Editoras como empresas de mídia


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em Colofão | 30/09/2015

O que uma editora faz?

Como qualquer empresa de mídia, a editora é responsável por fazer com que certos conteúdos possam ser consumidos por pessoas neles interessadas. Emissoras de TV e serviços de streaming produzem séries, produtoras e estúdios de cinema lançam filmes, produtoras de games nos dão jogos eletrônicos e editoras lançam livros. O livro, muito simplificadamente, é um volume com determinado conteúdo escrito. Associá-lo a um conteúdo “impresso” já não bastaria, pois os livros já não são reféns da materialidade. [Há pelo menos uma centena de livros nesse pequeno dispositivo e-Ink que está aqui na minha mesa enquanto escrevo.]

Editoras, portanto, nos dão livros. Estes podem ser muito diversos entre si, mas, majoritariamente, têm em comum comunicarem seus conteúdos por meio da escrita.

Foram mencionados outros tipos de empresas de mídia. Cada uma delas, em seu contexto, é responsável pela produção e entrega de um certo produto ao mercado. As características desses produtos os diferenciam dos demais, e assim temos um mercado cheio de opções: o consumidor, por vezes numa mesma loja, pode comprar livros, games, boxes de séries, DVDs de filmes. Ele também pode ter acesso a todos esses produtos online, por meios legais ou por outros nem tanto.

Em resumo, o consumidor tem diante de si um universo amplo de narrativas. Essa constatação tem sido bastante enfatizada em debates concernentes ao futuro do livro e do mercado editorial. Num cenário em que promoções na Steamlevam jovens a comprar dezenas de games, as pessoas fazem binge-watching de suas séries favoritas, e outras inusitadas modalidades de consumo [binge-listening] surgindo, como o livro [e a editora] vai sobreviver? Como se manterão relevantes? Como essas narrativas escritas, com as quais não se pode interagir, vão competir com todos esses outros produtos culturais que circulam tão livremente, graças à convergência midiática, à massificação da cultura digital e à popularização dos aparelhos como tablets e smartphones?

Uma resposta oferecida é que toda a gama de “competição”, por assim dizer, enfrentada pelo livro atualmente deveria levar a uma redução dos preços, para que o livro possa se manter atrativo em meio a outros produtos. A aposta em gêneros específicos, como o de livros para jovens – apontados como responsáveis pelo bom retorno da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, ocorrida nesse ano –, e outros mais localizados, como ficção científica e fantasia – investimento em nichos – também pode ser apontada como forma válida de se colocar nesse novo contexto. Ambas as respostas merecem uma análise mais aprofundada do que me proponho a fazer aqui. Quero, antes disso, especular sobre um outro cenário possível – e é, antes de tudo isso, uma especulação, e vinda de um não-especialista.

Faria sentido que editoras alargassem a própria definição e investissem em outros tipos de narrativas para além dos livros? Faria sentido que editoras abraçassem a diversidade de produtos midiáticos em circulação, vendo nela um caminho possível de crescimento e expansão? Vejam, não estou falando desobrevivência, como se esse fosse o único caminho para a “salvação” da editora. Estou falando da possibilidade de acrescentar um novo rumo ao já existente [publicar livros].

Do que eu estou falando? Ok, ainda não está totalmente claro nem para mim mesmo. Mas pensem num podcast como Serial. Breve resumo: trata-se de um podcast que teve doze episódios em sua primeira temporada. O tema é o assassinato da estudante Hae Min Lee, ocorrido em 1999 na cidade de Baltimore, cujo desfecho – a prisão de seu ex-namorado Adnan Syed – deixou muita gente pouco convencida. A jornalista Sarah Koenig e sua equipe reinvestigaram o caso, e o resultado foi dividido nos doze episódios da primeira temporada.

O comentário de muita gente é que ouvir Serial é uma experiência semelhante a assistir a uma série: você não consegue terminar um episódio sem pular para o seguinte [daí o termo binge-listening]. Há vários pontos interessantes: o trabalho de investigação envolvido, a criação de uma narrativa em torno dos acontecimentos, o uso da lógica seriada para expor esta narrativa.

Agora, tentemos associar a investigação encabeçada por Koenig a uma editora. A imaginação não deve ter ido muito longe: muito provavelmente imaginamos um livro de não ficção escrito pela autora, relatando seu envolvimento com o caso, certo? E, por tudo que o podcast mostrou, de certo teríamos um ótimo livro.

O que estou pensando, no entanto, é não precisar necessariamente chegar a esse ponto. E se a editora investisse no podcast em si, como se investe num livro de não ficção, entendendo-o como um produto seu? Afinal, trata-se de uma narrativa, e editoras têm experiência em entregá-las ao público. Seria apenas um tipo diferente de narrativa, um que expande o próprio escopo de atuação da editora, impondo também outros tipos de problemática – vendê-la, não vendê-la, de que modo vendê-la, como chamar a atenção do público etc.

Mudando um pouco o exemplo [e chegando talvez num nível mais megalomaníaco]: games. Temos alguns jogos e aplicativos que flertam com a narrativa literária, alguns dos quais a Marina Pastore já mencionou por aqui. Os pensados diretamente para o formato digital, como The Silent History [que também tem uma versão impressa Device 6são particularmente interessantes. O game independente The Novelist também vem à mente como representante dessa categoria de jogos que se apropria de elementos literários para criar narrativas híbridas, difíceis de situar. De novo: editoras nos dão narrativas. Seria interessante pensar nesse tipo de conteúdo original partindo da editora, através de parcerias com empresas e desenvolvedores, por exemplo? Seria interessante que, futuramente, editoras tenham equipes próprias para tocar projetos como esse, e outros igualmente fora da caixa tradicional de uma editora?

A resposta para essas perguntas pode perfeitamente ser não. E é justo dizer que essas especulações deixam de fora diversos fatores, como o porte financeiro da editora. De toda forma, as perguntas e a especulação me parecem apontar para um cenário interessante, em que editoras atuem como empresas de mídia mais abrangentes e cresçam, a partir disso, em força e relevância.

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em Colofão | 30/09/2015

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Biblioteca digital para cegos na Argentina é premiada


Cerca de 50.000 livros em espanhol integram a primeira biblioteca digitalizada para cegos em Buenos Aires, que acaba de ser premiada pela OEA e cujo fundador, o argentino Pablo Lecuona, convida a ter um “olhar diferente” sobre sua deficiência.

Em entrevista num bar em frente à escola pública de Buenos Aires onde diariamente leva e busca suas duas filhas de 10 e 13 anos, Lecuona falou com entusiasmo sobre a TifloLibros, a biblioteca virtual para cegos que fundou em 1999, e que hoje alcançou reconhecimento internacional.

Ele começou sua aventura com a convicção de que “a cegueira não acaba o mundo“, disse à AFP o autor deste grande projeto cujo nome alude a Tiflos, uma ilha de onde os cegos eram banidos, segundo a mitologia grega.

Não se trata de que o mundo se adapte ao deficiente, mas que ele encontre as ferramentas para a inclusão“, argumentou o homem de 41 anos, que ficou cego ainda criança após ter nascido com pouca visão.

Ganhamos o primeiro prêmio entre 600 projetos que foram apresentados na Organização dos Estados Americanos [OEA] sobre contribuição para a redução da pobreza e da desigualdade na América Latina e no Caribe“, disse Lecuona.

Ele sente que agora é uma “responsabilidade pensar muito bem” em como investir estes 75.000 dólares que receberão em meados de novembro, verdadeira fortuna para a ONG, garantiu.

Desde o início precário com seu computador de casa ao lado do berço de sua primeira filha, a Tiflolibros passou para uma casa alugada onde trabalham 14 pessoas.

Dispõem de uma impressora em braile e um scanner digital, enquanto continuam sonhando com uma sede própria num centro cultural, promessa feita pela prefeitura de Buenos Aires.

Um prêmio internacional de apenas 2.500 dólares em 2003 foi o primeiro impulso concreto para este projeto sem financiamento oficial, que se diversificou em uma rede social, Tiflonexos.

Hoje, com seus 7.500 inscritos de forma gratuita e 300 instituições participantes, a biblioteca coloca na rede cerca de 500 títulos em espanhol.

Dois anos depois do nascimento da TifloLibros, saiu nos Estados Unidos a biblioteca virtual BookShare.

Mas eles começaram com um milhão de dólares, não um computador caseiro. E eles cobram 50 dólares anuais pela inscrição“, explicou Lecuona, rindo. Um tempo depois, na Índia, foi lançada a rede social Inclusive Planet, que tem sua própria biblioteca.

Até a década de 1990, os livros eram copiados à mão para o braile, era como na Idade Média“, lembrou Lecuona.

Na Biblioteca Argentina para Cegos, criada em 1927, “em quase 70 anos chegaram a ter 3.000 títulos”, revelou. “Hoje fazemos essa quantidade em um ano, graças à tecnologia e ao trabalho em rede“, contou animado.

A internet, os computadores adaptados ou o telefone celular com leitor de tela, abriram caminho para que as pessoas cegas tenham uma autonomia nunca antes imaginada.

Lecuona é um exemplo destes avanços. Se movimenta numa cidade pouco adaptada para os deficientes como é Buenos Aires e viajou por dezenas de países para transmitir sua experiência.

Em 2008, a União Mundial de Cegos convidou Lecuona para debater e incentivar um Tratado Internacional sobre direitos de autor para cegos, depois que uma lei foi sancionada na Argentina.

Foram cinco anos de árduas negociações, porque “o olhar dos países em desenvolvimento é diferente da Europa e dos Estados Unidos“, lembrou.

Em 2013, foi redigido o Tratado que obriga os países a incorporar em sua legislação as exceções para cegos ao direito de autor e estabelece o intercâmbio entre os países.

A Tiflolibros já é uma referência de leitura para cegos e exemplo como projeto de inclusão social, eixos centrais do trabalho de Lecuona como ativista de direitos humanos e superação das condições de pessoas com deficiência visual.

Na Europa a deficiência está muito amparada. O estado dá trabalho, as coisas estão garantidas. Está tudo dentro do sistema“, disse.

Mas “quando têm tudo resolvido, trabalho garantido, também têm menor iniciativa. Nem sempre isso se converte em desenvolvimento pessoal“, apontou, ao defender a capacidade de improviso das pessoas com deficiência da América Latina.

Istoedinheiro | 29/09/2015

Biblioteca Digital da UEL tem mais de 170 mil downloads


Ao completar 10 anos de existência a Biblioteca Digital da UEL, a Universidade Estadual de Londrina, contabiliza 175 mil downloads de teses e dissertações. As áreas campeãs neste quesito são Linguística, Letras e Artes, com quase 50 mil acessos. Criada em 2005, a biblioteca armazena 3 mil e 639 teses e dissertações de 66 cursos e programas de pós-graduação. Segundo o levantamento, logo atrás da área de Linguística, Letras e Artes aparece a área de Ciências Sociais Aplicadas com cerca de 37 mil acessos. Em terceiro lugar está a área de Ciências Humanas, que soma quase 31 mil downloads. Para a diretora do Sistema de Bibliotecas da UEL, Maria Aparecida dos Santos Letrari, o programa digital facilita o acesso aos trabalhos acadêmicos, que antes eram apenas volumes impressos. Para ela, o ambiente compartilhado da internet permite a expansão da oferta de teses e dissertações.

//SONORA MARIA APARECIDA DOS SANTOS LETRARI//

Outro dado que chama atenção é o total de downloads por instituição. A maioria deles é feita por pesquisadores, estudantes e professores da UEL e soma pouco mais de 55 mil acessos. O sistema integra a Rede Brasileira de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. A Biblioteca Digital da UEL ocupa a posição de número 17 do ranking do Instituto Brasileiro de Informação, em números de acessos de trabalhos.

Por Fernanda Nardo | Agência de Notícias do Paraná | 26/09/2015

Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Depois de videoarte, ‘gifs’ viram livro disponível na internet


‘A casa assombrada de Zac’ foi criada pelo escritor e performer americano Dennis Cooper

O escritor e performer americano Dennis Cooper | Photo: Divulgação

O escritor e performer americano Dennis Cooper | Photo: Divulgação

RIO | Que os gifs já adquiriram estado de arte é fato inconteste. Cada vez mais artistas visuais, músicos e até fotógrafos de moda absorvem a linguagem digital em seus trabalhos, com resultados surpreendentes. Mas o que o escritor, editor e performer americano Dennis Cooper [sem livros traduzidos no Brasil] fez agora é algo inédito: ele lançou, há alguns meses, o primeiro livro totalmente feito com o formato. Intitulado “Zac’s haunted house” [“A casa assombrada de Zac”, em tradução livre], é um romance de suspense, como o próprio nome sugere — e como os 15 capítulos de trama cheia de reviravoltas sustentam. A obra está disponível no site http://www.kiddiepunk.com/zacshauntedhouse. A ideia faz sucesso, e desde o lançamento, já foram mais de 40 mil downloads. Da França, onde vive atualmente, Dennis Cooper conversou com O GLOBO.

Como você teve a ideia de fazer um romance apenas com gifs?

Eu tenho um blog que alimento diariamente, no endereço http://www.denniscooper-theweaklings.blogspot.com.br. Ele inclui todo tipo de post e tem muitas imagens. Por algum tempo, fui separando o material por temas que se relacionavam. E comecei a incluir gifs animados entre um e outro. Quando fiz isso, comecei a perceber como os gifs se relacionavam de maneira interessante entre si, e separei-os por temas, por ritmo, pela cor ou pelo design. Aos poucos, os agrupamentos foram ficando complexos e ainda mais interessantes. E fui percebendo que já estava tentando fazer ficção com eles, usando os mesmos métodos da minha própria ficção. Era possível “escrever” ficção usando gifsanimados em vez de apenas a linguagem escrita. Então decidi tentar escrever um romance feito de gifs.

Como você pesquisa gifs na internet?

Às vezes eu já tenho uma história que quero ilustrar, e procuro gifs que possam dar conta disso. Outras vezes, encontro gifs que realmente me interessam por buscas aleatórias, temáticas, seja no Google, no Giphy, no Tumblr ou em outros sites que têm um monte deles.

Como o livro foi recebido?

“Zac’s haunted house” já foi baixado 40 mil vezes. Ele foi indicado para prêmios literários e foi selecionado para aparecer em festivais de cinema. Eu não pensei em inventar um novo formato, mas de fato é um novo formato, e as pessoas parecem animadas com o fato de o livro ser algo fresco, o primeiro deste tipo.

Você já disse que gifs são como um “deslize para o olho”. Que novas possibilidades você encontra nessa narrativa? E quais são suas limitações?

O que mais me anima ao fazer ficção com gifs animados é que as demandas naturais de uma ficção escrita — história, personagens e enredo imperiosos — não são necessárias ou talvez até mesmo possíveis de se fazer com gifs. Eu sempre experimentei muito em meus romances, e eu sempre fui mais interessado no que eles fazem formalmente, estruturalmente e estilisticamente do que nas histórias, personagens e enredos. Trabalhar com gifs me permite colocar essas convenções mais sob a superfície. Escrever ficção com gifs é muito libertador para mim. Ao mesmo tempo, há grandes limitações. Pelo menos quando você usa gifs por acaso, como eu faço. Por exemplo, gifs são quase sempre uma pequena comédia, e às vezes eu tenho que disfarçá-la, tentar escondê-la. Gifs são mais abertos do que a linguagem escrita, mas ao mesmo tempo são muito inflexíveis.

Que outras linguagens você gostaria de experimentar em uma narrativa?

Não sei, estou tão imerso no trabalho em gifs agora… Um romance com emoticons, por exemplo, é uma ideia engraçada e encantadora, mas eu acho que a leitura seria muito difícil e chata.

Qual é o futuro do romance?

Eu não faço ideia. Acredito que o romance é uma forma enorme, e que existem muitas, muitas, mas muitas maneiras de se fazer romances que ninguém tenha tentado antes ou tenha conseguido realizar ainda.

LEIA A CRÍTICA DO LIVRO [POR CARLOS ALBERTO TEIXEIRA]:

“Não vi qualquer mensagem no livro. É uma coleção de gif’s noir mal organizada, sem enredo, sem pé nem cabeça. Alguns gif’s são interessantes, mas nada de incrível. Trechos de vídeos e filmes convertidos para gif, só isso. É uma obra de arte, a partir do fato que gera uma emoção em quem a observa. Em mim gerou repulsa, asco e sensações desagradáveis. Meio underground, meio Deep Web. Pode entrar para a história como a primeira iniciativa do gênero. Mas não contribuiu em nada. Se tem alguma sacada mágica nesse “livro”, escapou-me. Não recomendaria a ninguém.”

Por Bolívar Torres | Publicado originalmente em O Globo | 25/09/2015, às 12:27 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

eBook “A Formação de Mediadores” grátis para download


Caro leitor,

É com enorme prazer que lançamos o livro  A formação de mediadores, Caderno Conversas ao Pé da Página I – 2011, dois anos depois do lançamento de Crianças e jovens no século XXI – leitores e leituras.

Dando continuidade à vocação de registrar e difundir os conteúdos produzidos em nosssos encontros, nós da Revista Emília e A Cor da Letra, com o apoio do Instituto C&A e da Editora Livros da Matriz, apresentamos em versão digital o resultado dos seminários Conversas ao Pé da Página I – 2011.

De acesso gratuito, este volume online resgata as origens dos seminários Conversas ao Pé da Página [realizados pelo Sesc SP], trazendo reflexões da mais alta importância para refletir sobre o papel dos mediadores de leitura. É uma referência imprescindível para todos os agentes e pensadores do mundo do livro e da leitura.

Boa Leitura!

Publicado originalmente na Revista Emília | Setembro/2015

Flashmob literário será realizado no vão do Masp em SP


No sábado [26/9], às 14h, será realizado um Flashmob literário no vão livre do Masp, em São Paulo. É uma ação pró-leitura, evento realizado pelo Goethe-Institut Brasil em parceira com o Tem Mais Gente Lendo, SP Leituras, Masp e Secretaria da Cultura. Todos estão convidados a participar: é só levar um livro que te emocionou de alguma maneira! A proposta do Flashmob #lermoveomundo é mostrar como a leitura transforma o planeta, unindo pessoas e idiomas!

O evento é organizado pelos Institutos Goethe da América do Sul em colaboração com EUNIC e parceiros locais de cada região.

O objetivo é “reunir o maior número de leitores ao mesmo tempo e fazer o maior flashmob pró leitura da América Latina”. Para isso, divulgação foi feita pelo Facebook e no YouTube. “Precisamos de sua ajuda: “chame seus amigos, pais, irmãos, professores, vizinhos. Vamos provar que #lermoveomundo e que #temmaisgentelendo, ocupando o Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista.

Veja a seguir a mensagem deixada no Facebook:

Cada um deve trazer um livro e ler aquele trecho que mais gosta. Leremos todos juntos, em voz alta, criando uma verdadeira melodia com os textos e poesias retirados dos livros. Vale lembrar que cada um pode ler na língua que mais gostar ;

No final, quem quiser pode trocar ou doar seu livro – ou simplesmente compartilhar dicas, informações e sugestões literárias!

E enquanto lemos juntos aqui em SP, mais 12 cidades em 8 países farão o mesmo, exatamente no mesmo momento. O flashmob vai acontecer de forma sincronizada no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Salvador, Curitiba, Montevidéu, Caracas, Lima, Santiago, Buenos Aires, Cordoba, La Paz e Bogotá. Será a maior ocupação urbana pró-leitura ou não?

O evento será realizado pelo Goethe-Institut Brasil, em parceira com o Tem Mais Gente Lendo, SP Leituras, Masp e Secretaria da Cultura.

Veja os links de divulgação:

Link do vídeo YouTube

Link da página-convite do Facebook

Link do vídeo da convocatória

Publicado originalmente em Edição 417 | 25 de setembro a 1 de outubro de 2015

CDI transforma bibliotecas públicas com uso de tecnologia


Quando se fala em uma biblioteca, as estantes repletas de livros e o silêncio absoluto costumam ser a primeira cena que vem à cabeça. Para ressignificar esse espaço, o CDI [Comitê para Democratização da Informática] deu início ao programa Recode, que vai estimular iniciativas de empoderamento digital em 50 bibliotecas públicas nas cinco regiões do país.

A partir do uso de tecnologia, o projeto pretende desenvolver um ambiente de inovação nas bibliotecas, permitindo que elas se tornem um espaço de convivência, onde os jovens se reúnem para experimentar ferramentas digitais que auxiliam na resolução de problemas da sua comunidade. Com patrocínio da Bill & Melinda Gates Foundation, que investiu US$ 2,3 milhões, e apoio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, a iniciativa prevê a distribuição de 500 novos computadores e realização de formações para bibliotecários que atuam nesses locais.

O fato da biblioteca ser vista apenas como um espaço de leitura pode afastar as pessoas. Ela não se torna um espaço de convívio”, diz Elaine Pinheiro, diretora executiva do CDI Brasil. De acordo com ela, a biblioteca inovadora deve interagir com a comunidade, acolher a tecnologia e ter o jovem como um participante ativo. “Ele vai se apropriar da biblioteca como um espaço para criar, reinventar e convidar amigos para discutir temas”, explica.

Cada biblioteca selecionada pelo programa vai receber dez computadores, que serão espalhados pelo espaço para integrar o digital com o analógico [representado pelos livros]. “Pode ter uma estação de música, um livro, um computador ou um tablet, uma roda de histórias ou palco para crianças. Ele [frequentador] vai se apropriando daquilo na medida em que precisa”, exemplifica.

Dentro do Recode, os bibliotecários irão assumir o papel de reprogramar esse espaço físico da biblioteca com o apoio da comunidade. Para auxiliar, eles participarão de formações onde serão discutidas questões de comunicação, metodologias participativas e mapeamento de parceiros locais. A ideia é que eles consigam, junto com a equipe do programa, criar novas práticas e projetos onde o uso da tecnologia possa incentivar o acesso à informação.

Os projetos de empoderamento digital para jovens criados pelas bibliotecas deverão trabalhar com uma metodologia baseada em três pilares: resolução de problemas, desenvolvimento de habilidade para o século 21 e autonomia no uso das tecnologias da informação e comunicação. “Aliar a tecnologia e a metodologia participativa ao espaço da biblioteca é um caminho muito assertivo para evoluir.

O programa foi lançado no dia 9 de setembro, durante um evento na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo [SP]. Atualmente está em fase de lançamento presencial nas bibliotecas e início da formação com os bibliotecários.

Por Marina Lopes | Porvir | 25/09/2015

Oyster desiste de ser o Netflix dos livros


Depois de dois anos de operações, serviço de subscrição deve encerrar suas operações nos próximos meses

A história da Oyster, uma das primeiras plataformas de subscrição de livros do mundo, parece perto de um turning point. A companhia anunciou, nesta terça-feira [22], que encerrará, nos próximos meses, as suas operações. Nos últimos dois anos, o “Netflix dos livros” oferecia um catálogo de mais de um milhão de títulos por US$ 9,95 mensais. O curioso dessa história é que, segundo apurações do nosso parceiro Publishers Weekly, boa parte do staff da Oyster – incluindo o seu CEO Eric Stromberg e os cofundadores Andrew Brown e Willem Van Lancker — está migrando para o Google Play Books. Não se sabe, no entanto, se o Google comprou a plataforma ou se vai investir em um serviço de subscrição de e-books, nos modelos da Oyster. O que se sabe é que, no histórico da gigante, estão compras de start-ups que passaram a ser um serviço do Google. A jogada de toalha da Oyster vem dois meses depois de a Entitle fazer o mesmo.

No Brasil, há algumas experiências de serviços de subscrição de e-books. Uma das pioneiras é a Nuvem de Livros, que hoje tem um catálogo de 16 mil conteúdos [entre e-books, audiolivros, vídeos e games educativos] e uma base de 2,5 milhões de assinantes ativos, segundo informou Roberto Bahiense, diretor da empresa. Em fevereiro desse ano, o executivo lembra que começou um movimento de internacionalização da plataforma. No início do ano, chegou à Espanha e para outubro, Bahiense contou ao PublishNews que a Nuvem estacionará no México, Colômbia e Peru, em parceria com a operadora de telefonia móvel Moviestar. No final de 2014, a Amazon lançou por aqui o Kindle Unlimited que tem um milhão de títulos no seu catálogo. Desses cerca de 60 mil, segundo informou a varejista, são de livros nacionais. O número de usuários, a Amazon não revela. Outra plataforma que oferece esse serviço de assinatura é a Ubook, especializada no formato de áudio. Em julho, Flávio Osso e Eduardo Albano, fundadores e sócios da Ubook, fecharam uma parceria com a Saraiva, que passou a ofertar o serviço a seus clientes. Com isso, a Ubook alcançou uma base de 600 mil assinantes que podem ouvir os mais de mil títulos em áudio que a plataforma oferece.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 23/09/2015

100% digital


Sempre fui um viciado em tecnologia, daqueles que fica esperando uma novidade pra pesquisar, descobrir, usar. Por este motivo o tal do livro digital sempre esteve no meu radar. Mas até 2013 era só mais uma novidade da tecnologia.

Minha relação com os livros é um pouco mais velha. No dia em que minha mãe soube que estava grávida, estava lançando seu primeiro — e único — livro infantil: O Menininho Verde, ainda sem versão digital, ainda. Por este motivo, talvez eu tenha sido, de alguma maneira, contaminado pelos livros e pela leitura antes mesmo de saber o que ela significava.

Quando criança, me lembro muito dos momentos de leitura e de algo que me chamava muita atenção. Meu primeiro contato com o livro além dele mesmo. Ganhei uma coleção inteira de clássicos que vinham com uma fita K7, que narrava toda a história e tornava a experiência da leitura ainda mais completa pra mim. Primórdios do que hoje chamamos de cross-platform.

Mas foi só em 2013 que tive a oportunidade de entrar para o mercado editorial, depois de uma carreira de empreendedorismo que foi do turismo aos softwares de interpretação de imagens de satélite georreferenciadas, com uma faculdade incompleta de psicologia no meio do caminho.

Caiu no meu colo um projeto de transformar o catálogo da editora na qual eu trabalhava em livros digitais. Não tinha a menor ideia de como começar a fazer isso. Dr. Google me ajudou. Descobri que existiam formatos, quais eram as etapas, o que funcionava aonde e aquilo foi me encantando. Conseguimos em poucos meses transpor 50 obras do catálogo para e-book e criar a estratégia de lançamentos simultâneos em papel e digital. Fui o responsável por uma ação de divulgação com uma das grandes lojas internacionais que resultou em 150 mil downloads de um dos livros do catálogo. A partir daí, já não tinha mais volta.

Mas o que me fez realmente tomar a decisão de me tornar 100% digital foi minha primeira ida à Feira de Frankfurt, em 2014. Na minha cabeça o livro digital ainda era muito jovem; mas as conferências, palestras, workshops e reuniões me provaram o contrário. Percebi o tamanho que o digital já tinha e o quanto ele poderia revolucionar o acesso ao conteúdo, para todo mundo, o tempo todo.

Decisão tomada, fui em busca de um desafio que me fizesse viver isso de verdade, no dia a dia de uma editora. Em janeiro de 2015 assumi O Fiel Carteiro. Uma editora 100% digital, que trouxe um universo de possibilidades e desafios e que me faz dia a dia aprender e descobrir, com a velocidade que o digital proporciona, um mundo novo. Não sou pai [ok, sou pai do Sebastião, um shitzu que só encarnou cachorro para não ter que pagar boletos], mas o Fiel se tornou um filho e o carinho que tenho por este projeto me faz vibrar a cada novo livro que colocamos na rua. Eram 35 em janeiro, hoje são 181; 183 amanhã. Temos publicado uma média de 20 livros mês, divididos em seis selos editoriais, que navegam entre diferentes gêneros.

Temos — porque nada se faz sozinho — mergulhado nas infinitas possibilidades do digital todo dia, o dia todo. Precisamos, e temos nos esforçado, para entender que o que mais importa é a experiência de leitura, o que significa em alguns momentos sacrificar aquele projeto gráfico lindíssimo. Mas as possibilidades que temos são fascinantes. Pensar que de São Paulo podemos impactar leitores no mundo todo, em um clique, é uma loucura.

Engraçado como palavras como estoque, entrega e tiragem fazem cada vez menos sentido. Ao mesmo tempo, conteúdo, boas histórias, literatura, fazem ainda mais. Minha grande indignação é pensar o quanto os editores que ainda são resistentes ao digital mais parecem vendedores de papel do que produtores de conteúdo. Não consigo entender muito bem porque uma maneira mais rápida, barata e eficiente [ainda mais quando pensamos no Brasil] ainda não seduziu nosso mercado. Somos a indústria cultural que pior tem se adaptado à entrega de conteúdo pelos meios digitais. Mas ok, alguns podem falar que a música demorou 15 anos para se adaptar. Eu sei, existe um período de acomodação, mas acho que a velocidade digital já não me deixa mais pensar muito devagar.

Aliás, a velocidade do digital é tão útil, seja para aquelas emendas que passam – e elas passam – poderem ser corrigidas quase que instantaneamente, seja pela rapidez com que um leitor no Japão pode ter acesso a um livro produzido no Brasil.

Viver 100% digital tem me trazido muitas alegrias e muitos desafios. Mas a cada dia tenho mais certeza de que este é o caminho, por mais que as estradas ainda estejam sendo construídas.

Por André Palme | Publicado originalmente em Colofon | 23/09/2015, às 9:10 am

André Palme

André Palme

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 180 e-books e audiobooks publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality show brasileiro, em parceria com o SBT.
Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e é Embaixador do Business Club da Feira de Frankfurt no Brasil…e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

Editora passa a oferecer seus títulos na plataforma digital de empréstimo de livros


Cengage entra na Minha Biblioteca

A Minha Biblioteca, consórcio formado pelas editoras Grupo A, Grupo Gen–Atlas, Manole e Saraiva para oferecer uma biblioteca digital a instituições de ensino superior, se associou, em janeiro à Pasta do Professor, que oferece conteúdos fracionados a esse mesmo público. Como consequência dessa união, a Minha Biblioteca passou a aceitar outras editoras fora do pool de sócios. A Cengage Learning é a primeira editora não sócia a fazer parte da Minha Biblioteca. Além dela, as outras 38 editoras participantes da Pasta do Professor poderão aderir à Minha Biblioteca. “Estamos dando prioridade às editoras que fazem parte da Pasta do Professor. A participação destas já está aprovada pelo conselho“, disse Richardt Rocha Feller, diretor executivo do consórcio, que não descarta que outras editoras poderão entrar na Minha Biblioteca. Com a chegada da Cengage, o catálogo da Minha Biblioteca alcança seis mil títulos.

POR LEONARDO NETO | PUBLISHNEWS | 22/09/2015

Vendas de eBooks caem e os impressos estão longes de estarem mortos


 Penguin Random House last year doubled the size of its distribution center in Crawfordsville, Ind., to speed up book distribution. Credit A J Mast for The New York Times

Penguin Random House last year doubled the size of its distribution center in Crawfordsville, Ind., to speed up book distribution. Credit A J Mast for The New York Times

Há cinco anos, o mundo dos livros foi dominado pelo pânico coletivo diante do futuro incerto. À medida em que os leitores nos EUA migravam para os dispositivos digitais, as vendas de e-books cresciam vertiginosamente, crescendo de 1.260% entre 2008 e 2010, alarmando livreiros. Com isso, as vendas de livros impressos caíram, as livrarias enfrentaram dificuldades para manter suas portas abertas, e autores e editores temeram a possibilidade de os e-books, mais baratos que os livros em papel, devorassem a própria indústria. Agora, há sinais que indicam que aqueles que adotaram os e-books estão voltando para o formato impresso, ou se tornando leitores híbridos. As vendas de e-books tiveram queda de 10% nos primeiros cinco meses de 2015, de acordo com a Association of American Publishers. O declínio da popularidade dos livros digitais pode indicar que, embora não sejam imunes às revoluções tecnológicas, as editoras suportarão o maremoto da tecnologia digital melhor do que outras indústrias, como a música ou a TV.

Por Alexandra Alter | New York Times | 22/09/2015

Amazon faz workshop para autores independentes


Atividade gratuita acontece no dia 6 de outubro em SP

A Amazon programou para o dia 6 de outubro um workshop gratuito para profissionais interessados em publicar livros de não ficção de maneira independente através do Kindle Direct Publishing [KDP], plataforma de autopublicação da Amazon. O curso terá dicas de como melhor utilizar a plataforma de autopublicação, bem como um debate com autores sobre escrita criativa para livros de não ficção. Participam Eldes Saullo, autor de Seu livro no Kindle: como escrever e publicar seu livro na Amazon e no Kindle e Bernardo Guimarães, autor de A riqueza da nação no século XXI. As vagas são limitadas e as inscrições acontecem até o dia 2 de outubro através do e-mail kdp-eventos@amazon.com. A atividade acontece na sede da Amazon no Brasil [Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Complexo JK, Torre E – 18º andar – São Paulo/SP].

PublishNews | 22/09/2015

Plataforma de autopublicação fecha os olhos para pirataria


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em eBookNews | 21/09/2015 | clique para acessar a matéria original

Esta semana, abri conta em uma plataforma muito conhecida de autores e leitores, a Wattpad. É uma mescla de rede social e plataforma de publicação, pela qual um autor pode escrever e publicar seus textos diretamente para os leitores. A empresa, capitalizada por vários fundos de risco, se definiu durante alguns anos como o “Youtube dos livros” – hoje afirma ter 40 milhões de usuários. A Wattpad aceita publicações em português, e o que você encontrará lá é surpreendente: uma pirataria de ebooks correndo totalmente solta.

Logo que comecei a navegar na Wattpad e abri a primeira categoria, Aventura, uma enxurrada de ebooks piratas, em português, surgiram na tela]. Dezenas deles. Edições de Harry Potter, Maze Runner, Jogos Vorazes, vários Percy Jackson, entre outros mais ou menos conhecidos do público jovem. Todos completos [no Wattpad o “autor” também pode publicar aos poucos, por capítulos].

Os leitores destas versões piratas, estariam dispostos a pagar pelos livros? Provavelmente não. Talvez pirateassem em outro lugar. Mas o viés, aqui, é outro. A Wattpad demonstra interesse em combater esta pirataria?

Autores e editoras se queixam há anos da pirataria na plataforma. Os problemas remontam a 2009, quando a empresa enfrentou críticas por hospedar ebooks pirateados. Na época, respondeu ter instalado um “filtro” para detectar e eliminar os piratas. Se para os conteúdos publicados em inglês existe algum filtro para eliminar as cópias piratas, o privilégio é negado às edições brasileiras. Divergente, de Veronica Roth, publicado no Brasil pela Rocco, está disponível no Wattpad desde 20 de julho, com mais de 1.800 leituras até agora, segundo a página da versão pirata. Ora, se a cópia pirata de um ebook conhecido permanece intocada durante meses, é sinal que nenhum filtro, ou qualquer funcionário da empresa, confere se o conteúdo publicado é legal ou não!

Os filtros automáticos, quando existem, são burlados pelos piratas de forma insidiosa. O pirata, para publicar um ebook, altera o título do livro, o nome da autora e a capa. O caso ocorreu ano passado, com a autora Jasinda Wilder. Ela soube da pirataria por intermédio de um leitor, que detectou a cópia e escreveu avisando. A autora conseguiu remover a cópia pirata do ebook My Dominant Alpha, após denunciar o usuário ao Wattpad. Apesar disso, a plataforma recusou fornecer dados do usuário pirata — alegou que precisava proteger a privacidade do usuário. Sobre isto, a designer Britt Imogen relatou uma situação, na época, que descreve como certos piratas são persistentes:

Wattpad não faz nada para ajudar a prevenir o plagiarismo, além de um tapa na mão. Um amigo meu foi virtualmente perseguido e plagiado por um único usuário. Toda vez que era pego, a pirata deleteva sua conta, abria uma nova, e começava tudo de novo. Após alguma pesquisa, nós descobrimos que a pirata tinha mais de 300 contas, nas quais ela copiava múltiplas histórias e shows de televisão. [traduzido do inglês]

O fato é que a negligência da Wattpad tem um efeito concreto: ela se torna beneficiária da pirataria. Afinal, é indiscutível que livros de qualidade atraem e fidelizam leitores. Nunca saberemos quantos usuários abriram uma conta só para poder acessar os ebooks pirateados, mas, a julgar pela profusão da oferta de títulos e dos leitores de cada obra, não foram poucos.

Escrevemos para a assessoria de imprensa da Wattpad, questionando se a empresa implementa alguma verificação nos títulos em português. Quando/se recebermos resposta, publicarei aqui. Enquanto isso, um sem número de leitores segue aproveitando vários ebooks “grátis”. A empresa enviou na quarta-feira, 23/09, uma resposta, confira aqui.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em eBookNews | 21/09/2015 | Clique para acessar a matéria original

Livro, no YouTube, fala sobre preservação da natureza


Um livro que fala sobre a preservação da natureza, separação do lixo. E tem até uma música. Mas a vedete é uma panela de barro e uma fita em tecido que se transforma em uma linda boneca, a Cecília, a protagonista da história. Isso pode ser conferido na história A Panela Encantada, de Sonia Rosseto, pelo vídeo publicado no YouTube.

Blog do Galeno | Edição 416 | 18 a 24 de setembro de 2015

Ministério Público Federal expande alcance de sua Biblioteca Digital


A Biblioteca Digital do Ministério Público Federal [BDMPF] tem dois grandes objetivos. O primeiro é reunir e disponibilizar a legislação produzida por todas as unidades do Ministério Público Federal [MPF] e pelo Conselho Nacional do Ministério Público [CNMP]. Ressalta-se que há acompanhamento diário das publicações oficiais. O segundo é disseminar a memória institucional do MPF, que contempla a produção bibliográfica da Instituição, dos membros e dos servidores.

Aplicativo transforma livros em mensagens de texto


Um aplicativo criado por um casal de desenvolvedores quer usar a tecnologia para revolucionar a leitura de livros em dispositivos móveis. O Hooked é um app para iOS que usa o formato de mensagens de texto para contar uma história ao leitor. Em vez de páginas, os parágrafos são divididos em mensagens de texto. Para avançar até o próximo, basta tocar na tela. “Nós não achamos que a ficção está morrendo e sim que que há maneiras de melhorar a forma como ela é apresentada e produzida atualmente”, explica Prerna Gupta, um dos fundadores da Telepathic.

De acordo com os desenvolvedores, as vantagens em relação ao formato tradicional são três: maior proximidade com a interface de smartphones e a sensação natural de leitura nele, facilidade em acompanhar o texto em pequenos trechos ao esperar, por exemplo, um metrô e a agilidade, ajudando o leitor a se interessar na maneira de contar a história, querendo continuá-la.
O casal explica ainda que, no futuro, a ideia é adicionar abordagens interativas nas histórias. O app oferece um número ilimitado de histórias grátis, mas para se inscrever é preciso desembolsar US$ 2,99 por semana.

A empresa já arrecadou US$ 1,2 milhões em investimentos de 500 startups.

Publicado originalmente em Olhar Digital | 17/09/2015

Goethe-Institut apresenta sua biblioteca digital


Onleihe pode ser acessada gratuitamente. Estão disponíveis e-books, arquivos de áudio e de vídeo, jornais e revistas eletrônicas.

O Goethe-Institut no Brasil está divulgando sua biblioteca digital, a Onleihe, onde é possível baixar documentos digitais como e-books, arquivos de áudio e de vídeo, jornais e revistas eletrônicas diretamente para um computador ou e-reader pessoal, por um tempo limitado. Passado o prazo de empréstimo, os materiais são devolvidos automaticamente. Todos os interessados com residência fixa no Brasil e que tenham se registrado através da plataforma digital pode utilizar a biblioteca. Para isso, basta preencher o formulário de inscrição. A inscrição é gratuita.

PublishNews, Redação, 16/09/2015

Falta de investimento em digital afasta usuários de bibliotecas


Um relatório encomendado pela Society of Chief Librarians [SCL] da Inglaterra disse que 20 milhões de libras deveriam ser investidas em serviços digitais nos próximos três anos para evitar que as bibliotecas públicas se tornem obsoletas. O dossiê intitulado Infraestrutura Digital Essencial para Bibliotecas Públicas na Inglaterra e conduzida pela Bibliocommons diz que “a falta de investimento em tecnologia afastando os usuários das bibliotecas“. “Não é que nossos usuários estão deixando as bibliotecas quando eles se mudam para o on line. Nós é que estamos empurrando-os para longe ao deixar de atender aqueles que mais precisam de nós e fazendo com que os que têm o poder escolha deixem de nos achar interessantes”, diz o relatório. “Bibliotecas não devem se tornar espaços estigmatizados usados apenas por aqueles que não têm opções. Nossa pesquisa sugere que há uma ampla oportunidade para que bibliotecas públicas continuem sendo bibliotecas enriquecidas com ofertas digitais”, conclui. O relatório será publicado oficialmente em outubro.

Por Natasha Onwuemezi | The Bookseller | 16/09/2015

“Era digital atinge renda de escritores”, aponta pesquisa da Authors Guild


A era digital está afetando as finanças dos autores de livros, tornando mais difícil o sonho de viver de escrever – pelo menos é o que diz uma pesquisa divulgada nesta terça-feira e realizada pelo Authors Guild, o sindicato dos escritores norte-americano.

A pesquisa mostrou que a renda dos autores norte-americanos em tempo integral em 2015 caiu 30% com relação a 2009, totalizando 17.500 dólares. Para os autores a tempo parcial houve uma queda de 38% na renda, somando 4.500 dólares.

A renda dos escritores diminuiu. Isso é resultado de uma confluência de fatores“, disse o estudo.

A onipresença dos e-books significa que a pirataria de livros online é uma ameaça maior hoje do que em 2009. Temos visto uma grande consolidação dentro do mercado editorial, o que representa menos diversidade entre as editoras e um foco exacerbado nos lucros“.

A dominância do mercado pelas editoras tradicionais, entretanto, está sendo corroída pelo aumento das auto-publicações, observou o estudo.

O relatório também citou a Amazon – alvo frequente do setor editorial – e afirmou que a dominância da gigante da internet levou ao fechamento de inúmeras livrarias e tornou “o negócio menos diversificado e menos rentável do que era há seis anos”.

O site Publishers Weekly, que divulgou o estudo em primeira mão, disse que a pesquisa encontrou que a maioria dos autores estaria vivendo abaixo da linha da pobreza dos Estados Unidos caso dependessem apenas dos lucros obtidos com a escrita.

O cenário não é bom, mas há frestas de esperança“, disse o estudo.

O aumento da autoria híbrida é animador: os autores agora têm mais liberdade para escolher um método de publicação e promoção que melhor se adapte às necessidades do livro que querem divulgar“.

E notou que “as oportunidades de relacionamentos entre autores e leitores são inéditas em toda a história da publicação de livros – mesmo que estas relações consumam tempo de trabalho dos autores“.

AFP | 16/09/2015

Guia de revisão de livros digitais


Já falamos sobre a importância de fazer a revisão do livro digital. Mas nem sempre o revisor está apto a fazer o trabalho. Isso pode acontecer por várias razões: o colaborador não ter o hábito de ler e-books ou, se lê, é ocasionalmente, sem explorar as funções que os aplicativos e leitores disponibilizam ou buscar entender por que aquele elemento está meio esquisito. Também pode ser que não tenha recebido as instruções corretamente. Então resolvi juntar uma meia dúzia de dicas que eu já ouvi, outras tantas que acabei usando para não surtar comprometer a qualidade do trabalho.

ATENÇÃO: este guia não substitui o conhecimento que vem com o hábito de ler e-books. As plataformas de leitura estão em constante atualização, e quem se propõe a trabalhar com esse formato de publicação precisa ter experiência com leitura de livros eletrônicos.

Recebendo o arquivo

Ótimo, você recebeu uma proposta de revisão de e-book. A primeira coisa que você deve fazer é: confirme se a empresa que te contratou tem um manual ou padrões específicos. Algumas têm, outras não. Então confira se você tem todas as ferramentas necessárias para cumprir as demandas. No geral, você só precisa do Adobe Digital Editions [ADE] e de um programa que leia PDFs, como o Adobe Reader. Mas às vezes pedem que o e-book seja conferido no formato MOBI, da Amazon, o que torna necessário instalar o programa Kindle para PCKindle Previewer. Também é importante um editor de texto, tanto para fazer o relatório final quanto para algumas anotações. A próxima recomendação é mais besta, mas pode ser de grande ajuda: quando receber o ePub, dê uma passada rápida até o fim, usando o scroll do mouse, mesmo. Em 2012 eu vivia tendo problemas com alguns fornecedores de ePubs, porque em certo ponto do arquivo um erro no código fazia o ADE travar e fechar. Não tenho me deparado com esse problema nos últimos tempos, mas o trauma de estar com o prazo apertado e de repente descobrir que o arquivo que eu tô usando não funciona é mais forte que eu.

A parte invisível

Como tudo no mercado editorial, sempre tem uma parte do trabalho que só vão reparar que você não fez se der problema. Então se garanta fazendo o quanto antes. Verifique se o livro tem sumário interno. Algumas editoras inserem esse sumário no e-book mesmo que não haja um no impresso. Se for esse o seu caso, vá passando pelo PDF e anotando os títulos de capítulo. Usar o TOC pode ser uma referência, mas e se houver algum problema nele? É até melhor usar uma fonte externa ao arquivo, como seria o sumário do livro impresso. Além disso, verifique se o ePub não recebe outros elementos que o impresso não tem, como uma página sobre o autor, obras relacionadas e até encartes de imagem, que nem sempre aparecem no sumário original. Depois confira os links tanto do TOC quanto do sumário interno. Há quem prefira deixar essa parte para o final, mas eu prefiro fazer primeiro porque o prazo sempre acaba ficando apertado é mais garantido.

Cotejo com obstáculos

O cerne da revisão do e-book é quase um cotejo com obstáculos, ainda mais no caso da não ficção. É aqui que o hábito de leitura no formato eletrônico faz a maior diferença. Você precisa entender a aparência do impresso nem sempre pode ser reproduzida no digital e saber apontar possíveis melhorias. Um exemplo simples: sabe quando a primeira linha do capítulo fica toda em versal/versalete? No e-book isso não faz o menor sentido, já que dependendo do tamanho da fonte o efeito pode terminar no meio da linha ou se estender por mais texto que o planejado. Caso você não tenha uma orientação da editora sobre como agir em relação a isso, sinta-se à vontade para fazer uma sugestão, como usar versalete só nas cinco primeiras palavras em todos os capítulos. Outro exemplo: notas de rodapé e final de livro. No geral, as notas de rodapé vão para o fim do capítulo e as de final de livro permanecem lá. Caso o livro tenha as duas hierarquias de nota, confira se elas estão sinalizadas de maneira diferente, para não confundir o leitor. Em livros com muitas notas, evite usar asteriscos, você pode acabar com um imenso ****** no meio do texto. Além disso, confira se todas elas estão indo e voltando. Também é bom ficar atento às imagens. No geral, quando há imagens no meio do texto, elas são deslocadas para o final de um parágrafo. Confira se faz sentido ela estar ali ou se foi mal posicionada. A proporção é outra questão importante, até porque caracteres especiais [desde ideogramas até códigos que podem aparecer em livros de fantasia e aventura] costumam ser transformados em imagem. Será que a imagem tem uma boa legibilidade tanto num tablet quanto num smartphone? Até há um recurso para que a imagem seja proporcional, mas nem sempre ele é lembrado, já que não funciona em todas as plataformas. Ainda assim, é bom sinalizar que pode ser usado. Há várias outras questões, mas hoje vou concentrar o post em facilitar sua rotina na revisão do ePub, ok? Caso você queira entender melhor os problemas que podem acontecer na conversão e suas possíveis soluções, é só falar com a gente

Finalizando e entregando

A essa altura, você já deve ter algumas anotações de problemas no seu editor de texto. Nem todas as editoras encaram bem sugestões editoriais, a menos que sejam erros mesmo, como questões de ortografia, falhas na formatação ou coisas assim. Tente entender qual é o posicionamento de quem te contratou. Depois, revise o relatório para ver se ele está compreensível. Eu costumo deixar algumas observações, como lembrar de verificar se certa formatação é um desvio ou um padrão, o que pode ser muito útil para mim, mas de pouca utilidade para quem vai implementar as mudanças. Se o manual que você recebeu explica como redigir o relatório, siga. Se não, minha sugestão é: número de página no PDF + trecho problemático com uma parte do entorno [ou uma descrição do conteúdo] + correção ou sugestão. Por exemplo:

P.35: em “o cachorro subiu a colina”, a palavra “subiu” deve estar em itálico.

P.114: a legibilidade do texto na imagem com dois dragões está baixa. Sugiro inserir uma legenda.

P.298: o parágrafo que começa com “No final de sua carreira…” parece ser o único com alinhamento à esquerta. Proposital?

Bom, esse não é o único método de trabalho possível, mas tem funcionado para mim há algum tempo. Como você revisa seus livros eletrônicos, ou o que espera de uma boa revisão?

Por Mariana Calil | Publicado originalmente em Colofão | 16/09/2015

Mariana Calil

Mariana Calil é formada em Produção Editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passeou pela produção gráfica, fez uma breve visita ao comercial e hoje é assistente editorial. Vive a utopia de que dá para trazer para o mercado a teoria da faculdade e levar para a academia a prática do cotidiano.

Novo smartphone da pode ter tela de livro


O próximo smartphone da Samsung pode ter uma tela que se abre como um livro, segundo o site SamMobile, que prevê a data de lançamento do aparelho para janeiro de 2016.

O dispositivo poderá ser introduzido no mercado em dois modelos praticamente iguais, tendo apenas processadores e potências diversas.

Segundo os rumores, o smartphone não será um Galaxy S7, atualização do mais famoso celular da marca, e inicialmente poderá ser disponibilizado apenas na Coreia do Sul, uma estratégia utilizada anteriormente pela empresa.

Terra | 16/09/2015

Brasil é um dos últimos países no ranking de leitura digital


O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes [PISA – sigla em inglês] foi organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico [OCDE] para, como o nome diz, avaliar o desempenho e progresso dos estudantes ao redor do mundo. Uma pesquisa realizada em 2012 revelou que, de 31 países, os alunos brasileiros estão em antepenúltimo lugar quando se trata de usar o computador para leitura e outras tarefas relacionadas ao meio digital.

O Brasil está na frente apenas dos Emirados Árabes Unidos e da Colômbia, enquanto a Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong encabeçam, nessa ordem, a lista. Essa tabela, na verdade, faz parte de um estudo minucioso, cujo relatório se chama “Estudantes, Computadores e Aprendizado: Fazendo a Conexão”. A ideia central do tema é fazer uma relação entre o contato com tecnologia e seu impacto efetivo no aprendizado dos alunos.

Logo no ranking onde o Brasil ficou tão mal classificado torna-se nítido o rumo que o estudo toma. É visível que, no geral, alunos que se saem melhor em tarefas tradicionais, somente no papel, desempenham melhor também quando levados ao meio digital, mostrando que, “um bom número de habilidades úteis para navegar na internet pode também ser ensinado e adquirido por meio de técnicas de leitura clássicas“, como afirma o próprio texto.

A Coreia do Sul, por exemplo, segunda classificada do ranking, tem apenas 42% dos seus alunos usando computador na escola. A Cingapura, primeira colocada, tem bem mais, com 70% dos seus alunos com acesso, mas, ainda assim, o número ainda é menor que a média mundial de 72%. A conclusão de Andreas Schleicher, membro da direção de educação e competências da OCDE, é que “os sistemas escolares devem encontrar soluções mais eficazes para integrar as novas tecnologias no ensino e no aprendizado“.

Por João Gabriel | Publicado originalmente em Adrenaline | 15/09/2015

Crowdfunding Literário


Cavaleiros da Taverna Redonda

No século 8 a.C., Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de sua produção artística. Mecenas criou, com isso, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente a produção cultural e literária.

Com o advento da internet, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através da agregação de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, levantar capital para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding [financiamento coletivo], uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Cavaleiros da Taverna Redonda A Livrus Editorial, apostando em maneiras de ajudar os autores a viabilizarem a publicação dos seus livros, está apoiando a campanha criado pelo Barba do Bardo para a série Cavaleiros da Taverna Redonda.

Cavaleiros da Taverna Redonda foi a primeira série de tirinhas idealizada pelos bardos Filipe Coelho e Rodrigo de Freitas. Com influências de histórias de fantasia medieval e jogos de RPG, a série alia esses universos de forma irreverente através de seus vários personagens caricatos, como o bravo Paladino, o atrapalhado Mago e muitos outros.

Cavaleiros da Taverna Redonda

Editora lança 40 livros em formato digital


Aleph, finalmente, digital

Orlando Prado, gerente comercial da Aleph, acredita que os e-books vão representar 8% do faturamento total da editora | © Divulgação

Orlando Prado, gerente comercial da Aleph, acredita que os e-books vão representar 8% do faturamento total da editora | © Divulgação

Em 1968, Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick levaram para o cinema o que viria a ser, anos depois, um tablet. Em 1984, William Gibson criou o termo ciberespaço e imaginou um mundo todo interconectado pela internet. Mas foi só em 2015, que a Aleph, casa desses três autores no Brasil, decidiu comercializar livros digitais. A editora especializada em cultura pop e ficção científica começa, nesta quarta-feira [16], comercializar livros no formato digital. De cara, serão postos à venda 40 títulos entre os quais estão clássicos como 2001: uma odisseia no espaço [32,40], de Arthur C. Clarke; Eu, robô [R$ 23,90], de Isaac Asimov; Laranja Mecânica [R$ 21,60], de Anthony Burgess; O Planeta dos Macacos [R$ 21,60], de Pierre Boulle, e Jurassic Park [R$ 29,90], de Michael Crichton. O preço, segundo informou a editora, é 40% menor se comprado ao preço do livro em papel. O desconto é um pouco maior do que o praticado por outras casas. O cuidado da editora com o projeto gráfico e com o acabamento dos livros em papel explicam um pouco essa diferença.

Nosso público é muito consumidor de novas tecnologias. Por isso, estamos bastante empolgados com lançamento dos e-books da editora. De forma geral, os livros digitais não representam mais de 2% de participação nas vendas das editoras. Inicialmente, temos como objetivo que os e-books representem 8% do faturamento total da editora”, comenta o gerente comercial da Aleph, Orlando Prado.

Os livros, que são distribuídos pela Bookwire, estarão disponíveis nas principais lojas virtuais como a Amazon, Google Play, Livraria Cultura, e todas as obras estão disponíveis em formatos compatíveis com os principais e-readers.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 14/09/2015

Curso explora relação entre eBooks e bibliotecas


Atividade acontece no dia 26 de setembro, em São Paulo

A Irene Butti Consultoria coordena em São Paulo, no dia 26 de setembro, o curso e-Books e bibliotecas. A atividade visa apresentar o universo dos e-books, analisando seu conceito, evolução tecnológica e introdução nas unidades de informação. O encontro acontece das 8h30 às 17h30, na Av. Paulista, 1159, Bela Vista, São Paulo/SP, próximo à estação Trianon Masp. A condução será de Liliana Giusti Serra, profissional da informação da Prima, desenvolvedora dos sistemas SophiA Biblioteca e SophiA Acervo e consultora em Ciência da Informação. O investimento é de R$ 400. Os interessados em participar podem solicitar a ficha de inscrição pelo e-mail irene_btt@yahoo.com.br.

PublishNews | 10/09/2015

Kindle Scout para brasileiros


Plataforma de “apostas literárias” da Amazon passa a aceitar originais de autores brasileiros

Nesta quarta-feira [09], a Amazon anunciou oficialmente que passará a aceitar originais de brasileiros dentro da Kindle Scout, a plataforma de apostas literárias da Amazon. No entanto, a plataforma só aceita, por enquanto pelo menos, originais inéditos escritos em inglês. Autores podem colocar suas obras na plataforma que, depois de pré-selecionadas pela Amazon, serão julgadas pelo público durante 45 dias. Os autores dos livros mais votados terão suas obras publicadas pelo selo Amazon Press [em formato digital] e ganham um adiantamento no valor de US$ 1,5 mil e royalties de 50% sobre o valor de venda do livro.

A plataforma, lançada em 2014, estava restrita aos EUA. Agora, além do Brasil, podem participar autores da Austrália, Canadá, Índia , Japão, México, Nova Zelândia, e países da Europa. “Expandir nossa plataforma para autores e leitores de fora dos EUA era um dos pedidos mais frequentes que nós recebemos desde que a lançamos. Com o esse anúncio, nós estamos aguardando ansiosos por grandes histórias que estão por vir”, disse Diana Hial, gerente geral do Kindle Scout via comunicado.

Para ajudar a explicar como funciona o Kindle Scout, a Amazon preparou um vídeo que pode ser acessado clicando aqui.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 10/09/2015

Livros em papel ainda encantam crianças da era digital


O sentimento de que a invasão de tablets, smartphones e aplicativos sociais pode estar tomando o lugar dos tradicionais livros em papel entre crianças e adolescentes se desfaz imediatamente quando se chega à 17ª Bienal do Livro do Rio. Nos três pavilhões do Riocentro, milhares de crianças, quase todas integrantes de excursões promovidas pelos colégios, tomam o espaço e enchem o ambiente de alegria. Os pequenos lotam as livrarias, principalmente aquelas com temáticas infantojuvenis.

A explicação para essa preferência pelos livros em papel em tempo de redes sociais pode estar tanto no tipo de narrativa que a obra oferece, sem distrações e mais aprofundada, quanto na capacidade das novas gerações de segmentar a atenção para várias mídias ao mesmo tempo, algo que é difícil para os mais velhos.

A opinião é da diretora da Bienal, Tatiana Zaccaro, que vê grande espaço para o crescimento dos livros na atualidade, em todo o mundo, apesar das tecnologias que cada vez mais fazem parte da vida de todos.

A cada ano, temos mais visitantes, e o número de livros comprados aumenta. E temos algo, que está ocorrendo no Brasil e no mundo, que são os adolescentes lendo bastante. A média de livros vendidos tem aumentado exatamente nessa faixa etária. Isso leva a acreditar que, mesmo competindo com toda a tecnologia que faz parte de sua vida, os adolescentes, que nasceram na era das telas de toque e da internet, não abandonam os livros. Eles querem o autógrafo, querem conhecer o autor. Isso mostra que o livro está mais vivo do que nunca”, disse Tatiana.

Uma das formas de garantir essa simbiose entre mídias de papel e digital é oferecer livros desde muito cedo às crianças, que assim crescem com amor às páginas impressas. A dica é da empresária Vanessa Mazzoni, que visitava a bienal em companhia das filhas Ana Clara, de 11 anos, e Larissa, de 5 anos. “A Ana Clara devora livros, a pequenina ainda não lê, mas está indo pelo mesmo caminho. A gente incentiva. Presentes de aniversário são sempre livros, pois ela já está na adolescência. Elas têm tablet, mas não têm o hábito de ler nele, tem que ser livro de papel mesmo”, afirmou Vanessa.

A filha Ana Clara, que está no sexto ano, explicou como consegue se dividir entre as mídias digitais e as páginas impressas. “Eu fico dividindo o meu tempo. Fico um pouco lendo, um pouco usando o celular e dá para fazer tudo. Se eu gosto da história e do autor, eu procuro na internet sobre os outros livros dele e aí compro para ler. Eu gosto de ver o livro, a capa, acho legal”, contou.

O amor pela leitura às vezes independe de classe social e condições de adquirir livros que, muitas vezes, podem ser difíceis de se encaixar no orçamento familiar. Isabele Vitória da Silva Santos Faria, de 10 anos, integrante do projeto social Circo Crescer e Viver, aproveita o tempo extra na escola para se dedicar à leitura. O hábito, segundo ela, veio dos pais. A mãe é cozinheira e o pai, segurança, mas sempre tiveram livros em casa. “Eu gosto mais de ler contos de fadas e ficção. O tablet compete com os livros às vezes, mas minha mãe diz que é preciso uma hora para cada coisa”, disse Isabele.

Colega no circo, Pablo Richard, de 11 anos, gostaria de ter mais livros em casa. Ele mora com a mãe, que vende salgados, e não dispõe de tablet nem celular. Diz que prefere ler em papel mesmo, mas reclama do preço. “Às vezes, vou à biblioteca da escola e pego o maior livro que tem. Gosto de contos de fadas e histórias de terror. Pena que os preços aqui na Bienal são o dobro do que eu trouxe em dinheiro”, lamentou.

Mesmo para quem trabalha nas livrarias, passando o dia entre prateleiras e pilhas de livros, a questão financeira acaba sendo um limitador. Para Ivisson Laurent dos Santos Silva, o acesso a determinadas obras, principalmente aos livros técnicos, está distante da realidade. “Os livros ainda são inacessíveis para a maioria dos brasileiros. Aqui pagamos muitos impostos e tributos. Apesar de eu trabalhar em uma livraria, tenho que optar em fazer as coisas pessoais ou comprar um livro. Entre o pão e o livro, ganha o pão”.

Por Vladimir Platonow | Agência Brasil | 10/09/2015

O que você quer ser quando você crescer?


Por Eddie Procopio

Livros pop-up, com aqueles cenários que saltam das páginas, sempre foram encantadores. Peronio Pop-up Book, desenvolvido por um estúdio brazuza, fixado Florianópolis [SC], tenta levar a experiência física destes objetivos literários para dentro dos tablets e smartphones.

Peronio é um garoto ainda indeciso sobre o que quer ser quando crescer: não sabe se quer ser um dentista de dragões, “por causa dos seus enormes dentes pontudos“, ou um engenheiro de naves espaciais. E saí por aí, descobrindo o que fazer da vida. Mas é o leitor que, em Peronio Pop-up Book, interage com um universo onde as crianças estão tentando construir uma ideia da profissão que terão em sua fase adulta.

O restultado de Peronio Pop-up Book é um livro interativo [ou seria um jogo?] que impressiona pela experiência holográfica que combina tecnologias de Realidade Virtual e Aumentada e uso de óculos. Desde a primeira página o leitor descobre as aventuras de Peronio, que tenta decidir o que ele quer ser quando crescer e o segue em sua jornada de desafios emocionantes que inclui mini-contos jogáveis ao longo do caminho.

Segundo os desenvolvedores de Peronio Pop-up Book, a equipe de Renato Klieger Creations e a Ovni Studios, o segmento de livro-jogo para celular é um movimento ousado, onde a quantidade aplicativos disponíveis é ilimitada, mas “nenhuma oferece a notável experiência deste incrível pop-up book”.

Vale à pena conferir!

Adaptações de projeto gráfico


Há dois anos[?], na primeira Conferência do Revolução Ebook¹, Lúcia Reis e eu apresentamos uma palestra sobre as adaptações de design para livros digitais. Abordamos casos e experiências da Cosac Naify e da Rocco, tendo como objetivo ressaltar a necessidade dessas adaptações de projeto que, apesar de funcionarem bem no impresso, acabam inviáveis no digital.

Apesar de passados dois anos, o conteúdo continua válido e atual e as limitações, em grande parte, continuam as mesmas. Dito isso, comecemos um pequeno tour por alguns pontos da apresentação:

O peso das coisas

Fontes light e serifas finas são um problema para o corpo do texto em muitos casos. Elas aparecem falhadas em muitos e-readers e isso prejudica demais a experiência de leitura. Além disso, há diversos cuidados que precisamos ter ao embutir fontes em e-books, como sempre utilizar formatos .oft e .ttf, declarar corretamente as famílias de fontes, etc.

Textos dentro de imagens também precisam de adaptação no digital.

Como podemos ver nas imagens abaixo, aumentar o peso da fonte [e/ou trocá-la] pode fazer toda diferença.

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

a maldição dos bonzinhos – editora rocco

 

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

A disposição de elementos

Em minha opinião, um dos maiores limitadores para transposição de projetos de livros impressos para digitais são: páginas duplas ilustradas e tabelas muito longas.

Na imagem abaixo, temos uma sequência de 4 páginas [2 duplas] que viraram uma página só. Vale atentar também a proporção da imagens que devem ocupar a totalidade da página, no caso, utilizo as mesmas proporções de capa [escala de 600x800px].

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

moby dick – editora cosac naify [para saber mais sobre esse projeto clique aqui]

Tabelas longas nem sempre funcionam direito em telas pequenas: a fluidez do epub [sua melhor e, ao mesmo tempo, pior característica] pode bagunçar a informação. Tendo isso em vista, testar tabelas em smartphones é extremamente recomendado.

Abaixo, duas reorganizações de tabelas, a segunda originalmente se distribuía em duas páginas.

o princípio do progresso – editora rocco

o princípio do progresso – editora rocco

 

luto e melancolia – editora cosac naify

luto e melancolia – editora cosac naify

Como exemplificado, nem tudo que funciona para o impresso vai funcionar para o digital em seus vários tamanhos de tela, aplicativos, etc. Daí a importância de pensar a transposição do laytout como uma migração total de meio: seu livro vai existir em outro mundo que não o de papel e ele precisa estar adaptado para cumprir suas funções de maneira satisfatória para o leitor, do contrário, ele perde o sentido de existir.

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em COLOFÃO | 9/9/2015, às 11:53

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Biblioteca digital de livros para crianças lusófonas


A dica veio de Sam Cyrus, blogueiro que morava em Portugal e, mesmo sem ser pai, acompanha o nosso trabalho no Mãe com Filhos. Trata-se de uma Biblioteca digital de livros para crianças com títulos em português, mas de versão lusitana. Depois das discussões do Acordo Ortográfico, que tal apresentarmos às nossas crianças uma forma diferente de usar nossa língua?

Segundo Fátima André do Revisitar a Educação, o site Biblioteca de Livros Digitais é um espaço interessante e com bons recursos para trabalhar com crianças, especialmente as que estão em fase pré-escolar e no ensino fundamental. Como ela mesma sugere, “excelentes viagens pelo mundo do imaginário e do conhecimento“.

A leitura e a descoberta de novos títulos é uma viagem que pode ser feita em família, aproveitando o final de semana ou mesmo os momentos do final do dia, antes do beijo de boa noite, fortalecendo laços e aproximando pais e filhos neste cotidiano tão corrido que vivemos.

Pequenos Leitores | 08/09/2015

Fama digital, sucesso real: do YouTube ao papel


Com milhões de seguidores na internet, Christian Figueiredo e Kéfera Buchmann lançam livros na feira literária e causam histeria por onde passam

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora - Fernando Lemos

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora – Fernando Lemos

RIO – “Você é de verdade!”, exclamou uma fã ao abraçar Christian Figueiredo durante o lançamento de “Eu fico loko 2: as histórias que tive medo de contar” [Novas Páginas] na Bienal do Livro. Mais de mil leitores — a maioria deles crianças e adolescentes — fazia fila desde às 11h da última sexta-feira para abraçar o rapaz de 21 anos. O visual do autor, que ostentava um penteado moderno e vestia uma camiseta de tema floral, o fazia lembrar um integrante de uma boy band de sucesso. O barulho da audiência, que, embalada pelos hormônios, se alternava entre gritos agudos e choro copioso, só confirmava a impressão de se estar diante de um fenômeno do star system musical. Figueiredo ficou até às 18h assinando livros no Espaço Maracanã, criado pela Bienal para dar vazão à demanda de público dos autores de best-sellers.

As sete horas não foram suficientes para ele. Sua popularidade fez com que ganhasse duas datas para encontrar o público. O autor volta ao Riocentro hoje, também a partir das 11h, para uma nova sessão de autógrafos. A carreira de Christian, no entanto, não está exatamente ligada ao fazer literário.

Os textos que fizeram dele uma espécie de Justin Bieber do mercado editorial foram postados primeiro em forma de vídeos em uma conta do YouTube. O “Eu fico loko” conta com mais de 3,2 milhões de inscritos.

— Transcrevi o roteiro dos vídeos para fazer o primeiro livro. O segundo é uma espécie de “proibidão”, com histórias que preferi não contar antes.

Transformadas em livro, que ganhou o mesmo nome do canal, as primeiras histórias de Christian venderam mais de 100 mil exemplares. Lançado às vésperas da Bienal, o segundo volume já chegou a 70 mil. Ele não é o único caso de youtuber que migrou da plataforma de vídeos para o papel. A Paralela, selo do grupo Companhia das Letras, lança amanhã na Bienal, às 14, a autobiografia “Muito mais do que 5inco minutos”, de Kéfera Buchmann, de 22 anos. O livro tem tiragem de 125 mil exemplares e, nas primeiras 48 horas de pré-venda, 16 mil cópias foram encomendadas.

Conforme Ancelmo Gois revelou em sua coluna de sábado, Kéfera tem o livro mais vendido da Bienal até agora. Assim como Christian, ela é uma comunicadora de sucesso e tem mais de 5 milhões de seguidores só no YouTube.

O aparato que os cerca é tão grande quanto o frenesi em torno deles. Só a empresa que gerencia a carreira de Christian, por exemplo, tem 12 funcionários. O tamanho é justificado pelo número de compromissos profissionais assumidos pelos escritores novatos. Com agenda cheia, eles têm rotina intensa. Nos dias que antecederam a Bienal, O GLOBO tentou entrevistar Kéfera em cinco oportunidades. A equipe da paranaense desmarcou todas as vezes.

Com a linguagem informal típica da internet, eles publicam regularmente monólogos sobre os dilemas dos jovens. Cada produção costuma superar a marca de um milhão de visualizações. Enquanto o senso comum diz que os adolescente estão distantes da leitura, os youtubers sustentam que a história não é essa.

— Acho que minha geração está acostumada a ler textos rápidos em tablets e smartphones. Ela não tem o hábito de ler livros, que demoram a ser concluídos. Eu estou trazendo a turma da internet, que nunca se interessou pela literatura. “Eu fico loko” é ágil e curto. Criei um estilo — diz, sem modéstia.

O fenômeno editorial não é restrito ao Brasil. Na Espanha, por exemplo, o youtuber Javier María escalou até o topo da lista dos mais vendidos após esgotar oito edições de cem mil exemplares nas primeiras semanas após o lançamento de “El libro troll”. Em uma matemática simples, seguidores se convertem em consumidores, e as editoras lucram. Em um ano de crise como 2015, isso ajuda.

— Com certeza é um nicho bom para a editora. Mas não lançamos o produto por lançar. É claro que autores como o Christian trazem faturamento, mas ele não publicaria se não tivesse conteúdo — diz Ludson Aiello, gerente de marketing do grupo Novo Conceito.

CUIDADOS COM A INFRA

Ao mesmo tempo, a imensa popularidade é motivo de preocupação para quem organiza os eventos. Sem a estrutura necessária, uma simples noite de autógrafos pode se converter em um caos de meninas histéricas se aglomerando. Na Bienal de São Paulo, quando marcou uma reunião com o grupo Novo Conceito para vender a ideia do primeiro livro, Christian publicou um chamado no Facebook, dizendo que estaria no estande. Tanta gente foi ao encontro do autor que ele precisou ser levado às pressas para um palco. O caso fez com que os organizadores tomassem uma precaução.

— Passamos a analisar as mídias sociais dos autores para não sermos pegos de surpresa novamente — diz Tatiana Zaccaro, diretora de núcleo da Fagga, que coorganiza a feira.

POR MATEUS CAMPOS | Publicado originalmente em O GLOBO | 07/09/2015

Jovens usam a internet pra incentivar o hábito da leitura


Adolescentes fazem resenhas, falam sobre as obras e os autores preferidos, direto para quem interessa: adolescentes iguais a eles.

A 17ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro reuniu um grupo de fãs da literatura que têm dado o que falar. É a turma que usa a internet pra incentivar o hábito da leitura.

Quem vai apresentar para vocês o maior evento literário do país – a Bienal do Livro – não é o repórter do Jornal Nacional. É uma turma que entende muito mais do assunto.

A equipe do JN encontrou com eles entrando na Bienal – ou melhor, atravessando os portões do paraíso. Estão cercados por 2,5 milhões de livros. E eles querem é mais.

Leio de cinco a sete livros por mês. No transporte público, eu estou lendo, eu vou pra farmácia comprar alguma coisa, estou lendo. Qualquer fila, eu leio”, afirma o estudante Victor Prata.

Eles não querem só ler. Querem abrir o livro, sentir as folhas. E até cheirar o livro. “Tem uma coisa que as pessoas que leem vão concordar – que cheiro de livro é atraente”, diz um jovem.

E se eles estão na Bienal por causa dos livros, muita gente está na feira por causa deles. A turma é famosa na internet. Com uma câmera ligada, esses jovens gravam vídeos dando dicas dos livros que estão lendo. Nessas resenhas, eles falam sobre as obras e os autores preferidos, direto para quem interessa: adolescentes iguais a eles.

E na Bienal, nos corredores, eles atendem os fãs. E se parece que eles estão num parque de diversões, num castelo, num mundo encantado é porque nos livros eles viajam para todos esses lugares sem sair do lugar.

Na Bienal, a paixão dessa turma ganha outra dimensão, levando a vida, entre uma página e outra.

Publicado originalmente em G1 | 5/09/2015, às 21h31

Ubiqui se apresenta na Bienal


Empresa de gestão editorial lançará módulo durante o evento

A Ubiqui, plataforma de gestão editorial, está participando das rodadas de negócios promovidas durante a Bienal do Rio entre agentes literários, profissionais livreiros e executivos de negócios do setor de todo o mundo com profissionais do Reino Unido, Índia, França e Itália. Durante a ação, o CEO da Ubiqui, Rafael Schaffer, lançará o quinto módulo de gestão da empresa, Backup na Nuvem, criado com foco na acessibilidade e segurança para as editoras. O módulo possui espaço para até 1 GB por produto, onde os clientes podem armazenam em um só lugar todas as informações referentes à obra.

PUBLISHNEWS | 04/09/2015