Crise hídrica é tema de palestra e livro digital


Na palestra de lançamento do livro, na Livraria Martins Fontes, o engenheiro ambiental Celso Giampá expõe suas conclusões sobre as guerras que, segundo ele, não serão apenas por razões políticas ou pela posse de jazidas de petróleo, mas sim pela água.

Foto: Folhapress | Pedro Ladeira

Mesmo com o acesso à informação cada vez mais acessível, ainda hoje encontramos cidadãos que pensam que sempre teremos água limpa. Que ela nunca vai acabar. Muitos também não sabem que corremos o sério risco de ficarmos à míngua, com uma seca indefinida, tornando os seres vivos sem condições adequadas de vida.

Nossa sociedade em geral e principalmente nossos governantes não estão preparados para tratar do assunto. A ameaça de escassez da água pode se transformar em uma tragédia. Muitos serão vítimas ou adoecerão por falta ou má qualidade desse precioso líquido que mantém a vida na Terra.

Apesar de o Brasil ser beneficiado com a maior quantidade de água potável líquida do mundo, estamos descobrindo que sua distribuição no território nacional não está bem acertada. E é mal utilizada.

Em “Água, a próxima guerra” o engenheiro químico Celso Giampá nos mostra que a água que precisamos para viver é um bem cada vez mais escasso e está se tornando cada vez mais caro. O autor concluiu que as guerras não ocorrem apenas por razões políticas ou pela posse de jazidas de petróleo mas principalmente pela posse da água. Segundo Giampá, é fundamental que encaremos como bem preciso e indispensável: “que a poupemos, que a respeitemos, que a protejamos”.

Faetec abre biblioteca virtual para os alunos do técnico


A Faetec [Fundação de Apoio à Escola Técnica] passou a oferecer aos seus alunos uma biblioteca virtual que permite acessar conteúdos acadêmicos e literários da instituição por meio de aparelhos celulares ou tablets. Para utilizar a plataforma – que necessita da instalação prévia de um aplicativo de leitor de QR Code [código de barras bidimensional] no equipamento eletrônico – basta aproximar o celular do conteúdo desejado que, em poucos segundos, o teor do material é transferido para o aparelho.

Todo o acervo da biblioteca virtual é exposto em um painel de QR Codes – localizado no espaço de convivência da unidade de Ensino Superior da Faetec, em Quintino –, que reúne as opções literárias de acordo com as áreas de conhecimento. São disponibilizadas obras de domínio público de diversos tipos, como artigos, best-sellers, revistas, documentários, material de Artes, Tecnologia da Informação e Computação Gráfica. “A biblioteca virtual é um meio facilitador de levar informação até a nova geração de alunos e também vai ganhando espaço na rotina de quem era acostumado ao modelo tradicional de pegar livro emprestado”, disse o presidente da Faetec, Wagner Victer.

O aluno João Marcus de Lemos Fernandes, de 18 anos, elogiou a acessibilidade na busca por conteúdos promovida pela plataforma. “A biblioteca virtual tem a vantagem de ser usada de qualquer lugar. E, diferente da física, não tem prazo para entrega de livro”.

Já o estudante Rômulo Tavares, de 21 anos, que colaborou na instalação do serviço, afirmou que, além de ajudar na complementação dos estudos, a iniciativa contribui para a preservação do ambiente. “É uma ideia pioneira, que deveria ser implantada em todas as unidades de ensino. A biblioteca virtual não impede o aluno de utilizar a biblioteca física. É um ganho a mais, servindo de complemento, e ainda com a função de reduzir o uso de papel”, disse Rômulo.

NetDiário | 29/06/2015

Irma Boom diz não acreditar nos eBooks


Designer afirma que livros vivem fase de ‘renascimento’ como objeto

A designer holandesa Irma Boom não usa nem PDF de livros | Foto: Teo Krijgsman

A designer holandesa Irma Boom não usa nem PDF de livros | Foto: Teo Krijgsman

AMSTERDÃ- Trabalhando no galpão que fica no primeiro andar de sua casa, numa área nobre de Amsterdã, a designer holandesa Irma Boom, de 55 anos, parece fazer parte das páginas de um dos livros desenhados por ela: veste roupa muito preta num cenário muito branco. Há todas as qualidades de papel em tons claros espalhados pelo estúdio iluminado, o que dá algum volume à cena, mas o ponto que concentra a atenção do ambiente é justamente o mais escuro — a figura de Irma, com seu cabelo muito negro, as mangas compridas, a saia de comprimento austero.

Uma das convidadas da Flip deste ano, onde vai ministrar uma oficina para profissionais da área previamente selecionados, a designer de livros é uma referência no mercado editorial internacional: ganhadora de diversos prêmios, entre eles o Guttemberg Prize, uma espécie de Oscar editorial, tem 40 dos seus livros integrando a coleção do MoMA, em Nova York. A procura por sua oficina em Paraty foi tão grande que dois workshops extras estão sendo montados às pressas em São Paulo, pós-Flip. A dias da viagem, ela parece curiosa pela audiência, quase preocupada.

— É um evento literário, e não falo sobre o conteúdo dos livros. Basicamente, sobre a forma. Não sei se esperam que eu vá ensinar alguma coisa, eu vou apenas contar como faço o meu trabalho, e seria interessante ouvir como os designers brasileiros fazem o seu. Vou propor que façamos um livro juntos, talvez um pequeno volume, de oito páginas — diz Irma, que nunca esteve na América do Sul e montou uma lista de obras arquitetônicas que faz questão de conhecer, como as de Oscar Niemeyer. — O importante em cada trabalho é a atitude que se tem frente a ele: uma maneira específica de se comportar em relação ao trabalho. As respostas às questões do projeto estão dentro do próprio livro, mas só a atitude que você tem diante dele vai levá-lo a elas.

Seu portfólio tem cerca de três centenas de livros inteiramente concebidos por ela, e o que há de especial em cada um deles é o casamento perfeito entre forma e conteúdo. Não são, necessariamente, livros de literatura: há muitos catálogos de museu, guias de arte, compilações de eventos, enciclopédias de temas que vão de feminismo a ecologia. Todo detalhe passa por um conceito: o tipo de papel, o corte, a tipografia, cores, a maneira como o livro vai ser lido, por quem, em qual momento, de que maneira pode ter seu mecanismo explorado. A designer é uma coautora dos livros que faz, apesar de recusar veementemente o título de artista:

— Não sou artista, sou uma designer. Trabalho a partir de encomendas, meus livros são feitos em escala industrial. Faco questão de que tenham preços acessíveis. Arte é outra coisa.

Enquanto fala, mostra exemplos a partir de um pequeno livro vermelho, do tamanho de uma caixa de fósforos, onde estão reunidas todas as capas dos livros que já fez, em miniatura. Os projetos que apresenta aos clientes são feitos em maquetes, como na arquitetura.

— Não uso PDFs, não acredito em e-books. E-book não é livro. Lido com livros reais. Meu trabalho é reinventar o objeto para que ele seja uma nova forma de contar uma história. Um livro, o que faz? Espalha informações. Meu trabalho é mostrar o que você pode fazer a partir da ideia de “virar páginas”. Vou dar um exemplo: num livro, no qual estou trabalhando, a tipografia fará parte do romance, a tipografia será um personagem. É um desafio criar um livro desses, me encanta. Eu realmente acredito que os livros vivem uma fase de renascimento — afirma.

O entusiasmo de Irma em relação ao objeto, no entanto, não é o mesmo em relação às instituições que os protegem e divulgam, como bibliotecas ou livrarias. Irma diz comprar pouquíssimos livros, e conta que sempre tira um de casa quando compra um novo.

— Numa biblioteca, os livros continuam não chamando a atenção, se disputados com o computador. Acredito mais em pequenas coleções de livros especializadas, disponíveis em lugares estratégicos — comenta. — Sempre que vou a uma livraria eu me deprimo. É tão difícil fazer livros; se alguém se propõe a fazer um, que faça bem feito, e não de qualquer jeito, como a maioria parece ter sido feita

O Globo | 28/06/2015 | Por Mariana Filgueiras

Por que telas de e-readers são melhores para leitura que tablets?


Os dois maiores sistemas operacionais móveis, Android e iOS, possuem uma loja de livros digitais. Embora muita gente leia em tablets, uma grande parcela dos usuários não suporta longos períodos de tempo lendo os livros nas telas LCD dos tablets. Isso porque a claridade agride os olhos e deixa a vista cansada. Os e-readers, no entanto, são equipamentos perfeitos para a leitura de livros digitais. Mas por que a tela destes aparelhos, como Kindle, Kobo e Lev, se assemelham ao papel e são tão mais confortáveis aos olhos?

Kindle, Lev ou Kobo: Qual e-reader oferece o melhor custo-benefício?

Os e-Readers, tais com o famoso Kindle, da Amazon, o Kobo, vendido pela Livraria Cultura e o Lev, da Saraiva, utilizam um tipo de tela chamada de e-ink [tinta eletrônica]. Esta tela tem três camadas: a primeira é para onde olhamos; logo abaixo dela há uma outra camada transparente, mas com eletrodos, que podem ser carregados positiva ou negativamente; e a terceira camada é um suporte inferior que também possui eletrodos. E é entre a camada transparente de eletrodos e a camada de suporte inferior que a mágica acontece.

Lá existem micro-esferas, praticamente invisíveis a olho nu, que abrigam pigmentos magnéticos de uma tinta especial nas cores preto e branco. Esses pigmentos são posicionados magneticamente dentro das esferas, então, ao ver um ponto preto na tela, os pigmentos pretos são posicionados na parte superior da esfera e os pigmentos brancos vão para o fundo dela. Para ver pontos brancos, acontece justamente o inverso. E se quiser ver um ponto cinza, os dois pigmentos se misturam no topo da esfera.

E é dessa forma que as letras e imagens são formadas numa tela e-ink. No local onde vemos as letras, os pigmentos pretos estão na parte superior da esfera. E onde está branco é por que os pigmentos brancos estão na parte de cima. No caso das imagens podemos ver vários tons de cinza, decorrentes da mistura desses dois pigmentos.

Esse tipo de tela não precisa de uma fonte interna de luz para exibir as letras e imagens. Se o usuário estiver em um local claro, a própria luz ambiente já faz esse serviço. No caso do Kindle Paperwhite e do Kobo Glo, que possuem luz interna, essa iluminação não é direcionada para os olhos do usuário, servindo apenas para iluminar a área de leitura. Assim a pessoa pode ler mesmo se estiver no escuro, pois o brilho não vai incomodar os olhos.

Kindle, Kobo ou Lev: qual a melhor opção?

Visto que as telas de e-ink não precisam de luz constante, a duração da bateria salta para dias e, em alguns casos, até semanas. Isso por que este tipo de tela só precisa de energia elétrica na hora de movimentar os microscópicos pigmentos das esferas. Depois disso, não se faz mais necessário o uso de energia. Por isso, praticamente, todos os leitores de livros digitais ficam com uma imagem de fundo quando desligados, uma espécie de proteção de tela, já que para a exibição daquela tela não é necessário nenhuma energia.

Assim, se você quiser colocar suas leituras em dia, o mais recomendado é que você use um e-reader, como Kindle, Kobo ou Lev, pois eles oferecem uma experiência de leitura mais agradável.

Por Felipe Alencar | Tech Tudo | 27/06/2015

* Felipe Alencar, 26 anos, reside em Fortaleza-CE. Trabalha com tecnologia há mais ou menos 5 anos e é apaixonado por tudo que tenha uma tela e um teclado. Usuário Windows, iOS e Windows Phone e, em breve, Androiod.

Bibliomundi


A plataforma de publicação on-line Bibliomundi, que será lançada em julho, procura atrair jovens autores em universidades, cursos de escrita e blogs para comercialização digital. A empresa negocia a venda de seu catálogo em 80 livrarias on-line. Pelo que apurou a coluna Avant Première, do Valor Econômico, o investimento inicial foi de R$ 1 milhão e com isso, a companhia espera empatar os custos em quatro anos, apostando na tendência de crescimento, registrada em 2014, de 35% no segmento digital. “O livro seguirá o caminho do jornal, sendo consumido na internet e, principalmente, pelo telefone celular“, disse um dos idealizadores, Raphael Secchin, à coluna.

Por João Bernardo Caldeira | Valor Econômico | 26/06/2015

Audioteca Sal & Luz leva livros falados a deficientes visuais


Meus olhos são seus olhos

A Audioteca Sal & Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados [audiolivros] para pessoas cegas ou com deficiência visual, em todo o território nacional, de forma gratuita.

Possui, hoje, mais de 1.700 associados e conta, em seu acervo, com cerca de 2.700 títulos, entre didáticos/profissionalizantes e literatura.

Nosso objetivo é proporcionar, aos nossos associados, meios para a conquista de uma vida com qualidade.

Mais do que inclusão, desejamos viver numa sociedade que não exclua seus filhos, a despeito de todas as diferenças. Que essas diferenças sejam o estímulo necessário para nosso crescimento individual e para a construção de uma nação mais justa.

No dia 16 de maio, realizamos uma confraternização para comemorar a formatura de mais nove novos ledores do projeto da Audioteca Sal & Luz. Graças ao apoio do Oi Futuro, os voluntários puderam frequentar o curso de formação de ledores onde aprenderam as técnicas de gravação e edição do material voltado para os deficientes visuais.

O curso foi realizado durante quatro sábados, produzindo um total de doze horas/aula. O curso foi ministrado pelo instrutor Marcos Bittencourt, radialista e profissional da voz. O referido instrutor trabalha com voluntariado há mais de quinze anos e já foi responsável pela formação de mais de 100 voluntários ledores de audiolivros.

Neste curso de formação de ledores, ensinou alguns comandos básicos para a realização da gravação e da edição do material produzido. Os alunos aprenderam a operar num programa de edição de som, além de terem recebido dicas sobre como realizar a narração das histórias. É importante enfatizar que toda a gravação é diferenciada, pois nossa preocupação é atender ao deficiente visual na sua necessidade.

Na confraternização, contamos com a participação de uma de nossas associadas, Ivete Rita, que, atualmente, faz faculdade de Pedagogia e utiliza o serviço da Audioteca para auxiliá-la em seus estudos. “A importância desse projeto é infinita. Sem esse projeto como eu ficaria? O apoio de cada um é como se fossem nossos olhos. Os olhos que nós não temos“, disse Ivete.

A formação desses novos ledores é essencial para a continuidade do projeto, pois todos os livros da Audioteca Sal & Luz são gravados por vozes voluntárias e esse novo grupo irá reforçar nossa produção de livros, aumentando ainda mais as novidades literárias no acervo da instituição.

Veja mais neste link.

Notícias do Blog do Galeno | Edição 404 | 26 de junho a 2 de julho de 2015

Mercado de livros digitais cresce e faturamento supera o de livros impressos


Esta matéria é um exemplo perfeito de como os números do mercado editorial, além de escassos, são sempre mal interpretados pela mídia em geral. Apesar da chamada da matéria, do título, e dos números apresentados, é muito importante deixar bem claro ao leitores que acompanham este nosso espaço que não é verdade que mercado de livros digitais cresceu a ponto de seu faturamento superar o de livros impressos. Assistam a matéria e percebam que o erro ocorreu porque o jornalista, ou alguém da pauta, sei lá, tem tanta gente que não presta atenção nas coisas, interpretou erroneamente os números percentuais, cuja fonte, segunda a matéria, é do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Corrigindo, por tanto o lead da matéria:

Mercado de livros digitais fatura menos, mas seu crescimento já supera em percentual o de livros impressos

POR EDNEI PROCÓPIO

Bibliotecas de MT colocam consulta ao acervo na web


O acervo de nove bibliotecas públicas de Mato Grosso agora pode ser consultado online, por meio do site www.bibliotecasmt.com.br.

A ferramenta de pesquisa integra um projeto do Sistema Estadual de Bibliotecas, coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer [Secel], que contempla, entre outros objetivos, a democratização do acesso e o estímulo à leitura entre a população.

De acordo com a bibliotecária Ana Heloíza Farias Pereira, a proposta é integrar num único sistema o acervo de todas as bibliotecas do Estado, chegando a 25 instituições até o final deste ano.

Hoje são 152 bibliotecas cadastradas em Mato Grosso, dentre estaduais e municipais. Inicialmente, o projeto disponibiliza o acervo de instituições em Água Boa, Nova Mutum, Campinápolis, Marcelândia, Pontal do Araguaia, Vera, Peixoto de Azevedo, Barra do Bugres e Cuiabá. Parte delas já apresenta todo o conteúdo catalogado para consulta, outras estão em processo de inclusão das obras para pesquisa.

Em média, cada instituição possui 10 mil volumes.

Ana Heloíza explica que, antes de utilizar a ferramenta, os profissionais das instituições passaram por capacitação nos municípios, com supervisão e orientação feita por servidores da Secel.

De forma geral, as bibliotecas no Estado usavam o sistema de tombo, com registro e consulta manual das obras. A informatização do acervo, além de facilitar o acesso à informação, aumenta as possibilidades de pesquisa pelo cidadão. Após essa fase inicial, vamos ampliar a rede, oferecendo o suporte técnico e acompanhando o processo de integração de mais instituições”.

O sistema da rede de bibliotecas de Mato Grosso foi criado com base no programa Biblioteca Livre [Biblivre], um software de catalogação e difusão do acervo de bibliotecas públicas e privadas, coordenado pela Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Cultural Itaú.

A consulta do acervo é simples e didática. O cidadão acessa o site, escolhe a biblioteca de interesse e depois define as opções de busca, que pode ser feita por bibliografia, autoridade, vocabulário e distribuição.

Em cada link, a pessoa encontra explicação sobre o tipo de pesquisa que está acessando e as orientações sobre como encontrar o livro no site.

Além das informações de acervo, futuramente haverá possibilidade de interatividade com as instituições, por meio de um chat que está em fase final cadastro dos atendentes”, ressalta a bibliotecária.

Midia News | 25/06/2015

Quando publicar um eBook?


No mundo do livro impresso, a data de lançamento é crítica para o sucesso geral de um título: os livros mais novos tendem a ter lugar de destaque nas livrarias, e é no período próximo ao lançamento que se concentram os esforços de divulgação; nas semanas seguintes, à medida que novas apostas chegam às lojas, os livros mais antigos vão ocupando prateleiras cada vez menos visíveis.

Sem os limites da loja física, o livro digital não precisaria seguir necessariamente a mesma lógica. Mas, embora sites possam ser mais dinâmicos do que o layout de uma livraria, eles também têm um espaço bastante limitado para destaques, e o fator novidade continua a ser um dos principais critérios que decidem quais livros aparecem primeiro para o leitor. Neste contexto, o que seria mais vantajoso para a vida do livro: lançar o digital antes, simultaneamente ou depois do impresso?

Nos EUA, durante os primeiros anos de crescimento acelerado do mercado de livros digitais, lançar o e-book algum tempo depois da edição impressa foi uma alternativa muito comum para evitar que os formatos competissem entre si [ou melhor, que o digital canibalizasse o negócio principal das grandes editoras, que era – e ainda é – o impresso]. Esta decisão se encaixa num ciclo de publicação que já englobava diferentes formatos: primeiro a edição mais “nobre”, o hardcover, e, cerca de um ano mais tarde, a versão mais barata, o paperback. Em 2009, por exemplo, Carolyn Reidy, CEO da Simon & Schuster, declarou que “o lugar certo para o e-book é depois do hardcover, mas antes do paperback” – e a editora efetivamente anunciou que lançaria as edições digitais de títulos importantes quatro meses depois da primeira edição impressa. Mesmo editoras independentes optaram por adiar o lançamento de determinados e-books para preservar a demanda pelo hardcover; também em 2009, Dominique Raccah, CEO da Sourcebooks, explicou a decisão nos seguintes termos: “Se você, como consumidor, pode olhar para um livro e dizer: ‘Eu tenho dois produtos; um custa $27,95 e o outro custa $9,95. Qual eu devo comprar?’, esta não é uma decisão difícil”.

Como é natural num mercado que dava seus primeiros passos [e que ameaçava o modelo de negócios já estabelecido], estas decisões foram tomadas muito mais com base em suposições sobre como as vendas de impressos e e-books se comportariam do que em dados concretos. Hoje, com o mercado bem mais maduro, algumas coisas mudaram: primeiro, o pânico de que o e-book “matasse” o livro de papel deu lugar à crença na convivência entre os dois formatos [pelo menos por enquanto]; segundo, dados concretos permitiram concluir que lançar ambas as edições juntas em geral não afeta negativamente o desempenho do livro físico. Por exemplo, o artigo “The Impact of Ebook Distribution on Print Sales: Analysis of a Natural Experiment” traz os resultados de um estudo que analisou as vendas de diversos livros de uma editora americana entre abril e junho de 2010, com intervalos de uma a oito semanas entre o lançamento das edições impressa e digital. Embora o mercado já tenha mudado bastante desde esta época, o estudo traz algumas conclusões interessantes: em geral, adiar o lançamento do e-book resultou num aumento insignificante nas vendas do impresso, insuficiente para compensar a queda no número total de e-books vendidos. Este efeito, porém, variou conforme algumas condições: para títulos que têm brand awareness forte [como best-sellers muito aguardados, obras de um autor conhecido ou livros que fazem parte de uma série popular], adiar o lançamento do e-book aumenta as vendas do impresso de maneira significativa, o que leva a crer que, neste caso, o leitor é fiel ao conteúdo no formato que estiver disponível. Por outro lado, para títulos com pouca brand awareness, adiar o e-book não resulta em melhora no desempenho do impresso, sugerindo que os possíveis leitores destes livros tenham preferido optar por outro produto ou desistir da compra. Eles dificilmente voltarão depois de semanas ou meses, quando a edição digital finalmente for lançada; ou seja, adiar o lançamento do e-book prejudica as vendas justamente dos títulos menos conhecidos, que se beneficiariam de um impulso maior na época do lançamento. Outro fator curioso é o peso e o número de páginas do livro: entre os títulos analisados neste estudo, o adiamento do e-book levou a aumento de vendas dos impressos quando estes eram leves e tinham poucas páginas, mas não quando eram longos e pesados.

Devido a análises como esta, hoje o lançamento simultâneo das versões impressa e digital já não é mais motivo de [tanto] medo e se tornou muito mais comum. Uma das grandes vantagens desta estratégia é que todos os esforços de marketing, divulgação e imprensa, tanto por parte da editora quanto da livraria, acabam impulsionando as vendas de ambos os formatos, eliminando o risco de que um leitor interessado no livro desista da compra porque seu formato preferido não está disponível. Isto exige, porém, que o fluxo de produção esteja bem estabelecido na editora, garantindo que o e-book esteja pronto e disponível quando o impresso chegar às livrarias [o que nem sempre é tão simples, especialmente no caso de livros com layout mais complexo].

Por outro lado, aproveitar melhor as possibilidades do digital tem levado muitas editoras a fazer o caminho inverso: lançar o e-book antes da edição impressa. Selos “digital-first” vêm surgindo em muitas editoras grandes e pequenas, dedicados aos mais diversos gêneros: a HarperCollins tem o HarperTrue [não-ficção] e o Witness Impulse [mistério e thrillers]; a Little, Brown tem o Blackfriars [ficção]; a Harlequin tem o Carina [ficção]; a Bloomsbury tem o Spark [young adult]; a Penguin Random House tem o Hydra [ficção científica] e o Loveswept [romance], enfim. A ideia é que o digital permite experimentar com mais liberdade e menos risco: caso o e-book tenha sucesso, o livro tem mais chances de ser impresso [e, neste caso, ele já chega ao mercado com bons resultados para mostrar, o que facilita o destaque nas livrarias, o que permite atingir um público maior, enfim: coisas boas]. Assim, não há uma solução que se aplique com o mesmo sucesso a todos os casos. Embora o lançamento simultâneo seja uma boa regra geral para grande parte dos títulos, a estratégia da editora e uma análise mais minuciosa de cada livro específico também devem pesar nesta decisão.

Marina Pastore

Marina Pastore

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 24/06/2015

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs

Amazon pagará autores por páginas lidas


Autores autopublicados pela plataforma  Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, foram surpreendidos com a notícia de que a varejista passará a remunerar seus autores pelo número de páginas lidas e não mais pelo número de vezes que o livro é emprestado, como é feito hoje. A medida passa a valer a partir do dia 1º de julho e afeta exclusivamente os autores que optaram pelo KDP Select, programa que coloca os e-books publicados pela plataforma nos programas de subscrição da Amazon: o Kindle Unlimited — para clientes dos EUA, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, França, Brasil, Canadá e México – e a Biblioteca de Empréstimo dos Proprietários Kindle [KOLL] — para clientes dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha e Japão. Sempre bom ressaltar que os optantes pelo Kindle Select se comprometem a colocar o seu e-book com exclusividade na Amazon e ficam impossibilitados de distribuir o livro por qualquer outro canal.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/06/2015

Alemanha proíbe venda de eBooks eróticos antes de 22h


Os fãs de literatura erótica na Alemanha terão que ficar até tarde. A BBC diz que uma lei proibiu a venda na Alemanha de erótico ou pornográfico e-livro antes de 22 horas. Janela de lançamento exclusivo para os seguidores do Marquês de Sade ou Venus Erotica Anaïs Nin: de 22 pm às 6:00. Antes e depois desse horário, livros classificadas em uma categoria específica que “poria em perigo a juventude” não devem ser acessíveis às crianças.

A lei de proteção aos jovens em datas entre 2002 e já proíbe jovens alemães para comprar revistas, livros ou quadrinhos em conteúdo erótico que, nas livrarias, relegado em contadores ou escondidos nas prateleiras. Cinemas adultos foram eles próprios objecto de acesso restrito apenas a partir de um certo tempo.

A controvérsia em torno de um livro de memórias eróticas

Por razões práticas, em particular – o mais modesto considerarem mais discreto para ler um livro erótico na prateleira em cópia impressa – e após o sucesso de Fifty Shades of Grey, e-books eróticos têm, na verdade o vento popa – ou garupa, dependendo.

A ascensão do e-book, e de fato, o e-livro para adultos, portanto, um problema para as autoridades. Esta extensão da lei para a venda on-line segue uma controvérsia sobre a disponibilidade excessiva de memória erótica direito Schlauchgeluste [que poderia ser traduzido como “desejos pegajosas”], que foi o objecto de uma batalha legal na Alemanha.

Os vendedores que vão de encontro aos novos regulamentos incorrer uma multa de 500 000 €, e não 50 mil como adiantamento incluindo a BBC. A associação de editores e livreiros alemães pensa que seu lado através de implementar esta restrição e está trabalhando em um sistema que verifique seriamente a idade das pessoas que desejam comprar e-books em questão. Numa altura em que o conteúdo online pornográfico nunca foi tão acessível, a medida já está a rir alguns usuários que sentem que as autoridades alemãs terão que trabalhar duro para atingir os seus fins.

Le Monde | 24/06/2015

Google Maps dos livros mostra onde as histórias se passam


Uma organização britânica resolveu usar o Google Maps e identificar as localizações de onde se passam as histórias contadas nos livros. Bacana, não é? A Lovereading já mapeou mais de 200 obras, inclusive, você mesmo pode adicionar algumas. Que tal fazer um passeio pela cidade do seu livro favorito?

Tivemos a ideia de um mapa do livro por que o livro te transporta para o local onde ele acontece – e eu, por exemplo, sempre gosto de ler um livro baseado em lugares que eu vou viajar“, disse o diretor e co-fundador da Lovereading, Peter Crawshaw para a Wired. Confira aqui o mapa.

Clique no ícone e leia uma breve sinopse sobre o livro. Ainda não há obras cadastradas no Brasil. No entanto, é possível localizar clássicos como “O Amor Nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez, em Cartagena; “On The Road”, de Jack Kerouac, em São Francisco; ou “Moby-Dick”, de Herman Melville, em Nantucket.

Publicado originalmente em Catraca Livre | 23/06/2015

A um clique: sites possibilitam downloads gratuitos


Quando o assunto é livro, hoje não é mais preciso dar a desculpa de “não tenho mais espaço” ou “não tenho dinheiro”. Pela internet, não faltam portais que oferecem livros por meio de downloads gratuitos de maneira legal. São obras clássicas [que estão no domínio público] e livros acadêmicos, essenciais para pesquisadores e universitários.

Passeamos por alguns desses sites e montamos um roteiro de navegação, cheio de títulos interessantes. Que tal dar um upgrade em sua biblioteca virtual?

Por Cinthya Oliveira | Publicado originalmente em Hoje em Dia | 23/06/2015

Baixe livros na Biblioteca Digital de obras raras da USP


A Biblioteca Digital de Obras Raras, Especiais e Documentação Histórica da USP reúne um acervo com jornais antigos, livros e revistas para consulta ou download. Além disso, há edições ilustradas incríveis de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes.

A plataforma foi inaugurada em 2003, com apoio do CNPq por meio de um projeto do SIBiUSP e da Comissão Central de Informática, coordenado pela Profa. Dra. Laura de Mello e Souza [FFCLH-USP] onde foram digitalizados 38 livros do século XV a XVII. Clique aqui e confira todos os itens.

A ideia do SIBiUSP é democratizar o acesso à informação e ao acervo significativo e de alto valor histórico sob a guarda da universidade.

Catraca Livre | 23/06/2015

Wikipédia impressa, em inglês, vira enciclopédia de 7.600 volumes


O verbete sobre “quixotismo” na Wikipédia tem cerca de 255 palavras. Mas se alguém tivesse o direito de solicitar uma menção pessoal nele, seria Michael Mandiberg.

Pelos últimos três anos, ele está envolvido em um projeto que faria até o mais intrépido aventureiro digital hesitar: transformar a versão em inglês da Wikipédia em uma antiquada enciclopédia em papel com um total de 7.600 volumes.
Mandiberg, artista interdisciplinar que leciona no College of Staten Island e no Centro de Pós-Graduação da City University de Nova York, descreve o projeto como parte um esforço utilitário de visualização de dados e parte um gesto poético absurdista.

Quando comecei, ficava imaginando o que aconteceria se eu pegasse essa coisa nova e a transformasse em uma coisa antiga”, ele disse em recente entrevista em seu estúdio esparsamente mobiliado e de paredes brancas no centro d Brooklyn. “Que cara isso teria?

Michael Mandiberg com seu cachorro, Freddie Merckx, e volumes da Wikipédia em seu estúdio em Nova York

Michael Mandiberg com seu cachorro, Freddie Merckx, e volumes da Wikipédia em seu estúdio em Nova York

Todo mundo sabe que a Wikipédia é imensa, mas são necessários livros físicos –ainda uma unidade de medida “cognitivamente útil”, segundo Mandiberg– para fazer ideia de o quanto. “Não precisamos ver a coisa toda para compreender o quanto ela é grande”, disse Mandiberg. “Mesmo que tenhamos só uma estante para ver, nosso cérebro humano é capaz de finalizar o resto.”
Mandiberg, um colaborador experimentado da Wikipédia, com quase 2.000 alterações e inserções de texto a seu crédito, começou a propor a ideia do projeto em 2009. Em 2012, a transformou em prioridade, dedicando-se ao que define como “uma série infindável de atividades de programação não triviais”, necessárias a formatar os dados que embasam a Wikipédia para subi-los para a rede.

Ele procurou a Lulu.com no final do ano passado. “Foi certamente uma consulta muito interessante“, disse Dan Dillon, vice-presidente de marketing da companhia, que ofereceu assistência técnica e, em alguma medida, financeira ao projeto. “Não é todo dia que alguém o procura e diz que gostaria de contar com uma versão impressa do maior repositório do conhecimento mundial em inglês, e gostaria de usar o seu site para isso“.

Houve outros esforços para medir a Wikipédia sob o padrão da página impressa. Mas Mandiberg parece ter obtido a mais concreta medida de seu tamanho até o momento –pelo menos até 7 de abril, quando ele capturou os dados. De acordo com estimativas da Wikimedia Foundation, 7,5 milhões de edições e inserções aconteceram desde então.
O projeto de Mandiberg é na realidade “um gesto em direção ao conhecimento“, diz Katherine Maher, vice-presidente de comunicações da Wikimedia, acrescentando que “a realidade é que o conhecimento transcendeu nossa capacidade de abrigá-lo em forma de volumes em uma estante“.

A instalação na galeria Denny Gallery, onde ele está expondo o projeto, pode levar o nome de “From Aaaaa! To ZZZap!”, mas o leitor da enciclopédia de Mandiberg –os artigos são impressos em páginas de três colunas, no geral empregando uma fonte gratuita chamada Cardo– vai precisar de algum tempo para chegar à letra A.

Primeiro vem o sumário, com 91 volumes contendo a lista dos quase 11,5 milhões de verbetes. Depois, mais de 500 volumes contendo verbetes iniciados por sinais tipográficos e números, a começar por “!” [o ponto de exclamação], “!!” [denotação de um movimento excelente no xadrez] e “!!!” [uma banda de dance-punk de Sacramento cujo nome é pronunciado Chk Chk Chk].
Também há outros 36 volumes listando os colaboradores, os quase 7,5 milhões de usuários que editaram pelo menos um item desde que a Wikipédia começou em 2001 –estatística que Mandiberg pode ter sido o primeiro a estabelecer.

Embora a Wikimedia agora conte com uma equipe de análise de dados, acompanhar o tamanho e o crescimento da Wikipédia “é algo que temos de realizar retroativamente“, disse Maher. Até recentemente, “o foco era garantir que os servidores funcionem“.

Qualquer volume da enciclopédia de Mandiberg pode ser encomendado por US$ 80 no Lulu.com. Volumes seletos estarão à venda na galeria por US$ 68, entre os quais aqueles que contêm verbetes notáveis como “estética”, “apropriação”, “entropia” e “tempo”.

POR JENNIFER SCHUESSLER | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado em português por Folha de S.Paulo | 23/06/2015, às 02h00

Lista dos mais ouvidos


Pelo segundo mês consecutivo, autor Augusto Cury tem três audiolivros na lista

O serviço de assinatura de audiolivros por streaming Ubook acaba de divulgar a lista com os dez audiolivros mais ouvidos em maio. No mês, o autor Augusto Cury perdeu o 1° lugar para O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Porém, o escritor continua com três obras entre os TOP 10, Ansiedade – Como enfrentar o mal do século, Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis e 12 semanas para mudar uma vida, que ocupam 4°, 7° e 8° lugar respectivamente. A lista ainda inclui O poder da energia, de Pam Grout [2º posição], A arte da guerra, de Sun Tzu [3º], Steve Jobs e a revolução digital, de Jerome Vonk [5º], As mentiras que os homens contam, de Luís Fernando Veríssimo [6º], As 21 irrefutáveis leis da liderança, de John C. Maxwell [9º] e 1822, de Laurentino Gomes [10º posição].

PublishNews | 22/06/2015

Brasil: o país do tablet, smartphone e Android


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 22/06/2015

A IDC divulgou recentemente os números de vendas de tablets e smarthphones no Brasil em 2014, assim como suas previsões para 2015. No que se refere aos tablets, as vendas em 2014 ficaram abaixo da previsão da empresa de pesquisas. Ainda assim, vendeu-se 9,5 milhões de aparelhos no ano passado, quando a expectativa da IDC no início do ano era de 10,7 milhões. Ainda assim foi um crescimento de 20,25%. Para 2015, a IDC projeta queda de 2,11% nas vendas de tablets.

Os smartphones, por sua vez, superaram as expectativas. As vendas alcançaram 54,5 milhões em 2014, ou seja, um crescimento de 55,71% em relação ao ano anterior e 15,96% acima das projeções da IDC feitas há cera de um ano.

Como se vê, apesar da previsão de quedas nas vendas de tablets para 2015, o mercado continua bastante aquecido tanto para tablets como para smartphones. Eu continuo acreditando que o Brasil não é o país do e-reader dedicado, mas sim do tablet e do smartphone, como já expus aqui.

Aliás, esta força do tablet e do smartphone em terras tupiniquins é o que explica o market share relativamente alto de Google e Apple nas vendas de e-books no Brasil. Juntas, as empresas devem responder por cerca de um terço do mercado brasileiro, o que é algo bem acima que a média mundial.

Aliás, vale lembrar que o Android, da Google, domina tanto o mercado de smartphones quanto de tablets no Brasil, com market shares próximas ou acima de 90%. O e-Marketer publicou recentemente um artigo sobre a evolução da participação de mercado dos sistemas operacionais de smartphones no Brasil. A tabela abaixo foi originalmente publicada no artigo.

E o gráfico a seguir apenas permite visualizar o poder absoluto do Android no Brasil.

Amazon remunerará escritores por número de páginas lidas


A partir do dia 1 de julho, a Amazon vai adotar um novo modelo de remuneração. Os autores não serão mais pagos de acordo com a quantidade de livros vendidos – mas conforme o número de páginas que tiverem sido lidas, de cada livro, ao todo, no Kindle. É uma experiência, e por enquanto só valerá para os livros publicados pela própria Amazon [no esquema Kindle Direct Publishing] e baixados por meio do Kindle Unlimited – um serviço que permite baixar livros à vontade por US$ 10 mensais. Mas não é impossível que, a depender do resultado, o novo esquema venha a ser adotado com os demais ebooks.

Segundo a Amazon, a ideia é remunerar os escritores de forma mais justa: quem escreve mais, e é mais lido, ganha mais. À primeira vista, é difícil argumentar contra essa lógica. De certa forma, só reproduz digitalmente algo que já acontece no mundo offline [livros de papel com mais páginas tendem a custar mais caro]. Mas também abre espaço para distorções preocupantes. Com o pagamento por página, os escritores passam a ter um estímulo fortíssimo para enrolar, ‘encher linguiça’. Mas o pior é que, na prática, receberão muito menos. Por um motivo simples.

As pessoas dificilmente leem 100%, de cabo a rabo, todos os livros que compram. Todo mundo para no meio, desiste às vezes. É normal. Como é normal ir ao cinema, não gostar do filme e sair na metade, ou ir a um restaurante e deixar comida no prato. Acontece. Mas, nesses casos, paga-se o preço inteiro – porque o trabalho que outras pessoas tiveram para fazer aquilo não muda por você não ter gostado.

Se a Amazon quiser ir adiante com o pagamento por página, e adotá-lo em todos os ebooks, certamente enfrentará resistência de editoras e escritores. A dúvida é quão forte, ou eficaz, ela poderá ser. Porque a Amazon é muito grande, controla mais da metade do mercado de livros na internet e tem força para impor preços e condições.Talvez o mercado de livros vá passar pelo que aconteceu com a música – onde os artistas recebem menos de US$ 0,01 a cada vez que uma de suas faixas é tocada.

Por Bruno Garattoni | Publicado originalmente em Superinteressante | 22/06/2015

A internet móvel e o futuro das publicações digitais


É inegável que a web mobile pode contribuir para reduzir a brecha digital. Os desenvolvimentos nesse terreno permitiram um maior acesso aos conteúdos web em numerosos países da África, Ásia e América Latina. No entanto, o que acontece em termos de criação e participação? Como promover uma web mobile aberta na qual os usuários locais sejam protagonistas reais, em vez de consumidores passivos? Para discutir esses temas de vital importância para o mundo editorial, conversamos com Mark Surman, diretor-executivo da fundação Mozilla.

1. A internet móvel está revolucionando o modo de acesso ao conteúdo digital no mundo em desenvolvimento. Como essa tendência vai afetar as vidas de centenas de milhões de habitantes do sul global, não apenas em termos de acesso, mas também de criatividade?

A web mobile está fazendo com que milhares de milhões de usuários possam se conectar, e em 2025 teremos 5 bilhões de indivíduos online – muitos dos quais vão se conectar exclusivamente através de seus celulares. Mas o acesso não é suficiente. Para conseguir um impacto na vida dos indivíduos que vivem em países em desenvolvimento, devemos somar ao acesso à alfabetização digital. Quando esses usuários puderem criar conteúdo local em seus próprios idiomas – me refiro a páginas web e aplicativos –, vai se abrir uma oportunidade social e econômica impressionante.

2. Numerosas fundações internacionais estão colocando em marcha iniciativas para facilitar o acesso às publicações digitais em países de escassos recursos, seja através de conectividade gratuita [Internet.org], doações de e-books [Worldreader] ou serviços “Zero Rating” [Wikipedia Zero]. Qual é a sua opinião sobre esses projetos?

Existem atualmente muitas iniciativas bem-intencionadas, mas insisto: a Mozilla considera que o acesso deve estar unido a propostas de alfabetização digital e a ferramentas abertas que convidem à criatividade e à participação. É assim que fortalecemos os novos usuários.

3. Em um recente artigo, você definiu o conteúdo local como “o canário na mina de carvão”, quer dizer como um bom indicador da saúde do ecossistema digital local. Como poderia ser fomentada a produção de publicações digitais locais nos países em desenvolvimento?

Em primeiro lugar, nos países em desenvolvimento precisamos promover uma web aberta. Muitas pessoas acham que o Facebook representa uma extensão da Internet – mas isso prende os usuários a um sistema fechado onde devem seguir determinadas regras. No entanto, quando os monopólios digitais são desarmados, os indivíduos podem criar suas próprias regras, em vez de seguir os alinhamentos de umas poucas empresas. Assim, tudo se torna possível.

Também podemos estimular a produção de publicações digitais locais graças à integração de ferramentas de criação abertas. Ferramentas intuitivas que permitam aos usuários criar em poucos minutos, mesmo se não tiverem os conhecimentos de programação. Também é necessário adaptar essas ferramentas a uma ampla gama de línguas, tais como bengali, swahili, hindi e outras.

4. Quais são os principais projetos da fundação Mozilla em países em desenvolvimento?

Daqui a algum tempo estaremos apresentando o Webmaker. Trata-se de uma plataforma de criação de conteúdo gratuita, aberta e mobile que permite aos usuários construir [e compartilhar] aplicativos, páginas web e outros objetos multimídia em poucos minutos. As barreiras de entrada são baixas – até os usuários que usam um smartphone pela primeira vez podem se tornar inventores. E Webmaker está adaptado a numerosas línguas.

Também estamos expandindo nossa rede de aprendizagem para incluir os Mozilla Clubs, que permitem a mentores e estudantes de todo o mundo entrar em contato para ensinar e construir a web. Os detalhes sobre os Clubs e nossas outras iniciativas de alfabetização digital podem ser encontradas clicando aqui.

5. Desde o surgimento da web [e em particular da web mobile], a indústria do livro atravessou mudanças profundas. Com seu conhecimento do mundo da web, como vê o futuro da indústria editorial em escala global?

A edição se tornou muito mais democrática, e essa tendência vai continuar. Milhares de milhões de usuários estão se conectando e descobrindo a web aberta – o que significa que inumeráveis autores novos contam com uma plataforma e uma audiência para transmitir suas histórias.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 19/06/2015

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Amazon apresenta seu novo Kindle


Produtos são lançados com altíssima resolução

A Amazon acaba de apresentar o novo Kindle Paperwhite, com tela de altíssima resolução de 300 ppi, duas vezes mais pixels do que as gerações anteriores. Além disso, o novo modelo vem com uma nova composição tipográfica, utilizando uma fonte exclusiva, a Bookerly, que, segundo o fabricante “desenhava para que você tema uma experiência mais parecida com uma página impressa”. A empresa anunciou ainda a chegada no Brasil do modelo Kindle Voyage, que, além da resolução de 300 ppi, tem tela de plana de vidro temperado e parte de trás em magnésio, o que o torna mais resistente e mais leve – tem 7,6 mm de espessura e pesa 180g. Os dois modelos estão em pré-venda pelo site da Amazon.

PublishNews | 18/06/2015

No tempo dos eBooks


Como o hardware, o software e o conteúdo convergirão para tornar o livro instantaneamente acessível

Durante a 15ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto ministrarei uma palestra, no Salão de Ideias, que abordará o passado, o presente e o futuro dos livros sob uma ótica da convergência digital.

Na palestra pretendo abordar como os modos de produção e circulação de livros vem se alterando ao longo do tempo. Creio que nunca na história da indústria editorial os livros estiveram tão próximos do cotidiano dos consumidores quanto hoje. E, assim que passar esta fase de reinvenção desta indústria diante dos desafios impostos pela Era Digital, a tendência é o livro se tornar cada vez mais popular.

As tecnologias de hardware, software e conteúdo, voltadas ao novo mercado editorial, estão emergindo a partir de um emaranhado de conexões literárias para tornar o livro instantaneamente acessível a uma massa cada vez maior de leitores consumidores.

Conexões literárias se formam a partir do agrupamento de pessoas e ideias que circulam no entorno de projetos de blogs, redes sociais literárias, livrarias online, editoras virtuais, plataformas de autopublicação, bibliotecas digitais, etc.

No passado, diversos hardwares serviram de superfície de leitura

E a prática vem nos mostrando, através dos tempos, que todos os livros necessitam obrigatoriamente de uma superfície de leitura, ou de um hardware, para serem registrados, acessados e lidos. Sem um hardware, o acesso e a leitura ficariam comprometidos, e o homem continuaria a perpetuar sua antiga comunicação oral.

Desde as paredes das cavernas, passando pelos tabletes cuneiformes, bambus, tecidos, papiro, cascas de árvores, cordas, alfarrábios, entre gravuras em barro seco ou frases escritas em peles de animais, até chegar ao suporte papel, aos CD-ROMs, e-readers, tablets, smartphones, etc., o homem vem utilizando diversos modos para o registro de ideias, informações e conhecimentos.

1Um exemplo do uso diversificado de superfícies de registro e leitura é o quipo [ou quipu], um cordão com nós atados cuja amarração permite uma leitura por decodificação de combinações. Com o uso do quipo, um cordão com cerca de 30 cm, a cultura inca pré-colombiana estabelecia uma contabilidade precisa no seu abastecimento de alimentos e utensílios. O quipo permitiu ao povo inca a conservação da memória de seus antepassados por meio de crônicas.

Mas foi o hardware papel o responsável por disseminar e até, de certo modo, ‘engessar’ a cultura literária ocidental. Ao contrário, porém, do hardware papel que esteve no centro das atenções dos meios de produção do livro, durante pelo menos quatro séculos desde a revolução da prensa de tipos móveis, engendrada pelo gênio alemão Johannes Gutenberg, hoje a superfície digital de leitura está literalmente na palma da mão dos leitores.

Baseado em écrans digitais de produtos como smartphones, óculos de realidade virtual, e-readers, relógios, tablets e um número crescente de telas de variados tamanhos, a moderna superfície de leitura migrou dos antiquados e pesados hardwares, para as leves e legíveis páginas portáteis. E a partir das modernas superfícies digitais de leitura presenciamos o nascer de um novo intermediário do conhecimento.

No presente, o software é o responsável por intermediar a leitura

O software, cuja linguagem binária vem se desenvolvendo desde a década de 1960 através dos computadores pessoais, tornou-se hoje em dia em uma interface bastante disseminada e popular que cuida da intermediação entre o conteúdo e as modernas superfícies de leitura.

O software, hoje empacotados nos chamados apps, permite que ideias, informações e conhecimento sejam registrados, e compartilhados através das redes de computadores, servidores descentralizados, computação em nuvem e inúmeros aplicativos.

A portabilidade tecnológica e a socialização da Internet, através dos apps, atreladas à disseminação do comércio eletrônico, são hoje uma realidade que tornaram possível uma revolução sem precedentes desde o aprimoramento das máquinas de tipos móveis. Com o avanço e democratização das tecnologias de informação, plataformas digitais de publicação, leitura e compartilhamento nasceram, evoluíram e permitiram um modo completamente novo de se trabalhar com os livros.

O conteúdo se tornará ainda mais central para os livros

O futuro do livro encontra-se mais centrado no conteúdo que nas superfícies de leitura ou nas tecnologias que o intermedia. O futuro do livro converge para uma leitura social, direta, em tempo real, periódica, desintermediada e menos burocrática.

Estamos no limiar de novos modelos de negócios voltados aos livros, hoje divididos entre a publicação instantânea, que oferece quantidade de livros ao novo mercado editorial, e a curadoria de conteúdo que concede a qualidade necessária.

Tanto o conteúdo criado de modo espontâneo pelos escritores online, quanto o conteúdo encomendado por publishers, baseado em suas próprias demandas, alimentarão um mercado editorial cada vez mais rico e dinâmico. Plataformas digitais de publicação, comercialização e divulgação, atrelada a uma curadoria de conteúdo, serão responsáveis por profissionalizar livros e autores para uma massa de leitores que, com uma curva de aprendizagem cada vez mesmo acentuada, optarão por títulos de qualidade.

E o que podemos prender com os erros do futuro?

Da publicação instantânea, sem o filtro editorial necessário, nascerão os novos escritores que futuramente desenharão o novo modus operandi do mercado editorial. A curadoria de conteúdo será a responsável pelo nascedouro de uma nova geração de publishers que irão direcionar o trabalho dos antigos profissionais do mercado editorial tradicional.

Um novo mercado editorial já nasceu e segue seu curso rumo ao futuro. Este novo mercado converge o hardware, o software e o conteúdo dos livros em uma rica bibliodiversidade, em uma diversidade de escritores, editoras, livrarias online e bibliotecas digitais que formam as conexões literárias, capazes tanto de estimular o nascimento de novos leitores quanto assegurar a leitura dos mais exigentes entre os leitores. O que o futuro do livro nos reserva, afinal, é um cenário de conteúdo literário em plena convergência.

Minha palestra sobre o passado, o presente e o futuro dos livros, sob a ótica da convergência digital, será ministrada no Salão de Ideias. O evento [aberto ao público, com entrada gratuita] ocorrerá no dia 18/06/2015, das 16 às 17H30 horas, no Auditório Meira Jr. do Theatro Pedro II.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ednei Procópio é um dos maiores especialistas em livros digitais do país, pioneiro na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais, atua na publicação, comercialização e divulgação de centenas de títulos em versões impressas sob demanda e digitais através da LIVRUS Editorial. Publicou Construindo uma biblioteca digital [2005], O livro na era digital [2010] e em 2013, Procópio lançou seu terceiro livro A Revolução dos eBooks [pela editora do Senai] indicado ao Prêmio Jabuti 2014.

O livro digital no Prêmio Jabuti


Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Na mais recente edição do Prêmio Jabuti, – a de número 57 –, a CBL “acrescentou”, em caráter experimental, livros digitais ao concurso. Com muitos “poréns” [e sem premiação], entusiastas, editores e autores ficaram, com alguma razão, desapontados.

Choveram críticas – como se pode ver nesta discussão no AED – à instituição e à maneira como se deu essa entrada inglória dos digitais. Todavia, uma coisa precisa ser dita: a iniciativa é válida e, mais do que isso, é valiosa.

Problemas vários, das categorias às impossibilidades técnicas e legais [para as quais a maioria das pessoas com quem falei não atentou], inviabilizaram os e-books de concorrerem ao Jabuti.
Deixarei meus dois tostões sobre isso abaixo, mas já adianto minha conclusão aproveitando a semana de spoilers por causa de GoT: bem, minha conclusão é que houve boa vontade e, quem sabe, até empolgação, em querer incluir os digitais, mas obviamente não se pensou o suficiente em como fazer isso de maneira realmente inclusiva.

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Categorias

Comecemos falando das categorias. Quais são elas? Eu mesmo respondo: a lista completa pode ser vista neste link. Se observarmos, as únicas categorias que não dizem respeito diretamente ao conteúdo são Projeto gráfico e Capa. As capas dos e-books, no geral, são adaptações [recortes ou reorganização de elementos] de suas versões impressas, mas o projeto gráfico, não. Bem, ao menos não deveria ser. Reparem no segundo exemplo [Luto e Melancolia] deste artigo que escrevi para o blog da Cosac Naify.

Caso o livro inscrito possua uma versão digital e a editora opte por assinalar a mesma, esta deveria concorrer numa subcategoria de Projeto gráfico, algo como: Adaptação de projeto gráfico para o digital.

[Outros exemplos de adaptação de projeto gráfico neste e neste link.]

Aonde estou querendo chegar com isso? Bem, com esse tipo de categorização não excluímos o que todas as outras categorias do prêmio têm em comum: o diálogo com o conteúdo e com o todo. E por que isso é importante? Porque já passou o tempo em que víamos o digital como um inimigo, como algo à parte, certo?

Se é para incluir, façamos uma inclusão de verdade, afinal, se todos os livros avaliados exigem atenção e preparo dos jurados, por que o julgamento do digital deve se limitar em clicar em músicas, vídeos e animações, que é como a coisa posta, no final das contas? A maioria dos livros digitais publicados não possui nada disso, enquanto muitos dos livros concorrentes ao prêmio possuem versão digital.

DRM e distribuição para júri

Também se falou da problemática relação entre distribuição para avaliação e DRM, devendo a editora fornecer “um arquivo livre de regras de DRM”. Como usuário e entusiasta de software livre acho que minha posição pessoal em relação aos DRMs é bastante clara. No entanto, como profissional, preciso respeitar contratos e posso afirmar que 99% dos contratos estrangeiros com que já me deparei são bem claros com relação a isso: o arquivo não pode ser distribuído sem proteção. Nem para imprensa, nem para jurados, nem para o dono da editora e nem para o autor. Então, a menos que os detentores dos direitos liberem por escrito ou adendo o uso e, em contrapartida, a outra parte assine um termo, a solução é perguntar aos jurados em que plataforma eles preferem acessar os e-books. Depois, entrar em contato com as editoras e solicitar promocodes [ou algo equivalente] da plataforma em questão [no Google Play Livros, por exemplo, acrescenta-se o usuário como revisor de conteúdo] para, através desses canais, liberar o acesso.

Outro problema em relação ao DRM é que em praticamente todas as lojas o e-book passa a ser interpretado de diferentes maneiras após a aplicação dele. Isso se dá porque cada aplicativo renderiza e adapta à sua própria maneira o código fonte do e-book [que deve ser pensado como uma equação que vá funcionar mais ou menos igual para todos]. Logo, o e-book sem DRM não representa o e-book entregue ao leitor.

[Para saber mais sobre DRM, leia este artigo]

3.19 INFANTIL DIGITAL

Caso não tenham lido o regulamento, fiz uma cópia do PDF neste link. Pulem diretamente para 3.19 INFANTIL DIGITAL e sigam lendo até a 3.19.1.5. Minha leitura do trecho foi: “gentileza não enviar nada desse tipo para a gente”.

O problema já começa no 1º parágrafo, onde esbarramos em Ficha catalográfica. Para começar, o modelo de ficha digital [2012] proposto pela CBL já chegou um pouco atrasado [3 anos atrasado, para ser mais exato].

Fato 1: em 2012 a maioria das médias e grandes editoras já havia começado a converter seu catálogo e, na ausência de regulamentação, informação e possibilidade, elas já haviam também estabelecido seu fluxo de trabalho sem levar isso em conta.

Fato 2: o primeiro modelo de ficha catalográfica proposto pela CBL não fazia o menor sentido, técnica e semanticamente falando.

Fato 3: Eu mesmo liguei para lá algumas vezes entre 2009 e 2012 e ninguém sabia responder às minhas perguntas. A “pessoa que entende disso” nunca estava lá ou retornou minhas ligações. Assim fica difícil cobrar, né?

Fora tudo isso [fatos que se limitam a um item, composto apenas por duas palavras localizadas no primeiro parágrafo], a regra que diz que apenas livros infantis que “Possuam conteúdo textual integrado a elementos multimídia, interativos e hipertextuais” podem participar exclui trabalhos maravilhosos, como o da Intrínseca com os e-books do Gaspari [veja aqui] e e-books infantis de layout-fixo sem animação que são bem bonitos.

E-books interativos deveriam entrar em uma categoria à parte? Com certeza, mas só infantis deveriam entrar nessa categoria? Acho que não, eim. Apenas um palpite.

Em vez de termos restritivos e confusos, e a reiteração de “tudo que vai dar errado e desclassificar o livro porque alguma coisa acontecerá no caminho e nos impedirá de abrir esse arquivo”, o regulamento deveria ser minimamente claro para o concorrente sobre como ele deve enviar o livro e que quesitos serão, de fato, avaliados, como é feito em qualquer concurso de qualquer tipo.

A conclusão está supracitada, mas complementando, nenhum desses tropeções invalida a tentativa da CBL. Trata-se de um órgão importante traçando um caminho inédito, talvez sem volta; não há discussão quanto a isso, a meu ver. Não fosse esse um passo ousado, não teria gerado a expectativa que gerou.

Como tentei mostrar, não é tão simples quanto parece querer acrescentar e-books num concurso como o Jabuti. Esbarra-se num monte de questões que demandam tempo, planejamento, testes e simulações. A CBL tem 1 ano para ponderar sobre esses tropeções e superá-los se decidir bancar o posicionamento e levar isso adiante.
De minha parte, torço para que o faça e espero ter colaborado de alguma forma.

PS. Seria interessante colocar uma categoria de Qualidade técnica com avaliação de código. Já pensei nos quesitos de avaliação e até numa maneira de viabilizar isso sem infringir contratos. Mas acho que isso pode esperar para o de 2017, se me deixar falando disso, o texto não acaba…

Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora.

Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Mais uma editora adere à Distribuidora de Livros Digitais


DLD passará a fazer a distribuição digital dos e-books da editora

Resultado do consórcio das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, LP&M e Novo Conceito para distribuição digital de seus e-books, a DLD começou recentemente a distribuir e-books de outras editoras. A primeira casa a aderir – como cliente e não como sócia – é a Cosac Naify. Em comunicado enviado à redação do PublishNews, a DLD informa que “esta iniciativa se integra ao processo de fortalecimento da atuação da Cosac Naify no digital”. “Iniciando o trabalho de distribuição de e-books integrado a uma plataforma, automatizamos uma grande parte do operacional para que possamos focar no que nos é mais importante: os livros“, se pronunciou a Cosac também via comunicado. Atualmente, a editora dispõe de 140 e-books em seu catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/06/2015

Esquenta a disputa pela distribuição digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

DldO PublishNews noticia hoje que a Cosac Naify é a primeira editora a ser distribuída pela DLD sem fazer parte do consórcio que a controla, formado por sete editoras brasileiras. Serão 140 e-books da editora paulistana que passarão a integrar o catálogo da agregadora. Este anúncio é de extrema importância porque marca a entrada da DLD na disputa pelo controle da distribuição digital no Brasil. Se antes a empresa só aceitava distribuir sócios e se comportava mais como um clube, agora ela se torna um agregador comercial de fato. A empresa carioca, aliás, não foi atrás apenas da Cosac Naify, mas tem conversado com vários editores que parecem fazer parte de uma seleção criteriosa, sempre para oferecer seus serviços de distribuição.

Em minha opinião, o lento crescimento do mercado digital brasileiro em 2014 e início de 2015 se deve, em parte à ausência de bons serviços de agregadores no país. Até o ano passado, havia, na prática, apenas a Xeriph e a DLD operando em maior escala no Brasil. E se por um lado a Xeriph merece aplausos e reconhecimento por ter sido a pioneira e por ter feito um excelente trabalho de agregação de conteúdo no mercado brasileiro [arrisco-me a dizer que sem ela, a Amazon teria
Logo_xeriph_bigretardado muito mais sua entrada no Brasil], a verdade é que até o ano passado pelo menos, a empresa ainda não conseguia oferecer aos editores brasileiro o mesmo tipo de serviço e plataforma que empresas estrangeiras como Ingram, Overdrive e DeMarque colocam à disposição no exterior. Enquanto isso, a DLD não tinha interesse em distribuir não-sócios e empresas como Acaiaca Digital e Digitaliza ainda estavam começando. Assim, a distribuição digital no Brasil deixou muito a desejar em 2014.

Agora o cenário é outro, e não apenas pela entrada da DLD na briga. Afinal, já no início de 2015, a distribuidora digital Bookwire iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma filial em São Paulo, capitaneada por Marcelo Gioia. Desde então, a empresa já fechou contrato com cerca de 80 editoras e já está distribuindo o conteúdo de 60 delas. A seu favor, Bookwireconta o fato de que a plataforma alemã já é mundialmente reconhecida como um dos melhores sistemas de distribuição de digital do mercado. Além disso, a empresa tem mostrado eficiência em otimização de metadados e serviços de marketing no exterior.

A carioca Xeriph, por sua vez, resolveu questões internas ligadas a saída do grupo Abril do controle da empresa em setembro do ano passado e, depois de avaliar possíveis compradores, decidiu seguir sozinha na operação podendo agora focar mais no negócio da distribuição e menos em assuntos corporativos. Uma das vantagens comparativas da empresa dirigida por Duda Ernanny é seu projeto de plataforma de biblioteca digital que ela vem desenvolvendo.

DigitalizaA Digitaliza, capitaneada por Igdal Parnes, ex-Elsevier, também começa a mostrar a que veio. Seu diferencial é oferecer financiamento dos custos de conversão para os editores que aderirem a sua plataforma. Na Digitaliza, portanto, os editores não precisam desembolsar capital para converter os títulos de seu catálogo. A empresa já distribui cerca de 30 editoras.

AcaiacadigitalFinalmente, a Acaiaca Digital, que chegou a negociar a compra da Xeriph em março e que distribui o catálogo digital da plataforma de self-publishing Clube de Autores, entre outros, parece mais ávida pelo quinhão digital, tanto que quase arrematou a Xeriph. A negociação só naufragou nos momentos finais. E a empresa conta com executivos do calibre de José Henrique Grossi.

Para um mercado que passou 2014 sem grandes opções de distribuição digital para os editores, o segundo semestre de 2015 promete. Agora são cinco agregadores digitais em atuação e, verdade seja dita, não há espaço para todos. Mas a concorrência é sempre saudável e que vença o melhor. Ou, ainda, que vença o livro digital. Ou, mais que isso, que vença o livro.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

Cebrap lança a sua Nova Biblioteca Virtual


Cebrap acaba de lançar a sua Nova Biblioteca Virtual. Ela constitui-se como uma das principais ferramentas do site do Cebrap e uma importante vitrine das pesquisas realizadas pela casa. Projeto chega com uma série de novidades que deixam a busca por conteúdos mais amigável, intuitiva e rápida. “Quando começamos a desenvolver o site nossa principal intenção, além de divulgar esse importante acervo, era de oferecer ao usuário uma solução simples, ágil e muito bem organizada”, explicam Alexandre Abdal e Maria Carolina Vasconcelos Oliveira, coordenadores da iniciativa e pesquisadores do Cebrap.

Outro destaque é a disponibilização em vídeo, com tradução em libras, dos Seminários do Cebrap, realizados mensalmente no auditório do Cebrap. “A Biblioteca Virtual presta um grande serviço público na medida em que torna todos esses conteúdos disponíveis gratuitamente para pesquisadores e interessados em geral”, afirma Angela Alonso, diretora Científica do Cebrap.

Além da organização de conteúdos já digitalizados, como Estudos Cebrap, Cadernos Cebrap, pesquisas, artigos e livros de pesquisadores, o projeto prevê, em sua próxima etapa, a organização e digitalização do acervo físico do Cebrap. “Há, no acerco físico do Cebrap, um grande volume de material que ainda não se encontra digitalizado e que será organizado na nova plataforma. Porém, ainda será preciso o apoio de novos investidores”, lembram Alexandre Abdal e Maria Carolina Vasconcelos Oliveira. Possíveis interessados em apoiar a iniciativa devem entrar em contato por meio do bibliotecavirtual@cebrap.org.br.

Clique aqui para conhecer a Nova Biblioteca Virtual do Cebrap.

Sobre o Cebrap

Fundado em 1969, por um grupo de professores, em sua maioria afastados das universidades pelo regime militar, o Cebrap destacou-se na cena nacional com seminários, publicações e pesquisas marcados por um caráter de resistência política e produção de conhecimento crítico independente. Ativo há mais de quatro décadas, o Cebrap – uma instituição sem fins lucrativos – já realizou mais de 500 projetos de pesquisa, trabalhou com cerca de 200 parceiros nacionais e internacionais e se consolidou como centro de pesquisa em humanidades de alto padrão, referência na produção de conhecimento de ponta nas diferentes ciências sociais, na filosofia como também na crítica literária e artística, albergando alguns dos maiores intelectuais do país, e funcionando como fórum de debate sobre os grandes problemas nacionais.

Jornal do Brasil | 17/06/2015

Amazon faz concurso literário


A Amazon brasileira se associou ao jornal O Globo e à Samsung para criar o concurso literário Brasil em Prosa. Podem concorrer contos inéditos publicados entre 13 de junho e 31 de julho em formato digital pela plataforma de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing [KDP]. Os contos serão avaliados pela Amazon e pel´O Globo segundo vários critérios, como criatividade, originalidade e qualidade da escrita. Os autores dos 20 contos finalistas ganharão um e-reader Kindle, 12 meses de acesso ao programa de aluguel de e-books Kindle Unlimited e uma assinatura digital do jornal O Globo por três meses. Os três vencedores serão selecionados, dentre os 20 finalistas, por um júri de jornalistas literários de diário carioca. Os contos vencedores serão publicados no caderno Prosa do jornal O Globo, traduzidos para o inglês e vendidos mundialmente nas lojas da Amazon. Eles ganharão ainda, como prêmio, uma assinatura digital de um ano de O Globo. O primeiro lugar também levará um tablet Galaxy Tab A e o segundo e o terceiro, um Galaxy Tab E, da Samsung. Para acessar o regulamento e se inscrever, clique na página do Brasil em Prosa.

PublishNews | 15/06/2015

‘Booktubers’ fazem sucesso na web com vídeos sobre livros


Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

Canais especializados em crítica literária no YouTube fazem sucesso entre adolescentes ao comentar livros; alguns já conseguem até ganhar dinheiro com isso

CHICO GIMENES/DIVULGAÇÃO

CHICO GIMENES | DIVULGAÇÃO

Sob um forte sol, cerca de 400 pessoas se reuniram há duas semanas no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, para encontrar seus ídolos. Entre gritos e declarações de amor, fãs tiravam fotos e pegavam autógrafos deles, que se desdobravam para atender aos inúmeros pedidos. As “celebridades”, porém não eram da música ou da televisão. São jovens que se dedicam a resenhar livros de papel em vídeos no YouTube: os “booktubers”.

O termo surgiu em 2011, usado pelo australiano de apelido Bumblesby como denominação para pessoas que faziam críticas e comentários sobre lançamentos editoriais no YouTube — inclusive ele. Canais falando sobre literatura já existiam, mas a chegada de um termo específico ajudou a modalidade de vídeos a ganhar projeção.

A professora de inglês Tatiana Feltrin foi a primeira a fazer vídeos falando de livros no Brasil. “Quando comecei, em meados de 2007, fazia isso sozinha”, comenta. “Até 2011, eu conseguia estar inscrita em todos os canais brasileiros sobre livros. Cerca de 50, chutando alto. Hoje em dia, é impossível.

Tatiana é prova de que o nicho se transformou em sucesso de audiência, dentro e fora do YouTube. Ela tem quase 10 milhões de visualizações em seu canal, o Tiny Little Things, onde aborda de Carl Sagan a Sêneca, e consegue faturar em média US$ 300 por mês com anúncios. Seus ganhos não param aí e incluem cachês para participações em eventos, palestras e vídeos pagos para editoras.

Apesar do crescimento da modalidade, Tatiana tem ressalvas. “A comunidade tende a crescer mais, mas não tenho uma visão otimista”, revela. “Estamos vendo muita gente começando canal para entrar na onda, ganhar notoriedade e livros de graça das editoras.

O evento do Parque Villa-Lobos, com fãs emocionados encontrando seus ídolos, foi organizado pelos donos de canais literários Cristiam Oliveira e Alison Iared [Índice X], Victor Almeida [Geek Freak], e Nathalia Cardoso [Leu].

A ideia surgiu como forma de reunirmos todos os booktubers existentes e encontrar pessoalmente nossos inscritos”, conta Cristiam. “A esperança era de que as pessoas se conhecessem e se divertissem, criando laços com o público.

De Santa Catarina, Pâmela Gonçalves veio ao evento para conhecer alguns dos quase 100 mil inscritos de seu canal. Logo que chegou ao encontro no Villa-Lobos, dezenas de pessoas começaram a correr em sua direção. Muitas choravam e gritavam. Ela justifica o sucesso. “Acho que é a união da popularização do YouTube e, ao mesmo tempo, o aumento do interesse por livros”, comenta.

Já para Victor Almeida, a popularização dos booktubers acontece pela linguagem utilizada. “Os canais literários propiciam uma forma mais divertida e dinâmica de conhecer e se relacionar com literatura.” Ele explica que “a descontração é a chave” para atrair a atenção dos jovens para o conteúdo dos vídeos e dos livros – que variam de livros infantojuvenis até Proust, dependendo do canal.

Segundo os donos de canais literários, a postura crítica com relação às obras é fundamental, independentemente do gênero literário ou se o livro foi enviado por editora. “Isso não interfere na análise”, diz Cristiam.

Essa nova dinâmica está transformando a relação entre jovens e literatura e, principalmente, entre livros e internet. Antes considerada uma inimiga do mercado editorial, a web está começando a se tornar aliada de editoras e autores.

O TRADICIONAL NA WEB

Além de fãs e booktubers, o encontro contou com a participação da Livraria Cultura — que cedeu um auditório para realização de debates e conversas — e de 12 editoras que enviaram livros e materiais promocionais.

A DarkSide Books foi uma delas. Apostando em uma ampla divulgação nas redes sociais e criando uma boa relação com booktubers, a editora tenta fortalecer sua presença na web.

Não existiria a DarkSide sem internet”, conta Christiano Menezes, sócio-fundador. “A relação entre internet e literatura traz novas possibilidades para criar, ler, discutir, interagir. Assim, buscamos ter um DNA totalmente online.

Ao observar as redes sociais das diversas editoras brasileiras, é visível a busca por integração no ambiente virtual.

Menezes indica que esta aproximação com os leitores pela web é o caminho para as editoras tradicionais. Ele ressalta, no entanto, que isso deve ser feito através de “diálogos verdadeiros”. “Senão não funciona.”

Vários autores também estão usando a web como parceira na divulgação de seus livros. Raphael Montes já possui três perfis lotados no Facebook [o que lhe dá 15 mil contatos na rede]. Antes espaço apenas para amigos e familiares, o autor hoje aceita solicitações de amizade de seus fãs. Mas ressalta: “A internet e a literatura não são inimigos, mas também não são gêmeos univitelinos”, comenta. “A obrigação do escritor é escrever. Só depois ele deve se preocupar com a internet.

Carolina Munhóz também é outra escritora que possui ampla presença na web. Com mais de 250 fã-clubes, a autora se valeu da influência na internet para ampliar a divulgação de seu trabalho. “A era das redes sociais está ajudando os autores. Temos feedback dos livros de forma instantânea”, conta.

Os escritores ressaltam a importância dos booktubers no atual momento do mercado editorial. “Os booktubers representam a democratização da opinião literária na internet. Qualquer um pode criticar, e é de igual para igual”, opina Raphael Montes. Para Carolina, esta nova fase da literatura na internet dá fôlego aos livros. “Com a popularização dos blogs e booktubers, a literatura é que ficou em evidência.

Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

Biblioteca Digital da OAB oferece livros gratuitos para download


O site também informa o autor e ano de publicação dos livros, e em alguns casos, também é fornecida uma sinopse do conteúdo. Para fazer o download, basta clicar na obra de interesse e o arquivo será disponibilizado em formato PDF. Algumas publicações também estão disponíveis para compra.

De acordo com a OAB, o acervo será atualizado periodicamente, com o intuito de auxiliar os profissionais do Direito tanto na área acadêmica, quanto no cumprimento de suas funções jurídicas e para com a sociedade.

“Acompanhando os avanços tecnológicos dos últimos anos, a Ordem dos Advogados do Brasil agora disponibiliza ao público um portal dirigido à sua nova Biblioteca Digital, que objetiva incrementar o acesso à informação gratuita. Com a proposta de compartilhar conhecimentos de forma ampla e imediata, oferecemos a todos os usuários da rede mundial de computadores um acervo que servirá como referência aos advogados, estagiários, pesquisadores, professores, alunos e à população em geral”, afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, na página principal da Biblioteca Digital.

Para mais informações, acesse o site da Biblioteca Digital ou entre em contato pelo e-mail biblioteca@oab.org.br.

OAB de Primeira | 13/06/2015

Levantamento revela trechos mais grifados pelos leitores em eBooks no país


Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Autores independentes se destacam na lista; ‘A culpa é das estrelas’ é o mais marcado

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

RIO | John Green ainda se lembra bem: estava sentado num café perto de casa, nos Estados Unidos, pensando sobre a parte de “A culpa é das estrelas” [Intrínseca] que acabara de escrever. Gus, par romântico da protagonista, dizia a ela que há algo prazeroso e puro em declarações de amor. Depois de pensar, o autor emendou: “Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.” Depois de “lutar” com esse parágrafo, John Green sentiu-se exausto, fechou o computador e voltou para casa.

Três anos depois de o romance ser lançado, o trecho acima tornou-se o mais grifado por usuários brasileiros do Kindle no e-book de “A culpa é das estrelas”. É o que mostra um levantamento exclusivo feito a pedido do GLOBO pela Amazon, a empresa que lidera o comércio de livros digitais no Brasil, sobre as passagens favoritas dos leitores nos 15 e-books mais vendidos no último ano.

A empresa também analisou algumas obras populares, mas que não apareceram entre os líderes de vendas do ano, como “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco] e “Cinquenta tons mais escuros” [Intrínseca]. Se a leitura antes era uma atividade privada, o livro digital trouxe a possibilidade de espreitar o comportamento dos leitores — e é isso que a pesquisa mostra.

— Quando escrevi, esse trecho era consideravelmente maior e mais florido. Meu editor e eu cortamos muito durante a edição. Não imaginei que essa parte fosse se tornar tão popular, mas é um momento importante do livro — conta John Green. — Sempre achei interessante a ideia de que o som não pode viajar no vácuo, e muitas vezes nossos lamentos parecem não ser escutados. Por anos, eu costumava dizer meio de piada coisas como “Todo esforço é um grito no vácuo”. Não sei se ouvi ou li a frase em algum lugar, ou se veio de dentro de mim.

Tudo bem, John Green aparecer na lista não é surpresa alguma — afinal, seu livro é um best-seller internacional, e o Brasil não passou incólume a esse sucesso. Na pesquisa da Amazon, porém, a surpresa fica com a não ficção, a autoajuda e os autores independentes. Seis dos 15 livros da lista são de escritores autopublicados. A baiana Tatiana Amaral, por exemplo, aparece com dois livros da trilogia “Função CEO”: “A descoberta do amor”, o primeiro, é o quarto mais vendido; “A descoberta da verdade”, o segundo da série, é o sétimo.

FRASE AO CONTRÁRIO

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país |  Camilla Maia

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país | Camilla Maia

A história é quase a mesma de “Cinquenta tons de cinza”. Tatiana trabalhava como administradora numa empresa familiar de alimentos congelados, quando resolveu escrever um fan fiction sobre a saga “Crepúsculo” — que acabou servindo de ponto de partida para os romances. A série conta a história de Melissa, que vai trabalhar como secretária do CEO de uma empresa. Ele é casado, os dois se apaixonam, mas o poderosão não larga a mulher porque vive um “jogo” com ela — e quem ganhar fica com o dinheiro, as ações, tudo. A mulher do sujeito também é uma megera, que tenta até matar a secretária. A frase mais grifada mostra o momento em que o CEO pede a amante em casamento.

— Há muitos outros trechos que eu achei que iriam agradar mais às pessoas do que esse — reconhece Tatiana.

Outra surpresa aparece em “O pequeno príncipe”, sexto mais vendido no ano: a frase mais famosa do livro — “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” — só aparece em segundo lugar. A campeã de grifos é “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”

Em livros como o terceiro volume da série “Eternidade por um fio” [Arqueiro], de Ken Follett, e “1808” [Planeta], de Laurentino Gomes, é a política que ganha destaque. No primeiro, a frase mais marcada pelos leitores está no famoso discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King. No best-seller de Laurentino, é a intrigante passagem “Outra herança da época de Dom João é a prática da ‘caixinha’ nas concorrências e nos pagamentos dos serviços públicos.”

— O discurso do Luther King foi um marco fundamental de nossa História. Nos forçou a confrontar a crueldade do ódio racial na sociedade. Desde então, não pudemos mais fingir que era uma questão menor, que desapareceria gradualmente — afirma Follett. — O discurso ainda é profundamente comovente de se ler ou escutar. As palavras usadas e o ritmo das frases expressam a paixão e a dignidade de uma grande causa.

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

— No meu caso, acredito que a explicação esteja relacionada ao atual momento político brasileiro — pondera o autor de “1808”. — Inúmeros leitores me escrevem nas redes sociais perguntando a origem da corrupção no Brasil. Fiz até um post no blog citando esse primeiro trecho, sobre a prática da “caixinha” no governo de Dom João VI. A repercussão foi enorme, mais de 300 mil acessos.

Fora do ranking, um dos trechos que mais atraíram a atenção dos leitores está em “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco], de J.K. Rowling: a estranhíssima frase “Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn.” Leia de frente para um espelho para decifrá-la.

Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Estação das Letras terá oficinas online


A Estação das Letras vai expandir sua atuação com o início, em julho, de suas oficinas online. Houve um piloto em março, e a estreia da nova fase do projeto idealizado por Suzana Vargas será no dia 2, com a Oficina de Poesia, que Luis Maffei dá até o dia 30, e com O Romance e Suas Bases: Como Fazer, com Cintia Moscovich, que vai até 27/8. De 6/7 a 31/8, João Paulo Vaz dá uma oficina introdutória de conto. No mesmo período, Ana Letícia Leal comanda o curso Exercício de Autoficção: Escrita e Memória Pessoal. O Moodle foi a plataforma escolhida e entre os materiais de apoio estarão textos e vídeos. Em alguns casos, haverá chat ao vivo. As inscrições serão abertas na segunda, 15, no site da Rede Escreviver. As informações são da coluna Babel.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente no Blog Babel, ESTADÃO | 12 junho 2015, às 22:09

Ubook fecha parceria com editora


O aplicativo brasileiro Ubook acaba de fechar parceria com a editora Rocco. O objetivo é aumentar a oferta de obras e de escritores nacionais e internacionais consagrados. Para estrear, estão à disposição no Ubook as obras Fala sério, mãe e Fala sério, pai, ambas da escritora Thalita Rebouças. As obras foram narradas pela própria autora. Quem chega também junto com a parceria é Clarice Lispector, que ganha vida ao ser interpretada por vozes famosas. Na obra A via crucis do corpo, a narração fica por conta de Antonio Fagundes; em Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, Beth Goulart é quem narra; no audiolivro Laços de família, a narrativa é de Affonso Romano de Sant’Anna; já em A hora da estrela as vozes são de Pedro Paulo Rangel e Maria Bethânia.

PublishNews | 11/06/2015

Cordel digital


e-Editora O Fiel Carteiro lança coleção de cordel em formato digital

No dia 22 de junho, a e-editora O Fiel Carteiro lança a coleção Cordel Digital, que vai reunir a tradicional literatura em formato digital. A coleção terá a curadoria de Marco Haurélio, Jô Oliveira e José Santos e trará, a princípio, clássicos da literatura de cordel. Nomes como Leandro Gomes de Barros, José Galdino da Silva Duda e Francisco das Chagas Batista aparecem com destaque nesta primeira fase do projeto. Neste ano, serão lançados 10 títulos e em 2016, além de clássicos, também a produção contemporânea. As duas primeiras obras que serão lançadas são Juvenal e o dragão [59 pp., R$ 4,50] e O cavalo que defecava dinheiro [50 pp., R$ 4,50], ambos assinados por Leandro Gomes de Barros.

PublishNews | 11/06/2015

Edições digitais serão responsáveis pelo boom das biografias não autorizadas


Decisão do STF libera a publicação de biografias sem prévia autorização
e abre um novo caminho para centenas de escritores brasileiros

Foto: Folhapress | Pedro Ladeira

Foto: Folhapress | Pedro Ladeira

BRASÍLIA | Sabe aquela biografia que você autor, levou anos para pesquisar e escrever? E que não podia publicar por não ter a prévia autorização da família ou do biografado? Hoje, quarta-feira [10], em uma decisão histórica, os ministros do Supremo Tribunal Federal [STF] decidiram, por unanimidade [nove votos a zero], derrubar a necessidade de autorização prévia de uma pessoa biografada para a publicação de uma obra sobre sua vida.

Segundo o site do Supremo Tribunal Federal:

Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade [ADI] 4815 e declarou inexigível a autorização prévia para a publicação de biografias. Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, a decisão dá interpretação conforme a Constituição da República aos artigos 20 e 21 do Código Civil, em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença de pessoa biografada, relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais [ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas].

Os ministros avaliavam se seriam ou não constitucionais os artigos do Código Civil que protegiam os biografados e seus herdeiros ou familiares. Os artigos impediam a publicação de biografias que não tivessem sido previamente autorizadas. Ao final, votaram a favor da publicação sem autorização os ministros Cármem Lúcia, Luís Roberto Barroso, Rosa Maria Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e do presidente da corte, Ricardo Lewandowski.

Esta notícia é um marco para o mercado editorial brasileiro. Somente a Livrus Negócios Editoriais, selo sediado em São Paulo, durante seus iniciais seis anos de vida, recebeu dezenas de biografias que não puderam ser publicadas por conta da antiga restrição legal até então vigente. Agora, finalmente, a Livrus poderá publicar as biografias sem desrespeitar todas as restrições impostas pelas antigas leis da censura.

Pela biografia, não se escreve apenas a vida de uma pessoa, mas o relato de um povo, os caminhos de uma sociedade” – Ministra Cármen Lúcia

A decisão do STF de liberar biografias não autorizadas, aliada aos novos caminhos de publicação oferecidos por empresas editoriais emergentes, como a Livrus, abre precedentes para que dezenas de livros, antes sumariamente proibidos, sejam imediatamente publicados.

Segundo matéria publicada no portal G1, durante as discussões, “os ministros do Supremo deixaram claro que eventuais abusos por parte dos biógrafos, como relato de fatos inverídicos ou ofensas à honra ou à imagem das pessoas biografadas, poderão levar à medidas de reparação, como indenizações, que terão de ser definidas pelo Judiciário.

O ministro Gilmar Mendes afirmou, em seu voto que “além do pagamento, outros meios poderão ser buscados para reparar danos, como publicação de uma versão com correção ou com direito de resposta.” Neste sentido, a Livrus acredita que os livros em versão digital, ou até mesmo aqueles impressos em pequenas tiragens, ganham força no mercado editorial por permitem maior flexibilidade nas alterações das edições que poderão necessitar as correções.

A decisão unânime que libera biografias, e que deve ser publicada até a próxima segunda-feira no Diário de Justiça da União, reverterá um quadro cultural histórico que impedia que os leitores tivessem acesso às histórias por trás de seus ídolos. Pela rapidez nas publicações, a tendência agora é que os leitores digitais sejam os primeiros a ter acesso às edições antes proibidas.

A Livrus Negócios Editoriais acredita que haverá um boom das biografias não autorizadas. Uma vez que os ministros destacaram que abusos poderão levar à medidas de reparação, a Livrus está disponibilizando seu departamento jurídico para os escritores tirarem suas dúvidas à respeito da publicação de seus textos biográficos. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail de Suporte aos Autores [suporte@livrus.com.br].

POR EDNEI PROCÓPIO