Wikipédia começa nova campanha de doações para manter site funcionando


Página inicial da Wikipédia pede doações

Página inicial da Wikipédia pede doações

A Wikipédia começou uma nova campanha de arrecadação para manter a popular enciclopédia on-line funcionando.

Quem acessar algum dos verbetes da enciclopédia eletrônica vai encontrar um aviso na parte de cima da página com um apelo da Fundação Wikimedia, empresa responsável pela Wikipédia e por outros sites colaborativos, por doações.

Nós estamos pedindo ajuda para a Wikipédia. Para proteger nossa independência, nós nunca teremos anúncios. Sobrevivemos com doações em média de R$ 25. Se todo mundo que estiver lendo este aviso neste momento doar R$ 10, nossa arrecadação terminaria em uma hora“, diz.

Pelo banner, as doações podem ser feitas em qualquer valor. Também há a opção de escolher se o pagamento será feito uma única vez ou se será de forma mensal. A Wikipédia aceita cartão de crédito, transferência bancária ou via PayPal, mas este último em dólares.

Para fazer doações de outras maneiras -pode ser até por bitcoins- há um link na parte de baixo do aviso que ensina como proceder.

A Wikipédia costuma fazer campanhas de doações de tempos em tempos. A empresa sem fins lucrativos afirma que tem gastos com servidores, funcionários e programas parecidos com os dos grandes sites e precisa das doações para continuar funcionando.

São 273 funcionários, segundo a Fundação Wikimedia, divididos principalmente na área de tecnologia e em arrecadar fundos.

A Wikipédia é um pouco especial. É como uma livraria ou um parque público onde todos nós podemos ir para aprender. Se a Wikipédia é útil para você, por favor, gaste um minuto para mantê-la on-line e grátis“, afirma o anúncio.

Publicado originalmente em | 19/08/2015, às 11h54

Os livros digitais do futuro?


Alguns textos atrás, escrevi aqui no Colofão sobre aplicativos. Dediquei alguns parágrafos aos apps que, para mim, usam o meio a seu favor e realmente acrescentam algo à experiência do leitor, ao invés de simplesmente tentar copiar o livro impresso [ou, inversamente, usar elementos interativos sem critério, a ponto de criar uma distração, e não um complemento, ao conteúdo]. Depois percebi que, tentando transformar aquele texto gigante em um post [mais ou menos] legível, acabei deixando de fora um aplicativo de que gosto muito: oComposition nº 1, de Mike Saporta.

A ideia central é simples: como a obra é formada por uma série de pequenos textos independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem, a organização linear das páginas de um livro se torna desnecessária. Então, o app permite que o leitor navegue entre os textos de forma aleatória. Embora exista uma versão impressa também – na qual, seguindo a mesma ideia, as páginas não são encadernadas, e sim colocadas soltas numa caixinha –, para mim este é mais um caso de um livro que se adapta muito bem ao meio digital [sem contar que o app tem ainda algumas “surpresinhas”, como uma capa interativa e uma obra de “arte tipográfica” criada a partir do texto do livro].

Lembrei deste app porque caí neste post no site da sua editora, a Visual Editions, detalhando um novo projeto em parceria com o Google. A Visual Editions é uma editora inglesa conhecida por seus projetos ousados, criando livros que são verdadeiras obras de arte, mas não simplesmente porque são bonitos: as inovações de formato estão sempre muito ligadas ao conteúdo, tanto nos livros impressos quanto nos dois projetos digitais que a editora lançou até agora, o Composition nº 1 e o site Where You Are [que eu aconselho vocês a explorarem porque, além de os textos serem ótimos, o site em si é bem lindo]. Pensando nisso, a editora e o Creative Lab do Google fundaram o projeto Editions at Play, cuja ideia principal é criar livros “que sejam imersivos e que tenham sido escritos e desenvolvidos com a ideia de serem digitais”.

Uma das muitas variações do logo no site da Universal Everything

Em outro post com mais detalhes sobre o andamento do Editions at Play, há uma lista de critérios para avaliar este tipo de livro que sintetiza o que eu queria dizer, especialmente nos primeiros dois itens: a interação deve trazer o leitor para dentro do livro, e não distraí-lo; e o livro deve ser “inimprimível”, ou seja, deve ser feito em formato digital simplesmente porque não poderia existir de outra forma. A ideia de dinamismo e de usar ao máximo as possibilidades do meio digital já começa pelo próprio logo do projeto, que é móvel – e que, imagino eu, poderá ganhar uma cara diferente para cada obra.

Falando assim, soa tudo muito mágico e empolgante, mas é difícil imaginar como estes princípios se aplicariam a um livro real, uma vez que o projeto ainda está dando seus primeiros passos. Bem, é difícil de imaginar justamente porque a literatura digital – digital mesmo, no sentido de ser pensada para este meio e usar os recursos próprios dele – ainda precisa ser mais explorada. Neste post de dezembro de 2014, Tom Uglow, do Google’s Creative Labs, faz uma distinção importante entre o que chama de livro eletrônico – o e-book que conhecemos hoje, pouco mais do que uma reprodução do impresso – e o livro digital, capaz de “usar a infraestrutura digital do nosso novo mundo para criar novas maneiras de contar velhas histórias”. No final do texto, ele dá algumas pistas sobre de que maneira isto poderia ser feito, desde mudanças simples – como livros com texto contínuo ao invés de organizados em páginas, ou livros entregues diária, semanal ou mensalmente – até alterações na estrutura do conteúdo, como livros que usam uma segunda ou terceira tela para mostrar conteúdo extra, ou livros que são afetados pela presença de outros leitores nas proximidades. Alguns destes recursos passam por questões que vão além da literatura, como o acesso às ferramentas tecnológicas para produzi-los e, talvez o mais urgente, a questão da privacidade, que sempre vem à tona quando se fala em conteúdo personalizado [especialmente quando o projeto envolve uma empresa que tem acesso a tantas informações sobre seus usuários quanto o Google]. Mas o fato é que são recursos a serem explorados, e só saberemos se eles são ou não capazes de acrescentar algo à experiência de leitura até que alguém experimente.

Marina Pastore

Marina Pastore

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 19/08/2015

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Página na web em defesa das mulheres vira livro


Maíra tem cabelo black power, Jane é gordinha, Luma é negra e namora um rapaz branco, Emilly é transsexual, Cecília faz pole dance, Laís é atriz pornô e Paula, dona de casa. Todas são alvo de julgamentos numa sociedade [real] acostumada a cercear a liberdade das mulheres. E, por isso, foram transformadas em personagens inspiradoras no mundo [virtual] da ilustradora mineira Carol Rossetti. Os desenhos, reunidos em página no Facebook com mais de 250 mil curtidas foram transformados no livro ‘Mulheres’ [Sextante, R$ 39,90] e se tornaram mais uma voz ecoada da internet contra a doença do machismo e a opressão feminina.

A personagem pioneira, Marina, foi desenhada em abril de 2014. É uma mulher que gosta de usar vestidos listrados, mas se preocupa porque as revistas de moda dizem que esse modelo não combina com o corpo dela. “Liga para as revistas não, Marina. O importante é usar o que gosta e se sentir bem com o próprio corpo”, aconselha o quadrinho. O nome de Marina, assim como o de todas as figuras que a sucederam, é aleatório, mas o conselho feminista é proposital. As “meninas” de Carol são fruto de experiências pessoais, de pessoas conhecidas ou, ainda, sugeridas por leitoras. “No começo, o intuito era encorajar minhas amigas. Depois, a iniciativa alcançou milhares de pessoas e tornou o debate sobre feminismo mais acessível, mais leve”, diz Carol. “Não é porque minhas protagonistas são femininas que esse é um projeto apenas para garotas.

O que começou como um passatempo – ela é designer gráfica e queria treinar as próprias técnicas com lápis de cor, se propondo a fazer um desenho por dia – se transformou em livro. Hoje, além de uma agente literária pessoal, que a representa nos EUA, Carol tem quadrinhos traduzidos para inglês e espanhol e planeja lançamento de ‘Mulheres’ nos EUA, no México, na Espanha e em Portugal – os três primeiros já negociados. Em setembro, autografa exemplares na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Enquanto migra para outros projetos no ambiente virtual – a ilustradora não cria novas mulheres há algumas semanas, mas já publica aquarelas voltadas ao público infantil – ela reforça que a inspiração não vem, necessariamente, de personalidades históricas. Cita páginas semelhantes, como ‘Desalineada’ [14 mil curtidas, da também mineira Aline Lemos] como referência. “O projeto também é sobre encontrar inspiração em pessoas comuns. Nelas, principalmente.” À lista, somam-se cada vez mais páginas voltadas ao debate de gênero e ao empoderamento feminino.

Por Larissa Lins | Publicado originalmente em Diário de Pernambuco | 19/08/2015

Enem: como consultar as bibliotecas virtuais


No boletim Minuto Enem desta terça-feira [18], a jornalista Ana Elisa Santana, da editoria de Educação do Portal EBC, destaca sites de acesso virtual para livros e monografias.

Nos dias de hoje, você pode se preparar para o Enem com diversos materiais e sem precisar sair de casa. A Biblioteca Nacional oferece um acervo digital com mais de 800 mil documentos de livre acesso. Entre eles estão livros, periódicos e até áudios e vídeos. Algumas universidades públicas também oferecem um conjunto de serviços digitais, com biblioteca digital e sonora, biblioteca de monografias e diversos livros eletrônicos“, informou a jornalista que divulgou, no áudio, sites de bibliotecas virtuais.

Escute aqui, no player, o boletim completo de Ana Elisa Santana com dicas de acesso também para as bibliotecas de universidades federais. As edições do Minuto Enem e do Pode Cair no Enem no programa Todas as Vozes estão disponíveis no www.radios.ebc.com.br/todas-vozes e no www.facebook.com/radiomecam.

Questões Enem? Dicas Enem? Informações Enem? Você encontra tudo aqui no Minuto Enem do Todas as Vozes.

Todas as Vozes vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h20 às 10h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro – 800 kHz, com apresentação do jornalista e radialista Marco Aurélio Carvalho.

EBC | 19/08/2015

WhatsApp para incentivar leitura


Por Debora Schilling Machry | Publicado originalmente em Porvir | 19/08/2015

Eu sou muito insistente na questão da escrita e da leitura. Como professora de ciências, eu mostro aos meus alunos que, assim como os músculos do corpo, o cérebro também precisa se exercitar e que lendo, ele se exercita. Apesar disso, a maioria deles não gosta de ler e tem dificuldades de concentração, precisando de motivação contínua para estudar. Além disso, eu tinha muita dificuldade na correção das atividades, devido aos inúmeros erros ortográficos feitos por eles. Então, decidi trabalhar a leitura de uma forma que envolvesse os estudantes. O problema é que a ideia era utilizar o celular para isso e, apesar de ser uma ferramenta incrível, seu uso é proibido em sala de aula. A diretoria recolhe os aparelhos no começo do dia.

Sendo assim, eu resolvi a questão de outra forma. Comecei a escrever artigos para a seção de opinião dos jornais de São Leopoldo, do Rio Grande do Sul, sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula com os 6ºs, 7ºs e 8ºs anos. Depois, eu tiro foto da página do jornal com o artigo publicado e mando para meus alunos pelo grupo do WhatsApp, para que eles leiam em casa pelo celular.

A partir dessa atividade, eu peço que eles respondam o que o artigo pode mudar ou alterar na aprendizagem em casa. Eles relatam as aplicações do que leram, mas também podem mandar fotos de animais que acham curiosos para trabalharmos em aula ou denunciar entulhos de lixo para que eu ligue para a prefeitura. A participação no grupo é também um trabalho social. Dessa forma, eu sei que estão aplicando o conhecimento passado presencialmente.

Depois de tudo isso, eu faço a hora do conto científico em sala. Para ler o artigo e discuti-lo com os alunos, eu crio um clima no ambiente: apago as luzes, levo uma vela ou vamos ler na rua, o que acaba envolvendo os estudantes.

É um projeto bem diferente na escola porque, de um modo geral, os professores têm medo do celular, porque é uma ferramenta nova e nem todo mundo se adapta. Eu mesma não tinha um smartphone, ganhei um esse ano. Foram os alunos que me ensinaram a usar o aparelho. Algumas coisas eu ainda não sei fazer, mas vou aprender. Eu perdi o medo.

O grupo do WhatsApp é mais um recurso didático. É uma prática que estamos desenvolvendo e aprendendo com ela. Eu nunca usei a tecnologia desse jeito, então eu estou achando ótimo. Os alunos estão aderindo aos pouco, mas todos que fazem parte dos grupos participam bem. Eles estão mais concentrados e conseguem entender melhor o que eu falo nas aulas. A leitura facilitou muito a aprendizagem.

Eu sei que a minha vocação é essa. É na escola que eu consigo fazer meu trabalho socioambiental. Sou respeitada pela minha profissão. Tudo isso me motiva a não desistir e me faz acreditar que a educação ainda vai ser valorizada.

Debora Cristina Schilling Machry

Debora Cristina Schilling Machry

Debora Cristina Schilling Machry é bióloga formada pela Unisinos, especialista em Microbiologia. É professora de Ciências da rede pública e privada. Já foi Supervisora da Educação Ambiental do município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Conselheira no Conselho do Meio Ambiente e interlocutora na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. Atualmente, escreve artigos de opinião para jornais regionais e coordena projetos socioambientais.