eBook não é PDF


Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 21/07/2015

O livro digital é um produto por si só e deve ser pensado para a leitura digital

A gente sempre diz aqui na editora que a leitura digital está na idade da pedra. Tudo é novo, muita coisa ainda é incerta, ainda se testam produtos, arquivos, modelos de negócio, modos de divulgar e levar a leitura digital ao maior número possível de pessoas.

Pelo menos já passamos da fase “leitura em papel x leitura digital”. Acho que a melhor metáfora para isso é o cartão de crédito e a nota de dinheiro em papel. Não é porque você tem um cartão de plástico que não usa mais notas. Uns preferem só andar com o cartão, outros usam os dois e existem aqueles que só “trabalham com dinheiro vivo”; todos coexistem.

Mas uma coisa é certa: e-book não é PDF. Leitura digital não é pegar um arquivo PDF sem marcas de corte, subir para as plataformas e dizer que publica também em digital. O livro digital – seja ele em texto ou em áudio – é um produto por si só e deve ser pensado para a leitura digital. Tem suas vantagens, seu valor e, claro, suas limitações.

Enquanto o e-book for tratado como um subproduto do livro físico, pouca coisa vai mudar e quem perde é o consumidor. Vendê-lo como um apêndice barato, seja em valor agregado ou em preços e descontos, não é trata-lo como produto. A leitura digital pode, sim, ser mais acessível financeiramente e na minha opinião deve sê-lo, mas pautar um produto e, mais do que isso, criar no consumidor a cultura de que é bom só porque é barato ou porque tem descontos altos, não traz valor à leitura digital. Ela deve ser entendida como uma ferramenta de facilidade, conveniência, que torna a aquisição de bons conteúdos algo mais rápido, barato e acessível; ainda mais quando falamos de um país do tamanho do Brasil. Ter sua biblioteca na palma da mão, poder acessar em uma leitura links, vídeos, uma quantidade maior de imagens, compartilhar trechos, ter uma interatividade ainda maior são algumas das grandes vantagens e valores da leitura digital.

Acredito que cada vez mais, a decisão de como consumir conteúdo está na mão do leitor. É ele quem vai decidir se vai ler em papel, em um tablet ou se vai ouvir um conteúdo. E cabe a nós, como editoras, disponibilizar bons conteúdos no maior número de suportes possíveis. A vantagem de um novo mercado é justamente podermos criar uma cadeia mais justa, onde todos saiam ganhando: livreiros, editores, escritores, ilustradores, agentes, editoras e, claro, o leitor.

Há ainda muito a fazer e que bom que há! Mas uma coisa é certa: e-book não é PDF.

Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 21/07/2015

André Palme

André Palme

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Iniciou seu contato profissional com e-books em 2013. Foi o responsável pela entrada no mercado digital da Editora DSOP. Foi palestrante na Feira de Frankfurt 2014, além da participação em feiras nacionais e internacionais. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 150 e-books e audiolivros publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality show brasileiro, em parceria com o SBT. Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

Startup oferece soluções digitais para a Educação Superior


Editora Viva já tem soluções para Direito e, em breve, entrará nas áreas de Saúde e Finanças

Durante um ano, três baianos se debruçaram sobre o desafio de criar uma multiplataforma de educação superior que reunisse e-books, audiolivros e videoaulas nas áreas de Direito, Finanças e Saúde. O resultado acaba de ganhar corpo: a agregadora de conteúdos educacionais Editora Viva. O acesso pode ser feito via site ou via aplicativos na App Store e no Google Play. Um dos aplicativos já disponíveis é o Viva Direito ] para Apple e para Android], uma livraria jurídica digital, com conteúdos para estudantes de direito e para quem está se preparando para concursos públicos. Para o consumidor, funciona como uma livraria digital: ao fazer seu login, pode comprar e-books e acessar os livros digitais já comprados. O diferencial está nos conteúdos extras: vídeo aulas, notícias sobre o universo jurídico. Para Rico Néry, um dos sócios, a multiplataforma é voltada para um público ávido por consumo de informações e cada vez mais dependente de seus gadgets. “É preciso oferecer educação de qualidade dentro do universo digital”, defende. “Aplicativos não servem apenas para jogar ou conversar com amigos nas redes sociais. Eles também devem educar”, completa.

Para dar peso ao seu catálogo, os baianos fecharam parceria com provedores de materiais especializados, como a JusPodivm [líder no setor de vendas de material jurídico, com mais de 200 títulos publicados em 2014], a LTr, a Múltipla, o Instituto Baiano de Direito Processual e Penal [IBADPP] e a Freitas Bastos. Estendeu-se ainda para a área das finanças, fechando contrato com a AZ FuturaInvest [Azimut Group] para o desenvolvimento da sua segunda plataforma, a ClickInvest, que em breve será lançada no mercado.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/07/2015