Com novo modelo de remuneração, 24Symbols aposta na ‘descobertabilidade’


Sócio fundador da plataforma participou ontem da Jornadas Profissionais da Feira de Buenos Aires

Segundo dados da Nielsen, a indústria da música tem sobrevivido graças aos serviços de streaming. A venda de CDs caiu 15% a de digital tracks, 13%, mas os serviços de streaming cresceram 54%. Essas informações foram apresentadas por David Sánchez, sócio fundador da plataforma espanhola de subscrição de e-books 24Symbols, na tarde desta quarta-feira [22], dentro da programação das Jornadas Profissionais que antecede a Feira do Livro de Buenos Aires. A crença de Sánchez é que essa tendência que se consolida cada vez mais em todas as indústrias culturais chegará com força à indústria do livro. A 24Symbols, criada em 2011, passou por reformulações no seu modelo de remuneração de editoras. Sánchez disse em Buenos Aires que um dos grandes desafios iniciais da plataforma era o tamanho do catálogo, que hoje tem 200 mil títulos de 2.400 editoras. O modelo proposto inicialmente remunerava por uma combinação das receitas que entravam com o acesso a livros. “Essa remuneração variável e imprevisível assustava os editores”, disse. A solução encontrada pela plataforma foi um novo modelo, em vigência desde setembro passado. Para os editores, as leituras equivalem a compras. Se um leitor lê mais do que 10% do livro, a plataforma paga 50% do valor de capa do livro. Ao PublishNews, Sánchez revelou que o novo modelo de remuneração deixou o negócio menos lucrativo. Mas “foi a forma que encontramos para fazer sentido às editoras e fazer nosso catálogo crescer”, justificou.

Outra grande aposta da 24Symbols é no poder de promover a “descobertabilidade” que a plataforma tem. “Estamos cansados de ouvir editores reclamando que seus livros não aparecem nas prateleiras das livrarias. As estantes digitais são infinitas”, defendeu Sánchez. Para potencializar a capacidade viral dos seus leitores, a 24Symbols fez um benchmarking com a indústria da música. Da mesma forma que, no Spotfy, por exemplo, os usuários podem criar playlists e compartilhar com seus amigos ou seguir playlists de personalidades ou formadores de opinião, no 24Symbols, os assinantes podem criar suas próprias estantes de livros e torna-las públicas, podendo ser compartilhadas ou seguidas. “Estamos tentando transformar a plataforma em uma rede social para que leitores indiquem livros. Assim, cada leitor pode se transformar em um livreiro. O poder viral disso é muito grande”, disse entusiasmado. “Como livraria independente que somos, queremos promover e indicar bons livros. Não somos apenas uma plataforma que remunera com justiça e previsibilidade os editores, mas também queremos indicar bons livros”, resume.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 23/04/2015