Dicas de edição de fontes no InDesign


Em posts anteriores do Colofão, as questões das fontes tipográficas já foram bastante discutidas. Explicamos como editar as fontes e demos algumas dicas de como lidar melhor com elas ao longo da produção dos e-books, só para citar dois exemplos. Mas manipular fontes é um trabalho recorrente na minha rotina de produção de livros digitais, e com o tempo eu consegui desenvolver algumas técnicas que facilitam muito o trabalho posterior de inserção e edição das tais fontes tipográficas. Neste texto eu pretendo apresentar uma dica simples e, espero eu, bastante útil, que deve ser aplicada nos estágios primários de produção.

Como expliquei aqui, a primeira etapa do meu trabalho é abrir o arquivo aberto do livro no InDesign e exportar o texto, passando este do formato indd para rtf de modo que ele possa ser aberto no LibreOffice. Porém, antes de fazer essa exportação, vale a pena gastar alguns minutos para estudar o livro impresso e sistematizar o trabalho que está prestes a ser feito. Em relação às fontes, esse estudo consiste em pesquisar quais famílias tipográficas estão presentes no arquivo e quais delas serão de fato utilizadas no e-book. Utilizo, para isso, a ferramenta Find Font…, localizada no menu Type do painel de controle, que você pode identificar na imagem abaixo.

Com essa ferramenta é possível descobrir que fontes estão sendo utilizadas no corpo do texto, nos títulos e subtítulos, além de identificar se há palavras em negrito ou versalete ao longo do texto e reconhecer qual a proporção dos tamanhos das fontes das capitulares, entre outras tantas funções.

A etapa seguinte, igualmente importante, é descobrir se os negritos, itálicos e versaletes serão exportados corretamente. A única maneira de fazer isso é exportando um arquivo de teste [seguindo as etapas de exportação explicadas no texto previamente citado] e checando no Sigil. Pode parecer um trabalho desnecessário exportar um ou dois arquivos de teste que depois serão descartados, mas você vai se arrepender de não ter feito isso caso tenha que aplicar manualmente todos os negritos e itálicos presentes no livro!

Se, por exemplo, os textos em versalete não tiverem sido exportados, qual a melhor solução? No arquivo InDesign, com a ferramenta Find/Change [pelo atalho Ctrl+F], você pesquisa a fonte que está em versalete – e que normalmente possui um tamanho diferenciado em relação à fonte do texto – e a substitui por outra fonte que possa ser reconhecida posteriormente no seu arquivo rtf, que pode ser uma fonte qualquer com um sublinhado simples. Isso é possível clicando no ícone de pesquisa abaixo e à direita do Find Format e, em seguida, clocando no ícone de pesquisa Change Format, que está marcado com um círculo vermelho na imagem abaixo.

Tal procedimento também serve para identificar e corrigir itálicos, negritos e outros estilos de fonte que não estiverem sendo convertidos durante a exportação do InDesign. Como eu falei no início, são dicas bem simples e rapidamente executáveis após você ter criado familiaridade com os processos. O mais importante, na verdade, é testar e testar e testar, descobrir quais ferramentas você considera úteis para o SEU processo de produção do livro digital e não deixar de pesquisar, na teoria e na prática, as muitas maneiras de melhorar seu trabalho.

Por Joana De Conti | Publicado originalmente em Colofão | 21 de outubro de 2015

Joana De Conti

Joana De Conti

Joana é formada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia, mas abandonou a academia quando descobriu os livros digitais. Neófita no meio editorial, vai escrever aqui tanto sobre suas descobertas e aprendizados técnicos quanto sobre suas impressões acerca da relação entre o digital e o impresso dentro e fora das editoras. Joana trabalha atualmente no departamento de livros digitais da editora Rocco.