão e o resultado inicial é um Workshop que será ministrado em fevereiro próximo. A ideia do Workshop é promover o livro eletrônico dentro de um padrão que eles chamam de Plataforma Open Web. Basicamente o que eles querem é introduzir no mercado a ideia de se trabalhar com padrões tecnologias abertas como HTML, CSS, SVG, XML, XSLT, XSL-FO, PNG, etc.

O projeto está sendo tocado em parceria com a International Digital Publishing Forum [IDPF] e Book Industry Study Group [BISG]. E fazem parte da comissão empresas como Adobe, Barnes & Noble, o consórcio DAISY, Google, Hachette, Ingram, O’Reilly, Pearson, Rakuten, Safari Books, Samsung, Sony e por aí vai.

Embora alguns players como por exemplo, a Amazon e Apple, através de suas grandes influências, força a barra tentando impôr os seus próprios formatos ao mercado, esta não é a primeira vez que a indústria se junta para tentar algo neste sentido. Como eu descrevi em meu primeiro livro, “Construindo uma Biblioteca Digital“:

O ideal seria se os livros eletrônicos fossem criados sob formatos padrões [abertos ou livres] utilizados na Internet.

O formato ePub, por exemplo, teve sua gênese de desenvolvimento baseada em uma especicação padrão chamada OeB. A especicação OeB [Open eBook] era um formato cuja estrutura já atendia a uma especificação aberta, baseada em XML [eXtensible Markup Language – linguagem de marcação extensível].

Citando Mckinley, “Do papel até a Web”, ninguém pode monopolizar os formatos abertos. E nenhuma pessoa ou entidade comercial tem controle sobre seus destinos. Os documentos XML, OeB, ePub, etc., pertencem aos seus proprietários. Eles não fazem parte de nenhum aplicativo, configuração de hardware ou sistema operacional. Além disso, assim como a XML, o HTML e o ePub, os documentos Open Web serão inteligentes e úteis por muito tempo, mesmo após os formatos de processadores de texto binários de propriedade dos dias de hoje terem se tornado obsoleto.

Considere a seguinte situação, um livro de papel de conteúdo romântico permanecerá legível por 20, 50, ou, quem sabe, 100 anos. Qual é a probabilidade dos formatos de processadores de textos binários de propriedade atuais permanecerem legíveis por 10 anos, ou até 100 anos? Novos sistemas operacionais e programas aparecem e somem, mas a Open Web é permanente. Desse modo, utilizar formatos padrões abertos para disponibilizar livros digitais garante que o leitor não precise, por exemplo, adquirir duas ou mais vezes o mesmo livro quando migrar para hardwares de plataformas diferentes.

Com Open Web, o conteúdo de um eBook torna-se independente de qualquer sistema de formatação em particular. Por toda sua existência, um eBook poderá se transformar em muitos diferentes formatos e tamanhos. Por todo o tempo, entretanto, a estrutura e o conteúdo podem ser retidos de forma independente, permitindo assim que o livro seja reformatado várias vezes para grande variedade de e-readers existentes hoje e para os que ainda serão inventados.

POR EDNEI PROCÓPIO

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Conheça alguns e-Readers com Ednei Procópio


Entrevista concedida ao curador do CBLD, Rafael Martins Trombetta, no evento preparatório ocorrido na Fnac da Paulista em agosto de 2011.

Nele o editor Ednei Procópio explica alguns detalhes e da sua opinião sobre os e-Readers a venda na referida loja. Logo após aconteceu o bate-papo com o editor do portal Yahoo Brasil, Michel Blanco.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Escola do Livro: Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 27 de Setembro de 2011

CBL oferece curso de Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa – 25 de Agosto de 2011

Microsoft Reader


Por Ednei Procópio

Tela do Microsoft Reader

O Microsoft Reader with ClearType©, lançado em abril de 2000, foi um dos primeiros aplicativos desenvolvido para livros digitais baseado no padrão OeB/XML.

O lançamento do produto foi uma espécie de resposta da Microsoft aos aplicativos lançados por empresas como Nuvomedia [eRocket] e Adobe [Acrobat Reader]. E um modo que a Microsoft achou de chamar a atenção para os novos equipamentos, Pocket e Tablet PCs, anunciados na mesma época pela empresa.

O lançamento do Microsoft Reader foi um marco na história dos livros digitais e inspirou empresas como a Barnes & Noble a disponibilizar aos leitores cerca de 2000 títulos para compra e download imediato. Não é à toa que a Barnes & Noble disponibiliza hoje cerca de 1 milhão de títulos para a sua plataforma Nook; ela começou o processo lá em 2000. Um pouco mais tarde até a Palm lançou o Palm Reader baseado em um aplicativo antigo chamado PeanutPress Reader, para não perder campo com o seu Palm até então desconectado do mundo pré-iPhone.

LIT

A Microsoft há dez anos atrás foi uma das empresas que participou do consórcio que criou o Open eBook, o padrão que mais tarde daria origem ao formato ePub. Dentro de um arquivo .LIT, lido pelo aplicativo Microsoft Reader, existe um arquivo xHTML validado tal qual um ePub. Um arquivo LIT é muito parecido com um arquivo ePub em qualidade e conteúdo, com a diferença de que a Microsoft criara também um sistema de DRM, baseado em um passaporte para que leitores se identificasse através de um ID. Algo, mais tarde, consolidado pela Adobe com o seu Adobe Content Server.

Eu trabalhei por oito anos na assessoria de imprensa da Microsoft no Brasil e, de algum modo, eu sempre tive acesso as informações da empresa nesta área. Aliás, eu fui um dos únicos beta-testes da empresa para o dicionário baseado em XML, em formato LIT, que vinha com o aplicativo MS Reader.

DOWN

Esta semana, porém, a Microsoft anunciou a descontinuidade do Microsoft Reader. E eu realmente não consegui entender. Confesso que esta notícia me pegou de surpresa, porque se a Microsoft pretende realmente fazer com que versões portáteis ou mobiles do Windows rode em tablets e smartphones mais modernos, o aplicativo Microsoft Reader seria um dos itens mais importantes para acesso a conteúdo. Será que a Microsoft pretende lançar algum serviço cloud para eBooks nas próximas versões do Windows Phone ou Mobile? Ou será que a era dos aplicativos cross plataformas atingiu a empresa de Seattle em cheio?

Com a nova guerra entre os sistemas operacionais para portáteis [ Apple iOS, Google Android, Nokia Synbian, Windows Phone, etc.], eu acreditava que a Microsft fosse dar um ‘up‘ no projeto Microsoft Reader. Mas, agora, eu acho que há alguma coisa fora da ordem por aqui. Será que a Microsoft teve tanto prejuízo com livros digitais assim?

TABLETS

Embora o iPad seja um sucesso sem igual, a Microsoft foi uma das primeiras empresas a tentar vender para o mercado o conceito das pranchetas e o Microsoft Reader nasceu exatamente num momento em que Bill Gates tentava também vender a ideia dos Pocket PCs [os computadores de mãos que pretendiam rivalizar com os palmtops]. Uma vez que os Pocket PCs traziam telas de LCD coloridas, o Microsoft Reader melhorava a legibilidade de livros digitais através da tenologia denominada ClearType. Uma tecnologia que realmente suavizava as fontes exibidas nas telas tanto dos Pockets quantos dos Tablets PCs, usando conceitos básicos de RGB.

Mas já fazia algum tempo, porém, que a Microsoft não lançava uma verão atualizada do aplicativo. Sua última versão foi anunciada em meados de 2007, exatamente quando a Amazon lançou o Kindle.

VELHOS APPS

Bem. É realmente triste que a Microsoft esteja descontinuando, a partir deste mês, um dos melhores aplicativos de livros digitais já criados [numa época em que a Apple tenta a todo custo minar a existência de aplicativos melhores do que o iBooks]. Quem realmente conhece eBooks sabe que o aplicativo da Apple ainda tem muito o que melhorar e está muito longe dos bons aplicativos de leitura como o BlueFire, o MobiPocket e o velho e eficiente MS Reader.

Por Ednei Procópio

Curso “O Livro na Era Digital | Edição e Suportes”


As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O texto não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO

  • O que é um eBook?
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 20 de agosto de 2011, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
http://www.escoladoescritor.com.br

eBook não é assunto de editor


Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 26/07/2011

Alguém já me falou há anos que e-book não é assunto de editor, mas só agora confirmo. Faço zilhares de buscas por dia sobre o assunto e não é comum achar alguém de dentro das editoras usando com propriedade as novas palavras editoriais, tais como tablet, ePub, DRM etc.

Vejo que alguns amigos meus acham que as editoras estão inventando isso para lucrar ainda mais, mas, na verdade, assim como a indústria fonográfica queria continuar vendendo CDs, as editoras no geral queriam [e algumas ainda querem] continuar fazendo apenas os impressos. E-book é assunto de sites e revistas de tecnologia, se localiza mais ou menos entre a seção de smartphones e a de games, e é curioso ver a lista de tablets e e-readers à venda no mercado, porque, no Brasil, parece haver mais e-book readers do que e-books para serem lidos. Por quê? Simples, os e-readers são feitos por livrarias e por grandes empresas de tecnologia, e os e-books são feitos pelas editoras [pelo menos enquanto a pirataria não entra no jogo…]. E esse assunto pertence tanto à indústria mundial de tecnologia que o próprio ePub foi criado pelo consórcio IDPF [International Digital Publishing Fórum], formado por empresas como Google, Adobe etc.

Há quem compre a ideia de que a tecnologia melhora o mundo, e eu acho que ela o torna mais prático em muitos aspectos mesmo, mas sinceramente o mundo continua a mesma aristocracia de sempre. Um grupinho decide como a vida dos outros vai mudar para melhor, quando, através de que aparelho e por qual valor. As revoluções ocorridas no mundo da música e do livro são financiadas por empresas que querem vender seus iPods, Kindles etc. Essa aristocracia do moletom quer o mesmo que as outras quiseram: vencer. De alguém. Contabilizando essa vitória em dólares.

E como as editoras ficam no meio disso? Reféns? De certa forma. Mas são também uma grande indústria, baseada há anos nas também aristocracias cultural e / ou artísticas. Sabendo avaliar e usar bem as potencialidades da tecnologia e buscando ouvir seu consumidor, pode até vender mais que antes e alcançar novos patamares de lucro, vencendo até mesmo a considerada mais poderosa e destrutiva aristocracia da pirataria.

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 26/07/2011

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Trabalha em departamentos editoriais há 7 anos. Escreve quinzenalmente para o PublishNews, sempre às terças-feiras.
A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

Diagramação de livros com o Indesign, curso prático em 20 horas


Tendo como objetivo habilitar os profissionais das editoras para que utilizem as principais ferramentas do software Indesign da Adobe para produção de livros e revistas, o curso traz: ferramentas de edição do software Indesign e de texto; elementos de justificação; escalas de cores; uso do gradiente e produção de anúncios e livros no Indesign; elementos de revisão técnica no software.

Para participar, é necessário que cada aluno traga seu notebook com o software In Design instalado. e que tenha conhecimentos básicos de informática. O docente, Antonio Celso Collaro, é professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM e autor, entre outros, do livro Produção Gráfica, Arte e Técnica da Mídia Impressa e Projeto Gráfico. É ainda pós-graduado em Gestão Estratégica de embalagens pela própria ESPM/SP.

O investimento é de R$ R$ 420 para associados CBL, associados de entidades congêneres, professores e estudantes; para não associados: R$ 840 e será realizado na Rua Cristiano Viana, 91, São Paulo, nos dias 22/3, 24/3, 29/3, 31/3, 4/4, 6/4, das 16 às 20h. Maiores informações, fone (11) 3069-1300 ou pelo e.mail escoladolivro@cbl.org.br

CBL Informa | 10/02/2011

Macworld 2011: empresa aposta em publicações digitais


Plug-in para InDesign da Aquafadas pode ajudar quem quer ter suas revistas no iPad | Foto: Sérgio Miranda/Geek

Quando foi apresentado há um ano atrás, o iPad logo de cara se mostrou como uma grande alterativa para o mercado de revistas e jornais, que sempre foram reticentes em partir para o modelo digital. Porém, demorou um pouco, mesmo depois do lançamento oficial em abril, para que os editores conseguissem encontrar uma maneira de formatar suas publicações para o novo meio.

A Aquafadas, que já há algum tempo trabalha com a criação de quadrinhos digitais, resolveu também mostrar uma solução interessante para o mercado editorial. O conceito se basea em um plug-in para o InDesign [software de edição de páginas da Adobe], com diversas ferramentas para poder criar conteúdo para o iPad, desde slideshows até incusão de vídeo entre outras.

Além do plug-in, a Aquafadas também irá oferecer um serviço para montar o aplicativo final que será vendido na App Store, ajudando a finalizar o processo para que o editor não precise conhecer nenhuma linha de código.

Ainda não formatamos o preço, pois estamos estudando valores que possam antender desde uma editora com publicações grandes, de mais de 100 páginas, como também pequenas empresas interessadas em montar newsletters ou revistas mais modestas“, e xplicou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Aquafadas, Matthieu Kopp. Segundo ele, o plug-in será gratuito, apenas o serviço de criação do aplicativo será pago. O lançamento destas ferramentas será entre março e abril de 2011.

POR SÉRGIO MIRANDA | Direto de São Francisco, EUA | Portal Terra | 31 de janeiro de 2011 • 12h24

Livro digital na teoria e na prática


A Simplíssimo Livros e a Infoprepress vão organizar, a partir de 21 de janeiro, workshops no Rio, Niterói, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba sobre produção de e-books no formato ePub. Com 16 horas de duração, o curso tem o objetivo de transmitir as melhores técnicas atualmente utilizadas e dar dicas e truques sobre como otimizar a produção de e-books.

As turmas são reduzidas – apenas 20 alunos, e o curso é destinado a profissionais do mercado editorial, gráfico e publicitário, estudantes e demais interessados em ingressar na área de livros digitais. Para participar, é necessário levar um computador portátil com InDesign CS5 instalado [pode ser a versão Trial], um texto diagramado no InDesign ou um texto a ser diagramado [word], e uma imagem para a capa [formato 600×800].

PublishNews | 11/01/2011

O Livro Na Era Digtal na USP


A palestra “O Livro na Era Digital” ministrada por Ednei Procópio no dia 26/10/10, às 9h, no evento “XIII Semana do Livro e da Biblioteca”, realizado na USP/ESALQ/DIBD em Piracicaba.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Como misturar e-books com acarajé e um pouco de chimarrão


O mundo digital não tem fronteiras e a grande revolução do e-book está na logística e distribuição dos livros. A maior prova disso é a mais recente livraria digital do mercado brasileiro: a baianérrima Grioti. É isto mesmo. A nova concorrente da Gato Sabido, Cultura e Saraiva está baseada ali na Baía de Todos os Santos, na cidade de Salvador. Inaugurada na última segunda-feira, 22/11, a e-bookstore baiana já conta com 350 livros à venda e é uma iniciativa do designer gráfico Fábio Mascarenhas e do publicitário Wilton Bernardo. “Como eu já atuava como designer na produção gráfica de livros, surgiu o desejo no ano passado de estudar melhor o mercado do livro digital”, conta Fábio com seu sotaque soteropolitano. “Pensamos e decidimos montar uma empresa de produção editorial digital, mas depois, conversando com meu sócio resolvemos dar enfoque total na livraria”, explica.

No momento, a Grioti utiliza a plataforma tecnológica de distribuição da carioca Xeriph, enquanto negocia individualmente com cada editora. Sá Editora e Freitas Bastos são as editoras com maior número de títulos por enquanto. “Ainda existe um bloqueio dos editores e não conseguimos avançar tão rápido como gostaríamos”, explica Fábio, lamentando que uma simples assinatura de contrato se estenda às vezes por muitos dias. “A editora mais rápida de fechar negócios foi a Caki Books”, conta o e-livreiro baiano, mas aí foi fácil porque a editora carioca divide o espaço físico com a própria Xeriph no Rio de Janeiro.

A Grioti pretende aumentar seu catálogo em pelo menos 1.000 títulos até o final do ano, além de oferecer aos editores a possibilidade de vender e-books apenas com uma marca d’água, sem DRM [digital rights management] – atualmente, todos os livros que vende via Xeriph são DRMizados. Com o sistema de marca  d’água, que insere em cada arquivo informações que identificam o comprador, o público leitor ganha liberdade para ler o livro comprado em qualquer computador ou e-reader, com menos complicações que o sistema de DRM da Adobe Editions. É justamente para fazer seu catálogo crescer e oferecer a marca d’água que a Grioti está fechando uma parceria com a gaúcha Simplissimo, detentora da plataforma Stealth, criando assim a primeira iniciativa baiano-gaúcha do mercado digital. “Até o fim do ano, a plataforma da Simplissimo estará integrada ao nosso sistema como seu catálogo de livros e a opção de marca d’água”, comemora Fábio.

E, afinal, estar em Salvador ajuda ou atrapalha? “Muitas vezes ajuda porque as pessoas adoram a Bahia e o processo desenvolve mais rápido. Outras vezes, parece que protelam ainda mais”, conta Fábio. O nome da loja, aliás, tem pouco a ver com a Bahia, mas é tipicamente baiano. Griot é o nome de trovadores típicos da África Ocidental, verdadeiros contadores de histórias que mantêm a tradição oral local. Mas ser apenas africano não era algo baiano o suficiente. “Resolvemos colocar um ‘I’ no final para ficar Grioti e ter mais sonoridade”, explicou o e-livreiro. Aí sim, Grioti ficou muito baiano. E com muito axé.

PS: O Tipos Digitais testou o site da Grioti, que usa o sistema do PagSeguro, e a compra ocorreu tranquilamente. O livro também abriu sem problemas no Adobe Editions, de onde é possível passá-lo para devices compatíveis, como o Cooler e o Sony Reader.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 26/11/2010

Por que eu não acredito em Papai Noel, Saci Pererê e DRM


A utilização ou não de DRM [Digital Rights Management] em e-books é uma questão bastante polêmica. A maior parte dos editores defende o uso da trava anti-cópia, receosos de que a pirataria tome conta. Outros defendem o consumidor honesto e acham que ele não deve ser penalizado para evitar a ação dos pilantras virtuais. Muitas vezes, a discussão ganha ares filosóficos, com referências a conteúdo livre, open platform e até um ranço socialista.

Olhando o lado do editor, ele se encontra diante de uma escolha de Sofia com três opções:

Utilizar DRM, ganhando certa proteção em relação à pirataria, mas prejudicando vendas ao oferecer um produto pouco amigável e flexível.

Publicar e-books sem nenhuma trava, agradando e facilitando a vida do público [que ainda é um pouco avesso ao conceito do livro digital], mas correndo o risco da pirataria.

Aceitar um modelo proprietário e restritivo, como o da Amazon, com um DRM discreto que não prejudica o consumidor, uma vez que não envolve a complexidade da utilização em vários devices diferentes.

Como se vê, trata-se de uma escolha cruel.

Minha abordagem à questão é bastante prática. Como não existe um DRM eficaz, acho que o mesmo não deve ser utilizado. Qualquer DRM é facilmente quebrado, seja por softwares profissionais seja por adolescentes com uma mínima intimidade com um computador. Sendo esta a realidade, para que punir o consumidor honesto? Na prática, hoje, o DRM serve apenas para irritar o cliente, pois o pirata vai copiar de qualquer jeito.

Eu, por exemplo, prefiro ler no Kindle, mas os livros digitais que adquiri nas e-bookstores da Saraiva, Cultura e Sony, que utilizam o DRM da Adobe Editions, não podem ser abertos no e-reader da Amazon por dois motivos. Primeiro, porque o Kindle não lê o formato ePub destas lojas. Segundo, porque os arquivos possuem DRM. Como eu queria ler meus livros no Kindle e também porque queria testar a segurança do DRM da Adobe, me propus o desafio de converter meus ePubs para o formato mobi da Amazon.

O primeiro desafio, converter de ePub para Mobi, era muito simples. Bastou eu usar o software Calibre, gratuito, que serve para criar e-books. O software até já transfere os e+books para dentro do Kindle sem necessidade de transferir arquivos manualmente. Mas e o DRM? Era preciso retirar a trava, uma vez que o Calibre não converte arquivos DRMizados.

Menos de meia hora no Google me revelaram duas soluções. A primeira é o software ePub DRM Removal, que custa US$ 29,90, e possui uma versão para testes gratuita. É fácil demais, o software funciona perfeitamente e não exige nenhum conhecimento técnico. A segunda opção, gratuita, é mais complexa e exige um pouco de conhecimento de informática. Trata-se de um software chamado Python. Para efetuar a desDRMização, é necessário instalar dois programas e copiar alguns arquivos da Internet, mas o link acima permite que todos os arquivo sejam baixados em um pacote com instruções.

Testei os dois processos e estou lendo meus livros perfeitamente no Kindle. Até assusta. Vale lembrar que não é crime nem contravenção destravar e-books. Crime é distribuí-los ou copiá-los.

Concluindo, o DRM não faz sentido. Seu custo é alto demais e sua eficiência não resiste à meia hora de Google de um dinossauro da informática de 38 anos como eu. O mercado editorial terá de achar soluções mais criativas para sobreviver e evitar a pirataria.

Texto escrito por Carlo Carrenho | Publicado originalmentem em Tipos Digitais | 26/12/2010

Adobe promete maior segurança no novo Reader X


Programa conta com o recurso de caixa de areia, que evita que os códigos executados acessem outros componentes da máquina.

A Adobe liberou nesta sexta-feira [19/11] a nova versão de seu programa de leitura de arquivos PDF, o Reader, disponível, por enquanto, apenas em inglês, e para os sistemas operacionais Windows, Mac OS X e Android.

Chamado de Adobe Reader X, a maior novidade propagandeada pela empresa é a segurança aprimorada. Nos últimos anos, os softwares que lidam com arquivos PDF têm sido um dos principais alvos dos ataques de crackers, principalmente devido a suas vulnerabilidades, constantemente identificadas e exploradas.

Para se defender de tais ações, o aplicativo agora conta com o Protected Mode (Modo Protegido), capaz de criar uma caixa de areia – recurso cujo maior atributo é evitar que os códigos executados em um processo acessem outros componentes da máquina. A funcionalidade, no entanto, só está presente na versão para Windows.

O software também está com mais opções de anotações, além de facilitar o compartilhamento de arquivos – para enviá-los por e-mail, não é necessário abrir o navegador ou um programa de correio eletrônico, basta selecionar a ferramenta presente em sua barra principal.

O arquivo do Reader X tem 35MB e pode ser baixado neste link.

Publicado originalmentem no IDG Now! | Em 19 de novembro de 2010 às 20h23

Google e Kobo mostram as garras


Tools of Change Frankfurt

A Feira de Frankfurt só começa amanhã, mas nesta terça-feira [5] vários profissionais do livro já se encontravam à beira do rio Main para participar do Tools of Change Frankfurt [TOC], evento organizado pela O’Reilly em parceria com a própria Feira de Frankfurt. A agenda era monotemática: o futuro digital do livro. As palestras gerais do início da manhã foram bastante conceituais e filosóficas. Mas conforme o dia se desenrolava, algumas abordagens mais práticas foram apresentadas pelos palestrantes na área de conferência do Hotel Marriott.

Google


Um destes palestrantes foi Abraham Murray, da Google. Em sua conferência “Books in the Cloud – Google’s Perspective”, ele apresentou um panorama do que a empresa californiana já desenvolveu dentro da indústria editorial, mas o enfoque não podia deixar de ser o programa Google Editions. Segundo Murray, o programa será lançado ainda este ano nos EUA, oferecendo um catálogo de 400 mil títulos à venda. Para justificar a operação Murray apresentou dados do International Digital Publishing Forum que apontam que os e-books terão uma fatia de 10% do mercado americano no fim de 2010.

O Google Editions prevê parcerias com o varejo de livros, de forma que o consumidor poderá comprar os e-books em uma livraria virtual, ainda que o controle tecnológico e os arquivos digitais em si sejam controlados pela Google. “Qualquer varejista deveria ser capaz de vender e-books que funcionem em qualquer leitor”, afirmou Murray defendendo a filosofia da Google. “Nossa plataforma é aberta e pode suportar qualquer leitor digital”, continuou, “mas os livros da Google Editions não estarão disponíveis para Kindle em seu lançamento”. Ainda que discreta, a mensagem nas entrelinhas era que a Amazon não parecia disposta a trabalhar com o Google Editions.

O Google Editions trabalhará com a plataforma da Adobe Digital Editions para a implementação do polêmico DRM [Digital Rights Control]. Murray ainda aproveitou para ressaltar a segurança do projeto googliano: “No projeto Google Books nós desenvolvemos profundos conhecimento e capacidade para evitar hackers e ter um alto padrão de segurança.

Em um primeiro momento alguns recursos não estarão disponíveis, mas estão na agenda da Google para o futuro. Entre eles estão uma plataforma de mídia social, capacidade de se fazer anotações e leitura offline em telefones e na web [no início, apenas e-readers permitirão a leitura offline ao baixarem os livros no formato ePub].

Nos EUA, a Google irá operar com modelo agência, que permite aos editores determinar o preço de venda. Em relação a outros mercados, Murray afirmou que “a Google pretende satisfazer as necessidades de cada mercado”. Quanto à divisão de receitas, Murray informou que “nos EUA, os editores ficarão com mais de 50% da margem”. A impressão por demanda não faz parte dos planos da Google para o projeto Google Editions.

Entre os brasileiros que acompanharam a palestra da Google, estava Karine Pansa, da editora Girassol, e candidata à presidência da Câmara Brasileira do Livro nas próximas eleições da associação. “O Google Editions estará disponível em vários devices; isto é positivo porque você precisa ir ao encontro do que o consumidor quer. Se o consumidor tem vários acessos, é preciso alcançá-los aonde estiverem”, afirmou a editora. A questão da segurança, no entanto, a preocupa. “Não tenho certeza se a segurança que o Google anuncia é verdadeira, mas se for é algo muito bom.

Kobo


Outra palestra que chamou a atenção por seu caráter mais prático foi a proferida por Michael Tamblyn, vice-presidente da Kobo, uma e-bookstore canadense. Com o lema de “Toda sua vida de leitura sempre com você”, a Kobo possui aplicativos para praticamente todas as plataformas de smartphones, para iPad, para a web e até um e-reader próprio.

Depois de apresentar alguns números interessantes como “nossos clientes compram dois livros por mês em média enquanto os clientes de livrarias físicas compram metade disso” e outros curiosos “domingo é o dia da semana que mais vendemos online”, Tamblyn passou a discutir quais atributos um varejista de e-books tem que ter para sobreviver.

Para o canadense, há cinco qualidades fundamentais para o sucesso de uma loja de livros digitais:

1] Mentoria: “É preciso guiar o leitor neste novo mundo digital. Dar toda a assessoria necessária neste momento de transição.
2] Internacionalização: “Para sobreviver, o varejista de e-books terá de atuar globalmente.
3] Capacidade de custódia: “O varejista tem de ser o guardião da biblioteca dos leitores. Terá de oferecer um serviço de custódia.
4] Curadoria: “As livrarias de e-books terão de oferecer ao seu cliente uma curadoria sobre o conteúdo.”
5] Conectividade: “É fundamental que a loja de e-books permita que os usuários se conectem.

No aspecto internacional, Tanblyn observou que 5% das vendas da Kobo já são para países de língua não-inglesa e que em um dia típico vendem para mais de 150 países. Outras estatísticas da Kobo mostram que 90% dos leitores possuem apenas um device, mas que a parcela dos 10% restantes está crescendo. Outro número interessante é que metade dos compradores de e-books da Kobo lê em celulares ou tablets.

De forma geral, chama a atenção o tamanho do catálogo digital de empresas como a Kobo, com quase 2 milhões de títulos, e a Google, que já começa com 400 mil livros. Enquanto isso, nenhuma loja de e-books nacional tem mais de 2 mil livros digitais em português. Isto também chamou a atenção de Karine Pansa. “Sinto-me empurrada para fazer algo o mais rápido possível. Empresas como Google e Kobo vão chegar e não podemos ficar parados. Essa é a conclusão que chego aqui no TOC Frankfurt.

Karine também observou a velocidade das mudanças. “Está tudo muito rápido. Ano passado, por exemplo, nessa mesma data, a gente não tinha o iPad. Hoje todo mundo já está com um aqui em Frankfurt.” Sobre o Brasil, Karine acredita que possamos nos tornar competitivos rapidamente. “Talvez no ano que vem, quando estivermos aqui novamente, já sejamos competitivos. Isso se aceitarmos esse empurrão e fizermos a nossa parte. Já estou vendo as editoras no Brasil se movimentando. Essa quantidade de brasileiros aqui demonstra esse interesse e preocupação com o mercado.

Havia cerca de 10 profissionais brasileiros no evento, e a Livraria Saraiva era representada por cinco pessoas.

Por Carlo Carrenho, de Frankfurt | Publicado originalmente em PublishNews | 05/10/2010 | A cobertura da Feira do Livro de Frankfurt pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

PDF em xeque


Os formato .PDF não é exatamente um poço de segurança. Os arquivos do tipo permitem o alojamento de programas maliciosos – como cavalos de tróia que permitem até que o computador seja espionado e controlado remotamente.

Por isso, especialistas na área propõem o fim do formato de leitura da Adobe. Durante a conferência Virus Bulletin, em Vancouver, no Canadá, o analista de segurança realizou uma pesquisa informal entre os presentes que constatou: 97% dos 600 especialistas que estavam por lá são favoráveis à extinção do PDF.

Os problemas são antigos. No ano passado, a empresa de segurança F-Secure desestimulou o uso do Adobe Reader. Foram encontradas seis vulnerabilidades – o número colocou o software no topo da lista dos programas mais visados para ataques.

No início do mês, a própria Adobe reconheceu uma falha séria no Reader que permitia ataques com cavalos de tróia – um programa espião poderia ser instalado só com a execução de um PDF.

O problema é que as falhas do Reader, assim como no Flash Player, permitem que arquivos maliciosos se camuflem e sejam baixados pelo navegador. O Flash também é bastante criticado por suas falhas de segurança e por ser um formato proprietário – e fica em perigo agora principalmente por causa da adoção maciça do HTML5. Além disso, a Adobe é criticada por causa da lentidão em corrigir os problemas.

Por Tatiana de Mello Dias | estadao.com.br | 5/10/2010 8:57

Livro eletrônico chega aos ‘imortais’ de SP


Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Foi assim ontem na sede da Academia Paulista de Letras, onde, pela primeira vez, os imortais conheceram a versão eletrônica dos livros que os levaram a ter uma cadeira cativa ali.

Na conversa com o livreiro Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, nenhum deles jamais havia ouvido aquele vocabulário antes: iPad, e-pub, Kindle, Adobe Content Server, e-books, tablet, arquivos PDF. “Hein?”, retruca um.

A resistência era proporcional à curiosidade: se haverá mais escritores, como ficam os direitos autorais e qual a sensação de ler na tela eram algumas perguntas.

Prefiro ler no papel“, diz Herz, com um iPad revestido de capa de livro antigo.

Não teremos mais edições esgotadas, isso é uma tremenda vantagem“, completa o livreiro, que deixou a turma de escritores boquiaberta ao dizer que ganhara do filho uma máquina de datilografar, daquelas antigas, que se conecta a seu tablet.

Videorreportagem e edição: Márcio Neves

Nossa geração não tem essa capacidade, mas temos de acreditar no casamento do livro tradicional com o eletrônico“, diz o acadêmico Paulo Nathanael Pereira de Souza.

Quero continuar a ler meus livros em papel, corrigi-los, sou de outra formação“, afirma o jurista e imortal José Cretella Júnior.

Confesso que estou em estado de perplexidade com esse livro eletrônico, mas sou ‘dos antigamente’“, diz Lygia Fagundes Telles, também imortal da Academia Brasileira de Letras, que até hoje escreve romances à mão.

Os acadêmicos também se impressionaram com os milhares de livros armazenados nos leitores digitais. “Viajar com uma máquina dessas com 3.000 livros é mais fácil do que levá-los na mala“, afirma o imortal Antonio Penteado Mendonça

POR VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO | DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha.com | TEC | 17/09/2010 – 07h01

Como fica o livro impresso com o advento do e-book?


Desde que Gutemberg inventou a imprensa, o livro como conhecemos se perpetuou. À época, monges católicos criticaram a invenção e amaldiçoaram o mecanismo que fazia em poucos minutos o que um especialista em litografia levava semanas.

Agora estamos passando por um processo parecido. Quando a Amazon Books lançou o Kindle, leitor digital de fácil transporte e capacidade de armazenamento absurda, um novo ciclo no mercado editorial se iniciou.
Ao contrário do que se possa pensar, criar um e-book não se resume simplesmente em criar um arquivo em formato .pdf [Acrobat Reader] e disponibilizar para download, cobrando por isso. Existem centenas de plataformas, centenas de formatos e é necessário converter a mídia impressa para cada uma delas.

Nos EUA, o Nook da Barnes & Nobles e o novo Kindle disputam mercado, sendo o primeiro consideravelmente mais barato e funcional que o segundo. Em terras tupiniquins, só agora se começa a entender esse fenômeno que, no exterior, já se tornou costume. A principal líder nacional no segmento “livraria digital” é a Gato Sabido, cujos livros eletrônicos são produzidos para o leitor Coo-ler. A falta de versões em .pdf’s e “imposição” de um formato ao consumidor são fatores importantes a serem observados. É indiscutível o crescimento que a empresa teria se passasse a produzir material também em formatos ditos “universais”.

Com isso, surge a questão: o livro impresso desaparecerá?

Conversei com personalidades do mundo editorial sobre o assunto. Confira as opiniões.

Cassandra Clare, autora do best-seller The Mortal Instruments

Eu não tenho medo de e-books. É normal ter medo de mudar, mas eu não acho que os e-books farão o download ilegal ploriferar assim como aconteceu com a indústria fonográfica. As pessoas não consomem livros da mesma maneira que consomem música. Quando as pessoas querem um livro, eles querem que a coisa toda – quando as pessoas compram música muitas vezes querem apenas uma ou duas músicas de um álbum. Agora, eles podem receber apenas aquela canção do CD, ao invés de comprá-lo inteiro. Mas ninguém quer apenas um capítulo de um livro“.

Lauren Kate, autora do best-seller Fallen

Admito, não sei muito sobre downloads ilegais, mas acho que a revolução do livro ocasionada pelo Kindle é muito grande, mas não começou agora. Houve bastante tempo para o mercado editorial perceber se isso era rentável ou não, usando indústria fonográfica como exemplo, para então se preparar melhor focando-se nas deficiências da segunda. Existem ainda alguns desafios a serem trabalhados, mas acho que, no geral, um sistema amplo e justo foi alcançado, com autores e editores ainda sendo compensados por seus produtos. Fallen está disponível no e-book e estou contente em dizer que as vendas estão indo muito bem“.

Lucia Riff, sócia fundadora da maior e mais importante agência literária brasileira

Quando fui convidada pela primeira vez a falar sobre esse tema, logo recusei. Pedi para falar de agenciamento, de direitos autorais, de qualquer coisa, menos de e-books. Isso porque o advento do e-book é algo relativamente novo e não me sentia segura para discorrer a respeito. Mas é um assunto do qual já não se pode mais fugir. A transformação do mercado editorial é algo vivo, real e deve ser encarado. Não sei o que pensar sobre e-books. É indiscutível as vantagens que ele traz – baixo custo, portabilidade, acesso fácil e rápido a livros enclausurados no Acervo dos Raros de bibliotecas federais, mas ele acaba tolhendo um pouco a liberdade do leitor – um arquivo baixado hoje não é garantia de que ele existirá amanhã. Recentemente, a Amazon foi processada por disponibilizar o célebre “1984” de George Orwell de forma gratuita, achando que a patente autoral já havia sido quebrada. Não tinha. Em um dia, centenas de e-books foram baixados. No outro, todos esses e-books tiveram seus respectivos conteúdos recolhidos e desapareceram dos eReaders sem uma explicação prévia por parte da empresa. O Google acaba de ser processado pelo ambicioso projeto de digitalizar todo o conhecimento humano e disponibilizar na rede, uma Biblioteca de Alexandria Moderna. E os autores, como ficam? E o autógrafo? Houve uma época em que ter um livro autografado pelo autor era quase como sustentar um troféu. E agora, cobraremos pela presença? E a liberdade que eu tenho de emprestar, dobrar e esconder um livro debaixo da cama, por exemplo? E os mais diferentes formatos, cores e formas? Será que, no futuro, teremos bibliotecas que emprestarão um chip com o conteúdo do livro? Tudo isso nos leva a pensar se essa revolução é mesmo benéfica, mas precisa ser estudada de todos os ângulos“.

Por aqui, a UFMG inova em pesquisas ambiciosas e ousadas. O Professor Chico Marinho, durante a Bienal do Livro de Minas Gerais, em debate realizado em 21/05/2010, no Expominas, falou para uma platéia vasta sobre os avanços na tecnologia dos eReaders.

“Estamos analisando o e-book de um ângulo diferente do mercado editorial atual. Nossos estudos avançam no sentido de criar um livro que modifique suas histórias de acordo com o humor do usuário. Assim, o eReader seria capaz de constatar modificações de ordem fisiológica e emocional e alterar o produto às necessidades do consumidor final, gerando conteúdo mutável e personalizado”.

Há de se considerar ainda a interatividade que esse novo formato digital trás ao leitor. Durante a Bienal de São Paulo desse ano, era possível observar um show de tecnologia no stand da Editora Globo. Inovando, o grupo editorial está formatando as clássicas histórias do Sítio do Picapau Amarelo, escritas pelo lendário Monteiro Lobato, para o iPad, a plataforma da Apple de Steven Jobs. Assim, crianças ainda iniciantes ou iniciadas na nobre arte de viajar através da leitura puderam ver livros com animações, vídeos e áudios. Um novo conceito que já tem nome: mediabooks.

Especular se os livros “físicos” vão desaparecer diante a novidade é excluir todos os méritos que esse formato possui há séculos. Concordo com Cassandra Clare quando ela cita as diferentes formas de consumo entre o mercado editorial e o fonográfico e penso que essa nova mídia tem como objetivo acrescentar, e não extinguir.

E-books são sim uma realidade promissora e que, de agora em diante, só irão expandir, mas como uma alternativa viável a quem não faz questão de montar uma biblioteca pessoal, quem usa uma obra de forma descartável [lê e abandona] ou simplesmente para quem não pode pagar R$70,00 reais em um texto, num país de terceiro mundo, onde a grande maioria da população ainda vê o hábito da leitura como algo elitista e inalcançável.

Por Igor Silva | Publicado originalmente em Vá ler um livro | 10/09/2010 | 11:46:50

Livros digitais ganham força, mas falta de aparelhos complica vida dos brasileiros


Maior parte dos e-reader está disponível apenas para compra no exterior

Nook, leitor digital'Barnes & Nobles, não está disponível no Brasil. Photo: Getty Images

Quem viu de perto o surgimento do televisor, na década de 50, vivenciou também a dúvida sobre o quanto a tecnologia impactaria no futuro do rádio. E como tudo que é novo, o e-book ou livro digital , que começa a ganhar força no Brasil neste ano, chega assombrando, no caso, o livro impresso.
Quem está há muitos anos em meio a milhares de páginas garante que a tendência é irreversível, mas não dominante. O mercado de livros, nos próximos anos, não será exclusivamente online, aposta o presidente da Câmara Mineira do Livro, José de Alencar Mayrink, certo de que o primeiro exemplar de um livro dificilmente será digital.

Para ele, autores e editoras darão preferência para o lançamento nos dois formatos e só depois definirem quais obras devem ficar restrita à distribuição por meio digital.

– Brasileiro adora tecnologia e o livro digital pode até aumentar o número de leitores no país. Antes, quem não tinha disposição para abrir um livro e passar as páginas, hoje pode rolar o mouse e acompanhar a história na tela.

Apesar dos e-readers [leitores eletrônicos] terem alavancado o setor, o livro digital existe antes desses dispositivos. Há muito tempo já se usa o livro digital. Eles são “passados” para o computador em formato PDF, extensão do Adobe Reader, e lidos em notebooks, desktops e smartphones. O surgimento dos e-readers é que tornou possível transportar mais obras e ter acesso a elas a qualquer hora e lugar. Os aparelhos com menor memória cerca de 2 gigabytes armazenam até 3.000 títulos.

O mais famoso dos e-readers até por ter sido o primeiro do mundo a chegar mais perto do que desejavam os consumidores é Kindle, criado e vendido pela empresa norte-americana Amazon.

Produto sem o qual o médico Joaquim Bonfim não consegue mais viver. Ele comprou o aparelho há apenas um mês e já instalou 44 livros e assinou um jornal diário. Para quem duvida do conforto visual que esses dispositivos oferecem, o médico garante não perceber diferenças.

– Trabalho com medicina de diagnóstico por imagem. Por isso sei que a tecnologia e-ink, que imita o papel original, é perfeita para a saúde. É como ler um papel comum. Não tem comparação com a leitura em um computador ou celular.

O aparelho escolhido por Bonfim foi o Kindle DX, chamado também de internacional, que possui conexão 3G, tela de 9,7 polegadas e lê arquivos não só no formato AZW [sob o qual estão os livros vendidos no portal da fabricante] como nos primeiros modelos da Amazon, mas também PDF, TXT, PRC, DOC, MOBI, JPEG, HTML, GIF, PNG e BMP. Ou seja, dá para variar bastante.

“Diagramação” ao gosto do leitor

Mas se a moda vai pegar ou não, talvez ainda seja cedo para dizer. Há quem acredite que a adaptação ao livro digital será demorada, muito maior do que a rápida adesão aos formatos MP3 e MP4, reprodutores de música e vídeos digitais.

Para o diretor de mídias digitais da Editora Gente, Roberto Melo, a experiência de ler um livro é diferente conforme o dispositivo, ao contrário de quando se ouve música.

– Não importa se o jazz está rodando em um CD, player MP3 ou telefone celular. A música que chegará aos ouvidos é a mesma. Mas, ler um conto de Machado de Assis em um livro impresso é totalmente diferente de ler em uma tela de um smartphone ou do computador.

Mas existem pessoas que, por exemplo, preferem ler livros técnicos em leitores digitais e computadores pelo fato de poderem inserir anotações, marcações e cálculos, sem danificar a obra.

Além de afirmar que a experiência da leitura digital varia de acordo com o perfil de cada leitor, Melo diz que os e-readers podem oferecer vantagens e desvantagens. Um lado bom é a possibilidade de o usuário diagramar o texto da melhor forma que lhe convir, pois a maioria dos livros eletrônicos são editados de forma que é possível alterar a fonte e ajustar o conteúdo de acordo com o tamanho da tela.

Um deles é o ePub, arquivo programado na linguagem XML, que permite a conversão automática de conteúdos escritos. O aspecto negativo atinge os designers que trabalharam na construção do livro, que por essa possibilidade temem o desemprego. Outro fantasma que anda de mãos dadas com a tecnologia.

Poucas opções chegam ao mercado nacional

São incontáveis os fabricantes e modelos de e-readers no mercado desde o surgimento dos livros digitais. Uns mais conhecidos, outros menos. Mas pouquíssimos estão disponíveis no Brasil. A Sony, por exemplo, em 2007, logo após o lançamento do primeiro Kindle, soltou no mercado seu primeiro e-reader, para competir com o produto da Amazon: o Sony PR-300. Desde então, vem lançando vários outros modelos e os mais recentes são o PRS-600 Touch Screen e o PRS-900 Touch Screen. Mas só estão à venda na Europa e nos Estados Unidos.

A Samsung também lançou seu e-reader, em março deste ano, em Nova York. Com preço de U$299, o dispositivo tem tela 6 polegadas e, em vez de touch screen, é sensível à caneta de ressonância magnética. Aceita arquivos nos formatos ePub, PDF, TXT, BMP e JPG, com memória de 2GB que pode ser expandida com cartão SD.

Além disso, a empresa anunciou parceria com a rede de livrarias Barnes & Nobles para os usuários terem acesso ao acervo das lojas. Mais uma vez, só compra quem for à terra do Tio Sam. Além da Sony e da Samsung, fabricantes como Onyx, Neolux Corporation, Lbook, Elonex, Endless Ideas, Astak e Aluratek também investem em leitores de livros digitais e lançam novidades periodicamente.

A pouca disponibilidade desse tipo de aparelho no Brasil pode ser explicada pela recente chegada do livro eletrônico no país. Nas livrarias que já vendem as obras digitais, não há comparação entre os títulos estrangeiros com os nacionais. Os daqui, perto das mil unidades. Os de fora, ultrapassam as 100 mil. Por isso o mercado ainda não tenha visto motivos para investir nos dispositivos.

Mas se você ficou curioso ou mesmo interessado em um e-reader, fique atento a algumas dicas para comprar um que seja adequado ao seu perfil. Primeiro, veja se há necessidade de conexão sem fio e 3G – quando o cotidiano é um corre-corre, é o indicado, pois pode-se comprar livros de qualquer lugar. Se for um aficionado por livros, daqueles que lêem em filas de espera, bancos de praça, em todo lugar, o ideal é um e-reader com tela menor, que caiba na bolsa ou mochila.

Cada vez mais os e-readers adequam aos diferentes formatos, mas é bom observar esse detalhe antes de comprar. Quanto maior o suporte a diferentes arquivos, melhor. Se você gosta de fazer anotações enquanto lê, de preferência aos dispositivos com esse diferencial. Assim não é necessário um e-reader e papel e caneta ao lado.

Vale dar uma conferida para ver se o seu estilo de livros preferido já tem muitas versões digitais, para não gastar dinheiro a toa. E a pesquisa de preços continua valendo como velha e boa dica.

Por Franciele Xavier, do Hoje em Dia | Publicado no Portal R7 em 23/08/2010 às 15h44

Os e-books têm futuro no Brasil?


SÃO PAULO – Os livros digitais começam a sair do papel no Brasil. iniciando uma transformação nos hábitos de leitura do brasileiro.

Todas as previsões indicam que eles vão se espalhar rapidamente nos próximos anos. Mas isso não significa que você já possa começar a esvaziar a estante. Não são poucos os obstáculos que os e-books ainda enfrentam para se popularizar por aqui. Há dificuldades no processo de digitalização, resistência das editoras e pequena variedade de leitores eletrônicos, que custam caro. Enquanto lá fora os e-readers se multiplicam, por aqui só chegaram dois modelos: o Cool-er, vendido pela livraria virtual Gato Sabido, e o Kindle, da Amazon. A quantidade de obras em português cresce sempre, mas ainda é pequena. Poucos best-sellers e livros de autores consagrados estão disponíveis.

Apesar do cenário desfavorável, as empresas do setor já investem nesse novo mundo. Aos poucos, o número de livrarias que vendem conteúdo digital aumenta. A primeira a surgir foi a Gato Sabido, inaugurada no fim do ano passado. Depois, foi a vez da Livraria Cultura. Já a Saraiva planejava abrir sua loja de e-books na web até o fim de maio. Outra que tem planos de entrar na disputa é a Fnac, que pretendia iniciar a venda de e-readers neste mês. Esse movimento quase repentino tem uma razão.

Estudos indicam que o mercado de livros digitais vai crescer nos próximos anos, inclusive no Brasil.Um levantamento divulgado em abril pela empresa americana InStat aponta que serão vendidos neste ano 10 milhões de e-readers no planeta, contra 3,9 milhões no ano passado — um crescimento de 156%. A empresa prevê que, em 2013, a quantidade de equipamentos comercializados chegue a 28,5 milhões. “Esses aparelhos estão ganhando mais funções e os preços começaram a cair”, diz Stephanie Ethier, analista-sênior da InStat.

A expansão ocorre em escala global. Em 2009, 83% dos leitores digitais foram vendidos nos Estados Unidos, e apenas 17% em outros países. Em 2013, a parcela correspondente ao resto do planeta deve atingir 45%. Já a venda de tablets como o iPad, da Apple, crescerá de 2,7 milhões de unidades em 2010 para 16 milhões em 2013, prevê a InStat.

Outra análise, feita pela Forrester Research no fim de 2009, chegou a números que também indicam crescimento acelerado. As vendas de e-readers projetadas para o fim do ano nos Estados Unidos devem alcançar 6 milhões de unidades, contra 3 milhões em 2009. A empresa acredita que a chegada de uma nova geração de equipamentos, com telas coloridas e sensíveis ao toque, deve impulsionar o setor. A Forrester também destaca que o lançamento do iPad e de outros tablets aumentará o interesse por e-books.

Hora de experimentar

Entre as editoras brasileiras, a ordem é experimentar. Todas estão de olho no potencial desse mercado, mas preferem agir com cautela. A receita adotada é escolher alguns títulos, convertê-los para o formato digital e acompanhar a reação do consumidor. Um dos principais receios está na possibilidade de a obra ser baixada ilegalmente. “Na Espanha, há uma lei que obriga as editoras a digitalizar as obras. Por causa dela, a pirataria aumentou muito”, afirma Sérgio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura. Segundo ele, também sobram dúvidas quanto aos contratos com os autores, o modelo de negócios e o preço. “Hoje, os e-books representam de 1% a 2% do mercado brasileiro”, diz.

Pode parecer pouco, mas os dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, feita em 2007 pelo Observatório do Livro e da Leitura, mostram que 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento indicou também que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. É bem possível que uma parte desse público, acostumado com o formato, passe a consumir e-books e e-readers. A adesão vai depender do preço cobrado pelos aparelhos e pelas obras. Atualmente, dá para encontrar edições por um valor médio de 25 reais e leitores na faixa entre 750 e 1 000 reais.

A aposta em formatos alternativos também pode ser uma solução. “No futuro, será possível comprar capítulos e ler livros multimídia”, afirma Marcílio D’Amico Pousada, presidente da Livraria Saraiva. Por enquanto, contudo, a empresa preferiu investir no modelo mais tradicional. A loja da Saraiva vai vender títulos nos formatos EPUB e PDF, que poderão ser lidos na tela do computador, por meio de um software. Outra opção será usar um aplicativo para iPhone e iPad, que ainda está sendo desenvolvido.

O leitor quer mais títulos

Enquanto algumas editoras brasileiras lançam um punhado de livros digitais e esperam o resultado, outras não perdem tempo. Uma das que mais têm apostado em e-books é a Zahar, que já converteu cerca de 400 obras do seu catálogo. “Tomamos essa decisão porque temos certeza de que as pessoas vão consumir livros em formatos digitais. Nossa meta era entrar nesse mundo o quanto antes”, explica Mariana Zahar, diretora-executiva da empresa.

Ao mergulhar nessa experiência, ela descobriu as limitações do formato EPUB, que está se consolidando como o padrão mundial de arquivo para e-books. “Esse formato é ultrapassado. E o processo de publicação é muito mais lento e árduo do que imaginávamos.”Converter um livro não significa que a editora vá pegar o arquivo de uma obra, clicar em “Salvar como EPUB” e esquecer o assunto. É preciso formatar o texto novamente. Os problemas são maiores quando existem imagens, gráficos e tabelas. Criar uma obra interativa, então, é missão quase impossível. Apesar das dificuldades, as editoras brasileiras e as lojas virtuais têm seguido a tendência mundial de adotar o EPUB. O formato permite incorporar proteção de direitos autorais [DRM], criar arquivos compactos e pode ser lido com o software Adobe Digital Editions, compatível com múltiplos e-readers.

Para os leitores, o pequeno volume de obras em português parece ser o principal impedimento à popularização dos e-books. Faltam principalmente títulos de ficção nas lojas virtuais. “Todo mundo construiu uma estrada em que não estão passando carros. Os clientes, muitas vezes, passam de cinco a dez minutos procurando um livro e se frustram por não achá-lo”, diz Carlos Eduardo Ernnany, presidente da Gato Sabido.

Cadê o iPad?

Colorido, com ampla tela sensível ao toque e bateria de fôlego, o tablet da Apple pode mudar radicalmente a indústria de e-books. “Existe um otimismo em relação ao iPad. Ele é visto como um dispositivo capaz de virar o jogo”, diz Fabiana Zanni, diretora de mídia digital da Editora Abril. As possibilidades oferecidas pelo aparelho vão muito além do que pode ser feito com o EPUB nos atuais e-readers. Revistas e jornais já conseguem, por exemplo, ter edições recheadas de conteúdo multimídia. O dispositivo, porém, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Também não se sabe se a loja online da Apple [que agora vende também livros] estará disponível aqui. São sinais de que a epopeia dos e-books tem futuro, mas está só começando.

Maurício Moraes | InfoAbril | 23/07/2010

Leitores de livros eletrônicos dão força à digitalização de obras e podem aumentar a pirataria


Os e-readers resolveram se modernizar e enfrentar a concorrência dos tablets e dos livros tradicionais. Com telas e peso semelhantes às publicações de papel, conectividade 3G e Wi-fi e compartilhamento das opiniões com outros leitores pelas redes sociais, os leitores de livros digitais conseguiram conquistar milhares de adeptos. De abril a maio de 2010, foram vendidas 740 mil unidades no mundo, sendo a liderança atingida pelo Nook — um e-reader da Barnes & Nobles, a livraria norte-americana. No primeiro quadrimestre, o acumulado chega a 1,4 milhão de aparelhos vendidos, de acordo com dados da Digitimes Research.

Não são apenas as empresas que fabricam os leitores de livros digitais que estão comemorando os resultados. As editoras também encontraram um novo segmento para faturar. Uma pesquisa da comScore apontou uma alta tendência entre os consumidores de e-readers — principalmente o público jovem — de pagar por jornais e revistas formatadas para esse aparelhos. Entre os usuários de 25 a 34 anos, 59% disseram que pagariam por um conteúdo virtual. O interesse se reflete nos lucros. De acordo com a consultoria norte-americana PricewaterhouseCoopers, o mercado de e-books vai passar de US$ 1,1 bilhão, índice atingido em 2009, para US$ 4,1 bilhões até 2013.

As editoras de livros e revistas há alguns anos já se preparavam para esse mercado. A Editora Matrix, com 10 anos de mercado, foi pioneira em fechar contratos para publicação de livros tanto no formato digital como em papel. “Somos uma das poucas editoras que, desde que surgimos, estamos nesse mercado. Fomos um dos primeiros a lançar um livro virtual há 5 anos, mas foi algo que não pegou porque o mercado ainda não estava pronto. Hoje, estamos mais preparados, há aparelhos e leitores para isso, além da disseminação mais segura e organizada”, explica Paulo Tadeu, da Matrix.

Ele acredita que o mercado de e-books é novo e não será algo que vai acabar com os livros de papel. “Eles vão conviver, não posso falar em proporção, ou quanto um vai tirar de vendas do outro. Mas aposto que é uma nova forma de se ver os livros”, ressalta Tadeu. A forma de leitura também deve mudar, assim como a revista Wired fez ao lançar a publicação para iPad com recursos interativos e multimídia. “O livro ter apenas letrinhas é questão de tempo para mudar. Uma série de ferramentas de interação, como vídeos e gráficos, vão começar a surgir a partir de agora”, acredita.

Os e-books também devem ser responsáveis por criar uma nova legião de leitores. “O livro virtual vai dar acesso à leitura para um novo público e a tendência é que haja mais leitores. No fim das contas, todos vão sair ganhando”, afirma Tadeu. Para os autores, os livros digitais serão uma nova forma de ganhar dinheiro com as vendas das publicações. “A próxima briga agora vai ser em relação ao preço. Os autores vão querer ganhar mais e os autores exigindo pagar menos. As editoras terão que balancear os dois lados”, explica.

A Companhia da Letras promete uma parceria com a norte-americana Penguin. “Todos os títulos dessa parceria serão lançados simultaneamente como livros impressos e e-books. A partir do final de julho, os leitores poderão escolher entre clássicos de papel ou digitais”, dizem os representantes da empresa.

As livrarias virtuais brasileiras também já começam a aderir o sistema de compras de e-books. A Livraria Saraiva disponibiliza no seu site uma loja exclusiva para a venda de livros digitais, inclusive com títulos gratuitos[1], como Cidade dos Homens, de Elena Soárez, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. A Cultura também põe à disposição o programa Adobe Digital Editions, para leitura no computador.

Prateleira pirata
Com a popularização dos e-books, outra questão também é levantada pelas editoras: a distribuição ilegal das publicações na internet. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] retirou do ar de agosto do ano passado até janeiro deste ano 15,7 mil links para download piratas de livros. Cerca de 80% dos pedidos para remoção do material foram acatados sem o acionamento da Justiça. “A maioria das pessoas que disponibilizam esse material na rede não sabe o crime que está cometendo e aceita retirá-lo”, afirma Dalízio Barros, consultor jurídico da ABDR.

A fiscalização na internet é feita diariamente pela Associação. A equipe desenvolve pesquisas para descobrir os sites no qual estão sendo feito o maior número de downloads ilegais. “Alguns associados também denunciam quando veem o conteúdo em alguma página”, diz.

A Matrix trabalha comuma empresa de segurança que impede a distribuição de livros entre usuários. “No entanto, ainda há a possibilidade de alguém digitalizar um livro e distribuí-lo É uma forma mais difícil de repreensão, mas possível. A pirataria deve ocorrer dessa forma no campo dos e-books”, acredita Paulo Tadeu, da Matrix.

Na Europa, dados apontam um efeito contrário com a chegada dos leitores de livros, principalmente no âmbito universitário, com a diminuição do download pirata. “O conteúdo do livro digital é mais barato. Quando você precisa de uma visualização rápida ou uma simples consulta, o formato digital é mais rápido. Se o preço do produto é melhor que em uma livraria, ele vai adquirir a publicação”, explica Barros.

A ABDR possui um projeto voltado aos estudantes para evitar a propagação de livros digitais sem autorização. O portal Pasta do Professor foi criado para atender a demanda dos alunos em adquirir conteúdo de suas bibliografias de forma fracionada — pode-se baixar apenas os trechos pedidos por professores nas salas de aula. Grandes editoras já fazem parte da iniciativa. “O maior problema para ampliar esse projeto nas universidades públicas é a burocracia. Instituições particulares, como a Estácio de Sá, já abandonaram as fotocópias e o adotaram”, ressalta Barros.

Google Books
» A empresa conhecida pelo sistema de busca fechou um acordo com a Associação de Editoras Americanas e mais 20 mil outras editoras no mundo para trabalhar em conjunto e montar um grande acervo de livros on-line. No momento, é possível pesquisar o texto completo de cerca de sete milhões de publicações. Há ainda o Projeto Biblioteca, que conta com a parceria de bibliotecas, como a da Universidade de Harvard, para disponibilizar o acervo no site. Os livros que possuem direitos autorais têm apenas trechos exibidos.

EPUB OU PDF
» A maior parte dos leitores de livros digitais e também dos tablets adotam o ePub e o PDF como principais formatos para leitura. O ePub é um formato criado pela união de várias empresas ligadas à área de produção e comercialização dos livros e representado pela International Digital Publishing Forum [IDPF]. O formato permite que as obras sejam produzidas e enviadas em apenas um arquivo e com proteção à edição. Já o PDF é o formato mais conhecido. Criado pela Adobe, os e-books ganham uma aparência original no formato e preservam as informações dos arquivos de origem. No entanto, a edição pode ser feita pelo programa Acrobat.

LEITURA MAIS LENTA
» A falta de concentração na leitura dos livros ainda é um problema para os e-readers. Um estudo da Nielsen Norman Group feito com 24 participantes mostrou que a velocidade de leitura cai 6,2% no iPad e 10,7% no Kindle se comparado à versão impressa. De acordo com a Nielsen, é esperado que as empresas invistam em telas de qualidade melhor para melhorar o tempo de leitura.

Por Ataide de Almeida Jr. | Publicado originalmente no Correio Braziliense | 13/07/2010 13:51

Livros digitais no Brasil: como, onde e por que [talvez não] comprá-los


Foto: Flickr

Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.
Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42
Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.

Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42

Em evento, Jobs recua e anuncia PDF para iPad


O executivo-chefe da Apple, Steve Jobs, anunciou a possibilidade de leitura de arquivos PDF no tablet da companhia, o iPad.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira [7], em evento da compahia voltado a desenvolvedores.

Trata-se de uma das grandes demandas dos consumidores, de acordo com Jobs –e também da primeira concessão da companhia em relação à Adobe, que também fabrica o Flash [o software foi alvo de ataques de Jobs pelas características tecnológicas].

O iPad já vendeu mais de 2 milhões de unidades no mundo, em pouco mais de dois meses de existência.

Ainda de acordo com Jobs, mais de 5 milhões de livros digitais foram baixados desde que o tablet da Apple foi posto à venda.

Outros 35 milhões de downloads dos 8.500 aplicativos desenvolvidos para iPad foram feitos, disse o executivo.

No final de abril, o executivo-chefe da Apple, Steve Jobs, tornou pública sua aversão ao software Flash, alegando que o produto da Adobe é uma decepção em dispositivos móveis com tela sensível ao toque, como o iPad e o iPhone.

O Flash foi criado durante a era do PC [computador pessoal] para PCs e mouses“, afirmou Jobs, em uma longa mensagem postada no site da empresa de Cupertino, na Califórnia [a íntegra está disponível aqui, em inglês].

Folha.com | Tec | 07/06/2010-14h18 | MARIANA BARBOSA ENVIADA ESPECIAL DA FOLHA A SAN FRANCISCO | MARINA LANG DE SÃO PAULO

Saiba como ler e-books mesmo sem ter um equipamento como o Kindle


Após o lançamento do Kindle, o mercado de e-readers [leitores eletrônicos] cresceu consideravelmente: tanto é que uma série de equipamentos foram apresentados durante a CES 2010, realizada no início do ano em Las Vegas. No entanto,  há poucas opções no país e as que têm ainda são caras [o Kindle sai por cerca de 1 mil e o Cool-er custa R$ 750]. Uma solução para contornar a situação é ler e-books no próprio computador ou em  smartphones. Confira abaixo algumas dicas de programas que cumprem essa função:

Pelo computador

Ainda que algumas pessoas não gostem de ler no computador, há pessoas que não veem problema em ler diante do monitor. Até por que, diferente de boa parte dos e-readers, os computadores têm telas coloridas, o que torna a leitura de alguns livros, quando tem imagens, mais interessante.

Kindle for PC

Com esse intuito, a Amazon, que fabrica o Kindle, disponibilizou um programa, o Kindle for PC, para a leitura de livros baixados na loja de comércio eletrônico. Após fazer um cadastro no site, o programa dá acesso direto à divisão destacada para a parte de e-books, porém o programa só lê arquivos com a extensão AZW, que é um formato proprietário para o leitor digital americano. Para contornar o problema, já há formas de transformar títulos PDF para o AZW. Um exemplo disso é o programa Calibre, que faz esse processo de conversão.

Outras alternativas

Em contrapartida, há ainda os formatos PDF e ePUB, com milhares de títulos gratuitos disponíveis em sites como o Google Books ou o Domínio Público. Para ler arquivos PDF, é necessário baixar algum leitor deste tipo de extensão. Há várias opções como: Adobe Reader, Foxit Reader, o Sumatra PDF, entre outras. Todas essas são gratuitas.

O formato ePUB, que promete ser uma espécie de MP3 do mundo dos livros digitais, sobretudo por não ter DRM [Gestão de Direitos Autorais, em português], também é largamente utilizado por sites de e-books. Para ler arquivos com essa extensão tem o FBReader e o Digital Editions, da Adobe. Muito mais que um leitor de arquivos, o Digital Editions é uma espécie de gerenciador de e-books. O programa organiza os livros em “prateleiras” e também lê arquivos PDF.

Smartphones

Para os que não se incomodam com o tamanho de tela reduzido, alguns smartphones oferecerem programas para leitura. Alguns são específicos para leitura como o iSilo ou o Kindle e outros, como o Adobe Reader Mobile só leem PDF.

Tela de um iPhone, rodando a versão do Kindle para celular

iPhone

Para quem não quer comprar um e-reader como o Kindle ou o Cool-er, pode optar em ler livros eletrônicos no  smartphone. Para usuários de iPhone tem algumas opções de programas: o Kindle for iPhone, que inclusive permite o download de livros; o iSilo, o PDF Reader e o Documents to GO. Esse último, além de ler PDF, edita arquivos do Word e do Excel. Há também opções gratuitas como o Good Reader Lite e o eReader. Todos disponíveis na iTunes AppStore.

Symbian

Os usuários com telefones Symbian podem baixar leitores de livros eletrônicos como os gratuitos eReader [lê PDF e ePUB] e Adobe Reader ou o Documents to GO, que é pago e conta com uma série de aplicativos que transformam o smartphone em um escritório: o programa lê e edita arquivos PDF, DOC, XLS. Algumas versões até editam apresentações do Power Point.

Windows Mobile

Para o sistema da Microsoft está disponível o Mobipocket. O programa permite configurar o espaçamento das linhas do texto e realizar buscas, porém ele usa o formato PRC, comum em dispositivos Palm. No site do aplicativo há uma série de títulos disponível para download.

Com o mesmo estilo e suportando mais formatos há também o iSilo e o eReader.

Android

Um dos aplicativo para leitura de livros em celulares com sistema Android é o Aldiko. O programa, que pode ser baixado gratuitamente na Android Market, quando conectado à internet, disponibiliza uma série de livros ePUB para download.

Para acessar a lista completa e atualizada de aplicativos Androids, o usuário deverá acessar a loja de aplicativos direto do celular com o sistema. Caso contrário, só será possível visualizar alguns aplicativos.

Blackberry

Recentemente, a Amazon disponibilizou o Kindle for Blackberry para usuários americanos. Até o momento não há previsão para que o programa fique disponível no Brasil. Porém, a Blackberry mantém uma loja de aplicativos, parecida com a iTunes Store e a Android Market, onde podem ser buscados e-readers. A Blackberry App World conta com programas pagos como o BeamReader PDF Viewer e o Documents to Go. Gratuito tem o  WattPad, que dá acesso a mais de 200.000 e-books.

GUILHERME TAGIAROLI | Do UOL Tecnologia | 20/02/2010 – 08h00

iPad, outra novela


A Apple Inc. e a Adobe Systems Inc. costumavam ser boas parceiras, mas começaram a se afastar cada vez mais desde que a fabricante americana de computadores anunciou o “tablet” iPad. Embora o diretor-presidente da Apple, Steve Jobs, tenha anunciado que o iPad vai revolucionar a navegação na internet, o aparelho não é compatível com a onipresente tecnologia de vídeo Flash, da Adobe. Depois que essa informação foi divulgada, a ação da Adobe caiu 3%. Numa reunião interna, Jobs disse a seus empregados que o Flash é cheio de “bugs”. A Adobe, por sua vez, reagiu com textos em seu blog. A Adobe também afirma que desenvolveu uma versão do Flash que é compatível com o iPad. O único obstáculo remanescente é que “é preciso ter a cooperação da Apple para levar o programa ao aparelho“, diz Kevin Lynch, diretor de tecnologia da Adobe.

Valor Econômico – 12/02/2010 – Por Ben Worthen e Yukari Iwatani Kane, The Wall Street Journal

Yahoo! e Google disputam livro digital


A digitalização de grandes coleções de livros se tornou um novo campo de batalha entre a Yahoo! e a Google para liderar o mercado da internet, após o anúncio das duas empresas sobre ambiciosos planos no setor.

A Yahoo! – com a Adobe, Hewlett-Packard [HP] e uma série de universidades e outras organizações – se lançou à empreitada com a criação da Aliança Aberta de Conteúdo [OCA]. Este grupo pretende digitalizar o conteúdo de uma série de livros cujos direitos de autor expiraram, são de domínio público ou foram concedidos por seus escritores. A OCA se junta, assim, ao trabalho realizado pela Google há meses, que consiste em digitalizar livros que não só são de domínio público ou seus direitos de autor expiraram, mas também os que têm a autorização de seus editores para mostrar seu conteúdo na rede.

Apesar de, a princípio, as duas iniciativas serem similares, as diferenças são grandes, entre elas o fato de que a Google restringe a busca do conteúdo a seu próprio site, enquanto a coleção da OCA estará também disponível para outros sites de busca, incluindo o próprio Google. Seja qual for o caminho escolhido, os que impulsionam estas bibliotecas virtuais afirmam ser fundamental a participação de bibliotecas “reais” no processo, pois se apenas o trabalho que atualmente está imprenso ou à venda fosse incluído, segundo estimativas, conseguiria apenas 15% dos livros existentes no mundo. Os especialistas consideram que mais que a obtenção de um grande lucro, o sistema é um passo muito importante para ganhar presença na rede.

Publicado originalmente em Gazeta Mercantil | 5/10/2005