Jabuti muda regulamento para livros digitais infantis


A Câmara Brasileira do Livro [CBL], que organiza o Prêmio Jabuti, e o comitê curador do prêmio alteraram o regulamento da 57ª edição para facilitar a inclusão de livros infantis digitais. Segundo a alteração, não será mais necessária a ficha catalográfica e a inscrição ISBN para inscrever os livros nesse gênero.

Em nota, a CBL explicou que, a “recente presença de livros digitais no panorama livresco brasileiro” e o expressivo número de queixas quanto à dificuldade para conseguir tanto a ficha quanto a inscrição ISBN – sistema criado para identificar internacionalmente o livro por meio de título, editora e autor – provocaram as mudanças.

No termo de alteração, o comitê curador também admite que a categoria livro infantil digital tem caráter experimental e que o gênero vem sendo premiado em vários concursos internacionais. Para integrar a categoria, é preciso ter conteúdo textual e elementos multimídia interativos. O regulamento também deixa claro que os livros digitais não concorrem a livro do ano.

As inscrições para 57º Prêmio Jabuti ficam abertas até 31 de julho e, este ano, o prêmio vai contemplar 27 categorias, entre elas poesia, contos e ficção. Fazem parte do conselho curador Marisa Lajolo, Antônio Carlos de Moraes Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos de Menezes e Márcia Lígia Guidin.

Correio Braziliense | 08/07/2015

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Universidade do Piauí abre biblioteca virtual com 30 mil livros


A Universidade Estadual do Piauí é a primeira instituição pública de ensino do Estado a disponibilizar para seus estudantes, professores e servidores, uma Biblioteca Virtual em sua página na internet. A Biblioteca Digital da Uespi é disponível aos estudantes, que são 13 mil nos cursos regulares, e aos estudantes dos cursos feitos por ensino à distância, usando logins e senhas que são utilizadas para o acesso aos seus boletins de notas e histórico escolar, aos professores e aos servidores, através de 16 mil chaves.

O diretor das Biblioteca Física da Uespi, Aureste de Sousa Lima, afirmou que a Biblioteca Virtual possui mais 30 mil livros de todas as áreas do conhecimento nas áreas de ciências humanas, de ciências sociais aplicadas, que tem o maior acervo de livros digitais, ciências exatas e ciências da saúde.

Se você faz parte dos cursos da área de ciências da saúde têm acesso aos livros de Medicina, de Enfermagem, Odontologia. A área que tem muitos livros é a área de ciências sociais aplicadas. Nós temos muitos livros de Direito, de Comunicação, de Turismo”, afirmou Aureste de Sousa Lima.

Ele disse que a Biblioteca Virtual de 30 mil títulos tem como base de dados o serviço Minibiblioteca, mas a Uespi está em fase de contratação de uma base de dados mais ampla, com maior número de livros.

Os investimentos na Biblioteca Virtual da Uespi são em torno de R$ 400 mil. Na base de dados da Minibiblioteca, a Uespi está investindo 180 mil pelo contrato anual e na nova base serão gastos 290 mil pela licença anual,

Os investimentos por aluno no primeiro contrato dá R$ 7 mil por ano para cada aluno. Só o primeiro contrato. O segundo contrato é muito mais oneroso, o de R$ 290 mil”, falou Aureste de Sousa Lima.

A base de dados Minibiblioteca é de São Paulo.

Com a entrada da Uespi na área de biblioteca virtual surge uma pergunta que não quer calar. Se a Uespi é uma instituição pública, logo paga com recursos dos impostos dos contribuintes, tem uma biblioteca física, que permite a pesquisa e uso de seus livros por pessoas de toda a comunidade piauiense, por que os piauienses que não são seus alunos, professores e servidores não têm acesso aos seus livros virtuais?

Aureste de Sousa Lima sorri, de forma desconfortável, ao ouvir a pergunta, mas explica:

O objetivo dessa assinatura é dar suporte às nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Essa biblioteca assinada tem um limite de usuários. Por isso, a gente restringiu o acesso aos alunos, professores e técnicos administrativos, os operadores de nossa instituição. São as pessoas que estão precisando de imediato, estão precisando mais porque a função é dar mais suporte ao que a gente tem no físico”, declarou Aureste de Sousa Lima.

Por Efrém Ribeiro | Publicado originalmente em Meio Norte | 08/07/2015

A ‘Biblioteca de Babel’, de Jorge Luis Borges, virou um projeto digital


Uma biblioteca que contenha todas as combinações de letras, palavras e frases – até as que não fazem sentido

Image of the Sistine Chapel, generated by the Library of Babel.

Image of the Sistine Chapel, generated by the Library of Babel.

Imagine uma biblioteca gigantesca que possua todos os documentos escritos da humanidade – até alguns que não foram escritos, combinações de letras e palavras que não fazem sentido algum, por exemplo. Essa é a “Biblioteca de Babel”, descrita por Jorge Luis Borges em um conto publicado em 1941. E que virou um projeto online.

De acordo com o criador do projeto, o programador John Basile, “A biblioteca é um lugar para qualquer um com curiosidade ou senso de humor refletir na estranheza da existência. Resumindo, é como qualquer outra biblioteca”.

O site possui todas as combinações possíveis de símbolos, incluindo letras, espaços e pontuação. Ou seja, tudo o que poderia ser escrito, incluindo grandes obras da literatura e erros de digitação.

Um dos níveis da biblioteca | Foto: Reprodução

Um dos níveis da biblioteca | Foto: Reprodução

Mas como isso poderia funcionar? Existem 29 caracteres possíveis na base de dados [26 letras, espaço, ponto e vírgula] – cada um é jogado de forma aleatória em 3200 espaços em uma página. Um algoritmo gera automaticamente mais combinações à medida em que você ‘lê’ ou navega pelas estantes da biblioteca.

Testamos a navegação simples e o resultado foi esse:

Trecho da biblioteca | Foto: Reprodução

Trecho da biblioteca | Foto: Reprodução

Também dá para buscarmos frases específicas dentre as combinações. Olha só:

galileu dahora \o/ [Foto: reprodução]

galileu dahora \o/ [Foto: reprodução]

Então é possível ler todos os livros da humanidade dentro desse site? Sim, em teoria. Mas a prática apresenta dois grandes problemas. O primeiro é que são enormes as chances de você ler combinações que não fazem sentido. Achar uma palavra real no meio da bagunça toda já é um grande feito.

E o segundo é o tempo. O Sol explodiria antes de você terminar de ler tudo – o que significa que você demoraria só uns 6 bilhões de anos.

Saiba mais no Quartz.

Por Luciana Galastri | Publicado originalmente em GALILEU | 08/07/2015, às 14H07

Autopublicação – as maravilhas e agruras de cada plataforma


Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Para quem quer publicar e-books de modo independente no Brasil, há muitas opções, desde as plataformas mais conhecidas – como o Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, o Kobo Writing Life [KWL], da Kobo, e o iTunes Connect, da Apple, para ficar naquelas que têm interface em português – até iniciativas locais que começam a surgir, como a Simplíssimo e a Bibliomundi. As promessas variam pouco: liberdade total para o autor; % expressivo do preço de capa; disponibilidade do seu e-book para muitas lojas virtuais mundo afora.

Depois de realizar uma série de testes com as principais plataformas, reparto aqui com vocês as experiências e aprendizados colhidos. Espero que possam ajudar a definir seu próprio plano de autopublicação.

Quais as opções?

Certamente há muitas alternativas que não experimentei, mas posso contar para vocês o que achei da Amazon, da Kobo, da Apple e da Smashwords, da qual desisti logo que as outras aportaram aqui no Brasil. Quanto às plataformas novas que estão chegando, vou me limitar a deixar os links para vocês, pois não as testei ainda.

Amazon KDP [Kindle Direct Publishing] – exclusividade ou poligamia?

Quando você vai iniciar o processo de publicação no KDP, de modo muito simples e rápido, como já expliquei aqui, perceberá a tentativa de sedução para aderir ao KDP Select. Aliás, recentemente a Amazon lançou um concurso literário para arrebanhar autores de contos, e um dos critérios para inscrição é que o conto / e-book seja publicado com adesão ao KDP Select.

São inúmeras as vantagens oferecidas: maior % de royalties, possibilidade de realizar promoções de distribuição gratuita do e-book [o que pode ser uma utilíssima estratégia de divulgação] e entrar na divisão do fundo global do KDP Select [em junho/15 o valor total a ser dividido entre os autores do KDP Select era de 8,7 milhões]. Parece óbvio que é melhor aderir, não né? Claro que não. Especialmente depois que o critério de pagamento relativo aos serviços de assinatura Kindle Unlimited [uma espécie de “Netflix de livros”] passou a ser feito pelo número de páginas do seu e-book efetivamente lido, ao invés do download simplesmente.

Aderir ao KDP Select significa que você só poderá colocar o seu e-book nessa plataforma. Ou seja, nada de facilitar a vida dos usuários da iBookstore nem agradar aos que já se acostumaram a compras online no site da Cultura.

Isso pode funcionar, entretanto, em alguns casos. Se o seu público-alvo [caso você conheça bem seus hábitos] prefere o Kindle a outros e-readers ou aplicativos de leitura, se ele é um fã dos bons serviços prestados pela Amazon, ou se sua obra está disponível em inglês e você tem chance de conseguir espaço na Amazon USA, talvez valha a pena.

Os relatórios de acompanhamento de vendas e leituras pelo serviço de assinatura são atualizados a cada hora, e o autor tem como saber em qual das lojas seu livro foi adquirido [mas pode haver desvios, pois eu, por exemplo, continuo comprando através de minha conta na Amazon USA].

Quanto ao processo de publicação em si, fiz há algum tempo uma resenha aqui [http://www.mauremkayna.com/publicando-na-amazon-com-br/]. É um artigo de 2013, mas o conteúdo todo continua válido.

Kobo Writing Life

Esta plataforma, embora disponível para autores brasileiros e com a grande vantagem de disponibilizar seus e-books na Livraria Cultura, não é toda disponível em português e tem uma chatice relevante quanto ao pagamentos dos royalties. Talvez o seu banco não esteja entre os bancos brasileiros pré-cadastrados no KWL, e então você precisará pedir help in English para o pessoal simpático da Kobo. Eles respondem relativamente rápido, mas talvez você tenha de se informar com seu banco a respeito do recebimento de remessas em moeda estrangeira. Você também precisará informar à plataforma o código Swift do seu banco para poder receber o pagamento, que é feito em dólar.

Outra peculiaridade é que os pagamentos só são enviados quando você acumular ao menos US$100 a receber. O registro da experiência que fiz com o KWL está aqui: http://www.mauremkayna.com/experiencia-de-auto-publicacao-kobo-writing-life/

iTunes Connect – Apple

Até bem pouco tempo atrás, vender na Apple exigia a obtenção de um número ITIN, um processo não tão complicado, mas que exigia realizar uma ligação internacional e se comunicar em inglês para prestar uma série de informações. Isso tudo tinha a ver com questões tributárias. Nunca tive paciência para fazer isso e acreditava que não venderia o bastante para recuperar o custo da ligação [é, não sou mesmo otimista quanto ao potencial de venda dos meus e-books, e não é por achá-los assim tão medíocres], por isso, só utilizava a plataforma para distribuição gratuita.

Como meus primeiros testes com a iBookstore começaram a partir da ferramenta [ótima, aliás] iBooks Author, tive uma série de dificuldades com o controle de qualidade da Apple. Contei a saga aqui: http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-iii/

Superadas essas travas, o que posso comentar da Apple é que a visibilidade e a facilidade de venda, mesmo para autores desconhecidos, é muito grande em comparação com outros meios. Talvez pela facilidade oferecida aos usuários no processo de download e até de pagamentos. Tive um volume de downloads impressionante do e-book Contos.com para quem não investiu em divulgação, não escreve literatura Young Adult ou qualquer outro estilo pop e não é celebridade. Não, não acho que isso se deva à descoberta de meu talento, mas à penetração dos produtos Apple e ao modo intuitivo [e também compulsivo] como as pessoas podem comprar / fazer downloads na plataforma.

As outras

Esse título fica meio pejorativo, eu sei. Mas deixemos como provocação. Cheguei a acompanhar e fazer experiências com a Publique-se, da Saraiva [http://www.mauremkayna.com/outras-experiecias-de-auto-publicacao-publique-se/] e com Smashwords http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-ii/.

Recentemente, vi que a Simplíssimo, que tem grande expertise na produção de e-books [lindos, aliás!], lançou uma plataforma para o autor. Agora com a possibilidade de conversão gratuita e distribuição nas principais lojas online e com royalties de 70% para o autor. Confesso que não testei, mesmo porque não tenho assim toneladas de textos disponíveis para publicação, mas o funcionamento é conceitualmente similar ao do Smashwords, pois seu livro é publicado nas lojas da Amazon, Google Play e Apple sem que você tenha de se cadastrar diretamente em cada uma.

Na Flip, houve o lançamento de uma outra plataforma chamada Bibliomundi, cuja proposta é similar, mas o site ainda está, parece, apenas captando e-mails.

Temos também a e-galáxia [http://e-galaxia.com.br/] que, além de fazer a publicação / disponibilização em várias lojas online, também oferece um catálogo de prestadores de serviço para revisão, edição e capa. Vale comentar que a e-galáxia conseguiu emplacar diversos e-books de contos avulsos como top list na iBookstore, graças a um bom trabalho de divulgação em um selo com curadoria.

Conclusões

A possibilidade de publicar sem intermediários é incrível. Nada de esperar meses pela negativa de uma editora ou amargar o silêncio perpétuo. Há algo, porém, que vale como dica para qualquer das plataformas que o autor venha a escolher [podem ser todas, simultaneamente, aliás]: é preciso ter senso de realidade! Com isso, quero dizer que esperar que o fenômeno E.L. James se repita com você pela simples disponibilização da sua obra para o mundo inteiro na Amazon ou na iBookstore é ingênuo. Se você acreditar que o fato de seu e-book estar disponível para venda em mais de 50 países fará com que o mundo se renda aos seus talentos, bastando postar o link para compra do seu e-book, penso que isso é quase caso de internação ou uso de medicamentos controlados. Ou, trocando em miúdos, vender livros em papel já não é fácil nem frequente se você não é conhecido, e vender e-books, no Brasil, é ainda mais difícil, especialmente dependendo do gênero que você escreve, pois a resistência de certos públicos ao formato ainda persiste.

Mas o objetivo desse parágrafo não é jogar um balde de água fria [ainda mais em pleno inverno!] na sua animação, e sim indicar que, se quiser seguir o caminho da autopublicação, vai ter que ralar. Pense, portanto, sobre o tempo de que você pode dispor para trabalhar com a publicação e a divulgação. Isso poderá fazer você decidir entre a opção de publicar em todas as plataformas ou traçar um plano específico para uma delas, ou ainda, se decidir por alguma aglutinadora como Simplíssimo ou Smashwords. Mas tenha uma certeza: publicar não é o último passo, e sim o primeiro.

Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Sou engenheira e escritora [talvez um dia a ordem se altere], bailo flamenco e venho publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi meu primeiro e-book; depois por puro exercício e incapacidade para o ócio, fiz outras experiências de autopublicação, testando várias ferramentas e plataformas para publicação independente.