​As tendências de venda dos eBooks e outra surpresa: jornais não estão nada mortos


POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | 02/10/2015

Fundador do Publishers Lunch analisa matéria em que
o NYT decretou o ‘apocalipse do livro digital’ e conclui que a coisa não é bem assim

No outro dia ficamos sabendo que dá para pegar algo que não é novo, colocar na primeira página do NYT, e a coisa vira algo muito importante. Enquanto as pessoas que trabalham na indústria editorial provavelmente deram de ombros para a combinação de tendências bem-estabelecidas e interpretação seletiva – vendas de e-books de editoras tradicionais têm se mantido mais ou menos iguais há anos – começamos a ouvir parentes e amigos [que acharam que havia algo importante aqui] nos dando os parabéns. Agora “Os livros impressos não morreram” junta-se oficialmente ao panteão das piadinhas. Mas vamos esclarecer entre nós pelo menos alguns dos fatos, seguindo a ordem apresentada na matéria:

As Estatísticas: AAP

Sim, as vendas de e-books, como foi relatado por editores que fornecem dados mensais para a Association of American Publishers [AAP], caíram 10,5%, ou US$ 68 milhões, nos primeiros cinco meses de 2015. Isso foi informado em 1º de setembro, e as vendas de e-books caíram por cinco meses seguidos, por isso é um padrão contínuo em vez de um novo desenvolvimento. E a verdadeira mudança aconteceu há algum tempo. As taxas de crescimento do e-book caíram drasticamente no último trimestre de 2012 e o mercado para as editoras tradicionais, medido em dólares, tem se mais ou menos estável desde o início de 2013.

A tese do jornal de que “quem adotou os e-books está voltando para os impressos” deveria se basear em algum tipo de aumento nas vendas de impressos da AAP. Mas sabe qual categoria caiu mais de 10% no mesmo período? Vendas de livros de capa dura. O total de vendas de livros de capa dura, segundo a AAP, até maio 2015 caiu US$ 91 milhões – 11,25% – chegando a US$ 718 milhões. A queda dessas vendas de impressos foi maior em porcentagem e em dólares agregados. Você não saberia disso lendo aquela matéria.

Então, talvez o que os dados disponíveis estão nos dizendo é que os novos lançamentos não venderam bem na primeira parte de 2015, derrubando tanto os livros de capa dura quanto os e-books de forma semelhante. [Além disso, os relatórios de maio não incluem dois dos três principais títulos mais vendidos do ano, Vá, coloque um vigia e Grey].

Os números da Nielsen Bookscan ratificam que um dos maiores padrões para livros impressos até agora em 2015 é de vendas mais baixas de best-sellers. Até o final de maio, as vendas unitárias de impressos dos 200 maiores títulos caíram 15% em comparação com o mesmo período em 2014. Até a atual semana de vendas, os 200 maiores títulos ainda venderam 11,5% menos unidades do que no ano anterior.

Mais amplamente, para o mercado total de impressos, o que a Nielsen Bookscan mostra para 2015 é uma mudança na participação de mercado, em vez de um crescimento significativo. Os estratos de “varejo e clube”, que incluem livrarias físicas e on-line, tem um crescimento em vendas unitárias de 4%, enquanto o segmento de “vendas massivas e outros” viu um declínio das vendas de unidades de impressos de 9%. No total, até a semana atual de setembro, as vendas de impressos medidas pela Nielsen Bookscan cresceram 2% em unidades.

As estatísticas: unidades vs dólares

Quando você está falando sobre a indústria editorial – como geralmente estamos – dólares importa mais, e as estatísticas da AAP só medem dólares, não unidades.

Mas quando você está tentando dizer ao mundo sobre os hábitos dos leitores e a “popularidade” do e-book, quer olhar para unidades, não dólares. Unidades falam sobre os leitores e quantos e-books estão colocando em seus dispositivos, não dólares. Aqui, “os milhões de leitores que migraram para e-books baratos e abundantes autopublicados, que muitas vezes custam menos de um dólar”, certamente estão impulsionando para cima as vendas de e-books.

Há uma série de sinais, não totalmente medidos, de crescimento indeterminado dentro do ambiente Kindle da Amazon. Isso equilibra a visão de que o consumo/ ”popularidade” do e-book está em declínio real – mas, como observamos há um ano e meio, o crescimento em exclusividades da Amazon não contradiz completamente o padrão mais amplo de vendas relativamente estáveis de e-books, tampouco. [Em outras palavras, o NYT está errado, mas também estão as pessoas que insistem que o crescimento dos autopublicados e de livros publicados Amazon são suficientes para mudar radicalmente nossa compreensão da paisagem, especialmente em termos de dólares].

Em parte, isto é atribuível à nossa boa amiga Aritmética: se a Amazon tem 70% do mercado de e-books, e nós trabalhamos com os últimos números do Author Earnings mostrando que os livros autopublicados e os da Amazon representam 37% das vendas em dólares do Kindle durante setembro, até cerca de 26% em janeiro, isso significa que este segmento de crescimento “não mensurado” somou 11% dos 70%, ou 7,7% do total do mercado, e isso incluindo o difícil que é medir o Kindle Unlimited, que está incluído nessas conclusões. [DataGuy no Author Earnings está trabalhando com uma estimativa aproximada de que 1/3 da remuneração para os autores autopublicados na loja Kindle vem de pagamentos do Kindle Unlimited, em vez de vendas diretas ao consumidor]. Enquanto isso, o mercado tradicional medido diminuiu 10,4%.

Mas também, como veremos mais em outro momento, há muitos outros fatores que podem fazer com que a loja Kindle cresça, mesmo que o mercado de e-books nos EUA continue estável. Entre eles, a Amazon pode estar ganhando participação de outros atores [sabemos que as vendas de conteúdo para Nook caíram uma média de 20% já por vários trimestres]; mas também, a loja Kindle com sede nos EUA, na verdade, vende para clientes em todo o mundo, por isso os aumentos também refletem o crescimento das vendas em mercados fora do País. E há efeitos significativos, mas ainda não especificamente conhecido, do Kindle Unlimited – que está, certamente, levando a “leituras” de e-book que não são contadas, no mundo todo [o equivalente a muitos milhões de e-books lidos só no mês passado], mas também está influenciando merchandising e descoberta na loja Kindle ao distorcer suas listas de “mais vendidos”.

Equivalências falsas: o mercado de e-books e o mercado de livros impressos não são idênticos

Comparações diretas de vendas de e-books e vendas de impressos são um instrumento grosseiro na melhor das hipóteses. Todos sabemos que a publicação de livros gerais é formada por vários mercados, não um único. Se formos honestos, as editoras comerciais têm menosprezado o impacto dos e-books por anos [exceto ocasionalmente quando conversa com Wall Street]. Alguns tipos de livros – ficção de gênero e todos os tipos de best-sellers adultos e juvenis – mudaram para o digital muito mais do que outros tipos de livros – não-ficção geral, livros ilustrados, a maioria dos livros infantis. Então percentuais totais de mercado e valores em dólares não são muito reveladores sobre os complexos mercados de impressos e e-books que os editores estão gerenciando.

Nos termos mais gerais, com espaço para muita variação por editora e por lista, a divisão total poderia ser de 75% a 80% de impressos e 20% a 25% digital. Mas quando você olha para livros para adultos, os e-books representam 30% ou mais – e para livros infantis, significa apenas 11%, com todos os compradores adultos de livros juvenis incluídos, e é menor ainda quando tiramos totalmente os livros juvenis. Quando estreitamos o foco mais, para os lançamentos best-sellers, a lente muda completamente. Best-sellers de ficção podem ter uma média de algo ao redor de 2/3 de e-books e 1/3 de impressos, com best-sellers de não-ficção perto de uma divisão igual entre formatos. [Não são números precisos; a questão é que a popularidade e o impacto do digital variam muito dependendo de qual parte do mercado do “livro” você está interessado.] No lançamento de best-sellers é geralmente onde está a maior quantidade de dólares – assim como os maiores giros de estoque, e é quem mobiliza os leitores.

A noção de que o digital é ruim

O NYT fala sobre um potencial “apocalipse digital” e os amplos receios de que um aumento no digital seja per se ruim para a mídia. [“A popularidade em declínio dos e-books pode ser sinal de que o mercado editorial, embora não esteja imune à turbulência tecnológica, vai enfrentar a onda de tecnologia digital melhor do que outras formas de mídia, como música e televisão”]. É interessante que eles não mencionam jornais diretamente, mas achamos que estejam projetando.

Até agora, como já explicamos anteriormente, os e-books são a melhor coisa que aconteceu com os catálogos das editoras. Levaram as margens de lucro das grandes empresas a níveis que pareciam inatingíveis – através de uma combinação de redução de custos, devoluções e custos de inventário mais baixos, e talvez até royalties ainda mais baixos. A preocupação atual não é tanto que os e-books foram ruins para as editoras, mas que o grande lucro que eles trouxeram atingiu seu nível máximo e agora vai diminuir.

Nós já podemos ter passado o “Pico do lucro editorial” por causa do digital e esse lucro poderia agora estar em um declínio irreversível, o que é duplamente em desacordo com a matéria do NYT. Isso é o que as pessoas estão analisando em salas de reuniões, especialmente porque os digitais tendem a manter um teto sobre, ou derrubar, as vendas em comparação com o período anterior nas maiores editoras. Mas mesmo assim, a margem EBITDA da HarperCollins para o seu mais recente ano fiscal foi de 13,25%. A margem da Penguin Random House para o primeiro semestre deste ano – a metade mais tranquila – foi de 12%. Mesmo com o declínio das vendas – em parte devido a “vendas menores dos impressos” – no primeiro semestre de 2015 a margem OIBDA da Simon & Schuster chegou a 11,6%.

A assinatura de e-book fracassou e isso significa que o Digital está em declínio

Os serviços de assinatura de e-books… lutaram para transformar os amantes de livros em leitores digitais”, conta o NYT. Sim, pequenas startups com visões irreais como Oyster e Entitle fecharam. Mas os cortes no Scribd parecem ser devido à demanda – e a gestão dos custos para leitores que leem muito – não uma proposta fracassada. Mais importante, o maior varejista, a Amazon, tem o maior e mais bem-sucedido serviço de assinatura de e-books, então não vamos nos antecipar. [Outros serviços estabelecidos, como o Safari Online, também estão crescendo].

Não só parece estar tendo sucesso, mas também poderia ser responsável sozinho pela diferença nas vendas de e-books do ano. Nós não sabemos quanto o Kindle Unlimited tirou dos consumidores – mas sabemos que já pagou a editoras e autores independentes mais de US$ 80 milhões em 2015 [e lembre-se que as vendas de e-books diminuíram US$ 68 milhões até maio de 2015, segundo a AAP]. O que parece claro, e é provavelmente o maior desenvolvimento do ano passado no mercado de e-books, é que a Amazon está conseguindo alguns de seus principais clientes do Kindle em assinantes de livros digitais.

A surpreendente resistência dos livros impressos ajudou muitos livreiros.

Se estamos avaliando o impacto dos e-books no espaço de prateleira das livrarias, deveríamos olhar para toda o cenário mais amplo. Livrarias – em números, em metros quadrados e no espaço de prateleira – diminuíram. Desde o pico no ano fiscal de 2008, a Barnes & Noble fechou 78 superlivrarias, ou 11% de sua base. [Eles diminuíram 150 mil m² de espaço nas superlivrarias, ou 8,5%, e começaram a dedicar uma porção desconhecida do espaço das lojas para mercadoria que não são livros, de boutiques Nook ao departamento de brinquedos e jogos que está crescendo rapidamente.] A Borders faliu em 2011, fechando 489 superlivrarias e 126 lojas em shopping centers, com a Books-A-Million assumindo uns poucos locais. O desaparecimento dessas lojas da Borders foi um fator importante que ajudou – e está diretamente relacionado com o crescimento das – livrarias independentes.

Sim, todos amamos livrarias independentes, e o crescimento em lojas participantes da American Booksellers Association [ABA] é digno de comemoração. Mas dos 302 membros que a ABA conseguiu nos últimos cinco anos, 1/3 dos membros veio a partir da integração com a associação de livrarias infantis, e o número de membros ainda está bem abaixo do seu pico, na virada do milênio. [Nota: Nós estávamos errados sobre os membros das livrarias infantis. O número de membros cresceu em 102 no ano da fusão, mas a ABA contou que quase todos os membros das livrarias infantis já eram membros da ABA.] Também não temos bons dados sobre os metros quadrados das lojas que fazem parte da ABA, embora, pelo menos, algumas das lojas abertas mais recentemente eram pequenas. As independentes se beneficiaram claramente da grande redução nas redes de livrarias e na queda na venda de livros entre os grandes varejistas e se adaptaram ao que vende bem entre os impressos nas lojas físicas, mas isso é uma história de adaptação de mercado, e não de mudança.

Editoras, buscando capitalizar na mudança, estão investindo em sua infraestrutura e distribuição de livros impressos.

Sim, duas das menores editoras entre as gigantes estão expandindo seus depósitos – mas a Simon & Schuster e o Hachette Book Group citaram o crescimento no negócio de distribuição para outras editoras ao anunciar essas expansões.

E a expansão da Penguin Random House de suas instalações em Crawfordsville, Illinois no ano passado como observado no NYT esteve diretamente relacionada com o fechamento, ao mesmo tempo, de dois depósitos da Penguin, em Pittston e Kirkwood, algo que não é mencionado na história.

Também não foi mencionado a segunda maior editora de livros gerais, a HarperCollins, que está realizando um programa abrangente de fechamento de depósitos já faz algum tempo – eliminando os da Harper, Zondervan e Thomas Nelson e mudando para a Donnelly. Da mesma forma, a Sterling decidiu no início deste ano fechar seu centro de distribuição de 22 mil m² e passar para a Donnelly também. Então, aqui, também, a “reviravolta na história” não é exatamente como foi retratado.

POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | Tradução Marcelo Barbão | 02/10/2015

Michael Cader é fundador da Publishers Lunch, newsletter diária que discute o mercado editorial norte-americano, e um dos melhores analistas da indústria do livro nos EUA. Para assinar o PL, clique aqui. Para conferir a versão original do artigo, clique aqui.

Vendas de eBooks nos EUA alcançam US$ 3 bi 


O relatório BookStats, da Association of American Publishers [AAP] e do Book Industry Study Group [Bisg] confirmaram as previsões anteriores. As receitas provenientes das vendas de e-books nos EUA em 2012 ficaram próximas dos U$ 3 bilhões, acima dos US$ 2,1 bilhões de 2011. A tendência de vendas digitais e os fenômenos de vendas da série 50 tons e Jogos Vorazes são apontados como as causas do crescimento explosivo de 2012. A pisada no freio em 2013 é atribuída, portanto, a uma comparação desfavorável com 2012, com um agravante: o declínio nas vendas de e-readers dedicados e ao aumento das vendas de tablets. As receitas de publicação comercial global nos EUA também permaneceram estáveis em 2013, em US$ 14,6 bilhões, ligeiramente menor do que em 2012, quando apresentou receitas de US$ 15 bi. O relatório BookStats, comercializado pela AAP e pelo Bisg, já está em pré-venda.

Digital Book World | 26/06/2014

Deu tilt na tela do Kindle


Fabricante da tela do dispositivo da Amazon enfrente crise

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração

Um dos grandes diferenciais do Kindle sempre foi a sua tela. A tecnologia que permite baixo consumo de energia, a não emissão de luz e o consequente conforto na leitura é resultado de pesquisas feitas pela empresa E Ink, que fabrica a tela do dispositivo da Amazon. Mas as coisas não andam boas por lá. De acordo com o jornal Taipei News, a E Ink prevê perdas, reflexo da queda na demanda por devices de e-reader. As receitas deverão cair entre 5 e 10% em relação ao último trimestre. De acordo com o Chefe Financeiro da E Ink, Eddie Chen, há uma forte probabilidade de a empresa ir para o vermelho ainda no primeiro semestre de 2014. A culpa, segundo disse Chen, é a fraca demanda sazonal por e-readers. A verificação de Eddie Chen chega junto com o resultado da pesquisa feita pela Associantion of American Publishers [AAP] em parceria com o Book Industry Study Group [BISG] que apontou crescimento de apenas 3,81% mas vendas de e-books nos EUA . O índice de crescimento foi o menor desde 2012 e foi a primeira vez que ele ficou abaixo dos 10%. O futuro da E Ink, aponta Chen está na reestruturação societária e na ampliação do portfólio de produtos, inclusive fortalecendo a produção de telas para smartphones, um mercado muito mais robusto do que os e-readers. O e-Paper foi a maior fonte de renda da E Ink no ano passado, respondendo por mais de 80% da sua receita.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 07/04/2014

eBooks crescem apenas 3,81 por cento em 2013 nos EUA


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Desde 2002, a Association of American Publishers [AAP] apura a venda de e-books de seus associados e publica os resultados junto com as demais estatísticas do mercado norte-americano. Está semana, ela divulgou os numerous referente a 2012 e a grande surpresa que as vendas de e-books no segmento de interesse geral [trade] cresceram apenas 3,81%, alcançando US$ 1,3 bi. Em 2012, o faturamento digital deste setor havia ficado em US$ 1,25 bi. A surpresa é que pela primeira vez desde 2002, o crescimento ficou abaixo dos 10%, como demonstra o gráfico abaixo. [Clique nos gráficos para vê-los em tamanho maior.]

Crescimento do Faturamento de E-books no Mercado Trade nos EUA

Vale observar que ao longo dos anos, as estatísticas da AAP sofreram grandes variações em sua base de coleta de dados. O número e a classificação das editoras participantes se alteraram, as definições de formatos foram apuradas e a própria metodologia melhorada. Em 2010, por exemplo, a pesquisa passou a ser feita junto com o Book Industry Study Group, com grandes alterações metodológicas. Portanto, uma comparação ano a ano não pode ser considerada estatisticamente perfeita. Mas ainda assim, com esta grande ressalva, uma análise dos dados ao longo dos anos é uma ótima ferramenta para a visualização de tendências. No próximo gráfico, temos o faturamento digital ao longo dos anos dos editores de interesse geral associados à AAP.

Faturamento dos E-books no Merado Trade dos EUA

Para terminar, o gráfico da participação dos e-books no faturamento do segmento trade. Em 2012, 26,66% das vendas dos editores foram digitais. Como no ano anterior esta participação ficou em 25,87%, a hipótese de que a fatia do mercado digital está chegando a um platô é bastante plausível.

Participação do Faturamento de E-books no Mercado de Trade dos EUA

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Vendas subiram 1% em 2013 nos EUA


As vendas totais de livros subiu 1% de 2012 para 2013, alcançando US 15,05 bi, de acordo com resultados da pesquisa StatShpt feita pela Association of American Publishers [AAP] e pelo Book Industry Study Group [Bisg]. Todos os segmentos medidos apresentaram aumento de vendas durante o ano, exceto o segmento infantojuvenil que apresentou queda de 6,6% em relação a 2012, quando Jogos Vorazes foi um ponto fora da curva. Apesar do fenômeno de vendas da Trilogia 50 tons de cinza, de 2012, o segmento adulto conseguiu mostrar um aumento de 0,8% no ano. Os números mostram que as vendas de e-books adultos cresceram 3,8%, alcançando US$ 1,3 bi.

Por Jim Milliot | Publishers Weekly | 01/04/2014

Nos EUA, crescimento tímido das vendas de eBooks no primeiro semestre


As vendas de e-books não estão imunes aos impactos dos bestsellers. Segundo o relatório StatShot da Associação Americana dos Editores [AAP], os e-books adultos cresceram apenas 4,8% nos primeiros seis meses de 2013, em relação ao mesmo período em 2012, chegando a um total de US$ 647,7 milhões. Em junho, as vendas de e-books caíram 8,7% (para um total de US$ 108,6 milhões). No começo do ano, a Random House admitiu que as vendas de e-books caíram no período, devido ao forte crescimento de vendas em 2012, liderado pelo ‘Cinquenta Tons’. As vendas de e-books da categoria infantil e jovens adultos caíram 22,1% no primeiro semestre, prejudicadas pelas vendas de Jogos Vorazes em 2012.

Publishers Weekly | 19/09/13

Crescimento das vendas de eBooks está caindo: a culpa é dos tablets?


eBook Sales Growth

Segundo um relatório da Associação Americana dos Editores [AAP], as vendas de e-books nos EUA no primeiro trimestre de 2013 cresceram apenas 5% em relação ao mesmo período em 2012. Segundo o jornalista Nicholas Carr, apesar dos e-books ainda estarem ganhando o marketshare dos livros impressos [cujas vendas caíram 4,7% no primeiro trimestre], “o crescimento anêmico do mercado eletrônico coloca em questão a força da chamada ‘revolução digital’ no mercado editorial”. Outro relatório da Nielsen mostra que as vendas globais de e-books na verdade caíram no primeiro trimestre deste ano [em relação ao mesmo período em 2012], o que teria sido “inconcebível” há alguns anos, segundo Carr. Em janeiro, ele listou em seu blog algumas possíveis razões desse declínio, como o impacto dos tablets nas vendas, a difícil adoção dos e-readers pelos ‘não entusiastas’ e o preço dos e-readers, entre outros.

Por Dennis Abrams | Publishing Perspectives | 09/08/2013

Associação das Editoras Americanas adota plano ambicioso para adoção em massa do ePub3


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

O plano, ambicioso, também inclui obter um amplo suporte  entre os vendedores em até seis meses.

Certamente a adoção de um padrão comum, para algo complexo como um livro digital, não é tarefa fácil. Quando o assunto é ePub3, existem vários motivos para os sistemas de leitura [leia-se: os grandes vendedores de ebooks] ainda não aceitarem o formato de forma uniforme. Até agora, a Apple é a livraria que oferece mais suporte. Há previsão de que até o final do ano, a Apple ganhará a companhia de Kobo e Google na arena do ePub3.

Um cenário com mais harmonia, padronização na aceitação do ePub3, tornaria o trabalho e a produção de ebooks avançados bem mais simples, e mais barato, para as editoras. Com isto em mente, a AAP [Association of American Publishers] convidou os maiores vendedores e editoras para participar da sua nova iniciativa, uma série de encontros para esquematizar a adoção do EPUB3. Chamado de “Projeto de Implementação do ePub3?, o objetivo é avançar rapidamente uma harmonização no uso do formato por editoras e vendedores. A informação é do Digital Book World.

A meta da associação é lançar um grande número de títulos em ePub3 no primeiro trimestre de 2014.

A AAP afirma que as editoras americanas estão trabalhando juntamente com “vendedores, distribuidores de conteúdo digital, fabricantes, provedores de sistemas de leitura, especialistas em tecnologia e organização de padrões”. Mas a entidade não comenta ainda quais editoras e vendedores decidiram participar até agora. A entidade afirma estar convidando todos os integrantes do mercado para sentar à mesa.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

Google alcança acordo com editoras dos EUA sobre eBooks


Apenas 20% do conteúdo total de cada obra é acessado gratuitamente

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, "facilitar a busca de livros relevantes"

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes”

Los Angeles | A associação americana de editoras [AAP, na sigla em inglês] e o Google anunciaram nesta quinta-feira um acordo sobre a digitalização de conteúdos protegidos por direitos autorais para o projeto da biblioteca virtual [Library Project] da empresa tecnológica.

O acordo entre ambas as partes, que pôs fim a um litígio que já durava sete anos, veio após o Google ter aceitado que as editoras decidissem se querem ou não que suas obras façam parte da coleção de materiais digitalizados pela companhia californiana, os quais estão disponíveis na ferramenta Google Books. No entanto, apenas 20% do conteúdo total de cada obra é acessado gratuitamente.

Aquelas editoras que optarem por deixar que seus trabalhos façam parte da base de dados do Google terão a possibilidade de solicitar uma cópia digital para seu uso, sendo que o acordo não impede que as editoras americanas possam assinar outros contratos individuais com o Google para o uso de seus trabalhos.

A disputa legal entre a AAP e o Google começou em outubro de 2005, quando cinco editoras [The McGraw-Hill Companies, Pearson Education, Penguin Group, John Wiley & Sons e Simon & Schuster] processaram a Google por infringir as leis de direitos autorais de propriedade intelectual.

O objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes, especialmente aqueles que não podem ser encontrados de nenhum outro modo, como os livros descatalogados, sem violar os direitos de autores e editores”.

Publicado originalmente e clipado á partir de EXAME.COM | 04/10/2012, às 17:32

Google chega a acordo com editoras sobre direitos autorais


O Google e um grupo de editoras chegaram a um acordo, encerrando sete anos de litígio sobre os direitos autorais e a missão da empresa de tecnologia de desenvolver a maior biblioteca digital do mundo.

A companhia e a AAP [Associaçãos dos Editores Norte-Americanos, na sigla em inglês] disseram nesta quinta-feira [4] que as editoras dos Estados Unidos podem decidir participar na produção de livros e revistas disponíveis para o Google digitalizar, para o seu projeto de biblioteca. Outros termos do acordo não foram divulgados.

Logotipo do Google em San Francisco; empresa chegou a acordo em relação a direitos autorais de livros

Logotipo do Google em San Francisco; empresa chegou a acordo em relação a direitos autorais de livros

Isso mostra que os serviços digitais podem proporcionar meios inovadores para descobrir conteúdo e ao mesmo tempo respeitar os detentores de direitos autorais“, disse em comunicado Tom Allen, presidente da AAP.

O processo foi arquivado pelos membros da AAP McGraw-Hill Companies, Pearson Education e sua irmã Penguin Group, John Wiley & Sons e Simon & Schuster, da CBS.

O Google digitalizou cerca de 15 milhões de livros no que foi chamado de um esforço para ofecerer acesso mais fácil ao conhecimento do mundo.

A empresa foi processada em 2005 pela Authors Guild, associação sem fins lucrativos que reúne autores e profissionais do ramo literário, e pela AAP por violar as leis de direitos autorais, mas chegou a um acordo anterior em que concordou em pagar US$ 125 milhões aos autores que tiveram seus livros digitalizados e localizar e compartilhar receitas com autores de obras que ainda seriam digitalizadas.

O acordo divulgado nesta quinta, entretanto, não põe fim à ação que a Authors Guild move contra o Google.

DA REUTERS | Clipado de Folha de S.Paulo | 04/10/2012 – 16h07

Google chega a acordo com editoras sobre livros digitais


O processo foi aberto contra a companhia em 2005 por editoras como McGraw-Hill Companies, Pearson Education e John Wiley & Sons

Editoras norte-americanas podem escolher entre deixar disponível ou remover seus livros e periódicos do Library Project, disse o Google em um comunicado

Editoras norte-americanas podem escolher entre deixar disponível ou remover seus livros e periódicos do Library Project, disse o Google em um comunicado

Google informou nesta quinta-feira ter chegado a um acordo com a Associação Americana de Editoras [AAP, na sigla em inglês] para fornecer acesso a livros e periódicos protegidos por direitos autorais digitalizados pela companhia para seu projeto de catálogo Library Project.

O processo foi aberto contra o Google em 2005 por cinco editoras que são parte da AAP, incluindo McGraw-Hill Companies, Pearson Education e John Wiley & Sons.

Editoras norte-americanas podem escolher entre deixar disponível ou remover seus livros e periódicos do Library Project, disse o Google em um comunicado.

O acordo, entretanto, não afeta o atual processo enfrentado pelo Google com a entidade que representa escritores, a Authors Guild, segundo a nota.

Por Siddharth Cavale | Clipado de Exame | 04/10/2012

Talvez a revolução tenha chegado a um estágio evolucionário


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O ritmo estonteante com que os consumidores norte-americanos estavam passando de impresso a digital não poderia durar para sempre. Baseado nos números publicados pela AAP, com uma grande ajuda na interpretação feita por Michael Cader da Publishers Lunch, parece que a desaceleração ficou bastante evidente nos últimos 12 meses.

Entre o final de 2007, quando saiu o Kindle, e o final de 2011, as vendas de e-book no mínimo duplicaram a cada ano. Desde setembro de 2011, quando Cader registrou que as vendas foram o dobro do ano anterior, os números mensais estão mostrando um crescimento anual muito menor [e em declínio]. Os números de abril mostraram um aumento de somente 37% em relação ao ano anterior.

Já faz um bom tempo que estive pensando sobre a diminuição do crescimento dos e-books. Em março de 2010, há 17 meses, escrevi que meu palpite era que a mudança para o digital “vai começar a diminuir quando as vendas de e-books representarem 20-25% do que uma editora espera ganhar com um novo título”. E achava que isso iria ocorrer antes da eleição presidencial de 2012. Parece razoavelmente consistente com o que está acontecendo.

Cader também cita relatórios da Penguin e da Simon & Schuster para documentar a queda. A Penguin afirma que o crescimento nas vendas de e-books foi de cerca de 33% na primeira metade de 2012. E o site Publishers Lunch informa que Carolyn Reidy, CEO da Simon & Schuster, contou que ela espera um crescimento de 30% na venda de e-books durante 2012. Isso certamente constituiria o canal de vendas com maior crescimento, mas certamente não é o dobro ou triplo [ou mais] que vimos nos últimos anos.

Algumas semanas antes, Cader dissecou os relatórios da BookStats com os números de vendas editoriais. Como os leitores deste blog sabem, acho que a métrica importante para olharmos é “vendas de lojas versus vendas online”, em vez de “impressos versus eletrônicos”. Vendas em lojas são todos impressos, mas vendas online não são somente eletrônicos. Eu acho que a distinção de canal é mais importante do que a distinção de formato, porque a escala é muito mais útil para lidar com livrarias do que lidar com qualquer conta online, por dois motivos: inventário e logística.

A BookStats informa que as vendas diretas do editor para livrarias online – isso inclui tanto impresso quanto digital, mas não inclui vendas que aconteceram através de distribuidores – estiveram ao redor de 35% do total de vendas para lojas e livrarias online juntas. Dizem que online cresceu 35% no ano passado e as lojas de tijolo caíram uns 12,6%. Minha matemática grosseira diz que o total combinado dos dois foi bastante próxima ao equivalente a uma queda de 1%. Como as vendas de e-books estão subindo e os e-books são geralmente mais baratos do que os impressos, parece que não houve mudança.

A outra coisa na qual devemos prestar atenção é a diferença na venda de e-books por tipo de livro. Baseado em evidências, acredito que as vendas de ficção de gênero e comercial podem estar se aproximando dos 50%. [A BookStats informa que as vendas de toda ficção está atualmente dividida em 64% impressa e 34% digital.] A não-ficção narrativa está mais ou menos na metade disso. Livros ilustrados de todo tipo são uma pequena parte.

Há muitas coisas que não sabemos.

Não sabemos quanto do declínio de crescimento de vendas no último ano acontece por causa do sucesso das editoras em subir os preços dos ebooks. Se esta for a causa, até certo ponto, poderíamos ver o padrão mudar de novo quando [como eu espero] o acordo do Departamento de Justiça for aprovado e terminarem a política de preço da Amazon.

Não sabemos quanto do declínio no crescimento das vendas no ano passado se deve à troca do consumidor de e-readers dedicados para aparelhos multifunção, que oferecem outras mídias e jogos – além de e-mail – para competir com livros. Se esta for a causa, a tendência de queda poderia se estender porque é provável que muitas pessoas vão passar de leitores e-ink a aparelhos multifunção, pois estes estão ficando cada vez mais baratos.

Não sabemos até que ponto o tráfego de lojas é afetado pela contínua mudança de best-sellers, especialmente em ficção, para o consumo digital. No curto prazo, há provavelmente um impacto positivo no espaço mostrado e nas oportunidades de vendas para livros ilustrados e livros infantis. Mas, no longo prazo, quantas lojas poderão sobreviver se os best-sellers não forem vendidos ali?

Não sabemos se os grandes comércios continuarão a ver livros como algo valioso para seu espaço. Eles vendem muita ficção de gênero, que é uma das áreas mais desafiadas por e-books publicados de forma independente [e nem todos são autopublicados]. As grandes lojas podem mudar rapidamente o espaço de prateleira, sem nenhuma sentimentalidade.

Mas, no geral, a queda que vimos é uma boa notícia para o estabelecimento do legado editorial, e será melhor se a tendência continuar. Qualquer coisa que diminuir o declínio na porcentagem do mercado das livrarias de tijolo e o avanço da Amazon, dá tempo para as grandes editoras e os varejistas concorrentes ajustarem suas infraestruturas e construírem novos modelos de negócios que serão mais eficientes no futuro.

Infelizmente para eles, o desenlace desta rodada do Departamento de Justiça está a ponto de mudar tudo isso.

Se entender novos modelos de negócio e as novas formas através das quais as editoras fazem seus negócios é importante para você, deveria estar no seu calendário. Vamos apresentar vários Publishing Innovators do mundo: executivos que estão inventando estes novos modelos de negócios que vão permitir que as editoras cresçam em nosso ambiente digital.

Esta conferência vale um post só para ela, e isso vai acontecer logo. Mas o final deste post parece um bom lugar para mostrar que vamos apresentar alguns dos mais incríveis executivos da indústria editorial [e não só do mundo de fala inglesa] que estão fazendo coisas que mais ninguém está. Ainda.

E mudamos o horário do nosso evento das 9 às 17 para 10:30 às 18:30 para permitir que as pessoas cheguem a Frankfurt naquela segunda de manhã e não percam nenhum pedaço de um dos melhores eventos que já fizemos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].