Dinheiro na Multidão | Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional


Para indicar o caminho das pedras aos marinheiros de primeira viagem e ajudar os iniciados a refletirem sobre o original modelo de financiamento coletivo de projetos, o advogado Vinicius Maximiliano Carneiro acaba de lançar o livro Dinheiro na Multidão – Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional.

A obra traz alguns conceitos e reflexões quando se trata de novas tecnologias, especialmente pela teia burocrática existente no Brasil e que é responsável pela mortalidade de startups. Carneiro afirma que a missão é ajudar a esclarecer alguns caminhos que, se já não foram percorridos, certamente o serão por aqueles que se aventuram nas duas pontas: na criação de sites de financiamento coletivo e no uso do financiamento coletivo para fomentar projetos que são do seu interesse.

Para ler o livro na integra, basta acessar viniciuscarneiro.adv.br.

“Livros são muito caros”, diz Jeff Bezos


Bezos: 'books are too expensive'

Bezos: ‘books are too expensive’

Em uma entrevista à Business Insider,  o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos falou sobre a solução do litígio de sua empresa com o Hachette Book Group, nos EUA, e disse que a Amazon foi “extraordinariamente bem tratada pela imprensa e pelos meios de comunicação”. Bezos disse que “ampliar o acesso à leitura implica em mais dinheiro para autores”, e que os editores “estão tendo uma rentabilidade sem igual e a indústria do livro está na sua melhor forma graças aos e-books”. Para Bezos,  é importante notar que os livros competem com pessoas lendo blogs, artigos de notícias, jogos, TV e cinema. “Se você pensa em livros concorrendo contra livros, você toma decisões muito ruins”, disse o executivo. “Se queremos uma cultura de leitura saudável e duradora, os e-books precisam ser mais baratos. Livros, na minha opinião, são muito caros. Um livro de US$ 30 é muito caro. Se eu estivesse competindo com outro livro de US$ 30, tudo bem. Mas se você perceber que está competindo de verdade com o Candy Crush, você começa a dizer: ‘meu deus! Talvez devemos trabalhar para reduzir esse atrito”.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 17/12/2014

Oficina de literatura digital


Aula vai capacitar o autor a produzir, publicar, vender e divulgar seus livros digitais

Estão abertas as inscrições para a oficina O poder do autor digital – Escreva, edite, publique, venda e promova seu livro. No encontro, o editor da Ímã Editorial e colunista do PublishNews Julio Silveira apresenta o mercado e o ambiente da literatura digital e mostra as ferramentas e estratégias para o autor produzir, publicar, vender e divulgar seus livros digitais. A aula acontece no dia 31 de janeiro, sábado, das 10h às 16h, na Estação das Letras [Rua Marquês de Abrantes, 177, Lojas 107/108, Flamengo, Rio de Janeiro/RJ]. O investimento é de R$ 400. Para se inscrever, clique aqui.

PublishNews | 17/12/2014

A assinatura de eBooks no Brasil


POR Marina Pastore | Publicado originalmente por  COLOFÃO | 17 de dezembro de 2014

Como qualquer pessoa com acesso à internet e interesse por livros já deve saber a essa altura, na última quinta-feira estreou no Brasil o Kindle Unlimited, serviço de assinatura de e-books da Amazon. A fórmula já é conhecida: por R$19,90 por mês, os assinantes têm acesso ilimitado a milhares de livros digitais. A estreia deste “Netflix dos livros”, à primeira vista bastante atraente para o leitor, dá novo fôlego à discussão sobre preços e modelos de negócio para os e-books no mercado editorial brasileiro.

De cara, a estreia do Unlimited trouxe dois desdobramentos importantes para a loja Kindle brasileira. O primeiro é o impacto do serviço sobre a lista de mais vendidos: tudo indica que, assim como nos EUA, cada leitura de um e-book “emprestado” conta como uma venda. Assim, títulos disponíveis no serviço entram na lista de mais vendidos muito mais facilmente; no dia seguinte ao do lançamento, dos 20 primeiros colocados no ranking, 18 podiam ser lidos no Kindle Unlimited [incluindo todos os dez mais vendidos]. A segunda consequência é uma jogada de marketing bem típica da Amazon [e quero dizer isso no melhor sentido possível]: ao fazer a busca por um título que participe do Unlimited, acima do preço das versões digital e impressa, aparece um belo “R$0,00”, evidenciando a economia que se faz ao assinar o serviço:

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No caso de um e-book que custa mais do que a assinatura mensal, esse zerinho começa a parecer bem atraente.

Mas, marketing à parte, vamos olhar mais de perto para o que o serviço oferece. Em termos de tamanho, o catálogo é bem respeitável: são quase 12 mil títulos em português, ou seja, quase 30% do total de e-books disponíveis neste idioma na loja Kindle brasileira [pouco mais de 42 mil]. Mas a maior parte do catálogo é mesmo formada por e-books em inglês: são cerca de 650 mil, número que se aproxima até do catálogo do Kindle Unlimited americano [pouco mais de 700 mil].

De qualquer maneira, mesmo 12 mil livros já seriam um número mais do que suficiente para manter qualquer leitor satisfeito. O problema é a seleção de títulos disponíveis: como já era esperado, poucas das grandes editoras brasileiras aderiram ao serviço no momento do lançamento. Numa consulta rápida ao catálogo, fiquei com a impressão de que as participantes estão aproveitando este momento inicial para experimentar com alguns títulos: a Vergara y Riba, por exemplo, entrou com os dois primeiros volumes da série Diário de um banana, mas não os demais; a Leya incluiu muitos de seus livros mais conhecidos, como seus Guias Politicamente Incorretos, mas apenas o primeiro volume de A Guerra dos Tronos; a Globo incluiu títulos importantes, como Casagrande e seus demônios e Ágape, mas deixou de fora a maior parte do seu catálogo – inclusive alguns títulos disponíveis na concorrente Árvore de Livros, como as biografias de Andre Agassi e Amy Winehouse. É bom lembrar que mesmo nos EUA, onde o mercado de assinatura de livros já está melhor estabelecido, nenhuma das “Big 5″ ainda arriscou embarcar no Kindle Unlimited – a força do seu catálogo vem, em grande parte, de autores independentes publicados pelo Kindle Direct Publishing [KDP]; então, não é nenhuma surpresa que as editoras brasileiras estejam começando com cautela.

A meu ver, a grande diferença entre o cenário que o Unlimited enfrenta nos EUA e aqui é mesmo a maturidade do mercado. Por lá, a Amazon enfrenta a concorrência não só de serviços similares, como o Oyster e o Scribd, que já conseguiram a adesão de grandes editoras [Simon & Schuster e HarperCollins], mas também de um serviço bem completo e gratuito: as bibliotecas públicas. Nos EUA, cerca de 95% destas instituições oferecem e-books aos leitores, e todas as Big 5 disponibilizam pelo menos parte de seu catálogo para elas. No Brasil, a situação é bem diferente: o único concorrente mais ou menos similar ao Kindle Unlimited é a Nuvem de Livros, que conta com um catálogo pequeno, mas bem variado, incluindo livros de diversas editoras brasileiras, audiolivros e vídeos educacionais. A Árvore de Livros, embora ofereça um serviço parecido, por enquanto disponibiliza assinaturas apenas para instituições como escolas e bibliotecas. Aliás, por aqui, são poucas as bibliotecas que oferecem e-books; algumas, ligadas a faculdades e universidades, até contam com um catálogo de livros digitais, mas com limitações [tanto em termos de catálogo quanto no próprio uso: em algumas só é possível acessar os e-books a partir dos computadores da própria biblioteca, por exemplo]. Por isso, um serviço com preço atraente e catálogo razoável tem mais chances de sucesso.

Para dominar este mercado por aqui, resta à Amazon conseguir convencer o maior número possível de editoras de que este é um modelo de negócios viável para os e-books. Não será uma tarefa fácil: olhando mais uma vez para os EUA, por lá, embora boa parte do próprio mercado editorial acredite que o modelo de assinatura para e-books é inevitável, três das cinco maiores editoras ainda hesitam em disponibilizar seus livros em qualquer serviço deste tipo [sendo que a maior de todas, a Penguin Random House, já se pronunciou veementemente contra eles]. Na música, mercado em que serviços de assinatura são mais antigos [e em que certamente há demanda por eles], artistas já vêm reagindo contra o tipo de remuneração que recebem por participar deles – sendo o caso mais famoso o da Taylor Swift, que recentemente tirou todas as suas músicas do Spotify.

É claro que são mercados diferentes: editoras e autores não são remunerados exatamente da mesma maneira que gravadoras, cantores e compositores. Especula-se que, no Kindle Unlimited, existam basicamente dois tipos de remuneração: para os autores independentes publicados pelo KDP, a Amazon estabelece uma quantia fixa no início de cada mês; este valor é, então, dividido entre os participantes com base no número de empréstimos dos livros de cada um [o que nem sempre é vantajoso, mesmo para autores populares]. Para editoras, a princípio o valor pago é o mesmo de uma venda; assim, a curto prazo, é um bom acordo tanto para elas quanto para seus autores. Caso seja este o modelo aplicado no Brasil, é provável que ele não se sustente por muito tempo: afinal, do ponto de vista do leitor, o serviço vale a pena justamente porque é mais barato do que boa parte dos e-books vendidos por aqui. Assim, me parece razoável supor que, uma vez construído um catálogo atraente, o próximo objetivo da Amazon seja tornar o serviço mais rentável. Depois de atrair uma base de clientes significativa, ela terá um forte argumento para pressionar as editoras a modificar algo nesta relação: ou o modelo de remuneração e/ou o próprio preço dos e-books.

POR Marina Pastore | Publicado originalmente por  COLOFÃO | 17 de dezembro de 2014

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.