O livro de papel resiste à avalanche digital


O armazém do gigante editorial Penguin Random House nos arredores de Barcelona despacha em média 1,5 milhão de livros de papel por mês. A Amazon, império das compras via Internet, mantém perto de Madri um estoque de 583.000 títulos de livros físicos, um número que não para de crescer. Com esses dados fica claro que o Farenheit 451 que anunciava a morte do papel como formato de leitura não aconteceu. Entretanto, tampouco se sustenta o contrário: que os e-books se tornaram irrelevantes e que os aparelhos de leitura digital também cairão no esquecimento, a exemplo do que aconteceu com os videocassetes.

O panorama descrito pelas cifras e pelos profissionais do setor é híbrido – um mundo onde convivem o formato clássico e o digital, com fenômenos importantes, ainda muito difíceis de captar pelas estatísticas, como a autoedição e os serviços de assinatura de e-books com tarifa fixa, e com um mercado digital imenso que inclui a América Latina e os Estados Unidos.

Não dá a impressão de que o livro digital irá acabar com o papel, que tem um piso”, resume José Pascal Marco Martínez, diretor-geral do livro no Ministério de Educação, Cultura e Esportes da Espanha. “Mas o livro digital continua crescendo”, prossegue. “A realidade é que não falei com ninguém sobre e-books na Feira de Frankfurt”, diz, por sua vez, Paula Canal, da Anagrama, uma das editoras espanholas com mais leitores fiéis. “Tive centenas de conversas sobre como são bonitas as capas da X e as edições da Y. Os editores jovens, brilhantes e promissores fazem os livros mais lindos, e não se preocupam com os e-books.” Javier Celaya, consultor, responsável pelo blog Dosdoce e autor de vários estudos sobre o livro digital, diverge. “Estamos a meio caminho. Como setor eu me preocuparia com o não crescimento da demanda digital, que será uma forma de crescer. São potenciais leitores que estão escapando por outras vias, como os aplicativos para celulares, os conteúdos abertos de alta qualidade e a autoedição.

Certamente, pela relação tão próxima que se estabelece com os livros, o debate entre digital e papel gera polêmicas inflamadas. O The New York Times publicou recentemente uma reportagem falando do “declínio” do livro digital, a qual foi respondida por outra matéria na revista Fortune que dizia mais ou menos o contrário. O fechamento da plataforma de livros por assinatura Oyster, em setembro, foi interpretado como outro sinal de decadência do que já foi considerado o futuro. Entretanto, tanto o Kindle Unlimited, da Amazon, como o 24Symbols – os outros dois Spotify dos livros – estão crescendo significativamente.

Embora faltem dados essenciais – a Amazon não revela o número de dispositivos Kindle vendidos nem o número de títulos autoeditados em sua plataforma, que não geram ISBN e, portanto, ficam fora das estatísticas – e seja difícil medir o impacto da pirataria, a pesquisa de Hábitos e Práticas Culturais da Espanha 2014-2015, publicada em setembro, revela que 59,9% dos espanhóis leem em papel, 17,7% em digital e 5,7% na Internet. Com relação à pesquisa anterior, de cinco anos atrás, o papel quase não variou [era 58,3%], mas quase triplicou a partir dos 6,5% que tinha na época.

Os dados do Ministério da Cultura espanhol revelam que, em 2014, a edição de livros em papel cresceu pela primeira vez em quatro anos, 3,7%, com 68.378 títulos, mas acumula uma queda de 29,5% nesse período. Neste ano, a edição de livros digitais caiu 1,9%, primeira vez que isso ocorre, passando a representar 22,3% do setor. Nos últimos quatro anos, o livro digital cresceu 13,9%, frente a uma queda de 14,1% no faturamento das livrarias no mesmo período. O faturamento com livros eletrônicos em 2014 representou 110 milhões de euros [458,8 milhões de reais, pelo câmbio atual], um aumento de 37,1% com relação ao ano anterior. A edição em outros suportes diferentes do papel já representa 10,8% do faturamento total na Espanha e em torno de 20% nos EUA.

Uma ampla pesquisa feita no setor editorial e divulgada na Feira de Frankfurt em 2008 antevia que em 2018 o livro digital superaria o livro físico. Ao comparar essa e outras previsões com os dados atuais, fica claro que o papel tem enorme capacidade de resistência, apesar da crise, mas também que o livro eletrônico cresce de forma constante. “Está funcionando menos do que esperávamos, mas estamos crescendo a um ritmo de dois dígitos, principalmente no mercado latino-americano e dos Estados Unidos”, diz Iría Álvarez, chefe de desenvolvimento digital e vendas digitais da Penguin Random House.
América Latina e EUA

Perguntado sobre uma possível desaceleração do livro eletrônico, Santos Palazzi, diretor de assuntos digitais da editorial Planeta, o outro gigante editorial espanhol, responde: “O e-book continua crescendo de forma sustentada. Observa-se certa desaceleração na Espanha, ao passo que as taxas de crescimento em novos modelos de negócios, como o empréstimo digital bibliotecário ou as plataformas por assinatura, superam 50%. Além disso, esperamos que em médio prazo as vendas na América Latina e EUA representem até 50% do faturamento total”.

Entretanto, as editorias pequenas continuam dependendo do papel, e algumas nem sequer editam livros eletrônicos. “O papel é a base do nosso negócio”, diz Luis Solano, da Libros del Asteroide, que edita todas as suas novidades nos dois formatos. A tranquilidade que a leitura em papel permite, a legibilidade desse suporte e a rede de livrarias protegidas pelo preço fixo são alguma das causas que ele cita para explicar a sobrevivência ao digital. Heloise Guerrier, da editorial de quadrinhos Astiberri, também argumenta que seus leitores continuam preferindo disparadamente o formato tradicional, embora a editora tenha recentemente lançado em seu site a venda de HQs digitais a preços muito inferiores ao papel. “Quem gosta de HQs e as lê não acho que compre digital. Mas, embora por enquanto seja algo marginal, não podemos ignorar”, diz Guerrier.

O VHS foi morto pelo DVD, e é possível que esse formato seja substituído por plataformas como Netflix, iTunes e Yomvi [resta ver se acabarão com a televisão tradicional]. Mas o vídeo não matou o rádio, assim como o cinema e a televisão não acabaram com o teatro. Tudo indica que ainda haverá livros de papel por muito tempo. Entretanto, os livros digitais também têm um futuro seguro, um lugar nas novas bibliotecas do mundo.

Os ‘Spotify da leitura’

É um mercado são e sustentável, e acreditamos que continuará sendo assim”, afirma Koro Castellano, diretora do Kindle em espanhol. A Amazon não costuma divulgar muitos dados sobre seu negócio, e Castellano não revela cifras sobre a autoedição, que qualifica como “a mudança mais profunda que o livro digital promoveu”. Dos 25 livros mais vendidos no Kindle em 2014, 48% [12 títulos] eram autoeditados. Sobre a oferta do Kindle Unlimited, serviço com preço fixo mensal, ela tampouco revela cifras, mas garante que seu crescimento é muito expressivo.

Álex Fernández, da 24Symbols, que oferece leituras ilimitadas a 8,99 euros [37,50 reais] por mês, afirma por sua vez que “o papel não está morrendo e, sobretudo, o digital não é uma ameaça, pois veremos como aprendem a conviver. Surgirão dois tipos de leitores, ou existirão gêneros que funcionarão melhor em um formato ou outro”. “Os modelos de assinatura já são parte do presente do negócio editorial, pelo número de plataformas que operam no mundo, porque é um tipo de serviço popular entre os consumidores de cultura [há os de música, filmes e séries, games, notícias, audiolivros, HQs…] e porque representam um novo canal de venda para as editoras e os autores. Uma nova oportunidade de negócio“, conclui.

Por Guillermo Altares | El País | 02/11/2015

Com novo modelo de remuneração, 24Symbols aposta na ‘descobertabilidade’


Sócio fundador da plataforma participou ontem da Jornadas Profissionais da Feira de Buenos Aires

Segundo dados da Nielsen, a indústria da música tem sobrevivido graças aos serviços de streaming. A venda de CDs caiu 15% a de digital tracks, 13%, mas os serviços de streaming cresceram 54%. Essas informações foram apresentadas por David Sánchez, sócio fundador da plataforma espanhola de subscrição de e-books 24Symbols, na tarde desta quarta-feira [22], dentro da programação das Jornadas Profissionais que antecede a Feira do Livro de Buenos Aires. A crença de Sánchez é que essa tendência que se consolida cada vez mais em todas as indústrias culturais chegará com força à indústria do livro. A 24Symbols, criada em 2011, passou por reformulações no seu modelo de remuneração de editoras. Sánchez disse em Buenos Aires que um dos grandes desafios iniciais da plataforma era o tamanho do catálogo, que hoje tem 200 mil títulos de 2.400 editoras. O modelo proposto inicialmente remunerava por uma combinação das receitas que entravam com o acesso a livros. “Essa remuneração variável e imprevisível assustava os editores”, disse. A solução encontrada pela plataforma foi um novo modelo, em vigência desde setembro passado. Para os editores, as leituras equivalem a compras. Se um leitor lê mais do que 10% do livro, a plataforma paga 50% do valor de capa do livro. Ao PublishNews, Sánchez revelou que o novo modelo de remuneração deixou o negócio menos lucrativo. Mas “foi a forma que encontramos para fazer sentido às editoras e fazer nosso catálogo crescer”, justificou.

Outra grande aposta da 24Symbols é no poder de promover a “descobertabilidade” que a plataforma tem. “Estamos cansados de ouvir editores reclamando que seus livros não aparecem nas prateleiras das livrarias. As estantes digitais são infinitas”, defendeu Sánchez. Para potencializar a capacidade viral dos seus leitores, a 24Symbols fez um benchmarking com a indústria da música. Da mesma forma que, no Spotfy, por exemplo, os usuários podem criar playlists e compartilhar com seus amigos ou seguir playlists de personalidades ou formadores de opinião, no 24Symbols, os assinantes podem criar suas próprias estantes de livros e torna-las públicas, podendo ser compartilhadas ou seguidas. “Estamos tentando transformar a plataforma em uma rede social para que leitores indiquem livros. Assim, cada leitor pode se transformar em um livreiro. O poder viral disso é muito grande”, disse entusiasmado. “Como livraria independente que somos, queremos promover e indicar bons livros. Não somos apenas uma plataforma que remunera com justiça e previsibilidade os editores, mas também queremos indicar bons livros”, resume.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 23/04/2015

A Amazon é amiga ou inimiga?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 10/04/2015 | Tradução Marcelo Barbão

Fui convidado para me unir a uma discussão chamada “Amazon: Amiga ou Inimiga” [no caso “para as editoras”] bancada pelo Digital Media Group da Honorável Companhia de Impressores [só na Inglaterra!] e que vai acontecer em Londres no próximo dia 13. Acho que a resposta deve ser “as duas coisas”, e tenho a suspeita de que meus companheiros de discussão — Fionnuala Duggan, que já foi da Random House e da CourseSmart; Michael Ross, da Enciclopédia Britânica, e Philip Walters, o moderador da conversa, vão concordar. É uma questão simples com muitas respostas complicadas. Tenho certeza de que Fionnuala, Michael e Philip vão apresentar algumas perspectivas que não tratarei aqui.

Os primeiros pensamentos que a pergunta traz para mim são as três formas pela qual a Amazon mudou profundamente a indústria.

Apesar de que quase toda editora tem dores de cabeça ao negociar com a Amazon, poucas poderiam negar que ela é a conta mais lucrativa, se levarem em consideração volume de vendas, retornos e o custo dos serviços. Este fato quase nunca é reconhecido e, portanto, pode ser classificado como um dos pequenos segredos da indústria. Como está consolidada entre a audiência que compra livros online e entrega com extraordinária eficiência, a Amazon deve achar que está totalmente justificada em ser dura nos descontos; afinal são a conta mais lucrativa de todas as editoras! Mas como estão realmente substituindo muitas outras contas robustas, a lucratividade que acrescentam coloca um preço alto na estabilidade e confiabilidade do negócio editorial, que se sente muito mais confortável com uma quantidade maior de contas. As editoras resistem bravamente às exigências da Amazon para mais margem, parcialmente porque não sabem até onde irão estas exigências.

Também é verdade que a Amazon criou quase sozinha o negócio do e-book. Sim, ele existia antes da criação do Kindle, em novembro de 2007, mas era insignificante. Foi preciso a combinação que somente a Amazon poderia juntar para fazer com que o mercado realmente surgisse. Eles criaram um aparelho de leitura com conectividade interna para download direto [o que, naquele tempo pré-wifi, exigia correr o risco real de que os preços de conexão pudessem matar a margem]. Eles tinham o poder para persuadir as editoras a colocar mais livros, especialmente novos títulos, disponíveis como e-books. E tiveram a atenção e a lealdade de uma porcentagem significativa de leitores de livros para defender os e-books. Com tudo isso e a disposição de investir em um mercado que não existia, a Amazon criou algo do zero. Tudo que aconteceu desde então – Nook, Apple, Google e Kobo – não teria funcionado se a Amazon não tivesse aberto o caminho. Na verdade, eles poderiam nem ter tentado! Steve Jobs desdenhou completamente os e-books como negócio antes de a Amazon ter demonstrado que eram downloads pelos quais muita gente estava disposta a pagar.

A outra grande mudança na indústria que é significativa, mas poderia não ter acontecido sem a Amazon é a autopublicação. O sucesso do Kindle gerou facilidades e barateou a forma para chegar a uma porção significativa da audiência que compra livros com preços baixos e margens altas. A Amazon também contribuiu com a criação de uma interface fácil de usar e um autosserviço eficiente. Novamente, outras empresas seguiram o caminho, incluindo a Smashwords. Mas quase todas as editoras de autopublicação que conseguiram sucesso comercial devem agradecer à Amazon. Parece que, pelo menos no espaço do e-book, as autopublicações vendem tantas unidades quanto algumas editoras das Cinco Grandes e, em ficção, até ultrapassam. Sem a Amazon, isso não poderia ter acontecido.

Então, destas três maneiras a Amazon realmente mudou a indústria – consolidando o grosso dos compradores de livros online, criando o negócio do e-book e permitindo que a autopublicação se tornasse viável comercialmente – as editoras teriam que falar que as duas primeiras foram benéficas [amiga] e a última seria melhor não ter acontecido [inimiga].

A segunda grande questão para esta discussão da Amazon tem a ver com a assimetria entre o que a Amazon conhece da indústria e o que a indústria conhece da Amazon. Dados sobre a indústria editorial são notórios por serem pouco conhecidos e por causa do grande número de audiência e modelos comerciais no “negócio do livro”, que são difíceis de interpretar de forma inteligente. A Amazon, por outro lado, tem sua própria forma de tornar as coisas opacas ao não compartilhar informações.

A primeira indicação disso é que a Amazon não usa o número ISBN que é padrão da indústria; eles têm seu próprio número chamado ASIN. Então enquanto a indústria tem uma contagem total de títulos através das agências de ISBN que exige um grau próprio de interpretação, os títulos publicados exclusivamente pela Amazon, que só possuem ASINs e não ISBNs, são um “buraco negro” total. Ninguém, exceto a Amazon, sabe quantos existem e em que categorias podem ser colocados.

Outra parte do negócio da Amazon que possui uma relevância crítica para o resto da indústria, mas está totalmente escondida é seu negócio de livros usados. Há uma discussão a ser feita de que o mercado de livros usados que a Amazon alimenta na verdade ajuda as editoras a vender seus livros novos com preços mais altos dando aos consumidores uma forma de recuperar seu dinheiro. Mas também é verdade que as pessoas estão comprando cópias usadas de livros que, em outra situação, teriam comprado novos, com a escolha usada mais barata sendo oferecida para eles já quando o livro é publicado. Poderíamos assumir intuitivamente que o efeito se torna cada vez mais corrosivo com títulos mais antigos e o suprimento de cópias usadas continua aumentando com a queda na demanda do livro, fazendo com que o preço dos livros usados caia. Mas ninguém fora da Amazon sabe algo sobre isso, incluindo o tamanho do mercado.

E da mesma forma, não temos ideia de qual é o tamanho do negócio de livros proprietários da Amazon: os títulos que somente eles publicam. Além de não saber quantos há ou em que categorias estão, nós não podemos interpretar como as vendas dos títulos publicados pela Amazon poderiam afetar as perspectivas para títulos que uma editora poderia ter contratado. Só a Amazon possui essa perspectiva para informar sobre seus títulos, seu merchandising, e medir a extensão de sua capacidade de alavancar vendas nas negociações com editoras.

Voltando à pergunta original, exceto pela possibilidade de que as vendas de algum novo livro ocorram porque o comprador confia na possibilidade de revender, isso é tudo parte do inimigo!

Em retrospectiva, é claro que a grande vantagem da Amazon foi que eles sempre tiveram a intenção de usar o negócio do livro como um trampolim para uma jogada maior; nunca viram os livros como um fim em si mesmo. Isso foi uma antecipação do futuro que ninguém dentro do negócio do livro entendeu quando estava acontecendo, nem foi imitado por outros participantes que somente estão dentro do negócio dos livros. Mas foi a chave da economia da Amazon. Eles não precisavam ganhar muita margem nos livros; estavam concentrados no “valor do cliente eterno” e viram muitas formas de conquistá-lo. Google e Apple têm a mesma realidade: livros para eles estão a serviços de propósitos maiores. Mas começaram com propósitos maiores e, por esta e outras razões, nunca conseguiram ser tão bons quanto a Amazon com livros. [Uma grande deficiência das ofertas da Google e da Apple é que são apenas digitais; eles não imprimem livros.] E a B&N e a Waterstone’s nunca pensaram além de livros; parece que a Waterstone’s nunca pensou muito além das lojas físicas!

Mas pode ser que a Amazon esteja se aproximando dos limites de sua parte do mercado de livros. O que eles trabalharam no mundo de língua inglesa – para livros impressos há duas décadas e e-books há quase uma década – porque foram os primeiros e foram capazes de agregar um enorme case de clientes antes da existência de qualquer desafio sério. Não vai ser tão fácil dominar novos mercados hoje, especialmente aqueles que têm regras que dificultam a competição de preços. Diferenças de linguagem significam que mercados de livros vão permanecer “locais” por um bom tempo e será difícil para a Amazon deslocar os fortes atores locais.

A Amazon tem poderosas ferramentas para manter seus clientes. Prime é a mais eficiente: quando os clientes pagam uma taxa substancial para envios gratuitos, é pouco provável que comprem em outro lugar. O Kindle é outro. Os aparelhos e os apps possuem ampla distribuição e, por causa da autopublicação, Kindle continua a livraria com a maior seleção.

O mercado está mudando, claro. A grande vantagem da Amazon é ter a maior seleção de livros impressos e digitais em um único lugar. Todos sabem há décadas que este é o melhor ímã para atrair compradores de livros. Mas agora muitos livros estão sendo lidos sem a compra nas livrarias como antes. Estamos no começo de uma era de “distribuição distribuída”. Muitas ofertas tecnológicas diferentes — Aerbook, Bluefire, De Marque, Page Foundry e Tizra entre elas — podem facilitar a vida das editoras para a venda direta de e-books [e a Aerbook permite também a promoção nas redes sociais]. Os serviços de assinatura Scribd, Oyster, 24Symbols e Bookmate [assim como o próprio Kindle Unlimited da Amazon] estão afastando os clientes da compra de e-books à la carte, e Finitiv e Impelsys facilitam que qualquer entidade ofereça leitura digital por assinatura. Todas essas vendas, exceto Kindle Unlimited, diminuem a participação da Amazon, já que é a principal livraria hoje em dia. As editoras no geral veem esta dispersão de mercado como uma coisa boa, apesar de que alguns dos problemas de falta de transparência começam a surgir e, na verdade, os grandes serviços de assinatura geral são um novo grupo de intermediários potencialmente perturbadores que agora estão ganhando poder.

Para o futuro próximo – nos próximos anos – a Amazon vai continuar dominante na maior parte do mundo como o local central onde podemos comprar livros online à la carte porque eles têm os melhores serviços, a maior seleção e vendem tanto impressos quanto digitais. Mas eles agora têm um novo desafio com a próxima rodada das mudanças do mercado, pois o que eles dominam vai se tornar uma porção menor do negócio geral de livros nos próximos anos. As editoras encaram o mesmo desafio, mas de uma forma diferente.

O evento que serviu de inspiração para este post acontece na noite anterior à abertura da Feira do Livro de Londres. A entrada é paga. Se você vai à Feira e quiser participar,eu recomendo! Não vou ter, como sempre, uma base de operações verdadeira na Feira, mas vou ficar nos três dias com algum tempo disponível para encontrar novos e velhos amigos. Mande um e-mail para info@idealog.com se quiser organizar algo.

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O ano do livro para Zuckerberg


Parceria entre Facebook e 24symbols promete dar acesso gratuito e-books a 2/3 da população mundial que não está conectada à internet

Depois de declarar 2015, um ano de livros, o Facebook, fundado por Mark Zuckerberg, acaba de fechar parceria com a 24symbols, empresa de serviço de assinatura de e-books, para oferecer acesso gratuito à sua plataforma de leitura digital. A parceria foi fechada por meio da Internet.org , iniciativa liderada pelo Facebook cujo objetivo é tornar o acesso à internet economicamente acessível para os dois terços do mundo ainda não conectados. Os assinantes terão acesso a um conjunto de serviços básicos gratuitos através do app do Internet.org, que pode ser baixado pelo Google Play ou visitando a página do projeto na internet, por meio de um aparelho móvel. O primeiro passo dessa colaboração entre o Internet.org e a 24symbols foi dado na Colômbia e, de acordo com a 24symbols, muitos outros países, de diferentes línguas, farão a adesão ao projeto nos próximos meses. A 24symbols tem um catálogo de mais de 200 mil títulos em dez idiomas e atualmente presta serviços a mais de 650 mil usuários registrados em todo o mundo. Este acordo, segundo a empresa, vai aumentar consideravelmente o número de usuários da plataforma de leitura.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 16/01/2015

Sony joga a toalha


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Sony jogou a toalha no negócio de e-book e entregou seus clientes para a Kobo. Isso iniciou muitas especulações de que a Nook vai fazer o mesmo. Se a B&N fosse realmente forçada a escolher entre os investimentos que precisam ser feitos em suas lojas e os investimentos exigidos para competir na entrega digital, seria difícil que não preferissem salvar as lojas. A ideia de que outro varejista, talvez o Walmart, comprasse toda a empresa parece bastante lógica, mas não dá para descartar que existe uma ligação sentimental do principal dono da B&N, Len Riggio, com as lojas.

Apesar das esperanças e expectativas de empresas iniciantes como a Zola Books [que fez uma aquisição recente, tirando a Bookish das mãos das três editoras que a abriram], o Blio da Baker & Taylor, o Copia ou o projeto txtr, que antes se baseava em telefone, parece que estamos vendo o começo da consolidação do negócio do e-book. A verticalização pode funcionar, como parece acontecer com Allromanceebooks, mas só ser “administrado de forma independente” não foi suficiente para a Books on Board, uma empresa que terminou no ano passado, depois de muito tempo funcionando. [Até o momento, a Diesel, uma independente comparável, está se aguentando.]

A Sony é uma grande empresa com um negócio de e-books muito pequeno. Eles também foram realmente “os primeiros” na era moderna dos aparelhos de e-book. O Sony Reader e-ink é mais parecido com o Kindle e o Nook do que qualquer outra coisa que apareceu antes. Mas se o e-book já se encaixou em algum momento como objetivo maior para a Sony, não é claro qual foi.

A Apple abriu sua e-book store porque acharam que tinham um aparelho perfeito para o consumo de livros [o iPad], mas também tinham experiência com venda de conteúdo [iTunes]. Eles também veem potencial para iPads nos mercado escolar e universitário, então desenvolveram tecnologia para permitir que livros mais complexos – o tipo que ainda não conseguiu ter sucesso comercial – fossem desenvolvidos para a plataforma deles. Estabelecer seus aparelhos e o ecossistema do iOS no mercado educacional seria uma grande vitória.

O Google reconheceu há uma década que livros, sendo repositórios de informação que continham a melhor resposta para muitas buscas, eram um mundo no qual eles queriam estar. Com sua crescente posição em aparelhos – o celular Nexus 7 e os computadores Chromebook — e como os desenvolvedores do Android que compete com o iOS no mercado de apps, há muitas formas através das quais estar no negócio de e-books complementa outros esforços, incluindo talvez, concorrer com a Apple e o iOS nas escolas.

Eu já afirmei [entre outras coisas] que a venda de e-books não funcionaria como uma operação exclusiva; precisa ser um complemento a outros objetivos e atividades para fazer sentido comercial. A Sony descobriu que não servia para ela, quase certamente porque não acrescenta valor a nenhum dos seus outros negócios.

Claro, e-books certamente complementam o negócio central da Barnes & Noble. Você tem uma deficiência bastante óbvia se dirige uma livraria e não vende e-books, então todo mundo faz isso de uma forma ou outra. Entre os erros que a Borders é acusada de ter cometido antes de desaparecerem foi entregar seu negócio de e-books para a Kobo. Dúvidas sobre o futuro da Waterstones no Reino Unido incluem se foi inteligente entregar seu negócio de e-books para a Amazon. Se a Barnes & Noble não tivesse o Nook, eles teriam que fazer um acordo com quem tivesse o Nook ou com algum outro.

Tenho certeza que a Apple, a Kobo ou a Google ficariam encantadas em ter seus livros integrados nas ofertas da Barnes & Noble, e provavelmente a Amazon também, apesar de que o mais provável é que eles nunca seriam convidados. Todos eles mostraram interesse em se afiliar a lojas independentes, com o Google começando e desistindo, a Kobo agora tentando fechar algo, e, até a Amazon, que não conseguiu penetrar bem nas independentes com seus livros próprios agora oferece a elas um programa de filiação para vender e-books Kindle chamado Amazon Source. Mas certamente todos eles aproveitariam a chance de expandir sua distribuição aos clientes da Barnes & Noble.

É provável que a B&N acredite que o negócio do Nook só pode ser realmente bem-sucedido se continuarem investindo em aparelhos melhores e criarem uma presença global. Isso pode ser verdade, mas também poderia ser que a Nook seja útil para seu negócio de livrarias sem acrescentar continuamente aparelhos ou criar uma presença fora dos EUA onde não existem lojas da B&N. Cada vez mais pessoas estão se sentindo confortáveis lendo em aparelhos multi-funcionais através de apps. Talvez a B&N pudesse manter um negócio lucrativo com sua audiência usuária de Nook enfatizando mais as sinergias com as lojas [unindo impressos e e-books, como a Amazon faz com sua iniciativa Matchbook e como já foi tentado em escala menor por algumas editoras, seria uma forma] e não se preocupar tanto com tornar o Nook competitivo com as outras livrarias de e-books como um negócio independente.

O imprevisível aqui é se alguma empresa grande – sendo o Walmart uma das mais mencionadas — visse benefícios em participar do negócio de e-books [ou até todo o negócio de livros] em seu portfólio. Isso acontece no Reino Unido, onde uma rede de supermercados, a Sainsbury’s, comprou a maioria das ações da Anobii [uma startup iniciada por editoras inglesas, análoga à Bookish nos EUA] e a Tesco comprou a Mobcastporque o negócio do livro aparentemente combinava bem com suas ofertas e a base de seus clientes. [Tanto a Sainsbury’s quanto a Tesco fizeram declarações sobre fortalecer seu “entretenimento digital” e as propostas de varejo online. A Tesco está investindo em aparelhos também.] A Kobo tem como pilar de sua estratégia encontrar parceiros em livrarias físicas ao redor do mundo.

Em base global, fora do mundo da língua inglesa, o negócio do e-books ainda está na infância. Mas é difícil ver como qualquer empresa sem uma presença em inglês poderia desenvolver a escala para competir com aqueles que têm. Toda nação e linguagem terá livrarias locais que seriam as “primeiras” para os leitores daquela localidade. Algumas poderiam até ter a ambição de também dominar o negócio local de e-books, especialmente quando fica cada vez mais claro que os e-books canibalizam o espaço em prateleira das livrarias. Mas o custo de tempo e dinheiro, combinado com a vantagem competitiva de ter livros em língua inglesa em oferta não importa qual idioma seu mercado alvo lê, vai fazer com que uma estratégia “crie tudo sozinho” seja muito pouco atraente. Então pareceria que a Amazon, Apple, Google e Kobo estão posicionadas para crescer organicamente e fazer parcerias em todos os lugares. E isso vai exigir algum evento sério, como o Walmart comprando a Barnes & Noble, para quebrar o poder que este quarteto tem sobre o mercado global de e-books na próxima década.

Um acontecimento potencialmente perturbador que este artigo ignora é a possibilidade de que os e-books se tornem um negócio de assinaturas na próxima década. Tenho dois pensamentos abrangentes sobre isso.

Um é que o hábito de compra de livro a livro está bastante arraigado e não será mudado drasticamente com os e-books nos próximos dez anos. Não tenho ideia de qual porcentagem do mercado de e-books agora funciona por meio de assinaturas, mas acho que é seguro dizer que “bem menos do que 1%”. Então meu instinto é que seria necessário um sucesso incrível para chegar aos 10% nos próximos dez anos.

A outra coisa que devemos lembrar é que qualquer livraria de e-books sempre pode desenvolver uma oferta de assinaturas. A Amazon realmente começou isso com o Kindle Owners Lending Library. Você pode ter certeza que se Oyster ou 24Symbols começarem a juntar uma quantidade importante de mercado, todos os Quatro Grandes, que vimos aqui, encontrarão uma forma de competir por este segmento. [É bastante mais difícil acontecer o contrário; é muito menos provável que a Oyster ou a 24Symbols abram lojas normais.]

Então se a assinatura crescer ou não, as gigantes de vendas de e-books vão continuar as mesmas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O burburinho pelo sistema de assinatura para eBooks na DBW 2014


Co-fundador da 24symbols analisa os serviços de assinatura de livros

É fascinante como podemos ser relativamente novatos na indústria editorial, onde relacionamentos estão no centro dos negócios, e ao mesmo tempo sermos um “vovô” no negócio de assinaturas de e-books, comoMike Shatzkin falou sobre minha startup 24symbols há algumas semanas. Apesar de me sentir bastante jovem ainda, já vi consideráveis mudanças em relação à aceitação de modelos de negócios alternativos que podem impactar na rentabilidade e, mais importante, no crescimento da leitura em aparelhos digitais contra outras alternativas de diversão e culturais.

Junto com outros 1.500 amigos, participei da Digital Book World 2014 para falar em um painel com outros fornecedores de assinatura de ebooks como ScribdOyster e Entitle. Estes serviços não existiam há um ano, o que fala muito sobre como a tendência está se tornando uma oportunidade.

Quando eu e meus sócios montamos a 24symbols, que pensamos como o “Spotify para Livros” [traduzida apropriadamente como “Netflix para Livros” quando viajamos para os EUA], estávamos tentando não só criar um impacto, mas também fazer uma declaração: As pessoas estão começando a procurar formas de consumir bens digitais de novas maneiras, e essa exigência está chegando à indústria editorial de e-books. O fato de que três anos depois a mais importante conferência nos EUA foi toda voltada para esse novo modelo, mesmo que evitando falar a palavra assinatura em voz alta [como se fosse um palavrão que participantes e conferencistas preferiam evitar] significa duas coisas para mim.

Primeiro é que todas as mudanças significativas na vida levam tempo; há muitas forças opositoras e esta é a razão pela qual existem as startups, pois em muitos casos lutar contra estas forças internamente é como tentar correr enquanto se está amarrando os cadarços. Nada acontece, exceto que você termina cansado.

Em segundo lugar, tudo se resume aos detalhes. As perguntas feitas durante o painel #DBW14 não eram nada diferentes das perguntadas para mim nos últimos três anos: relação com editoras, divisão do comportamento de leitura com eles, crescimento da base de usuários, estratégias de internacionalização, recursos das apps e dos aparelhos, potencial canibalização, etc. A diferença é o contexto. Um contexto no qual algumas grandes editoras, junto com muitas outras pequenas e médias, já estão trabalhando com startups em diferentes modelos de negócio. Um contexto em que alguns investidores capitalistas e sócios industriais estão investindo o dinheiro deles em serviços como os nossos. Claro, um contexto onde nem todo mundo acredita no que estes serviços estão oferecendo, mas onde o raciocínio que acontece entre estas discussões é mais maduro, com mais dados e focado em encontrar soluções. Baseado no resultado de diferentes painéis sobre o modelo de assinatura durante a conferência e alguns encontros pessoais, analistas da indústria não estão mais pensando se estes serviços são viáveis ou não, mas se eles podem ajudar a resolver alguns dos problemas da indústria do livro.

Tive a honra de observar e atuar em um papel central nesse cenário e ver como os modelos de negócios baseados em assinatura se desenvolveram durante os últimos quatro anos, como serviços bem-sucedidos estão operando em lugares como Alemanha, Brasil, Espanha ou Rússia. Ainda há muitas variáveis desconhecidas, e certamente novos players e evoluções dos modelos de negócios vão aparecer e desaparecer. Mas eu não podia evitar sorrir sempre que “assinatura” era pronunciada em quase todo painel, workshop e apresentação na maioria das conferências de negócios que consegui participar.

Sobre Justo Hidalgo

Justo Hidalgo é co-fundador da 24symbols, um serviço de assinaturas de e-books. Ele é professor de pós-graduação em Estratégia e Inovação de Produto e executivo em Madri, Espanha, além de mentor de start-ups. Antes da 24symbols, Justo era VP de Gerenciamento e Consultoria de Produto na Denodo Technologies, líder mundial em pré-vendas e gerenciamento de produtos. Possui Doutorado e Mestrado em Ciência da Computação e recebeu treinamento em Gerenciamento de Produto, Marketing, Inovação e Criatividade de Produto. Ele pode ser contatado via twitter em @justohidalgo.

Por Justo Hidalgo | PublishNews | 11/02/2014 | Este texto foi originalmente publicado na Digital Book World | Tradução Marcelo Barbão

Widbook comemora seu primeiro ano com 200 mil usuários


CEO da startup participa da Contec Brasil

Flávio Aguiar

Flávio Aguiar

Criado no início de 2013, o Widbook tem se consolidado como plataforma digital colaborativa para produção de conteúdo e leitura em nível global. Um dos indicativos disso é a dimensão da rede que se formou. Com sede em Campinas, no interior de São Paulo e nos EUA, a startup tem atualmente mais de 200 mil usuários de diversos países do mundo. Pela plataforma, eles podem escrever e publicar livros, além de receberem feedbacks e comentários de outros membros e profissionais e tudo isso de graça.

O fundador e atual CEO do Widbook, Flávio Aguiar é um dos confirmados para a Contec Brasil que terá edições em São Paulo [dia 18/02] e em Canoas-RS [no dia 20/02]. Ele adianta que, no evento, vai defender a necessidade de melhorar o acesso em escolas e em universidades. “O acesso sempre foi um problema na área de educação, pois muitos trabalhos acadêmicos acabam ficando dentro dos centros de educação, impossibilitando o acesso mais global e massivo”, argumenta. O Widbook, nesse aspecto, funciona como uma ferramenta poderosa de troca de informações entre diferentes instituições.

Flávio conta ainda que um dos aspectos mais interessantes do Widbook é a escrita colaborativa. “É uma tendência mundial e o Widbook está na linha de frente, trazendo inovações”, comenta o CEO. Além disso, ele defende o uso do Widbook em sala de aula: “diversos educadores já utilizam o Widbook para trabalhos experimentais com seus alunos”.

Flávio participa do painel Acesso é tudo ao lado do argentino e colunista do PublishNews Octavio Kulesz e do espanhol David Sánchez, da 24symbols.

Por Leonardo Net | PublishNews | 06/02/2014

Leitura de livros na nuvem é a proposta do 24symbols


Os livros do Project Gutenberg, que tem mais de 30 mil obras cujos direitos autorais já expiraram, estão disponíveis para qualquer pessoa baixá-los, transferi-los e lê-los no iPad.

O 24symbols é um sistema de leitura na nuvem desenvolvido na Espanha que disponibiliza algumas dessas obras e poupa o usuário da necessidade de transferi-las -permite lê-las imediatamente.

Ao baixar o aplicativo, gratuito na App Store, pode-se acessar diretamente todo o crescente acervo do 24symbols, composto até agora por mais de mil livros. Duas línguas predominam: inglês e espanhol. A obra quase completa de William Shakespeare, clássicos como “Dom Quixote” e “A Odisseia” e diversos livros de Charles Dickens já foram incluídos.

O 24symbols também tem uma interface baseada na web, que pode ser acessada em computadores pessoais, por meio de um navegador.

Livros marcados como favoritos no 24symbols, serviço de leitura na nuvem

Tanto no iPad quanto no computador, você pode acessar os livros que está lendo, marcar obras como favoritas, ver lançamentos e procurar títulos por categorias. Há também um sistema de busca, por enquanto disponível só na interface para computadores.

Além de obras absorvidas do Project Gutenberg, o 24symbols tem uns poucos livros recentes, quase todos obscuros, como “A Violação das Mulas”, de Maria O., única obra em português disponível até agora.

Para usar o 24symbols, é preciso se cadastrar. O serviço se sustenta de propagandas discretas exibidas na navegação e das contas premium [€ 9,99 por mês], que permitem leitura off-line e sem publicidade.

Quando um livro é aberto no aplicativo para iPad, demora um pouco a carregar. Depois disso, as páginas fluem como em qualquer leitor eletrônico convencional. Nas configurações, é possível alterar a letra pelo tipo [entre três opções] e pelo tamanho [entre seis opções].

POR LEONARDO LUÍS | Folha.com | 29/08/2011 – 17h22