Bibliotecas de São Petersburgo vão criar “Wikipédia alternativa”


A Biblioteca Presidencial e a Biblioteca Nacional da Rússia estão preparando um projeto que pretende reivindicar os louros de Wikipédia russa. De acordo com o assessor de imprensa da Biblioteca Presidencial, Valentin Sidorin, os funcionários da instituição não vão escrever o material do zero. Eles pretendem simplesmente organizar, digitalizar e colocar em acesso aberto material que já têm à disposição e que está relacionado com todos os aspetos do desenvolvimento histórico da Rússia.

Desse modo, iniciamos a criação de uma alternativa à Wikipédia. A análise desta última mostrou que ela não permite a obtenção de informação detalhada e fiel sobre as regiões da Rússia e a vida do país“, resumiu Sidorin.

A nova enciclopédia eletrônica será organizada segundo o princípio de biblioteca eletrônica, ou seja, não é qualquer pessoa que poderá fazer ajustes, do mesmo modo que nem todo mundo pode fazer alterações dos conteúdos dos livros.

Mas poderão complementá-los com outras publicações e propostas. Estamos trabalhando com os leitores, com as pessoas, estamos interagindo ativamente com aqueles que nos propõem novos recursos“, concluiu Sidorin.

Alternativa ou apenas mais uma?

Apesar de o futuro recurso de referência informativa sobre a Rússia ter um princípio de funcionamento radicalmente distinto do da Wikipédia, a mídia russa se refere abertamente a ele como a “Wikipédia alternativa”. Isso se deve principalmente às declarações do diretor da Biblioteca Nacional, Anton Likhomanov, um dos autores da ideia.

Em abril, ao anunciar a criação do recurso em uma reunião do fórum sócio-pedagógico Educação na Rússia, Likhomanov disse que “o segmento russo da Wikipédia recebe cerca de um milhão de pedidos por hora, mas contém muitos erros e é praticamente impossível de fazer correções nele“.

A Wikipédia é controlada a partir dos Estados Unidos e a qualquer momento podemos ser confrontados com a mesma situação que acabou de passar com os sistemas de pagamento eletrônico Visa e MasterCard”, acrescentou Likhomanov, fazendo alusão ao fato de as sanções ocidentais poderem restringir o acesso dos russos à maior enciclopédia eletrônica.

Embora Likhomanov tenha sublinhado várias vezes que o novo recurso pretendia substituir a Wikipédia, Sidorin argumenta que o projeto não vai lutar nem competir com a Wikipédia. “Nós não estamos tentando substituí-la com o nosso projeto. Queremos, sim, criar uma enciclopédia baseada em fontes confiáveis“, diz.

Futuro questionável

O diretor executivo da Fundação Wikimedia [ONG que apoia a Wikipédia na Rússia], Stanislav Kozlóvski, considera absurdo temer sanções ocidentais relativamente à Wikipédia russa.

A Wikipédia é feita por mais de um milhão de russos sob uma licença livre. Sim, o servidor está nos EUA, bem como na Europa e no Sudeste Asiático. Na Rússia não há servidores. Mas ela de modo algum é controlada pelo governo dos EUA. Em toda a história do recurso, o governo dos Estados Unidos jamais tentou restringir o acesso à enciclopédia“, diz.

Segundo Kozlóvski, existem no mundo poucos países que tentam intervir na Wikipédia e um deles é a Rússia.

Sete artigos completamente inocentes da Wikipédia foram inseridos no registro russo de sites proibidos. Se algum organismo pode bloquear o acesso dos cidadãos à enciclopédia eletrônica, esse organismo será o Roskomnadzor [Serviço Federal de Supervisão das Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação] e não o Departamento de Estado dos EUA.

Kozlóvski acrescentou que, sem dúvida, a Wikipédia tem erros. No entanto, existem 45 milhões de pessoas ao redor do mundo fazendo alterações no recurso e corrigindo esses erros diariamente.

Vladímir Kharitonov, diretor da associação de editores online da Rússia, concorda com essa posição.

O nível de erros da Wikipédia é comparável com o nível de erros da enciclopédia Britannica. Os criadores da enciclopédia eletrônica da Rússia não precisavam reinventar a roda. Eles teriam feito melhor em concentrar seus recursos na melhoria da versão russa da Wikipédia“, diz ele.

Ainda mais categórico em suas avaliações sobre a próxima enciclopédia é Ivan Zassúrski, chefe do departamento da nova mídia da Faculdade de Jornalismo da MGU [Universidade Estatal de Moscou]. Ele não acredita que o projeto venha a ser implementado.

Qualquer tentativa de criar uma ‘Wikipédia alternativa’ está geralmente associada ao controle do conhecimento e sua difusão. No entanto, o problema não é saber se a nova enciclopédia será objetiva ou não. Acontece que ela simplesmente não existirá”, diz Zassúrski.

Gazeta Russa | 23/11/2014

Escribo entra no mercado do livro didático digital


Uma tecnologia made in Pernambuco poderá ser acessada por 15 milhões de alunos a partir do próximo ano. A empresa pernambucana Escribo vai disponibilizar o livro digital junto com o livro didático de papel aos alunos das escolas públicas comprados pelo governo federal a duas grandes editoras, que detêm 25% do mercado do livro didático brasileiro. “Os alunos vão receber um voucher que dá direito a baixar o livro digital. Ainda não sabemos quantos estudantes e professores vão fazer isso”, explica o diretor presidente da Escribo, Américo Amorim. A Escribo é o novo nome da empresa D’accord que começou fazendo softwares para ensinar as pessoas a tocarem instrumentos em 2001.

O livro digital produzido pela Escribo tem o mesmo conteúdo do impresso, acrescentando um conteúdo interativo, que inclui jogos e simulações. “Customizamos o leitor digital com a cara da editora que é a nossa cliente. Fornecemos à editora mecanismos para acelerar a produção de conteúdo digital interativo com mais rapidez e menos custos”, diz Américo. A empresa investiu mais de R$ 1 milhão este ano na melhoria da plataforma do Livro Educacional Digital [LED] e contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos [Finep] do governo federal e do CNPq para desenvolver essa tecnologia.

A plataforma é complexa e inclui desde o software para a criação do livro até o sistema operacional usado pelo usuário. A plataforma faz a adaptação ao sistema operacional usado pelo usuário, tornando possível a leitura em vários sistemas, como o Linux, Android, IOS, entre outros. “Para as empresas, o custo de fazer essa adaptação seria alto, porque envolve o custo do desenvolvimento e o dos testes”, explica Américo.

A entrada da empresa no mercado de livros ocorreu aos poucos. Em 2010, começou a comercializar os livros impressos [dos alunos e dos professores] para auxiliar os softwares desenvolvidos com a finalidade de habilitar os mestres de artes a ensinar música. Hoje, seis prefeituras usam esse sistema.

A inovação é uma matéria-prima da Escribo que hoje concorre com uma empresa de São Paulo e com uma grande multinacional americana no mercado do livro didático digital brasileiro. “O nosso foco está mais nas escolas. É um mercado que está pipocando. A nossa ideia é que mais uma grande editora passe a usar a nossa plataforma”, conta Américo. Se isso ocorrer, a Escribo passará a ter 50% do mercado do livro digital didático no Brasil.

Ainda na época da D’Accord, a empresa ganhou os Prêmios Finep de Inovação em 2009 e 2012, além do Santander Inovação. “Isso foi muito importante para ter respaldo e conversar com empresas grandes. Geralmente, as corporações maiores têm medo de fornecedores pequenos e nordestinos”, afirma. Outro fator que contribuiu muito para o crescimento da empresa foi um aporte financeiro realizado pelo Criatec, o fundo semente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES].

A empresa espera registrar um crescimento entre 30% e 40% este ano e emprega 20 pessoas. O faturamento da Escribo no ano passado chegou a R$ 1,6 milhão. Desse total, 80% representam o livro digital e 20% os softwares que ensinam música.

A empresa nasceu dentro do Centro de Informática [CIn] da Universidade Federal de Pernambuco [UFPE] com a ideia de fazer um software para ensinar as pessoas a tocarem violão. “Agora, somente a parte musical continuará com o nome da D’Accord, que passou a ser uma parte da Escribo. A palavra significa a pessoa que escreve em espanhol”, conclui Américo.

Jornal do Commercio Online | 23/11/2014

Chegada da Amazon ao Brasil acirra guerra de preços de livros


A entrada da Amazon Brasil na venda de livros físicos, há três meses, abalou a estrutura do mercado editorial e acirrou a guerra de preços entre livrarias e o comércio on-line. O resultado é que alguns títulos impressos estão com valores mais baixos que as versões digitais.

Com um alcance maior dos clientes, promoções e facilidade na compra, o e-commerce se fortalece a cada ano.

Porém, com a política de preço cada vez mais agressiva, existe medo de que pequenas livrarias desapareçam.

Para o presidente da ANL [Associação Nacional de Livrarias], Ednilson Xavier, a gigante americana “prejudicou, está prejudicando e irá prejudicar ainda mais” o mercado de livros no país. “A vinda da Amazon só veio ratificar uma condição já existente no Brasil há bastante tempo, que é a concorrência predatória“, afirma.

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro - 4.jul.2014/Folhapress

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro – 4.jul.2014/Folhapress

Carlo Carrenho, especialista em mercado editorial e fundador do PublishNews, explica que a Amazon revê os preços de todos os livros de hora em hora, equiparando os valores de qualquer site.

Ninguém chega perto de ter isso no Brasil.

TROCA-TROCA

No início deste mês, o título “Fim”, de Fernanda Torres, era vendido na Amazon Brasil por R$ 16,90. Sua versão digital custava R$ 21,66.

O mesmo livro impresso estava à venda na loja virtual da Livraria Cultura por R$ 25,88 e o digital, por R$ 22,80. Na Saraiva, o exemplar custava R$ 25,90 e o e-book, R$ 22,80. Uma semana depois, a loja americana aumentou o preço para R$ 19,90 e foi desbancada pela Submarino.com, que está vendendo o exemplar por R$ 17,51.

No entanto, quem ganhou essa batalha foi o site Extra.com, que anunciou o livro físico por R$12,90.

Todas as empresas colocaram o valor abaixo do sugerido pela própria editora, a Companhia das Letras, que é de R$ 34,50 para a versão física e R$ 24 para a digital.

Além disso, o preço do livro físico, em muitos casos, é menor que o digital. Carrenho explica que o contrato de livros digitais no Brasil limita o desconto a no máximo 5%.

Há praticamente um preço fixo do livro digital“, diz.

Para Sônia Jardim, presidente da SNEL [Sindicato Nacional dos Editores de Livros], a regra para a venda de títulos às livrarias é uma só. “As editoras sugerem um preço e vendem ao varejista com um desconto de até 50%. Mas alguns estão abrindo mão desse desconto para conquistar mais clientes“, conclui.

Ednílson Xavier diz que a concorrência que parece benéfica ao consumidor, no longo prazo, não é. “Ela impede que as pequenas e médias livrarias sobrevivam e tenham diversidade de títulos. Quando o mercado fica concentrado na mão de grandes, evidentemente se prioriza as mercadorias que têm giro“.

Não vamos dar a receita do bolo“, diz o diretor geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, quando questionado como a empresa consegue baixar tanto os preços.

Repetindo o lema da empresa, se recusa a falar sobre política de preços e diz que a principal meta da livraria eletrônica é “usar a tecnologia em prol do cliente“.

Carrenho afirma que combater a Amazon com política de preço fixo do livro é “ingenuidade”. Para ele, é preciso melhorar os processos do setor e dar à indústria capacidade para competir.

POR THAIS FASCINA DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 23/11/2014, às 02h00