Sete motivos para ligar o celular na sala de aula


“Liguem os telefones celulares.” Quando esta for a primeira frase que o professor disser a seus alunos ao entrar na classe, em vez de mandar que os desliguem, a mudança será real. No mundo atual, plenamente digitalizado, a entrada da tecnologia na educação não tem retorno.

Muitos lembraram que o mesmo aconteceu há décadas com as calculadoras. Antes proibidas em classe, passaram a ser usadas para aprender. Depois que a criança já sabe somar, sua utilidade para resolver problemas mais complexos é evidente.

O mesmo acontece com a tecnologia existente hoje. Todos os suportes [celulares, tablets, notebooks…] são úteis para aprender, e não só na classe. O aprendizado tornou-se onipresente, e a classe perdeu seu protagonismo. Esta é uma das teses de especialistas internacionais que estarão sobre a mesa durante a 29ª Semana Monográfica da Educação da Fundação Santillana, que começa nesta terça-feira [24] em Madri, com o título `Melhorar a educação: como a tecnologia pode contribuir?`.

Para esquentar os motores, expomos aqui as principais razões que estão levando todo o mundo a usar todo tipo de suporte em aula:

O celular é o prolongamento do braço

O aluno leva toda a informação consigo, a movimenta, intercambia, compartilha em rede, fora e dentro da classe. Desta forma, aprende de maneira intuitiva, mesmo sem estar consciente disso. O celular é a chave para os estudantes. `Chegará um dia em que o professor dirá aos alunos no início da aula: `Liguem os celulares`, em vez de mandar desligá-los`, explica o diretor de educação da Fundação Santillana, Mariano Jabonero. Há tempo já se dizia que o mouse do computador tinha se transformado no prolongamento do braço das novas gerações de crianças e jovens. Mas hoje seu celular o é ainda mais.

Aplicativos contribuem na educação

A classe não é mais o único lugar onde se aprende. O uso de aplicativos educacionais como complemento das disciplinas começa a ser uma realidade. E as iniciativas de empreendedores para criá-los são cada vez mais numerosas. O setor calcula que atualmente existam mais de 80 mil apps educativos. São gratuitos e ajudam a aumentar a motivação do aluno. Muitos professores e especialistas insistem em sua utilidade durante a aula. Os conteúdos vêm de fora da classe, na qual entram pela tecnologia através dos celulares e outros suportes.

Professores também estão familiarizados

O professor sabe usar a tecnologia como o aluno. `O tópico de que os alunos usam mais a tecnologia e estão mais familiarizados com ela do que os professores se rompeu`, lembra Jabonero. Essa premissa, que era repetida incansavelmente há anos, não é mais verdadeira. Todo mundo usa a tecnologia em sua vida cotidiana e profissional, seja para enviar mensagens, navegar, jogar, ouvir música ou alguns, inclusive, para ensinar. Sem mencionar que muitos professores que hoje atuam na educação não universitária já pertencem a gerações que nasceram na era tecnológica.

Recursos digitais já estão disponíveis

A transformação da educação pela tecnologia tem três pés: os recursos digitais com os quais se dotam a classe e os alunos [desde as lousas digitais aos computadores], o acompanhamento do professorado e um currículo digitalizado. E os recursos já não são a matéria pendente, ressaltam os especialistas. De fato, 85% dos centros secundários nos pa íses da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos] já em 2012 estavam dotados de computadores de mesa; 41% de portáteis e 11% de tablets, segundo dados da organização. Os passos seguintes são ampliar o currículo digital, assim como o acompanhamento e o apoio do professorado no ensino com esses materiais.

Professores aprendem diretamente com especialistas

Os professores não vão mais a cursinhos para aprender a usar a tecnologia. Não é esta a solução, está mais que comprovado. Hoje em dia o acompanhamento do docente é feito por especialistas em tecnologia nas próprias escolas, explica Jabonero. Eles recebem apoio em campo no uso de todas as ferramentas que integram o currículo digitalizado [que tem diversos recursos, como ilustrações animadas, vídeos, visitas virtuais, fóruns…]. Muitos especialistas citam o caso do Uruguai como exemplo da importância desse apoio. O país informatizou todas as escolas, mas não dotou os professores de ferramentas para usar esses novos recursos. A conclusão foi que diminuíram os resultados dos alunos, segundo se viu nas notas que obtiveram na avaliação internacional do programa Pisa, da OCDE.

`Coordenador tec` supervisiona os sistemas nas escolas

Nos últimos anos foi criada a figura do `coordenador tec` nos colégios, exatamente pela razão anterior: para facilitar sua boa utilização com o fim de que se traduza em um sistema melhor e mais eficaz de aprendizado para os alunos. Diversos colégios espanhóis já contam com eles. O coordenador tec é o responsável e supervisor do uso da tecnologia nas aulas. Faz o acompanhamento do professorado e de sua adaptação ao currículo do colégio.

Investimento geral em tecnologia é cada vez maior

O gasto público em tecnologia cresce nos países mais avançados, apesar de diminuir o gasto em educação. Países como EUA ou Inglaterra seguiram essa linha em plena crise. Mas nem sempre o investimento em tecnologia para a educação se traduziu em uma melhora dos resultados dos alunos. De fato, alguns países que menos investem nela [como Finlândia, Japão ou Coreia do Sul] saem nos primeiros lugares das provas Pisa, assim como outros que, pelo contrário, investem muito nela [como Cingapura, Países Baixos ou Estônia].

Por Susana Pérez de Pablos | UOL Educação | 24/02/2015 | Fonte: El País

Anúncios