BISAC | O que é, para que serve e como usar?


Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Já falamos anteriormente sobre metadados, por aqui e ali. Dessa vez, no entanto, gostaria de dar uma dica bem prática sobre como melhor preencher o metadados de seu livros. O exemplo escolhido é um que vejo que muitas editoras brasileiras não andam prestando tanta atenção: o cadastro de categorias.

Nas players estrangeiras como Amazon, Apple, Kobo e Google, esse cadastro é feito através do código BISAC, desenvolvido pelo Book Industry Study Group [BISG]. A lista de códigos BISAC é atualizada com certa frequência, o que pode causar diferenças da lista de uma loja para a outra, dependendo do ano base que elas estão usando como referência.

Book Industry Study GroupO que vejo nas lojas, quando estudo os livros das editoras brasileiras, é que muitas não estão preocupadas com o cadastro preciso da categoria de seus livros, colocando todos dentro do genérico Fiction [FIC000000] ou não compreendendo direito que o código BISAC é um código de assuntos, portanto, quando você categoriza um livro como Romance [FIC027000] você não está dizendo que seu livro é uma composição em prosa, e sim que o assunto principal do livro é de caráter amoroso. Esse é um erro muito comum. Já imaginou Sylvia Day e Bernard Cornwell na mesma categoria? Bom, é isso que acontece.

E como a Marina já disse por aqui, cadastrar corretamente e precisamente as categorias de seus livros ajuda em muito a visibilidade dos mesmos nas lojas, pois os algoritmos levam este código em consideração para fazer a sugestão de novas leituras. Ou seja, o leitor do Cornwell vai receber vários romances como recomendação. <3

As editoras que preferem cadastrar um BISAC genérico, por outro lado, não têm esse problema. No entanto, estes títulos precisam ser extremamente fortes para não serem prejudicados pela falta de precisão da recomendação dos mesmos para novos usuários. Por exemplo, o John Green estar com um BISAC Fiction > General [FIC000000] não é tão grave, porque suas vendas são tão relevantes que mesmo assim ele vai ser recomendado para MUITA gente. Mas um livro menos conhecido, de um autor menos conhecido, poderia se beneficiar de um BISAC mais preciso.

Outra coisa importante também é não confundir categorias como Family & Relationships ou Music como assuntos que fazem parte de um livro de ficção. Se o livro for ficção sobre relacionamentos familiares, você precisa procurar uma classificação dentro de Fiction, senão seu livro vai ficar relacionado muito provavelmente a livros de psicologia, educação e maternidade. E você não quer isso, certo?

Algumas dicas que deixo para quem vai preencher os metadados de assunto de livros:

  1. Se o título é estrangeiro, veja como a editora do original classificou o livro.
  2. Veja como livros similares estão classificados. Afinal, se você acha que seu livro é para os mesmos leitores de A garota no trem, você tem que torná-lo mais visível para aqueles que o consumiram.
  3. Não classifique os livros com base no CDD. São códigos com funções diferentes, e por mais que o CDD possa te ajudar a ter uma noção de que categoria utilizar, você dificilmente achará um correlato idêntico no BISAC.
  4. Use o bom senso. Nem sempre as referências dos outros estarão corretas, e isso pode realmente prejudicar seu livro.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 25//11/2015

Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.