Rio Cidade Livro, uma plataforma da literatura brasileira


A plataforma “Rio Cidade Livro” será um espaço para mapeamento periódico de lugares e histórias da literatura permitindo ao leitor selecionar roteiros específicos ou mesmo realizar uma navegação cruzada de romances x lugares. Uma cartografia literária do Rio de Janeiro em que é possível acompanhar os passos de vários clássicos da literatura brasileira.

A cerimônia de lançamento da “Rio cidade livro” será no dia 06 de novembro a partir das 9h no Museu de Arte do Rio. Na palestra inaugural além do projeto, vai ser apresentado a primeira obra mapeada na plataforma: “O Cortiço Anotado”, edição de 125 anos do clássico de Aluísio Azevedo, que faz parte da biblioteca Rio 450 anos.

Participam do evento Marcelo Calero, Secretário Municipal de Cultura; Antônio Torres, membro da Academia Brasileira de Letras [ABL] e Cláudio Soares, editor de O Cortiço Anotado, CEO da plataforma de cartografia literária Somos João do Rio e idealizador do Rio Cidade Livro. A mediação do encontro será de Janaina Melo, Gerente de Educação do Museu de Arte do Rio. A curadoria é da Gisele Lopes e da Patricia Nogueira, da Gerência de Livro e Leitura/SMC.

Para conhecer a plataforma Rio cidade livro, acesse: www.riocidadelivro.com.br.

Para acompanhar as notícias em relação a plataforma curta a fanpage no Facebook:https://www.facebook.com/riocidadelivro.

Confira o vídeo sobre a plataforma neste link.

Biblioo | 30/10/2015

Tinder, o vendedor de livros


Ex-bombeiro solteirão escreve livro e aproveita o Tinder para promovê-lo

Printscreen do perfil do autor no Tinder

Printscreen do perfil do autor no Tinder

Tinder, um aplicativo de geolocalização que promove “encontros amorosos”, é o mais novo vendedor de livros no Brasil. É que Bruno Godoi, um ex-bombeiro e solteirão convicto, escolheu a plataforma para divulgar e promover seu livro Solteiro sofre demais [Empíreo, 248 pp, R$ 29,90], o primeiro “BarbaLit Nerd da galáxia”, como o autor define. O mineiro “campeão de matchs” no aplicativo fala que o termo deriva do Lumber Lit [Resultado da equação “Lumbersexual + Lit – Sexual”] e defende que cada “match” é uma oportunidade para conquistar novos leitores. O livro, que está à venda nas livrarias tradicionais, podia ser uma não ficção em que Bruno contasse as suas peripécias no aplicativo, mas trata-se de um romance. Na trama, James Lurex, um professor de literatura, é um boêmio que prefere os bolsos vazios a perder uma noitada.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 29/10/2015

Diário [digital] de Frankfurt


Mais uma Frankfurter Buchmesse e com ela a certeza de que somos cada vez mais digitais – o mundo, ainda não o mercado editorial – e do quanto o que vemos nas ruas por aqui acontece em todo lugar do mundo, com todas as nacionalidades, o tempo todo. Seja em um metrô paulista ou em um tran frankfurteano [licença poética], todo mundo está olhando o smartphone em grande parte do tempo.

A questão que continua comigo é como fazemos para chegar cada vez mais a esses potenciais leitores e como criamos o hábito da leitura na tela, principalmente a interstitial reading, aquela leitura de conteúdos feitos para serem lidos nos intervalos e metrôs de cada dia. Porque nem todo livro deve ser digital, mas muitos podem ser.

Mas vamos lá, porque este texto fala sobre como o mundo – dos livros – está digital. Nada melhor do que os dias da Feira para dar a volta ao mundo e saber o que está acontecendo por aí. Além disso, ter a oportunidade de jantar e tomar cerveja com, por exemplo, a Head of Audience Development de uma das editoras top#5 mundiais. Um cargo criado por ela que tem por objetivo – achei incrível! – trazer e manter a audiência de clientes da editora no mundo todo, partindo de Londres.

Uma coisa é importante: o digital está crescendo, sim, e quando digo isso, falo principalmente da enorme quantidade de empresas, empreendedores e profissionais que têm abraçado essa causa e testado modelos, produtos, tecnologias e inovações. Isso é muito claro para mim! Como disse um dos palestrantes do Business Club, “we’re in a CULTURAL revolution”[anotei isso na primeira página do meu Moleskine como frase de motivação matinal].

Vou falar sobre os três principais pontos, que são para mim grandes áreas e que, na minha visão, são essenciais para que o universo digital consiga avançar:

1/ O que mais me deixou motivado a continuar na luta pelo mundo digital é a solidariedade. Tive ótimas reuniões e encontros com empresas e editores digitais e todos estão claramente se unindo para fortalecer a comunidade do livro e conteúdo digital. Sou um editor brasileiro e señor Javier é um editor de um país da América do Sul. Temos conteúdos em nossas línguas locais. Por que não fazer uma troca desses conteúdos, para que eles ganhem versões em idiomas locais e cada uma das editoras rapidamente tenha mais conteúdo!?Voilà.

Percebo uma rede se formando entre nós – malucos – que acreditamos que a leitura digital vai revolucionar os hábitos e fazer alguma diferença na vida das pessoas. Seja na democratização ao acesso, seja no hábito de formar mais leitores, ou ainda leitores mais frequentes pela conveniência de ter tudo na ponta do dedo.

2/ Outra coisa muito interessante que vi em Frankfurt foi a enorme [mesmo!] quantidade de softwares, apps, marketplaces e tecnologias para ajudar em todas as etapas do processo de produção, divulgação e venda digital. Desde uma empresa da Rússia que te permite fazer seu próprio app para vender seu conteúdo da forma que achar melhor [aí, digo ter a liberdade de manobrar além das modalidades de venda das lojas já estabelecidas], até uma plataforma criada na Indonésia que te permite vender e levar o acesso à leitura digital em locais com internet precária, devices simples e leitores que nem sempre têm um cartão de crédito. Eu disse Indonésia e não Brasil, apesar das semelhanças… mas os desafios são os mesmos nos chamados emerging markets, dos quais fazemos parte.

Além disso, os locais de venda são muitos: livrarias digitais [talvez as mais difundidas até agora], mas também apps locais, bibliotecas digitais públicas e privadas, transmedia com marcas e outras indústrias culturais, conteúdo on demand e por aí vai…

3/ Por fim, um ponto importante: compra e venda de direitos. No digital, como eu disse anteriormente, isso tem funcionado muito bem com trocas de conteúdo. Existe, sim, a venda de direitos, com advances sendo pagos da parte de quem compra o conteúdo para publicação, mas nem sempre é o caso. Parece ser uma mudança de modelo de negociação. Da venda para uma troca colaborativa, onde todo mundo, no final da equação, tem mais conteúdo somado à presença em mais territórios, com força de venda local. Conseguimos, sim, ao apertar um botão, publicar em 51 países, o que não significa que teremos força de divulgação e marketing locais para atingir os leitores daquele país.

Por André Palme | Publicado originalmente em Colofon | 28/10/2015

André Palme

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 180 e-books e audiobooks publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality showbrasileiro, em parceria com o SBT.
Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e é Embaixador do Business Club da Feira de Frankfurt no Brasil…e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

eBooks mudam o jogo para o catálogo e a exportação


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Para Shatzkin, qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas

Há dois aspectos do negócio que os e-books realmente devem mudar. Uma é que os e-books podem realmente levar a aumentos nas vendas do catálogo. O outro é que os e-books vão realmente permitir vendas fora do território de origem da editora.

Essa segunda questão nem vai exigir muito esforço. Em uma conferência chamada Camp CoreSource organizada pela Ingram recentemente, Mary Cummings da Diversion Books, que lançou no ano passado uma app e-bookstore somente para livros de romance, EverAfter Romance, contou que pouco menos da metade dos usuários do app EverAfter são de fora do mercado “interno” dos EUA. Desses 49%, só cerca de 6% são do Reino Unido e do Canadá. Claro, a Diversion detém os direitos mundiais de muitos títulos. E o resto do mundo tem bem mais do a metade das pessoas, bem mais do que a metade dos falantes de inglês, no mundo. Assim, os EUA ainda são responsáveis por mais usuários per capita, mas isso tem uma importância secundária. Conseguir metade dos clientes de mercados que teriam sido muito difíceis de alcançar há dez anos – sem qualquer esforço extraordinário – é algo muito novo.

Esta realidade global surge em outra frequente discussão atual. As grandes editoras estão sugerindo que as vendas de e-books se estabilizaram, talvez até mesmo diminuíram. A Amazon diz que “não é verdade”, que as vendas de e-books ainda estão aumentando. Algumas análises, como a que é feito pelo Data Guy for Author Earnings, dizem que os grandes livros das editoras estão perdendo participação nos e-books para os independentes, baseando-se principalmente em dados da Amazon para afirmar isso. As explicações mais comuns oferecidas são que o sucesso das editoras ao forçar um aumento nos preços dos seus títulos, combinado com um declínio em novos convertidos para e-books (que têm a tendência a “carregar” seus dispositivos quando começam a ler digitalmente) conta para a aparente tendência.

Mas a comparação pode ser distorcida. Todas as vendas da Amazon fora dos EUA que não são feitas através de uma loja local da Amazon são creditados à loja dos EUA. E quando a Amazon distribui e-books independentes, eles sempre (ou pelo menos quase sempre) têm direitos globais. Então poderia muito bem ser o caso, e muitas vezes é, de que os e-books de editoras que estão sendo comparados aos e-books independentes estão trabalhando em uma base territorial menor para vendas. Há um problema de misturar maçãs com laranjas que torna difícil comparar as vendas de e-books independentes da Amazon com as das editoras.

A questão a entender é que só ter e-books à venda em todo o mundo pode trazer mercados à porta de um cliente, onde quer que o livro tenha sido publicado. Qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas.

O desafio do catálogo é ainda mais complicado e os resultados podem não ser tão óbvios. Dois dos maiores impulsionadores das vendas de e-books são encontrados em resposta à pesquisa e ao efeito amplificado do impulso de vendas existentes na lista dos mais vendidos e nas recomendações da livraria. (“As pessoas que compraram esse, compraram aquele.”) Uma forte lei de distribuição parece inerente nas vendas de e-books. Aqueles que vendem desenvolvem impulso de vendas; aqueles que não, permanecem escondidos e enterrados.

Mas muito disso tem a ver com metadados. As editoras estão melhorando na redação da descrição que determina se os motores de busca conseguem identificá-la como uma “resposta” às consultas certas. Isso significa que, quando voltamos no tempo, é cada vez menos provável que a apresentação seja útil para isso.

E há algumas realidades sobre orçamentos e esforços de alocação em grandes empresas para levar em conta. Boa parte dos orçamentos e dos esforço internos de alocações para marketing vão para os lançamentos. O catálogo é muitas vezes maior que o número de títulos sendo lançados, então menor a quantidade de dinheiro e trabalho é dedicado a um número muito maior de títulos. Em uma base por título, quase não há nenhum recurso disponível para o catálogo. E como as vendas de e-books de catálogo não são geralmente robustas, prever o ROI necessário para aumentar essas alocações orçamentais requer coragem. Ou imprudência.

Depois estão as realidades políticas corporativas. Novos livros têm defensores. Estão os editores que fizeram os contratos e cujas carreiras serão afetadas pelo resultado. Sempre há alguém olhando para os lucros, firme na crença de que poucos livros do catálogo podem mover a agulha da mesma forma que um novo título. E as empresas e os editores são os que conhecem os livros e dizem aos publicitários como eles são e (muitas vezes) a quais públicos estão destinados.

E, acima de tudo, as editoras muitas vezes contam com as vendas do catálogo para aumentar o lucro, precisamente porque não precisam alocar gastos com marketing ou tempo da equipe para esses livros. Às vezes parece existir um medo nas editoras de que começar a gastar esforços de marketing no catálogo seria como abrir uma caixa de Pandora que comprometeria o aspecto mais rentável de seus negócios.

Mas há sinais de esperança de que isso está mudando.

Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, falou na recente reunião anual do Book Industry Study Group sublinhando como a S&S mudou sua abordagem sobre como capturar oportunidades de trabalhar com o catálogo. Reidy afirmou que entre impressos comprados on-line e e-books, mais de 60% das vendas da empresa aconteciam via Internet. Contou que na reunião semanal de marketing na S&S, que tenho certeza era quase exclusivamente orientada para os lançamentos até muito recentemente, eles já estão olhando para seus livros “através de uma lente de oportunidades diárias”. Isso poderia incluir perceber se um livro está listado para um prêmio ou foi mencionado em um programa de TV ou um tuite de uma celebridade. As chances de que um livro será descoberto por alguém procurando pelo livro desta forma são multiplicadas se a descrição do livro apontar os motores de busca na direção certa.

Esta é uma abordagem que vimos pela primeira vez na Open Road Digital Mediaalguns anos atrás. O “calendário de marketing” deles, voltado para feriados e eventos previsíveis como formaturas, não a data de publicação dos próximos livros. Claro, Open Road não tinha nenhum lançamento naquele momento. Todos os livros que adquiriram nos primeiros dias da empresa eram catálogo com direitos digitais de alguma forma disponíveis. Eles transformaram uma deficiência em uma virtude. Mas fazer o marketing do catálogo à luz das “oportunidades diárias” mais atuais é precisamente a coisa certa a fazer.

É interessante notar que quando Reidy falou na Digital Book World em janeiro de 2014, ela apontou para as oportunidades no mundo global. No ano anterior, notou, a S&S tinha vendidos e-books em mais de 200 países.

O reconhecimento de uma oportunidade é um primeiro passo e atribuir recursos humanos e de capital para aproveitá-la é a segunda. Mas as maiores editoras também vão precisar de ferramentas digitais para explorar plenamente o que está se abrindo para elas. Quando olhamos para o que Open Road estava fazendo, eles tinham cerca de mil títulos em sua loja, sendo que todos tinham acabado de ser adquirido pela equipe. Podiam pensar neles. As maiores editoras possuem dezenas de milhares de títulos em seus catálogos, muitos (senão a maioria) dos quais foram adquiridos e lançados por editores e publishers que já não são mais funcionários. Muitos deles possuem descrições velhas e desatualizadas que não podem ser atualizadas facilmente porque ninguém trabalhando lá agora conhece o livro.

Em breve será visto como necessário empregar tecnologia para monitorar as notícias e mídias sociais e para “mostrar” os resultados de cada “oportunidade diária” das possibilidades do catálogo. Por um bom tempo ainda vai ser necessário empregar seres humanos para fazer alguma investigação orientada para o que são hoje termos de pesquisa relevantes e escrever a descrição que irá responder a eles, mas a assistência tecnológica vai multiplicar a eficácia dos esforços humanos.

Devemos esperar que os catálogos comecem a aumentar sua participação nas vendas anuais de todas as editoras. E devemos esperar que aconteça o mesmo com as vendas no exterior.

Há relatos recentes dos EUA e do Reino Unido de que as vendas unitárias de impressos estão crescendo, enquanto as vendas unitárias dos e-books estão caindo. Isso está sendo comemorado por alguns como uma indicação de que os consumidores de livros estão se afastando da leitura digital para voltar ao impresso. Talvez porque eu intuitivamente ache isso pouco provável, posso pensar em algumas advertências.

As supostas reduções e crescimento são bem pequenas e as técnicas de medição são bastante cruas, portanto, existe uma questão de precisão. Mas também sabemos – como foi referido no corpo principal do post acima – que novos convertidos ao e-book tendem a “carregar” seus dispositivos digitais quando começam a ler dessa forma. Acredito que as compras no começo são um pouco “aspiracionais”, mas depois se estabelecem em um ritmo mais parecido com a substituição. Assim, as compras de e-books são infladas no início da “carreira” de leitura de e-books. Menos leitores novos de e-books a cada mês (o que certamente acontece) significa menos pessoas carregando os aparelhos.

Claro, o crescimento das vendas de livros impressos, que é a implicação dos dados recentes, é uma marca independente que, se confirmada ao longo do tempo, requer outra explicação e isso eu ainda não tenho.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Crise provoca queda inédita até no comércio eletrônico


Em agosto, o volume de pedidos de consumidores no comércio eletrônico teve a primeira queda desde 2000, início da série histórica da consultoria especializada E-bit. O recuo foi de 7% em relação ao mesmo mês do ano passado, reflexo do desaquecimento do varejo e da economia como um todo. A situação tornou mais distante para as companhias de varejo virtual a meta de sair do vermelho. Para minimizar os efeitos da crise, as empresas do setor estão enxugando custos. Companhias de comércio eletrônico como Cnova e B2W amargaram prejuízos na primeira metade do ano, mesmo obtendo crescimento nas vendas. A Cnova teve prejuízo de € 95,8 milhões de janeiro a junho, ante perda de € 45,1 milhões no mesmo intervalo de 2014. A B2W Digital fechou o semestre com prejuízo de R$ 132,8 milhões, após resultado negativo de R$ 122,2 milhões um ano antes.

POR CIBELLE BOUÇAS | VALOR ECONÔMICO | 26/10/2015

Jogo baseado em Murakami consegue R$ 53 mil na web


‘Memoranda’ usa contos do autor japonês para estruturar trama

Em duas dimensões, jogo aposta em um modelo ‘aponte e clique’ | Ilustração: Reprodução

Em duas dimensões, jogo aposta em um modelo ‘aponte e clique’ | Ilustração: Reprodução

RIO | Após apenas duas semanas de campanha de financiamento coletivo, um jogo virtual baseado no realismo fantástico do autor japonês Haruki Murakami bateu a meta proposta pelos desenvolvedores. Até a tarde desta sexta-feira, 780 pessoas haviam doado para o projeto de “Memoranda” no Kickstarter. Com mais de 18 mil dólares canadenses [cerca de R$ 53 mil] arrecadados, o game vai receber mais verbas até 15 de novembro.

Em duas dimensões, o jogo da empresa canadense Bit Byters, que aposta em um modelo “aponte e clique”, acompanha a história de uma mulher de uma pequena cidade europeia. Ela precisa descobrir por que está lentamente esquecendo o próprio nome. O game usa contos de Murakami para estruturar a trama.

As recompensas foram criativas para os apoiadores do projeto. Quem doou 330 dólares canadenses, por exemplo, foi transformado em um personagem secundário do jogo. Os desenvolvedores estão conscientes, no entanto, que o encontro entre livros e videogames pode ser decepcionante para os fãs mais exaltados.

Algumas pessoas que apoiam adoram jogos, outras adoram literatura. Estamos preocupados que não vamos conseguir satisfazer a todos”.

Publicado originalmente em O Globo | 23/10/2015 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

eBook revela os novos talentos da literatura brasileira


Editora lança, em e-book, coletânea de novos autores descobertos por Adriana Lisboa em oficinas de criação literária

A escritora Adriana Lisboa realizou, via internet, uma série de oficinas de criação literária. Nesse período, observou e coletou uma série de textos que considerou bons. Agora, o resultado dessa “pesquisa de campo” na busca de novos talentos da literatura nacional está reunido no e-book 14 – novos autores brasileiros [R$ 12] que a Mombak Editora acaba de lançar. O e-book traz produções diversas desses novos talentos, como contos, mini-contos, poemas ou gravuras. Os 14 autores são: Alê Motta, Anna Monteiro, Fabiana Camargo, Ione Mattos, João Paulo Hergesel, José Roldão, José Ricardo Filho, Juliana Leite, Juliana Lessa, Luis Mangi, Márcia Hurtado, Mônica Mendes, Samuel Pinheiro e Thaïs Lips Guerreiro. O está livro pode ser comprado pelas principais e-book stores: Amazon, Apple e Kobo.

PublishNews | 22/10/2015

Dicas de edição de fontes no InDesign


Em posts anteriores do Colofão, as questões das fontes tipográficas já foram bastante discutidas. Explicamos como editar as fontes e demos algumas dicas de como lidar melhor com elas ao longo da produção dos e-books, só para citar dois exemplos. Mas manipular fontes é um trabalho recorrente na minha rotina de produção de livros digitais, e com o tempo eu consegui desenvolver algumas técnicas que facilitam muito o trabalho posterior de inserção e edição das tais fontes tipográficas. Neste texto eu pretendo apresentar uma dica simples e, espero eu, bastante útil, que deve ser aplicada nos estágios primários de produção.

Como expliquei aqui, a primeira etapa do meu trabalho é abrir o arquivo aberto do livro no InDesign e exportar o texto, passando este do formato indd para rtf de modo que ele possa ser aberto no LibreOffice. Porém, antes de fazer essa exportação, vale a pena gastar alguns minutos para estudar o livro impresso e sistematizar o trabalho que está prestes a ser feito. Em relação às fontes, esse estudo consiste em pesquisar quais famílias tipográficas estão presentes no arquivo e quais delas serão de fato utilizadas no e-book. Utilizo, para isso, a ferramenta Find Font…, localizada no menu Type do painel de controle, que você pode identificar na imagem abaixo.

Com essa ferramenta é possível descobrir que fontes estão sendo utilizadas no corpo do texto, nos títulos e subtítulos, além de identificar se há palavras em negrito ou versalete ao longo do texto e reconhecer qual a proporção dos tamanhos das fontes das capitulares, entre outras tantas funções.

A etapa seguinte, igualmente importante, é descobrir se os negritos, itálicos e versaletes serão exportados corretamente. A única maneira de fazer isso é exportando um arquivo de teste [seguindo as etapas de exportação explicadas no texto previamente citado] e checando no Sigil. Pode parecer um trabalho desnecessário exportar um ou dois arquivos de teste que depois serão descartados, mas você vai se arrepender de não ter feito isso caso tenha que aplicar manualmente todos os negritos e itálicos presentes no livro!

Se, por exemplo, os textos em versalete não tiverem sido exportados, qual a melhor solução? No arquivo InDesign, com a ferramenta Find/Change [pelo atalho Ctrl+F], você pesquisa a fonte que está em versalete – e que normalmente possui um tamanho diferenciado em relação à fonte do texto – e a substitui por outra fonte que possa ser reconhecida posteriormente no seu arquivo rtf, que pode ser uma fonte qualquer com um sublinhado simples. Isso é possível clicando no ícone de pesquisa abaixo e à direita do Find Format e, em seguida, clocando no ícone de pesquisa Change Format, que está marcado com um círculo vermelho na imagem abaixo.

Tal procedimento também serve para identificar e corrigir itálicos, negritos e outros estilos de fonte que não estiverem sendo convertidos durante a exportação do InDesign. Como eu falei no início, são dicas bem simples e rapidamente executáveis após você ter criado familiaridade com os processos. O mais importante, na verdade, é testar e testar e testar, descobrir quais ferramentas você considera úteis para o SEU processo de produção do livro digital e não deixar de pesquisar, na teoria e na prática, as muitas maneiras de melhorar seu trabalho.

Por Joana De Conti | Publicado originalmente em Colofão | 21 de outubro de 2015

Joana De Conti

Joana De Conti

Joana é formada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia, mas abandonou a academia quando descobriu os livros digitais. Neófita no meio editorial, vai escrever aqui tanto sobre suas descobertas e aprendizados técnicos quanto sobre suas impressões acerca da relação entre o digital e o impresso dentro e fora das editoras. Joana trabalha atualmente no departamento de livros digitais da editora Rocco.

Programa Livrus Ao Vivo # 03


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

A Livrus Negócios Editoriais já não é mais uma startup. Com seis anos de vida, a empresa iniciou suas atividades em 2009, durante a Bienal do Rio de Janeiro. Até 2011 a Livrus era apenas um projeto dentro de uma editora que o empreendedor Ednei Procopio havia fundado. A partir daí a Livrus ganhou vida própria e, hoje, somente seu selo editorial, soma mais de 130 escritores publicados, cada um deles com dois ou mais títulos, uma característica que a Livrus vem tentando manter desde então.

A Livrus Negócios Editoriais dividiu seu modelo de negócios em três segmentos: PUBLICA, COMERCIALIZA e DIVULGA. O programa de rádio que a Livrus criou e que estreou no dia 7, na Rádio Mundial, estação difusora em São Paulo, faz parte de sua estratégia dentro do seu plano de divulgação de obras e escritores.

A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio e Chris Donizete. Para ouvir o programa ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu os programas anteriores, clique aqui para ouvir o podcast.

Chinesa, paralisada, escreve biografia usando os olhos


Uma mulher de 62 anos de idade, de Chengdu, no sudoeste da China, provou que determinação pode superar as mais debilitantes doenças. Gong Xunhui está com seu corpo praticamente todo paralizado, devido a uma doença neuro-motora que progressivamente a impossibilitou de se mover e falar.

No entanto, ela mostrou muita força ao concluir a escrita de sua biografia mesmo estando nesta condição. De acordo com o Daily Mail, Xunhui escreveu cerca de 150 mil caracteres apenas piscando os olhos. Para ser ainda mais incrível, a senhora pretende doar todos os recursos arrecadados com a venda do livro a ações de caridade.

Gong teve que superar mais do que apenas os impactos físicos da doença para escrever sua biografia. Enquanto ela ‘contava’ sua história aos jornalistas, trocando teclas por piscadas, ela refletia a respeito de momentos felizes de sua existência.

Ela relembra quando conheceu seu marido, em 1976, apresentado pelo seu avô. Os dois se apaixonaram quase imediatamente e se casaram após cinco meses.

A vida do casal foi boa por muitos anos, em que eles tinham sucesso na relação e na carreira, com uma lavanderia de roupas e criaram o único filho que tiveram.

No entanto, a tragédia chegou cedo.

No outono de 2002, Gong começou a sentir os primeiros sintomas da doença progressiva que viria a destruir parte de sua vida. Gong lembrou: “Na época, eu tinha tonturas. Minha perna direita começou a parecer mole e eu não tinha força para movê-la”.

Apesar de se consultar com numerosos profissionais da área médica, a doença só foi descoberta após quase um ano dos primeiros indícios. A doença da chinesa é a mesma sofrida pelo gênio Stephen Hawking, a Esclerose Lateral Amiotrófica ou ELA. Ela recebeu uma previsão de vida de três a cinco anos.

Gong recordou que não conseguia parar de chorar no quarto do hospital ao saber. Naquela noite, o sono não veio, no lugar milhões de pensamentos sobre o quão difícil seria seu futuro passaram a ocupar sua mente. Com o passar dos anos, a doença progrediu e até ela ficar completamente paralisada.

Hoje, a mulher só é capaz de mover sua cabeça e não pode mais falar, tornou-se completamente dependente de seu marido, mas não deixou que a melancolia tomasse conta de todos os seus dias.

“Eu não quero submeter ao destino, ‘Gong anunciou ao marido um dia,” eu ainda estou vivo. Eu quero continuar a viver a minha vida e não esperar a morte. ‘

A partir daquele dia, o casal começou a trabalhar em sua biografia.

Para alguém que só podia mover a cabeça, o processo de escrita é extremamente difícil, mas foi possível com a ajuda da tecnologia. Uma câmera de vídeo colocado na frente de Gong capturou o movimento de seus olhos, que por sua vez dirigiu um programa em um computador usado para digitar palavras e frases.

O processo é muito lento e demorado, mas resultou em uma bela conquista.

Publicado originalmente em Portal Yahoo | 20/10/2015

Aparelho tipo scanner cria sua própria biblioteca digital


O Czur Scanner é um dispositivo que promete tornar a digitalização de documentos e livros algo mais prático. Desenvolvido para operar conectado à uma rede Wi-Fi, o dispositivo conta com tecnologias que fazem da digitalização de livros inteiros um processo mais fácil e que eliminam problemas comuns encontrados por quem tenta realizar esse procedimento com scanners normais.

A lombada do livro causa deformação na página e, mesmo com um scanner amplo, o processo de digitalização da página irá, inevitavelmente, produzir uma imagem distorcida. Com o Czur, a imagem resultante do processo é filtrada por um algoritmo, que identifica a distorção e a corrige.

Czur funciona conectado à Internet e pode ser usado para digitalizar livros inteiros | Foto: Reprodução/YouTube

Czur funciona conectado à Internet e pode ser usado para digitalizar livros inteiros | Foto: Reprodução/YouTube

Outra vantagem do dispositivo é o fato de que, conectado à Internet, ele pode funcionar independente de um computador. Documentos e páginas obtidas pelo scanner podem ser armazenadas num serviço na nuvem, facilitando o acesso aos arquivos e o uso do aparelho, já que, dessa forma, não é necessária a instalação de drivers em um PC para gerenciar o dispositivo.

Outra função interessante do scanner é a perspectiva de usá-lo como projetor. Usando a interface HDMI, o equipamento pode exibir em telas grandes imagens ampliadas de documentos e páginas dispostas em sua base.

O vídeo abaixo, em inglês, mostra o scanner em ação:

O scanner foi apresentado no site Indiegogo, de financiamento coletivo. O projeto já superou a meta de arrecadação, mas ainda há tempo para que interessados invistam na iniciativa. Na cota mais barata disponível, é preciso desembolsar US$ 199 [R$ 780]. As entregas estão previstas para janeiro de 2016 e o fabricante envia o produto ao Brasil.

Por Filipe Garrett | Publicado em TechTudo | Globo.com | 20/10/2015, às 07h00

Um smart reader de verdade!


POR EDNEI PROCOPIO

Nos meus dois últimos livros, “O Livro na Era Digital” e “A Revolução dos eBooks” eu dizia que não tinha certeza se os e-readers, os dispositivos dedicados, iriam ganhar mercado e se tornar um padrão para a leitura dos livros eletrônicos. Eu tentava me convencer de que talvez os dedicated readings devices fossem a melhor opção para o mercado editorial.

Terminei de escrever “O Livro na Era Digiral” em 2010, quando uma segunda geração de reading devices estava ganhando força e os tablets, embora tivessem sido inventados na década de 1970, e testados no início dos anos 2000 pela americana Microsof Corp., ainda não tinham ganhado mercado. O impulso que faltava para os tablets só veio depois que fora lançada a versão da Apple e que impulsionou esta categoria de produto.

O fato é que nem os e-readers e nem os tablets se tornaram tão emergentes e populares quantos os smartphones. Penso que, embora torcesse pelos e-readers, naquela momento, não queria admitir que estes não seriam páreo para os smartphones, muito menos para os tablets. É que eu vinha de uma fase em que a primeira geração de e-readers já havia me encantado o bastante a ponto de me fazer crer que precisávamos apenas de um bom LIBRIè para revolucionar o mercado. O resto viria história em pouco tempo.

Mas o tempo me mostrou que talvez estivesse errado em se tratando de um mercado editorial arcaico, retrógrado, ultrapassado e cheirando a papel mofado. Mais recentemente, no entanto, um estranho, e genial, smartphone de codinome Yotaphone 2, criado pela empresa russa Yota, fez-me sentir redimido de minhas dúvidas.

Vire o Yotaphone 2 e leia seu livro com mais conforto | Photo: Divulgação

Vire o Yotaphone 2 e leia seu livro com mais conforto | Photo: Divulgação

Na parte da frente, o Yotaphone 2 parece ser um smartphone que roda o sistema operacional Android; basta no entanto virar o aparelho para perceber que ele também serva para a leitura, demorada, dos livros eletrônicos, pois mantém uma segunda tela que utiliza a tecnologia do que chamamos aqui de papel eletrônico [o famoso e-ink usados em muitos e-readers por aí].

Aqui a gente percebe uma convergência no uso de diversas telas nos dispositivos portáteis para o consumo de mídia. A ideia do Yotaphone 2 é bem simples: os desenvolvedores reconhecem que muitas mensagens instantâneas de textos [como as do Whatsapp, por exemplo], e-mails, notícias, e-livros, etc., não precisam dos recursos da cor e, por essa razão podem ser acessados na tela traseira e, assim, economizar a famigerada bateria – o maior dos pesadelos, todos sabemos, quando se fala em dispositivo portáteis e móveis.

Durante algum tempo me vi perdido em criar uma resposta que convencesse as pessoas que os dedicated readings devices seriam a melhor opção para o mercado editorial. Creio que, agora, no entanto, eu não precise mais ficar decorando respostas prontas, basta mostrar o case Yotaphone 2 e as pessoas talvez se toquem de que suas convicções sobre os livros eletrônicos estão sempre sendo derrubadas por novas ideias.

POR EDNEI PROCOPIO

Editora adere ao Kindle Unlimited


Serviço de subscrição da Amazon passa a ter títulos escritos por Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Cristovão Tezza

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil: "Estamos muito felizes com o crescimento do Kindle Unlimited no Brasil" | © Divulgação

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil: “Estamos muito felizes com o crescimento do Kindle Unlimited no Brasil” | © Divulgação

A Amazon anunciou que o Grupo Editorial Record colocou “centenas” de títulos a disposição dos assinantes do Kindle Unlimited, o serviço de subscrição de e-books da gigante de Seatle. Entre os novos títulos do catálogo do Kindle Unlimited estão os brasileiros Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Lya Luft e Cristovão Tezza e autores internacionais como Umberto Eco, Ernest Hemingway, Deepak Chopra, Nora Roberts, Danielle Steel e John Green. O catálogo do Kindle Unlimited ultrapassou a casa do um milhão de títulos, sendo 25 mil em português.

Estamos muito felizes com o crescimento do Kindle Unlimited no Brasil e a adição desta seleção incrível da Record certamente dará a nossos clientes acesso a mais best-sellers, aumentando o catálogo de mais de 1 milhão de títulos que já estão disponíveis para os leitores brasileiros que aderem ao programa”, disse Alex Szapiro, Country Manager da Amazon, via comunicado. No mesmo documento, Sérgio Machado, presidente do Grupo Editorial Record, declarou: “Fazer parte do programa Kindle Unlimited é um ótimo negócio para nós, que editamos os livros, e para os leitores, que terão mais acesso aos títulos e, portanto, se sentirão encorajados a lerem mais e mais”.

Para aderir ao Kindle Unlimited, o assinante paga R$ 19,90 por mês e tem acesso ilimitado ao catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 19/10/2015

Livro didático digital ainda não chegou aos estudantes


Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Apesar de estarmos vivendo num mundo cada vez mais digital, onde as crianças e adolescentes dominam as novidades tecnológicas com muita rapidez, os avanços no campo pedagógico ainda são pequenos no Brasil. A maioria das editoras de livros didáticos já oferece o conteúdo em formato digital e os recursos pedagógicos são muitos, mas a adoção deles pelas escolas ainda está lenta.

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros], Antonio Luiz Rios da Silva, não há estatísticas sobre o mercado de livro didático digital, mas ele garante que praticamente todas as editoras do país já têm iniciativas nesse sentido. “Não são todas as coleções que têm, mas boa parte delas já conta com a possibilidade do aluno e da escola trabalharem com livro digital, que na realidade é uma reprodução do livro impresso, com algum enriquecimento, como vídeos, infográficos, jogos, links”.

O livro digital pode ser acessado de diversas formas: em dispositivos móveis [tablets e smartphones] e pelo computador ou lousa eletrônica. Além do formato PDF, que é uma cópia estática digital do livro impresso, há opções LED [Livro Educacional Digital], que são versões enriquecidas com recursos interativos; iBook, que incorpora vídeos, áudios e ampliação de imagens, específica para iPads, da Apple; aplicativos, mais usados para literatura infantojuvenil, que acompanham animações, narração, interatividade e música; e o formato ePub, que se adapta a qualquer tamanho de tela.

De acordo com Rios, o país está no começo da transição e que as escolas têm adotado o modelo híbrido, em que o aluno compra o livro impresso e ganha o acesso ao conteúdo digital. Segundo ele, poucos colégios abandonaram o papel. “Se tiver no Brasil inteiro cinco escolas que fizeram isso é muito. Nas conversas com diretores de colégio, a gente percebe que esse processo tem que ser gradual, não só com relação ao aluno, que se adapta mais rapidamente, mas principalmente por conta do professor”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil, publicado em agosto pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Colúmbia, aponta que o uso de tecnologia guiada em sala de aula pode melhorar o rendimento acadêmico dos estudantes, superando ações como a formação de professores em geral e a redução do tamanho da classe.

Mas, segundo uma das autoras do estudo, Fernanda Rosa, as políticas implementadas atualmente na área pública não têm alcançado esse objetivo. “Para avançarmos em nossa capacidade de levantar o impacto das tecnologias na aprendizagem no Brasil, o primeiro passo é ter as ferramentas digitais disponíveis, com condições de uso e conectividade, e com professores capazes de utilizá-las – realidade ainda restrita a poucas escolas”.

Para Fernanda, não se alcança esse estágio sem o envolvimento das secretarias de Educação com um planejamento de médio e longo prazo com ações simultâneas nos três pilares: infraestrutura, conteúdo digital e formação de professores.

Tradição e inovação

Entre as experiências consideradas positivas está a do Colégio Pedro II, uma das mais tradicionais instituições públicas de ensino básico do Brasil, fundado em 1837, que distribuiu este ano tablets para os alunos do primeiro ano do ensino médio. O material, comprado com verba destinada por emenda parlamentar, foi fornecido pelo Ministério da Educação.

De acordo com a chefe da Seção de Projetos Educacionais do Pedro II, Mônica Pinto, todos os departamentos do colégio e professores de todas as disciplinas estão envolvidos com a novidade. “A gente tem projetos em todas as áreas que você possa imaginar, inclusive projetos integrando várias disciplinas, e cada departamento vem usando um conjunto de objetos e desoftwares enorme. Muitas vezes, inclusive, desenvolvendo projetos especiais com alunos com dificuldade de aprendizagem, para o ensino regular, para alunos de inclusão e até mesmo para alunos de altas habilidades”, disse.

Ela explica que o uso dos tablets não tem foco nos livros. Foi criado um blog de suporte aos professores com todos os objetos educacionais digitais disponíveis e os docentes estão passando por capacitação para usar a tecnologia. “Tem uma listagem de todos os objetos de aprendizagem, aplicativos, livros digitais que são recomendados e as diretrizes da Unesco para aprendizagem móvel.

Segundo Mônica, o Departamento de Ciências da Computação fez uma série de pesquisas e agora está começando a planejar uma série de oficinas que está sendo oferecida aos professores em todos os campi do colégio, para estimular ainda mais trabalho.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [Unesco] lançou no Brasil as Diretrizes de Políticas para a Aprendizagem Móvel. Entre os benefícios, a Unesco cita a ampliação do alcance, individualização e continuidade da aprendizagem, além da otimização do tempo em sala de aula e retorno do resultado imediato. Como recomendações, estão a melhoria da conexão à internet, o acesso igualitário aos dispositivos e a capacitação de professores e estudantes.

Para que o projeto no Pedro II tenha continuidade, de acordo com Mônica, é necessário que o colégio tenha recursos para adquirir equipamentos, além da efetivação da infraestrutura de internet que ainda não está completa no país. “É essa questão do acesso de banda larga para todas as escolas, a gente só vai conseguir fazer essa migração quando conseguir resolver questões estruturais. Por ser um colégio federal, a gente está na mesma situação das outras escolas públicas brasileiras”.

Compras do governo

Apesar de o governo federal ter anunciado no fim de 2013 que, em 2015, os alunos da rede pública do país teriam acesso a livros didáticos digitais, o material até agora não foi disponibilizado. Segundo o presidente da Abrelivros, Antonio Luiz Rios da Silva, no edital de 2014 foi colocado a compra dos objetos digitais e, para este ano, estava prevista a oferta do LED pelas editoras, mas o governo não concretizou a compra. “Nós estamos numa discussão com eles para que a compra seja feita. Mas agora, com a restrição orçamentária, a coisa ficou mais complicada. As editoras produziram os livros, mas até agora não tivemos a disponibilização para as escolas porque o governo não comprou”.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], responsável pelo Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], foi procurado pela Agência Brasil, mas não se pronunciou. Segundo o Gerente de Tecnologia Educacional e Novos Projetos Grupo SM Brasil, André Monteiro, a editora forneceu, dentro do PNLD 2014, os chamados Objetos Educacionais Digitais.

São DVDs com objetos digitais, como áudios, vídeos, jogos e animações com orientações de uso para os professores e para os alunos. Temos produtos aprovados no formato de livro digital com objetos educacionais digitais anexados ao livro para o PNLD 2015, mas até o presente momento sem aquisição e distribuição definida pelo MEC/FNDE”.

Tanto Monteiro quanto Rios afirmam que apenas alguns países estão investindo na transição para o material didático digital, como Coreia do Sul, Finlândia e Estados Unidos. E o Brasil está bem longe disso. “Temos muito o que avançar na infraestrutura das escolas, na formação dos professores e principalmente na universalização do ensino de qualidade. O mais importante é que devemos enxergar o uso da tecnologia como uma ferramenta para impulsionar a criatividade, a inovação e a mudança no ambiente da sala de aula, principalmente na relação entre o professor e seus alunos”, disse Monteiro.

Para Fernanda Rosa, o Brasil tem um alto índice de distribuição de tecnologias digitais nas escolas. Segundo ela, 84% das unidades públicas urbanas são equipadas com laboratórios de informática e mais de 400 mil tablets entregues a professores do ensino médio. Porém, de acordo com a pesquisadora, existe uma deficiência na infraestrutura que dificulta o uso com foco na aprendizagem.

Uma pesquisa recente do Banco Mundial mostra que apenas 2% do tempo do professor brasileiro em sala de aula é utilizado com tecnologias. Outros países latino-americanos apresentam índices similares ou um pouco acima. E essa realidade dificilmente será alterada se não se pensar em políticas voltadas à aprendizagem, que se utilize dos benefícios da mobilidade que as tecnologias atuais disponibilizam”, disse.

Custo X peso

Estudantes aguardam com ansiedade o momento de trocar os livros pelo tablet. A estudante Luisa Lucas Antunes, de 14 anos, disse que no colégio particular onde estuda, na zona sul do Rio de Janeiro, ainda não adotou o livro digital, mas utiliza um aplicativo para fazer simulados. “Eu acho legal porque, pelo menos, tem um aplicativo que interage com os alunos, para preparar as provas de concurso e essas coisas. É um simulado, mas você também pode jogar, com perguntas de vários colégios”.

Para Luisa, além das possibilidades educacionais que a tecnologia oferece, o livro digital é uma oportunidade para se livrar do peso da mochila. “Eu nunca me interessei em ler livro digital, prefiro o de papel. Mas, para a escola, seria uma nova forma de ler, seria legal. O peso da mochila estraga as costas de todo mundo. Eu acho que todas as escolas já deveriam ter livro digital, em vez de continuar com as apostilas e cadernos”.

A digitalização pode significar uma redução do peso nas mochilas, mas pode aumentar o peso no orçamento dos pais, já que a produção de um livro didático é demorado e tem um custo alto, que aumenta quando se trata de autorizações para meio digital. Segundo o presidente da Abrelivros, o uso do livro digital na aprendizagem é um processo sem volta, mas ainda existem questões a resolver.

Tem a redução do custo de impressão e do custo logístico de distribuição, mas, por outro lado. tem todo o incremento do custo de você transformar aquele arquivo, que era um PDF para impressão, para ele virar um livro digital, não é um custo desprezível”.

Autora de livros infantis e juvenis, Anna Cláudia Ramos não acredita que o livro digital de literatura vá substituir o impresso, já que são plataformas diferentes que atendem a públicos diversos. Porém, para o livro didático, ela, que também é professora, é mais enfática quanto às vantagens da tecnologia.

Talvez, no futuro, os didáticos se tornem digitais. Já está se tornando, você clica no livro e já te joga para o país que você está estudando, imagina que máximo. Mas você pode conviver com as coisas todas. Tudo vai poder conviver junto e misturado. Eu acho que a grande questão é a gente não perder esse desejo de fazer livro ser uma coisa gostosa, não fazer algo para ser dever de casa, essa é a diferença”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil aponta que, para implementar o uso das tecnologias no ensino, é preciso desenvolver questões institucionais, como fortalecer o monitoramento das ações e avaliação nas secretarias de Educação, formação continuada e compartilhamento das ferramentas e experiências, além do desenvolvimento de parâmetros legais nacionais para subsidiar os avanços.

Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Tribunal dos EUA considera legal digitalização de livros pelo Google


Organização de escritores alega que projeto de digitalização de obras viola leis de propriedade intelectual

Google tem novo parecer favorável em processo sobre biblioteca digital

Google tem novo parecer favorável em processo sobre biblioteca digital

Um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira, 16, que os esforços do Google de escanear milhões de livros para sua biblioteca online não violam a lei de direitos autorais. A 2ª Corte de Apelações em Nova York rejeitou as acusações do sindicato dos escritores e de vários escritores individuais. A decisão considera que o projeto do Google fornece um serviço público sem violar leis de propriedade intelectual.

O objetivo da cópia é bastante transformador”, escreveu o juiz Pierre Leval, ao explicar a decisão da corte. Para ele, a exibição pública dos textos é limitada e sua divulgação não representa um substituto significativo às versões originais.

De acordo com o jornal The New York Times, é a segunda vez que um tribunal emite parecer favorável ao Google. Há dois anos, uma corte de primeira instância rejeitou as alegações da organização de escritores Authors Guild, de que o projeto de digitalização de livros representa um empreendimento comercial que viola os direitos autorais e reduz as vendas de livros. A organização de escritores pretende levar o caso à Suprema Corte Americana.

Estamos muito decepcionados que o tribunal seja incapaz de entender o grave impacto desta decisão sobre os direitos autorais e sobre nosso patrimônio literário, caso seja mantida”, disse a diretora executiva da Authors Guild, Mary Rasenberger, em comunicado.

Os autores processaram o Google em 2005, um ano após a empresa lançar seu projeto de construir uma vasta biblioteca digital. Os leitores podem acessar mais de 20 milhões de livros pelo motor de busca do Google Books. A pesquisa é feita por palavras-chaves ou frases e dá acesso a alguns trechos dos livros.

Com Reuters | Publicado originalmente em LINK | Estadão | 16 de outubro de 2015, às 18h12

Biblioteca digital gratuita dá acesso a milhões de textos


Os estudantes e professores agora possuem acesso gratuito a milhões de publicações dos melhores centros de pesquisa do mundo.

Quem é estudante universitário ou inclusive do ensino médio sabe das constantes cobranças dos trabalhos e pesquisas pedidos pelos professores.

Quando chega o fim do curso, o famoso TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] vira, muitas vezes, uma dor de cabeça.

Para auxiliar os estudantes, o Portal Bolsas de Estudo lançou uma ferramenta que permite acesso gratuito e em texto completo a bibliotecas digitais de mais de 5 mil instituições pelo mundo. A Biblioteca Digital Unificada, disponível no http://biblioteca.portalbolsasdeestudo.com.br, permite a busca de artigos, trabalhos, teses e dissertações de várias universidades em um só lugar da internet.

Isto é possível graças à entrada do Portal no consórcio acadêmico Open Archives Initiative, que permite o compartilhamento e unificação das publicações de todas as universidades participantes.

No acervo da Biblioteca Digital Unificada estão integrados os acervos digitais completos de universidades brasileiras como a USP, UNICAMP, UNESP, UNB, UFRJ, UFRGS, UFSC, Fundação Getúlio Vargas, entre outras. Repositórios institucionais da área de saúde, como o da FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde e UNASUS Universidade Aberta do SUS, também estão disponíveis para os usuários.

Na área legislativa destaca-se a integração com a Biblioteca Digital do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Na área jurídica, a Biblioteca unificada integra o acervo digital do Supremo Tribunal de Justiça, o BDJUR. Ainda, o maior repositório digital latino-americano, o SCIELO – Scientific Electronic Library Online, fica atualizado e disponibilizado integralmente na Biblioteca Unificada.

Das bibliotecas internacionais, destaca-se a integração dos acervos das universidades de Harvard, Oxford, Yale, Massachusetts Institute of Technology, entre outras. Com a biblioteca, os estudantes possuem ainda acesso ao PubMed, o maior e mais importante repositório internacional da área de saúde, com milhões de publicações da área médica, clínica e farmacológica.

Grandes acervos da cultura mundial, como o acervo digital da Biblioteca Nacional da França, da Biblioteca Nacional da Espanha e da Biblioteca do Congresso Americano, estão também integrados e disponíveis no site.

Com este serviço gratuito aos estudantes e professores, o Portal Bolsas de Estudos dá mais um passo na sua missão de facilitar o acesso ao ensino a toda a população e alcança um destaque cada vez maior na comunidade educacional do Brasil e exterior, consolidando o que já é a sua tradição de qualidade e excelência.

Acesse, divulgue e utilize a nova Biblioteca Digital Unificada.

Portal Bolsas de Estudo | 16/10/2015

Programa Livrus Ao Vivo # 02


A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio e Chris Donizete. Para ouvir o programa ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa. Para quem não ouviu o segundo programa, clique aqui para ouvir o podcast.

Portugal vê versão em chinês da Biblioteca Digital sobre Macau


Lisboa | A UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, a Biblioteca Nacional de Portugal, a Fundação Macau e o Observatório da China organizam, nesta quarta-feira, dia 14, um encontro com jornalistas para apresentação da versão em chinês da Biblioteca Digital sobre Macau – China.

O evento terá lugar pelas 17 horas [hora de Lisboa], na Biblioteca Nacional de Portugal, no Campo Grande, na capital portuguesa.

Trata-se de um projeto do Observatório da China com o apoio das referidas instituições.

Na mesa estarão a presidente da Biblioteca Nacional de Portugal, Inês Cordeiro, o secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, o presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, e o presidente do Observatório da China, Rui Lourido.

A Biblioteca Digital sobre Macau pretende divulgar de forma clara, simples e gratuita, mas rigorosa e científica, as descrições portuguesas [numa primeira fase] fundamentais para a História de Macau e do seu papel no Mundo, que foi pioneiro no relacionamento entre o Ocidente e a China.

“Será um instrumento pedagógico ao serviço da comunidade académica e população interessada. Permitirá o acesso direto, internacional e imediato a fontes históricas até agora só acessíveis nos arquivos portugueses ou em edições de difícil acesso”, lê-se no comunicado divulgado pela UCCLA.

A documentação histórica e respetivo conteúdo estará acessível através de quatro diferentes formas de consulta: pelo Nome dos autores das obras, pelo Título da obra, pela Data de edição da obra e, ainda, pelo campo das Novidades, ou seja, as últimas a darem entrada no portal na internet.

Publicado originalmente em Portugal Digital | 14/10/2015

Programa Livrus Ao Vivo # 01


Ouça o Podcast do Programa Livrus Ao Vivo

A Livrus Negócios Editoriais já não é mais uma startup. Com seis anos de vida, a empresa iniciou suas atividades em 2009, durante a Bienal do Rio de Janeiro. Até 2011, quando ganhou vida própria, a Livrus era apenas um projeto em uma editora que o empreendedor Ednei Procopio havia fundado seis anos antes.

Hoje, somente o selo editorial da empresa soma mais de 130 escritores publicados, cada um deles com dois ou mais títulos. Os escritores representados pela Livrus não são autores de uma só obra, alguns já publicaram mais de 10 títulos, uma característica que a Livrus vem tentando manter ao somar um catálogo de mais de 300 obras.

A Livrus Negócios Editoriais dividiu seu ecossistema em três segmentos: PUBLICA, COMERCIALIZA e DIVULGA. O programa de jornalismo literário LIVRUS AO VIVO, que a empresa criou, e que estreou em outubro na Rádio Mundial, estação difusora em São Paulo, faz parte de sua estratégia dentro do seu plano de divulgação de obras e escritores.

A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas-feiras, das 21h30 às 22h. Para ouvir o programa ao vivo, basta o ouvinte sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu a estreia do programa, o link do podcast é este livrus.podomatic.com.

13 bibliotecas digitais gratuitas


Quer consultar um livro ou documento sem precisar ir a uma biblioteca? Veja as principais bibliotecas digitais e tenha acesso gratuito

Photo Font | Shutterstock

Photo Font | Shutterstock

Para pessoas que desejam fazer trabalhos acadêmicos com fontes seguras, o melhor lugar para encontrar essas informações é nas bibliotecas. Porém, nem sempre ir a uma biblioteca é uma tarefa simples. Por isso, confira uma lista com as principais bibliotecas digitais e consulte gratuitamente seu acervo sem sair de casa:

1 – Domínio Público

Quer ler Machado de Assis, ou conhecer mais sobre as obras do romantismo? O site oficial do Domínio Público do governo conta com milhares de obras, vídeos, textos e sons totalmente gratuitos para download. Todas as obras já estão no domínio público, ou seja, você só encontrará criações de pessoas que morreram há 70 anos.

2 – Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

O site da biblioteca da Universidade de São Paulo [USP] contem livros, revistas, documentos, e outros tipos de arquivos livres para o download gratuito.

3 – Biblioteca Digital Paulo Freire

Voltada principalmente para a área de filosofia e pedagogia, a Biblioteca Digital Paulo Freire disponibiliza para download gratuito das obras do pedagogo e filósofo Paulo Freire.

4 – Biblioteca Nacional Digital Brasil

Com mais de 700 mil arquivos, a Biblioteca Nacional Digital Brasil conta artigos, trabalhos acadêmicos, livros, obras de arte, gravuras, fotografias e outros documentos para download grátis.

5 – Biblioteca Mundial Digital

Com objetivo de reunir documentos oficiais sobre a cultura de diversos países do mundo, a Biblioteca Mundial Digital disponibiliza gratuitamente fotos e arquivos para consulta.

6 – Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDTD]

Coordenada pelo Ibict, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDTD] reúne centenas de teses e dissertações de universidades de todo o País. É uma ferramenta útil para quem está fazendo a sua monografia e precisa de fontes acadêmicas.

7 – Biblioteca Digital do Supremo Tribunal Federal

Para os estudantes e profissional da área de Direito, a Biblioteca Digital do Supremo Tribunal Federal é uma ótima fonte de pesquisa para documentos, livros, artigos e outros arquivos de interesse para a área.

8 – Biblioteca Digital da Unicamp

A Biblioteca Digital da Unicamp conta em seu acervo com dissertações, teses, pesquisas em andamento, revistas eletrônicas, etc., todos feitos pelos professores, pesquisadores e alunos da instituição.

9 – Biblioteca Digital da UNESP

Com um grande acervo de obras de artes, gravuras e desenhos, além de trabalhos acadêmicos, a Biblioteca Digital da UNESP contem os arquivos necessários para estudantes que precisam consultar fontes seguras.

10 – Biblioteca Digital do Museu Nacional

O site da Biblioteca do Museu Nacional tem como objetivo disponibilizar o acervo de obras raras nas áreas de ciências naturais e antropologia.

11 – Biblioteca Digital da Escola de Música da UFRJ

Para estudiosos ou interessados na área de música, a Biblioteca Digital da Escola de Música da UFRJ é uma ótima opção para consultar documentos da área. O acervo conta com obras raras dos séculos XVI a XVIII, além de partituras, manuscritos e periódicos para download gratuito.

12 – Biblioteca Digital e Sonora

Com acesso gratuito, mas exclusivo para pessoas com deficiência visual, aBiblioteca Digital e Sonora reúne diversos materiais no formato digital para facilitar o acesso dessas pessoas aos conteúdos.

13 – Project Gutenberg

O Project Gutenberg reúne livros e documentos que estejam no domínio público de todo o mundo. Lá, é possível encontrar as obras originais de grandes nomes da literatura mundial.

Publicado originalmente em Universia Brasil | 06/10/2015

Skoob produz infográfico sobre Harry Potter


Material traz as preferências de quem curte a saga

Que a saga Harry Potter atrai milhares de fãs em todo o mundo não é novidade. E é justamente por esse sucesso que o Skoob, rede social para leitores, produziu um infográfico com dados sobre as preferências de quem curte a saga. A informação foi baseada em números coletados no mês de setembro deste ano. Entre os dados apresentados, o material indica que mais de 500 mil pessoas marcaram como “lido” pelo menos um livro da série. Os livros da saga receberam 380 mil avaliações e a nota média dada aos livros é de 4,7 estrelas [numa escala que vai até cinco]. Para conferir o infográfico completo, clique aqui.

Publishnews | 06/10/2015

Na era do self-publishing


Por Paulo Tedesco | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2015

O que pode ser triste e decepcionante para alguns, transformou-se em oportunidade para milhares: o mercado do self-publishing amadureceu e veio para ficar.

Não dá mais para ignorar, não há como, o mercado do self-publishing amadureceu e veio para ficar. Simples assim. Você, autor, agora é um autor-empreendedor, responsável direto pela sua carreira, e como nunca antes responsável por cada uma de suas publicações. Aquele sonho de uma editora redentora, empresa benfazeja que permitiria você ficar em casa enquanto seus livros estavam sendo editados e vendidos, bastando ver sua conta no banco e alguns jornais para saber da resposta do mercado, acabou. Esse sonho já não mais existe.

O que pode ser triste e decepcionante para alguns, transformou-se em oportunidade para milhares. Se toda aquela acomodação terminou, no lugar surgiu a desacomodação. Em outras palavras: a atitude é o que vale. Os acomodados, então, diriam “mas não nasci para fazer circo, quero somente escrever”. Pobre gente. Um pouco de observação e estudo mostram que não somente um fracasso de vendas pode lhe obrigar a sair da caixa, como o futuro de seus direitos autorais, toda a herança cultural e a eternidade de seus livros, nesse exato instante, podem estar seriamente comprometidos.

Terrorismo? Não, realismo. O mercado mudou. O paternalismo de editores e agentes literários tornou-se totalmente desnecessário, obsoleto. Por obra da tecnologia mas também por obra da própria globalização, goste ou não, todo autor agora é um autor para muito além de sua aldeia. Um texto, neste milênio, acontece mundial ao toque de uma tela. E pode enriquecer alguns, pode animar a outros, e pode até miserabilizar tantos, mas a consciência, essa coisa terrível que Dostoiévski anuncia, nunca antes foi tão urgente.

O livro só é papel depois do digital. Logo, o digital é o primeiro e inequívoco passo para se tentar compreender o que passa com o que escrevemos. E não se está a falar nos tais “e-books”, que não passam de formatos rudimentares do que ainda está por vir. Quando se fala em digital se fala em multi-conexões, publicação instantânea, impressão um a um, leitura multilingual e tantas outras desconhecidas possibilidades de leitura. E onde fica o editor, ou melhor, a relação tradicional e ultrapassada com o editor? Resposta: na lata do lixo a história.

Fiódor Dostoiévski escrevia como um louco para tentar pagar suas contas, que eram consumidas pela jogatina e uma vida cercadas de credores, até que, velhinho, encontrou estabilidade. Um editor quase lhe tomou todos os direitos autorais, justamente por essa relação que hoje é declarada extinta. Não por coincidência o livro Um jogador foi o resultado direto desse momento. De certa forma prenúncio de que algo de muito errado havia entre um editor e um autor.

Então, o autor que guarda com temor seus originais e feito alguns consagrados escritores do passado, toda a manhã abre sua caixa postal à espera do famoso aceite de alguma casa editorial, pode muito bem utilizar essa passagem da sua vida como boa parábola do fim de uma era. E a liberdade chegou. A alforria do autor é o verdadeiro acontecimento da nova era do livro. E isso ninguém mais consegue segurar, ninguém. Todo autor precisa sonhar não mais com um editor ungido dos céus, mas com a melhor estratégia adotada para cada um de seus títulos. E depois, depois é lutar para ser feliz.

Por Paulo Tedesco | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2015


Paulo Tedesco

Paulo Tedesco é escritor de ficção, cronista e ensaísta, e atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? [Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004]; Contos da mais-valia & outras taxas [ Dublinense, 2010] eLivros: um guia para autores [Buqui, 2015]. Desenvolve e ministra os cursos de Instrução para Produção de Livros na PUCRS, O Livro Passo a Passo e Processos Editoriais, ambos no StudioClio Arte e Humanismo e no Metamorfose Cursos. Pode ser acompanhado pelowww.paulotedesco.com.br, pelo Facebook ou pelo Twitter.

Comunidade on-line para futuros editores e escritores


Editora lança plataforma de capacitação de escritores

A Oito e Meio acaba de lançar o projeto Carreira Literária, comunidade on-line de acesso gratuito que tem como objetivo promover a profissionalização de escritores. Flávia e Iriarte e Tatiana Kely, sócias da editora e idealizadora do Carreira Literária, entendem que autores são profissionais e, assim, não dependem apenas de inspiração para escrever, mas também e principalmente, de muito investimento, leitura, estudo e treino. Partindo desse princípio, a plataforma quer promover a troca de informações entre escritores, editores e leitores, e ainda organizar e oferecer cursos, palestras e materiais que possam ser úteis para a formação desses profissionais.

O primeiro curso do Carreira Literária é Escritor profissional – como publicar e projetar seus livros com sucesso, oferecido na modalidade a distância e ministrado por Raphael Montes. O curso é voltado especialmente para escritores que desejam entender o funcionamento do mercado editorial, a fim de encontrar a editora certa para o seu livro e de posicioná-lo com sucesso no mercado. “Percebo que, na maior parte das vezes o autor simplesmente desconhece o mercado editorial e procura o editor, frequentemente, com uma visão ingênua do que é vender livros no país. Acha, muitas vezes, que basta publicar seu livro e que magicamente eles serão vendidos e lidos, e ele conseguirá destaque e reconhecimento como escritor. Mas não é bem assim que funciona”, desabafa Flávia. O curso fica hospedado em uma plataforma online, portanto o aluno pode assistir às aulas de onde quiser e quantas vezes desejar. O investimento para o curso é de R$ 297.

PublishNews | 02/10/2015

​As tendências de venda dos eBooks e outra surpresa: jornais não estão nada mortos


POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | 02/10/2015

Fundador do Publishers Lunch analisa matéria em que
o NYT decretou o ‘apocalipse do livro digital’ e conclui que a coisa não é bem assim

No outro dia ficamos sabendo que dá para pegar algo que não é novo, colocar na primeira página do NYT, e a coisa vira algo muito importante. Enquanto as pessoas que trabalham na indústria editorial provavelmente deram de ombros para a combinação de tendências bem-estabelecidas e interpretação seletiva – vendas de e-books de editoras tradicionais têm se mantido mais ou menos iguais há anos – começamos a ouvir parentes e amigos [que acharam que havia algo importante aqui] nos dando os parabéns. Agora “Os livros impressos não morreram” junta-se oficialmente ao panteão das piadinhas. Mas vamos esclarecer entre nós pelo menos alguns dos fatos, seguindo a ordem apresentada na matéria:

As Estatísticas: AAP

Sim, as vendas de e-books, como foi relatado por editores que fornecem dados mensais para a Association of American Publishers [AAP], caíram 10,5%, ou US$ 68 milhões, nos primeiros cinco meses de 2015. Isso foi informado em 1º de setembro, e as vendas de e-books caíram por cinco meses seguidos, por isso é um padrão contínuo em vez de um novo desenvolvimento. E a verdadeira mudança aconteceu há algum tempo. As taxas de crescimento do e-book caíram drasticamente no último trimestre de 2012 e o mercado para as editoras tradicionais, medido em dólares, tem se mais ou menos estável desde o início de 2013.

A tese do jornal de que “quem adotou os e-books está voltando para os impressos” deveria se basear em algum tipo de aumento nas vendas de impressos da AAP. Mas sabe qual categoria caiu mais de 10% no mesmo período? Vendas de livros de capa dura. O total de vendas de livros de capa dura, segundo a AAP, até maio 2015 caiu US$ 91 milhões – 11,25% – chegando a US$ 718 milhões. A queda dessas vendas de impressos foi maior em porcentagem e em dólares agregados. Você não saberia disso lendo aquela matéria.

Então, talvez o que os dados disponíveis estão nos dizendo é que os novos lançamentos não venderam bem na primeira parte de 2015, derrubando tanto os livros de capa dura quanto os e-books de forma semelhante. [Além disso, os relatórios de maio não incluem dois dos três principais títulos mais vendidos do ano, Vá, coloque um vigia e Grey].

Os números da Nielsen Bookscan ratificam que um dos maiores padrões para livros impressos até agora em 2015 é de vendas mais baixas de best-sellers. Até o final de maio, as vendas unitárias de impressos dos 200 maiores títulos caíram 15% em comparação com o mesmo período em 2014. Até a atual semana de vendas, os 200 maiores títulos ainda venderam 11,5% menos unidades do que no ano anterior.

Mais amplamente, para o mercado total de impressos, o que a Nielsen Bookscan mostra para 2015 é uma mudança na participação de mercado, em vez de um crescimento significativo. Os estratos de “varejo e clube”, que incluem livrarias físicas e on-line, tem um crescimento em vendas unitárias de 4%, enquanto o segmento de “vendas massivas e outros” viu um declínio das vendas de unidades de impressos de 9%. No total, até a semana atual de setembro, as vendas de impressos medidas pela Nielsen Bookscan cresceram 2% em unidades.

As estatísticas: unidades vs dólares

Quando você está falando sobre a indústria editorial – como geralmente estamos – dólares importa mais, e as estatísticas da AAP só medem dólares, não unidades.

Mas quando você está tentando dizer ao mundo sobre os hábitos dos leitores e a “popularidade” do e-book, quer olhar para unidades, não dólares. Unidades falam sobre os leitores e quantos e-books estão colocando em seus dispositivos, não dólares. Aqui, “os milhões de leitores que migraram para e-books baratos e abundantes autopublicados, que muitas vezes custam menos de um dólar”, certamente estão impulsionando para cima as vendas de e-books.

Há uma série de sinais, não totalmente medidos, de crescimento indeterminado dentro do ambiente Kindle da Amazon. Isso equilibra a visão de que o consumo/ ”popularidade” do e-book está em declínio real – mas, como observamos há um ano e meio, o crescimento em exclusividades da Amazon não contradiz completamente o padrão mais amplo de vendas relativamente estáveis de e-books, tampouco. [Em outras palavras, o NYT está errado, mas também estão as pessoas que insistem que o crescimento dos autopublicados e de livros publicados Amazon são suficientes para mudar radicalmente nossa compreensão da paisagem, especialmente em termos de dólares].

Em parte, isto é atribuível à nossa boa amiga Aritmética: se a Amazon tem 70% do mercado de e-books, e nós trabalhamos com os últimos números do Author Earnings mostrando que os livros autopublicados e os da Amazon representam 37% das vendas em dólares do Kindle durante setembro, até cerca de 26% em janeiro, isso significa que este segmento de crescimento “não mensurado” somou 11% dos 70%, ou 7,7% do total do mercado, e isso incluindo o difícil que é medir o Kindle Unlimited, que está incluído nessas conclusões. [DataGuy no Author Earnings está trabalhando com uma estimativa aproximada de que 1/3 da remuneração para os autores autopublicados na loja Kindle vem de pagamentos do Kindle Unlimited, em vez de vendas diretas ao consumidor]. Enquanto isso, o mercado tradicional medido diminuiu 10,4%.

Mas também, como veremos mais em outro momento, há muitos outros fatores que podem fazer com que a loja Kindle cresça, mesmo que o mercado de e-books nos EUA continue estável. Entre eles, a Amazon pode estar ganhando participação de outros atores [sabemos que as vendas de conteúdo para Nook caíram uma média de 20% já por vários trimestres]; mas também, a loja Kindle com sede nos EUA, na verdade, vende para clientes em todo o mundo, por isso os aumentos também refletem o crescimento das vendas em mercados fora do País. E há efeitos significativos, mas ainda não especificamente conhecido, do Kindle Unlimited – que está, certamente, levando a “leituras” de e-book que não são contadas, no mundo todo [o equivalente a muitos milhões de e-books lidos só no mês passado], mas também está influenciando merchandising e descoberta na loja Kindle ao distorcer suas listas de “mais vendidos”.

Equivalências falsas: o mercado de e-books e o mercado de livros impressos não são idênticos

Comparações diretas de vendas de e-books e vendas de impressos são um instrumento grosseiro na melhor das hipóteses. Todos sabemos que a publicação de livros gerais é formada por vários mercados, não um único. Se formos honestos, as editoras comerciais têm menosprezado o impacto dos e-books por anos [exceto ocasionalmente quando conversa com Wall Street]. Alguns tipos de livros – ficção de gênero e todos os tipos de best-sellers adultos e juvenis – mudaram para o digital muito mais do que outros tipos de livros – não-ficção geral, livros ilustrados, a maioria dos livros infantis. Então percentuais totais de mercado e valores em dólares não são muito reveladores sobre os complexos mercados de impressos e e-books que os editores estão gerenciando.

Nos termos mais gerais, com espaço para muita variação por editora e por lista, a divisão total poderia ser de 75% a 80% de impressos e 20% a 25% digital. Mas quando você olha para livros para adultos, os e-books representam 30% ou mais – e para livros infantis, significa apenas 11%, com todos os compradores adultos de livros juvenis incluídos, e é menor ainda quando tiramos totalmente os livros juvenis. Quando estreitamos o foco mais, para os lançamentos best-sellers, a lente muda completamente. Best-sellers de ficção podem ter uma média de algo ao redor de 2/3 de e-books e 1/3 de impressos, com best-sellers de não-ficção perto de uma divisão igual entre formatos. [Não são números precisos; a questão é que a popularidade e o impacto do digital variam muito dependendo de qual parte do mercado do “livro” você está interessado.] No lançamento de best-sellers é geralmente onde está a maior quantidade de dólares – assim como os maiores giros de estoque, e é quem mobiliza os leitores.

A noção de que o digital é ruim

O NYT fala sobre um potencial “apocalipse digital” e os amplos receios de que um aumento no digital seja per se ruim para a mídia. [“A popularidade em declínio dos e-books pode ser sinal de que o mercado editorial, embora não esteja imune à turbulência tecnológica, vai enfrentar a onda de tecnologia digital melhor do que outras formas de mídia, como música e televisão”]. É interessante que eles não mencionam jornais diretamente, mas achamos que estejam projetando.

Até agora, como já explicamos anteriormente, os e-books são a melhor coisa que aconteceu com os catálogos das editoras. Levaram as margens de lucro das grandes empresas a níveis que pareciam inatingíveis – através de uma combinação de redução de custos, devoluções e custos de inventário mais baixos, e talvez até royalties ainda mais baixos. A preocupação atual não é tanto que os e-books foram ruins para as editoras, mas que o grande lucro que eles trouxeram atingiu seu nível máximo e agora vai diminuir.

Nós já podemos ter passado o “Pico do lucro editorial” por causa do digital e esse lucro poderia agora estar em um declínio irreversível, o que é duplamente em desacordo com a matéria do NYT. Isso é o que as pessoas estão analisando em salas de reuniões, especialmente porque os digitais tendem a manter um teto sobre, ou derrubar, as vendas em comparação com o período anterior nas maiores editoras. Mas mesmo assim, a margem EBITDA da HarperCollins para o seu mais recente ano fiscal foi de 13,25%. A margem da Penguin Random House para o primeiro semestre deste ano – a metade mais tranquila – foi de 12%. Mesmo com o declínio das vendas – em parte devido a “vendas menores dos impressos” – no primeiro semestre de 2015 a margem OIBDA da Simon & Schuster chegou a 11,6%.

A assinatura de e-book fracassou e isso significa que o Digital está em declínio

Os serviços de assinatura de e-books… lutaram para transformar os amantes de livros em leitores digitais”, conta o NYT. Sim, pequenas startups com visões irreais como Oyster e Entitle fecharam. Mas os cortes no Scribd parecem ser devido à demanda – e a gestão dos custos para leitores que leem muito – não uma proposta fracassada. Mais importante, o maior varejista, a Amazon, tem o maior e mais bem-sucedido serviço de assinatura de e-books, então não vamos nos antecipar. [Outros serviços estabelecidos, como o Safari Online, também estão crescendo].

Não só parece estar tendo sucesso, mas também poderia ser responsável sozinho pela diferença nas vendas de e-books do ano. Nós não sabemos quanto o Kindle Unlimited tirou dos consumidores – mas sabemos que já pagou a editoras e autores independentes mais de US$ 80 milhões em 2015 [e lembre-se que as vendas de e-books diminuíram US$ 68 milhões até maio de 2015, segundo a AAP]. O que parece claro, e é provavelmente o maior desenvolvimento do ano passado no mercado de e-books, é que a Amazon está conseguindo alguns de seus principais clientes do Kindle em assinantes de livros digitais.

A surpreendente resistência dos livros impressos ajudou muitos livreiros.

Se estamos avaliando o impacto dos e-books no espaço de prateleira das livrarias, deveríamos olhar para toda o cenário mais amplo. Livrarias – em números, em metros quadrados e no espaço de prateleira – diminuíram. Desde o pico no ano fiscal de 2008, a Barnes & Noble fechou 78 superlivrarias, ou 11% de sua base. [Eles diminuíram 150 mil m² de espaço nas superlivrarias, ou 8,5%, e começaram a dedicar uma porção desconhecida do espaço das lojas para mercadoria que não são livros, de boutiques Nook ao departamento de brinquedos e jogos que está crescendo rapidamente.] A Borders faliu em 2011, fechando 489 superlivrarias e 126 lojas em shopping centers, com a Books-A-Million assumindo uns poucos locais. O desaparecimento dessas lojas da Borders foi um fator importante que ajudou – e está diretamente relacionado com o crescimento das – livrarias independentes.

Sim, todos amamos livrarias independentes, e o crescimento em lojas participantes da American Booksellers Association [ABA] é digno de comemoração. Mas dos 302 membros que a ABA conseguiu nos últimos cinco anos, 1/3 dos membros veio a partir da integração com a associação de livrarias infantis, e o número de membros ainda está bem abaixo do seu pico, na virada do milênio. [Nota: Nós estávamos errados sobre os membros das livrarias infantis. O número de membros cresceu em 102 no ano da fusão, mas a ABA contou que quase todos os membros das livrarias infantis já eram membros da ABA.] Também não temos bons dados sobre os metros quadrados das lojas que fazem parte da ABA, embora, pelo menos, algumas das lojas abertas mais recentemente eram pequenas. As independentes se beneficiaram claramente da grande redução nas redes de livrarias e na queda na venda de livros entre os grandes varejistas e se adaptaram ao que vende bem entre os impressos nas lojas físicas, mas isso é uma história de adaptação de mercado, e não de mudança.

Editoras, buscando capitalizar na mudança, estão investindo em sua infraestrutura e distribuição de livros impressos.

Sim, duas das menores editoras entre as gigantes estão expandindo seus depósitos – mas a Simon & Schuster e o Hachette Book Group citaram o crescimento no negócio de distribuição para outras editoras ao anunciar essas expansões.

E a expansão da Penguin Random House de suas instalações em Crawfordsville, Illinois no ano passado como observado no NYT esteve diretamente relacionada com o fechamento, ao mesmo tempo, de dois depósitos da Penguin, em Pittston e Kirkwood, algo que não é mencionado na história.

Também não foi mencionado a segunda maior editora de livros gerais, a HarperCollins, que está realizando um programa abrangente de fechamento de depósitos já faz algum tempo – eliminando os da Harper, Zondervan e Thomas Nelson e mudando para a Donnelly. Da mesma forma, a Sterling decidiu no início deste ano fechar seu centro de distribuição de 22 mil m² e passar para a Donnelly também. Então, aqui, também, a “reviravolta na história” não é exatamente como foi retratado.

POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | Tradução Marcelo Barbão | 02/10/2015

Michael Cader é fundador da Publishers Lunch, newsletter diária que discute o mercado editorial norte-americano, e um dos melhores analistas da indústria do livro nos EUA. Para assinar o PL, clique aqui. Para conferir a versão original do artigo, clique aqui.