Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Depois de videoarte, ‘gifs’ viram livro disponível na internet


‘A casa assombrada de Zac’ foi criada pelo escritor e performer americano Dennis Cooper

O escritor e performer americano Dennis Cooper | Photo: Divulgação

O escritor e performer americano Dennis Cooper | Photo: Divulgação

RIO | Que os gifs já adquiriram estado de arte é fato inconteste. Cada vez mais artistas visuais, músicos e até fotógrafos de moda absorvem a linguagem digital em seus trabalhos, com resultados surpreendentes. Mas o que o escritor, editor e performer americano Dennis Cooper [sem livros traduzidos no Brasil] fez agora é algo inédito: ele lançou, há alguns meses, o primeiro livro totalmente feito com o formato. Intitulado “Zac’s haunted house” [“A casa assombrada de Zac”, em tradução livre], é um romance de suspense, como o próprio nome sugere — e como os 15 capítulos de trama cheia de reviravoltas sustentam. A obra está disponível no site http://www.kiddiepunk.com/zacshauntedhouse. A ideia faz sucesso, e desde o lançamento, já foram mais de 40 mil downloads. Da França, onde vive atualmente, Dennis Cooper conversou com O GLOBO.

Como você teve a ideia de fazer um romance apenas com gifs?

Eu tenho um blog que alimento diariamente, no endereço http://www.denniscooper-theweaklings.blogspot.com.br. Ele inclui todo tipo de post e tem muitas imagens. Por algum tempo, fui separando o material por temas que se relacionavam. E comecei a incluir gifs animados entre um e outro. Quando fiz isso, comecei a perceber como os gifs se relacionavam de maneira interessante entre si, e separei-os por temas, por ritmo, pela cor ou pelo design. Aos poucos, os agrupamentos foram ficando complexos e ainda mais interessantes. E fui percebendo que já estava tentando fazer ficção com eles, usando os mesmos métodos da minha própria ficção. Era possível “escrever” ficção usando gifsanimados em vez de apenas a linguagem escrita. Então decidi tentar escrever um romance feito de gifs.

Como você pesquisa gifs na internet?

Às vezes eu já tenho uma história que quero ilustrar, e procuro gifs que possam dar conta disso. Outras vezes, encontro gifs que realmente me interessam por buscas aleatórias, temáticas, seja no Google, no Giphy, no Tumblr ou em outros sites que têm um monte deles.

Como o livro foi recebido?

“Zac’s haunted house” já foi baixado 40 mil vezes. Ele foi indicado para prêmios literários e foi selecionado para aparecer em festivais de cinema. Eu não pensei em inventar um novo formato, mas de fato é um novo formato, e as pessoas parecem animadas com o fato de o livro ser algo fresco, o primeiro deste tipo.

Você já disse que gifs são como um “deslize para o olho”. Que novas possibilidades você encontra nessa narrativa? E quais são suas limitações?

O que mais me anima ao fazer ficção com gifs animados é que as demandas naturais de uma ficção escrita — história, personagens e enredo imperiosos — não são necessárias ou talvez até mesmo possíveis de se fazer com gifs. Eu sempre experimentei muito em meus romances, e eu sempre fui mais interessado no que eles fazem formalmente, estruturalmente e estilisticamente do que nas histórias, personagens e enredos. Trabalhar com gifs me permite colocar essas convenções mais sob a superfície. Escrever ficção com gifs é muito libertador para mim. Ao mesmo tempo, há grandes limitações. Pelo menos quando você usa gifs por acaso, como eu faço. Por exemplo, gifs são quase sempre uma pequena comédia, e às vezes eu tenho que disfarçá-la, tentar escondê-la. Gifs são mais abertos do que a linguagem escrita, mas ao mesmo tempo são muito inflexíveis.

Que outras linguagens você gostaria de experimentar em uma narrativa?

Não sei, estou tão imerso no trabalho em gifs agora… Um romance com emoticons, por exemplo, é uma ideia engraçada e encantadora, mas eu acho que a leitura seria muito difícil e chata.

Qual é o futuro do romance?

Eu não faço ideia. Acredito que o romance é uma forma enorme, e que existem muitas, muitas, mas muitas maneiras de se fazer romances que ninguém tenha tentado antes ou tenha conseguido realizar ainda.

LEIA A CRÍTICA DO LIVRO [POR CARLOS ALBERTO TEIXEIRA]:

“Não vi qualquer mensagem no livro. É uma coleção de gif’s noir mal organizada, sem enredo, sem pé nem cabeça. Alguns gif’s são interessantes, mas nada de incrível. Trechos de vídeos e filmes convertidos para gif, só isso. É uma obra de arte, a partir do fato que gera uma emoção em quem a observa. Em mim gerou repulsa, asco e sensações desagradáveis. Meio underground, meio Deep Web. Pode entrar para a história como a primeira iniciativa do gênero. Mas não contribuiu em nada. Se tem alguma sacada mágica nesse “livro”, escapou-me. Não recomendaria a ninguém.”

Por Bolívar Torres | Publicado originalmente em O Globo | 25/09/2015, às 12:27 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

eBook “A Formação de Mediadores” grátis para download


Caro leitor,

É com enorme prazer que lançamos o livro  A formação de mediadores, Caderno Conversas ao Pé da Página I – 2011, dois anos depois do lançamento de Crianças e jovens no século XXI – leitores e leituras.

Dando continuidade à vocação de registrar e difundir os conteúdos produzidos em nosssos encontros, nós da Revista Emília e A Cor da Letra, com o apoio do Instituto C&A e da Editora Livros da Matriz, apresentamos em versão digital o resultado dos seminários Conversas ao Pé da Página I – 2011.

De acesso gratuito, este volume online resgata as origens dos seminários Conversas ao Pé da Página [realizados pelo Sesc SP], trazendo reflexões da mais alta importância para refletir sobre o papel dos mediadores de leitura. É uma referência imprescindível para todos os agentes e pensadores do mundo do livro e da leitura.

Boa Leitura!

Publicado originalmente na Revista Emília | Setembro/2015

Flashmob literário será realizado no vão do Masp em SP


No sábado [26/9], às 14h, será realizado um Flashmob literário no vão livre do Masp, em São Paulo. É uma ação pró-leitura, evento realizado pelo Goethe-Institut Brasil em parceira com o Tem Mais Gente Lendo, SP Leituras, Masp e Secretaria da Cultura. Todos estão convidados a participar: é só levar um livro que te emocionou de alguma maneira! A proposta do Flashmob #lermoveomundo é mostrar como a leitura transforma o planeta, unindo pessoas e idiomas!

O evento é organizado pelos Institutos Goethe da América do Sul em colaboração com EUNIC e parceiros locais de cada região.

O objetivo é “reunir o maior número de leitores ao mesmo tempo e fazer o maior flashmob pró leitura da América Latina”. Para isso, divulgação foi feita pelo Facebook e no YouTube. “Precisamos de sua ajuda: “chame seus amigos, pais, irmãos, professores, vizinhos. Vamos provar que #lermoveomundo e que #temmaisgentelendo, ocupando o Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista.

Veja a seguir a mensagem deixada no Facebook:

Cada um deve trazer um livro e ler aquele trecho que mais gosta. Leremos todos juntos, em voz alta, criando uma verdadeira melodia com os textos e poesias retirados dos livros. Vale lembrar que cada um pode ler na língua que mais gostar ;

No final, quem quiser pode trocar ou doar seu livro – ou simplesmente compartilhar dicas, informações e sugestões literárias!

E enquanto lemos juntos aqui em SP, mais 12 cidades em 8 países farão o mesmo, exatamente no mesmo momento. O flashmob vai acontecer de forma sincronizada no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Salvador, Curitiba, Montevidéu, Caracas, Lima, Santiago, Buenos Aires, Cordoba, La Paz e Bogotá. Será a maior ocupação urbana pró-leitura ou não?

O evento será realizado pelo Goethe-Institut Brasil, em parceira com o Tem Mais Gente Lendo, SP Leituras, Masp e Secretaria da Cultura.

Veja os links de divulgação:

Link do vídeo YouTube

Link da página-convite do Facebook

Link do vídeo da convocatória

Publicado originalmente em Edição 417 | 25 de setembro a 1 de outubro de 2015

CDI transforma bibliotecas públicas com uso de tecnologia


Quando se fala em uma biblioteca, as estantes repletas de livros e o silêncio absoluto costumam ser a primeira cena que vem à cabeça. Para ressignificar esse espaço, o CDI [Comitê para Democratização da Informática] deu início ao programa Recode, que vai estimular iniciativas de empoderamento digital em 50 bibliotecas públicas nas cinco regiões do país.

A partir do uso de tecnologia, o projeto pretende desenvolver um ambiente de inovação nas bibliotecas, permitindo que elas se tornem um espaço de convivência, onde os jovens se reúnem para experimentar ferramentas digitais que auxiliam na resolução de problemas da sua comunidade. Com patrocínio da Bill & Melinda Gates Foundation, que investiu US$ 2,3 milhões, e apoio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, a iniciativa prevê a distribuição de 500 novos computadores e realização de formações para bibliotecários que atuam nesses locais.

O fato da biblioteca ser vista apenas como um espaço de leitura pode afastar as pessoas. Ela não se torna um espaço de convívio”, diz Elaine Pinheiro, diretora executiva do CDI Brasil. De acordo com ela, a biblioteca inovadora deve interagir com a comunidade, acolher a tecnologia e ter o jovem como um participante ativo. “Ele vai se apropriar da biblioteca como um espaço para criar, reinventar e convidar amigos para discutir temas”, explica.

Cada biblioteca selecionada pelo programa vai receber dez computadores, que serão espalhados pelo espaço para integrar o digital com o analógico [representado pelos livros]. “Pode ter uma estação de música, um livro, um computador ou um tablet, uma roda de histórias ou palco para crianças. Ele [frequentador] vai se apropriando daquilo na medida em que precisa”, exemplifica.

Dentro do Recode, os bibliotecários irão assumir o papel de reprogramar esse espaço físico da biblioteca com o apoio da comunidade. Para auxiliar, eles participarão de formações onde serão discutidas questões de comunicação, metodologias participativas e mapeamento de parceiros locais. A ideia é que eles consigam, junto com a equipe do programa, criar novas práticas e projetos onde o uso da tecnologia possa incentivar o acesso à informação.

Os projetos de empoderamento digital para jovens criados pelas bibliotecas deverão trabalhar com uma metodologia baseada em três pilares: resolução de problemas, desenvolvimento de habilidade para o século 21 e autonomia no uso das tecnologias da informação e comunicação. “Aliar a tecnologia e a metodologia participativa ao espaço da biblioteca é um caminho muito assertivo para evoluir.

O programa foi lançado no dia 9 de setembro, durante um evento na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo [SP]. Atualmente está em fase de lançamento presencial nas bibliotecas e início da formação com os bibliotecários.

Por Marina Lopes | Porvir | 25/09/2015