A ‘Biblioteca de Babel’, de Jorge Luis Borges, virou um projeto digital


Uma biblioteca que contenha todas as combinações de letras, palavras e frases – até as que não fazem sentido

Image of the Sistine Chapel, generated by the Library of Babel.

Image of the Sistine Chapel, generated by the Library of Babel.

Imagine uma biblioteca gigantesca que possua todos os documentos escritos da humanidade – até alguns que não foram escritos, combinações de letras e palavras que não fazem sentido algum, por exemplo. Essa é a “Biblioteca de Babel”, descrita por Jorge Luis Borges em um conto publicado em 1941. E que virou um projeto online.

De acordo com o criador do projeto, o programador John Basile, “A biblioteca é um lugar para qualquer um com curiosidade ou senso de humor refletir na estranheza da existência. Resumindo, é como qualquer outra biblioteca”.

O site possui todas as combinações possíveis de símbolos, incluindo letras, espaços e pontuação. Ou seja, tudo o que poderia ser escrito, incluindo grandes obras da literatura e erros de digitação.

Um dos níveis da biblioteca | Foto: Reprodução

Um dos níveis da biblioteca | Foto: Reprodução

Mas como isso poderia funcionar? Existem 29 caracteres possíveis na base de dados [26 letras, espaço, ponto e vírgula] – cada um é jogado de forma aleatória em 3200 espaços em uma página. Um algoritmo gera automaticamente mais combinações à medida em que você ‘lê’ ou navega pelas estantes da biblioteca.

Testamos a navegação simples e o resultado foi esse:

Trecho da biblioteca | Foto: Reprodução

Trecho da biblioteca | Foto: Reprodução

Também dá para buscarmos frases específicas dentre as combinações. Olha só:

galileu dahora \o/ [Foto: reprodução]

galileu dahora \o/ [Foto: reprodução]

Então é possível ler todos os livros da humanidade dentro desse site? Sim, em teoria. Mas a prática apresenta dois grandes problemas. O primeiro é que são enormes as chances de você ler combinações que não fazem sentido. Achar uma palavra real no meio da bagunça toda já é um grande feito.

E o segundo é o tempo. O Sol explodiria antes de você terminar de ler tudo – o que significa que você demoraria só uns 6 bilhões de anos.

Saiba mais no Quartz.

Por Luciana Galastri | Publicado originalmente em GALILEU | 08/07/2015, às 14H07