Porque um código bom é um código limpo


POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antes de qualquer coisa…

Este artigo não tem pretensões de ensinar HTML ou CSS, mas de mostrar sua lógica de funcionamento e apontar o porquê de um código limpo e bem estruturado ser importante. Dito isso, seguimos:

O que você precisa saber sobre o código é o seguinte: ele é importante e quase tudo relacionado a sistemas computacionais existe a partir de suas linhas. Exemplo inocente: você já viu um arquivo docx1, do Word,  por dentro?

Ele é mais ou menos assim:

 

A importância de um código bem estruturado, além de ajudar na compreensão imediata do conteúdo [e de sua renderização], funciona como garantia de integridade do mesmo para o futuro.

Vamos supor que, em alguns anos aconteça ao ePub algo similar ao que aconteceu com os arquivos que eram produzidos com o Ventura. Digamos que a indústria adote outro formato para publicações digitais.

Um código limpo, bem construído, te permite a exportação com integridade de forma e conteúdo, evitando surpresas desagradáveis ou a necessidade de refazer todo o trabalho a partir do zero.

Por exemplo, quem está pegando os arquivos do Ventura hoje para reimprimir um livro de fundo de catálogo, tem grandes chances de ter que refazer o livro todo, usando o InDesign, provavelmente. E, nesse caso [do Ventura e do InDesign], ainda temos outro agravante: formatos proprietários não são editáveis fora de suas plataformas, no geral.

Em relação ao ePub, isso é algo com o que não precisamos nos preocupar, pois, diferentemente do mobi, da Amazon, o ePub não é um formato proprietário, pelo contrário, tem base no HTML, que é amplamente utilizado. Logo, a exportação para outro formato é viável no cenário hipotético onde ele não seria mais o padrão para publicações eletrônicas.

De qualquer forma, ter um arquivo que parece ok para quem olha num dispositivo de leitura, mas que, por baixo desta visualização, se encontra um código cheio de remendos e informações redundantes e/ou desnecessárias, pode se tornar um complicador não apenas para uma futura exportação como também para simples correções ou atualizações de conteúdo.

Lógica de funcionamento

Grosso modo, o ePub é composto por HTMLs +CSS dentro de um ZIP. Como uma página web empacotada.

O HTML [Hyper Text Markup Language] é uma linguagem de marcação, enquanto o CSS [Cascade Style Sheet] funciona como uma página de instruções para essas marcações, uma folha de estilos, por assim dizer.

Essas marcações são bastante visíveis no exemplo abaixo, reparem como o 1[body] marca o início do corpo, o h1 [Header 1] denomina o título 1, o h3,  o segundo, e o p [4] o início de um “parágrafo”.

 

Dentro do p, temos os números 5 e 6,  respectivamente, itálico [<em>, deemphasys] e negrito [<strong>].

As marcas amarelas estão sobre a barra “/” que determina o final de cada marcação.

Essa hierarquia define bem a lógica de funcionamento do HTML.

Alterando valores e classes

Tendo o CSS linkado ao arquivo HTML, podemos alterar os valores padrão de cada item e acrescentar outros que os diferenciem através das classes.

Por exemplo:

Especificamos a cor vermelha no item 1; o alinhamento para a direita, no 2; o tamanho da fonte e o tipo de fonte [3 e 4];

Não se preocupem, se vocês leram até aqui, estamos chegando ao ponto que eu estou tentando mostrar.

Da mesma forma que utilizamos os parâmetros para o <h1>, podemos podemos fazê-lo com o <p>, todavia, dificilmente um livro terá apenas um tipo de parágrafo. Nos mais simples, podemos observar pelo menos dois tipos: com recuo e sem recuo [ou, com indentação e sem indentação]. Nesses casos, criamos uma classe separada, por exemplo, “indent”.

Minha ideia aqui é unicamente deixar claro o porquê é importante manter um código bem estruturado e livre de incongruências. Como eu disse, além de garantir que seu conteúdo se apresente mais fielmente nos vários dispositivos e aplicativos de leitura, caso seja preciso exportá-lo para outro formato ou mídia, toda informação sobre seu conteúdo estará salva e legível.

Não digo que todo mundo precisa saber HTML ou CSS, mas é bom que, ao fornecer um e-book ou contratar um serviço de conversão, alguém possa analisar a qualidade do que foi entregue, afinal, é o produto que vai para o leitor.

Por fim, uma última imagem, um único parágrafo, para que meditemos a respeito da importância da beleza interior.

POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim (UFF) e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

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