LEV atualizado


Saraiva fez a primeira atualização do seu e-reader. Entre as novidades, um dicionário em inglês.

Usuários do LEV, o e-reader proprietário da Saraiva, já podem baixar gratuitamente a atualização do seu sistema operacional. Para fazer o download, é só ligar o aparelho, entrar na loja e seguir as instruções para baixar a atualização. Entre as melhorias, está o Dicionário Cambridge inglês-inglês e inglês-português. Além disso, a atualização permite a otimização do uso da bateria e a reconfiguração da tela sensível ao toque para uma resposta mais ágil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/12/2014

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Sem demanda


A Singular, braço digital da Ediouro, anunciou a clientes a suspensão de suas operações nesta semana, “em razão de mudanças estratégicas” no grupo, que agrega as editoras Nova Fronteira e Agir, as revistas de passatempo Coquetel e parte da Thomas Nelson Brasil.

O segmento foi criado em 2009 oferecendo a outras editoras os serviços de impressão sob demanda [em que as cópias são feitas só quando há encomenda, sem que a editora precise estocar livros] e formatação e distribuição de e-books. Na ocasião, anunciou investimentos de R$ 8 milhões em equipamentos. Em 2012, encerrou as operações envolvendo e-books e se manteve como um dos maiores fornecedores de impressão e distribuição de baixas tiragens de livros.

// Sem demanda 2

A Ediouro não se manifesta sobre a Singular, mas a coluna apurou que é um encerramento definitivo. Nos últimos anos, o serviço perdeu clientes como a 7Letras, a KBR e a Vermelho Marinho devido a questões como aumento nos preços do serviço e problemas de execução.

A decisão também teria relação com uma negociação envolvendo a gráfica do grupo –que, entre outras mudanças recentes, vendeu a editora de revistas Duetto e reduziu a participação na Thomas Nelson Brasil.

Para a Ímã Editorial, a notícia preocupa. “Eram meus principais fornecedores. Estou até pensando em mudar meu modelo de negócios“, diz o editor Julio Silveira. Alberto Schprejer, da Ponteio, diz que a vantagem era a distribuição para redes. “Uma boa parte do meu catálogo circulava sem esforço. Terei de repensar isso.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 20/12/2014

Amazon remove livro por ter muitos hifens


Para a gigante do comércio eletrônico, pontuação excessiva teve ‘impacto significativo’ na legibilidade de romance em sua plataforma

RIO — O excesso de pontuação pode prejudicar um livro? Segundo a Amazon, a resposta é: sim. O romance “High moor 2: Moonstruck”, do britânico Graeme Reynolds foi removido do Kindle Store da Amazon porque seu autor usou muitos hifens. A informação é do “The Guardian”.

O escritor lançou seu livro na plataforma em 2013, depois de desembolsar cerca de mil libras para que uma equipe de editores editasse a sua obra. Mesmo recebendo mais de 100 resenhas positivas, a Amazon avisou por email, em dezembro, que iria retirar o produto de sua obra. Segundo a gigante do comércio eletrônico, um leitor havia reclamado que algumas das palavras da obra estariam “hifenadas”.

O hífen “tem um impacto significativo na legibilidade do seu livro”, escreveram os representantes da Amazon. Reynolds respondeu argumentando que o uso do hífen para juntar duas palavras era “perfeitamente válido” na língua inglesa, mas não obteve sucesso. “Problemas na qualidade do seu livro afetam negativamente a experiência de leitura, por isso retiramos seu livro das vendas até que estes problemas sejam corrigidos”, respondeu a Amazon, acrescentando que “Assim que as palavras hifenadas forem corrigidas, por favor republique seu livro e o coloque disponível para a venda”.

Na verdade, seria cômico se isto não estivesse me causando prejuízo, com um dos meus livros mais vendidos indisponível às vésperas de uma das épocas mais concorridas do ano”, reclamou Reynolds em seu blog. “Qual é o próximo passo? Vamos começar a ser penalizados por usar palavras com mais de duas sílabas? O ponto e vírgula também está a caminho da extinção? A JK Rowling também vai ter de retirar o ‘Harry Potter and the Half-Blood Prince’ [Harry Potter e o Enigma do Príncipe] até resolver o seu problema de título com hífen?”.

A reclamação produziu resultado: depois do post no seu blog viralizar, o livro voltou a ficar disponível na Amazon.

Publicado originalmente em O GLOBO | Atualizado 18/12/2014, às 19:46 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Tocalivros completa um mês de operação


Com apenas um mês de operação, a Tocalivros já está comemorando os resultados alcançados. Foram mais de 3.500 downloads do app da empresa, além de 15 audiolivros em produção com data de término prevista para o início de janeiro. A capacidade de produção está sendo ampliada, com a contratação de mais narradores e artistas, além de novos estúdios parceiros. Até março de 2015, a Tocalivros promete o lançamento de novas funcionalidades para o aplicativo.

PublishNews | 18/12/2014

Kobo Arc 7HD chega ao Brasil


Kobo Arc 7HD chega ao Brasil

Kobo Arc 7HD chega ao Brasil

Acaba de chegar ao Brasil o Android Kobo Arc 7HD. Disponível nas lojas e também no site da Livraria Cultura, o tablet possibilita acesso a um grande catálogo de e-books das lojas da Kobo e da Cultura. O dispositivo vem com uma tela de altíssima definição e com rápida resposta, ideal para a leitura de conteúdo em cores. Ele traz, ainda, o “modo de leitura”, funcionalidade que interrompe momentaneamente todas as notificações de e-mail, aplicativos e redes sociais, ajustando a luz da tela e estendendo a duração da bateria. Ainda é possível assistir vídeos, baixar jogos, interagir nas redes sociais e acessar o Google Play™, que oferece mais de 1 milhão de aplicativos e jogos. De acordo com o diretor geral da Kobo no Brasil, Samuel Vissotto, a prioridade é fazer com que mais pessoas leiam mais livros. “O Kobo Arc 7HD traz para os leitores uma experiência fascinante de leitura, numa tela colorida de altíssima definição“, reforça. Para obter mais informações, acesse www.kobo.com.

PublishNews | 18/12/2014

Amazon disputa com Wattpad os escritores de fanfic


O Wattpad tem seu lado sério como uma plataforma próspera de escrita original, com fluxo pequeno, mas constante de autores encontrando sucessos e conquistando as seis maiores editoras do mundo. O site já atraiu a atenção de 40 milhões de usuários ao redor do globo. Nenhuma surpresa que a Amazon decidiu querer um pedaço desse bolo. A varejista lançou recentemente sua própria plataforma de leitura social e escrita, a Kindle WriteOn, que atualmente funciona somente para convidados, ainda no etapa beta. Na primeira impressão, parece muito com o Wattpad. Mas o WriteOn está fazendo um jogo claro para escritores de ficção com ambições de publicar seus livros. Ele se intitula como um “laboratório de histórias”, no qual “você pode obter suporte e feedback durante todas as fases do processo criativo”. Enquanto os comentários dos leitores do Wattpad tendem a ser curtos e doces, os do WriteOn são críticas mais profundas. Com 150 milhões de contas, a Amazon espera que o WriteOn siga o mesmo sucesso do seu Kindle Direct Publishing Direct [KDP], plataforma para autores independentes, só que adicionando um elemento social a esse fenômeno editorial.

Por Victoria James | The Guardian | 18/12/2014

Macmillan faz acordo com Amazon, nos EUA


Nos EUA, Macmillan fechou acordo de longo prazo com a Amazon, incluindo o contrato dentro do modelo agência. Mas em seu blog, o presidente da Macmilann John Sargent criticou a incapacidade de se resolver “um dos grandes problemas no mercado digital”, ou seja, que a Amazon detenha a expressiva parcela de 64% das vendas de livros digitais da editora nos EUA. Sargent revelou ainda que a empresa planeja testar um modelo de assinatura nas próximas semanas, apesar de ter sido historicamente contrária ao modelo de subscrição. É que a editora notou que precisava de abrir “canais mais amplos com nossos leitores”. Macmillan é a terceira editora a tornar público um acordo com a Amazon. Antes dela, fecharam Simon & Schuster ] e Hachette.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 18/12/2014

Dinheiro na Multidão | Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional


Para indicar o caminho das pedras aos marinheiros de primeira viagem e ajudar os iniciados a refletirem sobre o original modelo de financiamento coletivo de projetos, o advogado Vinicius Maximiliano Carneiro acaba de lançar o livro Dinheiro na Multidão – Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional.

A obra traz alguns conceitos e reflexões quando se trata de novas tecnologias, especialmente pela teia burocrática existente no Brasil e que é responsável pela mortalidade de startups. Carneiro afirma que a missão é ajudar a esclarecer alguns caminhos que, se já não foram percorridos, certamente o serão por aqueles que se aventuram nas duas pontas: na criação de sites de financiamento coletivo e no uso do financiamento coletivo para fomentar projetos que são do seu interesse.

Para ler o livro na integra, basta acessar viniciuscarneiro.adv.br.

“Livros são muito caros”, diz Jeff Bezos


Bezos: 'books are too expensive'

Bezos: ‘books are too expensive’

Em uma entrevista à Business Insider,  o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos falou sobre a solução do litígio de sua empresa com o Hachette Book Group, nos EUA, e disse que a Amazon foi “extraordinariamente bem tratada pela imprensa e pelos meios de comunicação”. Bezos disse que “ampliar o acesso à leitura implica em mais dinheiro para autores”, e que os editores “estão tendo uma rentabilidade sem igual e a indústria do livro está na sua melhor forma graças aos e-books”. Para Bezos,  é importante notar que os livros competem com pessoas lendo blogs, artigos de notícias, jogos, TV e cinema. “Se você pensa em livros concorrendo contra livros, você toma decisões muito ruins”, disse o executivo. “Se queremos uma cultura de leitura saudável e duradora, os e-books precisam ser mais baratos. Livros, na minha opinião, são muito caros. Um livro de US$ 30 é muito caro. Se eu estivesse competindo com outro livro de US$ 30, tudo bem. Mas se você perceber que está competindo de verdade com o Candy Crush, você começa a dizer: ‘meu deus! Talvez devemos trabalhar para reduzir esse atrito”.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 17/12/2014

Oficina de literatura digital


Aula vai capacitar o autor a produzir, publicar, vender e divulgar seus livros digitais

Estão abertas as inscrições para a oficina O poder do autor digital – Escreva, edite, publique, venda e promova seu livro. No encontro, o editor da Ímã Editorial e colunista do PublishNews Julio Silveira apresenta o mercado e o ambiente da literatura digital e mostra as ferramentas e estratégias para o autor produzir, publicar, vender e divulgar seus livros digitais. A aula acontece no dia 31 de janeiro, sábado, das 10h às 16h, na Estação das Letras [Rua Marquês de Abrantes, 177, Lojas 107/108, Flamengo, Rio de Janeiro/RJ]. O investimento é de R$ 400. Para se inscrever, clique aqui.

PublishNews | 17/12/2014

A assinatura de eBooks no Brasil


POR Marina Pastore | Publicado originalmente por  COLOFÃO | 17 de dezembro de 2014

Como qualquer pessoa com acesso à internet e interesse por livros já deve saber a essa altura, na última quinta-feira estreou no Brasil o Kindle Unlimited, serviço de assinatura de e-books da Amazon. A fórmula já é conhecida: por R$19,90 por mês, os assinantes têm acesso ilimitado a milhares de livros digitais. A estreia deste “Netflix dos livros”, à primeira vista bastante atraente para o leitor, dá novo fôlego à discussão sobre preços e modelos de negócio para os e-books no mercado editorial brasileiro.

De cara, a estreia do Unlimited trouxe dois desdobramentos importantes para a loja Kindle brasileira. O primeiro é o impacto do serviço sobre a lista de mais vendidos: tudo indica que, assim como nos EUA, cada leitura de um e-book “emprestado” conta como uma venda. Assim, títulos disponíveis no serviço entram na lista de mais vendidos muito mais facilmente; no dia seguinte ao do lançamento, dos 20 primeiros colocados no ranking, 18 podiam ser lidos no Kindle Unlimited [incluindo todos os dez mais vendidos]. A segunda consequência é uma jogada de marketing bem típica da Amazon [e quero dizer isso no melhor sentido possível]: ao fazer a busca por um título que participe do Unlimited, acima do preço das versões digital e impressa, aparece um belo “R$0,00”, evidenciando a economia que se faz ao assinar o serviço:

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No caso de um e-book que custa mais do que a assinatura mensal, esse zerinho começa a parecer bem atraente.

Mas, marketing à parte, vamos olhar mais de perto para o que o serviço oferece. Em termos de tamanho, o catálogo é bem respeitável: são quase 12 mil títulos em português, ou seja, quase 30% do total de e-books disponíveis neste idioma na loja Kindle brasileira [pouco mais de 42 mil]. Mas a maior parte do catálogo é mesmo formada por e-books em inglês: são cerca de 650 mil, número que se aproxima até do catálogo do Kindle Unlimited americano [pouco mais de 700 mil].

De qualquer maneira, mesmo 12 mil livros já seriam um número mais do que suficiente para manter qualquer leitor satisfeito. O problema é a seleção de títulos disponíveis: como já era esperado, poucas das grandes editoras brasileiras aderiram ao serviço no momento do lançamento. Numa consulta rápida ao catálogo, fiquei com a impressão de que as participantes estão aproveitando este momento inicial para experimentar com alguns títulos: a Vergara y Riba, por exemplo, entrou com os dois primeiros volumes da série Diário de um banana, mas não os demais; a Leya incluiu muitos de seus livros mais conhecidos, como seus Guias Politicamente Incorretos, mas apenas o primeiro volume de A Guerra dos Tronos; a Globo incluiu títulos importantes, como Casagrande e seus demônios e Ágape, mas deixou de fora a maior parte do seu catálogo – inclusive alguns títulos disponíveis na concorrente Árvore de Livros, como as biografias de Andre Agassi e Amy Winehouse. É bom lembrar que mesmo nos EUA, onde o mercado de assinatura de livros já está melhor estabelecido, nenhuma das “Big 5″ ainda arriscou embarcar no Kindle Unlimited – a força do seu catálogo vem, em grande parte, de autores independentes publicados pelo Kindle Direct Publishing [KDP]; então, não é nenhuma surpresa que as editoras brasileiras estejam começando com cautela.

A meu ver, a grande diferença entre o cenário que o Unlimited enfrenta nos EUA e aqui é mesmo a maturidade do mercado. Por lá, a Amazon enfrenta a concorrência não só de serviços similares, como o Oyster e o Scribd, que já conseguiram a adesão de grandes editoras [Simon & Schuster e HarperCollins], mas também de um serviço bem completo e gratuito: as bibliotecas públicas. Nos EUA, cerca de 95% destas instituições oferecem e-books aos leitores, e todas as Big 5 disponibilizam pelo menos parte de seu catálogo para elas. No Brasil, a situação é bem diferente: o único concorrente mais ou menos similar ao Kindle Unlimited é a Nuvem de Livros, que conta com um catálogo pequeno, mas bem variado, incluindo livros de diversas editoras brasileiras, audiolivros e vídeos educacionais. A Árvore de Livros, embora ofereça um serviço parecido, por enquanto disponibiliza assinaturas apenas para instituições como escolas e bibliotecas. Aliás, por aqui, são poucas as bibliotecas que oferecem e-books; algumas, ligadas a faculdades e universidades, até contam com um catálogo de livros digitais, mas com limitações [tanto em termos de catálogo quanto no próprio uso: em algumas só é possível acessar os e-books a partir dos computadores da própria biblioteca, por exemplo]. Por isso, um serviço com preço atraente e catálogo razoável tem mais chances de sucesso.

Para dominar este mercado por aqui, resta à Amazon conseguir convencer o maior número possível de editoras de que este é um modelo de negócios viável para os e-books. Não será uma tarefa fácil: olhando mais uma vez para os EUA, por lá, embora boa parte do próprio mercado editorial acredite que o modelo de assinatura para e-books é inevitável, três das cinco maiores editoras ainda hesitam em disponibilizar seus livros em qualquer serviço deste tipo [sendo que a maior de todas, a Penguin Random House, já se pronunciou veementemente contra eles]. Na música, mercado em que serviços de assinatura são mais antigos [e em que certamente há demanda por eles], artistas já vêm reagindo contra o tipo de remuneração que recebem por participar deles – sendo o caso mais famoso o da Taylor Swift, que recentemente tirou todas as suas músicas do Spotify.

É claro que são mercados diferentes: editoras e autores não são remunerados exatamente da mesma maneira que gravadoras, cantores e compositores. Especula-se que, no Kindle Unlimited, existam basicamente dois tipos de remuneração: para os autores independentes publicados pelo KDP, a Amazon estabelece uma quantia fixa no início de cada mês; este valor é, então, dividido entre os participantes com base no número de empréstimos dos livros de cada um [o que nem sempre é vantajoso, mesmo para autores populares]. Para editoras, a princípio o valor pago é o mesmo de uma venda; assim, a curto prazo, é um bom acordo tanto para elas quanto para seus autores. Caso seja este o modelo aplicado no Brasil, é provável que ele não se sustente por muito tempo: afinal, do ponto de vista do leitor, o serviço vale a pena justamente porque é mais barato do que boa parte dos e-books vendidos por aqui. Assim, me parece razoável supor que, uma vez construído um catálogo atraente, o próximo objetivo da Amazon seja tornar o serviço mais rentável. Depois de atrair uma base de clientes significativa, ela terá um forte argumento para pressionar as editoras a modificar algo nesta relação: ou o modelo de remuneração e/ou o próprio preço dos e-books.

POR Marina Pastore | Publicado originalmente por  COLOFÃO | 17 de dezembro de 2014

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Metadata for Dummies


Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

Pessoas e empresas que atuam no ramo editorial também estão vivenciando a era das palavras-chave [as chamadas keywords]. Em um novo e rico cenário onde esse atributo se torna um importante ator na busca por produtos e serviços, um leitor não conseguirá adquirir, consumir ou ler um livro, se não souber, no mínimo, da existência da obra.

Com o aprimoramento e a democratização da Tecnologia da Informação e Comunicação, as antigas barreiras para a criação, a publicação e a comercialização de livros se romperam. Em uma época em que o marketing digital domina o mercado, a aquisição de uma obra poderá estar condicionada também à qualidade empregada no tratamento dos dados sobre os livros, não somente ao conteúdo da obra em si.

Antes do advento da chamada Web 2.0, e mais tarde da Web Semântica, onde as palavras-chave ou as tags se tornariam itens de real importância na classificação de páginas, posts e produtos digitais, havia a necessidade de cadastro das nossas páginas na Internet em cada um dos buscadores até então disponíveis. Hoje, porém, através das poderosas ferramentas de SEO [Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de buscas] é possível recorrer aos modernos e poderosos robôs de pesquisas para que encontrem e mostrem o conteúdo de produtos que nós, escritores e editoras, queremos divulgar, utilizando a semântica das palavras-chave.

Um dos pontos cruciais na atual questão da divulgação dos livros é a identificação dos dados sobre a obra. Sem uma identificação e classificação precisa dos dados sobre o livro, o produto não será encontrado nos diversos sistemas de buscas em bibliotecas, livrarias, sites, redes sociais especializadas etc.

I know

Os metadados são os conjuntos de dados e informações sobre os livros. Eles permitem não só que as ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação busquem livros através de palavras-chave, como também identifiquem o valor de cada dado encontrado pelo usuário/leitor.

Para o website Last.fm, por exemplo, a palavra-chave identificaria o nome de um dos compositores da canção . Na ferramenta de busca do Google Play, ou Google Books, no entanto, a palavra-chave identificaria o nome do autor do livro . Através dos metadados, no entanto, os sistemas não só reconhecem como o título de um livro, e como o título de uma canção, mas também reconhecem estes dados como sendo uma identificação de objetos, de produtos digitais, de arquivos contendo música e livro. O que permite uma inteligência maior nas informações buscadas, encontradas e mostradas pelos mecanismos de pesquisa.

Esta seria uma das principais aplicações dos metadados voltados ao mercado editorial: dar valor e função a uma determinada palavra-chave para que cada dado tenha vida própria e identificação precisa.

Uma vez que sistemas inteligentes de mapeamento reconhecem como sendo um livro em si e não apenas o título de uma obra, seria mais fácil no futuro, por exemplo, permitir a rastreabilidade de livros digitais em suas versões piratas. Esta é, inclusive, uma aplicação prática em que o próprio Google poderia atuar através de filtros e seleção de conteúdo.

I like

O mercado editorial, já amplamente globalizado, sofre da oferta excessiva e generalizada de conteúdo para livros. Há livros demais sobre todos os gêneros e assuntos. Somente no Brasil, por exemplo, são lançados aproximadamente cerca de 20 a 26 mil títulos a cada ano, entre novas edições e reedições. Com o advento dos livros digitais, e vencidas algumas barreiras que não vêm ao caso neste artigo, a oferta de títulos à venda tende naturalmente a multiplicar-se com o tempo.

Mas e a demanda? Como o leitor pode saber se um determinado livro, encontrado através dos mecanismos de busca na Internet, está sendo vendido na versão impressa ou digital? Através dos metadados. Botões e banners que piscam só ajudam na tomada da decisão, não ajudam os leitores a encontrarem os formatos desejados para o consumo e leitura.

Enquanto há livros demais, os leitores já habituados ao consumo não encontram os que gostariam de ler. O excesso na oferta e a avalanche de informações desencontradas atrapalham a procura e o consumo dos mesmos produtos editoriais que gostaríamos de vender. É uma espécie de concorrência, indireta, mas que interfere diretamente quando uma editora busca atingir um determinado público-alvo.

Neste cenário de livros demais, o leitor só terá a oportunidade de decidir sobre a compra se mantiver um contato mínimo com o novo livro, lançamento ou com os demais títulos em catálogo. No caso de sites, a oferta de dados completos sobre a obra [incluindo a capa, um sumário e até um trecho] ajudaria em muito na tomada de decisão. Mas esta oferta seria apenas o início. Os canais de venda que estão conseguindo utilizar bem as ferramentas de marketing digital voltado ao mercado editorial, com a aplicação dos metadados, são hoje os canais com mais procura pelos leitores.

I want

Citando o estudo que realizei para o meu último livro “A Revolução dos eBooks” [Senai-SP Editora, 2013], as tiragens das atuais edições dos livros impressos são cada vez menores em comparação às edições de uma década atrás. Os catálogos das editoras, porém, são cada vez maiores em números e também mais ricos. Uma vez que a oferta de livros está crescendo, fica cada vez maior o desafio das editoras e autores de levar as suas obras e catálogos aos leitores.

Estimo que, até o final deste ano, sejam catalogadas, através de escritórios e bibliotecários que oferecem este tipo de serviço, cerca de 30 mil obras, no total, muitas das quais já em versão digital. Com mais opções de obras à venda, o leitor terá maior interesse em adquirir livros cuja existência e disponibilidade ele reconheça e com que, de algum modo, teve algum contato. Se o leitor não tiver a oportunidade de folhear a versão impressa da obra, deve pelo menos ter contato com a versão digital, encontrada, quase sempre, através dos ricos metadados.

I need

Os metadados podem ajudar o leitor a encontrar os livros que quer e precisa ler, para o aperfeiçoamento do seu trabalho ou mesmo para o entretenimento. Um exemplo bastante prático da utilização dos metadados aplicado ao universo dos livros é a do website “Todos tus libros” [www.todostuslibros.com], um case desenvolvido na Espanha.

Através do “Todos tus libros” é possível visualizar a capa dos livros, as informações mais básicas sobre a obra [como autor, editora, resenha, primeiro capítulo etc.], mas também é possível buscar pelas livrarias físicas da região onde o leitor se encontra e onde ele poderia comprá-los. Ou seja, definido o livro, o sistema mostra o endereço e o mapa onde o exemplar se encontra à venda.

I have

Os metadados podem ajudar as editoras a organizarem os seus catálogos. Mas quais seriam então os principais dados no caso dos livros? Os principais dados que facilitariam a pesquisa e busca das obras seriam:

#Título da obra
#Autor da obra
#Assunto/categoria/matéria
#Resenha
#Conteúdo rico [trecho da obra, sumário]

Alguns outros dados, menos bibliográficos e mais comerciais, também são considerados como itens obrigatórios quando se trata de metadados de livros:

#Número de páginas
#Preço
#Formato
#Disponibilidade
#Amostra

Através de um website como o “Todos tus libros”, editoras brasileiras podem compartilhar todos estes ricos dados de seus catálogos com distribuidoras, livrarias, bibliotecas e desenvolvedores de soluções para o mercado editorial em geral.

O maior desafio do mercado hoje é realmente estar preparado para atender toda a demanda, tanto em vendas de livrarias físicas quanto em livrarias e bibliotecas online. Não basta apenas que os livros sejam diariamente lançados às estantes, é preciso, para que os exemplares não fiquem parados nos estoques, que todas as obras possam ter os seus dados mapeados com precisão pelas ferramentas de busca para que a procura e o contato com os livros se reverta em vendas para todo o setor.

A tecnologia de metadados aplicada aos livros pode ajudar o mercado a escoar melhor os seus catálogos utilizando as mais modernas ferramentas de comunicação e divulgação de obras.

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

Dorina lança blog para promover a leitura de deficientes visuais


A Fundação Dorina Nowill para Cegos lançou o blog colaborativo Rede de Leitura Inclusiva – Conectando Todos. Lançado no Dia Nacional do Cego, dia 13, a página é um espaço para manter profissionais envolvidos, informados e engajados com o incentivo à leitura inclusiva e à acessibilidade.

“A leitura inclusiva é perceber que a pessoa com deficiência visual tem o direito e o interesse no acesso universal a informação“, diz a coordenadora de Acesso ao Livro da fundação, Ana Paula Silva, que está a frente do projeto de formação da rede de leitura. “Tem um público que precisa ser atingido e nós, como organizações, devemos mostrar para essas pessoas que existem recursos como livro falado, braille, audiodescrição, formas de acessar a informação“, acrescenta.

A rede de leitura inclusiva é formada por educadores, mediadores de leitura, governos, agentes de bibliotecas e de organizações sociais. Desde 2013, a fundação desenvolve um projeto em parceria com estados para a formação de grupos de trabalho voltados à discussão do assunto em cada localidade. Esses grupos existem em 12 estados e o objetivo é que no ano que vem sejam formados em todas unidades da Federação.

O blog lançado hoje pretende ser um espaço de comunicação entre esses gupos de trabalho e também para que organizações e mesmo pessoas que trabalhem com a leitura inclusiva possam trocar informações e disponibilizar um serviço cada vez melhor para a população.

No Brasil, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística [IBGE], há 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual. Dessas, 500 mil são cegas. “O Brasil está começando a perceber essse público, com o retrato mostrado no censo, as organizações começam a abrir propostas de trabalho, estados e prefeituras começam a desenvolver projetos com acessibilidade. Mas ainda é incipiente“, diz Ana Paula.

A Fundação Dorina Nowill dedica-se à inclusão social das pessoas com deficiência visual, por meio da produção e distribuição gratuita de livros em braille, falados e digitais acessíveis, diretamente para pessoas com deficiência visual e para cerca de 2,5 mil escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A fundação oferece também, gratuitamente, programas de serviços especializados à pessoa com deficiência visual e sua família, nas áreas de saúde, educação especial, reabilitação e trabalho.

Fonte: Agência Brasil | Publicado originalmente em Infonet | 14/12/2014

Obras que lembram antigas novelas de rádio superam vendas de eBooks


O mercado editorial tem sido bom para Jeffery Deaver. Nos últimos 26 anos, Deaver, um advogado que se tornou escritor de obras de mistério, publicou 35 romances, dos quais foram vendidos 40 milhões de exemplares globalmente.

No entanto, sua obra mais recente, “The Starling Project” [O projeto estorninho], uma história de mistério ambientada em vários países e protagonizada por um investigador de crimes de guerra, não está disponível em livrarias nem será impressa.

A história foi concebida, escrita e produzida como um drama original em áudio para a produtora e loja de audiolivros Audible. Se os leitores de Deaver quiserem saber a história, terão de ouvi-la.

Meus fãs são muito fiéis“, disse o autor. “Se souberem que fiz isso e que se trata de uma história de mistério, acho que vão se interessar.

Lançado em meados de novembro, “The Starling Project” vai testar a aceitação de uma forma de arte emergente que mescla o charme imersivo de antigas novelas radiofônicas com a tecnologia digital. Ele também é o sinal mais recente de que os audiolivros estão ganhando um espaço próprio.

A Audible já produziu cerca de 30 obras originais, que variam de uma série de mistério sobre uma conspiração que deixa a Índia e o Paquistão à beira de uma guerra nuclear a contos originais ambientados no universo das novelas de vampiros de Charlaine Harris.

Nesse campo cheio de oportunidades, não é preciso disputar o olhar das pessoas“, disse Donald Katz, diretor-executivo da Audible. “Para nós, esse é o momento de parar de buscar conteúdo que possa gerar áudios fantásticos e partir para a definição de qual será a base estética dessa nova mídia.

Alguns evitam o termo “audiolivro” e classificam seu conteúdo como “entretenimento em áudio” ou “filmes para os ouvidos”. “The Starling Project” dura pouco mais de quatro horas e conta com 29 atores em 80 personagens.

É compreensível que os autores estejam ansiosos para marcar presença nessa mídia. Nos oito primeiros meses deste ano, as vendas de audiolivros digitais tiveram alta de até 28% em relação ao mesmo período do ano passado, ultrapassando amplamente o crescimento de 6% dos e-books, segundo a Associação de Editoras Americanas. Por sua vez, as vendas de obras impressas de capa dura nos gêneros de ficção adulta e não ficção tiveram uma queda de quase 2%.

As editoras de audiolivros lançaram quase 36 mil títulos em 2013, sendo que em 2010 o número foi de apenas 6.200, segundo a Associação de Editoras de Áudio. Com mais de 170 mil obras, incluindo 18 mil produzidas neste ano, a Audible domina esse mercado.

Deaver disse que quando a Audible lhe propôs que escrevesse uma história original a ser lançada em áudio, ele ficou intimidado. “Era como escrever uma peça não visual“, comparou. Ele havia colaborado em duas outras obras originais em áudio para a Audible, com mais de dez escritores, porém nunca havia escrito algo do início ao fim.

A trama do novo audiolivro acompanha um militar da inteligência reformado, Harold Middleton, que é recrutado para impedir um plano sombrio de assassinato em massa chamado “The Starling Project”. A ação transcorre no México, em Washington, em Londres, em Marselha e na região central da África. Deaver, porém, rapidamente se viu em dificuldades e descobriu que seria útil indicar localizações geográficas por meio de diálogos. Em uma cena, por exemplo, ele optou pelo anúncio de um comissário de bordo dando boas-vindas aos passageiros na França.

Deaver disse esperar que o projeto o ajude a conquistar um novo público de ouvintes.

Há muitas alternativas fracas de leitura por aí, e os autores estão dispostos a enfrentar uma concorrência acirrada com produtos como [os jogos] Assassin’s Creed, Minecraft e Angry Birds“, afirmou ele. “Essa é uma maneira mais fácil de as pessoas terem acesso a boas narrativas.

POR ALEXANDRA ALTER | DO ‘NEW YORK TIMES’ | Folha de S. Paulo | 13/12/2014, às 3h00

Uma biblioteca digital só sobre participação social e política


A biblioteca digital de participação social, criada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, tem a finalidade de receber conteúdos dos órgãos de governo, institutos e centros de pesquisa, universidades, movimentos sociais e entidades da sociedade civil, sobre as temáticas relativas à participação social e outros assuntos decorrentes dos processos de diálogos nos espaços participativos.

Segundo o coordenador do projeto, Silvio Carvalho Trida, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Articulação Social [Secretaria-Geral] “trata-se de iniciativa que contribui para organizar, disponibilizar e preservar para a administração pública e sociedade em geral, documentos, publicações e conteúdos diversos produzidos pelas instâncias e mecanismos referentes à participação social, com promoção de maior transparência e acesso à informação”.

A versão disponível no site está ainda em construção. O próximo passo do projeto é alimentar a biblioteca digital de forma colaborativa, o que envolverá a implementação de uma agenda de capacitação e treinamento com representantes da sociedade civil, conselhos, comissões, órgãos de Governo e demais interessados.

Além disso, a plataforma oferece espaço para os movimentos sociais e entidades que desejarem disponibilizar seus conteúdos o possam fazer, contribuindo para uma visão mais sistêmica acerca do conhecimento produzido a partir da participação social, afirmou Trida.

A biblioteca digital auxilia as instituições na organização da sua produção interna e também no esforço coletivo e colaborativo de manter e fazer crescer o acervo da biblioteca digital, disse ainda. Este é o maior desafio da Biblioteca para o próximo ano de 2015, concluiu.

Inovadora quanto a sua abrangência temática e estrutura, a biblioteca digital é formada por oito comunidades e mais de 100 subcomunidades que representam os temas e subtemas da participação social.

A expectativa é que a biblioteca torne-se uma ferramenta de apoio para a ampliação e consolidação das ações de participação social no país, e que sirva de exemplo e motivação para que outras instituições e órgãos organizem e disseminem informações em suas áreas de atuação.

Mais informações, sugestões e dúvidas sobre a biblioteca digital de participação social: bibliotecaparticipa@presidencia.gov.br.

Portal Brasil | 12/12/2014

Kindle Unlimited começa hoje


O serviço de subscrição da Amazon brasileira começa com 700 mil títulos, dez mil deles em português

A Amazon brasileira inicia nesta quinta-feira [11] a operar o Kindle Unlimited, o seu serviço de subscrição de livros. O modelo está em operação nos EUA desde julho deste ano. Ao todo, são oferecidos 700 mil títulos, a grande maioria deles em outras línguas. O catálogo em português é composto por dez mil títulos de editoras como Gente, Globo, LeYa, PandaBooks, Universo dos Livros, Vergara & Riba [V&R] e Zahar. Não aderiram ao serviço grandes editoras como as que compõem o pool DLD [L&PM, Novo Conceito, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante], a Companhia das Letras, a Intrínseca e a Ediouro. A varejista não dá detalhes da negociação com as editoras, mas, pelo que apurou o PublishNews, não foi uma lida fácil. Editores ficaram relutantes pela proposta feita pela Amazon. Em alguns casos, a gigante de Jeff Bezos ofereceu um fee fixo pelo catálogo, independente da quantidade de vezes que cada obra fosse acessada. Não se sabe, no entanto, se esse é o único modelo e nem se foi o aceito pelas editoras que passam a fazer parte do serviço.

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, recebeu o PublishNews para falar sobre o Kindle Unlimited na tarde da última quarta-feira. “Por questões contratuais, não podemos dar detalhes da negociação com as editoras. O que podemos dizer é que, como aconteceu nos EUA, a tendência é que esse catálogo cresça”, disse o executivo. “Grandes editoras resolveram não entrar nesse momento, mas o que a gente tem escutado é que elas preferem esperar um pouco mais. As negociações são contínuas”, disse. Szapiro lembra que, também nos EUA, a adesão ao Kindle Unlimited foi paulatina. “Na nossa visão, esse programa vai evoluir. Hoje temos na nossa loja, cerca de 43 mil títulos em português, ou seja, um quarto dos livros da Amazon.com.br estão no Kindle Unlimited. Quando lançamos a loja, há dois anos, o catálogo era de 13 mil títulos e evoluiu para 43 mil em 2014. A gente acredita que essa mesma evolução vai acontecer com o Kindle Unlimited”, completou o country manager.

O serviço

O Kindle Unlimited sai a R$ 19,90 [nos EUA, o serviço é oferecido a US$ 9,90 ou algo em torno de R$ 26]. Para identificar os títulos participantes do serviço, os usuários verão na tela de compra o ícone do Kindle Unlimited e um botão “Leia de Graça” na parte superior direita, onde normalmente fica o botão “Compre agora com um clique”. Ao clicar no “Leia de Graça”, o livro será automaticamente baixado para os dispositivos do usuários [o aparelho Kindle ou os apps de leitura Kindle]. Cada usuário poderá ficar com até dez livros por vez. Para pegar o 11º título ele precisa “devolver” um livro que já esteja na sua lista. Os trinta primeiros dias do Kindle Unlimited são gratuitos. Entre os títulos disponíveis estão os das séries Harry Potter [Pottermore], A guerra dos tronos [LeYa] e Diário de um banana [V&R].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/12/2014

Escola recorre à radionovela para incrementar leitura


A radionovela, sucesso das rádios brasileiras entre as décadas de 1940 e 1960, foi resgatada pelo Colégio Estadual Abraham Lincoln, do município de Kaloré, para desenvolver o hábito da leitura entre os estudantes. Aplicado nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura, o projeto “O conto fantástico para o letramento literário: uma ferramenta para a formação do leitor competente/crítico” foi desenvolvido pela professora Leila Aparecida Keller durante o Programa de Desenvolvimento Educacional [PDE], concluído em 2013.

Para chamar a atenção dos estudantes, a professora propôs uma releitura das obras do escritor goiano José Veiga, com adaptações para radionovelas, que foram gravadas e transmitidas nas rádios da região. Segundo a professora, o rádio é o principal veículo de comunicação em cidades pequenas e esse foi um fator motivacional para eles participarem. “Além disso, conseguimos despertar nos alunos o gosto pela leitura e pelo teatro, conseguimos também resgatar um pouco da cultura das rádiosnovelas”, lembrou.

Os resultados não demoraram a aparecer. Novos hábitos de leitura, melhora na escrita, oralidade, participação em sala de aula e nas notas. A escolha do trabalho surgiu após uma pesquisa com os estudantes na qual foram diagnosticadas quais ferramentas poderiam contribuir para despertar o hábito da leitura, escrita e melhorar a oralidade e o senso crítico. “Eles não tinham o hábito da leitura e a pesquisa apontou que o estilo do conto fantástico, com um narrativa fictícia e crítica, despertava mais o interesse deles”, contou Leila.

Para a aluna Pietra Porto Alves, 12 anos, a radionovela foi a oportunidade de mostrar aos colegas, familiares e comunidade o resultado do trabalho que foi produzido em sala de aula durante um mês e meio. “Foram muitos dias de ensaio, leituras e adaptações. Agora o resultado final está disponível para todos”, disse Pietra.

Amanda de Cássia Dias, 13 anos, aproveitou o trabalho para superar a timidez e melhorar a oralidade. “Achei legal porque somos tímidos e com o projeto tivemos a oportunidade para superar timidez e mostrar o nosso trabalho para várias pessoas”, afirmou.

Em 2015, o projeto será ampliado com a construção de uma rádio dentro da escola para a produção de novos trabalhos, além de incentivar a participação de outros alunos. Somente nesse ano foram produzidas oito releituras adaptadas para o rádio. As atividades foram desenvolvidas no contraturno escolar.

PROJETO – O trabalho foi desenvolvido durante o Programa de Desenvolvimento Educacional que tem duração de dois anos e o objetivo de oferecer aos professores da rede estadual de ensino a formação continuada e com isso garantir a qualidade da educação na rede pública. O projeto desenvolvido por Leila foi orientado pela professora Cláudia Lopes Nascimento Saito, da Universidade Estadual de Londrina [UEL].

Agência de Notícias do Paraná – 11/12/2014

Editora disponibiliza mais 39 títulos digitais gratuitos


Editora UnespA Editora Unesp está disponibilizando mais 39 títulos digitais, passando a oferecer 400 e-books para download gratuito. “Com as publicações a universidade reconhece a importância do trabalho editado para a qualificação docente e demonstra a percepção de que a digitalização da produção acadêmica é um caminho sem volta”, disse Jézio Hernani Bomfim Gutierre, editor executivo da Editora Unesp. O catálogo da editora inclui mais de 1,8 mil títulos, dos quais 400 são disponíveis para download gratuito [parte dos títulos também pode ser obtida impressa, sob demanda]. Confira as obras no site da Editora.

PublishNews | 10/12/2014

Tablets e livros para quem incentiva a leitura


Os melhores projetos que promoveram e incentivaram a leitura em 2014 serão premiados no dia 16 de dezembro, quando acontece a 4ª edição do Prêmio Elias José, em Casimiro de Abreu, no interior do Rio. O evento começa às 15 horas e acontecerá no Auditório Aline Carvalho da Costa.

A Secretaria de Educação dará um tablet 10 polegadas para o professor responsável pelo projeto ganhador. Já a escola ganha troféu, certificado e livros.

Antes de chegar aos dez finalistas, a comissão julgadora avaliou 23 projetos de 20 escolas públicas e privadas. Para escolher os melhores, foram analisados quesitos como estética, arquivos fotográficos, forma de abordagem, alcance do projeto, língua portuguesa na norma culta, entre outros.

Em 2014, o número de inscritos aumentou. Tem sido assim ano após ano. O nível dos projetos também melhorou bastante“, disse o promotor de leituras, Adilson Araújo .

De acordo com a secretária de Educação, Sonia Coêlho, a leitura preserva a identidade de um povo.

Este tem sido o principal objetivo do Prêmio Elias José. Temos colaborado para que isso aconteça por meio da oralidade“.

G1 | 08/12/2014

Biblioteca Nacional da Rússia cria grande enciclopédia nacional


“Toda a Rússia” – será o nome da nova enciclopédia eletrônica que terá informações completas e fidedignas sobre a história, o patrimônio cultural e a vida do país. A obra está sendo elaborada por especialistas das bibliotecas Presidencial e Nacional da Rússia em São Petersburgo.

Análise detalhada de diferentes recursos eletrônicos demostrou que a maioria deles não é capaz de informar minuciosa e, sobretudo, autenticamente os usuários sobre a vida e a história da Rússia. As informações são dispersas e contêm muitos fatos errados ou não precisados, até gritantes às vezes. São deturpados dados sobre a vida de algumas personalidades históricas, apresentam-se informações biográficas erradas e comentários históricos não exatos. Será necessário voltar a precisar esses dados, corrigir, unir as informações em conjunto, para que os usuários possam receber respostas detalhadas e fidedignas a perguntas de interesse.

Para evitar erros que hoje se contém na maioria de materiais eletrônicos de consulta, os editores convidaram conhecidos cientistas para participar dos trabalhos. Eles dirigem-se a especialistas em toda a Rússia solicitando enviar materiais originais e documentos de arquivos. Praticamente, em todos os pontos do país que há entusiastas que conhecem perfeitamente suas regiões. Mas mesmo essa informação está conferida por peritos antes de ser incluída no catálogo geral.

A Biblioteca Presidencial de São Petersburgo começou a formar um fundo eletrônico único ainda há cinco anos. Seus especialistas digitalizaram 350 mil livros sobre a história do Estado da Rússia. Hoje esses materiais já estão sendo postados no portal da biblioteca. São constantemente renovados e acessíveis para usuários em todo o mundo.

Dentro da enciclopédia eletrônica haverá um museu virtual, expondo em detalhes famosos monumentos arquitetônicos, pelo qual será possível efetuar um passeio virtual visitando locais históricos favoritos.

Todas as regiões do país apoiaram com entusiasmo a ideia da composição de uma biblioteca eletrônica única. Etnógrafos russos participam ativamente da obra. Muitas cidades e regiões russas já compuseram suas coletâneas regionais. Agora, bibliógrafos de São Petersburgo devem uni-las em conjunto para formar o arquivo mais completo do mundo.

Rádio Voz da Rússia | 08/12/2014

Estante Virtual entra no mercado de livros novos


Livros | Em julho deste ano, a Estante Virtual ultrapassou  marca de 10 milhões de livros vendidos desde a sua fundação

Em julho deste ano, a Estante Virtual ultrapassou marca de 10 milhões de livros vendidos desde a sua fundação

São Paulo | A Estante Virtual, conhecida pelo acervo de livros raros, usados e seminovos, anuncia a entrada no mercado de títulos novos. Com o lançamento de uma nova plataforma de busca, o usuário poderá escolher entre um livro novo ou usado. O site, que ficou conhecido como sebo online, já tem quase 3 milhões de livros novos à venda.

Criada em 2005, pelo empreendedor André Garcia, a plataforma tem um acervo de 12 milhões de livros disponibilizados por mais de 1,3 mil sebos e livreiros brasileiros. Em julho deste ano, a empresa ultrapassou a marca de 10 milhões de livros vendidos desde a sua fundação.

Garcia explica que ao longo desses anos percebeu que a maioria das pessoas só recorria a sebos para buscar livros raros ou usados. “A gente tem muito livro seminovo e era necessário trazer os livros novos para o site”, explica. Dessa maneira, esse público que não costuma comprar livros usados é atraído pelos novos.

Boa parte dos livros novos do site são obras que, por questões contratuais, continuam sendo editadas durante anos, mas que não encontram mais tanto espaço nas livrarias convencionais. “Entre 60% e 70% dos acervos físicos dos sebos estão cadastrados na Estante“, afirma Garcia.

Ainda de acordo com o empreendedor, ao longo deste ano foram investidos quatro milhões de reais nas áreas de tecnologia, inovação e recursos humanos. Desse total, 70% foi destinado para área de tecnologia. A Estante Virtual hoje tem uma equipe com 38 pessoas e a expectativa para o ano que vem é que esse número deve chegar a 50.

Outra novidade que deverá ser lançada até o final desse ano é a compra expressa. “É uma forma de comprar sem a necessidade de ter um cadastro no site, o usuário preenche os dados e o número do cartão. Com isso, a gente espera que aumente a taxa de conversão”, explica Garcia.

O volume de livros vendidos em 2014 foi de três milhões e a estimativa de venda para o ano que vem é de seis milhões de livros.

Por Camila Lam | Publicado originalmente em EAXME | 07/12/2014

Biblioteca Digital da USP chega a 50 mil títulos


A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações [BDTD] da USP ultrapassou a marca de 50 mil títulos, entre dissertações de mestrado, teses de doutorado e livre-docência. No dia 1º de dezembro, a BDTD registrava 29.717 dissertações, 19.991 teses e 359 livre-docência, totalizando 50.067 documentos. Lançada em 28 de junho de 2001, a Biblioteca Digital reúne o maior acervo digital institucional do Brasil. O acesso aos títulos está disponível para qualquer interessado no site da BDTD.

Agência USP Notícias

Nook e Microsoft encerram parceria


Nook e Microsoft entraram em acordo e colocaram um ponto final nos seus acordos comerciais na tarde de ontem [4]. A empresa global de tecnologia tinha investido US 300 milhões na Barnes & Noble, detentora da marca Nook, em abril de 2012, o que levou à criação de uma nova subsidiária da companhia livreira, que incluía o e-reader, vendas digitais e lojas escolares da B&N. Mas ontem, as duas empresas revelaram que o acordo tinha acabado, com a B&N devolvendo US$ 125 milhões pelas ações preferenciais da Microsoft. O acordo prevê ainda que a Microsoft terá o direito de receber 22,7% dos recursos provenientes das vendas da Nook Digital, levando a crer que o braço Nook da B&N será vendido em breve. Em junho desse ano, a B&N anunciou que estaria desmembrando o Nook das suas unidades de varejo, com vistas a aumentar o valor das suas ações. A conclusão da separação está prevista para agosto de 2015.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 05/12/2014

A Taba


Acaba de entrar no ar a Livraria e Clube de Leitores A Taba, espaço virtual que reúne mais de 1,5 mil títulos selecionados por uma equipe especializada que, durante dois anos, pesquisou, leu e resenhou livros para diferentes tipos de jovens leitores. A ideia surgiu da necessidade de oferecer um serviço de curadoria. O Clube integra um projeto de assinaturas, onde os associados têm a comodidade de receber mensalmente, em casa e com frete grátis, um livro selecionado para o tipo de leitor escolhido. Além disso, os assinantes poderão conversar com leitores de todo o Brasil que receberam a mesma obra em fóruns através do blog A Taba. Assinantes ainda usufruem de descontos nas compras feitas na loja virtual e participam de promoções exclusivas.

PublishNews | 04/12/2014

Senai oferece curso sobre como elaborar eBooks


Curso inicia em janeiro no Senai Maracanã

Estão abertas as inscrições para o curso Como elaborar livros e e-books. As aulas iniciam no dia 5 de janeiro e seguem até 27 de fevereiro, sempre de segunda a quinta-feira, das 18h às 22h, no Senai Maracanã [Rua São Francisco Xavier, 417, Rio de Janeiro/RJ]. Para se inscrever, o interessado terá que comparecer ao Senai até o dia 20 de dezembro munido de cópia e original da identidade, CPF, comprovante de residência e escolaridade, e 2 fotos 3×4. O curso é gratuito e oferece 20 vagas.

PublishNews | 03/12/2014

Escritor e músico Rodrigo Feres lança coleção de eBooks


A ficção científica foi o gênero escolhido pelo escritor e músico Rodrigo Feres para lançar a coleção Levir – junção das palavras Ler e Ouvir. É que, pela primeira vez no Brasil, alguém teve a ideia de juntar texto e música em um livro digital. O ineditismo do projeto de Feres foi atestado pela Fundação Biblioteca Nacional, onde o autor registrou o projeto. Composta por quatro títulos [Nahari, Naloyas, Rehumanos e Lola MTZ-01] e voltada para o público adulto, a Coleção Levir está disponível para download nas lojas Google Play e AppStore [USD 4.99 cada e-book]. Ao percorrer a narrativa, o leitor se depara com palavras destacadas e deve clicá-las para ouvir as canções. Até nove faixas compõe cada conto, todas criadas e interpretadas por Feres.

PublishNews | 03/12/2014

Sobre o uso de fontes tipográficas nos eBooks


POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 3 de dezembro de 2014

Algumas editoras utilizam fontes embutidas como forma de caracterizar o projeto gráfico de suas edições digitais. Este recurso, apesar de muitos considerarem meramente estético, pode ajudar a acrescentar significado em determinadas narrativas, como distinguir vozes ou narradores, ou até mesmo destacar uma narrativa dentro da narrativa [como um bilhete encontrado pela personagem ou uma carta datilografada].

O fato é: embutir fontes em e-books necessita de cuidados e testes, pois o recurso mal utilizado pode prejudicar seriamente a leitura. Para os casos em que as fontes acrescentam em sentido à narrativa, é essencial que se sejam mantidas. Portanto vou tentar enumerar alguns cuidados e erros possíveis para orientar nesta etapa da produção.

1. Formatos válidos de fontes para e-book

Não é recomendado utilizar fontes postscript em livros digitais. Elas podem causar diversos problemas e, em alguns casos, como no da Amazon, geram avisos na validação dos arquivos que devem ser levados em conta.

Os formatos mais indicados na utilização de fontes em livros digitais são o .otf e o .ttf. No entanto, mesmos estes podem causar problemas caso os arquivos utilizados estejam com erros no mapa da fonte.

Alguns exemplos comuns de erros possíveis são: a] a fonte não ser reconhecida e o dispositivo de leitura puxar uma fonte padrão; b] a fonte simplesmente não aparecer, fazendo com que o texto também não apareça; c] a fonte trocar todos os caracteres e o texto ficar simplesmente incompreensível; d] todas as anteriores.

Existem três soluções para estes problemas: a] verificar se há outra versão de arquivo para esta fonte; b] editar o arquivo com erro no FontForge, verificando os warnings que aparecem ao abrir a fonte no programa e gerando novo arquivo de fonte; c] substituir a fonte por uma que produza um efeito similar no projeto gráfico do livro.

2. Declarando fontes no CSS

No Sigil, podemos acrescentar fontes simplesmente clicando na pasta Fonts com o botão direito do mouse e selecionando a opção “Add Existing Files…”. Após selecionar os arquivos de fonte e inseri-los no ePub, é necessário acrescentar uma declaração que denomine que seu arquivo utilizará tal fonte para o miolo.

No meu exemplo eu escolhi utilizar a fonte Alegreya. Para fazê-la funcionar, primeiro eu preciso declarar os arquivos dela no meu CSS:

@font-face {font-family: “Alegreya”; font-weight: normal; font-style: normal; src:url[“../Fonts/Alegreya-Regular.otf”];}
@font-face {font-family: “Alegreya”; font-weight: normal; font-style: italic; src:url[“../Fonts/Alegreya-Italic.otf”];}
@font-face {font-family: “Alegreya”; font-weight: bold; font-style: italic; src:url[“../Fonts/Alegreya-BoldItalic.otf”];}
@font-face {font-family: “Alegreya”; font-weight: bold; font-style: normal; src:url[“../Fonts/Alegreya-Bold.otf”];}

Como vocês podem ver, o font-family não muda, independente do arquivo ser Regular, Bold, Italic ou Bold-Italic. Isso permite que você só precise declarar a fonte de corpo uma única vez, no body, e que as marcações do HTML de itálico e bold puxem o estilo certo da fonte em cada caso específico.

body {padding: 0pt; text-align:left; font-family: “Alegreya”, serif; }

3. Fontes no iBooks

Para o iBooks utilizar a declaração acima é necessário o acréscimo de um arquivo XML que mude os parâmetros da Apple. O Josué falou sobre isso em outro post, sobre variações de arquivos em diferentes plataformas. Sugiro que o leiam, tem dicas bem legais além desta da fonte.

4. Projeto gráfico do impresso

Na produção de e-books ainda é normal que o projeto gráfico da versão digital siga o padrão da versão impressa. No geral isso não é um problema, mas há casos nos quais as fontes utilizadas no impresso podem causar problema na versão digital.

Por exemplo, fontes Light ou Extra Light podem não renderizar propriamente nos dispositivos de e-Ink, dificultando a leitura. Neste caso, talvez seja interessante trocar por outra versão da mesma fonte, um pouco mais encorpada, para se manter as características, mas permitir uma leitura mais confortável.

Outro problema muito comum é a utilização de fontes que não possuem versão de estilo itálico e bold no qual o arquivo InDesing força estes estilos. Nesse caso, temos duas alternativas: a] editar as fontes no FontForge criando estes estilos também de maneira forçada; b] substituir a fonte por uma similar que tenha os estilos já criados.

Conclusão

Sei que em alguns casos não dei uma explicação detalhada de como resolver os problemas e prometo escrever outro post com tutoriais de como editar fontes no FontForge, mas acho que deu para perceber que fontes embutidas em e-books é algo com que é preciso ter muito cuidado. O conselho que dou para todos, e este vale para tudo no que diz respeito à produção de e-book, é: teste seus livros e teste na maior variedade possível de e-readers, tablets e apps, pois é muito comum uma fonte funcionar perfeitamente em 99% dos dispositivos e o 1% no qual há falha prejudicar uma quantidade enorme de leitores.

POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 3 de dezembro de 2014

Lúcia ReisLúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

Site “Le Livros” está ameaçado de sair do ar


São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras [o último de Chico Buarque já está lá], atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 2/12/2014, às 18h56

Livros publicados em rede social ganham páginas impressas


Autores revelados pelo Wattpad, rede social literária, atraem a atenção de editoras brasileiras

Nomes como Anna Todd, de ‘After’, chegam às livrarias do país após alcançarem até um bilhão de visualizações

RIO | Anna Todd era uma pós-adolescente recém-casada, que não sabia bem o que queria da vida. Ávida leitora, a americana descobriu numa rede social gratuita com foco em celulares e tablets a solução para o tédio atrás do balcão da loja em que trabalhava. Com o Wattpad, pegou gosto pelas histórias escritas pelos próprios usuários, publicadas em pequenos capítulos, geralmente semanais, formatadas para serem lidas em pequenas telas. Um belo dia, começou ela mesma a escrever e dali saiu uma fan fiction cujos personagens eram os integrantes da boy band One Direction transportados para uma universidade, com um leve toque erótico, formatado para adolescentes. De repente, boom. “After”, sua primeira trilogia, teve mais de um bilhão de visualizações e seis milhões de comentários no aplicativo, arrebanhando uma legião de fãs [outra de detratores] e, claro, chamando a atenção de grandes editoras do mundo todo e dos estúdios de cinema — a trama será adaptada pela Paramount.

No Brasil, “After” acaba de sair assim, com o título em inglês mesmo [a pedido das fãs de Anna], pelo selo Paralela, da Companhia das Letras. Chega às livrarias com 50 mil cópias, tiragem de best-seller, e a marca do Wattpad na capa. A versão impressa foi revisada, reformatada e ganhou trechos exclusivos, que apimentam a relação do protagonista [no papel, ele deixou de ser uma ficcionalização do cantor Harry Styles, rebatizado de Hardin Scott, como será no filme]. A segunda parte será lançada em janeiro, a terceira em fevereiro e a quarta em março, seguindo a estratégia do mercado internacional.

A americana Anna Todd, autora de 'After' | Foto: Divulgação

A americana Anna Todd, autora de ‘After’ | Foto: Divulgação

Mercado esse que está atento para absorver outros talentos surgidos na plataforma. A galesa Beth Reekles, que publicou “The kissing booth” na rede social quando tinha apenas 15 anos, entrou na lista de adolescentes mais influentes de 2013 da “Time”. Por aqui, já foram lançadas a paulistana Lilian Carmine [“Lost boys”, Leya], a sul-mato-grossense Camila Moreira [“O amor não tem leis”, Objetiva] e a americana Laurelin Paige [“Por você”, Rocco]. Em 2015, é a vez da carioca Nana Pauvolih [“A redenção do cafajeste”, Rocco], em fevereiro; da pernambucana Mila Wander [“O safado do 105”, Planeta], em março; e do inglês Taran Matharu [“The summoner”, ainda sem título em português, Galera Record], em maio. Os gêneros vão da ficção adolescente à ficção erótica, passando pela fantasia.

— Comecei a escrever fan fiction porque amava ler isso. Ser escritora era um sonho que eu nem sabia que tinha até começar. Quando publiquei o primeiro capítulo, nem fazia ideia de que alguém iria lê-lo, muito menos esperar que a coisa toda ficaria tão grande — conta Anna Todd, hoje com 25 anos, que escreveu “After” pelo diminuto teclado do celular pela facilidade de poder fazê-lo em qualquer lugar, e chegou às editoras tradicionais graças à equipe do Wattpad, que funcionou como um agente literário. — Quando vi as contas falsas nas redes sociais se comunicando como se fossem os personagens do livro pensei: “uau, os fãs realmente amam esses caras!”.

VERSÃO “BAUNILHA” DE “50 TONS”

A devoção dos fãs é fator essencial nessa onda. Graças ao empenho dos leitores em acompanhar as histórias, comentando e sugerindo modificações, os autores do Wattpad acabam ganhando edição gratuita, feita pelo principal alvo da indústria de best-sellers. A participação, por sua vez, faz com que os leitores se sintam responsáveis por aquela obra.

— De certa forma, estou surpresa por ver tantos fãs comprando um livro que já leram, mas eles sempre foram tão apaixonados pela história que me parece que querem ter uma peça sólida para poder pegar com as mãos — justifica Anna, que recebe, diariamente, uma enxurrada de vídeos e fotos dos fãs posando com o livro, uma versão “baunilha” de “50 tons de cinza”, como a própria autora define.

O escritor inglês Taran Matharu, autor de 'The summoner' | Foto: Divulgação

O escritor inglês Taran Matharu, autor de ‘The summoner’ | Foto: Divulgação

Acessível a qualquer pessoa com um computador [ou smartphone, ou tablet…] com conexão com a internet, o Wattpad é uma rede social como qualquer outra, reunindo autores com trajetórias diversas. Um dos mais aclamados é o inglês Taran Matharu, filho de um indiano e de uma brasileira. Bem diferente de Anna, que caiu nessa de paraquedas, o jovem de 23 anos sempre escreveu, mas guardava suas histórias para si. Quando começou a publicar “The summoner”, saga fantástica com elementos de “Harry Potter”, “Pókemon”, “O Senhor dos Anéis” e videogames como “Skyrim”, prometeu publicar um capítulo por dia e, no fim de um mês, já tinha cem mil leitores. No único dia em que resolveu tirar folga [era seu aniversário], levou bronca dos fãs. Isso o encorajou a dar passos maiores. Na época, Matharu estagiava no departamento de vendas digitais da Penguin Random House, uma das principais editoras do mundo.

— Perguntei para o meu então chefe quem eram os melhores agentes do Reino Unido. Mandei mensagem para seis deles pelo Facebook mostrando meus números no Wattpad e três horas depois um deles me ofereceu representação. O livro nem estava pronto quando fechamos o contrato — conta Matharu, arranhando o português, e frisando que, apesar da boa relação que mantém com o Wattpad, o aplicativo não intermediou sua publicação por editoras tradicionais. — Minha primeira oferta veio do Brasil, e meu livro foi para leilão em Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, além de ser vendido na Espanha, na França e na Polônia. Até agora, foram mais de cinco milhões de visualizações.

Para agradecer aos leitores pelo apoio, Matharu está publicando no Wattpad um adendo à sua trilogia, contando a história anterior à de seu primeiro livro.

A carioca Nana Pauvolih escrevia há 25 anos, mas só começou a tornar suas histórias públicas há três, quando ficou viciada em autopublicação. Professora de História e Filosofia, chegou a reduzir sua carga horária para se dedicar à escrita, publicando sua literatura erótica em blogs e grupos do Facebook.

CONEXÕES E CONCURSO

Nana começou a tirar uns trocados com a venda de e-books na Amazon, e chegou ao Wattpad em busca de mais visibilidade.

— No começo, não entendia os métodos de divulgação, mas a própria comunidade me ensinou as técnicas. Em menos de um mês, tive 700 mil acessos — explica Nana, que costuma remover os capítulos do Wattpad depois de um tempo para estimular a venda dos e-books. Mesmo assim, a série “Redenção” teve mais de um milhão de acessos na plataforma, e o terceiro livro ainda está na metade. Atualmente, ela está licenciada do magistério e se dedica apenas a escrever.

Para Allen Lau, CEO do Wattpad, o alcance dos autores em outras mídias é benéfico para todos, inclusive para a rede.

— O Wattpad nasceu como um meio de dar às pessoas a chance de ler em qualquer lugar, bem como de permitir com que qualquer um compartilhasse conteúdo original. É um espaço em que escritores podem se expressar, testar ideias e se conectar com outros escritores e leitores — explica Lau. — Estamos orgulhosos de ter wattpadders reconhecidos dentro e fora da plataforma. Temos projetos que ajudam editores a conectar seus autores aos fãs, além de descobrir novos autores como o concurso que fizemos com a [editora] Harlequin, “So you think you can write” [“então você acha que pode escrever”, paródia de um reality show popular no Reino Unido].

Por Liv Brandão | Publicado originalmente em O Globo | 02/12/2014, às 10:44 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.