Como levar o conteúdo online para o impresso


Nunca foi tão fácil publicar livros e divulgar conteúdo. A evolução da tecnologia e as ferramentas de internet que surgiram no novo século permitem que diversos autores de inúmeras vertentes disponibilizem seus trabalhos online. Mas como o mercado editorial vê essa transformação? Quais os desafios para quem trabalha com a autopublicação? E como migrar do online para o impresso?

No palco Mercúrio da Campus Party Brasil 2015 – que será realizada até domingo, 7, no São Paulo Expo – os palestrantes Sidney Gusman, Kell Bonassoli, Rob Gordon, Eduardo Viegas e Lycia Barros falaram sobre as questões que envolvem o mercado editorial nos âmbitos online e offline.

Escritora de romances, Lycia afirma que nos dois âmbitos, o melhor caminho é a divulgação. “Quando você fecha com uma editora, a vantagem é que surge a possibilidade de se alcançar um público que, talvez, não tenha na internet. A editora não é mais tão poderosa como era tempos atrás, e ela sabe disso”, comentou a romancista carioca.

Dentro dessa ideia, os palestrantes afirmaram que as editoras estão “de olho” em autores que tenham potencial para migrar da internet para impressos. Um exemplo disso aconteceu com o dono do blog “Mentirinhas”, Fábio Coala, que lançou suas tirinhas na web e em menos de um ano teve seu livro publicado.

Mas, o que as editoras buscam nos autores? É necessário que o escritor conheça bem seu público alvo, as mudanças e tendências pelas quais ele passa e as necessidades conscientes ou inconscientes que precisam ser atendidas. Além disso, deve haver autenticidade. “Não faz sentido investir tempo para escrever um conteúdo que é mais do mesmo”, destacou o editor-chefe e escritor da Universo HQ, Sidney Gusman.

A editora também busca o autor que é empreendedor. Aquele que participa e apoia o processo de marketing que é oferecido quando o livro é lançado. “Caso contrário, é perdido mais de 50% do potencial das vendas. A editora possui um posicionamento de mercado, que define a qualidade do conteúdo e se ele atende a necessidade do público alvo”, explicou o editor da Évora, Eduardo Viegas.

Desafios da autopublicação

Publicitário e escritor, Rob Gordon afirmou que “o autor que se autopublica tem que fazer o papel da editora”. Seu primeiro livro lançado também migrou do online para o papel. A ideia principal é que a obra passe por uma “vistoria” literária, que verificará a ortografia, concordância, concisão e coerência.

Eduardo Viegas vê o campo como oportunidade de aprendizado. De acordo com ele, é a possibilidade de criar contato e se aproximar com o público e testar os textos. “Isso é bom porque, na internet, o feedback acontece em tempo real”.

Internet é uma oportunidade de mídia espontânea. Nela, existe a possibilidade de ter vários embaixadores para multiplicar aquilo que você publica”, comentou a blogueira e acionista do Mundo Podcat, Kell Bonassoli. Ela começou escrevendo para internet, até que participou de concurso na Editora Novo Século, em que foi escolhida para lançar sua obra impressa.

Na migração, a maioria dos autores independentes vê o editor como inimigo, de acordo com Sidney Gusman. “Isso não pode acontecer, o trabalho do editor é avaliar e fazer as mudanças certas para que a obra seja publicada“. Ele completou falando que buscar o diferencial é fundamental.

Os palestrantes terminaram o painel dando dicas de como ser um bom autor dentro do mercado editorial atual, que apresenta inúmeras possibilidades de trabalho. Escreva sobre o que você gosta de ler, leia muito e não tenha medo de mostrar sua obra para as pessoas avaliarem.

Comunique-se | 05/02/2015

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