Adaptações de projeto gráfico


Há dois anos[?], na primeira Conferência do Revolução Ebook¹, Lúcia Reis e eu apresentamos uma palestra sobre as adaptações de design para livros digitais. Abordamos casos e experiências da Cosac Naify e da Rocco, tendo como objetivo ressaltar a necessidade dessas adaptações de projeto que, apesar de funcionarem bem no impresso, acabam inviáveis no digital.

Apesar de passados dois anos, o conteúdo continua válido e atual e as limitações, em grande parte, continuam as mesmas. Dito isso, comecemos um pequeno tour por alguns pontos da apresentação:

O peso das coisas

Fontes light e serifas finas são um problema para o corpo do texto em muitos casos. Elas aparecem falhadas em muitos e-readers e isso prejudica demais a experiência de leitura. Além disso, há diversos cuidados que precisamos ter ao embutir fontes em e-books, como sempre utilizar formatos .oft e .ttf, declarar corretamente as famílias de fontes, etc.

Textos dentro de imagens também precisam de adaptação no digital.

Como podemos ver nas imagens abaixo, aumentar o peso da fonte [e/ou trocá-la] pode fazer toda diferença.

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

 

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

A disposição de elementos

Em minha opinião, um dos maiores limitadores para transposição de projetos de livros impressos para digitais são: páginas duplas ilustradas e tabelas muito longas.

Na imagem abaixo, temos uma sequência de 4 páginas [2 duplas] que viraram uma página só. Vale atentar também a proporção da imagens que devem ocupar a totalidade da página, no caso, utilizo as mesmas proporções de capa [escala de 600x800px].

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

Tabelas longas nem sempre funcionam direito em telas pequenas: a fluidez do epub [sua melhor e, ao mesmo tempo, pior característica] pode bagunçar a informação. Tendo isso em vista, testar tabelas em smartphones é extremamente recomendado.

Abaixo, duas reorganizações de tabelas, a segunda originalmente se distribuía em duas páginas.

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

 

luto e melancolia – editora cosac naify

luto e melancolia – editora cosac naify

Como exemplificado, nem tudo que funciona para o impresso vai funcionar para o digital em seus vários tamanhos de tela, aplicativos, etc. Daí a importância de pensar a transposição do laytout como uma migração total de meio: seu livro vai existir em outro mundo que não o de papel e ele precisa estar adaptado para cumprir suas funções de maneira satisfatória para o leitor, do contrário, ele perde o sentido de existir.

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em COLOFÃO | 9/9/2015, às 11:53

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

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