Biblioteca de Rio Preto já faz empréstimo virtual de eBooks


Biblioteca de Rio Preto já faz empréstimo virtual de eBooks

Biblioteca de Rio Preto já faz empréstimo virtual de eBooks

A Secretaria de Cultura de São José do Rio Preto [SP] está com inscrições abertas para quem desejar participar do projeto Biblioteca Digital “Árvore de Livros”, na biblioteca pública da cidade. São mil títulos de e-books disponíveis para leitura, que podem ser acessados após cadastro na biblioteca municipal.

São obras contemporâneas e clássicas de diversos gêneros da literatura, em especial os títulos para utilização como leitura de apoio em bibliotecas, escolas e empresas. Para obter empréstimo é preciso fazer inscrição na biblioteca e criar o login e sua respectiva senha a partir da primeira conexão.

A Biblioteca Digital da Árvore funciona com o sistema de streaming. O usuário não precisa baixar o arquivo do e-book em seu dispositivo de leitura, bastando apenas carregá-lo na tela. Esse sistema oferece maior segurança contra atos de pirataria.

O usuário pode emprestar e ler, de forma ilimitada, qualquer e-book disponível na biblioteca digital. No entanto, para evitar que os e-books sejam reservados e permaneçam sem uso na estante do usuário – impedindo, no caso, que um outro usuário leia determinado e-book –, a Árvore permite que o usuário pegue emprestados, simultaneamente, até três e-books.

Para empréstimo de um novo e-book, o usuário precisará devolver um dos três que está em sua estante pessoal. O empréstimo é por duas semanas. Ao fim desse período, o e-book sai da estante individual do usuário e volta para o acervo geral da Árvore. Para maiores informações basta acessar o portal do projeto ou entrar em contato com a Biblioteca Municipal: [17] 3202-2316.

Publicado em G1 | 30/11/2014

Mato Grosso põe na web 700 obras raras de seus autores


Primeiras obras já estão disponíveis em plataforma de Biblioteca Estadual. Público poderá ter acesso a obras publicadas no século XVII e XIX.

Obra de Rubens de Mendonça também está online. Foto: Biblioteca Pública

Obra de Rubens de Mendonça também está online. Foto: Biblioteca Pública

A Secretaria de Estado de Cultura [SEC] em parceria com a Casa Barão de Melgaço passou a disponibilizar a partir da última quinta-feira [27] um acervo de livros raros de autores mato-grossenses que foram digitalizados e ficarão à disposição do público. As obras estão disponíveis para download em uma plataforma virtual inserida no site da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, a maior de Mato Grosso.

Pelo menos 691 obras tidas como raras passaram pelo processo de digitalização desde o ano de 2012, quando o projeto teve início.

Uma parceria do Instituto Geográfico de Mato Grosso com a Casa Barão de Melgaço, o projeto tem como intuito disponibilizar, por meio da internet, livros de importantes autores e historiadores de Mato Grosso ao público nacional e internacional. O acervo compreende obras literárias, populares e científicas.

Todas as obras foram selecionadas por historiadores que tiveram como critério as normas estipuladas pela Biblioteca Nacional.

Segundo a historiadora responsável pelo projeto, Fernanda Machado, foram digitalizados livros do século XVII e XIX. Obras que estavam esgotadas e foram publicadas apenas uma vez também tiveram prioridade. Alguns volumes não podem ser mais manuseados e somente historiadores têm acesso a eles.

De imediato, a Biblioteca Pública Estevão de Mendonça deve disponibilizar as obras nas quais os direitos autorais já foram cedidos pela família ou pelo próprio escritor.

As primeiras obras disponibilizadas são livros dos escritores e historiadores Estevão e Rubens de Mendonça, além do historiador Paulo Pitaluga. Inicialmente, 50 obras devem estar a disposição do público em geral.

Publicado originalmente em G1 | 30/11/2014, às 10h51

Dupla usa o Instagram para fazer resenha de livros


‘Livrogram’, criado pelas amigas Denise Schnyder e Livia Piccolo, ganha cada vez mais fãs

Foto do Livrogram - Reprodução | Denise Schnyder

Foto do Livrogram – Reprodução | Denise Schnyder

RIO | Foi-se o tempo em que falar de literatura para o grande público era tarefa restrita a intelectuais. A produção de conteúdo para a internet só cresce e, na mesma onda, novos projetos literários em plataformas e redes sociais ganham cada vez mais seguidores.

Criado pelas amigas Denise Schnyder, 25 anos, e Livia Piccolo, 29, o Livrogram é um desses canais que vêm ganhando fãs na rede. Formadas em Artes Cênicas, as duas se conheceram trabalhando em um projeto e hoje, além de participarem do mesmo coletivo de teatro, compartilham o amor pela literatura com mais de 6 mil seguidores.

Tudo começou no fim de 2013, quando Denise leu um livro que adorou e resolveu postar no Instagram uma foto da capa acompanhada de pequena resenha para os amigos. Todo mundo curtiu a ideia e ela resolveu que faria todas as resenhas de livros que mereciam ser lidos pelas pessoas próximas. O perfil foi crescendo e muita gente começou a curtir, comentar e indicar leituras.

— Uma dessas pessoas era a Livia. Ela fazia comentários excelentes que me deixavam pensando por dias e tinha um gosto muito parecido com o meu — conta Denise, que fez uma página também no Facebook.

A paixão pelos livros veio cedo para as duas. Denise era disputada pelos amigos da escola para ler livros pelo telefone [para a desgraça de seu pai, que nunca entendia o motivo de a conta vir sempre tão alta], já Livia caiu de amores pela literatura na adolescência.

— Comecei a enxergar os livros como interlocutores poderosos. Neles eu passei a encontrar ideias e situações que eu não encontrava na vida, e isso começou a me instigar imensamente — conta Livia.

Com textos curtos postados semanalmente, a dupla fala sobre livros de forma leve, passando pelos mais variados títulos sem distinção de gênero.

MANEIRAS DE VIVER OS LIVROS

O objetivo é indicar literatura com foco em editoras e selos pequenos, atraindo jovens leitores interessados em ampliar seus universos de leitura.

— A vida é corrida demais e ler é uma atividade que parece não se encaixar nos dias de hoje, mas existem milhares de maneiras de viver a literatura — explica Denise.

O passo seguinte foi se juntarem a Diogo de Nazaré, namorado da Livia, para produzir vídeos para o YouTube no canal Livrogram, com entrevistas, leituras e cobertura de eventos independentes de literatura.

Por Carol Luck | Publicado originalmente em O Globo Online | 28/11/2014, às 6:00 | Carol Luck escreve na página Transcultura, publicada às sextas-feiras no Segundo Caderno.

Acesso imediato | notas em pop-up


POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Em meu último texto, falei sobre o uso do RegEx [motor de busca e substituição a partir de expressões regulares] e a adaptação de notas nos livros digitais. Continuarei nesse tópico, mas com uma ênfase bem diferente: falarei sobre a criação de notas em pop-up, recurso interessantíssimo que é permitido pelo formato ePub3. O foco, novamente, será de todo prático.

Do que se trata?

A forma tradicional de adaptar as notas é com links de ida e volta, que podem ser acessados a qualquer momento da leitura. Trata-se de um salto do texto para onde as notas estão, e então um retorno do ponto do texto de onde se saiu. Com o ePub3 e os pop-ups, o leitor toca no número e uma caixa surge com o conteúdo textual da nota. A caixa some quando se toca em qualquer ponto fora dela.

Pop-up em funcionamento

Trata-se de praticidade, antes de tudo: as notas passam a ser acessadas no ponto onde surgem, sem que o leitor seja lançado de um lugar para outro do livro. Para livros com grande quantidade de notas, o recurso é muito indicado, pois tornará a leitura muito mais fluida.

Há limitações?

Infelizmente, sim. Crias do ePub3, elas só funcionam em plataformas que suportam o formato. Onde o suporte é parcial [Kobo e Google, por exemplo], nada feito. E-readers, então, nem pensar. O que nos deixa, dentre as grandes players, com uma única opção: a Apple. De modo que, caso se deseje utilizar esse recurso, uma versão do e-book exclusiva para o iBooks, que aproveite as potencialidades da plataforma, terá de ser desenvolvida – o que por si só já representa uma decisão importante para desenvolvedores que precisam lidar com diversas lojas. Em caso positivo, aqui vai um passo a passo que, espero, será útil.

  1. Fique atento à localização das notas.

Quando adaptadas para a visualização em pop-up, as notas se tornam invisíveis – o termo mais correto éconteúdos não lineares –, só aparecendo quando o link é acessado. Se as notas do livro em questão estiverem no fim dos capítulos, permanecerão ocultas quando o leitor chegar ao ponto onde estão. Mas no caso de livros com seções específicas para notas, é preciso acrescentar um parâmetro no content.opf para que toda a seçãopermaneça escondida. Afinal, não faria sentido ver a página com todas as notas quando você já pode visualizá-las ao longo do texto.

Encontre a linha correspondente ao HTML das notas no content.opf:
<itemref idref=”notas.xhtml”/> e acrescente linear=”no” ao final da linha. Ficará assim:

<itemref idref=”about.xhtml” linear=”no” />
[o nome do HTML onde estão as notas pode ser outro, naturalmente]

  1. Converta seu arquivo ePub2 para ePub3.

O cabeçalho de cada um dos HTMLs precisará ser modificado, bem como o do content.opf. Essa é a parte essencial da conversão. Até bem pouco tempo, achava que esse trabalho precisaria ser feito todo a mão [já tive que fazê-lo], mas a Lúcia me apresentou o programa 3Pub, que faz isso automaticamente, assim como outras adaptações importantes para o ePub3. Nos testes que realizei, o arquivo foi gerado sem erros.

Basta abrir seu ePub2 com o programa e clicar na opção de converter. Pronto: agora você tem um arquivo ePub3.

  1. Hora de localizar e substituir.

Perceba que o arquivo criado não está compactado, ou seja, você não poderá utilizar o Sigil para trabalhar no código. Recomendo usar o Notepad++, para Windows, ou TextWrangler, para Mac.

Primeiro, fazemos a busca padrão pelos trechos do texto com os links de ida:

<span class=”nomedaclasse”><a

“nomedaclasse” na linha de busca se refere ao estilo utilizado para deixar os números sobrescritos. A linha de substituição deve ser:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref”

O elemento novo é o epub:type=”noteref”. É ele que informa que a nota funcionará como pop-up. O link de ida completo deve, portanto, ficar assim:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-01? id=”nota-back-01?>1</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-02? id=”nota-back-02?>2</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-03? id=”nota-back-03?>3</a>…

E assim por diante. Caso as notas estejam num outro HTML, basta endereçar o link até ele.

Feitas essas substituições, é hora de seguir para as notas em si. Cada uma delas precisará estar dentro de um <aside>, tag que serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal. Vamos usar as expressões regulares para efetuar o trabalho árduo para nós. Já tratamos do assunto no post anterior, recomendo que ele seja lido antes de prosseguir.

Busque exatamente por:

[<p class=”classe-notas”>][<a href=”.*?”] [id=”.*?”>][\d+][</a>][.*?][</p>]

Cada um dos elementos constitutivos do trecho procurado está entre parênteses, para facilitar a substituição. A linha de substituição ficará assim:

<aside epub:type=”footnote” \3>\6</aside>

Explicando por partes:

O <aside> em si não é tudo: a identificação epub:type=”footnote” faz toda a diferença. O pop-up não funcionará caso os dois epub:type não estejam corretamente aplicados.

O id, marcação que identifica um trecho qualquer do texto como ponto de chegada de um link, precisa ficar dentro do <aside>. Ele é substituído pelo \3. O número \6 substitui o texto da nota e o </aside> fecha a área que será abrangida pelo pop-up.

Perceba que, na substituição, descartamos diversos itens que antes estavam lá. Deixá-los não provocaria nenhum erro, mas ficariam redundantes. Em ordem:

<p class=”classe-notas”>: apagamos porque, na prática, o <aside> ignora parâmetros estabelecidos no css. Sendo assim, um estilo não faria diferença;
<a href=”.*?”: nos ePubs2, precisamos de links de ida e volta. No caso de uma nota em pop-up, a volta não é necessária, uma vez que não se sai do lugar ao acessá-la. Seria informação inútil, portanto;
\d+ e </a>: indicavam, respectivamente, o número da nota e o fechamento da área de link, já que neste número estaria o link de volta. O número pode sair porque os pop-ups utilizam automaticamente como título o texto originalmente linkado. Se a nota número 3 estiver direcionando para um pop-up, o número estará automaticamente no topo [exatamente como a imagem do início mostra]. Se o número da nota em si for mantido, teremos a mesma informação duas vezes, o que não é necessário;
</p>: fechamento do parágrafo com o estilo “classe-notas” aplicado. Pode sair, uma vez que não usaremos o estilo.

Isso feito, compactamos novamente o arquivo, o que pode ser feito com programas como o ePubpack e ePub Zip/Unzip.

Assim, temos um arquivo com notas em pop-up, muito indicado para livros de não-ficção, provando de que o ePub3 não se resume aos tão alardeados áudios, vídeos e animações, e que recursos simples podem enriquecer tremendamente a experiência de leitura.

POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Josué de OliveiraJosué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de dois. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Plataforma Kobo Writing Life se expande na Europa


Devagar, o mercado europeu se abre para a autopublicação e a Kobo, em parceria com varejistas locais, quer promover a sua plataforma Kobo Writing Life da forma mais amigável possível no Velho Continente. Para isso contratou, em 2013, Camile Mofidi, gerente europeia do Kobo Writing Life. Para ela, mesmo que a evolução seja lenta, as coisas estão acontecendo. Modifi trabalha para toda a Europa, com exceção do Reino Unido, que tem uma estrutura independente, já que é um mercado mais desenvolvido, que se assemelha ao dos EUA. Modifi destaca o mercado alemão, que começou a decolar esse ano. “Os alemães começaram a investir e a trabalhar no lançamento de plataformas de autopublicação. Eles parecem mais dispostos a caminhar nessa direção”, disse Mofidi. Na Itália, a autopublicação também tem crescido, especialmente no gênero romance. Já a França está se arrastando ainda, ficando atrás da Alemanha e da Itália.

Por Olivia Snaije | Publishing Perspectives | 25/11/2014

Editora disponibiliza Conversor Ortográfico Online


O Conversor do Acordo Ortográfico da Porto Editora é uma ferramenta gratuita que possibilita a adaptação à nova ortografia, quer em português europeu quer em português do Brasil. O Conversor de texto converte palavras conforme a ortografia antiga para a nova grafia e resolve no mesmo instante qualquer dúvida ortográfica. Clique aqui para conhecer.

Kindle Unlimited deve chegar ao Brasil em 2015


Amazon já negocia com editoras a adesão de títulos ao seu serviço de subscrição

A Amazon tem procurado as editoras brasileiras para renegociar os descontos de e-books. Uma fonte do PublishNews disse que os contatos são quase que diários. De acordo com Lauro Jardim, titular da coluna Radar, da Veja, tem sido conversas difíceis. Não à toa. A equipe de Jeff Bezos no Brasil quer ampliar os descontos e as editoras têm se mantido irredutíveis. Mas não é só isso. Nas mesmas conversas, a Amazon tem apresentado o Kindle Unlimited, o serviço de subscrição de livros digitais, aos editores brasileiros. A previsão é que o serviço entre em funcionamento no início de 2015.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/11/2014

Bibliotecas de São Petersburgo vão criar “Wikipédia alternativa”


A Biblioteca Presidencial e a Biblioteca Nacional da Rússia estão preparando um projeto que pretende reivindicar os louros de Wikipédia russa. De acordo com o assessor de imprensa da Biblioteca Presidencial, Valentin Sidorin, os funcionários da instituição não vão escrever o material do zero. Eles pretendem simplesmente organizar, digitalizar e colocar em acesso aberto material que já têm à disposição e que está relacionado com todos os aspetos do desenvolvimento histórico da Rússia.

Desse modo, iniciamos a criação de uma alternativa à Wikipédia. A análise desta última mostrou que ela não permite a obtenção de informação detalhada e fiel sobre as regiões da Rússia e a vida do país“, resumiu Sidorin.

A nova enciclopédia eletrônica será organizada segundo o princípio de biblioteca eletrônica, ou seja, não é qualquer pessoa que poderá fazer ajustes, do mesmo modo que nem todo mundo pode fazer alterações dos conteúdos dos livros.

Mas poderão complementá-los com outras publicações e propostas. Estamos trabalhando com os leitores, com as pessoas, estamos interagindo ativamente com aqueles que nos propõem novos recursos“, concluiu Sidorin.

Alternativa ou apenas mais uma?

Apesar de o futuro recurso de referência informativa sobre a Rússia ter um princípio de funcionamento radicalmente distinto do da Wikipédia, a mídia russa se refere abertamente a ele como a “Wikipédia alternativa”. Isso se deve principalmente às declarações do diretor da Biblioteca Nacional, Anton Likhomanov, um dos autores da ideia.

Em abril, ao anunciar a criação do recurso em uma reunião do fórum sócio-pedagógico Educação na Rússia, Likhomanov disse que “o segmento russo da Wikipédia recebe cerca de um milhão de pedidos por hora, mas contém muitos erros e é praticamente impossível de fazer correções nele“.

A Wikipédia é controlada a partir dos Estados Unidos e a qualquer momento podemos ser confrontados com a mesma situação que acabou de passar com os sistemas de pagamento eletrônico Visa e MasterCard”, acrescentou Likhomanov, fazendo alusão ao fato de as sanções ocidentais poderem restringir o acesso dos russos à maior enciclopédia eletrônica.

Embora Likhomanov tenha sublinhado várias vezes que o novo recurso pretendia substituir a Wikipédia, Sidorin argumenta que o projeto não vai lutar nem competir com a Wikipédia. “Nós não estamos tentando substituí-la com o nosso projeto. Queremos, sim, criar uma enciclopédia baseada em fontes confiáveis“, diz.

Futuro questionável

O diretor executivo da Fundação Wikimedia [ONG que apoia a Wikipédia na Rússia], Stanislav Kozlóvski, considera absurdo temer sanções ocidentais relativamente à Wikipédia russa.

A Wikipédia é feita por mais de um milhão de russos sob uma licença livre. Sim, o servidor está nos EUA, bem como na Europa e no Sudeste Asiático. Na Rússia não há servidores. Mas ela de modo algum é controlada pelo governo dos EUA. Em toda a história do recurso, o governo dos Estados Unidos jamais tentou restringir o acesso à enciclopédia“, diz.

Segundo Kozlóvski, existem no mundo poucos países que tentam intervir na Wikipédia e um deles é a Rússia.

Sete artigos completamente inocentes da Wikipédia foram inseridos no registro russo de sites proibidos. Se algum organismo pode bloquear o acesso dos cidadãos à enciclopédia eletrônica, esse organismo será o Roskomnadzor [Serviço Federal de Supervisão das Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação] e não o Departamento de Estado dos EUA.

Kozlóvski acrescentou que, sem dúvida, a Wikipédia tem erros. No entanto, existem 45 milhões de pessoas ao redor do mundo fazendo alterações no recurso e corrigindo esses erros diariamente.

Vladímir Kharitonov, diretor da associação de editores online da Rússia, concorda com essa posição.

O nível de erros da Wikipédia é comparável com o nível de erros da enciclopédia Britannica. Os criadores da enciclopédia eletrônica da Rússia não precisavam reinventar a roda. Eles teriam feito melhor em concentrar seus recursos na melhoria da versão russa da Wikipédia“, diz ele.

Ainda mais categórico em suas avaliações sobre a próxima enciclopédia é Ivan Zassúrski, chefe do departamento da nova mídia da Faculdade de Jornalismo da MGU [Universidade Estatal de Moscou]. Ele não acredita que o projeto venha a ser implementado.

Qualquer tentativa de criar uma ‘Wikipédia alternativa’ está geralmente associada ao controle do conhecimento e sua difusão. No entanto, o problema não é saber se a nova enciclopédia será objetiva ou não. Acontece que ela simplesmente não existirá”, diz Zassúrski.

Gazeta Russa | 23/11/2014

Escribo entra no mercado do livro didático digital


Uma tecnologia made in Pernambuco poderá ser acessada por 15 milhões de alunos a partir do próximo ano. A empresa pernambucana Escribo vai disponibilizar o livro digital junto com o livro didático de papel aos alunos das escolas públicas comprados pelo governo federal a duas grandes editoras, que detêm 25% do mercado do livro didático brasileiro. “Os alunos vão receber um voucher que dá direito a baixar o livro digital. Ainda não sabemos quantos estudantes e professores vão fazer isso”, explica o diretor presidente da Escribo, Américo Amorim. A Escribo é o novo nome da empresa D’accord que começou fazendo softwares para ensinar as pessoas a tocarem instrumentos em 2001.

O livro digital produzido pela Escribo tem o mesmo conteúdo do impresso, acrescentando um conteúdo interativo, que inclui jogos e simulações. “Customizamos o leitor digital com a cara da editora que é a nossa cliente. Fornecemos à editora mecanismos para acelerar a produção de conteúdo digital interativo com mais rapidez e menos custos”, diz Américo. A empresa investiu mais de R$ 1 milhão este ano na melhoria da plataforma do Livro Educacional Digital [LED] e contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos [Finep] do governo federal e do CNPq para desenvolver essa tecnologia.

A plataforma é complexa e inclui desde o software para a criação do livro até o sistema operacional usado pelo usuário. A plataforma faz a adaptação ao sistema operacional usado pelo usuário, tornando possível a leitura em vários sistemas, como o Linux, Android, IOS, entre outros. “Para as empresas, o custo de fazer essa adaptação seria alto, porque envolve o custo do desenvolvimento e o dos testes”, explica Américo.

A entrada da empresa no mercado de livros ocorreu aos poucos. Em 2010, começou a comercializar os livros impressos [dos alunos e dos professores] para auxiliar os softwares desenvolvidos com a finalidade de habilitar os mestres de artes a ensinar música. Hoje, seis prefeituras usam esse sistema.

A inovação é uma matéria-prima da Escribo que hoje concorre com uma empresa de São Paulo e com uma grande multinacional americana no mercado do livro didático digital brasileiro. “O nosso foco está mais nas escolas. É um mercado que está pipocando. A nossa ideia é que mais uma grande editora passe a usar a nossa plataforma”, conta Américo. Se isso ocorrer, a Escribo passará a ter 50% do mercado do livro digital didático no Brasil.

Ainda na época da D’Accord, a empresa ganhou os Prêmios Finep de Inovação em 2009 e 2012, além do Santander Inovação. “Isso foi muito importante para ter respaldo e conversar com empresas grandes. Geralmente, as corporações maiores têm medo de fornecedores pequenos e nordestinos”, afirma. Outro fator que contribuiu muito para o crescimento da empresa foi um aporte financeiro realizado pelo Criatec, o fundo semente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES].

A empresa espera registrar um crescimento entre 30% e 40% este ano e emprega 20 pessoas. O faturamento da Escribo no ano passado chegou a R$ 1,6 milhão. Desse total, 80% representam o livro digital e 20% os softwares que ensinam música.

A empresa nasceu dentro do Centro de Informática [CIn] da Universidade Federal de Pernambuco [UFPE] com a ideia de fazer um software para ensinar as pessoas a tocarem violão. “Agora, somente a parte musical continuará com o nome da D’Accord, que passou a ser uma parte da Escribo. A palavra significa a pessoa que escreve em espanhol”, conclui Américo.

Jornal do Commercio Online | 23/11/2014

Chegada da Amazon ao Brasil acirra guerra de preços de livros


A entrada da Amazon Brasil na venda de livros físicos, há três meses, abalou a estrutura do mercado editorial e acirrou a guerra de preços entre livrarias e o comércio on-line. O resultado é que alguns títulos impressos estão com valores mais baixos que as versões digitais.

Com um alcance maior dos clientes, promoções e facilidade na compra, o e-commerce se fortalece a cada ano.

Porém, com a política de preço cada vez mais agressiva, existe medo de que pequenas livrarias desapareçam.

Para o presidente da ANL [Associação Nacional de Livrarias], Ednilson Xavier, a gigante americana “prejudicou, está prejudicando e irá prejudicar ainda mais” o mercado de livros no país. “A vinda da Amazon só veio ratificar uma condição já existente no Brasil há bastante tempo, que é a concorrência predatória“, afirma.

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro - 4.jul.2014/Folhapress

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro – 4.jul.2014/Folhapress

Carlo Carrenho, especialista em mercado editorial e fundador do PublishNews, explica que a Amazon revê os preços de todos os livros de hora em hora, equiparando os valores de qualquer site.

Ninguém chega perto de ter isso no Brasil.

TROCA-TROCA

No início deste mês, o título “Fim”, de Fernanda Torres, era vendido na Amazon Brasil por R$ 16,90. Sua versão digital custava R$ 21,66.

O mesmo livro impresso estava à venda na loja virtual da Livraria Cultura por R$ 25,88 e o digital, por R$ 22,80. Na Saraiva, o exemplar custava R$ 25,90 e o e-book, R$ 22,80. Uma semana depois, a loja americana aumentou o preço para R$ 19,90 e foi desbancada pela Submarino.com, que está vendendo o exemplar por R$ 17,51.

No entanto, quem ganhou essa batalha foi o site Extra.com, que anunciou o livro físico por R$12,90.

Todas as empresas colocaram o valor abaixo do sugerido pela própria editora, a Companhia das Letras, que é de R$ 34,50 para a versão física e R$ 24 para a digital.

Além disso, o preço do livro físico, em muitos casos, é menor que o digital. Carrenho explica que o contrato de livros digitais no Brasil limita o desconto a no máximo 5%.

Há praticamente um preço fixo do livro digital“, diz.

Para Sônia Jardim, presidente da SNEL [Sindicato Nacional dos Editores de Livros], a regra para a venda de títulos às livrarias é uma só. “As editoras sugerem um preço e vendem ao varejista com um desconto de até 50%. Mas alguns estão abrindo mão desse desconto para conquistar mais clientes“, conclui.

Ednílson Xavier diz que a concorrência que parece benéfica ao consumidor, no longo prazo, não é. “Ela impede que as pequenas e médias livrarias sobrevivam e tenham diversidade de títulos. Quando o mercado fica concentrado na mão de grandes, evidentemente se prioriza as mercadorias que têm giro“.

Não vamos dar a receita do bolo“, diz o diretor geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, quando questionado como a empresa consegue baixar tanto os preços.

Repetindo o lema da empresa, se recusa a falar sobre política de preços e diz que a principal meta da livraria eletrônica é “usar a tecnologia em prol do cliente“.

Carrenho afirma que combater a Amazon com política de preço fixo do livro é “ingenuidade”. Para ele, é preciso melhorar os processos do setor e dar à indústria capacidade para competir.

POR THAIS FASCINA DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 23/11/2014, às 02h00

A infraestrutura de apoio para que entidades possam publicar está crescendo


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Lembro de uma letra de música do começo dos anos 70 cuja linha de abertura era: “não precisamos de mais marinheiros, precisamos de um capitão.” Aquela música poderia estar falando do novo mercado editorial que está crescendo a partir do fenômeno da“atomização”, livros que poderiam sair de quase qualquer lugar [este é o “nós”]. São apoiados pelo “desempacotamento”, a disponibilidade de quase todos os serviços exigidos [estes são os “marinheiros”] na complexa tarefa de publicar livros.

Isto é o que deveríamos chamar de “entidade de autopublicação”, ao contrário de “autor de autopublicação”. O sucesso de autores independentes foi muito analisado ultimamente, parcialmente pela disputa Amazon-Hachette que mostrou que os autores podem ganhar a vida se autopublicando – principalmente explorando os recursos da Amazon – sem precisar de uma organização grande por trás. Mas entidades autopublicadas são, na verdade, muito mais ameaçadoras para o mundo editorial tentando lucrar porque poderiam, com o tempo, trazer muito mais conteúdo no mercado com muito mais força de marketing por trás do que os autores individuais. E às vezes, as motivações destes fornecedores de conteúdo não incluem a necessidade de ter lucro.

[Também pode ser visto como uma oportunidade ao mercado, se as editoras acharem produtivo oferecerem seus serviços como parceiros flexíveis das entidades.]

Há muitas empresas que oferecem os serviços centrais que dão apoio à publicação. Grandes organizações como Ingram e Perseus são fornecedores com um conjunto completo de recursos, inclusive o de colocar livros impressos nas prateleiras das livrarias. [Na verdade, se você for grande o suficiente, consegue que uma das Cinco Grandes faça isso para você.] Distribuidores digitais como Vook, INscribe e ePubDirect podem transformar um arquivo em e-book e distribuí-lo no mundo todo. Lulu e Blurb também podem entregar livros impressos para você. Os serviços de assinatura como Scribd e Oyster [sem mencionar Amazon, Ingram, Overdrive e as outras livrarias] farão a distribuição. E, tanto como parte de ofertas maiores ou como serviços individuais, como BiblioCrunch, é cada vez mais fácil para um autor [ou uma entidade autopublicada] encontrar editoras, designers de capa, especialistas em marketing e criadores de website], assim como qualquer outro conjunto de habilidades específicas necessárias para publicar com êxito um livro. Na verdade, as próprias editoras há anos usam freelancers para muitas outras funções.

Mas entidades possuem desafios que autores individuais não possuem.

Um autor individual sabe o que será publicado: o que eles escrevem. E como a maioria dos autores se sente mais confortável em um gênero particular, eles não precisam se preocupar muito com consistência enquanto constroem uma audiência. São inerentemente consistentes. [Autores que querem mudar de gênero ou escrever fora do que são mais conhecidos enfrentam maiores dificuldades para conseguir sucesso comercial com a autopublicação].

Claro, eles têm muitos desafios fora de seu conjunto de habilidades de escrita: edição, design de capa, até preço e marketing. E aqueles desafios são suficientes para fazer muitos autores preferirem ter uma editora que vai cuidar deles, mesmo se de outra forma estivessem dispostos a abrir mão da influência em marketing e da  distribuição de uma editora profissional. Há grandes vantagens na margem por cópia vendida para fazer sozinho assim como ficar livre das restrições e atrasos que surgem de trabalhar com uma organização maior. Existe ainda muitas perguntas “como”, mas há poucas perguntas “o quê”.

Mas quando uma entidade se compromete com a autopublicação, mesmo que seja um jornal ou uma revista que sabe como criar a propriedade intelectual, eles de repente precisam tomar decisões que não estão equipados para fazer e isso começa com “o quê” publicar.

Eles precisam de um editor. Na metáfora da letra da música, eles precisam de um “capitão”.

A posição de “editor” existe dentro do mundo das revistas e dos jornais também, mas significa algo um pouco diferente do que nos livros. Nos dois casos, o editor governa todo o empreendimento, não apenas as decisões editoriais. Como a renda das revistas e jornais vêm principalmente dos anunciantes, o tempo do editor e foco são dirigidos para lá. A editora certamente tem a responsabilidade por coisas como marketing e distribuição, mas estes tendem a não exigir muita atenção.

Mas a natureza da edição de livros é que cada livro é um desafio de marketing separado assim como editorial, e os dois estão interrelacionados. Se o livro certo para um mercado deveria custar $15, você faz um livro diferente do que se o livro certo fosse $30 ou $8. Se o livro está pronto para publicação em setembro, mas o momento certo para levar este livro ao mercado é fevereiro, é um editor que decide para adiá-lo.

E se há 20, 30 ou 100 livros que uma entidade poderia fazer, é um editor que decide fazer cinco por mês ou cinco por temporada, qual fazer primeiro, e qual deveria sempre sair em junho.

Em um post de um ano atrás, eu citei o exemplo do que o editor Bruce Harris fez com o audacioso [e bem-sucedido] livro de receitas do fundador da Microsoft, Nathan Myhrvold que custava $625. Myhrvold tinha o conceito e a propriedade intelectual e a perspicácia de negócios para tomar decisões chaves. Mas foi preciso Bruce, ou alguém com sua considerável experiência e sofisticação editorial, para orquestrar a contribuição de especialistas em marketing e publicidade, coordenar com as realidades do calendário editorial, e fornecer a direção para fazer o melhor uso dos serviços do Ingram.

Este tipo de conhecimento é ainda mais importante estruturar listas dentro de um programa editorial em andamento.

Vook certamente experimentou um pouco disto. O website deles ainda anuncia que são “centrados em autor”, mas eles estão abertos à ideia de que entidades são uma grande parte do futuro da autopublicação. Eles forneceram serviços de infraestrutura crítica para permitir a publicação de e-books para The New York Times, Forbes, Thought Catalog, Fast Company, US News & World Report, Frederator Studios e The Associated Press.

Fornecer inteligência de negócios é uma parte crucial de estratégia Vook para trabalhar com entidades. Matt Cavner da Vook me contou:

Estamos rastreando dados de mais 4 milhões de livros – impresso e digital – e usamos esta informação para gerar recomendações de preços para maximizar renda para os livros que nossos parceiros publicam, para então ajustar os livros dentro dos mercados, e encontrar categorias específicas onde será mais provável criar um ranking de listas de best-sellers. Também coordenar o marketing digital padrão e merchandise com as livrarias. Assim, estamos agindo como a infraestrutura e a plataforma da parte traseira dos dados para estes parceiros terem o mais bem-sucedido possível – permitindo que mantenham o foco no lado criativo e de desenvolvimento de seu programa editorial.

Mas, claro, estes dados precisam ter a ação por um editor no outro lado. A lista de clientes da Vook é importante, com organizações de mídia que podem fornecer alguma versão desta decisão título a título, lista a lista para usar as ferramentas de Vook. Porque Vook começou na vida oferendo serviços a autores, Cavner sabe como era focar direção e reconhece a questão.

Está certo. Aquele que toma decisão coordenada/criativa sobre o lado parceiro joga o papel do autor em certo sentido.

A notícia chegou no fim de semana: Blurb, a companhia de serviços editoriais que saiu de uma oferta inicial print-on-demand, tinha contratado editores veteranos Molly Barton e Richard Nash para ajudá-los a construir uma rede de serviços de apoio que eles vão, presumivelmente, operar como negócio autônomo e como uma rampa para seu negócio central. Blurb viu que isso ia acontecer e o movimento fez sentido: dois editores com vasta experiência sabem como encontrar e verificar as ofertas de serviço para todos os componentes necessários para publicar um livro com sucesso.

Mas eu suspeito que para a maioria dos novatos que encontram editores e designers de capa e especialistas em marketing de livros na rede, Barton e Nash vão ajudar a Blurb a entregar [e ficamos imaginando quanto se sobrepõe e qual a distinção qualitativa que haverá entre o que eles prometem com o que uma busca em BiblioCrunch ou no Google poderia mostrar], seriam os próprios Barton e Nash, e pessoas como ele e Bruce Harris e outros veteranos com experiência com muitos livros e muitas listas, que seriam os fornecedores de serviço mais valiosos. O mais ambicioso dos novos estreantes no mercado editorial, entrando para construir sobre o conhecimento e a reputação estabelecidos em alguns outros ecossistemas [até um que é “mídia”], seria inteligente se visse que, como em todas as outras tarefas, a orquestração de um programa editorial é realizado de forma melhor por alguém com experiência. E as pessoas que fornecem isso não precisam estar necessariamente na equipe.

E outro pensamento não relacionado.

No mundo fora do mercado editorial, muito conteúdo está sendo gerado por “marketing de conteúdo”. Foi parte da minha tarefa na programação da DBW – Digital Book World entender como o mundo do marketing de conteúdo e o mundo da edição de livros se conectam.

A forma como um editor instintivamente quer pensar sobre isso é “se as pessoas estão sendo pagas para produzir conteúdo, posso vendê-lo?” Das três possíveis interações com o mundo do marketing de conteúdo, esta provavelmente é a menos produtiva. O marketing de conteúdo tem a ver com criar precisamente o conteúdo correto para a necessidade de marketing de uma marca. Não é especialmente uma postura eficiente procurar o mundo do conteúdo existente para isso, depois ter que licenciá-lo e viver com as restrições de licenciamento, e quase certamente precisar modificá-lo para uso no marketing. Assim, com algumas limitadas exceções, risque isso.

Outra interação potencial poderia ter a ver com distribuir o que é ou produzir conteúdo de marketing como e-books. Eu fiz esta sugestão a um escritório de advocacia que tinha criado um white paper sobre Lei de Marcas Registradas. Por que não publicar como e-book, falei? Eles disseram, para que ter o trabalho? Pensei, não querem aparecer para as pessoas que buscam na Amazon por “lei de marcas registradas”?

Mas quando falei com Joe Pulizzi, o chefe do Content Marketing Institute, sobre e-books, ele disse, “bem, claro, eles poderiam fazer sentido em alguns casos, mas há tantas outras coisas mais importantes para alguém de marketing.” Ele está falando sobre blogs, Pinterest e YouTube e a web e apps onde o conteúdo pode ser feito para mostrar para as pessoas que estariam mais interessadas nisso, exatamente quando elas precisam. Em outras palavras, “entendo sua visão, mas francamente, em geral temos peixes muito maiores para fritar”.

E isso aponta para como as editoras podem ganhar mais dentro do negócio de marketing de conteúdo. As editoras possuem toneladas de conteúdo, mas estão longe de ter descoberto a melhor forma de usar este conteúdo para marketing. Esta é uma ciência adjacente para nós, não algo que temos muita experiência. É por isso que temos Pulizzi falando precisamente sobre este assunto – usando conteúdo para construir uma audiência e como aplicar estas coisas que funcionam melhor que e-books – no palco principal do Digital Book World. Até demos a ele uma sessão dupla porque haverá muitas perguntas de editores [e seus especialistas em marketing] que vão querer incluir estes recursos em seus arsenais.

Muitas das empresas mencionadas neste post vão falar na Digital Book World, 14-15 de janeiro de 2015.Blurb e ePubDirect são patrocinadores que também estarão no programa. Palestrantes da Forbes, Ingram,Overdrive, Oyster, Penguin Random House, Perseus, Scribd, US News & World Report e Vook estão nos painéis. No palco principal, vamos ouvir uma apresentação de James Robinson, que faz análise de web na redação do The New York Times, e Michael Cader e eu vamos conversar com Russ Grandinetti da Amazon.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Biblioteca versão 2.0


Em todo primeiro dia de aula de sua turma de biblioteconomia na Universidade de Hamburgo, o professor Olaf Eigenbrodt, diretor do Departamento Central de Serviços e Atendimento ao Leitor da Biblioteca Estadual Universitária Carl von Ossietzeky, pergunta a seus alunos por que escolheram aquele curso de graduação. Ou seja, por que querem ser bibliotecários? Àqueles que respondem simplesmente que optaram pela carreira apenas porque gostam de livros, a réplica de Eigenbrodt causa espanto: “Digo para escolherem outra profissão“. A justificativa para a recomendação radical esboça o perfil exigido do bibliotecário do século XXI.

Por Jorge Felix | Publicado originalmente em Valor Econômico | 21/11/2014, às 05h00

Rede social de livros lança app para iPhone


Nessa semana, a Skoob, que se orgulha de ser a maior rede social de leitores do Brasil, fez uma atualização do sistema e trouxe algumas novidades. Na última quarta-feira, foi a vez de usuários do sistema operacional iOS terem acesso a um app pelo qual podem compartilhar suas leituras, escrever resenhas e usar a câmera do seu celular ou tablet para escanear o código de barras do livro, o que ajuda a catalogar os livros por meio do ISBN, já puxando alguns metadados da obra. A versão para Android está em fase de testes e deve sair ainda esse ano. Os usuários também podem ler os primeiros capítulos de obras disponibilizadas pelas editoras. A Skoob já alcançou a marca dos 1,8 milhão de usuários, que em 2014 leram aproximadamente 5,6 milhões de livros. O mais lido em 2014 foi A culpa é das estrelas, com mais de 100 mil leitores. A comunidade é composta majoritariamente por mulheres [72%], que leem três vezes mais do que os homens, conforme informou os administradores da rede.

PublishNews | 20/11/2014

Os títulos no livro digital


POR Joana De Conti | Publicado originalmente por COLOFÃO | 19 de novembro de 2014

O texto desta semana vai tratar de um assunto aparentemente simples, mas que muitas vezes apresenta desafios bastante interessantes para a produção do livro digital: os títulos dos capítulos. Sem dúvida a primeira imagem que evocamos quando falamos do assunto é a reunião de algumas poucas palavras centralizadas e no topo de uma página, escritas em caixa alta e com um tamanho de fonte maior do que o do corpo do texto. Muitas vezes este padrão é modificado e/ou decorado com imagens, o que pode tornar o livro mais atraente e agradável de ser lido. Entretanto, são nestas variações de diagramação que residem os desafios para a produção do livro digital. Neste texto pretendo apresentar três possíveis modelos de título e as respectivas soluções apresentadas ao se produzir a versão digital de cada um deles.

1. Títulos alternados entre o lado direito e esquerdo das páginas

Para fazer uma correspondência com o lado do livro no qual o capítulo começa, que por vezes pode se alternar entre os números pares ou ímpares de página, o título é alinhado também em alternância entre os lados esquerdo e direito, como no exemplo abaixo.

Para a versão digital destes livros eu escolho alinhar o texto apenas de um lado, já que os aparelhos de leitura de modo geral não possuem o formato de página dupla e, portanto, os capítulos começam sempre no mesmo ponto.

 

Nas imagens acima há uma segunda característica que precisa ser respeitada e adaptada: a existência de uma imagem decorando o título. Seguindo o meu padrão de adaptação, coloquei a imagem sempre ao lado esquerdo do título, diminuindo-a de tamanho para que ficasse posicionada corretamente em relação ao texto.

2. Títulos grandes

Por conta dos possíveis adornos ao redor do título ou mesmo pelo tamanho deste, algumas vezes os títulos podem ocupar um
espaço grande no início do capítulo, chegando a tomar 50% da página do livro. Ao transpor isto para um aparelho de leitura pequeno, como um celular, pode tornar a leitura e visualização bastante incômodas. O título pode, inclusive, acabar ficando dividido entre várias páginas. Sugiro, nestas situações, quebrar o HTML do capítulo, separando o título do texto. Assim não haverá, por exemplo, a chance de termos uma página visualizada apenas com o título e uma linha solitária de texto no final da página.

 

3. Proporção desarmônica entre imagem e texto no título

Como é possível ver no exemplo abaixo, às vezes o título aparece inserido numa imagem que ocupa um espaço bem maior do que o texto. A solução mais óbvia seria colocar a imagem como fundo [usando para isso a propriedade background-image], deixando o texto escrito por cima dela. Porém as chances de isso apresentar erros e o texto se deslocar para fora da imagem em muitos dos aparelhos de leitura é grande. Nestes casos o ideal não é óbvio. O mais correto seria manter o texto como imagem, adaptando o seu tamanho para que ele fique maior e mais encorpado. Deste modo, o título continuará legível se a imagem for redimensionada e reduzida para se adaptar às diferentes telas.

Como é possível notar, nenhum destes modelos apresenta problemas na versão impressa. São propostas de diagramação que enriquecem o livro e dialogam com o conteúdo do texto de maneira fluída e orgânica. É importante, ao desenvolver o projeto da versão digital do livro, pensar neste diálogo e buscar soluções que o preservem, mesmo que para isso seja necessário fugir um pouco do projeto gráfico do livro impresso. Adaptações bem pensadas tornam o livro tão atraente na versão impressa quanto na digital, até mesmo quando surgem diferenças notáveis entre elas. Estudar a primeira para desenvolver a segunda é fundamental, assim como consumir livros nos dois formatos, analisando as soluções encontradas para cada desafio que se apresentou à produção de ambos.

POR Joana De Conti | Publicado originalmente por COLOFÃO | 19 de novembro de 2014

eBook patrocinado faz propaganda de adoçante ao longo do enredo


POR ALEXANDRA ALTER | DO ‘NEW YORK TIMES’ | Publicado por Publicado por Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 18/11/2014, às 3h00

 

A heroína de “Find Me I’m Yours” [Encontre-me, sou seu], o novo romance de Hillary Carlip, é uma jovem chamada Mags à procura do amor em Los Angeles. Mas o livro também tem outro protagonista: o Sweet’N Low.
Esse adoçante aparece várias vezes nas 356 páginas da trama, de formas sutis -ou nem tanto.

Numa passagem, Mags é provocada por usar Sweet’N Low no seu café.

“Hellooo, isso não faz mal?”, pergunta a amiga.

Mags responde que já pesquisou e encontrou estudos segundo os quais o produto é seguro: “Eles fizeram ratos de laboratório comer 2.500 pacotes de Sweet’N Low em um dia… E nem assim a FDA [agência que regula alimentos e remédios nos EUA] ou a EPA [agência de proteção ambiental], ou uma agência dessas, conseguiu ligar os pontos entre qualquer tipo de câncer em seres humanos e a minha festinha empacotada”.

Esse trecho foi um oferecimento da Cumberland Packing Corporation, empresa com sede no Brooklyn que fabrica o Sweet’N Low. Ela investiu cerca de US$ 1,3 milhão [R$ 3,38 milhões] em “Find Me I’m Yours”.

O livro não tem nada de especial. É um e-book e um conjunto de sites, além de ser um veículo para conteúdo patrocinado.

Porém, se der certo, a iniciativa pode desencadear um novo modelo de negócios para editoras, borrando os limites entre arte e comércio.

A editora RosettaBooks oferece “Find Me I’m Yours” nos principais canais de varejo digital. Mas também está comercializando a obra, que custa US$ 6,99 [R$ 18,19], com cartões que podem ser usados para o download.

Como a editora pode imprimir várias tiragens, uma empresa pode comprar 10 mil cartões para distribuir o livro, por exemplo, com conteúdo publicitário específico de uma marca.

Como os cartões contêm códigos individuais para o download, eles permitem monitorar a maneira como os leitores se envolvem com o livro.

“Find Me I’m Yours” é uma comédia romântica sobre Mags, artista excêntrica e batalhadora em Los Angeles, que se descobre traída pelo namorado. Ao topar com uma mensagem em vídeo de um lindo estranho, ela se convence de que são almas gêmeas e sai à procura dele.

Para dar corpo ao mundo ficcional, Carlip montou 33 sites associados ao enredo. À medida que os leitores avançam na trama, podem ler artigos no Bridalville, o site para o qual Mags trabalha, ou visitar o Freak4mypet.com, onde o ex-namorado de Mags posta fotos de seus cães [e onde os leitores podem postar as de seus próprios animais de estimação].

O objetivo desses sites é receber conteúdo patrocinado -uma fábrica de ração poderia patrocinar uma série no Freak4mypet, por exemplo.

O desenvolvimento de “Find Me I’m Yours” custou US$ 400 mil ao longo de três anos [R$ 1,04 milhão]. É o primeiro projeto a sair da Storyverse Studios, empresa de entretenimento que Carlip criou com a produtora de TV e roteirista Maxine Lapiduss.

Steven Eisenstadt, presidente e executivo-chefe da Cumberland Packing, disse que viu em “Find Me I’m Yours” uma maneira de alcançar as consumidoras mais jovens e combater “mitos latentes” sobre os perigos dos adoçantes artificiais para a saúde. “Parecia uma versão mais moderna do merchandising de televisão”, disse ele.

“Eles estão incluindo um produto na história de forma inteligente e cuidadosa, mas de uma maneira que não macule a integridade da obra.”

POR ALEXANDRA ALTER | DO ‘NEW YORK TIMES’ | Publicado por Publicado por Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 18/11/2014, às 3h00

Pequenos editores e autores aprendem a desbravar terreno do livro digital


O paulistano Ricardo Lísias recentemente protagonizou um feito que ganhou grande repercussão no mundo dos livros. Sua ficção “Delegado Tobias”, publicada em quatro volumes, no formato e-book, conseguiu estar entre os mais vendidos em lojas virtuais como a Apple Store, Amazon, Livraria Cultura, figurando num ranking até então dominado pelos best-sellers internacionais.

Primeiro da série inaugurada dentro do selo Formas Breves, editado pelo escritor Carlos Henrique Schroeder, o caso se soma a outros que conquistaram projeção semelhante, como os contos “A Otária”, de Marcia Tiburi, e “Um Mistério nos Electric Lady Studios”, de Cadão Volpato, também localizados entre os dez mais adquiridos nas listas da Amazon.

Lançadas ao preço de R$ 1,99, as narrativas chamam atenção para as possibilidades de alcance de um formato que no Brasil ainda engatinha, mas vem sendo explorado de maneira criativa por autores e pequenas editoras.

Embora ainda represente algo entre 5% e 7% do mercado editorial brasileiro, o nicho tem mostrado o seu potencial de revelar o trabalho de novos autores, de facilitar o acesso aos escritos de nomes mais conhecidos, além de recolocar em circulação obras que se encontram fora de catálogo. Schroeder nota nesse aspecto uma contribuição para o fortalecimento da diversidade literária.

O e-book abre grande vantagem na democratização do acesso e da construção de uma cultura que luta pela defesa da bibliodiversidade. Com o Formas Breves, por exemplo, nós nos baseamos na dinâmica de apresentar contos de autores jovens e consagrados. Estamos buscando um caminho nessa mistura”, observa o editor.

Entusiasmado com o impacto de “Delegado Tobias”, Lísias ressalta a versatilidade do e-book, capaz de inaugurar formas contemporâneas de escrita. Na confecção dessa trama policial, ele incorporou o uso das redes socais não apenas como espaço de divulgação do que estava fazendo, mas como estratégia para criar uma espécie de narrativa expandida.

Esse projeto, especialmente, se tornou algo além de um título dividido em fascículos. Ele teve uma dimensão externa que se acoplou ao texto, mantendo interação constante com os leitores. Antes de fazer o primeiro volume, eu estudei um pouco sobre as vendas de e-books, sobre alguns defeitos comuns nesse produto e brinquei com isso, colocando, inclusive, algumas páginas que paravam na metade”, diz Lísias.

Para ele, essa foi uma forma de lidar com a própria linguagem do meio. “Eu joguei com algumas características, mas certamente ainda há muito o que experimentar, principalmente em relação aos aspectos formais do gênero”, acrescenta.

Schneider Carpeggiani, editor do “Suplemento Literário” de Pernambuco, também acredita no desenvolvimento dos e-books. Fundador da editora digital Cesárea, ao lado da designer Jaíne Cintra, desde o ano passado ele vem publicando textos difíceis de serem encontrados atualmente.

São exemplos o livro “Essa Angústia Louca de Partir”, o primeiro do chileno Pedro Lemebel a sair no país; “Aspades ETS etc”, de Fernando Monteiro”, e “Maçã Agreste”, de Raimundo Carrero. A versão impressa dos dois últimos, inclusive, não se acha nas livrarias. “Isso faz parte de um projeto de experimentação que nós estamos fazendo. Neste ano lançamos cinco livros e estamos já pensando nos que vamos produzir no próximo ano”, observa Schneider Carpeggiani, que frisa ser necessário entender melhor o papel do e-book.

Ele me parece um balão de ensaio, com vários resultados possíveis, mas alguns setores não parecem ainda saber lidar muito bem com esse formato. Um ponto que ainda merece ser analisado é a questão do preço que se pratica hoje aqui. Muitos acham que a diferença de cerca de 20% no valor do título impresso e do mesmo à venda em e-book é muito pouca pela economia com custos de impressão e distribuição que se consegue ao trabalhar com o digital”, comenta Carpeggiani.

Publicado originalmente em O Tempo | 16/11/2014

Adolescente cearense é best seller na Amazon


Nita Cairu e a Espada de Gohayó

Nita Cairu e a Espada de Gohayó

Após sucesso de venda no Brasil, o escritor cearense Gabriel Damasceno, de 16 anos, entra na lista de mais vendidos do site Amazon em vários países. O romance Nita Cairu e a espada de Gohayó aparece neste domingo como o livro infanto-juvenil mais vendido na Amazon na Itália, em segundo lugar no ranking de best-sellers do Canadá, 12º nos Estados Unidos e 41º na Alemanha.

“Chequei minha conta na Amazon e vi que estava dólar, euro… eu pensei ‘Valha-me, de onde está vindo esse dinheiro?’. E só depois vi a lista dos mais vendidos nos outros países e vi meu livro na lista dos mais vendidos”, relata Gabriel.

Com as vendas em alta e repercussão na imprensa, Gabriel diz que começa a receber propostas de editoras e convites para o lançamento da obra. Neste mês ele estará em Fortaleza [18 de novembro, no Shopping Iguatemi], Quixelô [19], Quixadá [21] e em Quixeramobim [28] para sessão de autógrafo. Ele também já recebeu convite para o lançamento de Nita Cairu na Bienal do Livro de Fortaleza, em 2014, no Maranhão.

O romance é inspirado nas aulas de história do Brasil colonial, após a chegada dos portugueses ao território nacional. Nita Cairu une fatos e personagens históricos com aventura e romance fictícios.

“Nas aulas de história, me interessei bastante pelo assunto do Brasil colonial e estudei tudo o que podia. Como me aprofundei muito no assunto, achei que podia contar a história de uma forma agradável”, relata o escritor.

A personagem que dá título ao livro é uma adolescente da idade do escritor que teve a família assassinada em um ataque português. Após viver um tempo sozinha, ela se torna um vértice de um triângulo amoroso com um português e um índio.

Damasceno diz que fez questão de manter alguns fatos fiéis à história brasileira, mas não podia deixar de acrescentar um toque de inventividade. “Há um personagem, o Martin Afonso, que é idolatrado na primeira vila colonial do Brasil, da mesma forma como no livro, mas alterei a personalidade dele para dar aventura à minha história”, diz.

Gabriel Damasceno

Gabriel Damasceno

Trilogia

Inspirado em dois grandes sucessos mundiais da literatura infanto-juvenil, Harry Potter e Percy Jackson, Damasceno criou seu romance em formato de trilogia. O primeiro livro foi lançado no dia do aniversário de sua mãe, 24 de julho deste ano; as continuações já têm data de lançamento marcada: o próprio aniversário, 11 de março; e o dia de nascimento do pai, 9 de outubro.

“Quando pensei na história, pensei muito nos livros que gostei. Ele se encaixa muito bem no formato de trilogia, porque fica o mistério do sumiço de um espada sagrada, espada de Gohayó, no primeiro livro. Também tem a questão do marketing, não posso negar. Com três livros, espero ter uma boa repercussão em cada lançamento”, diz.

Publicado originalmente em G1 | 16/11/2014

Desonerar ou não, eis a questão


Fátima Bezerra

Fátima Bezerra [PT-RN]

Dois anos depois da aprovação no Senado, o projeto de lei que propõe equiparar e-books e e-readers aos livros impressos, de forma que os aparelhos também tenham isenção fiscal, vive reviravoltas no Congresso.

Em junho, na Comissão de Cultura da Câmara, a relatora Fátima Bezerra [PT-RN] deu parecer contrário ao projeto do senador Acir Gurgacz [PDT-RO], argumentando que abre margem à desoneração até de celulares, que podem ser usados para ler textos.

A deputada propôs desonerar só e-readers produzidos no Brasil. A ideia teve apoio de entidades editoriais, mas não da Amazon e da Livraria Cultura, cujos e-readers importados ficariam 50% mais baratos com o projeto original.

Dias atrás, com o lobby da Amazon, o projeto passou à Comissão de Constituição e Justiça sem a mudança do parecer, voltando ao formato inicial. Agora, pode ir a plenário –onde a Amazon terá mais força para emplacar a aprovação.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 15/11/2014

Resgate digital


Dezembro marcará a estreia da Dubolso Digital, que retomará, em e-books, títulos da antiga Edições Dubolso – responsável, nos anos 1980 e 1990, por publicar autores como Sérgio Sant’Anna, Glauco Mattoso e Sérgio Fantini.

Obras inéditas ou lançadas naquele período em tiragens restritas estão previstas para esta nova fase, no formato e-Pub, com preços de R$ 9,90 a R$ 14,90.

Entre os títulos previstos, estão “Junk-Box”, único livro de poesia de Sérgio Sant’Anna, de 1984, com ilustrações de Sebastião Nunes; “Amor”, o primeiro livro de André Sant’Anna, com ilustrações próprias; “Decálogo da Classe Média”, prosa satírica de Sebastião Nunes; e “Os 10 Pecados de Paulo Coelho”, ensaio de Eloésio Paulo.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 15/11/2014

Editora Allison & Busby fala de sua experiência com os eBooks


unnamed (1)O Boletim Google Play Número 9, conversou com Susie Dunlop, diretora editorial da Allison & Busby, uma editora independente com sede no Reino Unido. A empresa tem muitos anos de experiência com a publicação de livros físicos e recentemente decidiu aventurar-se com eBooks. Boletim Google Play Número 9 pediu a Susie que compartilhasse um pouco de sua história.

Como começou sua experiência editorial?

Entrei na William Collins [agora chamada HarperCollins] no final dos anos 1980, como secretária de um gerente de vendas que cuidava dos negócios do clube de livros. Como ele estava se aposentando, fiquei muito envolvida em todos os aspectos do trabalho. Naquele tempo, antes de existir e-mails e Internet, isso significava falar com colegas e clientes diariamente.

Aprendi muito ao passar por vários departamentos. Todo mundo era essencial para nossa função de vendas, desde as áreas de marketing e publicidade até o setor de arte/design e produção. Eu não estaria no cargo de diretora editorial hoje se não tivesse conhecido tão bem os fundamentos de todos os aspectos do processo de publicação.

unnamed (2)Qual foi o impacto causado pelo crescimento da indústria do eBook?

Foi um começo lento para nós, sendo uma editora tão pequena, mas logo que nos unimos à iniciativa Faber Factory, as coisas começaram a melhorar. Vimos um crescimento sólido nos primeiros 18 meses e foi incrível ver o público leitor adaptar-se tanto aos livros eletrônicos.

O crescimento desse formato tem um grande impacto nas minhas decisões editoriais e de aquisição. Frequentemente avalio os livros de acordo com seu potencial de venda no formato digital. Mesmo assim, ainda publico livros que adoro e sem os quais não poderia viver, mesmo achando que não venderemos uma cópia sequer!

Que conselho você daria a autores ou editores que estão começando?

Faça seu dever de casa e pesquise tudo que puder. Observe outros autores e editoras que têm algum impacto em áreas nas quais você deseja se envolver. Suas capas são tão atraentes quanto as deles?

Pense em como a capa do seu livro vai ficar como uma miniatura em um website ou no Twitter. Faça com que seu trabalho receba resenhas de blogueiros e leitores. Resenhas de colegas são tão essenciais hoje em dia quanto as da mídia tradicional.

Seja notado. Com seus metadados bem divulgados, seu livro pode ganhar destaque. Não tenha medo de críticas e de seguir conselhos. Há muitos outros editores e autores por aí que têm o prazer de compartilhar experiências, sejam boas ou ruins.

 

Amazon e Hachette entram em acordo


A Amazon e a Hachette finalmente colocaram um ponto final nas suas negociações que se arrastavam desde maio. Desde então, a Amazon tirou os produtos da Hachette da pré-venda, eliminou os descontos nos títulos publicados pela editora e começou a entregá-los com atraso. O acordo anunciado no início da tarde de ontem [13] contempla e-books e livros impressos.

No comunicado, assinado conjuntamente pelas duas empresas, Michael Pietsch, CEO da Hachette, disse que o anúncio é uma ótima notícia para os escritores. “O novo acordo beneficiará os autores. Ele dá à Hachette uma enorme capacidade de ações de marketing com um dos nossos mais importantes varejistas“, disse.

Estamos muito felizes com o novo acordo que inclui a possibilidade de entregar os produtos da Hachette a um preço menor, o que, nós acreditamos, será um grande ganho para os leitores, bem como para os autores“, disse David Naggar, vice-presidente para o Kindle no comunicado.

Pelo acordo, a Hachette terá a responsabilidade de adequar os preços finais para os consumidores. Amazon e Hachette devem retomar imediatamente a normalidade das vendas e os livros da Hachette poderão entrar em promoções. Na prática, a nova medida marca o retorno ao modelo agência, no qual as editoras definem os preços dos livros e a varejista recebe comissão de 30% sobre o valor.

O comunicado, embora coloque um ponto final na pendenga que se arrastava desde maio, não dá detalhes da negociação e nem como as empresas chegaram ao acordo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 13/11/2014

Mapeando a literatura


O Conexões Itaú Cultural tem colocado em rede profissionais vinculados a mais de 150 universidades do exterior, todos eles ligados ao ensino e pesquisa da literatura brasileira. Acessando o banco de dados online e clicando sobre o nome de cada universidade é possível obter informações dos profissionais vinculados a ela, suas minibios e páginas pessoais na internet. Ainda é possível obter diversas outras informações sobre os mapeados, como os interesses e principais áreas de estudo  na literatura e cultura brasileiras.

PublishNews | 13/11/2014

Amazon lança novo Kindle básico no Brasil por R$ 299


A Amazon lança nesta quinta-feira [13] o modelo mais barato do seu leitor de livros eletrônicos, o Kindle, por R$ 299, que foi atualizado com tela sensível ao toque. O preço é o mesmo do dispositivo da geração anterior.

A gigante do comércio eletrônico americana também vende o modelo Paperwhite, que tem tela iluminada, por R$ 479 no Brasil.

O modelo de topo de linha, chamado Voyage [que tem tela com tela coberta por vidro, com resolução mais alta], não é comercializado por aqui. Nos EUA, custa aproximadamente o dobro do que o Paperwhite.

O novo Kindle mais básico, que chegou ao Brasil em novembro de 2014 por R$ 299

O novo Kindle mais básico, que chegou ao Brasil em novembro de 2014 por R$ 299

Segundo a companhia, o novo modelo mais barato do Kindle ganhou um processador 20% mais rápido, o que, em teoria, melhora a navegação por menus, pela loja e torna mais fluidos os avanços de página.

A capacidade de armazenamento foi dobrada, de 2 Gbytes para 4 Gbytes, suficiente para “milhares de livros”, diz a empresa.

O aparelho chegou ao mercado americano no dia 1º de outubro.

Há cerca de 40 mil livros em português na loja brasileira da Amazon, entre os quais 2.500 são gratuitos e 20 mil custam R$ 10, segundo a empresa.

A Amazon lançou uma versão brasileira de seu site há cerca de dois anos, em 6 de dezembro de 2012.

Publicado originalmente por Folha de S.Paulo | 13/11/2014, às 08h01

Porque um código bom é um código limpo


POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antes de qualquer coisa…

Este artigo não tem pretensões de ensinar HTML ou CSS, mas de mostrar sua lógica de funcionamento e apontar o porquê de um código limpo e bem estruturado ser importante. Dito isso, seguimos:

O que você precisa saber sobre o código é o seguinte: ele é importante e quase tudo relacionado a sistemas computacionais existe a partir de suas linhas. Exemplo inocente: você já viu um arquivo docx1, do Word,  por dentro?

Ele é mais ou menos assim:

 

A importância de um código bem estruturado, além de ajudar na compreensão imediata do conteúdo [e de sua renderização], funciona como garantia de integridade do mesmo para o futuro.

Vamos supor que, em alguns anos aconteça ao ePub algo similar ao que aconteceu com os arquivos que eram produzidos com o Ventura. Digamos que a indústria adote outro formato para publicações digitais.

Um código limpo, bem construído, te permite a exportação com integridade de forma e conteúdo, evitando surpresas desagradáveis ou a necessidade de refazer todo o trabalho a partir do zero.

Por exemplo, quem está pegando os arquivos do Ventura hoje para reimprimir um livro de fundo de catálogo, tem grandes chances de ter que refazer o livro todo, usando o InDesign, provavelmente. E, nesse caso [do Ventura e do InDesign], ainda temos outro agravante: formatos proprietários não são editáveis fora de suas plataformas, no geral.

Em relação ao ePub, isso é algo com o que não precisamos nos preocupar, pois, diferentemente do mobi, da Amazon, o ePub não é um formato proprietário, pelo contrário, tem base no HTML, que é amplamente utilizado. Logo, a exportação para outro formato é viável no cenário hipotético onde ele não seria mais o padrão para publicações eletrônicas.

De qualquer forma, ter um arquivo que parece ok para quem olha num dispositivo de leitura, mas que, por baixo desta visualização, se encontra um código cheio de remendos e informações redundantes e/ou desnecessárias, pode se tornar um complicador não apenas para uma futura exportação como também para simples correções ou atualizações de conteúdo.

Lógica de funcionamento

Grosso modo, o ePub é composto por HTMLs +CSS dentro de um ZIP. Como uma página web empacotada.

O HTML [Hyper Text Markup Language] é uma linguagem de marcação, enquanto o CSS [Cascade Style Sheet] funciona como uma página de instruções para essas marcações, uma folha de estilos, por assim dizer.

Essas marcações são bastante visíveis no exemplo abaixo, reparem como o 1[body] marca o início do corpo, o h1 [Header 1] denomina o título 1, o h3,  o segundo, e o p [4] o início de um “parágrafo”.

 

Dentro do p, temos os números 5 e 6,  respectivamente, itálico [<em>, deemphasys] e negrito [<strong>].

As marcas amarelas estão sobre a barra “/” que determina o final de cada marcação.

Essa hierarquia define bem a lógica de funcionamento do HTML.

Alterando valores e classes

Tendo o CSS linkado ao arquivo HTML, podemos alterar os valores padrão de cada item e acrescentar outros que os diferenciem através das classes.

Por exemplo:

Especificamos a cor vermelha no item 1; o alinhamento para a direita, no 2; o tamanho da fonte e o tipo de fonte [3 e 4];

Não se preocupem, se vocês leram até aqui, estamos chegando ao ponto que eu estou tentando mostrar.

Da mesma forma que utilizamos os parâmetros para o <h1>, podemos podemos fazê-lo com o <p>, todavia, dificilmente um livro terá apenas um tipo de parágrafo. Nos mais simples, podemos observar pelo menos dois tipos: com recuo e sem recuo [ou, com indentação e sem indentação]. Nesses casos, criamos uma classe separada, por exemplo, “indent”.

Minha ideia aqui é unicamente deixar claro o porquê é importante manter um código bem estruturado e livre de incongruências. Como eu disse, além de garantir que seu conteúdo se apresente mais fielmente nos vários dispositivos e aplicativos de leitura, caso seja preciso exportá-lo para outro formato ou mídia, toda informação sobre seu conteúdo estará salva e legível.

Não digo que todo mundo precisa saber HTML ou CSS, mas é bom que, ao fornecer um e-book ou contratar um serviço de conversão, alguém possa analisar a qualidade do que foi entregue, afinal, é o produto que vai para o leitor.

Por fim, uma última imagem, um único parágrafo, para que meditemos a respeito da importância da beleza interior.

POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim (UFF) e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Livros em 2020


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 12/11/2014

Apesar de uma queda notável no número de participantes, festas com champanha e hors d’oeuvres, além do burburinho de livros, eu achei que este ano a Feira do Livro de Frankfurt foi mais inspiradora que nunca. O digital estava no ar [literalmente] já que livros didáticos conectados e startups de big data substituíram os fornecedores de serviços terceirizados nos Hotspots por toda Frankfurt Messe.

Vou mostrar algumas das tendências digitais que acho que vão transformar a palavra escrita nos próximos cinco anos.

Livros Didáticos “Context-Aware”
LearnFwd, uma empresa de tecnologia romena com sede em Londres deu incríveis saltos em sua plataforma de livros didáticos colaborativos no último ano. Todos os queixos de uma sala de conferência caíram quando seus próprios celulares foram conectados a uma sala de aula especial através de um livro no browser, simples de usar. LearnFwd é pioneira em uma tecnologia que eles chamaram de livros didáticos “context-aware”. Usando funcionalidades de padrões abertos como JavaScript e CSS, eles desenvolveram mais de 15 widgets ou “mix-ins” que você pode usar no HTML5 com um design receptivo [pense num ePub3 sem o envoltório]. Estes mix-ins transformam o conteúdo em um livro didático context-aware que sabe quando está numa sala de aula, que pode funcionar perfeitamente online e offline e que conecta as salas de aula [diretamente dentro do próprio livro]. Salva seu progresso, suas respostas, além de permitir trabalho em grupos. E tudo dentro do melhor “reader” do mundo: seu próprio browser. Realmente algo do futuro, mas com tecnologia de hoje.

Aprendizado Adaptativo
Apesar de que os Learning Management Systems [LMS] e SCORM já existem há anos, o uso deles se limitava a capturar respostas de testes e uso de estatísticas de uma forma bastante estática. Aquafadas, ao usar a próxima geração de SCORM, chamado TIN CAN ou API de Experiência está provando que o mundo não precisa ser desse jeito. Em Frankfurt, eles mostraram o aprendizado adaptativo, onde a experiência de leitura de um livro didático ou conteúdo educativo muda dependendo das entradas dos usuários. As possibilidades são literalmente infinitas, pois cada estudante pode aprender a seu próprio ritmo, ser desafiado segundo o nível apropriado dele e recompensado pelas respostas corretas. Ao mesmo tempo, a plataforma pode capturar dados sobre os padrões de aprendizado assim as escolas e as editoras podem adaptar as entregas de conteúdo, melhorando continuamente.

Grandes [e pequenos] dados
O Google Analytics já existe há anos. Mas só recentemente os fornecedores da plataforma alavancaram esta captura analítica tanto online quanto offline para que todos na cadeia de valor da indústria editorial pudessem se beneficiar. Alguns poucos fornecedores de apps de leitura começaram a abrir o acesso a estas chamadas estatísticas “big data” como a porcentagem de tempo gasto em um capítulo. Certamente as implicações destes dados são profundas já que também fornecem acesso a “small data” onde os resultados não são necessariamente anônimos e os dados do usuário final [quem lê qual livro] também podem ser expostos. Os riscos de tais posturas ficaram claras com o escândalo Adobe Digital Editions – onde padrões de leitura específicos de usuários eram enviados de volta em texto sem encriptação para um servidor centralizado. No entanto, o uso responsável pode fornecer informações importantes para a indústria de conteúdo, como a Kobo nos mostra aqui.

Animado? Eu estou. Vou apresentar estas tendências e os planos da Hondana para usá-las no Ciclo de Palestras do Centro de Inovação C.E.S.A.R em Recife nesta semana. No espírito da “captura de dados”, seu feedback é sempre bem-vindo! greg@hondana.com.br.

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 12/11/2014

Greg Bateman

Greg Bateman

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Tocalivros quer ser a Amazon dos audiolivros


Um dos melhores livros que Ricardo Camps já leu foi Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski. Ou melhor, é um dos melhor livros que Camps já ouviu. Ele é um dos sócios da startup Tocalivros, que começou suas operações oficialmente na última terça-feira [11]. Camps e seus sócios perceberam que existia um mercado não explorado aqui no país. Tudo que havia eram livros em CDs. Foram negociações com editoras e gravações de alguns títulos para o lançamento da Tocalivros. Além disso, foi desenvolvida uma plataforma completa, toda feita no Brasil. A Tocalivros chega com foco em apps para smartphones. Já estão disponíveis versões para iOS e para Android. A ideia é que o Tocalivros seja capaz de produzir 20 livros narrados por mês. Para isso, já são 50 narradores trabalhando em seis estúdios diferentes. A ideia dos audiolivros procura respaldo nos hábitos dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa do Ibope, 50% dos entrevistados afirmaram não ler mais por falta de tempo. Um livro de 300 páginas tem em média seis horas de narração, de acordo com o Tocalivros. “Se uma pessoa passar meia hora no trânsito ouvindo um livro, em uma semana ela terá ouvido um livro completo”, afirma Camps.

Por Victor Caputo | Exame | 12/11/2014

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Editora FGV lança novo site


Portal tem seção especial para editoras parceiras

logoTopA Editora FGV acaba de lançar um novo site, com várias opções de busca, área especial para imprensa, espaço para divulgação de seus eventos e inserções na mídia, seção de e-books gratuitos e destaque para o projeto de revenda de livros digitais de editoras universitárias. A proposta do site é agregar obras de diversas editoras universitárias e construir um local de disseminação do conhecimento de acesso rápido, eficaz e mais barato, já que a tendência é que todas as editoras parceiras também mantenham o valor dos seus e-books 30% abaixo do preço dos livros impressos equivalentes. Para conhecer o portal, clique aqui.

PublishNews | 11/11/2014

Enhanced eBooks


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Recentemente a newsletter DBW – Digital Book World Daily publicou extenso artigo sobre as razões pelas quais os chamados livros digitais enriquecidos [enhanced] não haviam ganhado impulso. O artigo, The Real Reason Enhanced Ebooks Haven’t Taken Off [Or, Evan Schnittman Was Right… For the Most Part], escrito por Peter Constanzo, destacava palestra de Evan Schnittman, pensador da indústria digital e diretor de vendas da Hachette Book Group na Feira de Londres em 2011. Nessa apresentação, Schnittman disse que o formato estava praticamente morto e era um beco sem saída para os editores.

O fato é que, alguns anos antes disso, inclusive em um dos Congressos do Livro Digital da CBL, essa moda do livro digital enriquecido – que permitia a inserção de áudio e vídeo de modo dinâmico – havia sido apresentado como a evolução mais importante do setor editorial. Esse segmento da indústria editorial, o dos livros eletrônicos, apesar de bem recente, já viveu alguns modismos que desapareceram rapidamente, como o das “leituras sociais” [quem tem paciência, mesmo, de ficar lendo em conjunto com um bando de desconhecidos?] e os apps autônomos para a publicação de livros, que só subsistem hoje para alguns livros ilustrados infantis.

Mas voltemos ao assunto.

Schnittman assinalava um ponto indiscutível, e que até hoje representa um entrave considerável. Os formatos enhanced não podem ser lidos com a mesma eficácia em todas as plataformas. O que funciona bem para tablets, e em especial para o iPad, mesmo que distribuído pela Amazon [suponho que também funcione bem para o Kindle Fire]. O formato não é “trans-plataforma”. Comparando com música e jogos, Constanzo assinala que podemos escutar a música baixada online em qualquer aparelho digital, assim como se pode jogar “Call of Duty” em várias plataformas, com o mesmo resultado. O mesmo vale para filmes vistos em streaming ou nos DVDs comprados ou alugados. Mas isso não acontecia com os livros “transmedia” elaborados com o ePub3.

Eu já havia observado publicações transmedia e em ePub 3 [ou desenvolvidos com HTML5] muito eficazes em publicações científicas. Acreditava que as editoras de CTP estavam mais bem capacitadas para usar esses formatos com grande eficiência, inclusive porque a maior parte de suas publicações era mesmo lida em desktops ou tablets, e online.

Minha experiência com leitores de e-books – tanto o Kindle como o Kobo – deixava evidente as limitações para visão de fotografias [mesmo em preto&branco] e, principalmente, de mapas e diagramas. É realmente difícil. E por isso mesmo mantinha em reserva minhas dúvidas quanto aos formatos transmedia.

Bom: Constanzo desenvolve o artigo dizendo que, em absoluto, não é o caso de desprezar os empreendimentos editoriais em ePub3 de livros enriquecidos. Diz ele que, especialmente “para livros de não-ficção selecionados, podem ser muito bem combinados com áudio e vídeos selecionados com curadoria”.

Na recente II Conferência Revolução e-Book, promovida pelo Eduardo Melo e sua equipe da Simplíssimo, assisti a uma amostra de que essa observação é realmente correta. Em casos específicos, os e-books avançados podem realmente proporcionar ao leitor uma experiência diferenciada.

A palestra de Cindy Leopoldo e Maria de Fátima Fernandes, da Intrínseca, sobre a Coleção Ditadura – a reedição dos livros do jornalista Elio Gaspari sobre o golpe civil-militar de 1964, sua evolução e dissolução final – foi muito esclarecedora.

Os livros do Gaspari  tiveram novas edições em papel e em vários formatos de e-books, como podemos ver nesta tabela que extraí da apresentação de Cindy Leopoldo durante a conferência:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

A simples tabela mostra como o conteúdo foi muito enriquecido com o formato mais avançado.

Entretanto, as limitações para leitura nos aparelhos comuns são evidentes. A tabela abaixo, também retirada da apresentação de Cindy, explicita isso:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Como se vê, os livros vendidos pela Amazon só podem ser plenamente desfrutados se abertos nos apps da varejista no iPad [talvez no Kindle Fire]. Na loja brasileira da Amazon, esse tal de KEAV é acrônimo para Kindle Editions with Audio/Video. Lá diz também que esse tipo de arquivo pode ser aberto em todos os formatos do Kindle, mas eu testei e, de fato, no Kindle Paperwhite, nem o áudio nem o vídeo funcionam. Outro aviso da Amazon diz que “o título tem layouts complexos e foi otimizado para leitura em dispositivos com telas maiores”, mas não explicita suas deficiências de leitura nos Kindle normais. Pegadinha… Ou, como escreveu Erick Schonfeld no TechCrunc,“se você quiser essas características adicionais, a Amazon está basicamente lhe dizendo que compre um iPad”.

Um ponto muito importante na palestra da Cindy e da Maria de Fátima é que a produção do ePub3 e os acréscimos foram realmente objeto de uma cuidadosa curadoria, e colocados de modo que o leitor tenha acesso opcional a esses materiais adicionais. Segundo as duas, o autor fazia questões que a fluidez da leitura do texto não fosse prejudicada. Ao contrário, que pudesse ser enriquecida para os leitores que procurassem conhecer documentos originais, gravações de áudio e vídeo que estão referidos ou mencionados no texto.

Para que isso fosse possível, a Intrínseca teve que contratar assessoria específica para elaborar um verdadeiro roteiro da inserção desse material adicional. O trabalho foi muito grande, apesar das dificuldades propriamente técnicas não serem exatamente difíceis, usando as ferramentas disponíveis no HTML5.

Cindy teve a gentileza de me enviar links promocionais para baixar os livros na loja da Apple e, realmente, os livros são muito enriquecidos com esses anexos. As notas aparecem em pop-up, as transcrições de áudio e vídeo funcionam corretamente.

Na palestra, Cindy Leopoldo foi questionada sobre o resultado das vendas para a editora. Declinou responder, afirmando que não tinha informações da área comercial da editora.

Os quatro livros foram produzidos internamente na Intrínseca. O processo é realmente complexo, e no total foram produzidas vinte versões [cinco para cada tomo]. Evidentemente trata-se de um investimento de vulto que, com certeza, só poderá ser recuperado a longo prazo.

O conjunto do trabalho corrobora as observações de Constanzo. O esforço só compensa para certo tipo de livros de não ficção [ou quem sabe, algumas versões bem especiais de livros de ficção, e me ocorre particularmente a possibilidade de uma versão em ePub3 do romance The select works of T. S. Spivet, de Leif Larsen – The Penguin Press [O mundo explicado por T.S. Spivet – Nova Fronteira. Não li em português, mas a edição em inglês é belíssima e curiosa, e o livro virou filme em cartaz]. E, certamente, os livros técnico científicos.

São produções caras e trabalhosas, que produzem resultados muito interessantes. Mas as limitações para sua expansão são bem reais. Só lamento não haverem completado o esforço e os recursos do HTML5 e do ePUB3 para lançar de vez em formato acessível para deficientes visuais. Segundo Cindy, houve pressão de prazo para não perder o aniversário do triste golpe. Mas esse mercado está aí, ansioso por conteúdo.

De qualquer maneira, parabéns à Intrínseca pela iniciativa corajosa, e à Cindy Leopoldo e sua equipe pelo belo trabalho.

Comentários e observações são bem vindas no blog www.oxisdoproblema.com.br.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

O livro do ano segundo a Amazon


O livro de Celeste Ng ainda não saiu no Brasil

Everything I never told you, romance de estreia da escritora Celeste Ng sobre uma adolescente que cresceu em uma família multirracial no Meio-Oeste dos EUA na década de 1970, foi escolhido neste sábado o melhor livro de 2014 na Amazon.   Ele liderou uma lista de 100 boas leituras que inclui trabalhos de ficção e não ficção selecionados por editores no site da varejista online.  “É um lindo livro sobre uma família“, disse Sara Nelson, diretora editorial de livros e do Kindle no Amazon.com. “As descrições são comoventes. As pessoas são muito interessantes.”  All the light we cannot see, de Anthony Doerr, finalista do National Book Award, que será anunciado em 19 de novembro em Nova York, ficou em segundo lugar, seguido pela história de expedição polar In the kingdom of ice: the grand and terrible polar voyage of the USS Jeannette, por Hampton Sides. A lista completa pode ser visualizada emwww.amazon.com/bestbooks2014. [Nenhum dos três livros têm edições brasileiras ainda].

Por Patricia Reaney | Reuters | 10/11/2014