O que você quer ser quando você crescer?


Por Eddie Procopio

Livros pop-up, com aqueles cenários que saltam das páginas, sempre foram encantadores. Peronio Pop-up Book, desenvolvido por um estúdio brazuza, fixado Florianópolis [SC], tenta levar a experiência física destes objetivos literários para dentro dos tablets e smartphones.

Peronio é um garoto ainda indeciso sobre o que quer ser quando crescer: não sabe se quer ser um dentista de dragões, “por causa dos seus enormes dentes pontudos“, ou um engenheiro de naves espaciais. E saí por aí, descobrindo o que fazer da vida. Mas é o leitor que, em Peronio Pop-up Book, interage com um universo onde as crianças estão tentando construir uma ideia da profissão que terão em sua fase adulta.

O restultado de Peronio Pop-up Book é um livro interativo [ou seria um jogo?] que impressiona pela experiência holográfica que combina tecnologias de Realidade Virtual e Aumentada e uso de óculos. Desde a primeira página o leitor descobre as aventuras de Peronio, que tenta decidir o que ele quer ser quando crescer e o segue em sua jornada de desafios emocionantes que inclui mini-contos jogáveis ao longo do caminho.

Segundo os desenvolvedores de Peronio Pop-up Book, a equipe de Renato Klieger Creations e a Ovni Studios, o segmento de livro-jogo para celular é um movimento ousado, onde a quantidade aplicativos disponíveis é ilimitada, mas “nenhuma oferece a notável experiência deste incrível pop-up book”.

Vale à pena conferir!

Adaptações de projeto gráfico


Há dois anos[?], na primeira Conferência do Revolução Ebook¹, Lúcia Reis e eu apresentamos uma palestra sobre as adaptações de design para livros digitais. Abordamos casos e experiências da Cosac Naify e da Rocco, tendo como objetivo ressaltar a necessidade dessas adaptações de projeto que, apesar de funcionarem bem no impresso, acabam inviáveis no digital.

Apesar de passados dois anos, o conteúdo continua válido e atual e as limitações, em grande parte, continuam as mesmas. Dito isso, comecemos um pequeno tour por alguns pontos da apresentação:

O peso das coisas

Fontes light e serifas finas são um problema para o corpo do texto em muitos casos. Elas aparecem falhadas em muitos e-readers e isso prejudica demais a experiência de leitura. Além disso, há diversos cuidados que precisamos ter ao embutir fontes em e-books, como sempre utilizar formatos .oft e .ttf, declarar corretamente as famílias de fontes, etc.

Textos dentro de imagens também precisam de adaptação no digital.

Como podemos ver nas imagens abaixo, aumentar o peso da fonte [e/ou trocá-la] pode fazer toda diferença.

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

 

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

A disposição de elementos

Em minha opinião, um dos maiores limitadores para transposição de projetos de livros impressos para digitais são: páginas duplas ilustradas e tabelas muito longas.

Na imagem abaixo, temos uma sequência de 4 páginas [2 duplas] que viraram uma página só. Vale atentar também a proporção da imagens que devem ocupar a totalidade da página, no caso, utilizo as mesmas proporções de capa [escala de 600x800px].

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

Tabelas longas nem sempre funcionam direito em telas pequenas: a fluidez do epub [sua melhor e, ao mesmo tempo, pior característica] pode bagunçar a informação. Tendo isso em vista, testar tabelas em smartphones é extremamente recomendado.

Abaixo, duas reorganizações de tabelas, a segunda originalmente se distribuía em duas páginas.

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

 

luto e melancolia – editora cosac naify

luto e melancolia – editora cosac naify

Como exemplificado, nem tudo que funciona para o impresso vai funcionar para o digital em seus vários tamanhos de tela, aplicativos, etc. Daí a importância de pensar a transposição do laytout como uma migração total de meio: seu livro vai existir em outro mundo que não o de papel e ele precisa estar adaptado para cumprir suas funções de maneira satisfatória para o leitor, do contrário, ele perde o sentido de existir.

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em COLOFÃO | 9/9/2015, às 11:53

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Biblioteca digital de livros para crianças lusófonas


A dica veio de Sam Cyrus, blogueiro que morava em Portugal e, mesmo sem ser pai, acompanha o nosso trabalho no Mãe com Filhos. Trata-se de uma Biblioteca digital de livros para crianças com títulos em português, mas de versão lusitana. Depois das discussões do Acordo Ortográfico, que tal apresentarmos às nossas crianças uma forma diferente de usar nossa língua?

Segundo Fátima André do Revisitar a Educação, o site Biblioteca de Livros Digitais é um espaço interessante e com bons recursos para trabalhar com crianças, especialmente as que estão em fase pré-escolar e no ensino fundamental. Como ela mesma sugere, “excelentes viagens pelo mundo do imaginário e do conhecimento“.

A leitura e a descoberta de novos títulos é uma viagem que pode ser feita em família, aproveitando o final de semana ou mesmo os momentos do final do dia, antes do beijo de boa noite, fortalecendo laços e aproximando pais e filhos neste cotidiano tão corrido que vivemos.

Pequenos Leitores | 08/09/2015