Leituras no papel e também na tela


Como a tecnologia digital afeta o mundo literário

Por Mayara Zago e Vitória Hirata | Publicado originalmente em ACONTECE | Página 5

 Os e-books têm ganhado grande atenção na mídia por se tratarem de uma maneira mais prática de ler. Entretanto, segundo Ednei Procópio, criador do site “eBook Reader” e especialista em e-books, o mercado nacional de e-books não chegou a 3% se comparado ao mercado estagnado dos impressos. Apesar disso, os digitais continuam em ritmo de alta com um faturamento de cerca de 17 milhões só em 2014.

Observando a grande oferta no mercado nacional livreiro, percebe-se que o consumo está aquecido. Acredito que existe espaço para ambos os segmentos” comenta Milsa Maria Tassi Marques, assessora pedagógica em literatura da Editora Moderna.

A aparente aceitação do público se dá por diversos fatores, como a facilidade de acesso aos conteúdos digitais, que ultrapassa fronteiras e gera proximidade entre o leitor e o autor; a liberdade de modificar a formatação a gosto de quem o utiliza [margem, espaçamento e tamanho da fonte]; ajustes de brilho; caixa de atalho para pesquisa [find/search]; oportunidade de fazer anotações; possibilidade da reedição do livro pelo autor e a leveza do produto. “Você pode levar uma biblioteca para ler em qualquer lugar sem ter o excesso de peso em malas” diz César Rocha Lima, sociólogo, teólogo e autor de e-books.

Outro beneficio é a rapidez do envio sem qualquer taxa nas entregas. “Por causa da viabilidade e facilidade de compra, quando você quer um livro já faz o download para o seu aparelho. Esta acessibilidade é maravilhosa.” Diz Solange Lima, pedagoga e leitora de livros digitais. Com isso, as plataformas preferidas pelo público são IOS [iBooksStore], Android [Google Play], Kindle [Amazon] e Kobo [oferecido pela Livraria Cultura].

Há vantagens também para quem escreve. A tecnologia oferece um meio alternativo para escritores independentes ao dispensar o custo da taxa de entrega e distribuição. É o caso da renomada escritora independente australiana Jaymin Eve, autora da série Walker Saga, que por meio de seus livros publicados na plataforma digital conquista leitores de todos os lugares. “Autores independentes estão quebrando barreiras todos os dias” diz ela.

Jaymin acredita ainda que as grandes editoras monopolizam o mercado ao escolherem qual será a próxima “febre”. A publicação independente abriu um novo mundo de possibilidades ao atender todos os tipos de público, e por meio do contato com os leitores e a divulgação pelas redes sociais é estabelecido uma proximidade maior entre quem escreve e quem lê. “E daí que o livro é horrível? Se há pelo menos uma pessoa que goste da história, não há razão para o livro não estar disponível ao público.” completa Jaymin.