Programa Livrus Ao Vivo # 05


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

Livrus ao Vivo é um programa semanal, com 30 minutos inteiramente dedicados à literatura. Produzido por profissionais do mercado editorial, que visam enriquecer o setor com programação de qualidade, mantém uma equipe sempre atenta às últimas novidades, levando a notícia sempre atualizada.

No programa Livrus ao Vivo, o ouvinte encontra originalidade e inovação, entrevistas com os autores em destaque, agenda cultural, resenhas de livros, obras que viraram filmes, além de músicas inspiradas em livros.

A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentada sempre às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio, editor especialista em livros digitais, por Chris Donizete, publisher e jornalista literária; com comentários de Sandra Schamas, escritora e tradutora.

Para ouvir ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu as edições passadas, basta clicar nos links abaixo:

Da elaboração de um eBook e do relacionamento com freelancers


Com alguma frequência falamos¹ da importância do diálogo entre os envolvidos na produção de um e-book e, pessoalmente, acredito que ainda tenhamos que bater nessa tecla por algum tempo.

No geral, falamos da realidade dentro das editoras e da necessidade de fluidez desse diálogo entre os departamentos envolvidos. Hoje, todavia, vou falar de uma ponta mais ou menos isolada: vou falar do ponto de vista de um freelancer.

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Algumas coisas podem ser muito úteis para que o profissional entregue mais ou menos o que você imagina. Entre elas, um manual de estilo para os digitais que inclua informações comuns a todos os títulos, tais como valores para as proporções de página, corpo, parágrafo básico; alinhamento; cores e decoração de links e chamadas de notas; ordem dos elementos [página de créditos vai pro final?]; o que entra e o que sai dos índices etc.

Esse tipo de informação cria uma melhor experiência para ambos os envolvidos, além de agilizar os processos.

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Primeira parte do manual de estilo da Cosac Naify

Outra coisa que é preciso ter em mente é o que você espera do produto e, para isso, é preciso conhecer o produto, manusear e-books, comprá-los, resumindo, consumi-los, em todos os tamanhos e formas. E isso vale tanto para o editor responsável quanto para o freelancer.

“É pra ontem”

Se “é pra ontem”, já está atrasado. Prazos devem ser realistas e, mesmo nesses casos, as coisas podem não sair como o esperado. Para exemplificar, compartilharei aqui uma experiência profissional recente. Mês passado, combinei com a Companhia das Letras a conversão e adaptação do livro Dia de Beauté [lançamento do e-book previsto para o dia 15/11].

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Como se vê nessas páginas do PDF, a composição dos elementos não se sustentaria num e-book fluido sem muita adaptação e, bem, sendo um livro sobre maquiagem com seções de dicas, é bem provável que seu público o queira à mão, e à mão, hoje, está o celular.

Eu não tinha noção de que daria tanto trabalho, e já na véspera de estourar o prazo, chamei a Marina Pastore e fui sincero: “Dentro do prazo eu consigo entregar um trabalho médio para fraco, avaliei mal os arquivos-base e preciso de mais duas semanas”, ao que ela entendeu e estendeu o prazo.

Posso cortar isso?

Se você, bounty hunter, já tem experiência com adaptação de design para tudo que é tela, aplicativo de loja, e sabe que certas coisas não vão ficar boas, faça sua parte, explique. Você ajuda a editora e entrega um trabalho diferenciado. Eu, por exemplo, uso screenshots rabiscadas e explicações.

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Pode parecer enfadonho, mas essas explicações sobre as alterações são fundamentais, especialmente no início de uma relação profissional. Com seriedade e profissionalismo, se consegue confiança e maleabilidade e, eventualmente — mas não de um dia para outro –, carta branca para propor e definir soluções.

Captura de tela de 2015-11-10 23-32-54 Pastore, Marina – sobre responsa e carta branca

“Ah, Hermida, tô curtindo suas dicas e tudo mais, mas e o e-book, como ficou, funcionou no celular?”
Pô, obrigado por perguntar, cara. Ó, funcionou, sim, saca só:

celularTelas de Dia de Beauté num smartphone

Esse e-book, por si só, dava um ou dois posts ao estilo do Moby Dick [História de pescador, no blog da Cosac Naify], e talvez eu os escreva… mas o ponto aqui é outro: estou falando sobre troca e comprometimento entre profissionais de um mercado que, em muitos aspectos, carece demais de profissionalização e seriedade, fatores que determinam se o produto entregue aos leitores está entre ruim e médio ou um produto [e um processo] do qual você se orgulha de ter participado.

Vocês se orgulham dos e-books que estão entregando?

Antonio Hermida

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em Colofão | 11/10/2015

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Coordenou o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify sendo também colunista do blog da editora.
Atualmente presta serviços e consultoria para diversas editoras.

Entre outras coisas, é entusiasta da cultura Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Leituras no papel e também na tela


Como a tecnologia digital afeta o mundo literário

Por Mayara Zago e Vitória Hirata | Publicado originalmente em ACONTECE | Página 5

 Os e-books têm ganhado grande atenção na mídia por se tratarem de uma maneira mais prática de ler. Entretanto, segundo Ednei Procópio, criador do site “eBook Reader” e especialista em e-books, o mercado nacional de e-books não chegou a 3% se comparado ao mercado estagnado dos impressos. Apesar disso, os digitais continuam em ritmo de alta com um faturamento de cerca de 17 milhões só em 2014.

Observando a grande oferta no mercado nacional livreiro, percebe-se que o consumo está aquecido. Acredito que existe espaço para ambos os segmentos” comenta Milsa Maria Tassi Marques, assessora pedagógica em literatura da Editora Moderna.

A aparente aceitação do público se dá por diversos fatores, como a facilidade de acesso aos conteúdos digitais, que ultrapassa fronteiras e gera proximidade entre o leitor e o autor; a liberdade de modificar a formatação a gosto de quem o utiliza [margem, espaçamento e tamanho da fonte]; ajustes de brilho; caixa de atalho para pesquisa [find/search]; oportunidade de fazer anotações; possibilidade da reedição do livro pelo autor e a leveza do produto. “Você pode levar uma biblioteca para ler em qualquer lugar sem ter o excesso de peso em malas” diz César Rocha Lima, sociólogo, teólogo e autor de e-books.

Outro beneficio é a rapidez do envio sem qualquer taxa nas entregas. “Por causa da viabilidade e facilidade de compra, quando você quer um livro já faz o download para o seu aparelho. Esta acessibilidade é maravilhosa.” Diz Solange Lima, pedagoga e leitora de livros digitais. Com isso, as plataformas preferidas pelo público são IOS [iBooksStore], Android [Google Play], Kindle [Amazon] e Kobo [oferecido pela Livraria Cultura].

Há vantagens também para quem escreve. A tecnologia oferece um meio alternativo para escritores independentes ao dispensar o custo da taxa de entrega e distribuição. É o caso da renomada escritora independente australiana Jaymin Eve, autora da série Walker Saga, que por meio de seus livros publicados na plataforma digital conquista leitores de todos os lugares. “Autores independentes estão quebrando barreiras todos os dias” diz ela.

Jaymin acredita ainda que as grandes editoras monopolizam o mercado ao escolherem qual será a próxima “febre”. A publicação independente abriu um novo mundo de possibilidades ao atender todos os tipos de público, e por meio do contato com os leitores e a divulgação pelas redes sociais é estabelecido uma proximidade maior entre quem escreve e quem lê. “E daí que o livro é horrível? Se há pelo menos uma pessoa que goste da história, não há razão para o livro não estar disponível ao público.” completa Jaymin.