E audiobook? Você já experimentou?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Não é só de epub que vive o mundo de livro digital. Considero o audiobook um tipo de arquivo que o livro pode se travestir. Mais um formato meio esquecido pelas editoras e o pior, o audiobook carrega uma carga maior de preconceito. Como assim ouvir um livro?

Olha, nem vou entrar no âmbito do quanto isso é importante para os portadores de necessidades especiais. Vou falar da praticidade mesmo.

Há um ano, acho… A Amazon comprou a Audible. Experimentei, e fiquei impressionada com a quantidade de títulos e novamente com a lavada com os gringos nos dão na arte de produzir conteúdo e dar às pessoas acesso a este conteúdo. O grande problema – que nós do ramo do e-book também enfrentamos – é que não tem quase conteúdo nenhum em português brasileiro. Encontrei somente o Adultério do Paulo Coelho. Óbvio que experimentei. Pelo que pude descobrir, o arquivo é produzido pela editora. Caso a Audible produza, ela detêm os direitos de uso de seu conteúdo. Ouvi o Adultério e me incomodava algumas entonações que a locutora fazia… Algumas vezes me questionei se ela seria brasileira… Mas o melhor do app é o uso da velocidade. Você se acostuma a aumentar a velocidade do áudio, sem mudar o timbre da voz. Acho que futuramente teremos pouca paciência de ouvir uma pessoa falar devagar, pois com o uso do app eu fiquei meio gaga, querendo falar depressa [hihi]. Mas isso nem é importante. O mais importante é que é uma forma muito boa e prática de consumo de literatura. Mais uma fonte de renda para as editoras.

Aqui no Brasil experimentei o app Ubook. O que mais gostei é que o app é leve, simples de usar… Pude fazer um plano de R$ 4,99 com a Claro (minha operadora) e esta taxa permite que eu baixe qualquer livro do acervo pra escutar. Ele também tem marcador e espaço para anotações. Muito simpático, porém com deficiência de conteúdo. As editoras mais uma vez, não pensaram nesta forma de “ler” e na produção deste tipo de arquivo.

Toda forma de ler é válida, vamos incentivar a leitura, seja ela como for…. Obra literária é obra literária e se podemos usar a tecnologia para ter mais acesso a elas, por que não?

Será que as outras lojas de livros digitais entrarão no ramo? Ora, quem vende ePub não poderia vender também audiobook?

E pelo amorrrrr…. Esqueça DRM. DRM de áudio já se provou um fracasso!

Alguém tem mais informações sobre audiobook? Ou mais informações do que coloquei na coluna? Me escreva que publicarei para compartilhar com os leitores: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Anúncios