Saraiva lança novo aplicativo de leitura e vende eBooks com 80% de desconto


Com versões para iOS e Android o aplicativo Lev Saraiva foi desenvolvido pela empresa ucraniana Obreey Products

Em comunicado ao mercado, a Saraiva divulgou o lançamento de um novo aplicativo para leitura de e-books: o Lev Saraiva, disponível tanto para o sistema iOS como para Android. Segundo a empresa, trata-se de um “novo aplicativo gratuito para a leitura de livros digitais, desenvolvido para proporcionar a melhor experiência com e-books em qualquer dispositivo, hora e lugar“.

Ainda segundo o comunicado, “o aplicativo permite continuar a leitura do ponto exato onde foi interrompida, seja no próprio app em tablets e smartphones ou no LEV, o leitor portátil [e-reader] de livros digitais da Saraiva, criando, assim, um ecossistema integrado de acesso ao conteúdo“. E importante ressaltar que o aplicativo permite o acesso à biblioteca do usuário no ecossistema da Saraiva, mas, assim como os aplicativos Kindle da Amazon, não permite que compras de livro sejam feitas por meio dele. O novo aplicativo foi desenvolvido pela empresa ucraniana Obreey Products, que também produz uma linha de tablets androids e outra de leitores dedicados chamados PocketBook eReaders.

A Saraiva disponibilizou uma página com informações sobre o Lev Saraiva, que pode ser baixado aqui para a plataforma iOS e aqui para a plataforma Android. A empresa informa que já possui um catálogo de 50 mil e-books em português disponibilizado em sua loja.

O Lev, o leitor dedicado da Saraiva, acaba de completar seu primeiro aniversário no dia 5/8. E para comemorar o primeiro aniversário do seu gadget proprietário, a Saraiva vem desde a semana passada promovendo um mês com descontos de até 80% em seus e-books. As ações podem ser tanto instantâneas, durando apenas 24 horas, ou se estender por mais tempo. A loja também vem promovendo promoções de um título especial por dia, o que é bastante similar aos “Daily Deals” da concorrente Amazon. Entre as editoras participantes destas promoções estão Ediouro, Geração Editorial, LeYa e a própria editora Saraiva.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 31/08/2015

Relógio busca ajudar deficientes visuais a ler textos


Uma empresa sul-coreana desenvolveu uma forma de deficientes visuais lerem mensagens de texto.

O relógio inteligente Dot, que leva o nome da companhia, usa a linguagem braille, adaptada com o auxílio da tecnologia.

Eric Ju Yoon Kim, cofundador e presidente da fabricante, diz que apesar de o teclado ser pequeno, o método de “braille ativo” permite a leitura até mesmo de de textos mais longos, como livros digitais.

Publicado originalmente por BBC Brasil | 28 agosto 2015, às 20:43

Bibliotecas digitais vão democratizar acesso aos livros


Confira um bate-papo com Galeno Amorim, criador do Plano Nacional do Livro e Leitura

Galeno Amorim

Galeno Amorim

Galeno Amorim iniciou-se no jornalismo aos 15 anos. Trabalhou por quase duas décadas no jornal O Estado de São Paulo e acumulou passagens por algumas das principais redes de televisão do país. Nesse período, também foi professor do curso de Jornalismo
em Ribeirão Preto [SP], sua cidade natal. Envolvido desde sempre com projetos de fomento à leitura, ele próprio é autor de 17 livros e já realizou mais de 800 palestras no Brasil e no exterior em que busca estimular o debate sobre políticas públicas voltadas para o livro e a leitura. Além disso, tem seu nome ligado à criação de diversas instituições que lidam diretamente com o tema.

Já presidiu organizações internacionais como o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe [Cerlalc], o único na área do livro e da leitura ligado à Unesco, com sede na Colômbia. Também integrou a equipe do Ministério da Cultura durante o governo Lula, quando, em parceria com o Ministério da Educação, criou o Plano Nacional do Livro e da Leitura [PNLL], e presidiu a Fundação Biblioteca Nacional [FBN]. Nesta entrevista, realizada após a sua palestra Dos tablets de argila aos eBooks: Uma revolução na palma da mão, na UFMG, ele fala de sua infância, do engajamento em projetos relacionados à leitura no Brasil e das bibliotecas digitais, formato que, em sua avaliação, veio para ficar.

O sr. é um profissional engajado em ações que buscam incentivar a leitura. Como esse envolvimento começou?

Começou como leitor. Sempre gostei de ler muito. Fui crescendo e comecei a perceber o papel que o livro pode ter na vida das pessoas. Um papel transformador, enquanto ferramenta poderosa para abrir mentes e promover a cidadania. Quando me dei conta, já estava organizando concursos e projetos de incentivo à leitura. De repente, fui convidado a implantar um programa em minha cidade, por meio do qual foram abertas 80 bibliotecas em três anos, que fizeram aumentar muito o índice de leitura. A partir daí, as coisas foram acontecendo.

Como era a sua relação com a leitura na infância?

Minha mãe era analfabeta e meu pai trabalhava na zona rural. O livro não era algo tão presente em casa. Fui criado por uma família na cidade de Sertãozinho. Eis que uma das filhas dessa família quis ser professora e começou a levar um ou outro livro para casa. Quando ela se casou e mudou de lá, conseguiu montar uma coleção de livros do Monteiro Lobato. Eu viajava quilômetros e quilômetros por dia para poder ler esses livros. Até que um dia descobri uma biblioteca, que abriu um cenário maravilhoso pra mim. Eu não me recordo o nome do primeiro livro que li, mas era uma obra que tratava do cangaço. Era sobre um menino que sonhava ser cangaceiro e, de repente, se dá conta da triste situação do lugar em que morava.

Fale um pouco mais sobre a Árvore de Livros. Como funciona?

A Árvore de Livros é uma biblioteca digital que empresta e-books. É uma espécie de Netflix dos livros. Ela está implantada em mais de 500, quase 600 cidades em todos os estados brasileiros. Nessa plataforma, o leitor pode ler em tablets, smartphones e notebooks mais de 14 mil livros de variados gêneros, exceto didáticos.

É uma oportunidade fantástica de facilitar o acesso à leitura. Uma biblioteca que nunca fecha. Como surgiu a ideia?

Eu passo a vida pensando que existem cerca de 140 mil escolas sem bibliotecas no Brasil. Então, sempre pensei em maneiras de atender às demandas, acreditando que a tecnologia vem para resolver um problema concreto.

O que o bibliotecário precisa fazer para lidar melhor com essas novas plataformas digitais?

Primeiramente, o bibliotecário e o estudante de Biblioteconomia devem se dar a oportunidade de conhecer essa possibilidade de leitura. Hoje, há uma quantidade expressiva de leitores que aderem a esse formato, além de um número significativo de jovens que estão prontos para começar a ler digitalmente. Se o bibliotecário não se apodera dessa ferramenta, ele terá dificuldades em fazer a mediação. Então, o primeiro passo é esse: conhecer, se informar e começar a ler digitalmente.

Na palestra de hoje, o sr. questiona o preparo de nossas escolas e bibliotecas frente à chegada dos livros digitais. Acredita que as nossas instituições de ensino estejam prontas para receber e trabalhar com os e-books?

Na verdade, de certa forma, o mundo ainda não estava preparado para receber os livros digitais. Não se trata apenas das escolas. Ninguém estava preparado. Agora é hora de correr atrás do tempo perdido. E aí eu me refiro às próprias bibliotecas, às universidades, aos gestores, aos governos e a todos os setores.

Como avalia o comportamento dos leitores no Brasil, principalmente os jovens, em relação às novas plataformas de leitura, como os e-readers?

Os jovens adoram quando colocados frente a frente com essas oportunidades de leitura digital. Eles têm uma reação altamente positiva. Eu tenho sentido isso com crianças e adolescentes de diversas classes sociais e regiões do Brasil. É algo que tem feito parte da rotina deles. Gerações que acordam e dormem com smartphones e que são muito aderentes a essas tecnologias.

Uma pesquisa feita recentemente pela Bookwire, especializada em distribuição de e-books, diz que as vendas de livros digitais na América Latina devem saltar de 1% para 10% a 15% do total de livros comercializados até 2020. Como as editoras devem
se comportar frente a essa previsão?

Essa pesquisa confirma uma tendência que nós já podemos observar no dia a dia. O mercado editorial está cada vez mais aberto para o digital. Editoras tradicionais que até um ano atrás não se abriam para o e-book – seja para vender ou emprestar – agora já fazem parte de projetos de empréstimos. Elas estão percebendo que algo está acontecendo. As vendas de livros digitais dessas editoras podem representar apenas 3% ou 4% do faturamento, mas há uma tendência a aumentar. E se elas não se prepararem agora, serão atropeladas pela história.

O sr. acredita que há alguma diferença na incorporação dos e-books por escolas públicas e privadas? Se existe, qual é?

Há escolas particulares com problemas e outras que são formidáveis. Há escolas públicas que estão utilizando maravilhosamente bem e aquelas com dificuldades em aderir. Isso significa que o digital depende muito do papel do mediador de leitura. O bibliotecário tem um papel muito mais nobre nesse processo que começa a acontecer agora.

Do ponto de vista pedagógico, quais as vantagens e desvantagens do uso dos e-books nas escolas brasileiras?

Eu não vejo desvantagens. As vantagens que eu vejo são redução de custos, universalidade do acesso e aumento da quantidade de livros disponíveis.

Quais devem ser as estratégias dos governos para que a leitura seja parte efetiva e importante no projeto pedagógico das escolas?

Os governos precisam apoiar projetos de implantação de bibliotecas digitais nas escolas, que devem ser acompanhados de workshops, seminários e atividades de formação dos educadores e bibliotecários, além de dar suporte às políticas de fomento à leitura, como clubes de leitura digital nas redes sociais.

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio RJ, divulgada recentemente, mostrou que 70% dos brasileiros não leram nenhum livro em 2014. O que precisa ser feito para melhorar esse cenário?

Essa é uma das pesquisas. Tem outras. Eu não conheço seus critérios e amostras. Mas posso dizer com propriedade sobre a Retratos da Leitura no Brasil, que eu conheço e cuja metodologia ajudei a desenvolver. Essa pesquisa mostrou que há uma pequena redução do índice de leitura, mas também um aumento da população leitora. Ou seja, tem mais gente lendo, porém, há também outras mídias disputando a atenção dos leitores por meio de outras oportunidades de entretenimento e lazer cultural. Temos que criar novas ações para mudar esse cenário, e as políticas públicas têm muita relevância nisso.

O sr. acredita que os índices de leitura no Brasil estão relacionados à renda da população?

Sim. Estão ligados a dois fatores, na verdade: à escolaridade, principalmente, e à renda. Isso não quer dizer que quem tem mais renda lê mais. Quem tem mais recursos tem também maior acesso a bens culturais, como teatro, televisão com canais pagos e livros. À medida que aumenta a renda e a escolaridade, aumenta o índice de leitura. As possibilidades de acesso a esse universo cultural tornam-se muito mais amplas.

Crê que a tecnologia é capaz de democratizar o acesso à leitura?

Eu acredito que a tecnologia é uma grande oportunidade que a civilização moderna tem para ampliar o acesso à leitura. É uma possibilidade também de diminuir o fosso social e, ao mesmo tempo, promover inclusão tecnológica, contribuindo para o acesso à educação.

Em tempos de vasto fluxo de informações na internet, ainda há espaço para o livro como ferramenta de consulta?

Eu acredito que sim. Mas esse questionamento entre físico e digital não tem a menor relevância. O que importa mesmo é o conteúdo.

CRB-6 Informa | n. 1/2015

Novas formas de leitura


Roger Chartier

Roger Chartier

Entender a lógica da cultura letrada no mundo digital é um dos enigmas da contemporaneidade. De acordo com o francês Roger Chartier, autor de estudos clássicos sobre o tema, ocorrem rupturas radicais na passagem do impresso para o digital. No entanto, “a chave do futuro”, em sua opinião, encontra-se na transformação de conceitos fundamentais do dia a dia, como amizade, identidade, autenticidade. As mudanças na cultura letrada só poderão ser compreendidas à luz dessas viradas maiores. Nesta entrevista ao Valor, no intervalo de compromissos acadêmicos em Belém, Chartier analisa os sentidos da tradução na globalização e as novas formas de leitura compartilhadas e cartográficas.

Por Rachel Bertol | Leia mais em Valor Econômico | 28/08/2015

O eBook da discórdia


Editora que publicou ’50 Tons’ online deve pagar soma milionária a sócia

Primeiro livro da série '50 Tons' já foi adaptado para o cinema

Primeiro livro da série ’50 Tons’ já foi adaptado para o cinema

Uma americana que ajudou a publicar a série de livros 50 Tons mas ficou sem receber direitos autorais pode ter direito a ganhar milhões de dólares de indenização.

A Justiça dos Estados Unidos determinou que a australiana Amanda Hayward reservasse US$ 10,7 milhões [mais de R$ 38 milhões] para Jennifer Pedroza, que mora no Texas.

As duas foram sócias em uma pequena editora online que inicialmente lançou na forma de e-book a trilogia de livros eróticos – a qual acabou se transformando em sucesso mundial e filme hollywoodiano.

O e-book então se popularizou e atraiu a atenção da editora Random House, que acabou comprando os direitos autorais. Em fevereiro, um júri nos EUA decidiu que Pedroza foi ludibriada nessa transação efetuada por Hayward, por ter recebido um único pagamento de US$ 100 mil.

Agora, o juiz responsável pelo caso advertiu que a indenização a ser paga por Hayward será definido após um acordo entre as duas partes.

A decisão judicial afirma que Hayward, que assinou o acordo de venda em nome da empresa das duas, a The Writers Coffee Shop, enganou Pedroza de forma a fazer com que a americana assinasse um contrato que a excluía do recebimento dos direitos autorais.

A trilogia 50 Tons, de E.L. James, já vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo. Uma adaptação para o cinema do primeiro livro, 50 Tons de Cinza, foi lançada neste ano e arrecadou mais de US$ 570 milhões [mais de R$ 2 bilhões] no mundo todo.

Publicado originalmente por BBC BRASIL | 27/08/2015

O que vende livros: do boca-a-boca ao byte-a-byte


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 27/08/2015

‘Booktubers’ e ‘instabookers’ põem o livro na rede

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

“Busdoor” há de ser a palavra mais feia da língua portuguesa. Ela veio de outra palavra troncha, quando um publicitário substantivou o adjetivo inglês “outdoor” [ao ar livre] e outro engatou o prefixo “bus”. “Busdoor”: em inglês, “porta de ônibus”, em português: um cartaz colado em um ônibus [mas não na porta].

Faço essa digressão etimológica porque há não muito tempo editoras achavam que o que vendia livros era o busdoor. Com o detalhe que as linhas de ônibus disputadas pelas editoras não era as que circulassem mais. Eram as que passassem pela casa ou trabalho dos compradores das grandes livrarias.

Mas estou no mercado há tempo suficiente para lembrar que o que vendia livro mesmo era uma nota na Veja ou uma entrevista no Jô Soares [ainda no SBT]. Quando acontecia uma dessas epifanias, a gente corria para comunicar às livrarias… por fax [#PaleolithicFeelings] e ficava esperando os pedidos. Era o que vendia livro naquela época.

E hoje, o que é que vende livro?

Não, eu não tenho a resposta, só tenho a pergunta. Mas tenho conversado, feito pesquisas, hipóteses. Já notei, por exemplo, uma inversão estratégica. Tradicionalmente, o marketing e a propaganda dos livros seguiam um caminho oblíquo. Primeiro comunicávamos à imprensa, esperando que elas convencessem as livrarias [para onde enviávamos fax e e-mails com as matérias] para que as pilhas de livros estimulassem um consumidor final e, quem sabe, conjurassem aquilo que, ontem, hoje e amanhã, é o que realmente vende: o boca-a-boca. Com as conexões digitais, o caminho não somente ficou mais direto, entre editora e leitor, como também inverteu a mão — a conversa muitas vezes começa no leitor.

Booktuber Bruno Miranda achou quase meio milhão de pessoas para 'conversar'sobre 'Destrua esse diário' no YouTube | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Bruno Miranda achou quase meio milhão de pessoas para ‘conversar’sobre ‘Destrua esse diário’ no YouTube | © Foto do seu perfil no Facebook

Tome-se o exemplo dos “Booktubers”. Gente que grava seu depoimento [quase sempre entusiasmado] sobre um livro e espalha pelo YouTube. O que já é um movimento sério começou na empolgação. “Acho que a motivação principal foi ter descoberto uma coisa nova para mim e querer espalhar para todo mundo. Como não tinha ninguém com quem falar sobre livros, fui para a internet”, explica Bruno Miranda, do canal Minha Estante, que achou quase meio milhão de pessoas para “conversar”, com sua video resenha de Destrua esse diário. Booktubers populares interagem com o público, que facilmente ultrapassa a casa dos cem mil e extravasa para a vida “offline” causando alvoroço em bienais e lançamentos. Pam Gonçalves, booktuber do Garota It, acaba de anunciar o passo natural: vai passar de resenhadora para escritora, e dos seus 120 mil seguidores virão seus leitores.

É o círculo perfeito: booktubers que promoviam os livros tornam-se autores de livros que serão resenhados por booktubers. E seguem o caminho de outros autores que passaram dos blogs e vídeos do YouTube para as listas de mais vendidos, como Isabela Freitas, Bruna Vieira, Kéfera Buchman, Christian Figueiredo — este último cativando um público de 4,5 milhões entre assinantes, face-amigos e seguidores.

No Instagram, o popular @christian_fig passa de um milhão de seguidores, mais ou menos o mesmo que o anônimo por trás da conta @trechodelivros. Este meio social foi criado para compartilhar imagens, mas foi adaptado para mostrar e falar de livros. Pululam na rede contas do @Instagram para publicar resenhas, debater enredos e personagens, sugerir leituras, ou mesmo para mostrar [ou ostentar] livros. “Bookgramers”, “Instabooks”, “Bookigers” — não sei se há um nome para o movimento, mas pela quantidade de “likes” e interações, sei que as editoras [e os autores] têm que fazer parte da conversa. De fato, os selos mais populares [ou eficientes] já aparecem no feed de mais de 100 mil seguidores. E mais do que aparecer: as editoras formam parcerias.

Alguns canais podem influenciar de forma bastante intensa, pois são formadores de opinião e ajudam muito no boca a boca. […] A mídia tradicional não consegue abrir espaço para todos”, comenta Cíntia Borges, da Rocco. As parcerias entre as editoras e os blogueiros, youtubers e iggers geralmente envolvem kits de imprensa, exemplares para sorteio, encontros e paparicos. Embora alguns influenciadores tenham receitas significativas [entre royalties do YouTube, participações em eventos e alguns posts publicitários], este ainda é um negócio amador, no estrito senso: feito por quem ama ler. Porém em força e volumes já superam os profissionais — há influenciadores com público maior do que o dos grandes jornais, e em constante interação. Se a audiência dos booktubers e instabookers extrapolar o núcleo jovem-adulto-nerd, este deixará de ser o canal alternativo para tornar-se, de fato e direito, o “o que vende livro” dos próximos anos.

Que mais não seja, participar da grande conversa litero-digital é indispensável para quem trabalha com livros. Para a escritora [e blogueira da Companhia das Letras] Socorro Acioli, “o movimento dos booktubers é um material precioso para quem tem interesse na literatura e nas diversas facetas do mundo editorial sob o ponto de vista de quem compra e lê muito. Nesse momento confuso, quando o mercado precisa se reinventar, nada mais importante do que ouvir os leitores reais. Atentamente. Canal por canal”.

Quem não cair na rede, cai fora.

Julio Silveira

Julio Silveira

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 27/08/2015

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros [Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital. Sua coluna aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes,

A construção de um cânone na esfera digital


Por Ednei Procópio

A I Feira Nordestina do Livro [Fenelivro], inicia amanhã [28] e vai até o próximo dia 7 de setembro. O evento, promovido pela Associação do Nordeste de Distribuidores e Editores de Livros [Andelivros] e pela Câmara Brasileira do Livro [CBL], em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco [Cepe], será realizado no Centro de Convenções de Pernambuco.

É a primeira edição do evento. Pelo que pude apurar, a I Feira Nordestina do Livro terá uma programação com workshops, palestras, minicursos e vai contar com uma área de 4 mil m², cerca de 200 estandes e mais de 200 autores convidados. A previsão, segundo os organizadores, é a de que o evento atraia cerca de 150 mil visitantes.

Entre um dos espaços do evento estaremos eu, Maurem Kayna e meu amigo Roberto Bahiense, da Nuvem de Livros, com quem venho trocando ideias e experiências nos últimos anos sobre os eBooks [no Brasil e no mundo].

Achei um pouco exótico o título da nossa mesa na Fenelivro, “A construção de um cânone na esfera digital“, mas, como evangelista dos livros digitais em pelo menos uma década e meia, estou tentando tirar de qualquer iniciativa algum resultado prático que possa ajudar-nos com modelos flexíveis e assertivos para o nosso mercado.

O mercado editorial está inserido em uma esfera de oportunidades que poderia resolver questões seculares, aqueles problemas que não eram possíveis de se solucionar até o advento da Internet. Mas, antes de elucubrações imprecisas, precisamos conceituar o que seria esta esfera digital da qual trata o título da mesa. Esta esfera pode ser a própria digitalização da economia industrial do livro ou até mesmo, preciso melhorar meu entendimento sobre esse assunto, a economia do compartilhamento das coisas.

É fato que o número de superfícies para o acesso, consumo e leitura dos livros, nesta esfera digital, só cresce. A base instalada de devices que podem portabilizar os livros chegam hoje a casa dos 180 milhões de telas. Segundo pesquisa realizada pela eMarketer, o Brasil é o 6º país com o maior número de smartphones. Uma projeção realizada pela mesma empresa norte-americana, revela que em 2018 o Brasil terá 71,9 milhões de smart devices. E, segundo os números da FGV [de abril de 2015], o número de hardwares conectados à verdadeira grande rede de relacionamentos, a Internet, já ultrapassa a casa dos 306 milhões.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um mercado na qual sempre nos espelhamos, 84% da população possui celulares inteligentes capazes de portabilizar os livros, e é por esta mesma razão que 54% de smartphones são utilizados para leitura naquela região.

A abundância de reading devices, no entanto, cuja onipresença não garante conexão, não garante também mais eficiência na publicação, comercialização e divulgações dos livros. A questão central que talvez o mercado editorial ainda não tenha enxergado é que a esfera digital na qual vem se inserindo é repleto do que eu chamaria de “zonas de contradições”, eclipsadas por outras esferas políticas, sociais, econômicas e educacionais.

E é nesse contexto que Maurem Kayna, Roberto Bahiense, e eu, iremos conversar, trocar ideias e experiências para encontrar instrumento de medida, um cânone, ou um conjunto de modelos, capaz de eliminar da indústria criativa do livro suas históricas “zonas de contradições”.

Nos vemos por lá!

Anote aí na sua agenda!

A construção de um cânone na esfera digital
I Feira Nordestina do Livro | Fenelivro
Dia 03/09, quinta-feira, às 15h
Centro de Convenções de Pernambuco, Sala Ariano Suassuna
Com Maurem Kayna, Ednei Procópio [Livrus] e Roberto Bahiense [Nuvem de Livros]

Dicas práticas para produção de ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Em meu último texto, chamei atenção para algumas questões de cunho teórico que precisam ser levadas em conta quando se trata de produzir em ePub3. Dando continuidade a esse mesmo assunto, gostaria de destacar aqui alguns outros tópicos, agora de caráter mais prático. Não será um texto com tutoriais, mas com dicas gerais, inclusive de fluxo de trabalho.

Antes, vale dizer que a mesma ressalva feita no primeiro texto vale também para este: o que tenho em mente são livros de texto, não layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para outra ocasião.

1. Permanecendo no Sigil até o limite

O Sigil, editor de ePub gratuito e open source que todos nós amamos, ainda não dá suporte para o ePub3, de modo que, quando um e-book já está no novo formato, o programa não é capaz de editá-lo corretamente. É bom evitar até mesmo abrir um ePub3 no Sigil, pois o código do arquivo pode acabar alterado. No entanto, o Sigil permanece sendo um dos melhores recursos na produção como um todo de um ePub3, mesmo que não seja possível editar diretamente nele.

E isso porque você não precisa, logo de saída, já ter um ePub3. Uma vez que o Sigil é tão prático, o melhor é extrair dele todo o possível antes de deixá-lo.

A recomendação é a seguinte: trate seu e-book como um ePub2 tradicional nas etapas iniciais da produção. Você pode convertê-lo pelo InDesign ou outro método do seu agrado, realizar a adaptação do projeto, inserir fontes e imagens, deixar o arquivo pronto para a revisão e inserir as emendas apontadas, tudo exatamente como teria feito por padrão se o e-book não fosse ganhar uma versão avançada. Só então, quando essas etapas [inclusive correções de texto] estiverem concluídas, prossiga para a conversão para ePub3.

Essa organização tende a otimizar o tempo, pois, do contrário, seria necessário utilizar um editor de HTML desde o início, além de compactar diversas versões do mesmo arquivo para realizar testes nos aplicativos. Concentrando a produção no Sigil até que este não possa mais ajudar, tem-se um processo mais fluído.

No caso de um projeto amplo, em que um livro precisa ter também uma versão ePub2, essa recomendação é ainda mais enfática, afinal esse arquivo será de fato necessário.

2. Conversão

O Sigil pode ser utilizado inclusive para converter seu arquivo ePub2 para ePub3. Com alguns cliques — como falei no primeiro texto, essa parte não é nem de longe a mais difícil –, você usa o plugin ePub-itizer e obtém uma versão confiável do arquivo no qual já vinha trabalhando atualizada para o novo formato. É a partir desse momento que o Sigil não poderá mais ser usado para edição. Lembre-se: você tem um arquivo já bem-encaminhado, com imagens e fontes já inseridas, bem como emendas de texto. Tudo que é comum entre o ePub2 e o ePub3 já está feito. O que vem agora é que será particular desse último.

3. Compiladores e editores de HTML

De agora em diante, você terá de trabalhar com seu arquivo descompactado. Para descompactá-lo, você pode utilizar programas como o ePubPackePubZip/Unzip [os mesmos podem ser utilizados depois para compactar] ou até mesmo abrir o ePub pelo WinRar e arrastar os conteúdos para uma pasta separada. Para editar as páginas agora descompactadas, será necessário um editor de HTML, comoNotepad++TextWrangler. Lembre-se: agora as facilidades do Sigil acabaram. Se novos arquivos, como áudios e vídeos, forem inseridos, terão de ser manualmente. Isso significa inclusive declará-los no content.opf.

4. Uma palavra sobre áudios e vídeos

Áudios e vídeos podem ficar estocados na pasta Misc, padrão em ePubs, mas você também pode, para melhor se organizar, criar pastas específicas [uma pasta “Audio” e outra “Video”].

Já que estamos falando sobre áudios e vídeos, um toque sobre suporte. Como tantos outros recursos do ePub3, estes dois não funcionam em todas as plataformas. De todas, a Apple é a quem melhor suporte. Nas outras, há limitações. O app Android da Kobo, por exemplo, não roda áudios, embora os vídeos funcionem. O mesmo ocorre com a Amazon [que tem um formato próprio para livros avaçados, como destacado no texto anterior, mas que pode ser adaptado a partir do ePub3]. Na Google, os áudios e vídeos do ePub3 de teste que utilizei não abriram nem na plataforma iOS nem na Android.

O ideal é utilizar uma mensagem de fallback, que será visualizada caso o e-book seja aberto num ambiente de leitura que não suporta algum dos recursos, como apontado nesse texto.Basta inserir a mensagem dentro da linha de código que chama o áudio ou o vídeo.

Exemplo:

<audio src=”../Audios/audio-exemplo.mp3”><p>Este conteúdo não pode ser visualizado nessa plataforma</p></audio>
Assim, a mensagem alertará o leitor de que ali há um certo conteúdo que não está sendo visualizado.

5. Testes

Para testes, recomendo priorizar o iBooks, onde o maior número de recursos funciona. Isso não exclui, naturalmente, a necessidade de testar em outras plataformas, mas, para testes rápidos, me parece a melhor opção. E agora não é mais necessário passar por um processo longo [como subir o arquivo para uma conta no Dropbox e depois abri-lo no iPad ou iPhone] para jogar o arquivo no aplicativo, já que as versões mais novas do sistema operacional contam com o iBooks para Mac.

6. Notas em pop-up na Apple

Um recurso interessante, que já abordei em outro texto de cunho mais técnico. Outras plataformas, como Kobo e Kindle, já geram a visualização de notas na forma de pop-ups em e-books tradicionais automaticamente, mas, no iBooks, é necessário fazer adaptações — um pouco complexas, é verdade complexas — no código para que o recurso funcione.

Mas pode ser interessante atentar para esse recurso na plataforma da Apple para utilizá-lo para outros fins, uma vez que, para essa plataforma, utiliza-se o <aside> para produzir as pop-ups. Essa serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal, de modo que não é apenas nas notas que irá funcionar. Respostas para quizzes podem ficar escondidas até que um link seja acessado, por exemplo; ou, saindo um pouco da caixa, livros de ficção que se proponham interativos podem se valer dos pop-ups para escondem informações do leitor.

Esses foram alguns elementos que achei interessante destacar, muito com base na experiência que tive. Espero que possam ser úteis.

Até a próxima.

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Chorar ou vender lenço?


Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2015

Em um ano como este, em que o mercado e o país estão em crise, não nos resta outra opção que não seja inovar, com mais velocidade. Na maneira de pensar, de produzir, de gerar novas oportunidades e manter nossos negócios sustentáveis e saudáveis.

Estamos sentindo na pele a inflação e a desaceleração de muitas áreas da economia, mas alguns números continuam animadores. Segundo estudo publicado pela FGV em abril de 2015, o acesso à tecnologia no Brasil vem crescendo e o número de smartphones já bate a casa dos 154 milhões; tablets são 24 milhões e se totalizarmos os dispositivos conectados à internet, são 306 milhões.

Claro, ainda existem muitas questões a resolvermos, como o acesso à internet por um preço mais justo e devices mais baratos; lembro que no ano passado, na Itália, comprei um chip pré-pago por 20 euros mensais que permitiam 3 mil minutos para ligações, internet e SMS ilimitados. Muito diferente do que temos atualmente por aqui.

Isso pode parecer um problema, já que é isso, em essência, o que o mundo digital deve fazer: distribuir ainda mais conhecimento para um número maior de pessoas. Mas vamos falar dos fatos positivos. Hoje, temos, sim, um país onde uma parcela significativa da população utiliza celulares, tablets e computadores conectados à internet muitas horas por dia. Quando falamos especificamente do celular, esse número de horas aumenta exponencialmente. Sou um dos usuários que entra facilmente nessa estatística!

E aí surge uma questão, levantada pela amiga e companheira de aventuras digitais, Susanna Florissi: dizer hoje que o brasileiro não lê, não é uma verdade tão absoluta. O brasileiro lê, sim, e muito. Basta observarmos os celulares. O consumo de informação é imenso. Agora, se o que é consumido hoje tem qualidade, é uma outra história.

A questão é: temos um consumidor que já está com a tela na frente dele durante muitas horas do dia; ele já está conectado à internet e já lê de alguma maneira. O quanto estamos aproveitando este leitor para fazer com que ele troque a leitura de algo da internet por um livro, um conto digital que ele pode ler enquanto vai ao trabalho, ou, ainda, um livro que ele pode ouvir enquanto espera em uma fila qualquer?

Em um país continental como o Brasil, o digital pode representar uma maneira rápida, eficiente e barata de distribuir conteúdo de qualidade para um número cada vez maior de pessoas, através da internet, para que leiam em um aparelho com o qual já estão familiarizados e usam cada vez mais, para um número maior de atividades.

Na minha visão, chegar ao leitor final é o maior desafio e pode ser a maior recompensa, seja para conquistar um novo público, seja para capilarizar as vendas e não ter a maior parte do faturamento concentrado em um único grande cliente.

O leitor tem cada vez mais o poder de escolha na compra. Agora, não são só as editoras que escolhem o que colocar no mercado; os leitores ditam as regras. Então, parece fazer muito sentido aproveitar este consumidor digital para construir clientes e leitores fiéis.

Afinal, “enquanto uns choram, outros vendem lenço”.

André Palme

André Palme

Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2015

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Iniciou seu contato profissional com e-books em 2013. Foi o responsável pela entrada no mercado digital da Editora DSOP. Foi palestrante na Feira de Frankfurt 2014, além da participação em feiras nacionais e internacionais. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 150 e-books e audiolivros publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality show brasileiro, em parceria com o SBT. Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

TRE-PB lança sua biblioteca digital


O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba [TRE-PB], desembargador João Alves da Silva, fez o lançamento, na sessão plenária da última quinta-feira, dia 20, da ferramenta denominada Biblioteca Digital.

Trata-se de importante serviço que, atendendo a antigo pleito das Zonas Eleitorais, proporcionará o acesso remoto a extensa lista de livros e periódicos de diversos temas, enriquecendo e complementando o acervo da biblioteca física do Tribunal.

O presidente ressaltou que, neste primeiro momento da biblioteca digital, além de todos os códigos e Constituição Federal diariamente atualizados, estarão colocados à disposição dos interessados 16 periódicos – nas áreas: jurídico, gestão de pessoas, administração e tecnologia da informação, e mais 200 livros de escritores renomados.

Para ter acesso a essa plataforma digital, basta que os usuários – Membros da Corte, Juízes, Promotores, servidores, advogados e estudantes -, estejam logados na rede de computadores da Justiça Eleitoral, de modo que para estes últimos já estão disponíveis duas máquinas na sede do Tribunal: uma na sala da OAB, e outra na sala da biblioteca, ambas localizadas no 1º andar.

Em sua fala, o desembargador João Alves lembrou que o TRE da Paraíba é o terceiro dos Eleitorais a utilizar e disponibilizar esse serviço: “Somos o terceiro Regional a utilizar essa biblioteca; esse serviço vai contribuir de forma decisiva para a disseminação do conhecimento a todos os interessados”, afirmou.

A Biblioteca Digital pode ser acessada através da Intranet do Tribunal, pela aba “Acesso Rápido”, devendo ser utilizado o navegador Mozilla Firefox.

Fonte: http://www.pbagora.com.br | 25/08/2015

Número de bibliotecas digitais aumentou nos últimos anos


O número de bibliotecas digitais e virtuais tem aumentado nos últimos anos. Uma das razões é o surgimento de programas gratuitos, como o DSpace, o Greenstone e o Fedora, que facilitam a construção desses repositórios de informações na internet.

Por conta disso, diversas instituições, tanto do setor público como privado, estão criando bibliotecas digitais em diferentes áreas, tais como educação, cultura e ciência”, disse Murilo Bastos Cunha, professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília [UnB], durante palestra em evento comemorativo dos dez anos da Biblioteca Virtual [BV] da FAPESP, realizado no dia 21 de agosto de 2015 na FAPESP.

As bibliotecas digitais começaram a ter maior desenvolvimento a partir de 1996, quando iniciou a fase comercial da internet no país. Nesse período, bibliotecas tradicionais, que até então estavam muito focadas na preservação de seus acervos e na provisão de acesso físico de publicações impressas, passaram a desenvolver sistemas de catálogo automatizado, de acesso público.

Esses sistemas de catálogo automatizado possibilitaram que os acervos das bibliotecas, que até então estavam confinados em um espaço físico restrito, pudessem ser conhecidos por um número muito maior de pessoas em nível nacional e internacional”, disse Cunha.

Uma das vantagens das bibliotecas digitais, na avaliação do pesquisador, é que elas possibilitam aos usuários não só ter acesso, como trabalhar diretamente com as versões eletrônicas de documentos completos, de qualquer lugar e a qualquer tempo. Além disso, permitem maior agilidade no intercâmbio de informações com outras bases de dados.

Mediante metadados e protocolos de intercâmbio de informação, as bibliotecas digitais podem compartilhar facilmente dados contidos em seus registros e melhorar sua operabilidade”, disse Cunha.

Desde 2009, a BV-FAPESP tem adotado uma série de medidas para aumentar a interoperabilidade com sistemas internos e externos à Fundação. Uma das medidas foi a importação de dados referenciais de artigos científicos resultantes de auxílios e bolsas concedidas pela FAPESP, publicados em periódicos científicos indexados nas bases de dados da Web of Science e do SciELO, além de teses e dissertações provenientes de bibliotecas digitais das três universidades públicas estaduais paulistas: a Universidade de São Paulo [USP], a Universidade Estadual de Campinas [Unicamp] e a Universidade Estadual Paulista [Unesp].

Além disso, foram desenvolvidos diversos recursos para aumentar a funcionalidade da biblioteca virtual, como perfis dos pesquisadores que têm ou tiveram projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP. A página reúne links para o currículo Lattes, My Citation e ResearchID do pesquisador, quando disponível, além de palavras-chave representando suas linhas de pesquisa e suas publicações científicas apoiadas pela Fundação, desde que citado o agradecimento à FAPESP e o número do processo no artigo científico publicado.

A BV-FAPESP, inicialmente mais preocupada com a indexação da literatura científica, passou a ser nos últimos anos um sistema de informação referencial de acesso público sobre os auxílios e bolsas concedidos pela FAPESP, incluindo as referências dos resultados das pesquisas realizadas”, disse Rosaly Favero Krzyzanowski, coordenadora da BV, em palestra durante o evento.

Com a implantação dessa série de melhorias, pudemos observar que, a partir de 2009, houve um aumento de 896% em relação a 2008 no número de visitas à BV-FAPESP, que vem crescendo paulatinamente e hoje atinge a marca de mais de 4 milhões de acessos anuais”, detalhou.

A BV-FAPESP conta atualmente com 200 mil registros de Auxílios à Pesquisa, Bolsas no País e Bolsas no Exterior concedidos pela FAPESP, mais de 58 mil registros de publicações científicas resultantes desse apoio e 18 mil registros de publicações acadêmicas [teses e dissertações], desde 1992.

Os cerca de 40 mil registros relativos ao período 1962-1991 já foram digitalizados e estão sendo padronizados para integrar o acervo da BV-FAPESP a partir do final do ano. A BV-FAPESP, como explica Krzyzanowski, tem informações referenciais e links para textos completos de artigos científicos publicados em revistas eletrônicas, ou indexados em repositórios de produção intelectual, diferentemente de bibliotecas digitais ou de repositórios, que contêm textos completos.

Referência importante

A BV-FAPESP dá uma valiosa contribuição para ampliar o acesso ao conhecimento científico e tecnológico produzido em São Paulo, tanto em nível nacional como internacional, por meio da divulgação das pesquisas financiadas pela FAPESP e, além disso, para preservar e disseminar a memória da Fundação”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP, na abertura do evento.

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, destacou que, além de auxiliar a comunicar para o contribuinte paulista e para o mundo as atividades da Fundação, usando as ferramentas de internet, a BV-FAPESP também é um instrumento importantíssimo para o próprio trabalho da instituição.

A BV-FAPESP é muito utilizada pela diretoria científica e pelos assessores das coordenações de área da FAPESP para analisar os projetos que requerem apoio da Fundação”, afirmou. “Ao analisar um projeto, é possível saber por meio da BV-FAPESP se o proponente já teve outros projetos apoiados, por exemplo”, disse Brito Cruz.

Também participaram do evento o diretor administrativo da FAPESP, Joaquim José de Camargo Engler, e Carlos Vogt, ex-presidente da Fundação e atual presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo [Univesp].

Por Paulo Floro | ne10 | Da Agência Fapesp | 25/08/2015

Brasil ganha mais dois concorrentes na gestão de metadados


CBL anuncia, na Bienal do Rio, a Books in print, ligada à Frankfurt; e Eduardo Blucher lança a ferramenta Mercado Editorial

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © www.mercadoeditorial.org

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © http://www.mercadoeditorial.org

Não raro, os colunistas do PublishNews apontam que um dos maiores gargalos do mercado editorial brasileiro é, ainda, a gestão de metadados. Em 2011, por exemplo, Camila Cabete escreveu: “publicar um livro sem metadados é como ter um filho e não dar nome ao coitadinho”. Em 2012, ao participar do debate “Dilemas e conflitos do mercado editorial”, na Bienal de SP, Felipe Lindoso creditou à falha gestão dos metadados o problema da “descobertabilidade”: “o livro brasileiro não é achado, é patético descobrir algo que você não conhece em uma livraria”. Mais recentemente, o colunista voltou ao assunto ao escrever, em março passado: “o pior é que as editoras brasileiras simplesmente mal sabem o que são metadados, não têm ideia de como incluir tags significativos do conteúdo de seus livros”. O assunto, então, deixou de ser apenas a pauta das discussões e passou a fazer as engrenagens do mercado rodarem. Do início de 2014, para cá, o PublishNews noticiou a chegada da Bookwire, que, além da distribuição, faz também a otimização de metadados, e a mudança no modelo de negócios da Digitaliza Brasil que também passou a prestar o serviço. Em 2015, noticiamos a criação da Ubiqui, plataforma que promete reduzir custos com metadados em até 70%. Mais recentemente, a Bookpartners lançou o Portal do Editor, ferramenta pela qual editores podem revisar e atualizar produtos já cadastrados no sistema da holding. Agora, para os próximos dias, duas novidades prometem dar mais força a esse mercado. É que, ainda em agosto, Eduardo Blucher promete colocar no ar o Mercado Editorial e, no dia 2 de setembro, a CBL e a MVB [empresa coligada à Feira do Livro de Frankfurt] anunciam a chegada do serviço Books in Print Brasil.

Os serviços têm em comum um painel de controle por onde editores fazem o upload das informações dos seus livros e as ferramentas padronizam conforme as necessidades de cada um dos varejistas. A Books in print Brasil leva a chancela da MVB, subsidiária da Associação de Editores e Livreiros Alemães, e tem mais de 40 anos de experiência na Alemanha. A vinda da empresa para o Brasil é fruto da parceria entre CBL e a Feira do Livro de Frankfurt, que apresentaram, no começo da semana passada, o projeto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES]. O modelo de negócios da nova empresa no Brasil ainda está em discussão. Na Alemanha, editores pagam por títulos cadastrados e distribuidores, atacadistas e quem quiser os metadados pagam por uma assinatura que varia de acordo com o tamanho da empresa. Os principais clientes lá na Alemanha são: Amazon, Nielsen, GfK e Bookwire. “O trabalho conjunto da Feira do Livro de Frankfurt com a MVB, em parceria com a CBL, vai trazer para o Brasil a mais completa e moderna plataforma de metadados do mercado. Um grande diferencial que a nossa plataforma tem é o uso de algorítimos que garante uma inteligência ao nosso banco de dados. Isso mantém o padrão de entradas, o que dá mais qualidade ao metadado cadastrado”, afirma Ricardo Costa, representante da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. A previsão é que a empresa comece a operar dentro de um ano.

No caso da Mercado Editorial, o serviço de disparo de metadados será gratuito. Eduardo Blucher disse ao PublishNews que estuda cobrar por serviços avançados. “Optamos pelo modelo freemium nesse primeiro momento. Nem editoras e nem livrarias pagarão pelo serviço. Após lançada a plataforma, vamos testar com o mercado as formas de cobrar pelo serviço”, aponta. Blucher prevê o início das operações ainda no mês de agosto.

ISBN
O projeto da CBL prevê que o Books in print seja, além de uma plataforma de gestão de metadados, também a entrada nos cadastros de ISBN no Brasil. Caso o projeto ande, as editoras farão o input dos dados pela plataforma que se responsabilizará pela inscrição dos metadados na Biblioteca Nacional. “É assim que funciona na Alemanha. É uma experiência já consagrada”, aponta Luis Antonio Torelli, presidente da CBL. Outros projetos já foram iniciados pela Câmara, mas sem grandes sucessos, lembra Torelli. “Há alguns anos, os espanhóis cederam uma plataforma que acabou não funcionando. Abandonamos o projeto. A obsolescência de projetos assim é muito grande. A atualização constante do serviço está no DNA da empresa alemã. A pergunta que devemos nos fazer é: vamos continuar tentando ou vamos partir para uma experiência já consagrada? Não podemos errar de novo”, define Torelli.

O Books in print será apresentado oficialmente no dia 2 de setembro, das 15h às 17h30, no Hotel Grand Mercure [Av. Salvador Allende, 6.555 – Rio de Janeiro/RJ]. Na ocasião, Ronald Schild, CEO da MVB, vai apresentar a ferramenta. Segundo disse Torelli ao PublishNews, o CEO fará também uma reunião com a Fundação Biblioteca Nacional para apresentação do projeto e das possibilidades de integrar a plataforma ao serviço de cadastro do ISBN. Para a apresentação do dia 2, é necessário confirmar presença pelo e-mail eventos@cbl.org.br até o próximo dia 28.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 24/08/2015

Uso de aplicativos para celular ganha força na escola


Por Paulo Saldaña | Publicado originalmnte em O Estado de S. Paulo | 24 Agosto 2015, às 03h

Conteúdo para smartphone já é elemento importante de apoio; alunos e professores exploram tecnologia na aprendizagem; Especialistas cobram que recursos pagos pelo governo sejam abertos

Tecnologia e educação sempre tiveram uma relação difícil, sobretudo dentro da sala de aula. Embora o modelo de escola tenha pouco se alterado com o passar dos anos, a cultura digital é uma realidade entre alunos e professores – o que tem desafiado a tradição. Com a disseminação dos smartphones, escolas, governos e demais instituições se voltam para potencializar essa tecnologia na melhoria do ensino e da aprendizagem.

A Fundação Lemann, por exemplo, vai iniciar uma nova linha de atuação voltada para aplicativos móveis de educação gratuitos. “A sociedade como um todo já viveu essa revolução tecnológica e, infelizmente, nesse contexto, a escola ficou para trás”, explica o diretor da fundação, Denis Mizne. “O caminho agora é proporcionar para alunos, professores e gestores escolares o que já é uma realidade fora da escola.

A mais recente pesquisa TIC Kids Online, realizada pelo Comitê Gestor da Internet, mostrou que, pela primeira vez, em 2014, o acesso à internet por celular no Brasil foi maior do que por computadores: 82% acessam pelo celular, enquanto 56% usam o desktop.

Os resultados se referem a jovens de 9 a 17 anos de idade. As redes sociais são o maior atrativo, mas 68% dos jovens usam a web para trabalhos escolares.

Isabela dos Santos, de 12 anos, estuda Inglês pelo celular, com o aplicativo gratuito Duolingo, e Biologia pelo YouTube. “Eu nem sempre estou com livros, mas meu celular sempre está comigo”, diz a aluna do Colégio Dom Bosco, na zona norte de São Paulo.

A escola de Isabela vai passar a explorar um novo aplicativo focado no celular. “Funciona bem quando usado como mecanismo de interação em momentos específicos da aula”, diz Andrey Lima, diretor executivo do sistema Ari de Sá, adotado pelo Dom Bosco.

Leia Mais:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,uso-de-aplicativos-para-celular-ganha-forca-na-escola,1749345 Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias Siga @Estadao no Twitter

Isabela usa o celular para estudar inglês e assistir a aulas de biologia

A empresa Ari de Sá mantém uma parte de conteúdos, ainda pequena, aberta para o público. “Não temos uma decisão de não abrir os conteúdos, mas ainda não foi definido”, diz Lima.

Já a professora de Música Gina Falcão, da Nova Escola, na Vila Mascote, zona sul, toca um projeto com alunos do ensino médio de produção de videoclipes em que o celular é a ferramenta principal. “Eles têm muita facilidade para trabalhar com isso, estamos pedagogicamente no universo deles”, diz.

Gratuidade. Mesmo fora dos sistemas de ensino, os aplicativos educacionais pagos ou com direitos autorais fechados são maioria. Na semana passada, a Câmara dos Deputados promoveu um debate sobre Recursos Educacionais Abertos [REA]. Há a cobrança para que todos os materiais digitais adquiridos pelo governo sejam livres – um projeto de lei com esse intuito tramita na Câmara. Em 2014, o Ministério da Educação gastou R$ 67 milhões na aquisição de bens digitais didáticos, cifra incluída no R$ 1,1 bilhão investido no Programa Nacional do Livro Didático [PNLD].

Priscila Gonsales, do Instituto Educadigital, afirma que o investimento público em material didático deve ser em plataformas abertas. A reivindicação de licenças passa tanto pelo potencial de acesso quanto pelas possibilidades de remixagem dos materiais. “Qualquer lugar é lugar para aprender, o que a cultura digital vem evidenciar. Acaba a ideia de que somos consumidores de educação. A gente pode produzir, um ajuda o outro, é a cultura de compartilhar.

Criada em 2013 com apoio de várias organizações não governamentais, a plataforma escoladigital.org.br reúne 4 mil recursos digitais. Muitos ali são pagos e a maioria tem direitos fechados, mas há uma seção com dezenas de opções para professores criarem seus aplicativos.

Segundo Mizne, da Lemann, a ideia com a iniciativa de sua fundação é criar “um ambiente saudável” que estimule investimentos em novos recursos inovadores. Responsável pela tradução da Khan Academy, portal focado no ensino de Matemática criado pelo educador americano Salman Khan, a fundação não fala em valores envolvidos.

Formação. Apesar de não ter uma política de compras de materiais didáticos digitais abertos, o Ministério da Educação [MEC] pretende realizar as formações continuadas de professores em plataformas com conteúdo e soluções com esse formato. Essas formações não-presenciais, voltada para o uso didático-pedagógico das Tecnologias da Informação e Comunicação [TIC], estão no âmbito do ProInfo Integrado do MEC.

O MEC estuda desde 2013 criar uma plataforma que reunisse todos os materiais já hoje disponíveis, mas até agora isso não saiu do papel. “A intenção é criar uma plataforma única, por meio da qual se teria acesso a todos os portais e conteúdos digitais”, informou a pasta em nota, ressaltando que já há iniciativas parecidas, como o Portal do Professor, o Banco Internacional de Objetos Educacionais e o Portal Domínio Público.

A parte de formação de professores é a mais desafiadora hoje no País, explica a pesquisadora Fernanda Rosa, do Centro de Estudos Brasileiros e Instituto de Estudos Latino Americanos da Universidade de Columbia [EUA]. “A abordagem ainda é tradicional e não responde à demanda, que é transformar a atividade dos professores em prol da melhoria de aprendizado. O foco ainda é no uso da ferramenta”.

Fernanda participou de estudo, divulgado no último dia 12, que mostra que a aprendizagem móvel ainda é incipiente no Brasil. Além da questão de conteúdo e formação, outro desafio é a infraestrutura: ter escolas com bom acesso à internet disponível aos alunos. “A infraestrutura é um grande desafio porque a governabilidade não está só na secretaria de Educação, depende de outras áreas.

Os números apurados pelo censo escolar de 2014 mostram que, do total de 188.673 escolas de educação básica, 115.445 [61%] possuem acesso à Internet e 95.454 [51%] possuem banda larga. Apesar disso, o estudo do grupo de Columbia revelou que apenas 7% dos alunos e 9% dos professores disseram usar a rede nas unidades de ensino.

Segundo o MEC, 53 mil escolas urbanas e 17 mil escolas rurais estão preparadas para utilizar internet sem fio. “Cabe aos gestores escolares direcionar o uso deste recurso”, informou a pasta.

Biblioteca virtual Gale fecha parceria com Google para melhorar acesso à pesquisa


Ao integrar seus conteúdos com aplicativos de educação do Google, Gale permite que estudantes e professores facilmente façam download, compartilhem e salvem artigos

Gale, parte da Cengage Learning, acaba de ser certificada oficialmente como uma Parceira para a Educação do Google com a solução a Gale Virtual Reference Library [GVRL] e é uma das 15 selecionadas para testar a nova ferramenta do aplicativo Classroom da gigante de internet. O acordo permite que usuários façam download, compartilhem e salvem conteúdo da Gale em aplicativos do Google, como Drive, Docs, Gmail e Classroom, os quais reúnem mais de 40 milhões de usuários. Além disso, estudantes e professores que utilizam essas plataformas conseguirão acessar os recursos de pesquisa da biblioteca In Context, da Gale.

A parceria oferece potencial imenso para aperfeiçoar o aprendizado, uma vez que encontra os estudantes onde eles estão: no meio digital. Com a iniciativa, Gale ajuda educadores a melhorar o engajamento dos alunos e a encorajar a colaboração – em qualquer lugar e em qualquer dispositivo. A nova ferramenta do Classroom estará disponível na In Context em breve. Com a funcionalidade, professores e alunos poderão incluir conteúdos da biblioteca em tarefas ou anúncios de aula do aplicativo com um único clique.

Esta não é primeira parceria entre as empresas. Em junho deste ano, os conteúdos da biblioteca GVRL Gale também foram indexados no Google Scholar, tornando os textos mais fáceis de serem encontrados por pesquisadores.

Sobre a biblioteca

Gale é líder mundial em pesquisa e publicação educacional para bibliotecas, escolas e empresas. Mais conhecida por seu conteúdo de referência e por sua catalogação dos textos completo de revistas e artigos de jornais em bases de dados pesquisáveis, a empresa cria e mantém mais de 600 bases de dados que são publicadas on-line e mais de 8.500 e-Books de referência em uma plataforma exclusiva e premiada mundialmente, a Gale Virtual Reference Library [GVRL]. A família Gale de e-Books também inclui marcas de referências notáveis como Macmillan Reference USA™, Charles Scribner’s Sons®, Primary Source Media™, Thorndike Press®, Christian Large Print™, Wheeler Publishing™, Five Star™ e Large Print Press™. Gale também serve ao mercado de educação básica com impressos das marcas U•X•L®, Greenhaven Press®, Lucent Books®, KidHaven Press e Sleeping Bear Press™.

Sobre a Cengage Learning

A Cengage Learning é uma empresa líder em conteúdos, tecnologias e serviços educacionais para os ensinos nos níveis básico, fundamental e médio [K-12] e também superior, além de atender mercados profissionais e bibliotecários em todo o mundo. A empresa oferece conteúdos, serviços personalizados e soluções digitais orientados aos cursos que aceleram o envolvimento dos alunos e transformam a experiência de aprendizagem. Com sede em Boston [MA], a Cengage Learning opera em mais de 20 países ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Para mais informações, acesse http://www.cengage.com.br ou visite nossos perfis nas mídias sociais: Facebook, Twitter @CengageBrasil ou @cengagelatina.

Fonte: 2PRÓ Comunicação

7º Colóquio de Bibliotecas Digitais será em setembro


O 7º Colóquio de Bibliotecas Digitais visa refletir sobre o papel da biblioteca digital como mais uma ferramenta para dinamizar o acesso ao livro. As palestras abordarão o futuro digital e os desafios da nova realidade nas bibliotecas alemãs, francesas e brasileiras. Os diferentes modelos de negócio de e-books: acesso perpétuo, assinatura e pay-per-view, a interface entre games, plataformas digitais, social reading e direito autoral na era digital também serão abordados.

Veja a programação abaixo!

Manhã

Mediação de Regina dos Anjos Fazioli – coordenadora da Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo

09h00 – Abertura oficial

09h30 – Barbara Schleihagen, gerente da Associação Alemã de Bibliotecas

Um livro é um livro: direitos iguais para o impresso e o digital

10h30 – Gilles Colleu, diretor de produção e desenvolvimento digital da editora Actes Sud, co-diretor da editora Vents d’Ailleurs

posicionamento do editor: entre conservadorismo e inovação

Tarde

Mediação de Zaira Regina Zafalon – docente no curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos

13h30 – Inge Emskötter, bibliotecária, diretora de mídias da Biblioteca Pública de Bremen
E-Mídias na biblioteca pública de Bremen – um relato prático

14h30 – Liliana Giusti Serra, bibliotecária dos sistemas SophiA Biblioteca e SophiA Acervo

Livros digitais e bibliotecas: quais mudanças devemos esperar?

16h30 – Mélanie Archambaud, gerente do setor “Nova Geração”, Bibliothèque Publique d’Information de Paris e futura responsável pela cooperação da rede de bibliotecas públicas de Bordeaux

Como atingir os públicos distantes? Relatório de experiências francesas: a BPI e as biblioteca da Cidade de Bordeaux

Palestras com tradução simultânea. É obrigatória apresentação de documento original para o empréstimo dos fones de ouvido.

Inscrições gratuitas e antecipadas até 31 de agosto de 2015 através do email biblioteca@saopaulo.goethe.org contendo nome completo, instituição e email.

Certificados eletrônicos serão enviados após o evento

Guia de Estilo Smashwords


Material idealizado por Mark Coker, colunista do PublishNews, ensina escritores independentes a publicar um e-book com rigor profissional

Acaba de ser traduzido para o português, o Guia de estilo do Smashwords, idealizado pelo colunista do PublishNews, Mark Coker. O material ensinará os escritores como publicar um e-book com profissionalismo e sucesso. O curso introdutório fornece o conhecimento fundamental que cada escritor precisa para começar sua viagem de autopublicação. Explica os fundamentos, como as cinco tendências mais importantes que estão acionando o mercado do livro digital; os fatores que contribuem ao surgimento do movimento dos autores independentes; as vantagens de autoria independente; e contém uma lista de verificação abrangente da publicação dos e-books que explica conceitos importantes como a formatação, conversão do e-book, os ISBN, estratégias do estilo da capa, metadados, direitos autorais, a pirataria, estratégia de preços, marketing, distribuição e pré-encomendas. Confira aqui mais informações.

PublishNews | 20/08/2015

TAP vai oferecer leitura a bordo nos dispositivos móveis


A partir de 1 de Setembro, a TAP proporcionará um quiosque digital aos seus passageiros, variando a oferta entre uma e oito publicações, consoante o tipo de tarifa e cartões de fidelização do cliente, informou a companhia em comunicado.

Com o “tap executive”, o passageiro pode descarregar até sete títulos, enquanto o bilhete base, “tap discount”, permite aceder a um só título, havendo outras variáveis, como a titularidade de cartões de fidelização da companhia.

Quem viajar num voo operado pela companhia poderá, gratuitamente, descarregar a publicação através da aplicação móvel da TAP. Jornais e revistas serão descarregados até à hora do embarque, podendo ser lidos durante o voo, em modo ‘offline’ no seu dispositivo móvel com acesso à internet.

O ‘download’ poderá ser efectuado 72 horas antes do voo, mas no caso das publicações do dia, o cliente terá, naturalmente, de aguardar pelo próprio dia da viagem para fazer o ‘download’.

Com a disponibilização do serviço em modo integral [actualmente existe apenas em fase experimental], os balcões de leitura encerrarão a 1 de Setembro. Apenas no ‘lounge’ e em classe executiva nos voos de longo curso se manterão os jornais e revistas físicos. Disponíveis nesta base digital estarão apenas alguns títulos da imprensa.

Sapo.pt – 20/08/2015

Wikipédia começa nova campanha de doações para manter site funcionando


Página inicial da Wikipédia pede doações

Página inicial da Wikipédia pede doações

A Wikipédia começou uma nova campanha de arrecadação para manter a popular enciclopédia on-line funcionando.

Quem acessar algum dos verbetes da enciclopédia eletrônica vai encontrar um aviso na parte de cima da página com um apelo da Fundação Wikimedia, empresa responsável pela Wikipédia e por outros sites colaborativos, por doações.

Nós estamos pedindo ajuda para a Wikipédia. Para proteger nossa independência, nós nunca teremos anúncios. Sobrevivemos com doações em média de R$ 25. Se todo mundo que estiver lendo este aviso neste momento doar R$ 10, nossa arrecadação terminaria em uma hora“, diz.

Pelo banner, as doações podem ser feitas em qualquer valor. Também há a opção de escolher se o pagamento será feito uma única vez ou se será de forma mensal. A Wikipédia aceita cartão de crédito, transferência bancária ou via PayPal, mas este último em dólares.

Para fazer doações de outras maneiras -pode ser até por bitcoins- há um link na parte de baixo do aviso que ensina como proceder.

A Wikipédia costuma fazer campanhas de doações de tempos em tempos. A empresa sem fins lucrativos afirma que tem gastos com servidores, funcionários e programas parecidos com os dos grandes sites e precisa das doações para continuar funcionando.

São 273 funcionários, segundo a Fundação Wikimedia, divididos principalmente na área de tecnologia e em arrecadar fundos.

A Wikipédia é um pouco especial. É como uma livraria ou um parque público onde todos nós podemos ir para aprender. Se a Wikipédia é útil para você, por favor, gaste um minuto para mantê-la on-line e grátis“, afirma o anúncio.

Publicado originalmente em | 19/08/2015, às 11h54

Os livros digitais do futuro?


Alguns textos atrás, escrevi aqui no Colofão sobre aplicativos. Dediquei alguns parágrafos aos apps que, para mim, usam o meio a seu favor e realmente acrescentam algo à experiência do leitor, ao invés de simplesmente tentar copiar o livro impresso [ou, inversamente, usar elementos interativos sem critério, a ponto de criar uma distração, e não um complemento, ao conteúdo]. Depois percebi que, tentando transformar aquele texto gigante em um post [mais ou menos] legível, acabei deixando de fora um aplicativo de que gosto muito: oComposition nº 1, de Mike Saporta.

A ideia central é simples: como a obra é formada por uma série de pequenos textos independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem, a organização linear das páginas de um livro se torna desnecessária. Então, o app permite que o leitor navegue entre os textos de forma aleatória. Embora exista uma versão impressa também – na qual, seguindo a mesma ideia, as páginas não são encadernadas, e sim colocadas soltas numa caixinha –, para mim este é mais um caso de um livro que se adapta muito bem ao meio digital [sem contar que o app tem ainda algumas “surpresinhas”, como uma capa interativa e uma obra de “arte tipográfica” criada a partir do texto do livro].

Lembrei deste app porque caí neste post no site da sua editora, a Visual Editions, detalhando um novo projeto em parceria com o Google. A Visual Editions é uma editora inglesa conhecida por seus projetos ousados, criando livros que são verdadeiras obras de arte, mas não simplesmente porque são bonitos: as inovações de formato estão sempre muito ligadas ao conteúdo, tanto nos livros impressos quanto nos dois projetos digitais que a editora lançou até agora, o Composition nº 1 e o site Where You Are [que eu aconselho vocês a explorarem porque, além de os textos serem ótimos, o site em si é bem lindo]. Pensando nisso, a editora e o Creative Lab do Google fundaram o projeto Editions at Play, cuja ideia principal é criar livros “que sejam imersivos e que tenham sido escritos e desenvolvidos com a ideia de serem digitais”.

Uma das muitas variações do logo no site da Universal Everything

Em outro post com mais detalhes sobre o andamento do Editions at Play, há uma lista de critérios para avaliar este tipo de livro que sintetiza o que eu queria dizer, especialmente nos primeiros dois itens: a interação deve trazer o leitor para dentro do livro, e não distraí-lo; e o livro deve ser “inimprimível”, ou seja, deve ser feito em formato digital simplesmente porque não poderia existir de outra forma. A ideia de dinamismo e de usar ao máximo as possibilidades do meio digital já começa pelo próprio logo do projeto, que é móvel – e que, imagino eu, poderá ganhar uma cara diferente para cada obra.

Falando assim, soa tudo muito mágico e empolgante, mas é difícil imaginar como estes princípios se aplicariam a um livro real, uma vez que o projeto ainda está dando seus primeiros passos. Bem, é difícil de imaginar justamente porque a literatura digital – digital mesmo, no sentido de ser pensada para este meio e usar os recursos próprios dele – ainda precisa ser mais explorada. Neste post de dezembro de 2014, Tom Uglow, do Google’s Creative Labs, faz uma distinção importante entre o que chama de livro eletrônico – o e-book que conhecemos hoje, pouco mais do que uma reprodução do impresso – e o livro digital, capaz de “usar a infraestrutura digital do nosso novo mundo para criar novas maneiras de contar velhas histórias”. No final do texto, ele dá algumas pistas sobre de que maneira isto poderia ser feito, desde mudanças simples – como livros com texto contínuo ao invés de organizados em páginas, ou livros entregues diária, semanal ou mensalmente – até alterações na estrutura do conteúdo, como livros que usam uma segunda ou terceira tela para mostrar conteúdo extra, ou livros que são afetados pela presença de outros leitores nas proximidades. Alguns destes recursos passam por questões que vão além da literatura, como o acesso às ferramentas tecnológicas para produzi-los e, talvez o mais urgente, a questão da privacidade, que sempre vem à tona quando se fala em conteúdo personalizado [especialmente quando o projeto envolve uma empresa que tem acesso a tantas informações sobre seus usuários quanto o Google]. Mas o fato é que são recursos a serem explorados, e só saberemos se eles são ou não capazes de acrescentar algo à experiência de leitura até que alguém experimente.

Marina Pastore

Marina Pastore

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 19/08/2015

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Página na web em defesa das mulheres vira livro


Maíra tem cabelo black power, Jane é gordinha, Luma é negra e namora um rapaz branco, Emilly é transsexual, Cecília faz pole dance, Laís é atriz pornô e Paula, dona de casa. Todas são alvo de julgamentos numa sociedade [real] acostumada a cercear a liberdade das mulheres. E, por isso, foram transformadas em personagens inspiradoras no mundo [virtual] da ilustradora mineira Carol Rossetti. Os desenhos, reunidos em página no Facebook com mais de 250 mil curtidas foram transformados no livro ‘Mulheres’ [Sextante, R$ 39,90] e se tornaram mais uma voz ecoada da internet contra a doença do machismo e a opressão feminina.

A personagem pioneira, Marina, foi desenhada em abril de 2014. É uma mulher que gosta de usar vestidos listrados, mas se preocupa porque as revistas de moda dizem que esse modelo não combina com o corpo dela. “Liga para as revistas não, Marina. O importante é usar o que gosta e se sentir bem com o próprio corpo”, aconselha o quadrinho. O nome de Marina, assim como o de todas as figuras que a sucederam, é aleatório, mas o conselho feminista é proposital. As “meninas” de Carol são fruto de experiências pessoais, de pessoas conhecidas ou, ainda, sugeridas por leitoras. “No começo, o intuito era encorajar minhas amigas. Depois, a iniciativa alcançou milhares de pessoas e tornou o debate sobre feminismo mais acessível, mais leve”, diz Carol. “Não é porque minhas protagonistas são femininas que esse é um projeto apenas para garotas.

O que começou como um passatempo – ela é designer gráfica e queria treinar as próprias técnicas com lápis de cor, se propondo a fazer um desenho por dia – se transformou em livro. Hoje, além de uma agente literária pessoal, que a representa nos EUA, Carol tem quadrinhos traduzidos para inglês e espanhol e planeja lançamento de ‘Mulheres’ nos EUA, no México, na Espanha e em Portugal – os três primeiros já negociados. Em setembro, autografa exemplares na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Enquanto migra para outros projetos no ambiente virtual – a ilustradora não cria novas mulheres há algumas semanas, mas já publica aquarelas voltadas ao público infantil – ela reforça que a inspiração não vem, necessariamente, de personalidades históricas. Cita páginas semelhantes, como ‘Desalineada’ [14 mil curtidas, da também mineira Aline Lemos] como referência. “O projeto também é sobre encontrar inspiração em pessoas comuns. Nelas, principalmente.” À lista, somam-se cada vez mais páginas voltadas ao debate de gênero e ao empoderamento feminino.

Por Larissa Lins | Publicado originalmente em Diário de Pernambuco | 19/08/2015

Enem: como consultar as bibliotecas virtuais


No boletim Minuto Enem desta terça-feira [18], a jornalista Ana Elisa Santana, da editoria de Educação do Portal EBC, destaca sites de acesso virtual para livros e monografias.

Nos dias de hoje, você pode se preparar para o Enem com diversos materiais e sem precisar sair de casa. A Biblioteca Nacional oferece um acervo digital com mais de 800 mil documentos de livre acesso. Entre eles estão livros, periódicos e até áudios e vídeos. Algumas universidades públicas também oferecem um conjunto de serviços digitais, com biblioteca digital e sonora, biblioteca de monografias e diversos livros eletrônicos“, informou a jornalista que divulgou, no áudio, sites de bibliotecas virtuais.

Escute aqui, no player, o boletim completo de Ana Elisa Santana com dicas de acesso também para as bibliotecas de universidades federais. As edições do Minuto Enem e do Pode Cair no Enem no programa Todas as Vozes estão disponíveis no www.radios.ebc.com.br/todas-vozes e no www.facebook.com/radiomecam.

Questões Enem? Dicas Enem? Informações Enem? Você encontra tudo aqui no Minuto Enem do Todas as Vozes.

Todas as Vozes vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h20 às 10h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro – 800 kHz, com apresentação do jornalista e radialista Marco Aurélio Carvalho.

EBC | 19/08/2015

WhatsApp para incentivar leitura


Por Debora Schilling Machry | Publicado originalmente em Porvir | 19/08/2015

Eu sou muito insistente na questão da escrita e da leitura. Como professora de ciências, eu mostro aos meus alunos que, assim como os músculos do corpo, o cérebro também precisa se exercitar e que lendo, ele se exercita. Apesar disso, a maioria deles não gosta de ler e tem dificuldades de concentração, precisando de motivação contínua para estudar. Além disso, eu tinha muita dificuldade na correção das atividades, devido aos inúmeros erros ortográficos feitos por eles. Então, decidi trabalhar a leitura de uma forma que envolvesse os estudantes. O problema é que a ideia era utilizar o celular para isso e, apesar de ser uma ferramenta incrível, seu uso é proibido em sala de aula. A diretoria recolhe os aparelhos no começo do dia.

Sendo assim, eu resolvi a questão de outra forma. Comecei a escrever artigos para a seção de opinião dos jornais de São Leopoldo, do Rio Grande do Sul, sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula com os 6ºs, 7ºs e 8ºs anos. Depois, eu tiro foto da página do jornal com o artigo publicado e mando para meus alunos pelo grupo do WhatsApp, para que eles leiam em casa pelo celular.

A partir dessa atividade, eu peço que eles respondam o que o artigo pode mudar ou alterar na aprendizagem em casa. Eles relatam as aplicações do que leram, mas também podem mandar fotos de animais que acham curiosos para trabalharmos em aula ou denunciar entulhos de lixo para que eu ligue para a prefeitura. A participação no grupo é também um trabalho social. Dessa forma, eu sei que estão aplicando o conhecimento passado presencialmente.

Depois de tudo isso, eu faço a hora do conto científico em sala. Para ler o artigo e discuti-lo com os alunos, eu crio um clima no ambiente: apago as luzes, levo uma vela ou vamos ler na rua, o que acaba envolvendo os estudantes.

É um projeto bem diferente na escola porque, de um modo geral, os professores têm medo do celular, porque é uma ferramenta nova e nem todo mundo se adapta. Eu mesma não tinha um smartphone, ganhei um esse ano. Foram os alunos que me ensinaram a usar o aparelho. Algumas coisas eu ainda não sei fazer, mas vou aprender. Eu perdi o medo.

O grupo do WhatsApp é mais um recurso didático. É uma prática que estamos desenvolvendo e aprendendo com ela. Eu nunca usei a tecnologia desse jeito, então eu estou achando ótimo. Os alunos estão aderindo aos pouco, mas todos que fazem parte dos grupos participam bem. Eles estão mais concentrados e conseguem entender melhor o que eu falo nas aulas. A leitura facilitou muito a aprendizagem.

Eu sei que a minha vocação é essa. É na escola que eu consigo fazer meu trabalho socioambiental. Sou respeitada pela minha profissão. Tudo isso me motiva a não desistir e me faz acreditar que a educação ainda vai ser valorizada.

Debora Cristina Schilling Machry

Debora Cristina Schilling Machry

Debora Cristina Schilling Machry é bióloga formada pela Unisinos, especialista em Microbiologia. É professora de Ciências da rede pública e privada. Já foi Supervisora da Educação Ambiental do município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Conselheira no Conselho do Meio Ambiente e interlocutora na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. Atualmente, escreve artigos de opinião para jornais regionais e coordena projetos socioambientais.

O primeiro ano da Amazon


Na próxima sexta-feira [21], a Amazon completa um de operações com livros físicos no Brasil. A gigante de Seatle avalia como positiva a sua atuação no Brasil. “Estamos acostumados a abrir lojas em todo o mundo e sabemos que não é fácil”, apontou Daniel Mazini, gerente geral de livros impressos da Amazon brasileira. Um dos grandes desafios que, segundo Mazini, preocupava a equipe de Jeff Bezos era em relação à logística. E um ano depois qual o balanço? “Avaliamos a logística com promessas cumpridas, sempre pelo lado do cliente e estamos muito satisfeitos. Atingimos padrões internacionais e o feedback dos nossos clientes é muito bom”, disse ao PublishNews por telefone. Outra preocupação inicial seria a adesão de editoras à varejista. “Quaisquer rumores que havia na nossa relação com os editores foram rapidamente desmistificados. Mantemos uma relação muito saudável com eles”, garante o gerente. Para embasar esse argumento, Mazini aponta o crescimento no catálogo da loja. A Amazon tem hoje em seus estoques 170 mil títulos produzidos no Brasil. Contando com os títulos internacionais, a Amazon comercializa, segundo disse Mazini, 10 milhões de livros impressos e outros 2,7 milhões de e-books.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 18/08/2015

Smartphone é o 2º dispositivo mais usado para leitura


Os dispositivos móveis são os aparelhos mais utilizados por boa parte da humanidade, milhões de pessoas ao redor do mundo o utilizam para lazer, mas para muitos também faz parte da rotina profissional. De qualquer forma, é justamente por isso que as fabricantes de dispositivos móveis estão sempre tentando desenvolver novos smartphones e tablets mais aprimorados e com funcionalidades inteligentes para o dia a dia.

Os celulares atuais são utilizados para diversos fins, muitas pessoas escutam músicas, assistem vídeos, usam como GPS, entre outros recursos. É justamente por isso que muitos gadgets específicos acabaram morrendo, como os leitores de MP3. Agora os aparelhos também estão sendo muito utilizados para ler conteúdo digital.

Os leitores digitais chegaram ao público no final da década de 90, atualmente há alguns aparelhos que são muito famosos e o mercado de publicações digitais está aumentando consideravelmente. Porém, ao mesmo tempo que os gadgets do tipo começaram a ficar famosos, muitas pessoas estão utilizando smartphones e tablets com a mesma função.

De acordo com informações do The Wall Street Journal, o futuro dos livros digitais está provavelmente atrelado aos smartphones. Isso não quer dizer que os e-readers vão desaparecer do mercado, mas que atualmente mais pessoas utilizam os dispositivos móveis para ler conteúdo.

As informações foram retiradas de um relatório da Nielsen, concluindo quais são os dispositivos de leitura preferido dos usuários. Em 2012 o resultado indicou que 50% das pessoas entrevistadas preferiam e-readers, como o Kindle da Amazon. Agora, apenas 32% afirmam que utilizam o leitor de e-book como primeira opção. Entre 2009 e 2015 os tablets passaram de 30% a 41% a ser opção dos usuários.

Os smartphones ainda não estão em primeiro lugar, mas a pesquisa revela que o dispositivo é o segundo mais utilizado para realizar leitura. Em 2009 apenas 24% dos entrevistados utilizavam os aparelhos para leitura, agora a porcentagem aumentou para 54%. Certamente o número deve aumentar consideravelmente nos próximos anos, já que mais e mais pessoas estão adquirindo dispositivos móveis. Um recente estudo até afirmou que 84% da população dos Estados Unidos possui smartphones.

Publicado por Tudo Celular | 18/08/2015

Dorina Nowill lança biblioteca digital para cegos


A Dorinateca é uma biblioteca digital para cegos do Instituto Dorina Nowill. A novidade proporciona uma biblioteca sem fronteiras, com acesso facilitado e amplo a um acervo de livros nos formatos áudio e digital acessível Daisy, além de arquivos para impressão de publicações em braille. No site, todos os títulos e formatos acessíveis estarão disponíveis para download para as pessoas com deficiência visual, protegidos por um finger print, evitando a pirataria.

O acervo acessível da Fundação Dorina, disponibilizado em livros impressos em braille, em áudio ou digitais acessíveis gravados em CDs, continuará a ser produzido. Porém, a plataforma digital deve ampliar de forma significativa o acesso deste público a livros acessíveis em qualquer lugar que estejam. Para acessar a e usufruir do acervo, os requisitos são o cadastro na Dorinateca e o acesso à internet.

O projeto foi viabilizado pelo Ministério da Cultura e contou com o patrocínio dos Parceiros de Visão Cielo, Sanofi e Carrefour. Estas empresas acreditam que é necessário estimular o conhecimento e minimizar os preconceitos quanto às limitações da pessoa cega e ampliar suas ferramentas de acesso à cultura e à educação. A plataforma foi desenvolvida pela empresa Results.

Os livros poderão ser baixados, de forma autônoma e ágil, diretamente pela plataforma Dorinateca conforme o interesse e recurso desejado pelas pessoas com deficiência visual. É como ter uma prateleira de livros acessíveis em um ambiente virtual”, afirma Ana Paula Silva, coordenadora de acesso ao livro, da instituição. A profissional reforça que há ainda um acréscimo: “o acervo disponível apoiará na alfabetização por meio do braille, pois também disponibiliza arquivos apropriados para impressoras braille. Assim, reforçamos que os formatos de materiais acessíveis se somam e a tecnologia é utilizada como complemento e incentivo à leitura e à alfabetização”.

O projeto prevê que até o final de 2015, a biblioteca online conte com mais de 4400 títulos em formatos acessíveis. Além do acervo que a Fundação Dorina já possui, serão editados mais 100 novos títulos de literatura nacional, estrangeira e infanto-juvenil, best-sellers, conteúdos para concursos públicos e outros temas e, assim como todos os títulos que forem transcritos a partir de agora, serão adicionados à Dorinateca. Estes materiais poderão atender a milhares pessoas já cadastradas na instituição e poderão fazer a diferença na vida das mais de 6,5 milhões de pessoas que possuem alguma deficiência visual em todo o Brasil. As pessoas que enxergam terão acesso a títulos de domínio público e também poderão usufruir dessa ferramenta e ainda conhecer mais sobre os formatos acessíveis.

A Fundação Dorina acompanha o avanço tecnológico e busca atender as demandas das pessoas com deficiência visual. Este projeto é mais um recurso para facilitar que estes leitores possam seguir a tendência de consumo atual de conteúdo, que propõe que a informação esteja em qualquer lugar, a qualquer hora, e possa ser acessada rapidamente”, completa Ana Paula.

iMasters | 14/08/2015

Plataformas de metadados “dividem” mercado editorial brasileiro?


POR EDNEI PROCÓPIO

O mercado editorial brasileiro é realmente muito interessante.

Aprendi um bocado de coisas com o mercado editorial quando fiz a coordenação técnica do Cadastro Nacional do Livro, famoso CANAL, lá na Câmara Brasileira do Livro [CBL]. O CANAL, em sua primeira fase, inseriu a pauta da importância dos metadados no mercado. O projeto, que até foi tema em uma das palestras do Congresso Internacional CBL do Livro Digital, foi uma verdadeira escola para mim, não na parte técnica [Onix, XML, CSV, TXT, XLS, sinto hoje que estas coisas importam menos], mas na parte, digamos, dos recursos humanos. Felizmente sou formado em Humanas e já havia aprendido um pouco sobre a sociedade brasileira na Faculdade de Serviço Social; mas uma ideia de criar “união”, seja ela do que for, neste país, superou todas as minhas perspectivas de aprendizado.

Não é nenhuma reclamação de minha parte, longe de mim falar deste país já tão carente de ideias realmente inovadoras, e/ou inéditas. É apenas algo que sinto. E é impressionante o número de ideias e projetos que, de certo modo, são semelhantes, para não dizer cópias uns dos outros, e que poderiam se complementar, somar, em vez de, digamos, dividir.

É claro que tem aquela coisa toda da livre iniciativa, e o importante, para nós, editores, é ter os nossos livros cadastrados no maior número de pontos de vendas. Mas tem sempre alguém neste mercado editorial que acha que pode resolver aquilo que o outro não conseguiu. Recentemente, estive conversando com algumas distribuidoras de livros [impressos], que demonstravam certo interesse em trabalhar em uma frente voltada aos metadados. Eu estava tentando vender uma antiga ideia que tive de eventualmente criarmos uma espécie de Consórcio de Metadados, [tolo eu!]. O que eu percebi das duas distribuidoras com quem conversei, é que, na verdade, o que ambas desejavam, paralelamente, em vez de pensar em uma plataforma única, padrão, era que cada uma delas tivesse a sua própria solução. Os motivos são quase sempre os mesmos: “conheço todo mundo no mercado“, “tenho experiência e uma base robusta em tecnologia“, “sei bem como funciona a coisa toda…” e “blá, blá, blá…“.

Esta minha opinião é bastante particular e intransferível, que fique bem claro isso. Felizmente, existem os parâmetros do padrão Onix para no futuro, quem sabe, dar uma certa unidade a todas estas ferramentas que vem por aí. Mas me dei finalmente conta, tardiamente confesso, de que uma ideia criada para unir, pode também ser usada para dividir. Pois assim como existem os muros, existem as pontes, também existem aqueles que estão de um lado ou de outro.

A CBL ainda hoje tenta colocar o CANAL na ordem do dia, através de um parceiro alemão [tecnologia muito boa por sinal] e talvez, quem sabe, creio eu, precise levantar algum investimento [já que temos aprendido a duras penas que não existe almoço grátis]. Torço para que o CANAL vá em frente e dê certo. A Ubiqui, criada por Rafael Schaffer, e que trabalha com gerenciamento de metadados, está com sua operação à todo vapor e, diga-se de passagem, foi a primeira iniciativa privada, e comercial, neste sentido. Tem uma terceira plataforma que descobri que não vale nem à pena ser citada de tão oportunista que parece ser. E agora descobri, através de um amigo do mercado, este endereço aqui www.mercadoeditorial.org.

Fora autointitular-se “A melhor ferramenta de distribuição de metadados do mercado!“, o template também diz o seguinte… abre aspas:

Nós queremos revolucionar o mercado… O MercadoEditorial.org surge como uma ferramenta para resolver o problema da divulgação das informações dos livros na cadeia produtiva do mercado editorial.

O mais interessante de tudo isso, pelo menos para mim, é que eu já havia dito algo muito semelhante, lá na CBL, para a minha saudosa ex-diretora, a Sra. Lúcia Jurema [que Deus a tenha!]. Ela era extremamente exigente, profissionalmente falando, e eu morria de medo dela; mas me lembro que na ocasião Lúcia me respondeu mais ou menos o seguinte, sobre meu crescente entusiasmo sobre o CANAL:

Muito bacana, Ednei! Pensando, porém, mais nas pessoas que compõem este mercado, e menos na tecnologia em questão, basta agora convencer o tal mercado sobre isso tudo aí.

Enfim, não deve ser lá muito difícil ser visionário em um país sem visão. Costumo dizer que, em terra de cego que tem olho é Hertz. O mais importante, no entanto, é que só é possível ser revolucionário, mesmo, creio eu, depois de ter havido uma revolução.

Bibliotecas no futuro


Software oferece ferramentas para compor acervos de bibliotecas

De acordo com pesquisa realizada pela Pew Research, ao menos 28% dos leitores nos EUA leram e-books em 2014. Mas, de que forma as bibliotecas serão adaptadas neste novo cenário? Liliana Giusti Serra, bibliotecária do software para gestão de acervos bibliográficos SophiA Biblioteca e pesquisadora de livros digitais, acredita que o futuro será a composição de acervos híbridos, contendo livros impressos e conteúdo digital, ambos gerenciados numa única plataforma. Nesse sentido, o software SophiA Biblioteca fornece as ferramentas necessárias às instituições para compor seus acervos digitais. “Ao realizar integrações com empresas fornecedoras de conteúdo digital para bibliotecas, o SophiA oferece aos bibliotecários ferramentas de gestão, permitindo acompanhar o uso e o empréstimo digital dos títulos licenciados, controlar os modelos de negócios contratados, a vigência de assinaturas, além da importação de registros inteligente, com metadados bibliográficos e de gestão”, afirma Liliana.

PublishNews | 13/08/2015

Escrita compartilhada


Esqueça a imagem do escritor fechado em casa, sozinho, diante da impassível página em branco. Contas de Facebook e Twitter desativadas. Internet desconectada. Nada que possa desviar a atenção durante o processo de escrita da sua obra. O que temos aqui é um novo tipo de experiência produtiva na qual o autor da história não é mais soberano e não há espaços para bloqueios criativos. Tudo porque os leitores estão sendo convidados a acompanhar, às vezes em tempo real, o processo. E opinam, sugerem mudanças e caminhos – que vão sendo incorporados, ou não, pelo autor. O escritor Luiz Bras entrou na onda da editora Sesi-SP, que queria fazer algo diferente no ambiente digital, além de divulgar seu Clube do Livro. Desde meados de julho, ele está concentrado na escrita de um romance juvenil interativo. Já foram dois capítulos e funciona assim: depois de publicar uma parte da história no blog Participe do Romance, os leitores mandam seus comentários. Ele filtra as mensagens, aceita ou não as sugestões e, então, escreve o capítulo seguinte. A cada 15 dias, o processo reinicia.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 12/08/2015

FontForge e a manipulação de fontes


Vira e mexe eu menciono o FontForge em postagens sobre produção. Bem, deixem-me apresentá-lo formalmente: o FontForge é um programa multiplataforma [Linux, Mac e Windows] e de código livre que serve para manipular, editar e corrigir arquivos de fontes.

Pois bem, uma das coisas mais frustrantes para mim sempre foi, num fim de prazo, ao fazer o cotejo da versão “final” de um e-book, perceber que alguns caracteres desapareceram ou estão sendo exibidos de maneira incorreta.

ff

Ou, durante a produção, quando precisamos de uma variação daquela fonte e ninguém tem o arquivo (às vezes ele nem existe na família da fonte) — um bold-italic ou uma versão outline, por exemplo.

Eu poderia descrever como funciona o processo de correção ou de edição de uma fonte para os dois exemplos, mas acho que a coisa fica mais simples em vídeos, então, vamos lá.

Criando uma italic bold a partir de uma itálica*

Criando uma versão outline da fonte

Espero que seja útil para vocês. No caso de fontes com problema de acentuação etc., entrem em contato pelos comentários que, dependendo do for, faço um vídeo consertando o seu arquivo.

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em Colofão | 12/08/2015

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.

Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora.

Como os booktubers estão mudando o mercado literário


Jovens que apresentam livros no Youtube são descobertos por editoras, que aos poucos começam a investir em modelo inovador para atrair interesse sobre lançamentos e obras clássicas.

Com o cabelo tingido, ela aparece em frente à câmara e explica como acabou de reorganizar a sua lista de livros “para serem lidos” – o que ela chama de TBRs ou “To Be Reads”. Ela o fez por cor – do rosa ao púrpura – e mostra 66 obras que adquiriu e planeja ler, resumindo em uma breve frase do que cada um se trata.

Ela é conhecida “Little Book Owl”, a “corujinha dos livros”. Qualquer um que pretende ter sucesso como booktuber pode se inspirar nesse estilo, que parece funcionar muito bem: seu canal tem quase 132 mil assinantes. Ela dá algumas dicas para isso em um vídeo chamado “How to booktube”.

Como a sugestão de um amigo

Trata-se de uma forma moderna de propaganda boca a boca. A maioria dos blogueiros não é realmente de analistas ou críticos literários – os booktubers menos ainda. Mesmo assim, milhares de pessoas acessam seus vídeos para ouvir o que eles têm a dizer sobre um determinado livro.

A Alemanha já tem as suas próprias celebridades no ramo. Lucie Redhead, por exemplo, foi uma das personagens mais aguardadas do “Kölner VideoDays 2015” – festival de produtores de vídeos no Youtube na cidade de Colônia.

Apesar de Lucie fazer uma performance solo em seus vídeos, ela tem o apoio de uma equipe, o que também é o caso de muitas estrelas emergentes na internet.

Sara Bow, cujo verdadeiro nome é Sara Garic, é uma vlogueira alemã que dá dicas de maquiagem e moda nos seus canais do Youtube. Desde 2013, ela também é uma booktuber “profissional”.

Sara tem quase 20 mil assinantes no Youtube e 3 mil seguidores no Twitter. Cinco pessoas trabalham com ela na produção dos vídeos: um fotógrafo, um diretor de cooperação, um assistente e dois editores. Em seus comentários, muitas vezes, ela cita a sua equipe.

Eu me divirto tanto com as pessoas online. Se eu posso inspirar o meu público a ler, sinto que faço sucesso com o que eu estou fazendo”, explica.

O sucesso também compensa financeiramente. Profissionais da indústria acreditam que, uma vez que você atinge 100 mil assinantes, pode se sustentar com um canal no Youtube. Mas é claro que cosméticos e moda são mais lucrativos do que livros.

Apresentadora Sara Gavric

Apresentadora Sara Gavric

Novos canais

Muitas editoras começaram a trabalhar com blogueiros ou booktubers da mesma forma que colaboram com jornalistas profissionais especializados em literatura. As editoras veem nesse novo modelo uma forma de atingir o público entre 18 e 34 anos.

A Random House, por exemplo, criou em março deste ano o seu próprio portal para blogueiros, onde eles podem ter acesso a cópias. A empresa também apresenta seus lançamentos especialmente para os booktubers de maior destaque.

Os booktubers podem definitivamente impulsionar vendas, pelo menos nos gêneros mais populares entre adolescentes e jovens adultos, como fantasia e as chamadas light novels – romances com ilustração, em geral no estilo anime.

Mas não é somente por dinheiro que os livros são apresentados em vídeo. Um exemplo particularmente inovador é o “Thug Notes”, produzido pelo grupo de mídia californiano “Wisecrack”´. A ferramenta é uma criação do comediante Greg Edwards, especialista em stand-up, e dos autores Joseph Salvaggio e Jared Bauer, entre outros.

O slogan da série é “Thug Notes: Literatura Clássica. Gangster Original”, que resume a filosofia do canal. O modelo adotado é o uso de “gangsta rap”, animações e gráficos engraçados. Eles apresentam trabalhos literários importantes – de obras de Shakespeare, passando pelo clássico “1984”, de George Orwell, até o romance mais recente de Harper Lee “Go Set a Watchman”.

Eu criei o ‘Thug Notes’ porque notei que existia uma lacuna no Youtube. Existem milhares de canais de educação bem-sucedidos que se concentram em ciências exatas, mas nenhum sobre ciências humanas. É muito difícil fazer as pessoas se interessarem por artes, especialmente a audiência jovem. Como alguém pode despertar o interesse em algo como “Grandes esperanças” [de Charles Dickens]? Para isso você tem que fazer algo radical”, explica Jared Bauer.

O rap foi o meio que ele considerou apropriado para aplicar esse conceito. “O hip hop é tão abrangente internacionalmente que ele oferece uma nova ferramenta de identidade para a apresentação, que possibilita atrair o público mais jovem aos nossos vídeos”, explica o comediante Greg Edwards.

Nós fazemos resumo e análise sobre os livros de um jeito engraçado, exagerado, de uma forma mais próxima a esse público, assim as pessoas ficam interessadas em ler o livro e formar a sua própria opinião”, afirma. O canal tem meio milhão de assinantes.

Publicado originalmente por Deutsche Welle | 10/08/2015

IMS lança site com 100 cartas escritas e recebidas


Entra no ar na próxima terça-feira [11] o site Correio IMS, com 100 cartas escritas pelas mais diversas personalidades brasileiras, de pessoas comuns a escritores, poetas, pintores, músicos, arquitetos, figuras da história cultural e política do país. Inéditas ou não, o fundamental é que a carta seja interessante sob um determinado aspecto: seja pelo vigor de uma emoção expressa em palavras comuns, seja pelo valor literário ou por seu conteúdo histórico. O site prevê também a publicação de cartões-postais, bilhetes e telegramas. Será possível ler tanto a famosa carta em que d. Amélia de Leuchtenberg se despede de d. Pedro II ainda menino quanto um cartão-postal de Ziraldo a Carlos Drummond de Andrade. Com a intenção de situar o leitor, cada carta é precedida de um parágrafo em que o documento é contextualizado, indicando-se, assim, as circunstâncias em que foi escrito. Há ainda um pequeno perfil biográfico de cada remetente e destinatário, assim como fotos de cada um deles.

PublishNews | 07/08/2015