Livros para ouvir


Chegam ao mercado brasileiro duas plataformas de audiolivros para smartphones e tablets

ubook.com.brOs audiolivros demoraram para se adequar aos novos tempos. No Brasil, a transposição do conteúdo de um livro para o formato em áudio era comercializada, até pouquíssimo tempo, somente em CDs. Demorou, mas os provedores desse tipo de conteúdo começam a aparecer. Já está no ar – e disponível para iOS e Android – o UBook. A plataforma cobra R$ 18,90 por mês [ou R$ 4,99 por semana para clientes Claro] e os usuários têm acesso ilimitado ao seu catálogo de mais de mil títulos, segundo os idealizadores do projeto Flávio Osso e Eduardo Albano, respectivamente CEO e diretor de parcerias. Cinco dias depois do lançamento, Osso e Albano garantem que amealharam mais de 20 mil usuários. Indo mais ou menos pelo mesmo caminho, a TocaLivros prepara o lançamento oficial de sua plataforma para novembro [uma versão beta entra no ar em meados de outubro]. De diferente, a TocaLivros optou pela venda unitária dos audiolivros, ao contrário da UBook, que adotou o serviço de subscrição.

http://tocalivros.comEm comum, a UBook e a TocaLivros têm a preocupação de criar um mercado de audiobooks no Brasil. “Não é que o mercado de audiolivros é fraco no País. Ele não existe ainda”, comenta Osso. “A nossa missão é difundir o audiolivro. Queremos, junto com as editoras, fomentar esse mercado no Brasil”, defende Marcelo Camps, que ao lado do irmão Ricardo Camps, fundou a TocaLivros. Os irmãos Camps acreditam que o formato em áudio se molda bem à cultura do brasileiro. “O brasileiro lê pouco, mas quer aprender sem perder tempo”, observa Ricardo. É na interseção dessas duas coisas [tempo x querer aprender] que os empreendedores apostam.

O mercado no Brasil é mesmo muito pequeno. “Não é que o audiolivro seja um mau negócio. O meio do audiolivro é que era equivocado. Não enxergamos que o mercado está falido. Para nós, o mercado ainda não aconteceu”, defende Eduardo Albano. E de repente, eles têm razão. Não há dados no Brasil, mas estima-se que o mercado recebe, a cada ano, algo entre 30 e 50 novos títulos em audiolivros. Nos EUA – onde nasceu a Audible, comprada pela Amazon -, a coisa é bem diferente. De acordo com a Audio Publishers Association, o mercado norte-americano tem mais de 18 mil títulos, cresce a taxas de 10% ao ano e movimenta mais de US$ 800 milhões ao ano.

Modelo de negócios

Se na ponta do consumidor a TocaLivros e a UBook diferem [uma vende o audiolivro em formato digital enquanto que a outra vende a subscrição], na ponta da editora as duas se assemelham em alguns pontos. As duas empresas fornecem um modelo de parceria, em que produzem o audiolivro, sem custas às editoras parceiras [os custos de produção podem chegar a R$ 20 mil]. No caso da UBook, as editoras que colocarem audiolivros produzidos por elas recebem pelo simples fato de estarem no catálogo e também pela audiência [vezes em que o audiolivro foi acessado pelos usuários]. Já a TocaLivros remunera as editoras garantindo parte do valor arrecadado por cada título, exatamente como funciona em livrarias de livros físicos.

Outra coisa em comum, as duas plataformas garantem a segurança dos arquivos, com sistemas anti-pirataria e um dashboard pelo qual as editoras podem acompanhar em tempo real o desempenho de cada um dos seus títulos.

Rede Sociais

A UBook promete para breve o lançamento de uma nova fase da plataforma que vai passar a funcionar como uma rede social. A ideia é que os usuários troquem informações sobre os títulos, criem grupos de discussões sobre livros e compartilhem trechos pela rede social. Mais para frente, a UBook quer se tornar em uma grande marketplace do audiolivro, reunindo em uma mesma página editores ou escritores que querem produzir um audiolivro e profissionais envolvidos na cadeia de produção do audiolivro. Mas, por enquanto, são planos para o futuro. Há que se esperar que o mercado passe a existir.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

‘Gerador de poesia’ vira atração na Feira de Frankfurt


Máquina que cria versos a partir de ondas cerebrais é destaque da Finlândia, país homenageado no evento

No 1º dia, executivo da inglesa HarperCollins disse que ‘o Brasil está no topo dos lugares onde queremos estar’

Um aparelho que se propõe a gerar poemas a partir da medição das ondas cerebrais dos usuários é uma atração da Feira de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que começou na quarta [8].

Criado pelo coletivo de arte e ciência Brains on Art, da Finlândia, o país homenageado nesta edição da feira, a divertida invenção, chamada de Brain Poetry [poesia cerebral], quer mostrar que homem e máquina podem interagir nos processos criativos.

Jukka Toivanen, doutor em inteligência artificial e membro do coletivo, explica que o padrão das ondas cerebrais define o algoritmo do poema, determinado por um estilo e uma métrica. A partir daí, palavras e frases são combinadas para ter algum sentido.

Ainda não é perfeito, mas os métodos para criar poesia e música automaticamente estão evoluindo“, diz Toivanen, citando o caso do Songsmith, aplicativo da Microsoft que gera letras de música a partir da voz do usuário.

Na feira, muitos não levaram a sério. “Não tive de fazer nada! Acho que é só brincadeira“, disse Maarit Lukkarinen, intérprete finlandesa.

A agente literária alemã Alexandra Legath ficou pensativa após “gerar” um poema. “O texto é masculino, fala sou o filho de Marte’, mas sou filha de Vênus”. Achei que sairia um poema do coração, mas é muito cerebral.

Gerar poesia, e não prosa, é o que torna o Brain Poetry possível. “Gerar prosa com sentido seria difícil. Um poema permite interpretação livre. Mesmo sem sentido claro, as pessoas veem significado“, disse o pesquisador.

A Folha testou o aparelho. O poema, em inglês, foi: “Você sossegando e tentando escalar/ Uma vez virei-me sob as copas do cedro/ Você quer/ Você, nunca um amigo /Eu sorri discretamente por toda resposta /Eu evoco a idade /Pobre e decrépita alma“.

POR ROBERTA CAMPASSI | DE FRANKFURT | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 09/10/2014