Guia de revisão de livros digitais


Já falamos sobre a importância de fazer a revisão do livro digital. Mas nem sempre o revisor está apto a fazer o trabalho. Isso pode acontecer por várias razões: o colaborador não ter o hábito de ler e-books ou, se lê, é ocasionalmente, sem explorar as funções que os aplicativos e leitores disponibilizam ou buscar entender por que aquele elemento está meio esquisito. Também pode ser que não tenha recebido as instruções corretamente. Então resolvi juntar uma meia dúzia de dicas que eu já ouvi, outras tantas que acabei usando para não surtar comprometer a qualidade do trabalho.

ATENÇÃO: este guia não substitui o conhecimento que vem com o hábito de ler e-books. As plataformas de leitura estão em constante atualização, e quem se propõe a trabalhar com esse formato de publicação precisa ter experiência com leitura de livros eletrônicos.

Recebendo o arquivo

Ótimo, você recebeu uma proposta de revisão de e-book. A primeira coisa que você deve fazer é: confirme se a empresa que te contratou tem um manual ou padrões específicos. Algumas têm, outras não. Então confira se você tem todas as ferramentas necessárias para cumprir as demandas. No geral, você só precisa do Adobe Digital Editions [ADE] e de um programa que leia PDFs, como o Adobe Reader. Mas às vezes pedem que o e-book seja conferido no formato MOBI, da Amazon, o que torna necessário instalar o programa Kindle para PCKindle Previewer. Também é importante um editor de texto, tanto para fazer o relatório final quanto para algumas anotações. A próxima recomendação é mais besta, mas pode ser de grande ajuda: quando receber o ePub, dê uma passada rápida até o fim, usando o scroll do mouse, mesmo. Em 2012 eu vivia tendo problemas com alguns fornecedores de ePubs, porque em certo ponto do arquivo um erro no código fazia o ADE travar e fechar. Não tenho me deparado com esse problema nos últimos tempos, mas o trauma de estar com o prazo apertado e de repente descobrir que o arquivo que eu tô usando não funciona é mais forte que eu.

A parte invisível

Como tudo no mercado editorial, sempre tem uma parte do trabalho que só vão reparar que você não fez se der problema. Então se garanta fazendo o quanto antes. Verifique se o livro tem sumário interno. Algumas editoras inserem esse sumário no e-book mesmo que não haja um no impresso. Se for esse o seu caso, vá passando pelo PDF e anotando os títulos de capítulo. Usar o TOC pode ser uma referência, mas e se houver algum problema nele? É até melhor usar uma fonte externa ao arquivo, como seria o sumário do livro impresso. Além disso, verifique se o ePub não recebe outros elementos que o impresso não tem, como uma página sobre o autor, obras relacionadas e até encartes de imagem, que nem sempre aparecem no sumário original. Depois confira os links tanto do TOC quanto do sumário interno. Há quem prefira deixar essa parte para o final, mas eu prefiro fazer primeiro porque o prazo sempre acaba ficando apertado é mais garantido.

Cotejo com obstáculos

O cerne da revisão do e-book é quase um cotejo com obstáculos, ainda mais no caso da não ficção. É aqui que o hábito de leitura no formato eletrônico faz a maior diferença. Você precisa entender a aparência do impresso nem sempre pode ser reproduzida no digital e saber apontar possíveis melhorias. Um exemplo simples: sabe quando a primeira linha do capítulo fica toda em versal/versalete? No e-book isso não faz o menor sentido, já que dependendo do tamanho da fonte o efeito pode terminar no meio da linha ou se estender por mais texto que o planejado. Caso você não tenha uma orientação da editora sobre como agir em relação a isso, sinta-se à vontade para fazer uma sugestão, como usar versalete só nas cinco primeiras palavras em todos os capítulos. Outro exemplo: notas de rodapé e final de livro. No geral, as notas de rodapé vão para o fim do capítulo e as de final de livro permanecem lá. Caso o livro tenha as duas hierarquias de nota, confira se elas estão sinalizadas de maneira diferente, para não confundir o leitor. Em livros com muitas notas, evite usar asteriscos, você pode acabar com um imenso ****** no meio do texto. Além disso, confira se todas elas estão indo e voltando. Também é bom ficar atento às imagens. No geral, quando há imagens no meio do texto, elas são deslocadas para o final de um parágrafo. Confira se faz sentido ela estar ali ou se foi mal posicionada. A proporção é outra questão importante, até porque caracteres especiais [desde ideogramas até códigos que podem aparecer em livros de fantasia e aventura] costumam ser transformados em imagem. Será que a imagem tem uma boa legibilidade tanto num tablet quanto num smartphone? Até há um recurso para que a imagem seja proporcional, mas nem sempre ele é lembrado, já que não funciona em todas as plataformas. Ainda assim, é bom sinalizar que pode ser usado. Há várias outras questões, mas hoje vou concentrar o post em facilitar sua rotina na revisão do ePub, ok? Caso você queira entender melhor os problemas que podem acontecer na conversão e suas possíveis soluções, é só falar com a gente

Finalizando e entregando

A essa altura, você já deve ter algumas anotações de problemas no seu editor de texto. Nem todas as editoras encaram bem sugestões editoriais, a menos que sejam erros mesmo, como questões de ortografia, falhas na formatação ou coisas assim. Tente entender qual é o posicionamento de quem te contratou. Depois, revise o relatório para ver se ele está compreensível. Eu costumo deixar algumas observações, como lembrar de verificar se certa formatação é um desvio ou um padrão, o que pode ser muito útil para mim, mas de pouca utilidade para quem vai implementar as mudanças. Se o manual que você recebeu explica como redigir o relatório, siga. Se não, minha sugestão é: número de página no PDF + trecho problemático com uma parte do entorno [ou uma descrição do conteúdo] + correção ou sugestão. Por exemplo:

P.35: em “o cachorro subiu a colina”, a palavra “subiu” deve estar em itálico.

P.114: a legibilidade do texto na imagem com dois dragões está baixa. Sugiro inserir uma legenda.

P.298: o parágrafo que começa com “No final de sua carreira…” parece ser o único com alinhamento à esquerta. Proposital?

Bom, esse não é o único método de trabalho possível, mas tem funcionado para mim há algum tempo. Como você revisa seus livros eletrônicos, ou o que espera de uma boa revisão?

Por Mariana Calil | Publicado originalmente em Colofão | 16/09/2015

Mariana Calil

Mariana Calil é formada em Produção Editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passeou pela produção gráfica, fez uma breve visita ao comercial e hoje é assistente editorial. Vive a utopia de que dá para trazer para o mercado a teoria da faculdade e levar para a academia a prática do cotidiano.

Livros do Futuro | O que você precisa saber sobre eBooks


Comecei ler cedo, no inicio da adolescência. Aos treze anos tornei-me leitor compulsivo. Hoje, aos 25 anos, creio ter lido aproximadamente 500 livros. Desse número, 90% foram impressos e os outros 10% em formatos digitais. Isso se deve ao fato de eu ser mais fã dos impressos. Sou daqueles que gosta de sentir o cheiro do papel, alisar a superfície e colocar os exemplares na estante depois da leitura… Mas como a tecnologia nos impulsiona a certas adaptações, atualmente até que curto livros em versões digitais pela acessibilidade e rapidez da informação composta.

Faço downloads frequentemente, de e-books gratuitos ou pagos, e consumo muito conteúdo que considero interessante, utilizando-os através de aparelhos como notebook e smartphone. Mas porque estou tratando desse assunto aqui? Antes de tudo, preciso compartilhar algo com você.

Há pouco tempo surpreendi-me com as respostas de uma enquete que postei no meu perfil no facebook, na qual a pergunta era: Qual dos meus amigos aqui utiliza e-books? As respostas foram realmente surpreendentes. Poucos disseram que sim, muitos não responderam e a maioria disseram não saber do que se tratava.

Sabemos que o Brasil não é a terra do ler, mas a utilização da web é grande. Mais de 100 milhões de brasileiros navegam todos os dias. Mesmo assim, leituras mais profundas em plataformas digitais são muito poucas.

A maioria dos internautas está online a procura de entretenimento, e o conhecimento que é bom fica de lado. O que nos consola é que ainda existe uma minoria que navega em busca de algo que agregue valor a vida. E minha esperança é que esse número aumente a cada dia. Em pouco tempo, todos terão smartphones e tablets.

Mas quantos o utilizarão para leitura? Digo ler no sentido de ter livros na memória dos aparelhos, sem contar postagens, scraps e similares. A verdade é que a tecnologia deve influenciar a cultura do ler, mas somente se houver incentivo adequado.

Porque adquirir um e-book

E-book nada mais é que um livro em formato digital, geralmente em formato PDF ou em outros padrões específicos para serem utilizados em aplicativos. A diferença está apenas no corpo físico, pois como os livros a moda antiga, os e-books também são feitos com intenção de reunir conteúdo de interesse.

Se você possui algum dos aparelhos citados anteriormente, como tablet e smartphone, com certeza eles abrem arquivos em PDF, se não, você precisa baixar o leitor da Adobe, denominado Reader. Se você ainda não possui esses aparelhos, pode desfrutar dos livros digitais através de um computador.

Uma grande vantagem é que os livros digitais são mais baratos que os impressos e você pode fazer cópias e guardá-los em diversos locais que possam ser armazenados, como pen drives, CD’s e até na sua caixa de e-mail. Assim, se perder um arquivo, tem outro.,

Como encontrar

Na web se encontra e-books gratuitos para downloads de diversos assuntos. Geralmente, faz-se um cadastro em algum site e automaticamente tem-se acesso ao conteúdo. Além do mais, muitas livrarias já adotaram esse modelo moderno de livro e é possível adquiri-los de casa, sentado em frente à tela do computador.

As lojas disponibilizam diversas formas de pagamento, como boleto, débito em conta, cartão de crédito e etc. Principais livrarias como Saraiva e Amazon possuem aplicativos específicos para você ler seu e-book depois de comprado é possível baixá-los gratuitamente nos próprios sites. Além disso, aparelhos foram criados para a utilização de leitura digital, o Kindle é um deles. Existem Kindles que são leves, portáteis e podem suportar até 1.000 e-books em sua memória. É uma livraria e tanto, que inserida em algumas polegadas apenas, pode ser carregada para qualquer lugar. Se você ainda não utilizou algum e-book, aconselho que faça o teste.

Se assim como eu, você ama as versões clássicas dos livros, comunico que não é preciso deixar de utilizá-los, ou seja, trocá-los pelos digitais. Mas pode adaptar-se aos dois modos. Hoje enxergo que os e-books não são inimigos dos livros tradicionais, mas apenas oferecem outra alternativa de leitura atrelada a tecnologia.

Vivemos atualmente uma revolução editorial, no qual os e-books ganham força. Em breve eles serão fonte principal de conteúdo e servirão para ampliar nossa visão sobre o conhecimento. Acho válido recebermos essa nova com a mente aberta.

Por Paulo Maccedo | Publicado originalmente em BLOG DO GALENO | 1 de agosto de 2014