Oito eBooks lançados no Brasil


Por muito tempo apontados como ameaça à supremacia dos livros impressos, os e-books têm mostrado um potencial limitado de crescimento.

Nos EUA e no Reino Unido, suas vendas estagnaram há cerca de dois anos, com os digitais correspondendo a pouco mais de 20% do total de vendas de livros das editoras.

A tendência à estagnação também se percebe no Brasil. De acordo com grandes editoras, como Record e Intrínseca, a venda de digitais em 2014 correspondeu a cerca de 3% do total das vendas de livros, porcentagem similar a de 2013.

Mas há casos em que os e-books continuam sendo uma boa opção –seja porque as editoras optaram por lançar alguns títulos exclusivamente no formato digital [ou o mantiveram em catálogo enquanto as edições impressas se esgotaram], seja por saírem bem mais em conta que seus correspondentes físicos, embora, no geral, e-books ainda sejam caros no país.

Veja abaixo oito sugestões de e-books lançados recentemente no país.

A versão impressa de 'Graça Infinita' pesa 1,49 kg | foto Gabriel Cabral/Folhapress

A versão impressa de ‘Graça Infinita’ pesa 1,49 kg | foto Gabriel Cabral/Folhapress

Música, Doce Música

Uma das várias facetas de Mário de Andrade, a de estudioso da música popular e erudita, aparece nos textos desta edição –de Beethoven a Chiquinha Gonzaga, do canto gregoriano ao lundu escravo, nada escapa ao olhar do homenageado deste ano na Flip. A edição é um dos quatro títulos de não ficção lançados apenas como e-book pela Nova Fronteira. Os outros são “O Empalhador de Passarinho”, “O Baile das Quatro Artes” e “Aspectos da Música Brasileira”. Cada um sai a R$ 9,40

O Fim do Poder

O livro de Moisés Naim, ex-ministro do Desenvolvimento da Venezuela, tinha atraído pouca atenção até ser escolhido por Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, para abrir o clube de leitura A Year of Books. A edição trata das transformações pelas quais o mundo vem passando, com potências hegemônicas como os EUA perdendo poder, cada vez mais fragmentado nas mãos de pequenos empreendimentos. O e-book sai por R$ 19,90, menos da metade dos R$ 49,90 da versão impressa.

Graça Infinita

Ao não ser que a meta ao comprar o gigantesco romance pós-moderno de David Foster Wallace seja exibir a bela edição da Companhia das Letras na estante, a versão digital tem vantagens: é mais fácil ler no Kindle do que carregar para todo canto o calhamaço de 1.144 páginas, e o e-book sai por um terço do preço do livro impresso, embora esteja longe de ser barato –na Amazon está à venda por R$ 37,90, ante R$ 111,90 do impresso.

A Testemunha

O conto do argentino radicado em Nova York Sergio Chejfec, sobre um homem que investiga a vida de escritores por meio de listas telefônicas na Buenos Aires dos anos 1930, é um entre as dezenas de títulos da coleção Formas Breves, da editora digital e-galaxia. Autores como André Sant’Anna, Carola Saavedra e Andrea del Fuego têm livros pela série, todos com algo entre 7 e 20 páginas, cada um custando R$ 1,99

Hiperespaço

Editada em papel no Brasil em 2000, a obra do celebrado físico Michio Kaku é um dos lançamentos digitais do mês pela Rocco, custando R$ 29,50, pouco menos da metade que os R$ 64 da edição impressa. Aborda a revolução causada pela teoria do hiperespaço, segundo a qual há outras dimensões além das comumente aceitas, o que tornaria mais fácil compreender as leis da natureza.

24/7

A R$ 19,90, o ensaio de Jonathan Crary trata de uma sociedade que não se prende a limites de tempo e espaço, relegando a segundo plano a necessidade de repouso e sono. A obra aborda desde a tradição da cultura ocidental de considerar o sono como uma possibilidade utópica até as pesquisas científicas que buscam criar o “homem sem sono”, capaz de trabalhar e consumir 24 horas por dia, sete dias por semana.

Milha 81

Um dos poucos títulos do selo digital Foglio, que reúne os livros exclusivamente digitais da editora Objetiva, este breve livro de Stephen King, de 59 páginas, sai por R$ 5. O suspense leva o nome do lugar, na estrada Maine Turnpike, onde Pete Simmons vai procurar o irmão mais velho sempre que ele some –até que, em seu aniversário de dez anos, encontra apenas uma garrafa de vodca, que bebe até desmaiar.

Mar de Histórias
Os e-books da antologia do conto mundial organizada por Paulo Rónai e Aurélio Buarque de Holanda são destaque entre as promoções da Amazon nesta semana: cada título digital sai por R$ 13,90, ante os R$ 27,40 sugeridos pela editora [e os R$ 39,90 das edições impressas]. Com isso, dá para adquirir toda a coleção digital [de dez volumes, com 239 contos no total] por R$ 139, em vez dos usuais R$ 274.

Por Redação Folha Online | DE SÃO PAULO | 21/01/2015, às 14h25

“Nuvem de Livros” abre biblioteca virtual e “democrática” na Espanha


Democrática, plural e muito responsável. Assim define a “Nuvem de Livros” o criador do projeto, Jonas Suassuna, que após conseguir 2,5 milhões de assinantes para 14 mil títulos no Brasil, desembarca nesta quarta-feira na Espanha com uma biblioteca virtual “rigorosa e ampla” a 3,99 euros por assinatura, metade do valor habitual.

Suassuna, presidente de Grupo Gol, apresentou hoje em Madri junto com o executivo-chefe da plataforma, Roberto Bahiense, e o diretor-geral da Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, Manuel Bravo, um projeto que, afirmou, terá versões em francês e inglês, além de português e espanhol.

A ideia de Suassuna, segundo o próprio, é de que a plataforma, que oferece títulos de todos os gêneros, de romance a atlas, jogos educativos e notícias em tempo real, produzidas em mais de 160 países pelas agências Efe e France Press, seja neste mesmo ano uma realidade também em Portugal, México, Chile, Peru, Argentina “e a parte espanhola” dos Estados Unidos.

Ao contrário de outras bibliotecas digitais, a “Nuvem de livros” oferece um catálogo “rigoroso e amplo”, que inclui clássicos da literatura e conteúdos da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, que por enquanto abriga 420.000 títulos.

Na Espanha, onde começará funcionando com suporte da operadora de telefonia móvel Orange, já oferece 3.000 referências bibliográficas, selecionadas “com rigor e critério” por editores e “curadores”, sem “aceitar conteúdos publicitários”, explicou o presidente do Grupo Gol.

Quando comecei com esta ideia, nem meu cachorro acreditava nela. É preciso dizer que o Brasil tem o mesmo número de livrarias que Buenos Aires, ou seja, um país com muito baixa capacidade de leitura. Me diziam que estava louco, e quando há três anos nos estabelecemos na Espanha, me perguntaram ‘como você vai para um país em crise?’. ‘Porque os brasileiros amamos as crises’, respondia“.

Suassuna optou pela Espanha – “onde estão os melhores editores do mundo” – como segunda nação de desenvolvimento de seu projeto porque o país “é encantador” e queria que fosse “a central de operações para a Europa”. Além disso, afirmou estar “muito satisfeito” com o trabalho desenvolvido até agora, com o “grande” apoio de empresas como a Agência Efe, ressaltou.

O criador do projeto reiterou que apesar de os internautas terem que pagar para acessar a Nuvem de Livros, o valor “é muito pequeno, a metade do que a concorrência cobra e em relação ao muito que oferece”, uma biblioteca “pertinente e próxima”.

Os conteúdos podem ser acessados por meio da Orange – com a possibilidade de pagar o serviço pela conta de telefone – pelo site “www.nubedelibros.com” ou um aplicativo próprio [disponível para Android e iOS no Google Play e na App Store], e durante os primeiros 30 dias poderão ser testados gratuitamente.

O Grupo Gol também tem o plano de expandir sua “Nuvem do Jornaleiro”, que no Brasil já oferece 300 publicações e as notícias de EFE, AP, AFP e BBC, que fazem de tablets e celulares o “suporte frenético da leitura de notícias”, uma ferramenta que começará a funcionar em seis meses na Espanha.

Já Roberto Bahiense lembrou que, como diz Umberto Eco, a internet é “perigosa para o ignorante e útil para o sábio”, “um mundo selvagem” que pode “fazer mal” se não for hierarquizado e organizado.

A Nuvem de Livros, disse, se insere na tradição que goza “do silêncio absoluto dos templos”, nos quais reinam “os deuses das palavras”, ou seja, as bibliotecas, “mas sem sua segunda parte”, “tecas”.

“É preciso deconstruir respeitosamente esse sufixo e deixar de considerar ‘teké’, em seu significado de depósito, de caixa. As bibliotecas físicas se transformarão em espaços simbólicos”, previu Bahiense, seguro de que o futuro passará por “uma assembleia de usuários do conhecimento estejam onde estiverem”.

Após sua experiência no Brasil, acrescentou, o desafio da Nuvem é “oferecer a uma sociedade culturalmente rica e exigente como a Espanha uma biblioteca responsável, contemporânea e atrativa que atenda as exigências de uma sociedade mais madura”.

Manuel Bravo, por sua vez, lembrou que a Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes começou a colaborar com o Grupo Gol em 2013 e que, desde então, as duas entidades desenvolveram “um projeto muito complementar” que terá, segundo ele, “um grande sucesso na Espanha e na região ibero-americana” por seu “excelente catálogo”.

Da Nuvem de Livros fazem parte índices das editoras Nowtilus, Siruela, Susaeta, DK, Nórdica, Roca Editorial, Internet Academi, UNED, Geointeractiva e Elesapiens, entre outras.

Por Agência EFE | Publicado originalmente por Info Online | 21/01/2015